PSICOLOGIA MDICA
por
ERNST KRETSCHMER

                Este livro foi digitalizado sem fins comerciais para uso
exclusivo de pessoas com deficincia que necessitem de leitores de tela
para aceder ao seu contedo, no devendo ser distribudo com outra
finalidade, mesmo de forma gratuita.


Superviso da traduo: J. B. BREDA,
Membro da Associao Brasileira de Psiquiatria (A. B . P.)
Traduo: HUMBERTO A. PH. SCHOENFELDT
l3. edio ampliada e revisada.
Editada por
WOLFGANG KRETSCHMER
l\\\1i\1\\ll
t41 12836
ATHENEU EDITORA SO PAULO S.A.
Reservados os direitos de traduo para a lngua portuguesa
Copyright  ATHENEU EDITORA SO PAULO S.A.
Prof. Dr. med. Dr. Phil h.c. Dr. med. h.c.
ERNST KRETSCHMER (falecido)
Editor:
Prof. DR. MED. WOLFGANG KRETSCHMER
Clnica neurolgica da Universidade de Tuebingen.
Todos os direitos de reproduo, difuso e traduo reservados. Nenhuma parte ou deste
livro pode ser reproduzida sem autorizao por escrito da editra (fotoc microfilmagem e
Outros processos), ou por algum sistema eletrnico.
ATHENEU EDITORA SO PAULO S. A.
So Paulo - Rua Marconi, 131 - 2.0 andar Fones: 34-3549 - 34-4521 - End. Teleg. Zigadag
Traduo da l3. edio do original MEDIZINISCHE PSYCHOLOGIE
Autor:
Editra Georg Thieme, Stuttgart, 1950, 1971
Rio - Av. Rio Branco, 185 - Conj. 1112 - Fone: 232-7979
INDICE
Pref do Editor        V
Introduo 1
PRIMEIRA PARTE
PRINCIPAIS FUNES PSIQUICAS E SEU SUBSTRATO
ANATOMOFISIOLGICO
1.0        Captulo: Da essncia da alma 5
O Eu e o mundo exterior, esprito e matria 5
Os conceitos modernos da relao corpo-alma 8
Dificuldades da localizao no crebro 10
Personalidade e personalidade profunda 11
2. Captulo: Percepo sensorial e estrutura do mundo perceptivo ... 13
Sensaes de parentesco afetivo e tlamo 14
Sensaes figurativas 17
Grau configurtivo e grau de realidade 19
Distores da percepo e alucinaes 21
3 Captulo: O crtex cerebral e as manifestaes mnemo associativas . 22
Localizao cortical: capacidades senso-motoras 22
Funes configurativas 24
Outras funes cerebrais 28
Funes superiores da memria e do pensamento 29
Sndromes do lbulo frontal 31
Sndromes especiais do crebro orbitrio 32
Distribuio das funes entre o crebro e o tronco cerebral 35
40 Captulo: Estrutura da psicomotricidade e os centros subcorticais .. 37
Formas de automatismo 37
Leis ontolgicas de graduao 38
Funes esttico-tnicas e impulsos 39
X ndice
50 Captulo: Funes psquicas centrais e sistema neuro-endocrnico
A conscincia
Impulso
Afetividade
Impulsos bsicos
SEGUNDA PARTE
OS APARELHOS PSQUICOS E SUA FORMAO EVOLUTIVA
6. Captulo: Graduao e lei do desenvolvimento da alma
Formas figurativas
Aglutinao da imagem
Estilizao
Projeo da imagem
Sensao, imagem e objeto
Afetividade da catatimia
Projeo afetiva
Ambivalncia e ambitendncia
Processos de movimento
Formas cinticas vegetativas e ritmo
Movimento de tato-abreviao de frmulas-reflexos motores
Expresso volitiva e afetiva
Impulso-instintos-inteligncia
Comportamento
Esquemas motores
A alma como fator interno e externo
70 Captulo: Mecanismo hipnicos
Sonho
A esfera da conscincia
Hipnose e estado crepuscular histrico
Os princpios da esquizofrenia
Estilizao ou esquematizao
Associao livre-fuga de idias-pensamento aperceptivo e categorias lgicas
8. Captulo: Mecanismos hipoblicos
Movimentos rtmicos
Tempestade de movimentos  pnico e ataque histrico
Negativismo e sugesto
Os circuitos
ndice        XI
TERCEIRA PA1
INSTINTOS E TEMPERAMENTOS
9. Captulo: Instintos e suas variaes 125
Classificao por conceitos e relaes recprocas 125
Instinto gregrio 117
Instintos de nutrio 128
Instinto de sobrevivncia 129
Instinto de aquisio 130
Instintos sexuais: intensidade e inibies 130
O instinto sexual e suas variedades 133
Instintos sociais 140
Irradiao e ligao dos instintos 143
A teoria das transformaes dos instintos sexuais 145
Variao puberal dos instintos 150
Domnio dos impulsos 153
Espcie e funo dos instintos 154
10.0        Captulo: Os temperamentos 155
Tipos de estrutura corporal e temperamentos 157
Variantes tpicos de evoluo e sexo da constituio no decorrer da vida .        165
QUARTA PARTE
PERSONALIDADES E TIPOS DE REAO
11.0        Captulo: Inteligncia e carter 171
Inteligncia e talento 171
O carter 174
tica e conflito ambiental 176
Esboo de um ensino caractereolgico psiquitrico 177
12. Captulo: Vivncias anormais 181
Complexos e exageros das idias 181
Casualidade psquica 184
Formas de vivncias anormais 186
O ressentimento e a luta pelo poder 189
13. Captulo: As reaes primitivas 191
Reaes explosivas 192
Atos em curto-circuito 193
Reaes hipoblicas e hipnticas 195
ndice
14. Captulo: Reaes da personalidade
Cunho ambiental
Reaes, direo e resistncia do carter
O desenvolvimento expansivo
O desenvolvimento sensitivo
Realizaes autistas de desejos
Psico-biograma
APNDICE
Sobre a Psicoterapia
1. Orientao psicolgica geral
2. Trabalho e lazer
3. Princpios bsicos da psicoterapia
4. Terapia analtica psicolgica
5. Psicoterapia da personalidade
6. Medicina psicosomtica
Bibliografia
ndice alfabtico
INTRODUO
De anos para c exige-se uma formao psicolgica dos estudantes de medicina. De que 
forma porm? No se pode tratar da psicologia filosfica que proporciona pouca utilidade 
ao mdico. A Psicologia aplicada a ela ligada se concentra especialmente sobre questes 
pedaggicas e profissionais com as quais o mdico tem pouco contacto. Tampouco se 
poderia argumentar que a psicologia fisiolgica servisse de matria de ensino para o 
mdico. Esta regio limtrofe que abrange especialmente a fisiologia dos rgos sensoriais 
e o ensino sobre os centros cerebrais estava sendo explorada com grande sucesso pela 
medicina, sem que as questes psicolgicas tivessem sido plenamente exploradas. Se 
oferecssemos ao mdico somente a psicologia fisiolgica para a satisfao da sua 
curiosidade deix-lo-amos no limiar da porta pela qual desejava entrar para obter a viso 
dos processos psquicos mais elevados, suas evolues e reaes para a qual a psicologia 
fisiolgica  apenas a ante-cmara.
O mdico de esprito aberto sente assim no seu aprendizado uma dupla lacuna. Ele 
necessita de uma psicologia surgida da prtica mdica e que se destina aos problemas 
prticos da sua profisso. Isto  o principal. Alm disto a busca da psicologia corresponde 
freqentemente ao desejo do mdico de penetrar alm das quatro paredes da sua 
competncia, na regio espiritual da psicologia do reconhecimento nos problemas ticos e 
estticos da vida dos povos, ligando organicamente seu crculo de pensamentos mdicos e 
de cincias naturais ao horizonte da cincia espiritual.
A presente Psicologia Mdica surgiu na considerao destes dois pontos de vista. Tanto a 
editora como o autor se esforaram em dar uma forma concisa e resumida aos assuntos a 
serem tratados, O ponto de vista principal, a psicologia na prtica mdica, ocupa uma 
posio central e os problemas espirituais da psicologia foram apenas tratados de leve em 
certas circunstncias. Indica-se o caminho sem palmilh-lo, pois no se espera de um 
compndio mdico-psicolgico, que entre nos detalhes da psicologia de reconhecimento, na 
esttica e na psicologia etnolgica.
Uma psicologia mdica deve ser viva, oferecendo para cada ponto de vista exemplos 
prticos. No se deve porm restringir a uma apresentao superficial e desordenada de 
regras e experincias teis. A psicologia mdica prtica deve nascer de uma base 
sistemtica mostrando o mecanismo bsico biolgico que se repete sempre para a qual pode 
ser reduzida a amplitude desconcertante da rica vida real. A diferenciao do mecanismo 
bsico e do tipo da vida psquica j foi tentada em base da histria evolutiva aplicando 
amplamente pontos de vista anatmico-fisiolgicos na medida em que estes se aplicam hoje 
em dia  psicologia elevada. Uma psicologia mdica serve-se tanto da vida normal como da 
psicopatologia, o que  evidente. So os mesmos mecanismos
Introduo
bsicos que se manifestam no sonho, na fantasia de um artista, na psio etnogrfica, na 
esquizofrenia e neurose de um lado e nas reaes anim e infantis do outro lado, na histeria e 
na catatonia. Escolheram assim, sq a necessidade as experincias psicolgicas normais e 
psicopatolgicas exemplos observando-se o mecanismo ativo num corte transversal pela 
psic do desenvolvimento, psicologia normal e psicopatologia.
Aparecem em primeiro plano os assuntos de interesse vital para o m psicologia das 
neuroses, reaes psicopticas, histeria, estados lim esquizofrnicos e paranicos leves. A 
Psicologia das Neuroses psicologia da alma humana em si, sob forma acentuada e 
paradigmtica. conhece as neuroses conhece os homens, estando por isto mesmo prepara o 
ponto de vista mdico, para as exigncias psicolgicas da sua profiss pois evidente que os 
pontos de vista afeto-dinmicos ocupem um lu destaque, que a apresentao de afetos, 
impulsos e manifestaes de v ocupem o primeiro plano deixando para um plano 
secundrio a disseca manifestaes mais elevadas da inteligncia.
Esperamos assim que o esboo sistemtico aqui tentado de uma mdico-psicolgica oferea 
aos psiquiatras e psiclogos um estmulo litando-lhes o ensino clnico psiquitrico pela 
simplificao e redu mecanismos biolgicos bsicos. Se o estudante h de tirar o maior p:
de um livro ele deve reconhecer por si mesmo os processos psquicos ess e os recursos 
mdicos aplicados nas neuroses, nas psicoses leves e diagnstico. Uma dissertao terica e 
prtica sobre psicologia m psicoterapia levaria  expanso almejada do ensino mdico. 
Devido aos conhecimentos prvios necessrios este ensino clnico se far som lado ou 
depois dos ensinamentos psiquitricos.
2
PREFCIO DO EDITOR
Reeditar um livro que durante 48 anos foi editado 13 vezes no  tarefa fcil. Apesar das 
ampliaes e melhoramentos introduzidos, ele conserva os caractersticos do seu tempo. O 
que de incio pode parecer um impedimento resulta em vantagens essenciais. A obra 
abrange o desenvolvimento cientfico e social de mais de duas geraes e o representa de 
uma forma to direta que escaparia a uma reformulao. Existem porm outros motivos 
para esta reformulao. Trata-se nesta obra de uma contribuio bsica e original para a 
Psicologia e Psicopatologia, que no exige uma modernizao. No que concerne  sua 
estrutura da matria e o progresso de conceitos estabelecidos, seu valor continua inalterado.
Baseado na ltima edio a linha de pensamentos foi continuada e enriquecida por fatos 
adicionais. Nas correes estilsticas, aumento da matria e anotaes adicionais tratou-se 
sempre de preservar as idias e intenes do autor de um modo inequvoco, conseqente e 
absoluto. Temas como:
Problemas do corpo e da alma, Alucinaes, Evoluo guestltica, Teoria do 
desenvolvimento, Sonho, Tabu, Instinto, Impulsos, Temperamento e 
Sugesto mereceram um cuidado especial na sua formulao. Acrescentei ainda algumas 
observaes sobre o Sistema lmbico e a hiptese da Sublimao, alm de uma 
formulao sobre o Temperamento baricintico.
Causa-me especial satisfao ter includo aqui, dentro do arcabouo da obra, alguns 
elementos importantes deixados na herana cientfica do autor. Apresentamos como 
esquema rgido a Doutrina psiquitrica do carter esboada no Delrio egocentrico 
sensorial. No captulo sobre o tempe ramento, o leitor ter, pela primeira vez, a 
oportunidade de no conceito do carter do autor, tanto sob o ponto de vista da lgica 
constitucional como da dinmica psicolgica. O Psicobiograma encontrou novamente o 
lugar que lhe compete de acordo com as exigncias hodiernas. Inclumos ainda nos 
pargrafos, Eu e o mundo externo e Psicoterapia, algumas anotaes e observaes 
para discusses do autor, bem como passagens de atualidade de edies anteriores. Com 
estas alteraes, a obra se situa dentro do nosso tempo, eliminando-se os mal-entendidos 
em relao  teoria da constituio. Elaborou-se uma nova bibliografia e o registro de 
matrias e autores foi ampliado. A edio atual oferece assim a viso mais ampla sobre o 
pensamento psicolgico
-psiquitrico bsico de Kretschmer. Convm ainda notar que a opinio do editor no  
essencialmente idntica  do autor, em vista de certas divergncias bsicas.
Alguns leitores estranharo talvez a falta da ltima parte do livro
Psicologia mdica prtica com exceo das observaes feitas sobre a medicina
psicoterpica e psicossomtica. Depois da 1Q.a edio o autor pensou seriamente
VI Prefcio do Editor
em dedicar um volume em separado  psicologia mdica, mas desistiu de projeto em vista 
da sua inviabilidade prtica. De pouco adianta de fato quei inserir num espao reduzido, o 
campo ilimitado da diagnstica e teraj psicolgica, liquidando-o por assim dizer em poucas 
palavras. Somente o estu de manuais e monografias nos poder ajudar neste sentido. Tirei 
ento ui conseqncia radical na certeza de ter melhorado a obra no seu carter unitr 
Apesar da reduo de um tero, o livro contm mais fatos essenciais e pon de vista do que 
antes.
Vale a pena fazer a retrospetiva da origem e tendncia terica Psicologia Mdica. O livro 
foi iniciado no tempo ureo da psiquiatria alei situando-se no campo central dos primeiros 
vinte anos deste sculo, sob influxo das correntes extraordinariamente vivas da pesquisa 
mdica de fa da psicologia e filosofia. Um realismo e otimismo espiritual ingnuos 
complementavam num brilho de formulaes e ritmo incansvel de trabal] Para evitar as 
armadilhas de argumentos de choque e para dizer algo concludente necessitava-se de muita 
aplicao e de uma ampla cultura individu Entre as personalidades que satisfaziam essas 
condies destacamos PA SCHILDER em Viena, jovem psiquiatra de grande saber 
filosfico e de um espr agudo. KRETSCHMER era mais intuitivo e criador e menos 
rigoroso no seu mo de pensar. Ambos cultivavam uma viva troca de opinies e eram tidos 
coi os candidatos mais promissores da nova gerao de psiquiatras.
A carreira to promissora de SCHILDER porm, acabou na emigrao. S livros ainda so 
dignos de serem lidos em nosso tempo. No ano de 1924, d anos aps a psicologia mdica 
de KRETSCHMER, sua psicologia foi publica A estreita comunho espiritual dos dois 
pesquisadores que se completav maravilhosamente ficou assim patente. SCHILDER se 
apoiava mais na psicoanl sem se fixar nela. O autor manteve contatos muito frteis com 
out:
representantes da elite judaica da psiquiatria alem, KRONFELD e STORCFS en outros. 
Mas a influncia de E. BLEULER era absoluta. Segundo a opinio KRETSCHMER, JuNG 
era ao lado de HEYER o nico psiclogo de profundida de renome com o qual se podia 
discutir a psicoterapia e sua influncia sobr psiquiatria de um modo razovel. 
KRETSCHMER teve um alto conceito J UNG como caraterelogo e pesquisador da 
esquizofrenia.
O conceito antropolgico da Psicologia Mdica tem suas razes  o q muitos lamentam 
 no Positivismo e na Psicologia de Associao. No se pc negar a tendncia do autor de 
ancorar as manifestaes psquicas no matei dando-se-lhe assim segurana e esta 
tendncia aumentou no correr dos an Este  apenas o aspecto mais saliente da questo. 
Numa leitura atei descobriremos rapidamente que nem tudo que se explica em seguida  i 
positivo como seria lcito pensar pelas premissas feitas. Elas deixam percel um senso agudo 
pelos aspectos no objetveis e medveis da vida psquica orgnica. Mesmo assim oferece-
se ao leitor uma psicologia e fisiologia genui e compreensvel. A pesquisa do autor 
apresenta uma luta constante entre casualismo da cincia natural, do dinamismo 
imaginativo e do voluntarisi espiritual. Como o leitor j se mostra indiferente diante dessas 
tens recomendo-lhe estud-las de perto, pois somente assim ele saber apreciar riqueza da 
presente obra.
A cultura geral apresenta a outra metade do to criticado positivisi
no que coricerne aos seus melhores representantes. As pginas seguintes d
testemunho disto. Fatos e exemplos das mais distanciadas regies da vida i
Prefdcio do Editor        VII
mostram os conceitos bsicos e os esboos do sistema. Eles constituem o centro feliz entre 
construes complicadas somente manejveis pelos peritos e da simplificao inadequada 
da qual sofremos hoje em dia. A sistemtica presente serve de mediador entre a psicologia 
de motivos e a psicologia fisiolgica, que se hostilizam devido ao fanatismo de muitos 
psicoanalistas e tericos de comportamento. A ponte lanada entre os dois plos  
constituda pelo fato de KRETSCHMER reduzir os fenmenos psquicos do seu contedo 
para sua forma, quer dizer sua estrutura. Estas no so to abstradas como os modelos 
fisiolgicos, mas suficientemente complexos para se adaptar ao conceito vivo.
Com esta multiplicidade e equilbrio do ponto de vista que cria um amplo horizonte 
chegamos  finalidade do presente livro. Seu intento no consiste em colecionar e amontoar 
um nmero excessivo de fatos modernos. Algumas reas psicolgicas importantes so 
mencionadas de leve apenas (a psicologia guestltica, a teoria do campo e da 
aprendizagem, etc.). O autor e o editor visam apenas transmitir dentro das perspetivas 
fundamentais o conhecimento generalizado da psicologia biolgica, o que ajuda a explicar 
e compreender numerosas observaes e de julgar criticamente teorias psicolgicas 
diferentes. Esta harmonia existente entre a teoria do reconhecimento, a cincia, fisiologia, 
morfologia, caraterologia psiquiatria e teoria cultural constituem o encanto e a originalidade 
deste livro. Sem tomar em considerao suas limitaes materiais e de pensamento que 
possibilitam explicaes mais detalhadas em casos isolados, ele proporciona uma rica fonte 
de informaes para o estudioso.
Tuebingen, agosto de 1970.
WOLFGANG KRETSCHMER.
PRIMEIRA PARTE
PRINCIPAIS FUNES PSQUICAS E SEU
SUBSTRATO ANATOMOFISIOLGICO
1. CAPTULO
DA ESSNCIA DA ALMA - O EU E O MUNDO EXTERIOR, ESPIRITO E MATRIA
Chamamos de alma a vivncia imediata, tudo que  sentido, percebido,
imaginado e desejado. Alma, por exemplo,  uma rvore, um som, o sol,
enquanto a percepo e a imaginao a aceitam como rvore, som ou sol. Alma
 o mundo como acontecimento, a soma de todas as coisas vistas subjetivamente,
o conjunto de todos os movimento internos no ligados aos objetos.
Dentro da soma de vivncia direta observamos uma tendncia coercitiva de polarizao em 
dois pontos: os polos opostos o Eu e O mundo exterior. O Eu  o ponto focal mais 
intenso da vivncia junto com o sentimento da unidade indivisvel, nico no seu gnero, e 
na sua relao ntima com todos seus componentes. O sentimentto imediato do Eu ou 
conscincia da personali dade no  esclarecido e est cheio de contradies internas. Este 
sentimento do Eu se refere ao acontecimento em si, que chamamos de minha alma e a 
uma parte do vivericiado que chamamos meu corpo. Esta conscincia do Eu mostra a 
tendncia de separar-se das suas partes isoladas pelas quais a queremos pegar, retirando-se 
por assim dizer, cada vez mais em si mesmo. No sou eu,  apenas meu dedo ou No 
sou eu, mas apenas um pensamento ruim que me ocorre. Em ltima conseqncia o que 
sobra do EU  apenas um ponto imaginrio daquilo que vivenciamos. O EU  ao mesmo 
tempo a coisa mais imaginada possvel ou a coisa imediatamente mais certa. Isto porm no 
basta. Para completar a confuso a alma  projetada para dentro do EU. A alma, que no 
seria outra coisa seno a soma de tudo que experimentamos  sentida como uma segunda 
coisa, como uma segunda personalidade interna que vive encaixada na personalidade 
exterior, ou seja no corpo. A alma  a soma de tudo que vivemos e o EU parte deste 
acontecimento e que fica sobrando daquilo que ns chamamos de mundo exterior. Do outro 
lado a alma  parte do EU, aquela parte que sobra quando subtramos o corpo.
Tudo aquilo que vivemos e que no sentimos como EU  o mundo exterior. No podemos 
saber e nunca saberemos provavelmente se um mundo exterior existe fora da nossa 
vivncia.  importante saber e compreender que tudo que pesquisamos nas cincias 
naturais constitui um atributo da nossa alma e no os objetos em si. Cores, tonalidades, 
calor, movimentos assim como plantas, animais e pedras refletem apenas as impresses dos 
nossos sentidos. A experin cia nos transmite apenas impresses visuais, auditivas e tteis. 
O olho produz
6        Da Essncia da Alma
a luz e o ouvido os sons, fora jamais poderemos saber de ns, eles no existen ns lhes 
emprestamos tudo (LICHTENBERG). Se existisse fora da nossa exp rincia, fora das 
nossas sensaes, a coisa em si (KANT), um mundo md pendente, que ainda existiria se 
nossa psique desistisse de cri-lo.
Isto no nos deve causar dor de cabea. Basta verificar que dentro d nossa vivncia, o 
mundo se separa para ns em duas zonas: o EU e o Mund Exterior. Querendo formular 
esta separao sob o ponto de vista do El em palavras (Solipsismo) diramos: O EU cria 
pela sua prpria fora o No-El (FIcHTE). Tudo que experimentamos se passa no EU. Parte 
dessa experinci  projetada para fora do EU como se existisse como mundo exterior fora c 
si mesmo. Podemos tambm tentar a formulao no sentido inverso, partind do mundo 
exterior: Um homem que nascesse surdo, mudo e cego, sem possu o tato, jamais 
desenvolveria uma vida psquica ou um EU. A alma  mui mais do que uma funo dos 
rgos do sentido e do crebro, ela , pa:
formul-lo ingenuamente, uma secreo das clulas cerebrais: O EU  u produto das 
impresses sensoriais (Materialismo).
O contraste entre matria e esprito que encontramos no nosso pensamen  intimamente 
ligado na sua origem psicolgica pelo contraste entre o 1 e o mundo exterior, mas no  
equivalente, visto que o corpo faz parte EU mas no do esprito. Os polos da diferenciao 
EU-mundo exterior, esprito-matria so sem dvida condicionados pelo contraste entre o 
Ato vivncia (= EU ou alma) e o contedo ( mundo exterior e matria). complexo da 
vivncia oscila entre estes dois plos que ns chamamos prprio corpo podendo ser 
considerado tanto como objeto material dos nos sentidos ou como sujeito ativo e base 
indispensvel como pertencente ao E
Um conceito arcaico e ingnuo materializou a alma como sendo ui substncia vaporosa que 
habita o corpo. Desse conceito surgiu ento aqu que costumamos chamar de Dualismo 
numa formulao filosfica, ou s a imaginao que corpo e alma sejam duas instncias 
independentes liga intimamente mas no inseparavelmente entre si no sentido de um efeito 
recproco ou do paralelismo psicofsico. Este dualismo contrasta com o monis:
que deseja dissolver a matria no EU ou materialisticamente o psquico matria de uma 
forma espiritualista (chamada em sentido extremo solipsismo) Todos os trs sistemas 
filosficos se contradizem entre si. Soment solipsismo parece ser conseqente pela lgica, 
mas no o . As evidn imperiosas contradizem-no energicamente, facultando-nos 
passageiramenu fico de que todo mundo exterior, inclusive os nossos semelhantes pon 
ser considerados, no como uma realidade independente mas, como u fadamorgana da 
nossa personalidade. O materialismo esquece do outro 1 que a matria no nos  dada 
diretamente, mas somente sob forma de impres psquicas e que a experincia primria 
imediata  sempre psquica. As ele satisfaz apenas um pensamento no treinado. O 
dualismo por seu I como o mais antigo conceito do mundo que era tido como natural, se 
man vivo e forte por corresponder ao conceito do mundo ingenuamente refle (dualismo 
emprico). Na medida em que os nossos conceitos tericos, exj mentais e psicolgicos se 
aperfeioam tanto mais diferenciado ele se torna. tendncias vitalsticas reavivadas com 
certa razo hoje em dia, no nos le a um novo dualismo mas a uma sublimao do mundo 
inorgnico, desde
O EU e o Mundo Exterior, Esprito e Matria
estudamos seus resultados com a necessria conseqncia. Devemos ter presente at que 
ponto a assim chamada matria tem sido desmaterializada e materiali zada pelas cincias 
naturais.
Enfim: nossos conceitos contrastantes da alma e do seu lugar no conceito moderno do 
mundo se encontra numa fase transitria, na qual os conceitos antigos no satisfazem mais 
e os novos carecem ainda de uma definio melhor. Esta incerteza se reflete de modo 
prejudicial sobre a pesquisa psicolgica Cientes da contradio interna misturamos s vezes 
os conceitos monsticos modernos que partem da unidade da experincia emprica e que 
enxergam na separao entre alma e matria a experincia dos dois lados de um s 
problema, como os componentes de uma expresso dualista antiquada. Torna-se impossvel 
por exemplo, explicar a relao entre o crebro e a alma seno como forma de um efeito 
recproco dualista entre duas instncias independentes, sem incorrer em abusados 
requintes lingsticos.
O ponto de vista mais aceitvel ainda  o de um monismo crtico espiritual que reconhece, 
sob a nfase de uma ltima unidade de todas as coisas, o primado indiscutvel do psquico 
sobre o material, pressupondo que imediatamente, somente o psquico se abre ao nosso 
conhecimento. Aquilo que chamamos de matria nos aparece sob este ponto de vista como 
um conceito estranho dentro do psquico, ou seja a contemplao da realidade sob outro 
ngulo mas no como algo que seja separado em princpio do psquico. A tese de que 
somente o EU existe como sujeito reconhecvel, e que  muito radical,  insustentvel.
O monismo espiritual nos leva inevitavelmente a uma forma do Pan teismo,  crena de 
uma alma onipresente, um esprito mundial como unidade que abrange tudo e que se 
exprime em cada dos seus componentes como parte de si mesmo. Este monismo pantestico 
acompanha como lei motiv o desenvol vimento do pensamento do mundo ocidental de 
SPXNOZA a LESSINO, GOETHE e SCHELLING. Na forma dada por GOETHE e 
SPINOZA ele age pela sua densidade, unindo o pensamento cientfico puro com um 
aprofundamento tico e uma intensidade religiosa.
Voltemos ento  vivncia direta, ou seja  alma. Veremos ento que as duas unidades 
bsicas EU e Mundo Exterior no so claramente separadas mas que flutuam e se unem 
nas zonas limtrofes, O centro da conscincia do EU  constitudo pelo ponto imaginrio 
atrs de tudo que experimentamos. O prprio corpo se agrupa em redor desse centro como 
representante exclusivo do EU. Mas seus componentes nem sempre possuem o carter do 
EU. So o EU enquanto so sentidos como um complexo em conjunto. Eles podem, 
entretanto, ser isolados pela conscincia que os contemplam, ser materializados e podem 
ser considerados no como EU, mas sim como um espcie de propriedade do mesmo. Nos 
dizemos minha mo, meu dedo do mesmo modo como dizemos meu chapu ou meu 
relgio. Para as partes do corpo que no so ligadas a ele de modo sensvel ou motor como 
as pontas do cabelo, as unhas, as secrees, a qualidade do EU diminui e se torna negativa 
na medida em que perde sua relao no espao. Essas partes do corpo formam na 
conscincia, a passagem para os objetos vizinhos como a roupa que j  sentida como 
mundo exterior, mas que ainda emanam uma certa conscincia do EU quando dizemos p. 
ex. ele me tocou quando somente a roupa foi tocada.
7
8        D Essncia da Alma
Vemos assim que existe uma srie de coisas referentes ao prprio corpo e seu ambiente que 
pertencem  zona marginal entre o EU e o mundo exterior e que segundo a nossa 
conscincia so registradas como EU ou NO-EU. Este fato  de grande importncia para a 
compreenso de muitos estados da alma s vezes anormais:
Resumimos os fatores mais importantes:
1. Chamamos a vivncia imediata de alma.
2. Esta vivncia se divide nos 2 plos EU e mundo exterior. Estes complexos de concincia 
EU e Mundo Exterior se cobrem em largas zonas
limtrofes.
3. Tudo que  psicolgico ou vida interior se desenvolve do efeito recproco entr e o EU e o 
mundo exterior ou seja aquele que recebe efeitos do
mundo exterior ou os transmite. (processo de reproduo ou de expresso).
4. Ao lado desses processos podemos ainda mencionar como 3 grupo de fenmenos 
psquicos, a afetividade. Ela abrange tudo que acompanha os processos psquicos no seu 
caminho da mais simples impresso sensorial e imagem atravs das impreses e raciocnios 
abstratos, at a deciso e os impulsos de escala de sentimentos, quer dizer de valorizaes 
para o EU e os impulsos que deles emanam tais como: Os sentimentos mais simples de 
prazer e desprazer, de entusiasmo ou indiferena assim como os senti mentos complexos de 
amor, ira, medo, dio, desejo. As funes descritas na III parte como Impulsos e 
Temperamentos pertencem  afetividade.
OS CONCEITOS MODERNOS DA RELAO CORPO-ALMA.
Antigamente, quando se falava das relaes das funes psquicas com o seu substrato 
corporal a frmula Crebro e Alma parecia impor-se j que os processos corporais 
oriundos da psique eram exclusivamente atribuidos ao crebro. Mais tarde esse conceito foi 
reduzido para Substncia cinzenta e Alma, descobrindo-se em primeiro lugar as relaes 
de certas regies do grande crebro com os processos mais elevados de percepo e fala e 
da decadncia geral at a debilidade mental.
Hoje em dia o centro de gravidade do problema psico-fsico mudou em
duplo sentido.
O interesse se concentra, alm do crtex cerebral, que  mais recente, no sistema lmbico e 
ao tronco cerebral o que se reflete na teoria dos equivalentes psquicos de um modo 
decisivo. As pesquisas (Psiquiatria atual vol. 1/lA) levaram aos seguintes reconhecimentos: 
os fatores essenciais para uma vitalidade mais elevada e para a personalidade (funes da 
conscincia, vida instintiva, e afetividade) tm sua representao crebro-fisiolgica no 
somente no crebro e na regio do tronco cerebral. Ao ncleo central da personalidade 
correspon. dem ento, crebro-fisiologic falando, o sistema lmbico, os ncleos talmicos, e 
o hipotlamo enquanto que o crebro alto seria rebaixado a uma espcie de instrumento 
complicado do mesmo, um aparelho para registros diferenciados de produo singular. No 
resta dvida que uma inverso das perspetivas  fascinante, tanto mais que essa 
contemplao no  teoricamente forada, mas corresponde a pesquisas recentes. Devemos 
ter em mente que a
Os Conceitos Modernos da Relao Corpo-Alma        9
diferenciao muito fina da hereditariedade materializada no tronco cerebral, reaes 
afetivas e modos de movimentos de reflexo so condicionados pela evoluo do crtex 
cerebral e essa diferenciao justifica o essencial e o mais importante daquilo que 
chamamos de personalidade humana.
Provou ser insuficiente a reduo da correlao psquica sobre o crebro. A pesquisa nos 
mostra de um modo convincente a influncia determinante que as glndulas endcrinas 
(tireide, glndula sexual, epfise, hipfise e cpsula suprarrenal) exercem sobre a vida 
psquica, atravs do sistema nervoso, especial mente o Temperamento (afetos e 
impulsos). Como as hormnicas e o dien cfalo se encontram entre si, num efeito recproco, 
no sentido de um crculo de sistemas superiores e que se regulam mutuamente, a antiga 
Teoria Celular de uma correspondncia corporal-psquica havia de ser mudada em favor 
de uma correspondncia funcional (humoral e condutiva), Teoria Humoral e con duo 
de impulsos.
As relaes mais importantes entre a estrutura corporal e a disposio psquica (captulo 7) 
encaixam-se estreitamente no crculo funcional: glndulas sangneas, sistema nervoso 
vegetativo, crebro). Eles nos mostram uma psique que no est ligada exclusivamente a 
alguns rgos corporais. O corpo todo, tomado anatmica e fisiologicamente, se tornou at 
certo grau o representante das correlaes. Negligenciando a totalidade das interrelaes 
humorais e vegetativo-nervosas no seu duplo efeito sobre o rgo nervoso central de um 
lado e da estrutura corporal e funes do outro lado, chegaramos  concluso que uma 
determinada psique somente pode ser imaginada com um corpo determinado visto 
simultaneamente de fora e de dentro funcional e anatomi camente.
Ao contemplarmos sob um ponto de vista mais elevado o organismo total no existe um 
contraste absoluto entre forma e funo. No meu livro, Constituio e Carter 
demonstrei que a morfologia do corpo nos facilita o acesso s constantes funcionais mais 
exatas do organismo numa forma mensurvel, prestando-se por isto ao estudo das 
correlaes dentro da personalidade total psicofsica.
Ligado aos pensamentos neovitais (DRIESCH, 1914 entre outros) E. BEULER (1925) se 
opos a uma separao esquemtica entre o psquico e o no-psquico respetivamente entre o 
psquico e o fsico. Ele nos mostra que ignoramos tudo, tanto no sentido positivo como no 
negativo sobre as funes conscientes nos processos puramente fsicos (como por exemplo 
da conscincia inerente a alguma clula isolada ou grupos inferiores de clulas). Todos os 
processos da vida so ligados  psique num sentido mais ntimo em graus maiores ou 
menores: 1. as funes mnsicas (SMON 1920) ou seja a capacidade de armazenar e 
reproduzir as impresses de estmulos antigos; 2. a capacidade da integra o ou seja a 
juno de tais impresses para unidades ativas maiores e 3. a utilidade de tais junes: o 
princpio teleolgico. BL denomina e une os princpios vitais comparveis a,o psquico sob 
a denominao de psicides. A psique no seu conceito mais ntimo  para ele um caso 
especial e diferenciado da psicide, quer dizer, de uma substncia viva do universo. Tais 
formulaes se ligam numa execuo biologicamente precisa aos pensa mentos metafsicos 
de LEIRNIZ e SPINOZA. A acentuao da unidade entre processos psquicos e 
puramente neurolgicos fsicos se adapta melhor aos mecanismos cerebrais 
complicadamente interrelacionado e de estrutura gra
duada do que a alternativa rudimentar de: o psquico de um, o no-psquico do outro lado.
DIFICULDADES DA LOCALIZAO NO CREBRO
Trata-se de desenvolver a cincia das funes cerebrais, pelos sintomas de supresso nas 
leses de determinadas e circunscritas partes do crebro. J possumos conhecimentos 
valiosos sobre a localizao de sintomas de disfuno do crebro. O lado negativo est bem 
consolidado enquanto que o positivo  algo hipottico e discutvel. Perguntamos: qual  a 
funo positiva da parte no atacada do crebro cujos distrbios so denunciados por vrios 
sintomas? A dificuldade da resposta se prende  peculiaridade da estrutura do crebro, a 
graduao de instncias superiores e inferiores e a coordenao correlativa e vicariante das 
diversas partes do crebro (BETHE 1931). A convulso epiltica por exemplo era 
considerada como sintoma de irritao que era considerado como centro convulsionante. 
Perguntou-se em seguida: ser que a convulso  um sintoma de irritao e no da paralisa 
ao, da eliminao do crtex cerebral? A leso do crtex no suprime a inibio de um 
centro sub cortical mais profundo que por sua vez provoca a convulso? E se assim for, 
qual dos centros? Este exemplo nos mostra a complicao bsica de todas as questes de 
localizao do crebro e que se repetem nos fenmenos de pertur baes psquicas, em 
relao a certas regies cerebrais. Nas explicaes seguintes ater-nos-emos de preferncia 
aos negativos comprovados da fisiologia cerebral. Quando falamos em localizao, centros, 
etc., referimo-nos aos centros de dis trbios. Pelos impulsos experimentais que provocam 
atividades, como movi mentos por exemplo, as funes clnicas negativas so 
complementadas de um modo muito valioso, esclarecido e comprovado. Devemos 
considerar entretanto que o impulso da corrente dos eletrodos numa parte do crebro, 
constitui uma interveno perturbadora e um caso limtrofe doentio. O sujeito no con 
seguir deste modo e a partir de um pequeno ponto, sua produo psquica e motora.
De mais a mais, todas as localizaes cerebrais se fazem empiricamente segundo a simples 
formulao casual: quando A acontece, acontece tambm E, ou quando A se junta a B, 
acontece C, ou se A falha, B no entra em ao. Quer dizer: no estmulo de uma regio 
cerebral A, d-se a funo B ou vice- versa. Na leso de uma determinada parte cerebral 
uma ao vital  omitida
10
Da Essncia da Alma
Explicaes do Editor:
Com o auxlio da ciberntica, teoria das informabes. respectivamente conseguiu-se 
construir modelos de pensamento para a j mencionada funo mnsica do lado fsico-ma 
terial, mas no para a formao da integrao, quer dizer de combinabes que alcancem 
seu fim. (A finalidade, o programa de uma mquina deriva da concincia humana e no 
dos elementos de reao).  mero engano pensar que com o refinamento e a materializao 
sob o ponto de vista qumico e fsico, a alma se aproxime do corpo. No existe nem ponte, 
nem zona de transio para ambos. A pesquisa esclarece apenas a comunidade formal exis 
tente (o que  muito importante sob o ponto de Vista mdico-terapeuta) enquanto que as 
diferenas empricas entre a conscincia prpria e conscincia objetiva continuam 
inalteradas e irremoviveis. Valem apenas as frmulas: Corpo e alma (percepo) ou nem 
corpo, nem alma (misticismo, morte). Mas nunca se poder dizer O corpo  a alma.
Personalidade e Personalidade profunda        11
ou  substituida por uma ao nova. Trata-se de comprovantes estatsticos da freqncia de 
ligaes positivas ou negativas de certas partes do crebro com determinadas funes ou 
realizaes. A partir deste fato muito simples desven da-se a multiplicidade e complexidade 
do sistema funcional interrelacionado do crebro todo, por pesquisas penosas feitas passo a 
passo. . impossvel recusar peremptoriamente e teoricamente todas as localizaes do 
crebro, pelo simples fato de no poder dizer-se que os mesmos efeitos se produzem em 
cada clula cerebral. Quando os clnicos e encefalogistas falam da localizao de determi 
nadas funes psquicas, no se trata de uma mitologia cerebral mas apenas uma frmula 
passageira e abreviada descritiva de uma observao.
A classificao rgida de determinados rendimentos em relao aos arcos reflexos 
observados isoladamente foi relatada por GELE e GOLDSTEIN (1920) e CONRAD (1947) 
que consideram justificadamente toda reao biolgica como uma reao do organismo 
todo, ao impulso da qual se destacam certos efeitos que agem de perto e certas reaes do 
aparelho que reage ao impulso. Na patologia, no perguntamos somente qual a queda de 
produo que acompanha certas deficincias celulares e funcionais, mas tambm qual a 
capacidade de produo do crebro reduzido. Justifica-se na apresentao terica de certos 
dados psquicos e psicofsicos a imagem do arco reflexo enquanto no se descuida da 
relao com o todo. Devemos ainda considerar que muitas conexes psicofsicas no 
passam de conseqncias circulares que dentro do seu crculo voltam a si mesmo, assim 
que as ocorrncias entre a afetividade, glndulas endocrinas e centros vegetativos, cada 
etapa em si pode ser considerada como causa ou como efeito. Isto foi explicado do modo 
mais amplo possvel por von WEIZSACKER. (1968) com os teoremas das atas biolgicas e 
do crculo gestltico.
PERSONALIDADE E PERSONALIDADE PROFUNDA
Na parte principal precedente a relao corpo-alma comeou a se tornar
problemtica para ns, a independncia absoluta e a peculiariedade do corpo
e da alma sob o postulado do dualismo.
Nos caractersticos estruturais comuns das esferas psquicas e fsicas que
em geral se diferenciam nitidamente devemos fixar conceitualmente dois graus
de integrao a saber; a personalidade e a personalidade profunda.
Tomemos um exemplo da prpria vida. Uma pessoa sofre de um pavor
repentino muitto intenso. Sua reao poder ser dupla:
a) Um homem inteligente e bem equilibrado saber julgar a situao geral de relance e  
se lhe sobrar o tempo necessrio  tomar uma atitude de defesa ou de fuga, pensando e 
agindo num s ato, por meio de uma srie de reaes psicomotoras motivadas e em 
consonncia com a situao.
b) Se o susto for porm repentino e forte demais e em se tratando de um indivduo lbil, 
este no reagir por motivao mas por reflexo, que no  guiado por um EU superior 
decorrendo segundo um esquema premoldado complexo e ontolgico. Costuma-se falar em 
sndrome de susto e pnico ou reaes histricas.
No caso a) o indivduo reage com decises cientes e motivadas, no caso b)
impe-se a personalidade profunda com um mecanismo de comportamento
12
Da Essncia da Alma
altamente integrado. O termo personalidade profunda no significa um tumulto de 
reflexos mas reaes psquicas e fsicas ordenadas que decorrem paralelamente, visando 
ambos a mesma finalidade biolgica.
Nas histerias motoras demonstra-se freqentemente por meio de experin cias teraputicas 
que a engrenagem da personalidade profunda e a engrenagem racional e voluntria no se 
processam lentamente e logicamente mas sob a influncia de certos estmulos chave, como 
se a gente acionasse um comutador eltrico. A segunda embreagem poder sob certas 
condies substituir por completo a primeira dependendo de observaes cerebrais-
fisiolgicas mobili zando os agregados j formados da pessoa profunda (p. ex. aes de 
impulso) de determinados lugares do diencfalo respetivamente nas partes localizada3 perto 
do tronco cerebral do crebro bsico.
O funcionamento da personalidade profunda no  somente ligado a situaes dramticas 
agudas. Quando pesquisamos o comportamento de pessoas ss ou doentes encontramos 
padres que se manifestam abrutamente interfe rindo com os impulsos racionalmente 
dirigidos, introduzindo-se subrepticia mente ou transparecendo em atos normais de funes 
volativas. Essa escala vai at os automatismos primitivos, como reflexos de suco, de 
prenso, de bloqueio, automatismo de trepar, etc., nos processos de consumao muito 
graves de ordem cerebral-orgnica.
O conceito de Personalidade profunda que formulei segundo F. Ki (1919) no  apenas uma 
orientao heurstica mas, substanciado pelas pesqui sas de base de vrios lados. Ele 
abrange sistemas funcionais psico-fsicos (psico.
-somticos) com reaes formuladas, automatismo e agregados e integrados, completos. 
Um processo tomado neste sentido  e basta pensar na diabetes insipidas  poder ser 
considerado do lado sociolgico como uma anomalia de impulso e do lado fisiolgico 
como perturbao do metabolismo. A causa no  nem a, nem b, nem b a causa de 
a. Ambos so aspectos de um
s processo que, no nosso exemplo,  dirigido pelo diencfalo.
Ao lado das ligaes afetivo-hormonal-vasomotoras, dos sentimentos vitais (matizes do 
nimo) e tenses de comportamento individuais, fazem parte da personalidade profunda os 
estilos elementares de movimento, os modos de vivncia que tm sua base filogentica nos 
graus anteriores ao instinto animal. Voltaremos mais detalhadamente ao assunto (captulos 
7 e 8). Podemos con siderar como substratos corporais desses agregados de ao e 
imaginao (com todas as limitaes crticas) as regies dienceflicas e mesenceflicas, os 
ncleos opto-estriados motores e todo o aparelho neuro-vegetativo em si.
Em nosso estudo experimental da biologia constitucional explicamos fenmenos que 
denominamos com a palavra chave de relaao transversal.
Guiamo-nos pelo fato que obtivemos em experincias de reao no mesmo tipo 
constitucional, freqentemente curvas idnticas, tanto na psicomotricidade como no 
aparelho vegetativo e nas reaes afetivas, ou com outras palavras, que a psicomotricidade, 
o vegetativo e o processo do afeto so guiados de modo semelhante.
Em vista disto podemos definir claramente o conceito da Personalidade profunda. Ele  
biolgico e nada tem que ver com profundezas psquicas no sentido filosfico. No  
tampouco idntico ao conceito psicoanaltico de Inconsciente com o qual se cruza s 
vezes. Os critrios para o modo de funcionar da Personalidade profunda no so os graus de 
conscincia mas, mecanismos e tipos de reao exatamente descritas. Enquanto que o 
conceito
os
personalidade e personalidade Profunda
de inconsciente se refere primordialmente  regio psicolgica, o conceito da Personalidade 
profunda delnea os integrantes psico-fsicos que harmonizam entre si.
As manifestaes da personalidade profunda n so absolutamente in conscientes, mas:
e
e
1. involuntrios,
2. coordenados psico-fisicamente e
3. padronizados dentro das suas normas.
(Involuntrio significa aqui que estas manifestaes no so diretam racionalmente 
manipulveis segundo a vontade.)
Elas tm sua origem em estmulos corporais ou motivos que as provocam no em reflexes.
2. CAPTULO
PERCEPO SENSORIAL e ESTRUTURA DO MUNDO
PERCEPTIVO
As percepes sensoriais pelas quais o homem constri os processos psquicos de 
reproduo se dividem comumente em sensveis e sensoriais. As qualidades sensveis dos 
sentidos comuns podem ser sentidas at certo grau em qualquer parte do corpo. Elas se 
dividem em sensibilidade de tato (superfcies) e de profundidade (presso, juntas, msculos 
e rgos internos) alm se sensaes de temperatura e dores . As qualidades sensoriais 
somente sero absorvidas no local do rgo sensorial que a elas se destina. Pertencem a este 
grupo as sensaes de olfato e paladar e os assim chamados sentidos mais elevados, viso e 
audio.
Todas estas formas sensoriais servem basicamente para a orienta  do organismo 
individual no mundo ambiente, para a conservao e aprimoramento da sua vitalidade, 
possibilitando os movimentos certos, em face a estmulos vantajosos ou nocivos, O 
sentido biolgico do rendimento sensorial-perceptivo somente pode ser descrito em 
conexo com a Motricidade. Uma sensao olfativa por exemplo no obedece a nenhuma 
necessidade biolgica, mas no animal por exemplo ela servir para uma aproximao 
motora a um objeto de alimentao ou de cpula, ou seja, uma ao automatizada guiada 
pelos instintos. Uma sensao de dor ou de calor tem seu sentido na reao provocada, 
seja a fuga ou a defesa diante de um objeto nocivo. A viso e o olfato exercem a mesma 
funo de um modo mais complicado e egocntrico. A impresso sensorial poder somente 
ser desligada da sua obrigao vital num plano humano, tornando-se auto-suficiente, como 
valor esttico por exemplo. Aqui aparece novamente a diferena entre personalidade e 
personalidade protunda.
13
2. CAPTULO
PERCEPO SENSORIAL e ESTRUTURA DO MUNDO PERCEPTIVO
As percepes sensoriais pelas quais o homem constri os processos psquicos de 
reproduo se dividem comumente em sensveis e sensoriais. As qualidades sensveis dos 
sentidos comuns podem ser sentidas at certo grau em qualquer parte do corpo. Elas se 
dividem em sensibilidade de tato (superfcies) e de profundidade (presso, juntas, msculos 
e rgos internos) alm se sensaes de temperatura e dores . As qualidades sensoriais 
somente sero absorvidas no local do rgo sensorial que a elas se destina. Pertencem a este 
grupo as sensaes de olfato e paladar e os assim chamados sentidos mais elevados, viso e 
audio.
Todas estas formas sensoriais servem basicamente para a orienta ao do organismo 
individual no mundo ambiente, para a conservao e aprimoramento da sua vitalidade, 
possibilitando os movimentos certos, em face a estmulos vantajosos ou nocivos. O 
sentido biolgico do rendimento sensorial-perceptivo somente pode ser descrito em 
conexo com a Motricidade. Uma sensao olfativa por exemplo no obedece a nenhuma 
necessidade biolgica, mas no animal por exemplo ela servir para uma aproximao 
motora a um objeto de alimentao ou de cpula, ou seja, uma ao automatizada guiada 
pelos instintos. Uma sensao de dor ou de calor tem seu sentido na reao provocada, 
seja a fuga ou a defesa diante de um objeto nocivo. A viso e o olfato exercem a mesma 
funo de um modo mais complicado e egocntrico. A impresso sensorial poder somente 
ser desligada da sua obrigao vital num plano humano, tornando-se auto-suficiente, como 
valor esttico por exemplo. Aqui aparece novamente a diferena entre personalidade e 
personalidade profunda.
14        Percepao Sensorial e Estrutura do Mundo Perceptivo
Para uma observao meramente biolgica conseqentemente no interessa se uma 
impresso sensorial se torna consciente, mas sim, se faz um apelo s disposies motrizes, 
com ou sem conscientizao. A maioria das reaes vitais provocadas por estmulos 
sensoriais se d inconcientemente ou com a conscincia diminuda. O grau de conscincia 
de impresses sensoriais no depende do grau da complicao da tarefa motora em primeira 
linha, mas sim do grau de novidade e raridade da situao ou da responsabilidade inclusa. 
Podemos por exemplo manter o equilbrio corporal ao andar sem o notar, um processo de 
movimento bastante complicado, enquanto que uma execuo nova como por exemplo, a 
posio da perna num exerccio de ginstica, se consegue somente com uma ateno 
concentrada, O mesmo acontece com as impresses senso- riais: o registro tico 
complicado de um emaranhado de ruas que percorremos diariamente no exige quase 
nenhuma conscientizao, enquanto que a procura de uma determinada porta de casa j 
exige maior conscientizao e observao detalhada. A conscincia que acompanha uma 
impresso sensorial ou um ato de movimento no  sob o ponto de vista biolgico um 
epifenmeno, mas est em relao proporcional ao trabalho de neo-orientao do 
organismo. As regulamentaes senso-motoras do corpo no so capazes de 
conscientizao e somente a imaginao do objeto e a finalidade se encontram na 
conscincia.
O papel que as formas sensoriais desempenham na organizao da vida psquica varia 
muito entre elas. Devemos considerar as relaes ntimas entre a sensualidade, 
afetividade e instintos assim como as funes dos sentidos como base para os processos 
mais elevados: a imaginao e o pensamento. Em ambos os lados as regies sensoriais so 
representadas em diversos graus de intensidade, o que nos permite dizer que as qualidades 
sensoriais menos dife renciadas possuem relaes imediatas com a afetividade, enquanto 
que os sen tidos participam em maior grau e escalas mais complicadas de sentimentos na 
estruturao do mundo imaginativo, como no conceito de espao e tempo. No existe 
porm nenhuma fronteira delineada. Os sentimentos comuns que se abastecem dos 
sentimentos difusos internos e externos do corpo inteiro pertencem ao grupo de sentimentos 
de parentesco afetivo, assim como sen saes de temperatura e dor, olfato e paladar. Ao 
segundo grupo dos sentidos sensoriais com pronunciada formao imaginativa pertencem 
as duas mais elevadas sensaes de viso e audio com as quais colaboram essencialmente 
as sensaes diferenciadas do tato, msculos e membros, na imaginao do espao, por 
exemplo. Alm disto elas possuem no seu carter sensual direto, luzes, cores e sons  uma 
relao viva com a afetividade.
SENSAES DE PARENTESCO AFETIVO E TLAMO
 caracterstico que sentimentos de parentesco afetivo, sob o ponto de vista psicolgico, 
num s processo de vivncia se apresentam como sensaes e sentimentos. No 
vocabulrio psicolgico convencionou-se chamar de sen timento os processos afetivos, e 
de sensao o que se refere ao processo sensorial elementar. Esta conveno prtica no 
modifica em nada o verdadeiro parentesco dos dois grupos psquicos. C. STUMPF (1928) 
pensa identicamente ao falar de sensaes de sentimento.
A sensao de dor pode servir como exemplo: podemos definir que a dor
 uma sensao dos sentidos (a) acompanhada de um determinado afeto,
Sensaes de Parentesco Afetivo e Tdlamo        15
uma sensao de dor (b). A verdade vivida porm  outra: no  b que acompanha a 
mas b e a so idnticos naquilo que nos transmitem. A dor como fenmeno  tanto 
sensao como sentimento. Este conceito  de impor tncia bsica para nosso pensamento 
fisiolgico, por exemplo em relao  funo do tlamo. A separao rgida entre 
sentimento e sensao  usada como abstrao, e no cabe no grau da vivncia. Somente na 
diferenciao maior da percepo e imaginao o contedo e o afeto entram numa relao 
independente e varivel, podendo ser contemplados em separado. O aspecto casa por 
exemplo ou sua imaginao no precisa ser acompanhado de um afeto acentuado. Num 
caso positivo e de acordo com o relacionamento pro duzem-se os afetos os mais variados.
Assim como na sensao da dor, a sensao do olfato, temperatura ou paladar nota-se um 
acento sentimental, uma identificao com a vivncia. Uma sensao de calor e frio  
agradvel ou desagradvel, a no ser na zona marginal onde ela desaparece como sensao.
O sentimento comum  conforme WUNDT o sentimento total no qual se manifesta o 
nosso bem ou mal-estar sensorial. Este sentimento comum absorve os componentes de 
todos os sentimentos afetivos congnitos; impresses de superfcie, de presso e posio, de 
corao e intestinos, olfato e paladar at as impresses difusas de luz, cores e sons. Deste 
conglomerado de qualidades sensoriais parcialmente apenas percebidas se d o corte 
transversal do nosso bem ou mal-estar atual que do seu lado  a soma dos sentimentos e o 
grau de afeto.
Isto  especialmente vlido para os sentimentos complexos vitais como
fome, sede, excitao sexual cuja unidade fenomenal pode ser classificada como
complexo sentimental, ou afeto, por causa do impulso motor.
A teoria JAMES-LANGE acentuou de um modo muito refinado (1910) o parentesco entre 
sensaes e sentimentos levando-os ao paroxismo da identi dade. Este ponto de vista pode 
ser defendido em relao ao grupo sentimen tos vitais e fenmenos da fisiologia cerebral. 
Alm das sensaes de tempe ratura e dor, olfato, paladar e outras sensaes difusas como 
fome, sede e impulsos sexuais podemos incluir os afetos de medo e susto que so 
igualmente estados de alma e sensaes corporais intensas com suas atitudes motoras.  
porm difcil constatar quanto sobraria, vivencial e fenomenalmente, do afeto especfico se 
deduzssemos os complexos da sensao corporal muito caraters ticos. A teoria deixa de 
ser completamente aplicvel quando se trata de contedos psquicos diferenciais onde a 
relao se torna mais frouxa. Conhe cemos por exemplo disposies de nimo como bem 
disposto ou triste que possuem um substrato emocional diminuto.
Qual  pois a base fisiolgica-cerebral de todos estes fenmenos e as ati tudes impulsivas 
que da derivam? De acordo com tantos outros pesquisadores podemos supor que todas as 
vias sensveis e sensoriais que vo da periferia ao crebro se focalizam no Tlamo tico. 
Oticamente visto o Tlamo forma um grande centro de comutao para todas as vias 
sensoriais que se irradiam para seus campos de projeo no crtex cerebral: o crtex visual 
no lobo occipital, o centro auditivo, no lobo temporal, na esfera sensorial do corpo, na 
circunvoluo central posterior. Concentra-se provavelmente no tlamo a imagem 
sensorial do corpo ou o esquema corporal, quer dizer a imaginao de tamanho, forma, 
posio e movimento do corpo. Aqui encontram-se igualmente centros afetivos e da 
motricidade da fala (risada, impulso para
16        Percepao Sensorial e Estrutura do Mundo Perceptivo
falar). O tlamo fica vizinho dos ncleos opto-estriados e ocupa no sistema sensvel-
sensorial como parte mais antiga do crebro e outros centros mais diretamente ligados entre 
a periferia e o crtex cerebral, uma posio seme lhante como aqueles no sistema motriz.
A pesquisa das funes fisiolgicas do tlamo est em estreita ligao com os problemas a 
serem discutidos sobre as pesquisas do tronco cerebral, a pesquisa do sistema nervoso 
vegetativo e a importncia bsica da relao entre o tronco cerebral e o crebro, O tlamo 
forma junto com o hipotlamo (sistema nervoso vegetativo) e o sistema lmbico (veja 
pgina 49) aquela parte do crebro onde os diversos sentimentos recebem sua tonalidade e 
emotividade. Aqui se encontra o substrato da dor e talvez tambm do prazer enquanto que o 
crtex cerebral  essencial para a localizao e reconhecimento da percepo. De mais a 
mais, o tlamo  o ponto de baldeao do qual os impulsos dos neurnios sensveis passam 
aos do sistema vegetativo. Segundo este conceito o tlamo e suas regies adjacentes seriam 
a central principal das funes sensveis-sensoriais e por conseguinte dos afetos afetivos 
elementares a ela inseparavelmente ligados (percepo comum e vital). Todo o sistema 
forma ao mesmo tempo uma espcie de arco reflexo para reaes visceral-afetivas e 
impulsivas e num sentido mais amplo uma central intermediria para a composio do 
processo esquematizado e sensomotor da vida dos instintos.
Os profundos estudos sobre a sensibilidade realizados por HEAD (1911) j levaram a 
conceitos semelhantes. Nos distrbios focais no tlamo ele encon trou alm dos distrbios 
de sensibilidade, uma tendncia de reao exagerada contra impulsos desagradveis sem 
que fosse diminudo o valor limiar do estmulo doloroso. O mesmo estmulo se fazia sentir 
com maior intensidade do lado doente. Chegou-se a estranhas mudanas hemilaterais da 
emotividade ou seja da disposio afetiva de estmulos sensveis e sensoriais. Um dos 
nossos pacientes foi incapaz de ocupar seu lugar na igreja porque no podia agentar o 
canto do lado adoentado  enquanto durava o canto ele esfregava a mo doente. Um 
outro foi assistir uma sesso comemorativa da data do falecimento do rei Eduardo VII. 
Quando o coro comeava a cantar apoderou- se dele uma sensao horrvel do lado 
afetado e sua perna ficou sendo agarrada e sacudida. Um paciente muito culto nos 
confessou que desde o ataque que tornara a metade direita do seu corpo mais sensvel a 
impulsos agradveis ou desagradveis, sua ternura aumentara. Tenho o desejo 
pronunciado de colocar minha mo direita sobre a epiderme suave de uma mulher. A mo 
direita exige consolo, parece que do lado direito busco sempre simpatia... Minha mo 
direita parece ter um dote mais artstico. A metade talmica do corpo afetado reage, 
segundo HEAD, com maior intensidade ao elemento afetivo em relao a impulsos 
externos ou estados inter-psquicos. Existe uma sensibilidade aumentada contra estados de 
prazer ou desprazer. KPPERS (1922) o exprime de modo pertinente da seguinte forma: 
O paciente atacado de uma doena do tlamo unilateral tem uma alma diferente do lado 
esquerdo do que do lado direito; de um lado ele  mais carente de consolo, mais sensvel, 
artstico, saudoso, do que do outro lado. Sem querer entrar em maiores detalhes citamos 
aqui de modo resumido o conceito de HEAn sobre a funo do tlamo: Acre ditamos que 
o rgo principal do tlamo seja o centro de conscincia para certos elementos do 
sentimento. Ele responde a todos os impulsos capazes de provocar prazer ou des prazer ou a 
sensao de uma mudana no estado geral do paciente. O tnico dos sentimentos de 
sensaes somticas ou viscerais 
Sensaes Figurativas
o produto de uma atividade talmica. Como somente a 8. parte do tlamo serve para 
transmisso espinha-cortical de sensaes, podemos supor que os sentimentos elementares 
citados por HEAD se ligam a leses simultneas de regies vizinhas.
Em relao  leucotomia de doentes mentais, nevroses coacta e estados de doenas graves, 
a pesquisa ganhou indiretamente novos impulsos e pontos de vista. Trata-se especialmente 
do estudo de supresses provocadas pela separao das vias fronto-talmicas e que foram 
tratadas exaustivamente sob o ponto de vista anatmico por von HASSLER (1967). O fato 
 que na separao dessas vias se faz uma sensvel diminuio dos afetos de irritao e 
impulsos de dor. Estudei situaes semelhantes em casos de leses graves provocadas por 
acidentes, da abboda da rbita, denominando-as de Perda da ressonncia pessoal. Aqui 
devemos considerar desde j a cooperao do sistema lmbico (ver pgina 49).
SENSAES FIGURATIVAS
As qualidades sensoriais at ento tratadas tiveram um denominador comum: os momentos 
afetivos nelas integradas obrigam o organismo a reaes biolgicas positivas ou negativas 
de um modo imediato. Fazem-no de um modo elementar por frmulas psicomotoras 
acopladas por reflexo ou instinto, sem produzir uma imagem da fonte sensorial. Uma 
opresso cardaca ou uma dor intestinal possuem qualidades afetivas fortes e provocam 
assim de imediato, respostas reflexo-psicomotoras e vegetativo-nervosas. No apresentam 
porm ao leigo em medicina nenhuma imagem do estado do rgo atacado e fre 
qentemente nem uma indicao do rgo afetado. Isto se assemelha s sensa es 
provocadas externamente e de parentesco afetivo, enquanto no as suplementamos tica e 
tatilmente. Mesmo esgotando a escala inteira de sensaes dolorosas que agem de fora 
sobre o nosso organismo, ela no nos fornece nenhuma imagem dos fatores externos que as 
provocam, de objetos situados fora de ns e muito menos ainda da sua localizao no 
espao. O mesmo acontece com o olfato e o paladar. Por meio da viso ou do tato ou um 
deles, podemos fazer uma imagem precisa do objeto pera por exemplo, embora nunca lhe 
tivssemos conhecido aroma ou paladar. Mas um cego, ou desprovido do tato no poderia 
nunca construir uma imagem completa e objetiva por meio do olfato e paladar, que 
correspondesse ao objeto tico-ttil de uma pera. Seu olfato e paladar lhe forneceriam 
apenas sensaes afetivas sem que tivesse a possibilidade de cri-las.
Com estes exemplos podemos explicar basicamente os diversos processos de trabalho do 
nosso aparelho sensorial. De um lado o afetivo, o reflexo e o instintivo, do outro lado o 
desenvolvimento de uma imagem do mundo exterior, de imaginaes objetivas. A 
orientao biolgica final e intentada dar-se-ia no segundo caso indiretamente pelo 
caminho tortuoso, pela imagem do exterior e possivelmente sem participao do afetivo. 
No acontece porm que certos sentidos tivessem somente uma orientao de trabalho e 
outros sentidos uma outra tambm. Determinados grupos sensoriais levam 
preferencialmente para ambos os lados, enquanto que elementos de qutros grupos se 
misturam neles. A imagem pera evoca aroma e paladar, a palavra fogo calor, 
acrescenta remos talvez  palavra faca a sensao dolorosa, sem sentido constitucional. 
Num outro sentido o sentimento comum, o bem ou mal-estar (fatores cardinais
17
Percepdo Sensorial e Estrutura do Mundo Perceptivo
e decisivos da soma das sensaes corporais difusas) ficam enriquecidos por qualidades 
elementares de luz, cor e som do ambiente, sem que estes fatores ulteriores fossem 
necessrios. Uma sensao vital como fome, ou excitao sexual pode provocar a imagem 
tica de determinado prato ou de um compa nheiro sexual, sem que essas sensaes se 
alterassem significativamente com a ausncia do respetivo correlato tico. Mesmo para 
efeito motriz a sensao de fome p. ex. no precisa de uma sensao imaginativa e material 
dos objetos exteriores, mas apenas a orientao atravs de certas qualidades difusas de 
olfato, paladar e consistncia.
J vimos quais as sensaes dos sentidos que se aplicam ao processo da imagem: Ao 
catalogar as sensaes em imagens e relaes espaciais, ou seja na evoluo para as 
imaginaes do espao, a dominante  a sensaao da visao em ntima colaborao com as 
sensaes de tato e posiao sendo que estas ltimas permitem um conceito mais 
desenvolvido do objeto, mesmo sem o controle da viso (no caso de cegos ou no escuro).
A imaginao do espao se origina do fato de que, o indivduo  capacitado a unir com a 
viso e o tato das superfcies da epiderme, uma grande quantidade de estmulos isolados 
num ato s. Parece que as impresses isoladas se dife. renciam de acordo com o local no 
qual so provocadas, pois sabemos diferenciar entre dois contactos de epiderme limtrofes. 
Esta diferena de sinais sensrios originados de pontos distanciados do corpo foram 
tomadas como qualitativos (o que no  comprovado!) denominando-a de sinal local. A 
distncia que separa dois estmulos isolados que agem juntos, chama-se limiar do espao. O 
limiar  em certas partes do corpo que permitem uma diferenciao sensorial mais exata (as 
pontas dos dedos ou a retina do olho) menos desenvolvida. A distncia do estmulo sensvel 
 mais reduzida do que em outras regies do corpo. Daqueles dois fatos, a recepo 
simultnea e a diferenciao entre muitos estmulos resulta a base para uma coordenao 
recproca destes estmulos no sentido de um campo visual, respetivamente campo ttil e por 
conseguinte de imaginao bi-dimensional do espao. Para o desenvolvimento da tri-dimen 
sionalidade do espao podemos citar diversos fatores experimentais como por exemplo o 
estereoscopo que provoca o efeito do assim chamado eixo parral binocular (a cobertura 
pouco exata da imagem da vista esquerda e da direita) e as sensaes musulares 
provenientes do movimento convergente dos olhos. Para se obter a tri-dimensionalidade do 
espao e a imaginao de objetos torna-se indispensvel a sensao de movimento 
(msculos oculares, extremi dades, articulaes), para se poder tatear de todos os lados. 
Todos estes fatores aqui alinhados das sensaes de viso, tato e movimentos ainda no 
perfazem a imaginao de objetos e espao em si. Somente o trabalho coordenador e 
unificador do subjeto leva  percepo.
A velha disputa, se a imaginao do espao e do tempo  adquirida (teoria emprica) ou 
inata como ltima categoria (teoria nativista) pode ser respondida pela evoluo biolgica 
como segue: Fenmenos to complicados como, ima ginao de tempo e espao devem ter 
evoludo de origens mais simples, sendo que muitas hipteses podem ser isoladas 
experimentalmente. Isto no quer dizer que, cada ser humano deve reconstr por si mesmo a 
imaginao do tempo e do espao. As tendncias visando o pensamento tempo-espao 
sero preformadas aos poucos como qualquer outro patrimnio gentico ou filogen tico 
sendo, at um certo ponto inato.
18
Grau Configuratk e Grau de Realidade        19
Os impulsos do mundo exterior se alinham no ouvido de uma outra forma. Ele participa da 
imaginao temporal que  favorecida pelos impulsos rtmicos do corpo, como no andar por 
exemplo, o que WUNDT j ressalta. Mais impor. tante porm para a imaginao temporal  
funo mnemnica do crebro que permite uma ligao em paralelo de engramas de 
intensidade variada ao lado das impresses novas gradualmente mais fortes. Neste fator 
quantitativo de graduao da memria mais recente das imagens interiores 
(simultaneamente como marcos de distncia) baseiam-se talvez as imaginaes da durao 
da memria. A fraqueza da memria de fixao de KORSAKOFF nos mostra que a 
imaginao temporal  intimamente ligada  integridade das funes de referncia e de 
memria, e que desaparecem em leses graves das mesmas. Quando por graves comoes 
afetivas (luto, choque) a escala natural da inten sidade da memria  interrompida no 
sentido de um enfraquecimento retr grado, a exatido de medir o tempo sofre 
consideravelmente.
O sentido da audio ganha entretanto sua importncia mxima para a vida psquica mais 
elevada, como fator central do desenvolvimento da lngua.  somente pela linguagem que o 
princpio se desenvolve e representa o instru mento mais delicado do nosso pensamento: o 
principio da abstrao ou seja a formao de conceitos sensorialmente imperceptveis. 
Trata-se pois da reduo das imagens do mundo exterior em traos essenciais e sua reduo 
em conceitos mais condensados, por conceitos mais elevados; trata-se da classificao 
horizon tal e vertical (subsumao, coordenao) dos conceitos e categorias lgicas 
(identidade, no-identidade). Disto fazem parte as relaes de pensamento:
causa, conseqncia e sentido . A palavra representa o nico veculo para a imaginao 
abstrata, que sem ela  incapaz de se fixar ou transmitir. J conhecemos a relao entre 
gramtica, construo de frases e lgica.
GRAU CONFIGURATIVO E GRAU DE REALIDADE
Chamamos de grau con figurativo o voume em que os impulsos isolados, absorvidos pelos 
nossos rgos sensoriais e processados pelo sistema nervoso, se agrupam e diferenciam no 
consciente. A formao preparatria no se processa nos rgos sensoriais, sendo antes 
uma funo do crtex cerebral. O olho em si no capta, casas, rvores, nuvens, mas fornece 
apenas a matria-prima, as qualidades sensoriais bsicas, claro, escuro verde, amarelo etc. 
Consideramos o grau configurativo que as nossas impresses sensoriais alcanam numa 
ordem de espao e tempo numa abstrao de diversos graus de intensidade e conotao 
lgica.
Ao lado disto captamos os produtos do processo de repr numa segunda escala u seja pelo 
grau da realidade. Uma imagem que surge em ns como atenas pensada como 
imaginao, ou como vista ou ouvida de fato  tratada como percepo. Ligam.se aqui 
duas sries diferentes de qualidade, de um lado a localizao da imagem no interior da 
nossa cabea ou no mundo exterior. Diferente deste subjetivo ou objetivo  o juzo da 
realidade ao nos perguntarmos at que ponto a imagem seja verdadeira. Nem sempre os 
dois juzos podem ser diferenciados assim por exemplo na relao mstica com o mundo, 
especialmente nos esquizofrnicos que tomam uma voz interna como verdadeira e vindo de 
fora ou que consideram algo de interno como dependente do EU conforme STORCH 
(1922) e REIss (1921) o verificaram no
20        Percepao Sensorial e Estrutura do Mundo Perceptivo
estdio inicial. O grau de realidade das imagens que surgem em ns depende ainda de 
fatores quantitativos, do nmero e da preciso dos detalhes. A maginaao casa  muito 
menos sensorial e carece muito mais de detalhes do que a percepo casa. Isto se nota 
especialmente quando se reproduz objetos complicados pela memria ou pela prpria 
natureza. Todas estas questes de relao entre o EU e o mundo exterior, da realidade da 
projeo e introjeo desempenham um papel importante na psicologia tnica e na 
psicopatologia.  importante saber que a suposta separao bsica (JASPERS 1946) entre 
ima ginao e percepo no se pode confirmar pela experincia psicolgica e que, segundo 
a opinio da maioria dos pesquisadores, deve haver uma escala con tinua de transio entre 
ambos. (JAENSCH 1923). Pacientes esquizofrnicos por exemplo, por mais inteligentes 
que sejam muitas vezes no sabem dizer se tm pensamentos vivos ou se vivenciam coisas 
vistas e ouvidas.
Uma importncia bsica deve ser atribuida s sries experimentais extensas de JAzNscH 
(1921) e seus colabordaores que pesquisam o tipo visual Eidtico. Este  especialmente 
acentuado em adolescentes e talvez tambm em populaes aborgenes. No material de 
alunos de KROH (1927) as imagens de percepo eidticas se evidencic em mais de 40% 
dos casos at 15 anos de idade, dimi nuindo rapidamente daqui em diante, O tipo visual 
eidtico  ontogenetica mente o mais velho e representa a unidade no diferenciada original 
da vivncia dos sentidos pela qual se diferenciam a percepo de um lado e a percepo 
visual do outro lado. Os eidticos sabem preservar a percepo como uma imaginao 
ntida. (Existem fenmenos anlogos no sentido do ouvido e da epiderme). O eidtico 
continua a ver um objeto qualquer depois de ter sido tirado da sua vista, com o carter da 
sua sensao. Ele poder localizar esta imagem numa superfcie mensurvel e descrev-la 
em todas as suas mincias, Esta imagem  viva e bem formada. Numa srie apropriada de 
experincias ela poder ser diferenciada das imagens a posteriori conhecida pela fisiologia 
dos sentidos como das imaginaes em si. Mostra ao mesmo tempo uma relao de 
parentesco com imaginaes e percepes. A esta ltima, a imagem est ligada segundo o 
tamanho aparente e o assim chamado desvio horoptrico (KIENt.r 1968). Trata-se de uma 
expresso de atividade psquica que guarda a percepo e a transforma ou que produz 
objetos sem percepo.
As pesquisas de JAEN5cH nos fornecem pontos de vista importantes para certos problemas 
artsticos (uma disposio ps-puberal eidtica em certos poetas e pintores como 
fundamento das suas intuies), o que leva  pesquisa de talento segundo os tipos em si.
Devemos separar rigidamente o efeito posterior eidtico da fora de ima ginao pictrica. 
Ela depende indiretamente apenas da percepo tica (me. mrias) produz 
independentemente e desempenha um grande papel na fan tasia criativa, artstica 
organizadora bem como nos sonhos lcidos e ao dormir, Pode-se notar oscilaes 
considerveis no grau de formao e realidade.
Para a base psicolgica do grau de realidade s existem pontos de apoio aproximativos. Em 
geral a fora ele formao diminui consideravelmente em casos de cansao, exausto, 
efeitos difusos de venenos, infeces ou destruies provocadas no crebro. Isto se aplica 
igualmente ao grau de probabilidade, visto que ambas as escalas so muitas vezes afetadas 
simultaneamente.
DISTORES DA PERCEPO E ALUCINAES
As distores de formao, acentuadas dinamicamente se notam sob os efeitos de certas 
drogas como por exemplo o cido lisrgico (as paredes se movem e distorcem, 
metamorfose animalesca de mveis e outros). As mu danas cromticas fazem parte dos 
sintomas da mescalina (cacto Peyotl) Psilo zybin (cogumelo) e envenenamento por LSD 
por meio de reforo ou mudana de cores. Nas leses da regio parieto-occitipal do-se 
graves distrbios no reconhecimento de cores: linhas parecem curvas, as casas mudam de 
posio e forma, objetos se modificam ou mu4am de tamanho. Nestas distores h a 
ingerncia de percepes exatas e processos psquicos subjetivos estimulados 
organicamente.
No grau das alucinaes (alucinao dos sentidos) as imaginaes so independentes da 
impresso sensorial e tm origem espontnea. Motivos altera dos de reminiscncias, que 
fornecem apenas a matria estabelecem uma relao indireta para apercepes anteriores. 
As assim chamadas alucinaes hexgenas (maxixe e cocana por exemplo) se manifestam 
sob uma forma muito real, desdobrando-se um elevado grau de excitao. As alucinaes 
esquizofrnicas podem ser menos diferenciadas e materiais o que no influencia sua 
intensidade significativa e sua explosividade afetiva.
Em estados de toxicomania (e eventualmente em doenas mentais incipien tes) existem as 
mais variadas fases entre perturbaes e alucinaes que variam constantemente. Afetos, 
noes de espao e tempo so igualmente atacados. Isto fica comprovado pelo 
envenenamento por mescalina (MAYER-GROSS 1928) que causa  de forma parecida 
com o LSD e Psilozybina  as seguintes altera es: 1. variao de grau na intensidade da 
vivncia sensorial com noo mais aguda de diferenas, as impresses comuns parecem 
mais fortes e as mais fortes extremamente ruidosas e dissonantes; o mundo em redor se 
ilumina, cheio de sol, brilhante, cheio de harmonia, mais colorido e plstico, muito 
impressionante; tambm em seus menores detalhes, os rostos humanos que ficam ao redor 
ganham em dramaticidade. Por outro lado o paciente pode sentir-se torturado por uma falta 
de capacidade de impresso, de frieza, vcuo e monotonia. Trata-se de efeitos sobre a 
tonalidade dos afetos, o colorido afetivo das impresses que j encontramos de forma 
parecida nas perturbaes do tlamo. Outros fenmenos so: 2) forte reduo da percepo 
de movi mentos como acontece em pessoas de cegueira psquica com leso occipital. Os 
movimentos dos seus semelhantes parecem aos do dopado, como solenes e vagarosos ou de 
uma vivacidade exagerada. Nota-se uma mudana de local mas no o processo que a 
provoca, o que indica distrbios na noo do espao e do tempo. 3. surgem ento 
sinestesias abundantes (LEHMANN 1881, MARTIN 1909, E. BLEULER 1913) quer dizer 
 excitao de um sentido na exci tao de um outro. Ao se ouvir determinados sons, 
surgem determinadas cores, o que manifesta tambm no toque e na dor. O latir de um co 
provoca a oscilao na iluminao de um quarto, um bater provoca a mudana das tona 
lidades coloridas de uma paisagem. A percepo muda de imediato para a alucinao. 4. A 
noo do tempo e do espao se modifica. Em casos especiais o mundo inteiro se estende 
como um tapete diante da viso. Tudo se pode alcanar. Em certos sentidos o dopado vive 
somente o presente. No existe nem passado nem futuro, em favor do presente. A expanso 
do espao e a concentrao do tempo explicam que o doente sente no esvaziamento ou na
Distores da Percepao e Alucinaes
21
22        O Crtex Cerebral e as Manifestaes Mnemo Associativas
ameaa do seu torpor, um aniquilamento terrvel, e em caso de fantasias amenas um 
enriquecimento nunca antes experimentado. Estes efeitos txicos criam mudanas 
profundas das relaes da pessoa atingida com seu ambiente e seu conceito universal. 
Parece evidente o parentesco deste tipo de experincia com a esquizofrenia aguda. Mesmo 
assim no se conseguiu ainda explicar bioquimicamente ou celular-estruturalmente esta 
relao de parentesco.
1. CAPTULO
DA ESSNCIA DA ALMA - O EU E O MUNDO EXTERIOR, ESPIRITO E MATRIA
Chamamos de alma a vivncia imediata, tudo que  sentido, percebido,
imaginado e desejado. Alma, por exemplo,  uma rvore, um som, o sol,
enquanto a percepo e a imaginao a aceitam como rvore, som ou sol. Alma
 o mundo como acontecimento, a soma de todas as coisas vistas subjetivamente,
o conjunto de todos os movimento internos no ligados aos objetos.
Dentro da soma de vivncia direta observamos uma tendncia coercitiva de polarizao em 
dois pontos: os polos opostos o Eu e O mundo exterior. O Eu  o ponto focal mais 
intenso da vivncia junto com o sentimento da unidade indivisvel, nico no seu gnero, e 
na sua relao ntima com todos seus componentes. O sentimentto imediato do Eu ou 
conscincia da personali dade no  esclarecido e est cheio de contradies internas. Este 
sentimento do Eu se refere ao acontecimento em si, que chamamos de minha alma e a 
uma parte do vivericiado que chamamos meu corpo. Esta conscincia do Eu mostra a 
tendncia de separar-se das suas partes isoladas pelas quais a queremos pegar, retirando-se 
por assim dizer, cada vez mais em si mesmo. No sou eu,  apenas meu dedo ou No 
sou eu, mas apenas um pensamento ruim que me ocorre. Em ltima conseqncia o que 
sobra do EU  apenas um ponto imaginrio daquilo que vivenciamos. O EU  ao mesmo 
tempo a coisa mais imaginada possvel ou a coisa imediatamente mais certa. Isto porm no 
basta. Para completar a confuso a alma  projetada para dentro do EU. A alma, que no 
seria outra coisa seno a soma de tudo que experimentamos  sentida como uma segunda 
coisa, como uma segunda personalidade interna que vive encaixada na personalidade 
exterior, ou seja no corpo. A alma  a soma de tudo que vivemos e o EU parte deste 
acontecimento e que fica sobrando daquilo que ns chamamos de mundo exterior. Do outro 
lado a alma  parte do EU, aquela parte que sobra quando subtramos o corpo.
Tudo aquilo que vivemos e que no sentimos como EU  o mundo exterior. No podemos 
saber e nunca saberemos provavelmente se um mundo exterior existe fora da nossa 
vivncia.  importante saber e compreender que tudo que pesquisamos nas cincias 
naturais constitui um atributo da nossa alma e no os objetos em si. Cores, tonalidades, 
calor, movimentos assim como plantas, animais e pedras refletem apenas as impresses dos 
nossos sentidos. A experin cia nos transmite apenas impresses visuais, auditivas e tteis. 
O olho produz
6        Da Essncia da Alma
a luz e o ouvido os sons, fora jamais poderemos saber de ns, eles no existen ns lhes 
emprestamos tudo (LICHTENBERG). Se existisse fora da nossa exp rincia, fora das 
nossas sensaes, a coisa em si (KANT), um mundo md pendente, que ainda existiria se 
nossa psique desistisse de cri-lo.
Isto no nos deve causar dor de cabea. Basta verificar que dentro d nossa vivncia, o 
mundo se separa para ns em duas zonas: o EU e o Mund Exterior. Querendo formular 
esta separao sob o ponto de vista do El em palavras (Solipsismo) diramos: O EU cria 
pela sua prpria fora o No-El (FIcHTE). Tudo que experimentamos se passa no EU. Parte 
dessa experinci  projetada para fora do EU como se existisse como mundo exterior fora c 
si mesmo. Podemos tambm tentar a formulao no sentido inverso, partind do mundo 
exterior: Um homem que nascesse surdo, mudo e cego, sem possu o tato, jamais 
desenvolveria uma vida psquica ou um EU. A alma  mui mais do que uma funo dos 
rgos do sentido e do crebro, ela , pa:
formul-lo ingenuamente, uma secreo das clulas cerebrais: O EU  u produto das 
impresses sensoriais (Materialismo).
O contraste entre matria e esprito que encontramos no nosso pensamen  intimamente 
ligado na sua origem psicolgica pelo contraste entre o 1 e o mundo exterior, mas no  
equivalente, visto que o corpo faz parte EU mas no do esprito. Os polos da diferenciao 
EU-mundo exterior, esprito-matria so sem dvida condicionados pelo contraste entre o 
Ato vivncia (= EU ou alma) e o contedo ( mundo exterior e matria). complexo da 
vivncia oscila entre estes dois plos que ns chamamos prprio corpo podendo ser 
considerado tanto como objeto material dos nos sentidos ou como sujeito ativo e base 
indispensvel como pertencente ao E
Um conceito arcaico e ingnuo materializou a alma como sendo ui substncia vaporosa que 
habita o corpo. Desse conceito surgiu ento aqu que costumamos chamar de Dualismo 
numa formulao filosfica, ou s a imaginao que corpo e alma sejam duas instncias 
independentes liga intimamente mas no inseparavelmente entre si no sentido de um efeito 
recproco ou do paralelismo psicofsico. Este dualismo contrasta com o monis:
que deseja dissolver a matria no EU ou materialisticamente o psquico matria de uma 
forma espiritualista (chamada em sentido extremo solipsismo) Todos os trs sistemas 
filosficos se contradizem entre si. Soment solipsismo parece ser conseqente pela lgica, 
mas no o . As evidn imperiosas contradizem-no energicamente, facultando-nos 
passageiramenu fico de que todo mundo exterior, inclusive os nossos semelhantes pon 
ser considerados, no como uma realidade independente mas, como u fadamorgana da 
nossa personalidade. O materialismo esquece do outro 1 que a matria no nos  dada 
diretamente, mas somente sob forma de impres psquicas e que a experincia primria 
imediata  sempre psquica. As ele satisfaz apenas um pensamento no treinado. O 
dualismo por seu I como o mais antigo conceito do mundo que era tido como natural, se 
man vivo e forte por corresponder ao conceito do mundo ingenuamente refle (dualismo 
emprico). Na medida em que os nossos conceitos tericos, exj mentais e psicolgicos se 
aperfeioam tanto mais diferenciado ele se torna. tendncias vitalsticas reavivadas com 
certa razo hoje em dia, no nos le a um novo dualismo mas a uma sublimao do mundo 
inorgnico, desde
O EU e o Mundo Exterior, Esprito e Matria
estudamos seus resultados com a necessria conseqncia. Devemos ter presente at que 
ponto a assim chamada matria tem sido desmaterializada e materiali zada pelas cincias 
naturais.
Enfim: nossos conceitos contrastantes da alma e do seu lugar no conceito moderno do 
mundo se encontra numa fase transitria, na qual os conceitos antigos no satisfazem mais 
e os novos carecem ainda de uma definio melhor. Esta incerteza se reflete de modo 
prejudicial sobre a pesquisa psicolgica Cientes da contradio interna misturamos s vezes 
os conceitos monsticos modernos que partem da unidade da experincia emprica e que 
enxergam na separao entre alma e matria a experincia dos dois lados de um s 
problema, como os componentes de uma expresso dualista antiquada. Torna-se impossvel 
por exemplo, explicar a relao entre o crebro e a alma seno como forma de um efeito 
recproco dualista entre duas instncias independentes, sem incorrer em abusados 
requintes lingsticos.
O ponto de vista mais aceitvel ainda  o de um monismo crtico espiritual que reconhece, 
sob a nfase de uma ltima unidade de todas as coisas, o primado indiscutvel do psquico 
sobre o material, pressupondo que imediatamente, somente o psquico se abre ao nosso 
conhecimento. Aquilo que chamamos de matria nos aparece sob este ponto de vista como 
um conceito estranho dentro do psquico, ou seja a contemplao da realidade sob outro 
ngulo mas no como algo que seja separado em princpio do psquico. A tese de que 
somente o EU existe como sujeito reconhecvel, e que  muito radical,  insustentvel.
O monismo espiritual nos leva inevitavelmente a uma forma do Pan teismo,  crena de 
uma alma onipresente, um esprito mundial como unidade que abrange tudo e que se 
exprime em cada dos seus componentes como parte de si mesmo. Este monismo pantestico 
acompanha como lei motiv o desenvol vimento do pensamento do mundo ocidental de 
SPXNOZA a LESSINO, GOETHE e SCHELLING. Na forma dada por GOETHE e 
SPINOZA ele age pela sua densidade, unindo o pensamento cientfico puro com um 
aprofundamento tico e uma intensidade religiosa.
Voltemos ento  vivncia direta, ou seja  alma. Veremos ento que as duas unidades 
bsicas EU e Mundo Exterior no so claramente separadas mas que flutuam e se unem 
nas zonas limtrofes, O centro da conscincia do EU  constitudo pelo ponto imaginrio 
atrs de tudo que experimentamos. O prprio corpo se agrupa em redor desse centro como 
representante exclusivo do EU. Mas seus componentes nem sempre possuem o carter do 
EU. So o EU enquanto so sentidos como um complexo em conjunto. Eles podem, 
entretanto, ser isolados pela conscincia que os contemplam, ser materializados e podem 
ser considerados no como EU, mas sim como um espcie de propriedade do mesmo. Nos 
dizemos minha mo, meu dedo do mesmo modo como dizemos meu chapu ou meu 
relgio. Para as partes do corpo que no so ligadas a ele de modo sensvel ou motor como 
as pontas do cabelo, as unhas, as secrees, a qualidade do EU diminui e se torna negativa 
na medida em que perde sua relao no espao. Essas partes do corpo formam na 
conscincia, a passagem para os objetos vizinhos como a roupa que j  sentida como 
mundo exterior, mas que ainda emanam uma certa conscincia do EU quando dizemos p. 
ex. ele me tocou quando somente a roupa foi tocada.
7
8        D Essncia da Alma
Vemos assim que existe uma srie de coisas referentes ao prprio corpo e seu ambiente que 
pertencem  zona marginal entre o EU e o mundo exterior e que segundo a nossa 
conscincia so registradas como EU ou NO-EU. Este fato  de grande importncia para a 
compreenso de muitos estados da alma s vezes anormais:
Resumimos os fatores mais importantes:
1. Chamamos a vivncia imediata de alma.
2. Esta vivncia se divide nos 2 plos EU e mundo exterior. Estes complexos de concincia 
EU e Mundo Exterior se cobrem em largas zonas
limtrofes.
3. Tudo que  psicolgico ou vida interior se desenvolve do efeito recproco entr e o EU e o 
mundo exterior ou seja aquele que recebe efeitos do
mundo exterior ou os transmite. (processo de reproduo ou de expresso).
4. Ao lado desses processos podemos ainda mencionar como 3 grupo de fenmenos 
psquicos, a afetividade. Ela abrange tudo que acompanha os processos psquicos no seu 
caminho da mais simples impresso sensorial e imagem atravs das impreses e raciocnios 
abstratos, at a deciso e os impulsos de escala de sentimentos, quer dizer de valorizaes 
para o EU e os impulsos que deles emanam tais como: Os sentimentos mais simples de 
prazer e desprazer, de entusiasmo ou indiferena assim como os senti mentos complexos de 
amor, ira, medo, dio, desejo. As funes descritas na III parte como Impulsos e 
Temperamentos pertencem  afetividade.
OS CONCEITOS MODERNOS DA RELAO CORPO-ALMA.
Antigamente, quando se falava das relaes das funes psquicas com o seu substrato 
corporal a frmula Crebro e Alma parecia impor-se j que os processos corporais 
oriundos da psique eram exclusivamente atribuidos ao crebro. Mais tarde esse conceito foi 
reduzido para Substncia cinzenta e Alma, descobrindo-se em primeiro lugar as relaes 
de certas regies do grande crebro com os processos mais elevados de percepo e fala e 
da decadncia geral at a debilidade mental.
Hoje em dia o centro de gravidade do problema psico-fsico mudou em
duplo sentido.
O interesse se concentra, alm do crtex cerebral, que  mais recente, no sistema lmbico e 
ao tronco cerebral o que se reflete na teoria dos equivalentes psquicos de um modo 
decisivo. As pesquisas (Psiquiatria atual vol. 1/lA) levaram aos seguintes reconhecimentos: 
os fatores essenciais para uma vitalidade mais elevada e para a personalidade (funes da 
conscincia, vida instintiva, e afetividade) tm sua representao crebro-fisiolgica no 
somente no crebro e na regio do tronco cerebral. Ao ncleo central da personalidade 
correspon. dem ento, crebro-fisiologic falando, o sistema lmbico, os ncleos talmicos, e 
o hipotlamo enquanto que o crebro alto seria rebaixado a uma espcie de instrumento 
complicado do mesmo, um aparelho para registros diferenciados de produo singular. No 
resta dvida que uma inverso das perspetivas  fascinante, tanto mais que essa 
contemplao no  teoricamente forada, mas corresponde a pesquisas recentes. Devemos 
ter em mente que a
Os Conceitos Modernos da Relao Corpo-Alma        9
diferenciao muito fina da hereditariedade materializada no tronco cerebral, reaes 
afetivas e modos de movimentos de reflexo so condicionados pela evoluo do crtex 
cerebral e essa diferenciao justifica o essencial e o mais importante daquilo que 
chamamos de personalidade humana.
Provou ser insuficiente a reduo da correlao psquica sobre o crebro. A pesquisa nos 
mostra de um modo convincente a influncia determinante que as glndulas endcrinas 
(tireide, glndula sexual, epfise, hipfise e cpsula suprarrenal) exercem sobre a vida 
psquica, atravs do sistema nervoso, especial mente o Temperamento (afetos e 
impulsos). Como as hormnicas e o dien cfalo se encontram entre si, num efeito recproco, 
no sentido de um crculo de sistemas superiores e que se regulam mutuamente, a antiga 
Teoria Celular de uma correspondncia corporal-psquica havia de ser mudada em favor 
de uma correspondncia funcional (humoral e condutiva), Teoria Humoral e con duo 
de impulsos.
As relaes mais importantes entre a estrutura corporal e a disposio psquica (captulo 7) 
encaixam-se estreitamente no crculo funcional: glndulas sangneas, sistema nervoso 
vegetativo, crebro). Eles nos mostram uma psique que no est ligada exclusivamente a 
alguns rgos corporais. O corpo todo, tomado anatmica e fisiologicamente, se tornou at 
certo grau o representante das correlaes. Negligenciando a totalidade das interrelaes 
humorais e vegetativo-nervosas no seu duplo efeito sobre o rgo nervoso central de um 
lado e da estrutura corporal e funes do outro lado, chegaramos  concluso que uma 
determinada psique somente pode ser imaginada com um corpo determinado visto 
simultaneamente de fora e de dentro funcional e anatomi camente.
Ao contemplarmos sob um ponto de vista mais elevado o organismo total no existe um 
contraste absoluto entre forma e funo. No meu livro, Constituio e Carter 
demonstrei que a morfologia do corpo nos facilita o acesso s constantes funcionais mais 
exatas do organismo numa forma mensurvel, prestando-se por isto ao estudo das 
correlaes dentro da personalidade total psicofsica.
Ligado aos pensamentos neovitais (DRIESCH, 1914 entre outros) E. BEULER (1925) se 
opos a uma separao esquemtica entre o psquico e o no-psquico respetivamente entre o 
psquico e o fsico. Ele nos mostra que ignoramos tudo, tanto no sentido positivo como no 
negativo sobre as funes conscientes nos processos puramente fsicos (como por exemplo 
da conscincia inerente a alguma clula isolada ou grupos inferiores de clulas). Todos os 
processos da vida so ligados  psique num sentido mais ntimo em graus maiores ou 
menores: 1. as funes mnsicas (SMON 1920) ou seja a capacidade de armazenar e 
reproduzir as impresses de estmulos antigos; 2. a capacidade da integra o ou seja a 
juno de tais impresses para unidades ativas maiores e 3. a utilidade de tais junes: o 
princpio teleolgico. BL denomina e une os princpios vitais comparveis a,o psquico sob 
a denominao de psicides. A psique no seu conceito mais ntimo  para ele um caso 
especial e diferenciado da psicide, quer dizer, de uma substncia viva do universo. Tais 
formulaes se ligam numa execuo biologicamente precisa aos pensa mentos metafsicos 
de LEIRNIZ e SPINOZA. A acentuao da unidade entre processos psquicos e 
puramente neurolgicos fsicos se adapta melhor aos mecanismos cerebrais 
complicadamente interrelacionado e de estrutura gra
duada do que a alternativa rudimentar de: o psquico de um, o no-psquico do outro lado.
DIFICULDADES DA LOCALIZAO NO CREBRO
Trata-se de desenvolver a cincia das funes cerebrais, pelos sintomas de supresso nas 
leses de determinadas e circunscritas partes do crebro. J possumos conhecimentos 
valiosos sobre a localizao de sintomas de disfuno do crebro. O lado negativo est bem 
consolidado enquanto que o positivo  algo hipottico e discutvel. Perguntamos: qual  a 
funo positiva da parte no atacada do crebro cujos distrbios so denunciados por vrios 
sintomas? A dificuldade da resposta se prende  peculiaridade da estrutura do crebro, a 
graduao de instncias superiores e inferiores e a coordenao correlativa e vicariante das 
diversas partes do crebro (BETHE 1931). A convulso epiltica por exemplo era 
considerada como sintoma de irritao que era considerado como centro convulsionante. 
Perguntou-se em seguida: ser que a convulso  um sintoma de irritao e no da paralisa 
ao, da eliminao do crtex cerebral? A leso do crtex no suprime a inibio de um 
centro sub cortical mais profundo que por sua vez provoca a convulso? E se assim for, 
qual dos centros? Este exemplo nos mostra a complicao bsica de todas as questes de 
localizao do crebro e que se repetem nos fenmenos de pertur baes psquicas, em 
relao a certas regies cerebrais. Nas explicaes seguintes ater-nos-emos de preferncia 
aos negativos comprovados da fisiologia cerebral. Quando falamos em localizao, centros, 
etc., referimo-nos aos centros de dis trbios. Pelos impulsos experimentais que provocam 
atividades, como movi mentos por exemplo, as funes clnicas negativas so 
complementadas de um modo muito valioso, esclarecido e comprovado. Devemos 
considerar entretanto que o impulso da corrente dos eletrodos numa parte do crebro, 
constitui uma interveno perturbadora e um caso limtrofe doentio. O sujeito no con 
seguir deste modo e a partir de um pequeno ponto, sua produo psquica e motora.
De mais a mais, todas as localizaes cerebrais se fazem empiricamente segundo a simples 
formulao casual: quando A acontece, acontece tambm E, ou quando A se junta a B, 
acontece C, ou se A falha, B no entra em ao. Quer dizer: no estmulo de uma regio 
cerebral A, d-se a funo B ou vice- versa. Na leso de uma determinada parte cerebral 
uma ao vital  omitida
10
Da Essncia da Alma
Explicaes do Editor:
Com o auxlio da ciberntica, teoria das informabes. respectivamente conseguiu-se 
construir modelos de pensamento para a j mencionada funo mnsica do lado fsico-ma 
terial, mas no para a formao da integrao, quer dizer de combinabes que alcancem 
seu fim. (A finalidade, o programa de uma mquina deriva da concincia humana e no 
dos elementos de reao).  mero engano pensar que com o refinamento e a materializao 
sob o ponto de vista qumico e fsico, a alma se aproxime do corpo. No existe nem ponte, 
nem zona de transio para ambos. A pesquisa esclarece apenas a comunidade formal exis 
tente (o que  muito importante sob o ponto de Vista mdico-terapeuta) enquanto que as 
diferenas empricas entre a conscincia prpria e conscincia objetiva continuam 
inalteradas e irremoviveis. Valem apenas as frmulas: Corpo e alma (percepo) ou nem 
corpo, nem alma (misticismo, morte). Mas nunca se poder dizer O corpo  a alma.
Personalidade e Personalidade profunda        11
ou  substituida por uma ao nova. Trata-se de comprovantes estatsticos da freqncia de 
ligaes positivas ou negativas de certas partes do crebro com determinadas funes ou 
realizaes. A partir deste fato muito simples desven da-se a multiplicidade e complexidade 
do sistema funcional interrelacionado do crebro todo, por pesquisas penosas feitas passo a 
passo. . impossvel recusar peremptoriamente e teoricamente todas as localizaes do 
crebro, pelo simples fato de no poder dizer-se que os mesmos efeitos se produzem em 
cada clula cerebral. Quando os clnicos e encefalogistas falam da localizao de determi 
nadas funes psquicas, no se trata de uma mitologia cerebral mas apenas uma frmula 
passageira e abreviada descritiva de uma observao.
A classificao rgida de determinados rendimentos em relao aos arcos reflexos 
observados isoladamente foi relatada por GELE e GOLDSTEIN (1920) e CONRAD (1947) 
que consideram justificadamente toda reao biolgica como uma reao do organismo 
todo, ao impulso da qual se destacam certos efeitos que agem de perto e certas reaes do 
aparelho que reage ao impulso. Na patologia, no perguntamos somente qual a queda de 
produo que acompanha certas deficincias celulares e funcionais, mas tambm qual a 
capacidade de produo do crebro reduzido. Justifica-se na apresentao terica de certos 
dados psquicos e psicofsicos a imagem do arco reflexo enquanto no se descuida da 
relao com o todo. Devemos ainda considerar que muitas conexes psicofsicas no 
passam de conseqncias circulares que dentro do seu crculo voltam a si mesmo, assim 
que as ocorrncias entre a afetividade, glndulas endocrinas e centros vegetativos, cada 
etapa em si pode ser considerada como causa ou como efeito. Isto foi explicado do modo 
mais amplo possvel por von WEIZSACKER. (1968) com os teoremas das atas biolgicas e 
do crculo gestltico.
PERSONALIDADE E PERSONALIDADE PROFUNDA
Na parte principal precedente a relao corpo-alma comeou a se tornar
problemtica para ns, a independncia absoluta e a peculiariedade do corpo
e da alma sob o postulado do dualismo.
Nos caractersticos estruturais comuns das esferas psquicas e fsicas que
em geral se diferenciam nitidamente devemos fixar conceitualmente dois graus
de integrao a saber; a personalidade e a personalidade profunda.
Tomemos um exemplo da prpria vida. Uma pessoa sofre de um pavor
repentino muitto intenso. Sua reao poder ser dupla:
a) Um homem inteligente e bem equilibrado saber julgar a situao geral de relance e  
se lhe sobrar o tempo necessrio  tomar uma atitude de defesa ou de fuga, pensando e 
agindo num s ato, por meio de uma srie de reaes psicomotoras motivadas e em 
consonncia com a situao.
b) Se o susto for porm repentino e forte demais e em se tratando de um indivduo lbil, 
este no reagir por motivao mas por reflexo, que no  guiado por um EU superior 
decorrendo segundo um esquema premoldado complexo e ontolgico. Costuma-se falar em 
sndrome de susto e pnico ou reaes histricas.
No caso a) o indivduo reage com decises cientes e motivadas, no caso b)
impe-se a personalidade profunda com um mecanismo de comportamento
12
Da Essncia da Alma
altamente integrado. O termo personalidade profunda no significa um tumulto de 
reflexos mas reaes psquicas e fsicas ordenadas que decorrem paralelamente, visando 
ambos a mesma finalidade biolgica.
Nas histerias motoras demonstra-se freqentemente por meio de experin cias teraputicas 
que a engrenagem da personalidade profunda e a engrenagem racional e voluntria no se 
processam lentamente e logicamente mas sob a influncia de certos estmulos chave, como 
se a gente acionasse um comutador eltrico. A segunda embreagem poder sob certas 
condies substituir por completo a primeira dependendo de observaes cerebrais-
fisiolgicas mobili zando os agregados j formados da pessoa profunda (p. ex. aes de 
impulso) de determinados lugares do diencfalo respetivamente nas partes localizada3 perto 
do tronco cerebral do crebro bsico.
O funcionamento da personalidade profunda no  somente ligado a situaes dramticas 
agudas. Quando pesquisamos o comportamento de pessoas ss ou doentes encontramos 
padres que se manifestam abrutamente interfe rindo com os impulsos racionalmente 
dirigidos, introduzindo-se subrepticia mente ou transparecendo em atos normais de funes 
volativas. Essa escala vai at os automatismos primitivos, como reflexos de suco, de 
prenso, de bloqueio, automatismo de trepar, etc., nos processos de consumao muito 
graves de ordem cerebral-orgnica.
O conceito de Personalidade profunda que formulei segundo F. Ki (1919) no  apenas uma 
orientao heurstica mas, substanciado pelas pesqui sas de base de vrios lados. Ele 
abrange sistemas funcionais psico-fsicos (psico.
-somticos) com reaes formuladas, automatismo e agregados e integrados, completos. 
Um processo tomado neste sentido  e basta pensar na diabetes insipidas  poder ser 
considerado do lado sociolgico como uma anomalia de impulso e do lado fisiolgico 
como perturbao do metabolismo. A causa no  nem a, nem b, nem b a causa de 
a. Ambos so aspectos de um
s processo que, no nosso exemplo,  dirigido pelo diencfalo.
Ao lado das ligaes afetivo-hormonal-vasomotoras, dos sentimentos vitais (matizes do 
nimo) e tenses de comportamento individuais, fazem parte da personalidade profunda os 
estilos elementares de movimento, os modos de vivncia que tm sua base filogentica nos 
graus anteriores ao instinto animal. Voltaremos mais detalhadamente ao assunto (captulos 
7 e 8). Podemos con siderar como substratos corporais desses agregados de ao e 
imaginao (com todas as limitaes crticas) as regies dienceflicas e mesenceflicas, os 
ncleos opto-estriados motores e todo o aparelho neuro-vegetativo em si.
Em nosso estudo experimental da biologia constitucional explicamos fenmenos que 
denominamos com a palavra chave de relaao transversal.
Guiamo-nos pelo fato que obtivemos em experincias de reao no mesmo tipo 
constitucional, freqentemente curvas idnticas, tanto na psicomotricidade como no 
aparelho vegetativo e nas reaes afetivas, ou com outras palavras, que a psicomotricidade, 
o vegetativo e o processo do afeto so guiados de modo semelhante.
Em vista disto podemos definir claramente o conceito da Personalidade profunda. Ele  
biolgico e nada tem que ver com profundezas psquicas no sentido filosfico. No  
tampouco idntico ao conceito psicoanaltico de Inconsciente com o qual se cruza s 
vezes. Os critrios para o modo de funcionar da Personalidade profunda no so os graus de 
conscincia mas, mecanismos e tipos de reao exatamente descritas. Enquanto que o 
conceito
os
personalidade e personalidade Profunda
de inconsciente se refere primordialmente  regio psicolgica, o conceito da Personalidade 
profunda delnea os integrantes psico-fsicos que harmonizam entre si.
As manifestaes da personalidade profunda n so absolutamente in conscientes, mas:
e
e
1. involuntrios,
2. coordenados psico-fisicamente e
3. padronizados dentro das suas normas.
(Involuntrio significa aqui que estas manifestaes no so diretam racionalmente 
manipulveis segundo a vontade.)
Elas tm sua origem em estmulos corporais ou motivos que as provocam no em reflexes.
2. CAPTULO
PERCEPO SENSORIAL e ESTRUTURA DO MUNDO
PERCEPTIVO
As percepes sensoriais pelas quais o homem constri os processos psquicos de 
reproduo se dividem comumente em sensveis e sensoriais. As qualidades sensveis dos 
sentidos comuns podem ser sentidas at certo grau em qualquer parte do corpo. Elas se 
dividem em sensibilidade de tato (superfcies) e de profundidade (presso, juntas, msculos 
e rgos internos) alm se sensaes de temperatura e dores . As qualidades sensoriais 
somente sero absorvidas no local do rgo sensorial que a elas se destina. Pertencem a este 
grupo as sensaes de olfato e paladar e os assim chamados sentidos mais elevados, viso e 
audio.
Todas estas formas sensoriais servem basicamente para a orienta  do organismo 
individual no mundo ambiente, para a conservao e aprimoramento da sua vitalidade, 
possibilitando os movimentos certos, em face a estmulos vantajosos ou nocivos, O 
sentido biolgico do rendimento sensorial-perceptivo somente pode ser descrito em 
conexo com a Motricidade. Uma sensao olfativa por exemplo no obedece a nenhuma 
necessidade biolgica, mas no animal por exemplo ela servir para uma aproximao 
motora a um objeto de alimentao ou de cpula, ou seja, uma ao automatizada guiada 
pelos instintos. Uma sensao de dor ou de calor tem seu sentido na reao provocada, 
seja a fuga ou a defesa diante de um objeto nocivo. A viso e o olfato exercem a mesma 
funo de um modo mais complicado e egocntrico. A impresso sensorial poder somente 
ser desligada da sua obrigao vital num plano humano, tornando-se auto-suficiente, como 
valor esttico por exemplo. Aqui aparece novamente a diferena entre personalidade e 
personalidade protunda.
13
2. CAPTULO
PERCEPO SENSORIAL e ESTRUTURA DO MUNDO PERCEPTIVO
As percepes sensoriais pelas quais o homem constri os processos psquicos de 
reproduo se dividem comumente em sensveis e sensoriais. As qualidades sensveis dos 
sentidos comuns podem ser sentidas at certo grau em qualquer parte do corpo. Elas se 
dividem em sensibilidade de tato (superfcies) e de profundidade (presso, juntas, msculos 
e rgos internos) alm se sensaes de temperatura e dores . As qualidades sensoriais 
somente sero absorvidas no local do rgo sensorial que a elas se destina. Pertencem a este 
grupo as sensaes de olfato e paladar e os assim chamados sentidos mais elevados, viso e 
audio.
Todas estas formas sensoriais servem basicamente para a orienta ao do organismo 
individual no mundo ambiente, para a conservao e aprimoramento da sua vitalidade, 
possibilitando os movimentos certos, em face a estmulos vantajosos ou nocivos. O 
sentido biolgico do rendimento sensorial-perceptivo somente pode ser descrito em 
conexo com a Motricidade. Uma sensao olfativa por exemplo no obedece a nenhuma 
necessidade biolgica, mas no animal por exemplo ela servir para uma aproximao 
motora a um objeto de alimentao ou de cpula, ou seja, uma ao automatizada guiada 
pelos instintos. Uma sensao de dor ou de calor tem seu sentido na reao provocada, 
seja a fuga ou a defesa diante de um objeto nocivo. A viso e o olfato exercem a mesma 
funo de um modo mais complicado e egocntrico. A impresso sensorial poder somente 
ser desligada da sua obrigao vital num plano humano, tornando-se auto-suficiente, como 
valor esttico por exemplo. Aqui aparece novamente a diferena entre personalidade e 
personalidade profunda.
14        Percepao Sensorial e Estrutura do Mundo Perceptivo
Para uma observao meramente biolgica conseqentemente no interessa se uma 
impresso sensorial se torna consciente, mas sim, se faz um apelo s disposies motrizes, 
com ou sem conscientizao. A maioria das reaes vitais provocadas por estmulos 
sensoriais se d inconcientemente ou com a conscincia diminuda. O grau de conscincia 
de impresses sensoriais no depende do grau da complicao da tarefa motora em primeira 
linha, mas sim do grau de novidade e raridade da situao ou da responsabilidade inclusa. 
Podemos por exemplo manter o equilbrio corporal ao andar sem o notar, um processo de 
movimento bastante complicado, enquanto que uma execuo nova como por exemplo, a 
posio da perna num exerccio de ginstica, se consegue somente com uma ateno 
concentrada, O mesmo acontece com as impresses senso- riais: o registro tico 
complicado de um emaranhado de ruas que percorremos diariamente no exige quase 
nenhuma conscientizao, enquanto que a procura de uma determinada porta de casa j 
exige maior conscientizao e observao detalhada. A conscincia que acompanha uma 
impresso sensorial ou um ato de movimento no  sob o ponto de vista biolgico um 
epifenmeno, mas est em relao proporcional ao trabalho de neo-orientao do 
organismo. As regulamentaes senso-motoras do corpo no so capazes de 
conscientizao e somente a imaginao do objeto e a finalidade se encontram na 
conscincia.
O papel que as formas sensoriais desempenham na organizao da vida psquica varia 
muito entre elas. Devemos considerar as relaes ntimas entre a sensualidade, 
afetividade e instintos assim como as funes dos sentidos como base para os processos 
mais elevados: a imaginao e o pensamento. Em ambos os lados as regies sensoriais so 
representadas em diversos graus de intensidade, o que nos permite dizer que as qualidades 
sensoriais menos dife renciadas possuem relaes imediatas com a afetividade, enquanto 
que os sen tidos participam em maior grau e escalas mais complicadas de sentimentos na 
estruturao do mundo imaginativo, como no conceito de espao e tempo. No existe 
porm nenhuma fronteira delineada. Os sentimentos comuns que se abastecem dos 
sentimentos difusos internos e externos do corpo inteiro pertencem ao grupo de sentimentos 
de parentesco afetivo, assim como sen saes de temperatura e dor, olfato e paladar. Ao 
segundo grupo dos sentidos sensoriais com pronunciada formao imaginativa pertencem 
as duas mais elevadas sensaes de viso e audio com as quais colaboram essencialmente 
as sensaes diferenciadas do tato, msculos e membros, na imaginao do espao, por 
exemplo. Alm disto elas possuem no seu carter sensual direto, luzes, cores e sons  uma 
relao viva com a afetividade.
SENSAES DE PARENTESCO AFETIVO E TLAMO
 caracterstico que sentimentos de parentesco afetivo, sob o ponto de vista psicolgico, 
num s processo de vivncia se apresentam como sensaes e sentimentos. No 
vocabulrio psicolgico convencionou-se chamar de sen timento os processos afetivos, e 
de sensao o que se refere ao processo sensorial elementar. Esta conveno prtica no 
modifica em nada o verdadeiro parentesco dos dois grupos psquicos. C. STUMPF (1928) 
pensa identicamente ao falar de sensaes de sentimento.
A sensao de dor pode servir como exemplo: podemos definir que a dor
 uma sensao dos sentidos (a) acompanhada de um determinado afeto,
Sensaes de Parentesco Afetivo e Tdlamo        15
uma sensao de dor (b). A verdade vivida porm  outra: no  b que acompanha a 
mas b e a so idnticos naquilo que nos transmitem. A dor como fenmeno  tanto 
sensao como sentimento. Este conceito  de impor tncia bsica para nosso pensamento 
fisiolgico, por exemplo em relao  funo do tlamo. A separao rgida entre 
sentimento e sensao  usada como abstrao, e no cabe no grau da vivncia. Somente na 
diferenciao maior da percepo e imaginao o contedo e o afeto entram numa relao 
independente e varivel, podendo ser contemplados em separado. O aspecto casa por 
exemplo ou sua imaginao no precisa ser acompanhado de um afeto acentuado. Num 
caso positivo e de acordo com o relacionamento pro duzem-se os afetos os mais variados.
Assim como na sensao da dor, a sensao do olfato, temperatura ou paladar nota-se um 
acento sentimental, uma identificao com a vivncia. Uma sensao de calor e frio  
agradvel ou desagradvel, a no ser na zona marginal onde ela desaparece como sensao.
O sentimento comum  conforme WUNDT o sentimento total no qual se manifesta o 
nosso bem ou mal-estar sensorial. Este sentimento comum absorve os componentes de 
todos os sentimentos afetivos congnitos; impresses de superfcie, de presso e posio, de 
corao e intestinos, olfato e paladar at as impresses difusas de luz, cores e sons. Deste 
conglomerado de qualidades sensoriais parcialmente apenas percebidas se d o corte 
transversal do nosso bem ou mal-estar atual que do seu lado  a soma dos sentimentos e o 
grau de afeto.
Isto  especialmente vlido para os sentimentos complexos vitais como
fome, sede, excitao sexual cuja unidade fenomenal pode ser classificada como
complexo sentimental, ou afeto, por causa do impulso motor.
A teoria JAMES-LANGE acentuou de um modo muito refinado (1910) o parentesco entre 
sensaes e sentimentos levando-os ao paroxismo da identi dade. Este ponto de vista pode 
ser defendido em relao ao grupo sentimen tos vitais e fenmenos da fisiologia cerebral. 
Alm das sensaes de tempe ratura e dor, olfato, paladar e outras sensaes difusas como 
fome, sede e impulsos sexuais podemos incluir os afetos de medo e susto que so 
igualmente estados de alma e sensaes corporais intensas com suas atitudes motoras.  
porm difcil constatar quanto sobraria, vivencial e fenomenalmente, do afeto especfico se 
deduzssemos os complexos da sensao corporal muito caraters ticos. A teoria deixa de 
ser completamente aplicvel quando se trata de contedos psquicos diferenciais onde a 
relao se torna mais frouxa. Conhe cemos por exemplo disposies de nimo como bem 
disposto ou triste que possuem um substrato emocional diminuto.
Qual  pois a base fisiolgica-cerebral de todos estes fenmenos e as ati tudes impulsivas 
que da derivam? De acordo com tantos outros pesquisadores podemos supor que todas as 
vias sensveis e sensoriais que vo da periferia ao crebro se focalizam no Tlamo tico. 
Oticamente visto o Tlamo forma um grande centro de comutao para todas as vias 
sensoriais que se irradiam para seus campos de projeo no crtex cerebral: o crtex visual 
no lobo occipital, o centro auditivo, no lobo temporal, na esfera sensorial do corpo, na 
circunvoluo central posterior. Concentra-se provavelmente no tlamo a imagem 
sensorial do corpo ou o esquema corporal, quer dizer a imaginao de tamanho, forma, 
posio e movimento do corpo. Aqui encontram-se igualmente centros afetivos e da 
motricidade da fala (risada, impulso para
16        Percepao Sensorial e Estrutura do Mundo Perceptivo
falar). O tlamo fica vizinho dos ncleos opto-estriados e ocupa no sistema sensvel-
sensorial como parte mais antiga do crebro e outros centros mais diretamente ligados entre 
a periferia e o crtex cerebral, uma posio seme lhante como aqueles no sistema motriz.
A pesquisa das funes fisiolgicas do tlamo est em estreita ligao com os problemas a 
serem discutidos sobre as pesquisas do tronco cerebral, a pesquisa do sistema nervoso 
vegetativo e a importncia bsica da relao entre o tronco cerebral e o crebro, O tlamo 
forma junto com o hipotlamo (sistema nervoso vegetativo) e o sistema lmbico (veja 
pgina 49) aquela parte do crebro onde os diversos sentimentos recebem sua tonalidade e 
emotividade. Aqui se encontra o substrato da dor e talvez tambm do prazer enquanto que o 
crtex cerebral  essencial para a localizao e reconhecimento da percepo. De mais a 
mais, o tlamo  o ponto de baldeao do qual os impulsos dos neurnios sensveis passam 
aos do sistema vegetativo. Segundo este conceito o tlamo e suas regies adjacentes seriam 
a central principal das funes sensveis-sensoriais e por conseguinte dos afetos afetivos 
elementares a ela inseparavelmente ligados (percepo comum e vital). Todo o sistema 
forma ao mesmo tempo uma espcie de arco reflexo para reaes visceral-afetivas e 
impulsivas e num sentido mais amplo uma central intermediria para a composio do 
processo esquematizado e sensomotor da vida dos instintos.
Os profundos estudos sobre a sensibilidade realizados por HEAD (1911) j levaram a 
conceitos semelhantes. Nos distrbios focais no tlamo ele encon trou alm dos distrbios 
de sensibilidade, uma tendncia de reao exagerada contra impulsos desagradveis sem 
que fosse diminudo o valor limiar do estmulo doloroso. O mesmo estmulo se fazia sentir 
com maior intensidade do lado doente. Chegou-se a estranhas mudanas hemilaterais da 
emotividade ou seja da disposio afetiva de estmulos sensveis e sensoriais. Um dos 
nossos pacientes foi incapaz de ocupar seu lugar na igreja porque no podia agentar o 
canto do lado adoentado  enquanto durava o canto ele esfregava a mo doente. Um 
outro foi assistir uma sesso comemorativa da data do falecimento do rei Eduardo VII. 
Quando o coro comeava a cantar apoderou- se dele uma sensao horrvel do lado 
afetado e sua perna ficou sendo agarrada e sacudida. Um paciente muito culto nos 
confessou que desde o ataque que tornara a metade direita do seu corpo mais sensvel a 
impulsos agradveis ou desagradveis, sua ternura aumentara. Tenho o desejo 
pronunciado de colocar minha mo direita sobre a epiderme suave de uma mulher. A mo 
direita exige consolo, parece que do lado direito busco sempre simpatia... Minha mo 
direita parece ter um dote mais artstico. A metade talmica do corpo afetado reage, 
segundo HEAD, com maior intensidade ao elemento afetivo em relao a impulsos 
externos ou estados inter-psquicos. Existe uma sensibilidade aumentada contra estados de 
prazer ou desprazer. KPPERS (1922) o exprime de modo pertinente da seguinte forma: 
O paciente atacado de uma doena do tlamo unilateral tem uma alma diferente do lado 
esquerdo do que do lado direito; de um lado ele  mais carente de consolo, mais sensvel, 
artstico, saudoso, do que do outro lado. Sem querer entrar em maiores detalhes citamos 
aqui de modo resumido o conceito de HEAn sobre a funo do tlamo: Acre ditamos que 
o rgo principal do tlamo seja o centro de conscincia para certos elementos do 
sentimento. Ele responde a todos os impulsos capazes de provocar prazer ou des prazer ou a 
sensao de uma mudana no estado geral do paciente. O tnico dos sentimentos de 
sensaes somticas ou viscerais 
Sensaes Figurativas
o produto de uma atividade talmica. Como somente a 8. parte do tlamo serve para 
transmisso espinha-cortical de sensaes, podemos supor que os sentimentos elementares 
citados por HEAD se ligam a leses simultneas de regies vizinhas.
Em relao  leucotomia de doentes mentais, nevroses coacta e estados de doenas graves, 
a pesquisa ganhou indiretamente novos impulsos e pontos de vista. Trata-se especialmente 
do estudo de supresses provocadas pela separao das vias fronto-talmicas e que foram 
tratadas exaustivamente sob o ponto de vista anatmico por von HASSLER (1967). O fato 
 que na separao dessas vias se faz uma sensvel diminuio dos afetos de irritao e 
impulsos de dor. Estudei situaes semelhantes em casos de leses graves provocadas por 
acidentes, da abboda da rbita, denominando-as de Perda da ressonncia pessoal. Aqui 
devemos considerar desde j a cooperao do sistema lmbico (ver pgina 49).
SENSAES FIGURATIVAS
As qualidades sensoriais at ento tratadas tiveram um denominador comum: os momentos 
afetivos nelas integradas obrigam o organismo a reaes biolgicas positivas ou negativas 
de um modo imediato. Fazem-no de um modo elementar por frmulas psicomotoras 
acopladas por reflexo ou instinto, sem produzir uma imagem da fonte sensorial. Uma 
opresso cardaca ou uma dor intestinal possuem qualidades afetivas fortes e provocam 
assim de imediato, respostas reflexo-psicomotoras e vegetativo-nervosas. No apresentam 
porm ao leigo em medicina nenhuma imagem do estado do rgo atacado e fre 
qentemente nem uma indicao do rgo afetado. Isto se assemelha s sensa es 
provocadas externamente e de parentesco afetivo, enquanto no as suplementamos tica e 
tatilmente. Mesmo esgotando a escala inteira de sensaes dolorosas que agem de fora 
sobre o nosso organismo, ela no nos fornece nenhuma imagem dos fatores externos que as 
provocam, de objetos situados fora de ns e muito menos ainda da sua localizao no 
espao. O mesmo acontece com o olfato e o paladar. Por meio da viso ou do tato ou um 
deles, podemos fazer uma imagem precisa do objeto pera por exemplo, embora nunca lhe 
tivssemos conhecido aroma ou paladar. Mas um cego, ou desprovido do tato no poderia 
nunca construir uma imagem completa e objetiva por meio do olfato e paladar, que 
correspondesse ao objeto tico-ttil de uma pera. Seu olfato e paladar lhe forneceriam 
apenas sensaes afetivas sem que tivesse a possibilidade de cri-las.
Com estes exemplos podemos explicar basicamente os diversos processos de trabalho do 
nosso aparelho sensorial. De um lado o afetivo, o reflexo e o instintivo, do outro lado o 
desenvolvimento de uma imagem do mundo exterior, de imaginaes objetivas. A 
orientao biolgica final e intentada dar-se-ia no segundo caso indiretamente pelo 
caminho tortuoso, pela imagem do exterior e possivelmente sem participao do afetivo. 
No acontece porm que certos sentidos tivessem somente uma orientao de trabalho e 
outros sentidos uma outra tambm. Determinados grupos sensoriais levam 
preferencialmente para ambos os lados, enquanto que elementos de qutros grupos se 
misturam neles. A imagem pera evoca aroma e paladar, a palavra fogo calor, 
acrescenta remos talvez  palavra faca a sensao dolorosa, sem sentido constitucional. 
Num outro sentido o sentimento comum, o bem ou mal-estar (fatores cardinais
17
Percepdo Sensorial e Estrutura do Mundo Perceptivo
e decisivos da soma das sensaes corporais difusas) ficam enriquecidos por qualidades 
elementares de luz, cor e som do ambiente, sem que estes fatores ulteriores fossem 
necessrios. Uma sensao vital como fome, ou excitao sexual pode provocar a imagem 
tica de determinado prato ou de um compa nheiro sexual, sem que essas sensaes se 
alterassem significativamente com a ausncia do respetivo correlato tico. Mesmo para 
efeito motriz a sensao de fome p. ex. no precisa de uma sensao imaginativa e material 
dos objetos exteriores, mas apenas a orientao atravs de certas qualidades difusas de 
olfato, paladar e consistncia.
J vimos quais as sensaes dos sentidos que se aplicam ao processo da imagem: Ao 
catalogar as sensaes em imagens e relaes espaciais, ou seja na evoluo para as 
imaginaes do espao, a dominante  a sensaao da visao em ntima colaborao com as 
sensaes de tato e posiao sendo que estas ltimas permitem um conceito mais 
desenvolvido do objeto, mesmo sem o controle da viso (no caso de cegos ou no escuro).
A imaginao do espao se origina do fato de que, o indivduo  capacitado a unir com a 
viso e o tato das superfcies da epiderme, uma grande quantidade de estmulos isolados 
num ato s. Parece que as impresses isoladas se dife. renciam de acordo com o local no 
qual so provocadas, pois sabemos diferenciar entre dois contactos de epiderme limtrofes. 
Esta diferena de sinais sensrios originados de pontos distanciados do corpo foram 
tomadas como qualitativos (o que no  comprovado!) denominando-a de sinal local. A 
distncia que separa dois estmulos isolados que agem juntos, chama-se limiar do espao. O 
limiar  em certas partes do corpo que permitem uma diferenciao sensorial mais exata (as 
pontas dos dedos ou a retina do olho) menos desenvolvida. A distncia do estmulo sensvel 
 mais reduzida do que em outras regies do corpo. Daqueles dois fatos, a recepo 
simultnea e a diferenciao entre muitos estmulos resulta a base para uma coordenao 
recproca destes estmulos no sentido de um campo visual, respetivamente campo ttil e por 
conseguinte de imaginao bi-dimensional do espao. Para o desenvolvimento da tri-dimen 
sionalidade do espao podemos citar diversos fatores experimentais como por exemplo o 
estereoscopo que provoca o efeito do assim chamado eixo parral binocular (a cobertura 
pouco exata da imagem da vista esquerda e da direita) e as sensaes musulares 
provenientes do movimento convergente dos olhos. Para se obter a tri-dimensionalidade do 
espao e a imaginao de objetos torna-se indispensvel a sensao de movimento 
(msculos oculares, extremi dades, articulaes), para se poder tatear de todos os lados. 
Todos estes fatores aqui alinhados das sensaes de viso, tato e movimentos ainda no 
perfazem a imaginao de objetos e espao em si. Somente o trabalho coordenador e 
unificador do subjeto leva  percepo.
A velha disputa, se a imaginao do espao e do tempo  adquirida (teoria emprica) ou 
inata como ltima categoria (teoria nativista) pode ser respondida pela evoluo biolgica 
como segue: Fenmenos to complicados como, ima ginao de tempo e espao devem ter 
evoludo de origens mais simples, sendo que muitas hipteses podem ser isoladas 
experimentalmente. Isto no quer dizer que, cada ser humano deve reconstr por si mesmo a 
imaginao do tempo e do espao. As tendncias visando o pensamento tempo-espao 
sero preformadas aos poucos como qualquer outro patrimnio gentico ou filogen tico 
sendo, at um certo ponto inato.
18
Grau Configuratk e Grau de Realidade        19
Os impulsos do mundo exterior se alinham no ouvido de uma outra forma. Ele participa da 
imaginao temporal que  favorecida pelos impulsos rtmicos do corpo, como no andar por 
exemplo, o que WUNDT j ressalta. Mais impor. tante porm para a imaginao temporal  
funo mnemnica do crebro que permite uma ligao em paralelo de engramas de 
intensidade variada ao lado das impresses novas gradualmente mais fortes. Neste fator 
quantitativo de graduao da memria mais recente das imagens interiores 
(simultaneamente como marcos de distncia) baseiam-se talvez as imaginaes da durao 
da memria. A fraqueza da memria de fixao de KORSAKOFF nos mostra que a 
imaginao temporal  intimamente ligada  integridade das funes de referncia e de 
memria, e que desaparecem em leses graves das mesmas. Quando por graves comoes 
afetivas (luto, choque) a escala natural da inten sidade da memria  interrompida no 
sentido de um enfraquecimento retr grado, a exatido de medir o tempo sofre 
consideravelmente.
O sentido da audio ganha entretanto sua importncia mxima para a vida psquica mais 
elevada, como fator central do desenvolvimento da lngua.  somente pela linguagem que o 
princpio se desenvolve e representa o instru mento mais delicado do nosso pensamento: o 
principio da abstrao ou seja a formao de conceitos sensorialmente imperceptveis. 
Trata-se pois da reduo das imagens do mundo exterior em traos essenciais e sua reduo 
em conceitos mais condensados, por conceitos mais elevados; trata-se da classificao 
horizon tal e vertical (subsumao, coordenao) dos conceitos e categorias lgicas 
(identidade, no-identidade). Disto fazem parte as relaes de pensamento:
causa, conseqncia e sentido . A palavra representa o nico veculo para a imaginao 
abstrata, que sem ela  incapaz de se fixar ou transmitir. J conhecemos a relao entre 
gramtica, construo de frases e lgica.
GRAU CONFIGURATIVO E GRAU DE REALIDADE
Chamamos de grau con figurativo o voume em que os impulsos isolados, absorvidos pelos 
nossos rgos sensoriais e processados pelo sistema nervoso, se agrupam e diferenciam no 
consciente. A formao preparatria no se processa nos rgos sensoriais, sendo antes 
uma funo do crtex cerebral. O olho em si no capta, casas, rvores, nuvens, mas fornece 
apenas a matria-prima, as qualidades sensoriais bsicas, claro, escuro verde, amarelo etc. 
Consideramos o grau configurativo que as nossas impresses sensoriais alcanam numa 
ordem de espao e tempo numa abstrao de diversos graus de intensidade e conotao 
lgica.
Ao lado disto captamos os produtos do processo de repr numa segunda escala u seja pelo 
grau da realidade. Uma imagem que surge em ns como atenas pensada como 
imaginao, ou como vista ou ouvida de fato  tratada como percepo. Ligam.se aqui 
duas sries diferentes de qualidade, de um lado a localizao da imagem no interior da 
nossa cabea ou no mundo exterior. Diferente deste subjetivo ou objetivo  o juzo da 
realidade ao nos perguntarmos at que ponto a imagem seja verdadeira. Nem sempre os 
dois juzos podem ser diferenciados assim por exemplo na relao mstica com o mundo, 
especialmente nos esquizofrnicos que tomam uma voz interna como verdadeira e vindo de 
fora ou que consideram algo de interno como dependente do EU conforme STORCH 
(1922) e REIss (1921) o verificaram no
20        Percepao Sensorial e Estrutura do Mundo Perceptivo
estdio inicial. O grau de realidade das imagens que surgem em ns depende ainda de 
fatores quantitativos, do nmero e da preciso dos detalhes. A maginaao casa  muito 
menos sensorial e carece muito mais de detalhes do que a percepo casa. Isto se nota 
especialmente quando se reproduz objetos complicados pela memria ou pela prpria 
natureza. Todas estas questes de relao entre o EU e o mundo exterior, da realidade da 
projeo e introjeo desempenham um papel importante na psicologia tnica e na 
psicopatologia.  importante saber que a suposta separao bsica (JASPERS 1946) entre 
ima ginao e percepo no se pode confirmar pela experincia psicolgica e que, segundo 
a opinio da maioria dos pesquisadores, deve haver uma escala con tinua de transio entre 
ambos. (JAENSCH 1923). Pacientes esquizofrnicos por exemplo, por mais inteligentes 
que sejam muitas vezes no sabem dizer se tm pensamentos vivos ou se vivenciam coisas 
vistas e ouvidas.
Uma importncia bsica deve ser atribuida s sries experimentais extensas de JAzNscH 
(1921) e seus colabordaores que pesquisam o tipo visual Eidtico. Este  especialmente 
acentuado em adolescentes e talvez tambm em populaes aborgenes. No material de 
alunos de KROH (1927) as imagens de percepo eidticas se evidencic em mais de 40% 
dos casos at 15 anos de idade, dimi nuindo rapidamente daqui em diante, O tipo visual 
eidtico  ontogenetica mente o mais velho e representa a unidade no diferenciada original 
da vivncia dos sentidos pela qual se diferenciam a percepo de um lado e a percepo 
visual do outro lado. Os eidticos sabem preservar a percepo como uma imaginao 
ntida. (Existem fenmenos anlogos no sentido do ouvido e da epiderme). O eidtico 
continua a ver um objeto qualquer depois de ter sido tirado da sua vista, com o carter da 
sua sensao. Ele poder localizar esta imagem numa superfcie mensurvel e descrev-la 
em todas as suas mincias, Esta imagem  viva e bem formada. Numa srie apropriada de 
experincias ela poder ser diferenciada das imagens a posteriori conhecida pela fisiologia 
dos sentidos como das imaginaes em si. Mostra ao mesmo tempo uma relao de 
parentesco com imaginaes e percepes. A esta ltima, a imagem est ligada segundo o 
tamanho aparente e o assim chamado desvio horoptrico (KIENt.r 1968). Trata-se de uma 
expresso de atividade psquica que guarda a percepo e a transforma ou que produz 
objetos sem percepo.
As pesquisas de JAEN5cH nos fornecem pontos de vista importantes para certos problemas 
artsticos (uma disposio ps-puberal eidtica em certos poetas e pintores como 
fundamento das suas intuies), o que leva  pesquisa de talento segundo os tipos em si.
Devemos separar rigidamente o efeito posterior eidtico da fora de ima ginao pictrica. 
Ela depende indiretamente apenas da percepo tica (me. mrias) produz 
independentemente e desempenha um grande papel na fan tasia criativa, artstica 
organizadora bem como nos sonhos lcidos e ao dormir, Pode-se notar oscilaes 
considerveis no grau de formao e realidade.
Para a base psicolgica do grau de realidade s existem pontos de apoio aproximativos. Em 
geral a fora ele formao diminui consideravelmente em casos de cansao, exausto, 
efeitos difusos de venenos, infeces ou destruies provocadas no crebro. Isto se aplica 
igualmente ao grau de probabilidade, visto que ambas as escalas so muitas vezes afetadas 
simultaneamente.
DISTORES DA PERCEPO E ALUCINAES
As distores de formao, acentuadas dinamicamente se notam sob os efeitos de certas 
drogas como por exemplo o cido lisrgico (as paredes se movem e distorcem, 
metamorfose animalesca de mveis e outros). As mu danas cromticas fazem parte dos 
sintomas da mescalina (cacto Peyotl) Psilo zybin (cogumelo) e envenenamento por LSD 
por meio de reforo ou mudana de cores. Nas leses da regio parieto-occitipal do-se 
graves distrbios no reconhecimento de cores: linhas parecem curvas, as casas mudam de 
posio e forma, objetos se modificam ou mu4am de tamanho. Nestas distores h a 
ingerncia de percepes exatas e processos psquicos subjetivos estimulados 
organicamente.
No grau das alucinaes (alucinao dos sentidos) as imaginaes so independentes da 
impresso sensorial e tm origem espontnea. Motivos altera dos de reminiscncias, que 
fornecem apenas a matria estabelecem uma relao indireta para apercepes anteriores. 
As assim chamadas alucinaes hexgenas (maxixe e cocana por exemplo) se manifestam 
sob uma forma muito real, desdobrando-se um elevado grau de excitao. As alucinaes 
esquizofrnicas podem ser menos diferenciadas e materiais o que no influencia sua 
intensidade significativa e sua explosividade afetiva.
Em estados de toxicomania (e eventualmente em doenas mentais incipien tes) existem as 
mais variadas fases entre perturbaes e alucinaes que variam constantemente. Afetos, 
noes de espao e tempo so igualmente atacados. Isto fica comprovado pelo 
envenenamento por mescalina (MAYER-GROSS 1928) que causa  de forma parecida 
com o LSD e Psilozybina  as seguintes altera es: 1. variao de grau na intensidade da 
vivncia sensorial com noo mais aguda de diferenas, as impresses comuns parecem 
mais fortes e as mais fortes extremamente ruidosas e dissonantes; o mundo em redor se 
ilumina, cheio de sol, brilhante, cheio de harmonia, mais colorido e plstico, muito 
impressionante; tambm em seus menores detalhes, os rostos humanos que ficam ao redor 
ganham em dramaticidade. Por outro lado o paciente pode sentir-se torturado por uma falta 
de capacidade de impresso, de frieza, vcuo e monotonia. Trata-se de efeitos sobre a 
tonalidade dos afetos, o colorido afetivo das impresses que j encontramos de forma 
parecida nas perturbaes do tlamo. Outros fenmenos so: 2) forte reduo da percepo 
de movi mentos como acontece em pessoas de cegueira psquica com leso occipital. Os 
movimentos dos seus semelhantes parecem aos do dopado, como solenes e vagarosos ou de 
uma vivacidade exagerada. Nota-se uma mudana de local mas no o processo que a 
provoca, o que indica distrbios na noo do espao e do tempo. 3. surgem ento 
sinestesias abundantes (LEHMANN 1881, MARTIN 1909, E. BLEULER 1913) quer dizer 
 excitao de um sentido na exci tao de um outro. Ao se ouvir determinados sons, 
surgem determinadas cores, o que manifesta tambm no toque e na dor. O latir de um co 
provoca a oscilao na iluminao de um quarto, um bater provoca a mudana das tona 
lidades coloridas de uma paisagem. A percepo muda de imediato para a alucinao. 4. A 
noo do tempo e do espao se modifica. Em casos especiais o mundo inteiro se estende 
como um tapete diante da viso. Tudo se pode alcanar. Em certos sentidos o dopado vive 
somente o presente. No existe nem passado nem futuro, em favor do presente. A expanso 
do espao e a concentrao do tempo explicam que o doente sente no esvaziamento ou na
Distores da Percepao e Alucinaes
21
22        O Crtex Cerebral e as Manifestaes Mnemo Associativas
ameaa do seu torpor, um aniquilamento terrvel, e em caso de fantasias amenas um 
enriquecimento nunca antes experimentado. Estes efeitos txicos criam mudanas 
profundas das relaes da pessoa atingida com seu ambiente e seu conceito universal. 
Parece evidente o parentesco deste tipo de experincia com a esquizofrenia aguda. Mesmo 
assim no se conseguiu ainda explicar bioquimicamente ou celular-estruturalmente esta 
relao de parentesco.
3. CAPTULO
O CRTEX CEREBRAL E AS MANIFESTAES MNEMO ASSOCIATIVAS
LOCALIZAO CORTICAL: CAPACIDADES SENSO-MOTORAS
Como se sabe, o crtex cerebral recebe vias sensitivas e sensoriais (trans. missoras de 
sensaes) e emite vias motoras (que transmitem movimentos). Em redor dessas zonas 
corticais, sensoriais e motoras encontram-se outras que no servem apenas para receber 
sensaes e emitir movimentos, pois em caso de leses elas originam perturba es 
complicadas da sntese psquica de uns e outros, particularmente no domnio da linguagem 
(afasia sensorial e motora) da leitura e escrita (alexia e agrafia), e do reconhecimento de 
objetos (agnosia e cegueira psquica); de localizao menos claras., de preciso mais fcil 
so os transtornos aprxicos que impedem ou tornam difcil encontrar frmulas dos 
movimentos complexos.
Um olhar sobre o esquema superficial da metade esquerda do crebro (em estado normal a 
mais importante funcionalmente) nos ensina que o subs trato da localizao cerebral se 
encontra nas superfcies motoras e sensoriais conhecidas, a saber: a circunvoluo central 
anterior, sede da regio motora cortical com centros particulares para a perna, braos, 
cabea e olhos, e a circunvoluo central posterior e as imediaes do lbulo parietal, que 
constitui a regio cortical sensitiva. As duas funes sensoriais superiores mais impor 
tantes possuem extensos campos reservados no crtex cerebral: o ouvido, no lbulo 
temporal, e a vista no occipital na inciso calcrea. (Fissura calcarina).
Vemos como os centros mencionados da sntese da linguagem, do reconhe cimento, e da 
ao se agrupam estreitamente junto aos centros sensoriais e motores. Assim sendo o centro 
de Broca para a afasia motora se encontra ao p da terceira circunvoluo frontal, u seja 
junto aos centros motores da regio enceflica. O domnio da linguagem se dirige, a partir 
daqui, atravs da mesma at o lbulo temporal e mais concretamente ainda, at a primeira 
circunvoluo onde se encontra o centro de WERNICKE, para a afasia sensorial. Esta 
disfuno psicologicamente coordenada com a faculdade de reconhecer palavras como 
sons, tem pois sua sede no lbulo temporal junto aos centros acsticos em geral. Supe-se 
entretanto que atrs e acima, na circunvoluo parietal infra-posterior (giro angular) se situa 
o centro da leitura e da alexia intimamente ligado  funo da linguagem.
Fig. 1. Vista lateral do hemisfrio cerebral esquer do (esquema superficial)
1. Lbulo frontal
2. Zona da circunvoluo central
S. Lbulo parietal
4. Lbulo occipital
5. Lbulos temporais
6. Cerebelo
7. Tlamo enceflico
O estudo das demais perturbaes agnsicas se encontram ainda em seus comeos embora 
tenha progredido sensivelmente nestes ltimos anos. No terreno da tica conhecem-se 
funes gnsicas parciais de importncia psicol gica cujas perturbaes podem ser a 
conseqncia predominante de leses bilaterais do lbulo occipital nas imediaes do 
centro visual do crtex. Co nhecem-se igualmente alteraes gnsicas que pertencem ao 
domnio do ouvido e do tato. A vasta regio da apraxia (LIEPMANN) tem uma localizao 
muito complicada no se conhecendo bem seu aspecto fisiolgico-cerebral.  bem possvel 
que contribuam para estes distrbios, alm da leso cerebral propria mente dita, as de outras 
regies do encfalo (por exemplo, segundo KLEIST, as do sistema estrioplido). Outra 
forma de apraxia bem conhecida quanto  sua localizao  produzida entre outras causas, 
pela leso do tero anterior do corpo caloso ou seja das largas fibras que ligam ambos os 
hemisfrios. Observam-se com freqncia transtornos aprdxicos, referentes s leses 
citadas, da circunvoluo parietal infra-anterior (giro supra marginal), quer dizer em redor 
da regio sensitiva do crtex, junto com sintomas acinticos em doentes de leses do lbulo 
frontal. Observam-se em todos estes casos relaes estreitas entre as funes gnsicas e as 
prxicas: as perturbaes da atividade exercem uma inibio sobre as gnsias e os do 
conhecimento perturbam seriamente a atividade motora. SCHILDER resume esta situao 
em poucas palavras: A cada esfera do conhecimento corresponde uma possibilidade de 
ao
KLEIST deduziu destas observaes e raciocnios uma teoria harmnica
sobre a estrutura e o plano funcional do crebro. Segundo ele, o crtex
Localiza o Cortical: Capacidades Senso-Mo toras
23
qg
24        O Crtex Cerebral e as Manifestaes Mnemo Associativas
cerebral  principalmente constitudo de esferas sensoriais; tica, do lbulo occipital; 
acstica, do temporal ptico ou ttil, o centro-parietal e o paladar, a rea subcentral (com a 
insula). O lbulo frontal  constitudo de uma esfera miesteto-labirntica e a zona rbito-
cingular e outra de sensaes internas (produo do EU). O lbulo, piriforme e aste de 
Ammon formam em seu conjunto uma esfera do olfato. Dentro de cada esfera sensorial 
(esta  a idia bsica de KLEIST) encontra-se: 1. uma zona sensorial, 2. uma zona motora e 
3. uma zona psquica para as manifestaes da vida interior, mais elevada. Achamos 
adequado denominar estas zonas de Campo de elaborao que so dispostas em volta das 
irradiaes sensoriais. Segundo a concepo de KI esta tri-repartio no se encontra 
somente na esfera ttil, onde melhor se distingue, mas tambm nas demais regies do 
crebro. (PENFIELD 1950).
FUNES CONFIGURATIVAS (Gestaltvollzege)
Vamos agora tentar reduzir a um denominador comum todas as funes cerebrais que 
formam o quadro clnico aparentemente to confuso e complicado formado pelos grupos 
afsico, agnsico e aprdxico. As perturbaes afsicas (agrafia e alexia, etc.) constituem 
nada mais do que casos especiais e evidentes da agnosia e apraxia em geral. O extremo 
grau da afasia sensorial consiste, como se sabe, na perda das imagens verbais; o paciente 
ouve o que se diz, mas nos casos extremos o percebe somente como um rudo sem sentido 
,assim como uma srie incoerente de sons, como se fosse chins, sendo incapaz de formar 
com notas apenas acsticas o agrupamento significativo que chamamos de imagem 
verbal. A realizao desta imagem pressupe forosamente uma compenetrao ntima 
dos diversos atos psquicos e psicides que se produzem no homem normal de maneira 
quase simultnea ou assim se apresentam na conscincia, no como sendo consecutivos, 
mas separados. Da srie contnua de sons verbais forma-se um grupo parcial ao qual se d 
um carter de unidade. A imagem verbal que resulta destas unidades agrupadas no se 
repete cada vez que ouvimos a mesma srie de sons, mas reage intimamente com seu sinal 
mnsico (engrama) que j existe na memria como frmula prvia, sem que haja a 
necessidade de reconstruir penosamente a partir dos seus elementos sensoriais. 
Compreendemos uma palavra enunciada perto de ns porque o engrama da imagem verbal 
respectiva (retida como sinal mnsico pelo crebro devido ao seu funcionamento 
fisiolgico) se projeta sobre a nova srie de sons, ou ao inverso, porque a nova srie 
acstica que nos entra no ouvido se projeta no engrama mnsico, j pronto no crebro. Faz-
se em suma uma identificao instantnea, subjetiva e imperceptvel entre a srie sonora 
nova e o engrama.
 difcil dizer o que, neste processo,  fsico ou subjetivo. A teoria de armazenamento e 
desencadeamento no corresponde ao fenmeno total. A ressonncia global destas 
associaes  ligada  conscincia do significado, ento dizemos que compreendemos o 
sentido de uma palavra. Quando nos surge a imagem verbal cachorro surge igualmente 
certo nmero de associaes relacionadas: a imagem tica e concreta do cachorro, seu 
latido, seus hbitos e seu relacionamento com o homem e o ambiente. Destas associaes  
que surge a conscincia do significado.
Funes Con figurativas (Gestaltvollzege)        25
Um trao caraterstico dessa compenetrao ntima j antes insinuada entre as 
manifestaes gnsticas e prxicas faz com que a afasia sensorial alm da perda da 
faculdade de compreender uma palavra tem como efeito clnico imediato certos transtornos 
motores da linguagem, fenmeno este conhecido por para fasia. A falta do domnio das 
imagens verbais cria dificuldades de lingua gem que se manifestam por troca de slabas e 
letras, insistncia no repetir de uma palavra j pronunciada embora o objeto que a sugeriu 
tenha mudado e extravios esfricos ou penumbra, devido aos quais o indivduo no 
encontra a expresso adequada, tratando ento de substitui-la dentro de uma certa afinidade, 
por exemplo: foca em vez de faca. O indivduo insiste ento em chamar todos os 
objetos de faca em vez de colher por exemplo. As atividades motoras que regem nossa 
linguagem pelas imagens verbais correntes somente se desenvolvem com preciso quando 
elas se governam e regulam incessantemente pelas imagens verbais correspondentes e pelas 
noes inatas. Assim sendo as crianas surdas perdem a faculdade da linguagem j 
adquirida pelo ouvido e se convertem em surdo-mudos. Nos estados evolutivos do sistema 
nervoso-central encontramos essas associaes senso-motoras, at a ataxia (torpor) que 
causa os transtornos da sensibilidade profunda.
Reconhecimento de objetos: quando um indivduo normal v um tinteiro, ele no distingue 
a soma de impresses isoladas, mas sim como um todo estereotipado que se destaca por si 
mesmo, num relance de olhos, e cujos detalhes sensoriais: cor preta, reflexo luminoso, 
configurao geomtrica, di menses, posio dentro do espao, etc., no entram 
isoladamente na sua conscincia, mas de uma s vez assim como os sons que compem a 
imagem verbal de uma lngua conhecida que no precisa ser soletrada. Por conseguinte o 
tinteiro  sob o ponto de vista psicolgico, um objeto integralmente percebido num s 
relance psquico e que entra na conscincia de um modo instantneo com seus engramas 
mnsicos e a conscincia do seu significado.
As condies psicolgicas na agnosia so anlogas s condies encontradas na afasia 
sensorial. Nas perturbaes agnsticas desaparece a percepo ativa dos objetos que  
integrada por funes associativas e mnsicas. Este desapa recimento pode ser total, como 
no caso da cegueira psquica onde, embora se continue a receber as impresses sensoriais, 
no se reconhecem os objetos do mundo exterior no exercendo sobre o indivduo nenhuma 
ao psquica, em outros casos este desaparecimento  parcial e as perturbaes alteram 
certos elementos (cor, forma, etc.) do objeto em apreo.
PIERON (1925) distingue as percepes de luz, cor e formas que no tm localizao em 
si, mas constituem 3 funes cerebrais de uma complexidade crescente. O sentido da forma, 
que  o mais complicado sofre leses nos traumatismos cerebrais com maior facilidade do 
que no das cores. O sentido da luz por sua vez  o mais elementar e resiste por mais tempo. 
Mediante anlises demoradas das alteraes do campo visual devido a feridas na regio 
occipital. POPPELREUTER chega a diferenciar de um modo anlogo sistemas sobrepostos 
da percepo tica desde a sensao luminosa amorfa at a apre ciaao da figura. Num grau 
mais elevado de degenerao falta a percepo das cores, da forma e das dimenses de 
movimento e orientao, ficando apenas a claridade pura e simples. Num grau menor 
registram-se vagas impresses de tamanho com uma determinao aproximada de direo, 
mas sem a facul dade de distinguir entre impresses simultneas. Correspondem a uma 
terceira
26        O Crtex Cerebral e as Manifestaes Mnemo Associativas
fase, as percepes imprecisas de contornos e a quarta fase, a capacidade de
discernir dimenses isoladas e a configurao diferenciada.
GOLOSTEIN e GELB (1920) fizeram anlises importantes de casos de cegueira psquica, 
demonstrando que com um lapso de apresentao mais curto os individuos percebem, em 
lugar de contornos, cifras, letras e figuras, apenas manchas separadas que lhes deixam uma 
impresso muito confusa, O mesmo sucede na agnsia ttil onde pode estar perturbado, 
tambm separadamente as 3 funes parciais mencionadas da percepo objetiva: as 
sensaes parti culares no se fundem numa forma indivisvel, do objeto, os engramas 
mnsicos desaparecem e no se encontram, faltam finalmente as associaes marginais 
penumbrosas da natureza tica, acstica, etc., que proporcionam a conscincia do 
significado.
CONRAD (1947) transferindo as experincias de SANDER (1928) em grandes sries de 
casos de leses cerebrais demonstrou que toda experincia psquica,
-onfigurativa perturbada  mesmo sob aspecto fenomenolgico  proporciona fases 
preliminares incompletas que ele chama de Pr-configurao e que ele supe que 
existem tambm num estado nascente na experincia interna, confi gurativa normal.
Enfrentamos sempre o mesmo princpio: trata-se de transformar uma srie no coordenada 
de pormenores fisiolgicos em alguma coisa acabada e dotada de configurao (imagem 
verbal, objeto, frmula cintica) que significa tanto uma sntese de elementos que se 
complementam mutuamente com um deslinde de elementos heterognos. Esta coordenao 
de atos crebro-fisiolgicos isolados para agrupamentos ajustados a uma frmula e com um 
significado consciente  o que designamos de funo con figurativa. Por meio de simples 
ensaios de acstica por percepo, RICHTER (1957) demonstrou que atrs dos transtornos 
funcionais gnsticos da afasia sensorial se observam tambm disfunes acsticas 
autnticas, que no afetam porm as funes configurativas como tais. A funo 
configurativa se subdivide em gnosias e praxias servindo de base s demais produes 
psquicas superiores, especialmente s abstrativas e percepti veis. Elas so estreitamente 
ligadas ao crebro no terreno psicolgico e com maior freqncia a zonas exatamente 
localizadas que se estendem em redor dos campos respectivos da criao motora e 
sensorial,
Aquilo que WUNDT j proclamara e que mais tarde foi exposto de um modo um tanto 
unilateral  isto: a figura, o objeto, a imagem verbal, o acordo, a frmula cintica, assim 
como ela penetra na conscincia do homem normal so afinal de contas algo mais do que a 
soma dos elementos dos quais se compem. Eles representam na psicologia uma coisa 
totalmente nova, uma unidade slida e irreduzvel na experincia psquica. Esta lei da 
independncia de sinteses superiores  FUNDAMENTAL NA NEUROBIOLOGIA. Ela se 
deixa seguir pelos processos de reflexos at os mais complexos. Desempenha um papel 
preponderante na psicomotricidade. Um acorde de 3 notas: mi, sol, si  provocado ao se 
emitir estes 3 sons simultaneamente. Esta simultaneidade  tudo que o homem normal 
precisa para perceber o acorde. Esta experincia psquica no  entretanto a soma daquilo 
que corresponde a percepo de cada um deles.  freqente no perceber estes sons em 
separado acontecendo at que o som desaparece em certas ocasies, o musical e o 
caraterstico dessa experincia psquica, que  determinada pelo acorde quando se trata de 
concentrar a ateno sobre cada nota em si; de mais a mais, a experincia formada pelo 
acorde  uma unidade psquica superior aos sons compostos, pois
Funes Configurativas (Gestaltvollzege) 27
 algo que eles no sabem provocar. O mesmo se d exatamente ao se
perceber um objeto, ao conceber frmulas cinticas, etc.
Esta situao um tanto complexa criou na psicologia moderna uma certa confuso, uma 
espcie de polmica entre as expresses psicologia de associao, de configurao, e 
psicologia do ato, uma polmica inteiramente suprflua e que corresponde a uma 
ignorncia compreensvel que ambas as modalidades se desenvolvem em planos lgicos 
mas diferentes. O leitor familiarizado com a crtica do conhecimento saber explicar isto 
muito bem, meditando sobre as controvrsias surgidas com a teoria das cores. A cor 
amarela ou verde constitui uma experincia psquica ltima, irreversvel desde o ponto 
de vista psicolgico. O fato de atribuir uma freqncia de onda determinada, no ganha 
nada em relao ao amarelo. Seria assim absurdo dizer que com uma determinada 
freqncia eu possa explicar a experincia do amarelo ou de formular o silogismo 
seguinte: na minha experincia com o amarelo no percebo nenhuma freqncia de onda, 
por conseguinte a teoria das ondas de luz  falsa. O primeiro sofisma  o de muitos 
psiclogos fisiolgicos, enquanto que o segundo se aproxima dos psiclogos exaltados 
entre os psiclogos modernos do ato e da vivncia.
Uma teoria biolgica conseqente da vida psquica no pode abster-se de constru-la na 
base de simples elementos sensoriais e motores com suas fixaes mnsicas e seus vnculos 
associativos. Os conceitos de elemento, engrama e associao que se costuma 
desprezar hoje em dia, so contudo as pedras angulares de toda a psicologia que tenha em 
devida conta a fisiologia cerebral. A necessidade absoluta da noo da associao  
apreciada no somente na teoria da agnosia e da apraxia, como tambm em muitos 
problemas da psicologia superior, como os que suscitam o pensamento infantil do 
pensamento relaxado e da fuga de idias. Torna-se simplesmente inconcebvel uma teoria 
construtiva da vida psicolgica superior sem essa base associativa
Mas, a teoria da associa ao no pode explicar a situa Zio psquica que resulta da 
experincia. Como j vimos anteriormente ao falar da teoria da afasia e da agnosia e seus 
ensinamentos, uma imagem verbal ou um objeto no se concebem sem a fuso de 
elementos sensveis entre si e com os engramas mnsicos respectivos. Estes elementos e 
sua elaborao associativa e mnsica no se fundam na experincia objetiva, os percebemos 
s vezes quando nossa conscincia est nublada e fora do centro quando j se transformam 
em funes psicides e no psquicas (acompanhados da conscincia) do sistema nervoso 
central. No sentido inverso o fato de no percebermos na experincia psquica associaes, 
engramas e nem elementos sensoriais, a psicologia construtiva  mcapaz de explicar o ato 
em si de uma experincia psquica. A teoria associa tiva no  substituda pela psicologia 
ativa e profunda do ato e to pouco pode o processo de vivncia ser compreendido atravs 
da teoria de associao.
Na funo formativa das praxias repetem-se os mesmos princpios. A afasia motora se 
caracteriza pela falta do acerto das frmulas cinticas das palavras que se deseja 
pronunciar. Existe a noo daquilo que se quer dizer, bem como a imagem verbal 
respectiva, mas quando se trata de emitir a palavra, isto se torna impossvel, embora os 
rgos da linguagem, lbios, lngua, laringe no estejam paralisados e se movam 
livremente. Os atos motores particulares de que se compe o movimento necessrio para 
pronunciar uma palavra podem ser realizados, mas no so associados para formar um 
conjunto ajustado a
O Crtex Cerebral e as Manifestaes Mnemo Associativas
uma frmula cintica unitria. Em nossos movimentos fsicos ns no sole tramos uma 
aps outra, as inervaes musculares de cuja sucesso as palavras se compem. Emitimos 
de uma s vez a frmula cintica j disposta para a palavra inteira que surge no nosso 
aparelho de linguagem como processo psquico-automtico.
Outro tanto sucede com a apraxia: no  possvel encontrar as frmulas cinticas de 
diversos atos: cumprimentar, colher, fazer sinais, manejar uma colher, acender um fsforo, 
etc. Aparece aqui a funo figurativa como elemento indispensvel do edifcio psicomotor, 
alguma coisa configurada, uma frmula suscetvel de uso imediato, serve de impulso a 
todos os atos psicomotores mais ou menos freqentes. O ato  para as prax ias o que o 
objeto  para as gnosias. Quando se trata de atos que no foram aprendidos na infncia 
pode. mos seguir em nossa prpria experincia psquica o curso da fuso paulatina dos 
elementos psicomotores simples at formar uma frmula cintica unifor mizada (p. ex. 
patinar). O nmero de impulsos particulares necessrios de incio para uma ao total vai 
diminuindo pouco a pouco e exigem uma energia psicomotora cada vez menor. As 
frmulas cinticas se convertem em frmulas de abreviao (pg. 71) ficando 
gradualmente reduzidas por afi nao a um processo psquico automtico independente 
at certo ponto, junto com as intenses utilitrias da personalidade e mesmo contra elas. 
Algumas funes freqentemente exercitadas e em certas seqncias, quando repetidas, se 
nos impem sem que a conscincia intervenha (p. ex. apagar a 1uz ao sair de um quarto).
Existem situaes provocadas por doenas graves e difusas do crebro nas quais as funes 
vitais do tronco enceflico continuam intactas sendo que a regulao do sono e viglia so 
quase normais, no havendo inconscincia. As funes formativas parecem como 
apagadas e por conseguinte tornam-se impossveis, o conhecimento objetivo, a realizao 
de atos e a configurao verbal. Estes pacientes continuam despertados de olhos abertos, 
reagem aos estmulos do ambiente com reflexos fracos inferiores (reflexo de chupar ou 
apertar) no entendem nada, nem falam e nem sabem mover-se de modo razovel. As 
funes do pllio so grandemente eliminadas e denominamos este estado de apdlico 
(E. KRETSCHMER 1949).
OUTRAS FUNES CEREBRAIS
O crebro (o crtex cerebral e suas vias de associao com exceo dos gnglios bsicos) 
colabora nas seguintes funes principais:
1. Funes sensomotoras dos centros receptores das impresses sensoriais e emissores de 
impulsos motores voluntrios, localizados em determinados
campos do crtex cerebral.
2. Funes configurativas (gnosias e praxias inclusive a linguagem). Possuem centros de 
distrbios freqentemente localizveis, geralmente na vizinhana
dos respetivos campos sensoriais e motores.
28
A estas funes do crebro juntam-se outras que no podem ser localizadas.
Funes Superiores da Mem4$ria e do Pensamento        29
FUNES SUPERIORES DA MEMRIA E DO PENSAMENTO
As operaes do crtex cerebral se dividem, ao prescindir dos aparelhos de recepo e 
expresso (sensomotores) em mnsicas que servem para arma zenar sinais de atividades 
anteriores (engramas) e em associativos pelos quais se ligam e coordenam os engramas 
entre si e, com as matrias novas. A experincia nos ensina que da integridade do crtex 
cerebral e das suas vias, embora sem localizao certa, dependem no somente as funes 
figurativas mais ou menos localizadas, mas tambm as manifestaes menomo-associativas 
superiores que se refletem na conscincia como funes da memria e das funes do 
pensamento.
Sabemos que os processos que causam leses extensas no crtex cerebral como a paralisia 
geral progressiva, a atrofia senil do crebro e a artereosclerose difusa tm como sintomas 
especialmente caratersticos, precoces e graves a perda da memria e uma debilidade 
mental intelectual. O quadro comea com esquecimento, incapacidade de fixao de 
estmulos e incapacidade de assimilar material ou impresses recentes. Este esquecimento 
se estende a lembranas anteriores (as da infncia so as mais resistentes) decaindo a 
faculdade de associao e percepo (pg. 100). O paciente perde a capacidade do juzo e de 
orientao face a acontecimentos novos e inusitados nem podendo mais exercitar funes 
crticas realizadas durante muito tempo, chamadas de memria.
As operaes da memria constituem somente uma pequena parte da rnneme (Semon l.c.). 
A mneme, ou seja a capacidade de reter as impresses que deixam estmulos anteriores para 
utiliz-los de forma melhorada no mundo ao redor, constitui uma das principais 
propriedades psicides da substncia viva em geral. Um exemplo desta funo mnsica 
sem a participao da vida interior  a imunizao de um indivduo que sofrera de uma 
doena infecciosa contra novos contgios. Entendemos por memria somente as funes 
mnsi cas acessveis  conscincia e bem coordenadas.
Diferenciamos entre 3 funes na memria: noo, reteno e evocao ou ecforia ou seja a 
assimilao de matrias novas, sua conservao e reincorporao na conscincia. Estes 3 
componentes no possuem fora igual. No envelheci mento normal e certas perturbaes 
orgnicas do crebro, a faculdade da noo se debilita em medida maior do que na de 
reproduo de matrias antigas.
(engramas) fixos e os capazes de evocao (ecforia). Freqentemente subsis tem engramas 
onde falta a capacidade de restitu-los  conscincia. SCHILDER (1924) conseguiu provar 
em estados crepusculares de epilepsia e que se caracte rizam pela perda total e absoluta da 
memria a presena de engramas por meios indiretos, valendo-se da experincia de 
EBBINGHAUS (1885). Engramas que correspondem a vivncias anteriores e impossveis 
de serem recordadas exercem pelo simples fato de existir, uma influncia sensvel sobre 
nossos atos ulteriores e nossa atitude geral em face a vida sob forma de diretrizes incons 
cientes. Diz NIETz5cHE com muito acerto: No seria eu um tonel de memria se tivesse 
que guardar todos os meus argumentos? Ser que eles so de ontem apenas? Muito tempo 
faz que estes meus argumentos existem. Nestes casos o engrama no lembrado se 
manifesta ou a constelao psquica que dele se originou. Um ou outro, intervm na gnese 
da neurose e psicose.  difcil, seno impossvel obter-se a prova negativa, a demonstrao 
de que um engrama j no mais existe, e isto pelas razes j indicadas.
O Crtex Cerebral e as Manifestaes Mnemo Associativas
Entre os fatores que influem de um modo constante e regular na memria destacaremos os 
3 mais importantes: 1. a repetio, 2. a constelao associativa,
3. a constelao afetiva (catatmica).
Os efeitos da repetio nos  conhecida desde que aprendemos. Pelas provas de E (processo 
econmico) eles podem ser estudados exata mente e reproduzidos graficamente. Fazem-se 
repetir ao indivduo, uma srie de palavras e slabas at que ele aprenda a pronunci-las 
sem errar; comprova- se assim que ele precisar repeti-las no dia seguinte muito menos e 
no fim de uma semana ou de um ms somente um certo nmero delas. No sentido inverso o 
assimilado tem a tendncia  repetio que, na ausncia de outros componentes do processo 
de associao (por exemplo em agnosias e afasias na catatonia da demncia epiltica) se 
pode mostrar isoladamente em forma de perseverana. Tudo que o indivduo falara ou 
pensara antes permanece firme mente preso na conscincia e impede que se formem novas 
associaes.
Em segundo lugar as operaes da memria dependem do modo mais diverso da 
constelao associativa quer dizer dos agrupamentos de contedo psquico, das quais 
participam. Existem de fato, vnculos estreitos entre as manifestaes da memria e as de 
associao, j que um ato mnsico nunca est isolado mas aparece como elo de uma cadeia 
de associaes (combinaes de idias) que se desenrolam. Isto se observa com especial 
nitidez ao evocar memrias pois  sabido que uma imagem leva consigo outras associaes 
unidas a ela por laos mnsicos. A constelao associativa influi assim de modo 
considervel no conhecimento e na assimilao de novos materiais.  por exemplo, difcil 
aprender um fragmento corrigido de um texto qualquer aps ter decorado o texto errado j 
que o conjunto associativo falso A B impede e dificulta a nova combinao mnsica A b. 
Ao contrrio, a aprendizagem de um conjunto se encontra s vezes inibido pela sua 
coincidncia com outros afins ou iguais j existentes (p. e  difcil a um estrangeiro 
aprender uma palavra em espanhol quando j se conhece a raiz da qual ela deriva).  
igualmente mais fcil reter uma srie de elementos racionalmente coordenados, juntados 
em grupos ou ritmos que uma relao de slabas soltas e sem sentido. A tcnica dos 
prodgios de memria ou de clculos se baseia igualmente na faculdade que essas pessoas 
possuem de agrupar rpida e racionalmente grandes sries de elementos ou materiais.
A influncia que os mecanismos afetivos exercem sobre as operaes da memria  a mais 
importante sob o ponto de vista da psicologia mdica no que insistiremos ainda nos seus 
mais variados aspectos. Veremos ento que no se deve confiar em demasia na memria, 
sobretudo na de pessoas nervosas, velhas ou muito jovens. Eventos afetivos, desejos, 
temores e apreenses causam profundas mudanas na disposio por grupos, do nosso 
material mnsico: eles exercem uma seleo rigorosa e parcial entre o j notado, retido e 
evocado e aquilo que passa despercebido ou que se recusa depois de ter sido assimilado 
(reprime) tornandoo mais ou menos inacessvel  conscincia. Por efeito dessa seleo 
parcial das matrias contidas na memria e da sua fuso catati mica em grupos associativos 
nem sempre muito coerentes, resultam em certas circunstncias, lembranas deslocadas ou 
mesmo totalmente falsas. O grau da falsificao  geralmente proporcional  intensidade do 
afeto que influi na assimilao e elaborao bem como na estabilidade ou instabilidade 
estrutural da personalidade.
30
Sindromes do Lbulo Frontal
Em indivduos muito jovens a deformao catatmica da memria  geral mente mais 
visvel do que nos adultos, e nas mulheres mais do que nos homens. Ela se torna excessiva 
e s vezes totalmente forada e involuntria em certos tipos psicopticos perto do ciclo 
histrico como nos embusteiros e mitmanos natos.
Lembramos ainda certas falsificaes interessantes do reconhecimento que os franceses 
chamam do dj vu e jamais vu quer dizer o sentimento de reconhecer aquilo que se v 
pela primeira vez e sentimento do desconhecido em situaes j vividas. Isto se d em 
casos de leses do aparelho psquico na esquizofrenia incipiente dos epitlios, fadiga e 
consumo excessivo de lcool mas tambm em certos carteres normais. Estes casos no 
foram esclarecidos psicologicamente. Teoricamente processos catatmicos de aglutinao, 
transposi es e condensaes podem acontecer, ou como SCHILDER (1924) o supe com 
toda razo so subprodutos marginais e decadentes da atividade intelectual.
SINDROMES DO LBULO FRONTAL
As funes do lbulo frontal do crebro (com exceo das suas relaes com a afasia 
motora j mencionadas) so de difcil explorao porque esta regio parece ser intercalada 
com correlaes funcionais mais extensas (veja KL1 1934) que se completam e at se 
substituem mutuamente. Assim che gamos ao fato curioso de que algumas leses focais do 
lbulo frontal apre sentam s vezes poucos sintomas e reagem em outros casos 
imediatamente com transtornos intensos.  bem provvel que estes focos no se 
manifestem sinto maticamente mas, sob certas condies prvias como: debilidade 
funcional de zonas cerebrais que correspondam ao lbulo frontal do hemisfrio oposto.
No decorrer de leses da regio frontal observam-se quadros semelhantes
aos de uma paralisia geral progressiva acompanhadas de grandes alteraes
psquicas gerais, como apatia eufrica, deficit intelectual e de pensamento.
So conhecidas as relaes entre as leses do lbulo frontal e a apraxia, devendo-se 
assinalar a ataxia frontal e suas possveis relaes funcionais com o cerebelo. O mais 
importante demonstrado por KLEJST so as funes que entrelaam o lbulo com o 
mecanismo psicomotor, e especialmente com a funo impulsiva ou da reao aos 
estmulos. (pg. 41).
Foi nos dado observar alguns casos muito sugestivos deste gnero, e entre outros o de um 
homem que h 10 anos, ao prestar seu servio militar, recebera um coice na testa que o 
deixou com uma falha profunda da substncia ssea do tamanho da palma da mo, no 
centro da regio frontal direita. Visitamo-lo de surpresa em sua casa, encontrando-o sempre 
num profundo estado de apatia (segundo o histrico clnico estava neste estado salvo alguns 
intervalos de excitao no incio) comparvel unicamente com aquele que se observa em 
antigos ou ps-encefalticos graves: completamente impassvel, imvel, numa atitude 
sempre igual sentado na sua poltrona, tendo as mangas do seu palet completamente gastas 
no lugar onde tocavam o brao da poltrona. No pronunciava voluntariamente nenhuma 
palavra nem respondia s perguntas feitas, mas obedecia sem o menor sinal de negativismo 
ou catalepsia  algumas ordens razoveis como a de levantar-se, levantar os braos, abrir os 
dedos. Caminhava em atitude tesa, em pequenos passos e pernas abertas. Era completa 
mente desleixado e tinha os cabelos compridos ocultando-lhe grande parte do rosto. Ela se 
vestia e comia sozinho sem a ajuda de ningum mas era incapaz de executar um trabalho 
qualquer. No havia manifestaes de afeto.
O Crtex Cerebral e as Manifestaes Mnemo Associativas
FEUCHTWANGER (1923) reuniu uma extensa e importante estatstica de 200 casos de 
leses do lbulo frontal com a anlises dos respectivos sintomas. Com parando os dados 
dessas estatsticas com os obtidos de outros 200 casos de outras regies do crebro, ficou 
comprovado que os transtornos sensoriais, (exceto os do equilbrio) motores e faculdades 
intelectuais propriamente ditas, so menos freqentes nos indivduos com leses do lbulo 
frontal. Do outro lado estes apresentam um maior nmero de transtornos da ateno, 
modificaes psquicas de natureza eufrica, ou depressiva, movimentos retardados e apatia 
ou ao contrrio se mostram burlescos e cmicos, e sofrem s o aspecto somtico de 
distrbios de equilbrio. Isto nos mostra claramente que os distrbios psicol gicos prprios 
das leses do lbulo frontal repercutem na afetividade e impul sividade.  possvel que 
muitos dos distrbios intelectuais aparentes que surgem no decorrer das leses do lbulo 
sejam secundrios e conseqentes das pertur. baes de reao a estmulos e especialmente 
da ateno, e do interesse. No parece entretanto que se possa assegurar na ordem 
intelectual algo de definitivo sobre os problemas relacionados com o lbulo frontal.
KLEIST iniciou uma diferenciao particular mais rigorosa dos sndromes deste lbulo, 
segundo a qual ele separa a parte orbitria basal (quer dizer a basal que descansa sobre a 
abbada da rbita) do resto da mesma colocan do-a numa relao ntima funcional com as 
partes mediais do crebro.
Ele distingue o seguinte:
1.
2.
O lbulo frontal em si, que inclui somente o crtex convexo e marginal, como rgo das 
manifestaes motoras, psicomotoras e afins, reao aos estmulos tanto no sentido motor 
como de atividade intelectual.
O crebro orbital e interno ao qual o crtex cerebral pertence (Cingulum) assim como o 
retrosplenio e o hpocampo rgos das sensaes internas e das funes do EU.
Da conclui-se:
as sensaes somdticas internas originam a representao do EU e do ncleo central da 
personalidade (sistema lmbico).
SINDROMES ESPECIAIS DO CREBRO ORBITRIO
A expresso Sndrome do Crebro Orbitrio deixa aberto a colaborao dos centros 
prximos. Onde a preciso bitica das localizaes se tornava possvel, a limpeza 
operatria do estilhao da abboda orbitria fez desaparecer o quadro psico.patolgico.
Para se formar uma idia precisa das manifestaes positivas do crebro orbitrio estas 
devem ser deduzidas indiretamente das disfunes que se obser vam quando ele est lesado. 
A elaborao isolada destes sndromes consegue se melhor ao examinar leses ou 
traumatismos com origem em sua base, como as produzidas por estilhaos da abbada 
orbitria e focos bsicos de contuses no crtex. Reuni um certo nmero destes casos (1949 
,1954) (traumatismo da face mdia, pmulo, vrtice do nariz e rbitas). Se aparecem 
sintomas eles se referem  atitude benvola e social da personalidade superior. O carter se 
altera freqentemente pela perda do tato, uma atitude tambm descrita por relaxado 
descuidado etc. Nos casos graves este defeito chega at a perda
32
Sindromes Especiais do Crebro Orbitrio        33
das inibies morais com tendncia para infidelidade, mentiras, furtos, etc. Um segundo 
grupo importante abrange distrbios do dinamismo das operaes psquicas, desinibio 
completa com verbosidade contnua, e com distrbios episdicos de pouca durao. Numa 
paciente minha, essa verbosidade ia num crescendo de voz at que ela terminava 
completamente exausta e com veementes dores de cabea (isto pode acontecer em casos de 
estrutura lgica boa, e sem fuga de idias). Anomalias semelhantes da regulao psquica 
manifestam-se s vezes por soluo mental de continuidade, fala repentina e explosiva e 
mudanas de humor momentneos. No foram observadas at agora mudanas 
significativas dos instintos no decorrer das leses do crebro orbitrio, enquanto so 
impressionantes nas leses do diencfalo. Ambos as leses provocam entre tanto a 
tendncia de uma desinibia psquica total.
Querendo-nos livrar de noes vagas na patologia do lbulo frontal e do crebro orbitrio, 
como a tendncia de contar lorotas devemos separar dos sintomas dos casos de leses do 
crebro orbitrio, aquilo que  comum a ambos e ajust-los s noes exatas. Encontramos 
ento:
Transtornos da Regula o Dindmica
Estes transtornos afetam os pensamentos, afetos, frases e atos. s vezes seu decorrer  
descontnuo: ausncia de juzos emitidos bruscamente, aes apres sadas e explosivas, e 
uma verbosidade quase contnua. Muito interessantes so os fenmenos dinmicos num 
crescendo.
Desvio das Escalas Afetivas
Para o diagnstico diferencial frente aos traumatismos gerais do crebro ou dos indivduos 
explosivos e irritveis deve-se ter em mente que nos casos de leses do crebro orbitrio 
estes fenmenos dinmicos so independentes da manifestao de certos afetos intensos ou 
estados de nimo. A expresso mania de contar lorotas (mona)  errnea porque no 
reflete o essencial nem o conjunto. Existem pacientes com traumatismos do crebro 
orbitrio que falam e falam sem nenhuma afetividade de um modo seco e montono, sem 
entrar em contacto com seu interlocutor, sem se deixar interromper e sem sentir-se doente. 
Observam-se tambm atitudes de protestos irritados, que depois se acalmam. Estados de 
euforia acompanhados de uma sensao de leveza no so raros. Isto evoca o sndrome 
mnico sem desenvoltura e fuga de idias. Lembram por desintegrao maior os estados de 
nimo hebefrnicos ou puberais (KLAGES, W., 1955).
Um dos meus pacientes, um homem de idade mdia, ocupando uma posio de respon 
sabilidade, o descreve como segue: Estava satisfeito de viver, sentia-me contente como no
meu tempo de ginsio quando a gente se divertia a bessa. Vivi num Outro mundo.
Os estados depressivos porm, e as queixas de cansao suo, em sua maioria, indcios de
autocrtica e auto.observa recorrentes.
34        O Crtex Cerebral e as Manifestaes Mnemo Associativas
Disassociaao entre Percepao de Dor e Ressondncia Pessoal
Os fenmenos que aponto somente se deixam observar e descrever em
pessoas atacadas de leses do crebro orbitrio inteligentes e que saibam observar
e descrev-los.
Uma pessoa que sofrera uma grave fratura de choque da rbita direita e da raiz nasal com a 
perda imediata da vista direita foi me procurar, semanas depois de ter ocorrido o acidente 
com o quadro tpico de uma loquacidade exagerada e eufrica evidenciando uma 
discrepncia surpreendente entre a leso traumtica sofrida e a ausncia de sentimentos 
depressivos ou queixas srias, ou at de sinais de doena. O que lhe acontecera no o 
preocupava, queria voltar para casa. Meio ano decorrido ele se apresentou novamente no 
consultrio com um ar um tanto mais normal e ao lhe perguntar se sentira dores de cabea 
ao se dar o acidente ele respondeu: Senti, sim, mas no lhes quis atribuir nenhuma 
importncia, nem me incomodavam muito. Agora  que comea, incmodo e impertinente 
como se tivesse criado vida.
Ao analisarmos estes depoimentos chegamos  seguinte concluso: a dor se mantm dentro 
dos limites de uma percepo sem despertar ressonncia na personalidade global, ela  
registrada como qualquer impresso sensorial sem os fenmenos de tortura que a 
acompanham. As dores de cabea cruciantes somente aparecem muito depois, aos poucos, 
no se tratando de um agrava mento posterior, mas ao contrrio,  o sndrome do crebro 
orbitrio que evolui com lentido. Tambm o paciente o sente assim, mau grado as dores 
cres centes, ao afirmar que somente ento voltava realmente  vida.
Descries desse gnero so muito instrutivas para anlise psico-patolgica mais precisas 
saltando  vista a semelhana destes quadros com os resultados da leucotomia cirrgica em 
casos de esquizofrenia e neuroses obsessivas.  evidente que em tais sndromes de 
traumatismo bsico se trate de perturbaes de conduta nas vias fronto-talmicos.
Para o observador isto  de importncia vital. Em acidentes de automveis estes fatos no 
so raros, ficando porm negligenciados, levando a diagnsticos e dedues erradas. Como 
regra prtica diramos que  sempre suspeito, e exige um diagnstico psiquitrico anterior 
quando depois de graves traumas crnio-cerebrais (sobretudo do crnio facial e da rbita) 
h uma completa ausncia por parte do paciente. Mesmo um homem robusto sente no 
primeiro tempo os sintomas de uma leso cerebral como muito incmoda. Nos casos de 
leses do crebro orbitrio que temos em vista a anomalia patolgica da estratificaa do 
sndrome cresce durante semanas ou meses. O sndrome do crebro orbitrio eclipsa o da 
debilidade cerebral traumtica que desaparece atrs do bloqueio da ressonncia pessoal em 
face da dor tornando-se visvel somente muito mais tarde num segundo plano. Esta pseudo-
restaurao com o reaparecimento dos sintomas gerais do traumatismo cerebral deve ser 
reco nhecida pelo diagnstico diferencial, diferenciando-a das superposies psic genas 
freqentes com a apario da neurose de indenizao.
Desintegra io Esfrica
Alm de certas ressonncias afetivas interrompe-se nestes pacientes outras
correlaes da experincia interna e da ao.
Distribuiao das Funes Entre o Crebro e o Tronco Cerebral 35
Um comerciante socivel e corts que sofrera n somente um acidente de automvel mas 
tambm uma grave queda do cavalo (arco supra-orbitrio esquerdo deprimido) responde s 
minhas perguntas como segue: Sim, surpreendo-me com as minhas repetidas gaffes em 
sociedade, por exemplo: digo  uma senhora que sua maquilagem  exagerada, a outra que 
se parece com um periquito. No dia seguinte meus amigos me interpelam, mas eu n sei de 
nada. Outro caso: uma jovem bem educada que sofreu num acidente de auto mvel, a 
tpica leso do pmulo e da orbita comea a surpreender desagradavelmente seus 
conhecidos ao soltar frases grosseiras como esta carta de merda e outras.
O transtorno do tato social  algo de especfico:
O diretor de uma grande fbrica sofreu num grave acidente de automvel, uma pancada no 
rosto. Decorrido 3 semanas ele sai do hospital e volta para casa com os sintomas quase 
totalmente eliminados. Voltou ao seu lugar na fbrica. Mas comeou a tratar o pessoal de 
modo imprprio, criando confusao e intrigas ao ponto de se pensar em dispens-lo do 
servio. Melhorou lentamente num tratamento de 2 anos numa clnica at poder retomar 
suas atividades profissionais.
O transtorno do tato provou ser o sintoma-diretor embora mais difuso e escondido de modo 
que depois de uma pseudo-restaurao as outras pessoas no reconheciam seu estado 
patolgico, aplicando-se um critrio de moral, Casos como estes so de suma importncia 
para a medicina de acidentes. Eles mostram como leses leves da estrutura da 
personalidade, especialmente as do tato tm repercusses fatais em pessoas que ocupam 
cargos de responsabilidade, tornando-os incapazes, prejudicando o paciente mais do que 
qualquer acidente fsico. Em casos graves podem ocorrer atos disciplinares e at criminais 
(KLEIST cita numerosos casos).
Denominei todos estes desvios ticos de desintegrao esfrica sendo que
o conceito de esfera (cap. VII) se aplica ao crculo nebuloso de imaginaes
e sentimentos secundrios que ao nascer cada frase ou ao soam opacas e
assim devem soar se a palavra ou a ao se encaixam bem na situao dominante.
Se esta imagem esfrica da situao global no concorda fielmente e por completo
com a frase ou a ao definitiva se no se entrega refreando e retificando, para
constituir um ato homogneo, ento surgem transtornos que acabamos de contar
e que recebem o nome de indelicadezas.
Na fisiologia do crebro se repetem aqui num nvel superior os mesmos princpios 
fundamentais que, quando prejudicam outras partes do crebro causam a afasia e apraxia 
por haver uma frustrao da fuso total dos engramas anteriores com o ato ascendente 
intentado. Os sndromes do crebro orbitrio nos permitem uma viso profunda nas bases 
estruturais fsicas da personalidade humana.
DISTRIBUIO DAS FUNES ENTRE O CREBRO E O TRONCO CEREBRAL
Por fim perguntamos ainda: quais so as funes enceflicas mais ou menos complicadas 
que no exigem a interveno do crebro mesmo? A resposta pode ser dada parcialmente 
nos animais superiores e os seres humanos recm-nascido. O co descerebrado de von 
GOLTZ (1892) conservou diversas
O Crtex Cerebral e as Manifestaes Mnemo Associativas
funes de importncia vital complicadas em sua estrutura senso-motora; podia dormir e 
permanecer acordado, comer, beber, exprimir certos sentimentos (como ficar com raiva 
quando provocado) perceber de um modo grosseiro algumas impresses sensoriais (luzes 
fortes, um toque de cometa) e ter reaes relacionadas com elas. Executava movimentos de 
conjunto complexos como ficar em p, mas no outros ligados ou tendentes a um fim 
concreto. Um co privado do crtex cerebral motor no se pode servir da pata paralisada 
homolateral mas a usa nos movimentos coordenados com as outras extremidades e se esta 
pata  picada com um alfinete ele reage usando as quatro patas para fugir. Podemos assim 
resumir o exposto dizendo: que na distribuio das funes dentro do encfalo, 
correspondem preferencialmente ao tronco enceflico as sn teses herdadas de certos 
complexos de reaes instintivas vitais e ao crtex cerebral correspondem por sua vez as 
manifestaes isoladas, diferenciadas suscetveis de se adaptarem s mudanas de 
situaes.
Como o rendimento das diversas zonas cerebrais varia essencialmente no decorrer da 
evoluo no  fcil aplicar  espcie humana os resultados de experincias em ces nem ao 
adulto as feitas com os recm-nascidos. Nos recm-nascidos porm observaram-se muitos 
fatos semelhantes aos que von GOLTZ publica acerca dos ces. O sistema nervoso central 
de uma criana de 3 meses examinada por GAMPER (1926) estava muito bem 
desenvolvido at mesencfalo inclusive, faltando porm os sistemas de fibras que dependem 
diretamente do telencfalo e dos ncleos centrais dos hemisfrios. Em intervalos a criana 
se comportava como uma lactante normal cujas funes cerebrais no estivessem ainda 
desenvolvidas por completo. Alternava entre sono e viglia e intercalado de movimentos 
vivos e expresses mmicas de movimentos afetivos rudimentares. Reagia a estmulos tteis 
enrgicos com movimentos ora esquivos, ora macios e complexos. Comparando com isto 
as observaes interessantes de SCHOLTZ (1925) com as feitas num menino que foi 
normal at a idade de 8 anos, e que perdera em conseqncia de uma esclerose difusa do 
crebro suas funes cerebrais (com degenerao parcial do tlamo mas com o corpo 
estriado bem conservado), o quadro era bem mais pobre em manifestaes positivas. Seus 
movimentos eram reduzidos a um mnimo com contraes espasmdicas acompanhado de 
alguns reflexos inferiores. Perma neciam os gritos, movimentos rtmicos de mastigao e 
suco que se provocavam tocando a regio bucal e certas funes vegetativas, como 
respirao, urinar, etc. Existiam reaes por reflexos, o fechamento das plpebras ao se 
tocar na crnea, movimentos de fuga acompanhados de gritos e de contraes dolorosas do 
rosto e finalmente de defesa dos membros torcicos na direo dos estmulos.
Deduz-se da que tambm no homem quando o crebro no atingiu ainda seu pleno 
desenvolvimento, as regies do tronco enceflico podem exercer funes importantes; 
enquanto que no curso ulterior da vida os centros inferiores em si se tornam cada vez 
menos capazes de compensar as funes assumidas pelo crebro ao produzir novas 
deficincias. Trata-se aqui da aptido dos rendimentos ligados ao homem so, e os 
reservados ao tronco enceflico e aos ncleos centrais dos hemisfrios dentro do conjunto 
do encfalo intacto so seguramente mais importantes e complicados, do que se observa em 
casos anormais. Para produzir porm uma ao voluntria, (andar, sentar, apalpar, 
cumprimentar, falar, escrever, etc.) as seguintes funes fisiolgicas se impem:,
36
Formas de Automatismo        37
1. funo impulsiva, 2. praxias, configurao, 3. automatismos subordi nados. Estes se 
dividem em: automatismos aprendidos, hbitos e abreviaes (ver pg. 71) b) funes 
esttico-tnicas labirnticos inclusive os reflexos de estar em p e colocao de MAGNUS 
(1924). c) Reflexos: quando usamos o conceito reflexo devemos lembrar-nos que no os 
devemos considerar no esquema monrio mas no sentido que um passo de um estmulo 
mobiliza sempre outros setores do sistema nervoso central. Isto  garantido pelas sina pses 
desde que no estejam inibidas. Os reflexos cuja complexidade cresce desde os 
idiosmusculares, passando pelos espinais, at o tronco enceflico, se convertem em funes 
estaticotnicas. No existe diferena essencial entre os reflexos e os hbitos aprendidos e 
frmulas automatizadas de abreviao, a no ser as genticas e gradativas.
40 CAPTULO
ESTRUTURA DA PSICOMOTRICIDADE E OS
CENTROS SUBCORTICAIS
FORMAS DE AUTOMATISMO
J vimos que dos atos repetidos com freqncia se formam automatismos e hbitos de 
abreviao que adquirem uma autonomia similar aos reflexos, sobrando o impulso genrico 
para o ato voluntrio e consciente. As fases do ato intentado se sucedem ento com uma 
escassa interveno da conscincia ou com nenhuma, quer dizer orientadas pela 
personalidade profunda. A maioria dos nossos atos voluntrios de cada dia se executam 
por tais automa tismos, hbitos arraigados e frmulas de abreviao. Somente uma frao 
insignificante da ao total depende da conscincia. Geralmente no nos damos conta disto.
Parecido com os hbitos e as frmulas de abreviao so os reflexos condicionados, 
estudados em 1926 por Pawlow. Entendemos por reflexos condicionados uma coordenao 
entre estmulo e reao, que no seguem um trajeto firme e sempre igual como os reflexos 
herdados, mas que se formam ao longo da vida do indivduo, pela associao freqente de 
certos estmulos no tempo e no espao. A secreo da saliva que segue  introduo de 
alimentos na cavidade bucal  um reflexo genuno e hereditrio no condicionado. Da pode 
resultar um reflexo condicionado quando se associa  introduo de alimentos, sinais 
luminosos ou toques de trombetas de determinada intensidade, sendo que com o tempo, o 
sinal emitido se associa com a secreo da saliva apresentando-se como reflexo 
condicionado mesmo sem introduo de alimentos. HEYER estudou coordenaes 
anlogas no homem, sugerindo verbalmente num estado de hipnose a representao de 
certos alimentos e verificou que a secreo do suco gstrico correspondia cada vez ao 
alimento sugerido. Isto tem uma importncia especial para o mdico, pois demonstram 
como fatores puramente
4. CAPTULO
ESTRUTURA DA PSICOMOTRICIDADE E OS CENTROS SUBCORTICAIS
FORMAS DE AUTOMATISMO
J vimos que dos atos repetidos com freqncia se formam automatismos e hbitos de 
abreviao que adquirem uma autonomia similar aos reflexos, sobrando o impulso genrico 
para o ato voluntrio e consciente. As fases do ato intentado se sucedem ento com uma 
escassa interveno da conscincia ou com nenhuma, quer dizer orientadas pela 
personalidade profunda. A maioria dos nossos atos voluntrios de cada dia se executam 
por tais automa tismos, hbitos arraigados e frmulas de abreviao. Somente uma frao 
insignificante da ao total depende da conscincia. Geralmente no nos damos conta disto.
Parecido com os hbitos e as frmulas de abreviao so os reflexos condicionados, 
estudados em 1926 por Pawlow. Entendemos por reflexos condicionados uma coordenao 
entre estmulo e reao, que no seguem um trajeto firme e sempre igual como os reflexos 
herdados, mas que se formam ao longo da vida do indivduo, pela associao freqente de 
certos estmulos no tempo e no espao. A secreo da saliva que segue  introdu de 
alimentos na cavidade bucal  um reflexo genuno e hereditrio no condicionado. Da pode 
resultar um reflexo condicionado quando se associa  introduo de alimentos, sinais 
luminosos ou toques de trombetas de determinada intensidade, sendo que com o tempo, o 
sinal emitido se associa com a secreo da saliva apresentando-se como reflexo 
condicionado mesmo sem introduo de alimentos. HEYER estudou coordenaes 
anlogas no homem, sugerindo verbalmente num estado de hipnose a representao de 
certos alimentos e verificou que a secreo do suco gstrico correspondia cada vez ao 
alimento sugerido. Isto tem uma importncia especial para o mdico, pois demonstram 
como fatores puramente
38        Estrutura da Psicomotricidade e os Centros Subcorticais
psquicos so essenciais para uma boa digesto, bem como para outras funes
neuro-vegetativas automticas do organismo (pg. 44.
Isto se aplica especialmente aos reflexos e s funes estaticotnicas, os automatismos 
ensinados no crtex cerebral, e seus feixes nervosos. Ao executar as aes adquiridas no 
curso da vida individual, cooperam como entidades subordinadas em diversos graus 
hierrquicos certos aparelhos filogenticos transmitidos de uma gerao para outra.
LEIS ONTOLGICAS DE GRADUAO
A fase mais primitiva na escala gentica  constituda pelos reflexos aneurais, pelas 
reaes prprias da substncia viva a estmulos exteriores sem a colaborao de nenhum 
sistema nervoso como os reflexos prprios da musculatura. Sobre estes reflexos se formam, 
na fase da vida embrionria ou da filogenia, o arco reflexo medular e sucessivamente os 
centros reflexos do bulbo, do tronco enceflico, do grande centro antigo de integrao do 
mesen cfalo e mais recentemente do diencfalo com sua frmula instintiva e prefixada at 
que cubram finalmente todas as funes do crtex cerebral .Temos assim um sistema 
completo de arcos ou crculos de ao sobrepostos, de uma estrutura cada vez mais 
complicada, com suas reaes motoras a estmulos do mundo exterior ou interior.
A complexidade crescente das snteses motoras das quais os diversos grupos do sistema 
nervoso-central so capazes, se demonstra especialmente pelos resul tados das experincias 
de MAGNUS (1912) em animais superiores. Uma vez separado o encfalo da medula 
espinhal o anmal no se mantm em p e sofre um colapso. Mas, se a medula cervical e o 
bulbo, (a parte mais posterior do tronco enceflico) ficam unidos  medula espinhal, a 
faculdade de ficar em p fica intacta. O animal apresenta a rigidez consecutiva da 
descerebrao, ou seja a tenso tnica dos msculos que se opem  fora da gravidade. 
Quando o corte se faz mais por cima deixando o mesencfalo ligado  medula no se 
observa tal rigidez e o animal no somente se mantm em p mas consegue voltar de 
posies diversas com reflexo perfeito,  sua posio normal original (reflexos de 
bipedestao) conforme as investigaes importantes de GOLDSTEIN (1923) sobre 
modificaes induzidas do tonus muscular que representa snteses muito parecidas.
A formao de centros nervosos ficou sujeita no correr da evoluo s
seguintes leis importantes:
1.0 Persistncia graduada dos centros inferiores
Os centros inferiores, os arcos de ao (mais antigos) sob o aspectc filognico no se 
extinguem  medida que os centros superiores (mais novos se formam, mas continuam 
trabalhando sob suas ordens como entidades subor dinadas dentro do conjunto, mas de 
maneira geralmente difcil de se detecta num sistema nervoso normal. Podemos ento 
formular a seguinte lei bsica O que existiu no  destrudo mas sim reformado
Funes Estdtico-Tnicos e Impulsos        39
2.0        Mudanas funcionais para os centros superiores
Os centros subordinados no conservam seu tipo funcional primitivo na escala por 
completo, mas cedem partes importantes das suas funes para cima (em direo oral) aos 
novos centros que se sobrepem. Assim sendo a r espinal privada das suas funes 
cerebrais e reduzida exclusivamente aos seus centros medulares, pode ainda executar 
movimentos complicados e racionais como o reflexo de enxugar o que criou a expresso 
alma medular. A coordenao de funes to complicadas corresponde no homem ao 
crebro e ao crtex em particular e j que a conduo no pode ser feita pela medula, 
isolada no homem do sistema nervoso central, funciona somente de um modo primitivo e 
fragmentrio. Reflexos secundrios como as plantas dos ps e a parede abdominal 
dependem no homem do crtex cerebral.
3 Emancipao dos centros inferiores:
Quando um centro superior se debilita ou se separa (choque, enfermidade ou traumatismo) 
dos centros subordinados a funo do aparelho nervoso no cessa, mas as entidades 
subordinadas se tornam independentes mostrando os elementos do tipo funcional que 
sobraram. Observamos tais fenmenos de reflexos autnomos-tnico-clnicos de carter 
primitivo num homem com a medula separada. As mesmas leis se aplicam a todos os 
centros nervosos inclusive aos mais elevados arcos de ao cortical e subcortical, que no 
se sabe diferenciar ainda em seu aspecto anatmico. No histerismo e na catatonia com 
transtornos das funes psquicas mais elevadas da vontade finalista vemos aparecer na 
superfcie e ocupar um primeiro plano, modalidades psicomotoras inferiores conhecidas 
como mecanismos hipoblicos que formam o subsolo dos processos voluntrios 
superiores (pg. 104). Formulei esta lei neurobiolgica geral relativa  histeria (1958) como 
segue: Quando dentro da esfera da expresso psico motora uma entidade superior se 
debilita, a que lhe segue em importncia se emancipa e comea a funcionar segundo suas 
prprias leis primitivas.
Quais so as operaes concretas pelas quais os centros subordinados contribuem no 
homem adulto para a realizao de um impulso voluntrio na execuo motora de um ato 
conjunto? J o arco do reflexo medular contribui com importantes regulaes para a 
manuteno do equilbrio e em definitivo para o corpo todo. O essencial do reflexo 
rotuliano consiste em que um golpe brusco em certas partes estaticamente importantes da 
rtula compense com uma sbita extenso do msculo, evitando assim uma modificao no 
equilbrio.
Assim se incorporam os mecanismos dos reflexos inferiores com o conjunto
cintico.
FUNES ESTTICO.TNICOS E IMPULSOS
No mesmo modo regulador do conjunto motor, mas em nvel bem mais alto, se situa aquele 
que designamos como manifestaes esttico-tnicas repre. sentadas por um sistema 
complicado de aparelhos cerebrais subcorticais. Tra ta-se de funes desempenhadas de um 
lado pelos ncleos centrais motores dos hemisfrios ou do sistema estrioplido como do 
cerebelo com suas vias e ncleos
4        Estrutura da Psicomotricidade e os Centros Subcorticajs
labirnticos (relacionadas com o ouvido interno). Conhecemos o substrato anatmico dos 
sintomas do primeiro grupo graas aos trabalhos de C. e O. VOGT (1920). Todos estes 
centros estriopalidais como o cerebelo ocupam na sua filogenia um lugar entre a medula e o 
crtex cerebral, dispostos em redor do tronco cerebral e a conduo motora direta (a via 
piramidal), que leva aos campos motores do crtex  medula espinhal. Sob seu aspecto 
anatmico eles se assemelham a bulbos emitidos lateralmente pelo tronco cerebral, o 
cerebelo como formao independente e visvel por todos os lados e os ncleos centrais 
invisveis por fora e profundamente encrustados na massa da camada medular. 
Mencionamos as operaes complicadas destes aparelhos somente no sentido em que 
interessa, direta ou indiretamente a Psicologia. As funes tnicas so aquelas que regulam 
constantemente a tenso muscular e que so to indis pensveis para a execuo certa de 
determinados movimentos intencionados e de expresso, como para adotar e manter em seu 
conjunto a ao e posio do corpo. Intimamente ligadas a elas so as funes estdticas que 
numa coope rao complicada com as percepes visuais e tteis e com as excitaes do 
rgo de equilbrio (labirinto) no ouvido interno regulam involuntariamente o tnus 
muscular e garantem a boa orientao e o equilbrio do corpo no espao e a exatido dos 
movimentos corporais.
As grandes leses anatmicas destes centros provocam no equilbrio e na posio do corpo 
e na tenso muscular, perturbaes neurolgicas j conhecidas clinicamente, e estriopalidal. 
Neste ltimo grupo merecem meno os quadros clnicos chamados de Parkinson que se 
caracterizam por um tremor esttico, uma tenso muscular exagerada, movimentos dbeis e 
escassos, rigidez lenhosa do corpo, e do rosto, de importncia fisionmica-psicolgica. 
Num grau menor encontramos estes fenmenos que caracterizam o sistema psicomotor da 
sensi bilidade avanada.
Estas transies entre os sintomas clnicos muito evidentes e as peculiarida des habituais do 
estilo pessoal e, indivduos sos, tm uma grande importncia na psicologia. Falou-se 
recentemente em aptides extrapiramidais empregando termo extrapiramidal para 
designar genericamente os centros situados fora da via piramidal, tentando-se estabelecer 
tipos de conduta psicomotora em relao  idade, constituio e temperamento 
HOMBURGER (1923). Estas dife renas tpicas (W ENKE 1930) entre as aptides 
psicomotoras se traduzem concomitantemente nos movimentos tencionados e nas 
expresses mmicas. Elas se encontram tambm na observao stil do conjunto de 
movimentos, feita por HOMBURGER e por mim, na anlise e elaborao experimental da 
escrita (L. KLAGES 1956) e no teste psicotcnico de aptides (OSEaETZKY 1929). Com a 
balana barogrfica eltrica desenvolvida por STEINWAcRS obtiveram-se muitos dados de 
tenses (pg. 150).
HOMBURGER divide a evoluo da motricidade infantil em 3 fases: rigidez, 
desajeitamento e graa. Na primeira fase, a rigidez dos lactentes se distingue pela forte 
tenso dos msculos que faz lembrar o Parkinsonismo; a criana qm comea a andar 
mostra-se desajeitado, com diviso imprecisa do tnus, movi mentos relaxados e pouco 
enrgicos e participao inadequada do corpo no movimentos. Na fase seguinte, que  a da 
graa infantil observa-se riquez de movimentos soltos e fludos . Este tipo cintico 
integrado sofre na puberdad uma queda catastrfica e desaparece para no voltar mais. A 
dissoluo e afrouxamento das combinaes sistemticas motoras j adquiridas so acon 
panhados por retrocessos parciais de perodos motores anteriores. Na puberdad
Fig. 2  Corte transversal do encfalo quase perpen dicular ao pendnculo ce rebral. Vista 
frontal do corte da metade posterior do crebro.
Ptio do crebro:
1. Crtex cerebral
2. Substncia branca
Ncleos centrais:
3. Corpo estriado
4. Globo plido
Diencfalo:
5. Tlamo ptico
6. Substncia cinzenta
30 ventrculo
Tronco enceflico:
7. Pendnculo cerebral
8. Istmo do encfalo
9. Bulbo raqudeo
10. Cerebelo
11. Passagem para dula espinal
observam-se ao lado dos impulsos elementares imoderados, movimentos con comitantes e 
distrbios coreiformes de inervao e o conjuntto cintico se desajusta por completo at 
chegar pela disritimia, disdinamia e dismetria  brutalidade de expresso e motricidade 
grosseira. A motricidade reedificada sobre estas runas se caracteriza antes de tudo pela 
tendncia de economizar e racionalizar os movimentos
A senilidade finalmente mostra alm da rigidez e lentido que faz lembrar o sndrome de 
PARKLNSON, uma diminuio na faculdade de combinar movi mentos, incapacidade de 
executar paralelamente e por sua vez vrias sries simultaneamente (por exemplo ficar em 
p durante uma conversa).
No que concerne s aptides psicomotoras dos diversos tipos de pessoas ss no se decidiu 
ainda a que partes do sistema nervoso elas devem ser vincula das. H fatores corticais e 
extra piramidais como de ndole muscular perifrica cuja colaborao varia.
1. O SNDROME DE PARKINSON j descrito da paralisia agitante, a
arterioesclerose e a encefalite letrgica (gripe cerebral) que se manifesta psico logicamente 
por empobrecimento e rigidez dos movimentos (rigor) que se esboa tta motricidade normal 
da velhice e a disposio individual de certos grupos nas quais a psicomotricidade  
contida, escassa e rgida.
Funes Esttico- Tnicos e Impllsos
41
do
a
me
42        Estrutura da Psicomotricidade e os Centros Subcorticais
2. O SNDROME COREOATETTICO em contraste com o sndrome de Parkinson 
predominantemente acintico se caracteriza pela hipercinsia, uma profuso mais ou menos 
indisciplinada de movimentos involuntrios, mal coordenados e impetuosos que se cruzam 
com os movimentos dirigidos para um fim til, de um modo caricato. Isto se refere 
especialmente ao sndrome corico que se caracteriza por um forte exagero dos 
movimentos reativos e expressivos. Nas crianas enfermas a dana de So Guido  vista 
pelos pais e mestres como um exagero dos trejeitos de crianas normais e caretas que 
acompanham o peraltismo motor das crianas. Existem graus de tran sio para a 
motricidade intencional e de expresso. A motricidade do recm- nascido  infiltrada de 
mecanismos coreiformes e atetides.
Na prpria idade escolar conhecemos tipos de crianas ss, mas inquietos que no somente 
mostram um nervosismo geral mas tambm um sistema psico motor que  uma variante 
normal e inofensiva, uma variante atenuada do sndrome corico. Na escola, mau grado as 
advertncias do mestre, estas crianas no podem ficar tranqilamente sentadas, mas 
mexem continuada- mente. Balanam as pernas, gesticulam e no sabem o que fazer das 
mos e dos ps quando desocupados. Psiquicamente elas so excitveis, emocionais, e 
extremosas em suas manifestaes de afeto e muitto instveis. Sob aspecto intelectual 
sofrem de um transtorno profundo de ateno, no sabem concen trar-se na aula e o vo de 
uma mosca basta para distra-las. Este sndrome pode ser designado como sndrome 
coreiforme (nervosismo). Na puberdade ele desaparece.
Novas pesquisas de BucK (1944) e HA5SLER (1953) contriburam sensivel mente para o 
esclarecimento, para projetar uma luz sobre a misso dos centros extrapiramidais na funo 
psicomotora. Deve-se imaginar que as excitaes centrpetas ligadas continuamente s vias 
sensoriais e cuja central de comu nicaes  o tlamo, encontram no indivduo so, uma 
sada dinamicamente regulada do lado da motricidade. O regulamento dinmico se produz 
normal mente por uma insero complicada de centros inibidores nos centros corticais pr-
motores 4S e 8, antes de tudo no agrupamento dos centros extrapiramidais com os pontos 
decisivos do corpo estriado do globo plido do ncle rubro e a substncia negra. Quando 
surgem defeitos anatmicos num desses crculos de inibio, as excitaes senso-motoras 
passam diretamente sem serem dirigidas para a via piramidal deixando livre o caminho a 
mecanismos mais primitivos; por exemplo: o ritmo elementar prprio do tremor 
parkinsoniano em caso de leso da substncia negra e o globo plido. Em troca, as leses de 
centros filogenicamente mais modernos, como o corpo estriado se tornam mais com plexos, 
transtornos coreoatetsicos e distonias por hemibalismo. A rigidez de PARKINSON se 
explica pela chegada de um excesso de estmulos pelas vias moto ras que deixam tensos de 
uma vez o sagonistas e antagonistas na periferia (haste anterior motora). Tentou-se captar o 
excesso de estmulos no sistema perante obliterao parcial no tlamo.
Nos transtornos da funuo impulsva contribuem muito as leses do sistema estriopalidal. 
Elas dirigem o dinamismo e a vontade pelo movimento e pela ndole e condicionam certos 
s,ndromes parkinsonianos e coreoatetsicos embora nem sempre com a mesma clareza. Isto 
se manifesta de um lado por falta de iniciativa caraterstica e do outro lado nos sndromes 
coricos por uma reao ostensiva aos estmulos psicomotores e afetivos.
Funes Est tico-Tnicos e Impulsos
As relaes dos distrbios motores esquizofrnicos da catatonia e os sndro mes locais 
descritos do sistema estriopalidal e outros psicomotores no esto ainda bastante 
esclarecidos.  necessrio analisar uma srie de quadros psico.. motores de natureza 
acintica, hipercintica e hipocintica, sob o ponto de vista neurofisiolgico, j precisados 
clinicamente. Rigidez catatnica, negati. vismo, flexibilidade moldvel, processos rtmicos 
estereotipados, ecopraxias, bufonadas, (palhaadas) irregularidades complicadas da 
motricidade verbal. Formas intermedirias que ligam estes quadros com sndromes bem 
conhecidos em fisiologia cerebral, alguns corticais, outros estriopalidais foram observados. 
Entre Outros vimos casos de estupor catatnico que pela atitude corporal, as faces 
ammicas (s vezes com rigidez muscular) e Cara de pomada seborria facial) e sialoria 
se aproximavam muito do Parkinsonismo palidal.
Do outro lado vimos numa jovem um caso de encefalite letrgica (gripe cerebral) que 
passou pelas 3 fases seguintes: 1.0 corea aguda furibunda com grave hiperestesia a 
estmulos externos. 2.0 subseqente esta de estupor catatoneiforme que durou vrios meses, 
em repouso total e lcida na cama, mutismo, negativismo e repulsa passageira de alimentos 
(catalepsia apenas insi nuada). Algumas vezes a doente saltava da cama espontnea  e 
inopinada- mente, sua motrocidade parecia intacta. Este caso no se diferenciava da 
catatonia pelos seus caratersticos psicomotores mas por uma disposio afetiva
mais desenvolvida, quase pueril, travessa, e pela falta de contedo da sua vida anterior e da 
tenso psquica total seguinte; 3. o estupor cede, transio atravs de uma fase 
intermediria que permitiu atividade coordenada m* ligeiramente inibida a um 
Parkinsonismo que se intensificou pouco a pouco com rigidez facial e mscara, atitude 
presa, rigidez e perda da reao psquica.
Os sndromes catatnicos tm em comum com os sndromes estriopalidais o fato de que 
todos eles se misturam: atitudes psicomotoras conscientes com automatismos que a 
personalidade no reconhece como sendo sua, embora predominem nos primeiros os 
mecanismos propriamente psquicos, e nos segun dos os psicides.
Quanto s relaes de certas anormalidades antomo-fisiolgicas do crebro com a 
esquizofrenia, a experincia adquirida com a prtica das leucotomias poder esclarecer a 
situao. Neste sentido parecem interessar antes de tudo as vias fronto-talmicas 
(HASSLER 1967 e outros).
As pesquisas sobre a mudana da massa enceflica e os conhecimentos adquiridos com o 
crtex cerebral e os neurolticos parecem abrir novos campos. Trata-se da pergunta bsica 
se a esquizofrenia pode ser favorecida por um aumento geral ou localizado do fornecimento 
central de excitao e se  possvel, captar estes impulsos pelas medidas mencionadas.
4. CAPTULO
ESTRUTURA DA PSICOMOTRICIDADE E OS CENTROS SUBCORTICAIS
FORMAS DE AUTOMATISMO
J vimos que dos atos repetidos com freqncia se formam automatismos e hbitos de 
abreviao que adquirem uma autonomia similar aos reflexos, sobrando o impulso genrico 
para o ato voluntrio e consciente. As fases do ato intentado se sucedem ento com uma 
escassa interveno da conscincia ou com nenhuma, quer dizer orientadas pela 
personalidade profunda. A maioria dos nossos atos voluntrios de cada dia se executam 
por tais automa tismos, hbitos arraigados e frmulas de abreviao. Somente uma frao 
insignificante da ao total depende da conscincia. Geralmente no nos damos conta disto.
Parecido com os hbitos e as frmulas de abreviao so os reflexos condicionados, 
estudados em 1926 por Pawlow. Entendemos por reflexos condicionados uma coordenao 
entre estmulo e reao, que no seguem um trajeto firme e sempre igual como os reflexos 
herdados, mas que se formam ao longo da vida do indivduo, pela associao freqente de 
certos estmulos no tempo e no espao. A secreo da saliva que segue  introdu de 
alimentos na cavidade bucal  um reflexo genuno e hereditrio no condicionado. Da pode 
resultar um reflexo condicionado quando se associa  introduo de alimentos, sinais 
luminosos ou toques de trombetas de determinada intensidade, sendo que com o tempo, o 
sinal emitido se associa com a secreo da saliva apresentando-se como reflexo 
condicionado mesmo sem introduo de alimentos. HEYER estudou coordenaes 
anlogas no homem, sugerindo verbalmente num estado de hipnose a representao de 
certos alimentos e verificou que a secreo do suco gstrico correspondia cada vez ao 
alimento sugerido. Isto tem uma importncia especial para o mdico, pois demonstram 
como fatores puramente
38        Estrutura da Psicomotricidade e os Centros Subcorticais
psquicos so essenciais para uma boa digesto, bem como para outras funes
neuro-vegetativas automticas do organismo (pg. 44.
Isto se aplica especialmente aos reflexos e s funes estaticotnicas, os automatismos 
ensinados no crtex cerebral, e seus feixes nervosos. Ao executar as aes adquiridas no 
curso da vida individual, cooperam como entidades subordinadas em diversos graus 
hierrquicos certos aparelhos filogenticos transmitidos de uma gerao para outra.
LEIS ONTOLGICAS DE GRADUAO
A fase mais primitiva na escala gentica  constituda pelos reflexos aneurais, pelas 
reaes prprias da substncia viva a estmulos exteriores sem a colaborao de nenhum 
sistema nervoso como os reflexos prprios da musculatura. Sobre estes reflexos se formam, 
na fase da vida embrionria ou da filogenia, o arco reflexo medular e sucessivamente os 
centros reflexos do bulbo, do tronco enceflico, do grande centro antigo de integrao do 
mesen cfalo e mais recentemente do diencfalo com sua frmula instintiva e prefixada at 
que cubram finalmente todas as funes do crtex cerebral .Temos assim um sistema 
completo de arcos ou crculos de ao sobrepostos, de uma estrutura cada vez mais 
complicada, com suas reaes motoras a estmulos do mundo exterior ou interior.
A complexidade crescente das snteses motoras das quais os diversos grupos do sistema 
nervoso-central so capazes, se demonstra especialmente pelos resul tados das experincias 
de MAGNUS (1912) em animais superiores. Uma vez separado o encfalo da medula 
espinhal o anmal no se mantm em p e sofre um colapso. Mas, se a medula cervical e o 
bulbo, (a parte mais posterior do tronco enceflico) ficam unidos  medula espinhal, a 
faculdade de ficar em p fica intacta. O animal apresenta a rigidez consecutiva da 
descerebrao, ou seja a tenso tnica dos msculos que se opem  fora da gravidade. 
Quando o corte se faz mais por cima deixando o mesencfalo ligado  medula no se 
observa tal rigidez e o animal no somente se mantm em p mas consegue voltar de 
posies diversas com reflexo perfeito,  sua posio normal original (reflexos de 
bipedestao) conforme as investigaes importantes de GOLDSTEIN (1923) sobre 
modificaes induzidas do tonus muscular que representa snteses muito parecidas.
A formao de centros nervosos ficou sujeita no correr da evoluo s
seguintes leis importantes:
1.0 Persistncia graduada dos centros inferiores
Os centros inferiores, os arcos de ao (mais antigos) sob o aspectc filognico no se 
extinguem  medida que os centros superiores (mais novos se formam, mas continuam 
trabalhando sob suas ordens como entidades subor dinadas dentro do conjunto, mas de 
maneira geralmente difcil de se detecta num sistema nervoso normal. Podemos ento 
formular a seguinte lei bsica O que existiu no  destrudo mas sim reformado
Funes Estdtico-Tnicos e Impulsos        39
2.0        Mudanas funcionais para os centros superiores
Os centros subordinados no conservam seu tipo funcional primitivo na escala por 
completo, mas cedem partes importantes das suas funes para cima (em direo oral) aos 
novos centros que se sobrepem. Assim sendo a r espinal privada das suas funes 
cerebrais e reduzida exclusivamente aos seus centros medulares, pode ainda executar 
movimentos complicados e racionais como o reflexo de enxugar o que criou a expresso 
alma medular. A coordenao de funes to complicadas corresponde no homem ao 
crebro e ao crtex em particular e j que a conduo no pode ser feita pela medula, 
isolada no homem do sistema nervoso central, funciona somente de um modo primitivo e 
fragmentrio. Reflexos secundrios como as plantas dos ps e a parede abdominal 
dependem no homem do crtex cerebral.
3 Emancipao dos centros inferiores:
Quando um centro superior se debilita ou se separa (choque, enfermidade ou traumatismo) 
dos centros subordinados a funo do aparelho nervoso no cessa, mas as entidades 
subordinadas se tornam independentes mostrando os elementos do tipo funcional que 
sobraram. Observamos tais fenmenos de reflexos autnomos-tnico-clnicos de carter 
primitivo num homem com a medula separada. As mesmas leis se aplicam a todos os 
centros nervosos inclusive aos mais elevados arcos de ao cortical e subcortical, que no 
se sabe diferenciar ainda em seu aspecto anatmico. No histerismo e na catatonia com 
transtornos das funes psquicas mais elevadas da vontade finalista vemos aparecer na 
superfcie e ocupar um primeiro plano, modalidades psicomotoras inferiores conhecidas 
como mecanismos hipoblicos que formam o subsolo dos processos voluntrios 
superiores (pg. 104). Formulei esta lei neurobiolgica geral relativa  histeria (1958) como 
segue: Quando dentro da esfera da expresso psico motora uma entidade superior se 
debilita, a que lhe segue em importncia se emancipa e comea a funcionar segundo suas 
prprias leis primitivas.
Quais so as operaes concretas pelas quais os centros subordinados contribuem no 
homem adulto para a realizao de um impulso voluntrio na execuo motora de um ato 
conjunto? J o arco do reflexo medular contribui com importantes regulaes para a 
manuteno do equilbrio e em definitivo para o corpo todo. O essencial do reflexo 
rotuliano consiste em que um golpe brusco em certas partes estaticamente importantes da 
rtula compense com uma sbita extenso do msculo, evitando assim uma modificao no 
equilbrio.
Assim se incorporam os mecanismos dos reflexos inferiores com o conjunto
cintico.
FUNES ESTTICO.TNICOS E IMPULSOS
No mesmo modo regulador do conjunto motor, mas em nvel bem mais alto, se situa aquele 
que designamos como manifestaes esttico-tnicas repre. sentadas por um sistema 
complicado de aparelhos cerebrais subcorticais. Tra ta-se de funes desempenhadas de um 
lado pelos ncleos centrais motores dos hemisfrios ou do sistema estrioplido como do 
cerebelo com suas vias e ncleos
4        Estrutura da Psicomotricidade e os Centros Subcorticajs
labirnticos (relacionadas com o ouvido interno). Conhecemos o substrato anatmico dos 
sintomas do primeiro grupo graas aos trabalhos de C. e O. VOGT (1920). Todos estes 
centros estriopalidais como o cerebelo ocupam na sua filogenia um lugar entre a medula e o 
crtex cerebral, dispostos em redor do tronco cerebral e a conduo motora direta (a via 
piramidal), que leva aos campos motores do crtex  medula espinhal. Sob seu aspecto 
anatmico eles se assemelham a bulbos emitidos lateralmente pelo tronco cerebral, o 
cerebelo como formao independente e visvel por todos os lados e os ncleos centrais 
invisveis por fora e profundamente encrustados na massa da camada medular. 
Mencionamos as operaes complicadas destes aparelhos somente no sentido em que 
interessa, direta ou indiretamente a Psicologia. As funes tnicas so aquelas que regulam 
constantemente a tenso muscular e que so to indis pensveis para a execuo certa de 
determinados movimentos intencionados e de expresso, como para adotar e manter em seu 
conjunto a ao e posio do corpo. Intimamente ligadas a elas so as funes estdticas que 
numa coope rao complicada com as percepes visuais e tteis e com as excitaes do 
rgo de equilbrio (labirinto) no ouvido interno regulam involuntariamente o tnus 
muscular e garantem a boa orientao e o equilbrio do corpo no espao e a exatido dos 
movimentos corporais.
As grandes leses anatmicas destes centros provocam no equilbrio e na posio do corpo 
e na tenso muscular, perturbaes neurolgicas j conhecidas clinicamente, e estriopalidal. 
Neste ltimo grupo merecem meno os quadros clnicos chamados de Parkinson que se 
caracterizam por um tremor esttico, uma tenso muscular exagerada, movimentos dbeis e 
escassos, rigidez lenhosa do corpo, e do rosto, de importncia fisionmica-psicolgica. 
Num grau menor encontramos estes fenmenos que caracterizam o sistema psicomotor da 
sensi bilidade avanada.
Estas transies entre os sintomas clnicos muito evidentes e as peculiarida des habituais do 
estilo pessoal e, indivduos sos, tm uma grande importncia na psicologia. Falou-se 
recentemente em aptides extrapiramidais empregando termo extrapiramidal para 
designar genericamente os centros situados fora da via piramidal, tentando-se estabelecer 
tipos de conduta psicomotora em relao  idade, constituio e temperamento 
HOMBURGER (1923). Estas dife renas tpicas (W ENKE 1930) entre as aptides 
psicomotoras se traduzem concomitantemente nos movimentos tencionados e nas 
expresses mmicas. Elas se encontram tambm na observao stil do conjunto de 
movimentos, feita por HOMBURGER e por mim, na anlise e elaborao experimental da 
escrita (L. KLAGES 1956) e no teste psicotcnico de aptides (OSEaETZKY 1929). Com a 
balana barogrfica eltrica desenvolvida por STEINWAcRS obtiveram-se muitos dados de 
tenses (pg. 150).
HOMBURGER divide a evoluo da motricidade infantil em 3 fases: rigidez, 
desajeitamento e graa. Na primeira fase, a rigidez dos lactentes se distingue pela forte 
tenso dos msculos que faz lembrar o Parkinsonismo; a criana qm comea a andar 
mostra-se desajeitado, com diviso imprecisa do tnus, movi mentos relaxados e pouco 
enrgicos e participao inadequada do corpo no movimentos. Na fase seguinte, que  a da 
graa infantil observa-se riquez de movimentos soltos e fludos . Este tipo cintico 
integrado sofre na puberdad uma queda catastrfica e desaparece para no voltar mais. A 
dissoluo e afrouxamento das combinaes sistemticas motoras j adquiridas so acon 
panhados por retrocessos parciais de perodos motores anteriores. Na puberdad
Fig. 2  Corte transversal do encfalo quase perpen dicular ao pendnculo ce rebral. Vista 
frontal do corte da metade posterior do crebro.
Ptio do crebro:
1. Crtex cerebral
2. Substncia branca
Ncleos centrais:
3. Corpo estriado
4. Globo plido
Diencfalo:
5. Tlamo ptico
6. Substncia cinzenta
30 ventrculo
Tronco enceflico:
7. Pendnculo cerebral
8. Istmo do encfalo
9. Bulbo raqudeo
10. Cerebelo
11. Passagem para dula espinal
observam-se ao lado dos impulsos elementares imoderados, movimentos con comitantes e 
distrbios coreiformes de inervao e o conjuntto cintico se desajusta por completo at 
chegar pela disritimia, disdinamia e dismetria  brutalidade de expresso e motricidade 
grosseira. A motricidade reedificada sobre estas runas se caracteriza antes de tudo pela 
tendncia de economizar e racionalizar os movimentos
A senilidade finalmente mostra alm da rigidez e lentido que faz lembrar o sndrome de 
PARKLNSON, uma diminuio na faculdade de combinar movi mentos, incapacidade de 
executar paralelamente e por sua vez vrias sries simultaneamente (por exemplo ficar em 
p durante uma conversa).
No que concerne s aptides psicomotoras dos diversos tipos de pessoas ss no se decidiu 
ainda a que partes do sistema nervoso elas devem ser vincula das. H fatores corticais e 
extra piramidais como de ndole muscular perifrica cuja colaborao varia.
1. O SNDROME DE PARKINSON j descrito da paralisia agitante, a
arterioesclerose e a encefalite letrgica (gripe cerebral) que se manifesta psico logicamente 
por empobrecimento e rigidez dos movimentos (rigor) que se esboa tta motricidade normal 
da velhice e a disposio individual de certos grupos nas quais a psicomotricidade  
contida, escassa e rgida.
Funes Esttico- Tnicos e Impllsos
41
do
a
me
42        Estrutura da Psicomotricidade e os Centros Subcorticais
2. O SNDROME COREOATETTICO em contraste com o sndrome de Parkinson 
predominantemente acintico se caracteriza pela hipercinsia, uma profuso mais ou menos 
indisciplinada de movimentos involuntrios, mal coordenados e impetuosos que se cruzam 
com os movimentos dirigidos para um fim til, de um modo caricato. Isto se refere 
especialmente ao sndrome corico que se caracteriza por um forte exagero dos 
movimentos reativos e expressivos. Nas crianas enfermas a dana de So Guido  vista 
pelos pais e mestres como um exagero dos trejeitos de crianas normais e caretas que 
acompanham o peraltismo motor das crianas. Existem graus de tran sio para a 
motricidade intencional e de expresso. A motricidade do recm- nascido  infiltrada de 
mecanismos coreiformes e atetides.
Na prpria idade escolar conhecemos tipos de crianas ss, mas inquietos que no somente 
mostram um nervosismo geral mas tambm um sistema psico motor que  uma variante 
normal e inofensiva, uma variante atenuada do sndrome corico. Na escola, mau grado as 
advertncias do mestre, estas crianas no podem ficar tranqilamente sentadas, mas 
mexem continuada- mente. Balanam as pernas, gesticulam e no sabem o que fazer das 
mos e dos ps quando desocupados. Psiquicamente elas so excitveis, emocionais, e 
extremosas em suas manifestaes de afeto e muitto instveis. Sob aspecto intelectual 
sofrem de um transtorno profundo de ateno, no sabem concen trar-se na aula e o vo de 
uma mosca basta para distra-las. Este sndrome pode ser designado como sndrome 
coreiforme (nervosismo). Na puberdade ele desaparece.
Novas pesquisas de BucK (1944) e HA5SLER (1953) contriburam sensivel mente para o 
esclarecimento, para projetar uma luz sobre a misso dos centros extrapiramidais na funo 
psicomotora. Deve-se imaginar que as excitaes centrpetas ligadas continuamente s vias 
sensoriais e cuja central de comu nicaes  o tlamo, encontram no indivduo so, uma 
sada dinamicamente regulada do lado da motricidade. O regulamento dinmico se produz 
normal mente por uma insero complicada de centros inibidores nos centros corticais pr-
motores 4S e 8, antes de tudo no agrupamento dos centros extrapiramidais com os pontos 
decisivos do corpo estriado do globo plido do ncle rubro e a substncia negra. Quando 
surgem defeitos anatmicos num desses crculos de inibio, as excitaes senso-motoras 
passam diretamente sem serem dirigidas para a via piramidal deixando livre o caminho a 
mecanismos mais primitivos; por exemplo: o ritmo elementar prprio do tremor 
parkinsoniano em caso de leso da substncia negra e o globo plido. Em troca, as leses de 
centros filogenicamente mais modernos, como o corpo estriado se tornam mais com plexos, 
transtornos coreoatetsicos e distonias por hemibalismo. A rigidez de PARKINSON se 
explica pela chegada de um excesso de estmulos pelas vias moto ras que deixam tensos de 
uma vez o sagonistas e antagonistas na periferia (haste anterior motora). Tentou-se captar o 
excesso de estmulos no sistema perante obliterao parcial no tlamo.
Nos transtornos da funuo impulsva contribuem muito as leses do sistema estriopalidal. 
Elas dirigem o dinamismo e a vontade pelo movimento e pela ndole e condicionam certos 
s,ndromes parkinsonianos e coreoatetsicos embora nem sempre com a mesma clareza. Isto 
se manifesta de um lado por falta de iniciativa caraterstica e do outro lado nos sndromes 
coricos por uma reao ostensiva aos estmulos psicomotores e afetivos.
Funes Est tico-Tnicos e Impulsos
As relaes dos distrbios motores esquizofrnicos da catatonia e os sndro mes locais 
descritos do sistema estriopalidal e outros psicomotores no esto ainda bastante 
esclarecidos.  necessrio analisar uma srie de quadros psico.. motores de natureza 
acintica, hipercintica e hipocintica, sob o ponto de vista neurofisiolgico, j precisados 
clinicamente. Rigidez catatnica, negati. vismo, flexibilidade moldvel, processos rtmicos 
estereotipados, ecopraxias, bufonadas, (palhaadas) irregularidades complicadas da 
motricidade verbal. Formas intermedirias que ligam estes quadros com sndromes bem 
conhecidos em fisiologia cerebral, alguns corticais, outros estriopalidais foram observados. 
Entre Outros vimos casos de estupor catatnico que pela atitude corporal, as faces 
ammicas (s vezes com rigidez muscular) e Cara de pomada seborria facial) e sialoria 
se aproximavam muito do Parkinsonismo palidal.
Do outro lado vimos numa jovem um caso de encefalite letrgica (gripe cerebral) que 
passou pelas 3 fases seguintes: 1.0 corea aguda furibunda com grave hiperestesia a 
estmulos externos. 2.0 subseqente esta de estupor catatoneiforme que durou vrios meses, 
em repouso total e lcida na cama, mutismo, negativismo e repulsa passageira de alimentos 
(catalepsia apenas insi nuada). Algumas vezes a doente saltava da cama espontnea  e 
inopinada- mente, sua motrocidade parecia intacta. Este caso no se diferenciava da 
catatonia pelos seus caratersticos psicomotores mas por uma disposio afetiva
mais desenvolvida, quase pueril, travessa, e pela falta de contedo da sua vida anterior e da 
tenso psquica total seguinte; 3. o estupor cede, transio atravs de uma fase 
intermediria que permitiu atividade coordenada m* ligeiramente inibida a um 
Parkinsonismo que se intensificou pouco a pouco com rigidez facial e mscara, atitude 
presa, rigidez e perda da reao psquica.
Os sndromes catatnicos tm em comum com os sndromes estriopalidais o fato de que 
todos eles se misturam: atitudes psicomotoras conscientes com automatismos que a 
personalidade no reconhece como sendo sua, embora predominem nos primeiros os 
mecanismos propriamente psquicos, e nos segun dos os psicides.
Quanto s relaes de certas anormalidades antomo-fisiolgicas do crebro com a 
esquizofrenia, a experincia adquirida com a prtica das leucotomias poder esclarecer a 
situao. Neste sentido parecem interessar antes de tudo as vias fronto-talmicas 
(HASSLER 1967 e outros).
As pesquisas sobre a mudana da massa enceflica e os conhecimentos adquiridos com o 
crtex cerebral e os neurolticos parecem abrir novos campos. Trata-se da pergunta bsica 
se a esquizofrenia pode ser favorecida por um aumento geral ou localizado do fornecimento 
central de excitao e se  possvel, captar estes impulsos pelas medidas mencionadas.
5. CAPTULO
FUNES PSQUICAS CENTRAIS E SISTEMA NEURO-ENDOCRNICO
Chamamos de funes psquicas centrais um grupo que se caracteriza por
3 palavras: CONSCINCIA-IMPULSO-AFETIVIDADE porque eles formam o
ncleo da personalidade conhecido por conscincia do EU, personalidade e
44        Funes Psquicas Centrais e Sistema Neuro-Endocrnico
temperamento e porque eles no s determinam s ou juntos, operaes senso- riais e 
motoras, mas condicionam, penetram e do cor  psique inteira e a cada uma das suas 
manifestaes imaginveis. Assim como se precisa de um grau superior de conscincia para 
formar a representao do EU como centro fictcio da personalidade total, claramente 
oposto ao mundo exterior, tambm os fatores afetivos da vida psquica subjetiva num 
sentido mais restrito da palavra, so os fatores que comunicam a cada uma das 
manifestaes sensoriais ou psicomotoras um colorido que as tornam significativas para o 
EU fixando seu valor quanto  personalidade.
No terreno fisiolgico apreciamos afinidades entre as funes da conscin cia e as da 
afetividade, que se relacionam estreitamente com o sistema neuro vegetativo. As oscilaes 
da conscincia por exemplo entre o estado de sono e viglia vm acompanhadas de 
modificaes profundas nesta parte do sistema nervoso (respirao vaso-motricidade, 
metabolismo). Com a afetividade oscilam o pulso, a vaso-motricidade e a respirao o que 
pode ser medido experimen talmente.
Este paralelismo ntimo entre a afetividade e a conscincia se evidencia de um modo 
pronunciado na Psico-patologia. Sabemos que certas comoes psquicas como susto, medo 
e pnico, guerra e catstrofes podem alterar pro fundamente a conscincia de pessoas ss. 
Evidencia-se especialmente em indi vduos histricos, com um sistema neuro-vegetativo 
lbil como o ofuscamento da conscincia, ataques, estados crepusculares, e quadros 
traumticos confusos que so acompanhados por reaes afetivas (erticos, angstia e 
clera). Tambm nos degenerados criminais, especialmente nos epilticos, a instabilidade 
afetiva  intimamente ligada  tendnciade apresentar estados anmalos de conscincia. A 
emoo que produz uma raiva violenta no epiletide se transforma com certa regularidade 
em estado crepuscular explosivo, numa crise con inconsciente ou numa fuga impulsiva que 
no lhe deixa lembrana nenhuma. Num homem so, expresses como louco de alegria, 
brio de amor ou extasiado, cego de raiva, morro de medo revelam os vnculos que 
unem entre si, estes conjuntos funcionais. Quando estamos agitados o sono fica per turbado 
e quando conciliamos o sono ento reina uma placidez de crepsculo.
Sob o ponto de vista psicolgico a afetividade e o impulso agem paralelamente enquanto a 
conscincia, apesar da sua ligao estreita com ambos, se
constitui independentemente deles.
A CONSCINCIA
A conscincia  o nico critrio essencial das funes psquicas em relao s orgnicas. 
Quando falamos de funes da conscincia tomamos em conta os diversos graus e fases em 
que elas podem ser divididas sendo que se con fundem uns com os outros 
imperceptivelmente e com mudanas bruscas como p. ex, a viglia e o sono com seus 
estados intermedirios diferenciados. Nas perturbaes da conscincia mencionamos o 
estado crepuscular inclusive os delrios desde o seu grau mais leve e brincalho (estado de 
GANSER) at s modificaes profundas da conscincia prprias da epilepsia, bem como a 
inconscincia genuna, desde a vasomotora at o coma profundo que pe a vida em perigo. 
O ltimo grupo se distingue do primeiro no qual a perda da conscincia no  compatvel 
com experincias psquicas essenciais, j que no
Impulso        45
estado crepuscular e nos delrios, uma vida interior muito variada e intensa se
desenrola embora em sono e, sem ligao dos fatos psquicos com a viglia.
Nos animais superiores a sucesso de sono-viglia como manifestao fun. damental da 
atividade nonnal da conscincia no depende do crebro devendo ser tomada como funo 
do tronco enceflico. As relaes estreitas funcionais que esta sucesso representa com a 
afetividade o sistema neurovegetativo torna possvel que os centros correspondentes sejam 
situados anatomicamente, assim como os centros nervosos neurovegetativos no diencfalo 
e junto dos grupos localizveis celulares com relao  vaso-motricidade, secreo de suor, 
regula. o do calor, regulao da bexiga e metabolismo pelos quais so responsveis. Em 
favor da localizao do regulador sono-viglia nesta regio, falam certas experincias 
clnicas, p.ex. em tumores cerebrais que ao serem comprimidos produzem alm de 
transtornos vegetativos rpidas e profundas alteraes da conscincia. Uma das anomalias 
de perturbaes de sonho com origem orgnica no encfalo, a inverso dos perodos de 
viglia e sono (Tipo inverso)  causada pela encefalite letrgica (gripe cerebral) que produz 
finas leses no tronco enceflico ora no sistema estriopalidal, j nos centros vegetativos que 
causam ceborra facial e a sialorrea.  provvel que leses da substncia cinzenta na parte 
posterior da cavidade do terceiro ventrculo e no incio do aqueduto desempenham certo 
papel. Um aumento repentino de presso no ventrculo que comprime suas paredes parece 
originar perturbaes da conscincia. No devemos esquecer o importante papel das aes 
qumicas pela via sangnea, substncias introduzidas por fora (lcool, sedativos, 
soporferos, etc.) produzidos por micrbios, e que influem profundamente sobre as funes 
da conscincia.
Para excluicar os estados inconscientes do sono simples sem sonhos, e do coma patolgico 
bastam os centros vegetativos do diencfalo quando se trata do contedo diferenciado 
psquico do contedo do sonho, do delrio e estado crepuscular devemos supor a 
cooperao do crtex cerebral sob forma distinta da que lhe compete  sua ao sobre a 
conscincia despertada. Esta modificao consiste talvez numa simples hipofuno da 
funo cortical. Ela  porm to complicada e obedece a leis rgidas, que se deve contar 
com uma repartio por camadas no interior do crtex cerebral.
Podemos apenas dizer que os diversos graus de conscincia correspondem a diversos 
sistemas de engrenagem e que os estados mais profundos da incons cincia dependem do 
tronco enceflico sem interrupo das manifestaes ve getativas vitais enquanto que os 
diversos graus de conscincia at o pensamento diurno exigem a interveno diferenciada 
de alguns ou de todos os sistemas corticais. Figurativamente falando poder.se-ia falar da 
ligao de diversas correntes.
IMPULSO
Sob aspecto puramente funcional o impulso pode ser includo no grupo das operaes 
afetivas. Seu estudo  parte deve-se a certas peculiaridades de suas relaes com a 
patologia cerebral. Entendemos por impulso aquela parte energtica que aflui s 
operaes senso-motoras e realizaes associativas e que reaparece nas psicomotoras como 
energia e vivacidade e nas sen soriais como ateno, nas intelectuais como 
jnteresse, determinando as funes dinmicas no seu sentido mais prprio, e o tempo e 
intensidade de
46        Funes Psiquicas Centrais e Sistema Neuro-Endocrinico
todas as realizaes.  provvel que existam aqui fatores antagnicos assm que, uma 
realizao lenta pode ser o efeito de uma fraqueza de um impulso positivo ou de uma maior 
inibio do mesmo. Distingue-se na terminologia psiquitrica entre inibio e bloqueio, 
sendo que inibiao significa a restrio simples e uniforme de operaes motoras 
sensoriais e associativas (de presses cclicas) e bloqueio as represses tensas que se 
produzem especial mente nos estados esquizofrnicos e neuroses caracterizados pelo fato 
de se iniciarem e pararem bruscamente da fala e com outras manifestaes de mo vimento. 
So determinadas psicologicamente (doentio) surgindo inesperada mente. Os transtornos 
impulsivos se dividem em anhormias com retardamento e debilidade das manifestaes (na 
psicomotricidade com imagens acinticas da pobreza de movimentos): hiperhormia com 
reaes demasiadamente fortes e aceleradas (hipercinesias psicomotoras) e finalmente 
disharmon ias ou seja observaes desharmnicas p. ex. em imagens catatnicas ou 
timidez normal.
As razes fisiolgicas dos impulsos levam bem alm do crebro. O impulso no provru 
exclusivamente dos sistemas neurnicos mas tambm de fontes de humor. Devemos 
mencionar aqui alm das matrias contagiosas (MONNIER 1958) os hormnios, material 
de estmulos que as glndulas de secreo interna (tiride, hipfise, glndula germinativa, 
cpsula suprarenal, etc.) canalizam nos humores do organismo e que numa interao ntima 
com o sistema nervoso vegetativo e seus centros do tronco enceflico influenciam a energia 
produtiva do aparelho cerebral. O encfalo em si, um rgo semilquido, submerso no meio 
lquido e numa corrente sangnea reaciona s muitas mudanas dos humores que circulam 
no corpo independente se se trata dos hormnios do prprio organismo ou de substncias 
qumicas introduzidas, desde que, como no caso do lcool ou dos psicotrpicos) penetrem 
na camada dos vasos sangneos. O impulso tem com as glndulas endcrinas e o sistema 
neurovegetativo em comum o mesmo impulso da afetividade em geral.
Conhecem-se transtornos graves dos impulsos como os provocados pelas alteraes das 
mesmas glndulas que se manifestam em casos de leses da tiride e das supra-renais, e 
menos evidentes quando provm de animalias das glndulas genticas e hipfise. A 
hipersecreo da tiride origina uma das formas clssicas da hiperhorrnia psquica (e 
orgnica), hiperestesia sensorial irritao exagerada, hipercinesia. Na patologia das 
tireides conhece-se muito bem a debilidade impulsiva ligeira mas insupervel, e a 
indolncia dos eunucides e precocemente castrados, como a hipernormia normal, o 
entusiasmo prprio da puberdade que coincide com um excesso das glndulas seminais e 
com tendncia a disharmonia, (obstinao, trejetos, encabulamento, incontinncia afetiva, 
acessos de riso).
Encontramos alteraes clnicas sobretudo nas doenas do sistema estrio palidal e em 
leses dos lbulos frontais.  provvel que o impulso no tenha sua origem nestas regies 
mas que passe e se distribua por elas. A encefalite letrgica com sua sintomatologia 
predominantemente estriopalidal junto aos sndromes motores (parkinsonismo, corea) e em 
relao estreita com elas, apresenta um transtorno psquico do impulso com predominncia, 
s vezes, dos sintomas motores e psquicos. A falta de impulso se manifesta em forma 
bastante grave em muitos Parkinsonianos ps-enceflicos, inclusive naqueles que no 
sofrem de rigidez muscular, que  um impedimento puramente motor. HAUPTMANN 
(1922) tem razo ao assinalar que a falta de impulso no se limita s funes psico-motoras 
mas se estende regularmente  atividade
Impulso        47
inteletual que no anda que est letrgica, existe um embotamento geral que alcana 
at a produo da memria e das noes: Tudo me parece igual e por isto no guardo 
nada. HAUPTMANN chamou igualmente a ateno sobre o transtorno geral da 
afetividade que constitui o marco mais distinto dessas anomalias impulsivas e que se 
estende sobre as reaes sensoriais elementares e sobre a vida instintiva: posio incmoda, 
dor, frio, sede, fome, imagens sexuais, nada impressiona o indivduo que somente se d 
conta que faz frio ou calor quando sente os dedos anquilozados ou os ps suarentos. Nos 
catatnicos observamos tambm alguns destes transtornos elementares dos sistemas 
sensorial e instintivo.
No domnio psicomotor o Parkinsonismo ps-encefalitico mostra tambm anomalias 
acentuadas do impulso. No s que diminui o nmero de impulsos voluntrios, mas ficam 
inacabados os hbtios adquiridos e seus automatismos que no homem normal se 
desenvolvem espontaneamente.
Existem pacientes que demoram em enfeitar-se, depois de ter ensaboado apenas metade do 
rosto, at que, seguindo um novo impulso eles continuam na tarefa interrompida dali a 
pouco. Ficam s vezes com a chcara no ar num movimento suspenso, no acabam de se 
vestir, etc. Desaparece s vezes a necessidade de comunicar aos seus atos um impulso 
voluntrio: ficam sentados horas a fio numa posio incmoda, no se mexem, no mudam 
de posio e nem se incomodam e no pensam em nada.
Certas manifestaes de um doente p. ex. (BONHFFER) do uma idia da estreita relao 
entre os impulsos de atividade e a motricidade, assim diz ele:
j que no podia, tambm no queria. Apresentam-se assim analogias com o ciclo das 
formas catatnicas.
No  fcil dizer que a sede destes transtornos de impulsos esteja no mesmo sistema 
estriopalidal. HAUPTMANN se inclina a situar as perturbaes elementares de ordem 
sensorial e afetivo no tlamo. Em todo caso parece muito natural tomar em considerao o 
dienc falo inclusive o hipotlamo e a substncia cinzenta do 3 ventrculo em vista da sua 
estreita relao com o sistema neurovegetativo e a afetividade, tendo em mente que a 
encefalite epidmica (gripe cerebral) deixa alm das alteraes prprias do corpo estriado 
outros distrbios neuro vegetativos graves (hipersecreo das glndulas salivares e 
sebceas, etc.) bem como manifestaes com aspecto disgiandular (precocidade sexual, 
crescimento precoce dos pelos, adiposidades etc., vinculados do diencfalo. O efeito do 
processo encefaltico no influi sobre o crebro infantil do mesmo modo como sobre o 
adulto. Na criana e no adolescente no se registra uma falta de impulso, mas um excesso e 
variedade hiperhormia da inquietude psicomotora, como: impusividad atividade excessiva, 
tendncia para ment furto, e impudor sexual acompanhado de movimentos trepadores 
felinos, ou acessos ferozes de raiva, durante os quais o indivduo morde, arranha e golpeia 
tudo que est ao seu alcance embora a inteligncia se mantenha intacta. Localizando o 
processo cerebral que serve de base a estes sintomas devemos pensar no tronco enceflico 
como sede dos impulsos primitivos, j que os outros sintomas da encefalite (gripe 
cerebral) dependem dessa regio. Estes sndromes so de importncia fundamental por que 
mostram que se as anomalias do encfalo perturbam s vezes as operaes intelectuais, elas 
podem produzir transtornos eletivos da moral, sem que as funes intelectuais estejam 
alteradas. Uma criana assim afetada pode descer at  imbecilidade moral como se 
manifesta em outras por disposio congnita. No se deve chegar  concluso ingnua
48        Funes Psquicas Centrais e Sistema Neuro-Endocrnico
de que a moral reside no tronco enceflico, pois a situao  bem semelhante quela que 
caracteriza as funes da conscincia. Para a forma o ontognica da moral pessoal, quer 
dizer, para poder assimilar os princpios ticos tradicionais precisamos: 1.0  de um 
ncleo elementar de predisposies afetivas e instintivas coordenadas de acordo com o 
antagonismo biolgico de impulsos e seus bloqueios. Estas disposies elementares podem 
ser perturbadas por defeitos congnitos, processos enceflicos anteriores com preferncia 
do sistema encef lico-hipofisrio, ou defeitos congnitos das glndulas endocrmnicas. 2. 
 um crebro intacto, especialmente do crtex cerebral, para as distines Sutis e 
diferenciaes. As diferenciaes sutis de ordem moral so inseparavelmente ligadas a uma 
inteligncia superior.
O lbulo frontal participa ativamente das funes dos impulsos. A acinesia do lbulo 
frontal se caracteriza pela ausncia de tenses musculares prprias das derivadas de leses 
do corpo estriado ou de catatonia, nem das sries mrbidas de representaes correlatas que 
distinguem os torpores motores da acinesia catatnica, mas simplesmente o quadro calmo 
de uma pobreza de movimentos at a parada absoluta das funes voluntrias, das reaes 
afetivas e expresses mmicas.
W. KLAGES (1967) se ocupou especialmente com a diferenciao entre falta de impulso 
frontal e dience flico. Destaca-se nas perturbaes do lbulo central a falta de 
espontaneidade e fraqueza de integrao psquica e nas perturbaes do diencfalo a queda 
igual e at rtmica de todas as atividades psquicas.
AFETIVIDADE
Os fenmenos dos quais vamos tratar agora so denominados Afetividade ou Vida 
afetiva (Vivncia). Dentro deste complexo total (sem possibilidade de limitao rigorosa 
entre os conceitos) chamam-se de sentimentos os processos relativamente simples e afetos 
os processos que correspondem a uma disposio geral difusa, uniforme e persistente do 
humor e temperamento ou atitude afetiva geral que caracteriza a individualidade, seus 
modos de reagir neste terreno sujeitos a oscilaes . WUNDT (1909) divide os estados 
afetivos simples baseado nos seus sintomas neurovegetativos (pulso, respirao) nas 3 
paralelas de elementos antagnicos, prazer e desgosto, tenso e relaxamento, excitantes e 
calmantes. Ao estudar os temperamentos encontraremos dois aspectos princi pais: a afeta 
o em si ou falando de temperamento a afetabilidade (1) ou o impulso. Por afetao 
entendemos a natureza e intensidade das modificaes internas que o estado afetivo ou 
psquico experimenta devido a um estmulo externo: prazer ou desgosto, alegria ou tristeza, 
excitao, irritao e tenso; e por impulso o resultado dinmico dessa alterao que 
repercute nas manifes taes sensoriais, associativas e psicomotoras quanto  sua 
orientao ou  vivacidade, expressividade e energia. J descrevemos detalhadamente estes 
dois lados de afetividade em suas correlaes fisiolgicas: a impulsividade num pargrafo 
anterior e a afetao ao nos referir s sensaes afetivas e funes do tlamo. Devemos ter 
em mente que o grau de afetabilidade no depende unicamente da natureza dos aparelhos 
receptores e cIo tlamo mas tambm dos processos das reaes cinticas provocados no 
sistema neurovegetativo e
(1) (Aqui num sentido mais restrito do que em ICLGES)
Ajetividade        49
psicomotor que repercutem no grau de afetividade, podendo-se supor que um sistema 
neuro-vegetativo instvel se denuncie em geral por uma grande reativi dade afetiva.
A Psicomotricidade revela aspectos essenciais da vontade e da afetividade tanto em relao 
ao estado atual como a disposio para a reao. Medem-se as relaes entre a estrutura 
corporal, temperamento ou oscilaes na presso da escrita (motricidade fina, 
STEINWACHS (1951) e E. KRETSCHMI (1967 (pg. 150). Os traos da escrita revelam 
tambm processos afetivos podendo ser analisados grafologicamente neste sentido. As 
relaes com os tipos constitu cionais normais ou doentios so evidentes. As medidas da 
psicomotricidade como relao elementar afetivo-motor faz parte das prticas vitais do 
diagnstico pessoal.
Oscilaes afetivas ligeiras que acompanham o aumento ou a diminuio da ateno e 
expectativa mais ou menos tensa, com afeto complexo ao ouvir determinadas palavras, se 
traduzem em ligeiras variaes da inervao corporal ficando acessveis a anlises 
experimentais. Enquanto que o observador no as percebe numa conversao corrente, nem 
a pessoa envolvida. Estas variaes repercutem no pulso, na presso arterial, na respirao 
e resistncia do corpo . corrente eltrica V (Vr 1909) bem como em movimentos mnimos 
da cabea e das extremidades. Com a ajuda de apare1ho e procedimentos especiais se 
conseguiu aproveitar essas reaes afetivas para estudar certos estados psicolgicos e 
psicopatolgicos (histeria, simulao, transmisso de pensamentos enigmticos e 
cumplicidade em crimes) (VERAGUTH, SOMMER 1898, LOEWENSiIIN 1923 e outros). 
A tentativa de JUNG (1941) das associaes se baseia no mesmo princpio. O peso 
afetivo de certos motivos pode ser medido pelo fato da reao da resposta a determinadas 
palavras faladas em voz alta tem durao indiferente (W. KRETSCnMER 1954). Os 
fenmenos psicosomticos que acom panham a vida psquica no terreno dos rgos 
vegetativos foram igualmente estudados (pulso, presso arterial, distribuio da massa 
sangnea, respirao, funcionamento do aparelho gastro-intestinal, funes sexuais), como 
tudo que diz respeito a rgos e funes que reagem a influncias neuro-vegetativas 
(epiderme, metabolismo, etc.).
Ambas as tabelas que resumem as experincias de WEBER mostram p. ex.
alteraes no crculo sangneo que correspondem a certos estados psquicos,
especialmente os afetivos.
Existe uma analogia nos efeitos sobre a respirao (WUNDT). WUNDT expe que o 
sentimento de tenso provoca um bloqueio respiratrio notvel seguido de uma 
intensificao quando a tenso cede. Em casos de prazer a respirao se torna mais 
superficial, mas acelerada, no desgosto ela se torna mais profunda e lenta. Dada a 
complexidade geral dos nossos sentimentos no  sempre fcil relacion-los com 
determinadas anomalias funcionais da esfera vegetal.
De acordo com a constituio individual, do sistema neuro-vegetativo as reaes afetivas 
de cada um reagem de modo diferente em cada estmulo. O mesmo susto causa em uma 
pessoa uma excitao nervosa, em outra um estado de paralisia; o mesmo aborrecimento 
provoca uma diarria nervosa num ou uma constipao espasmdica noutra pessoa. A 
tentativa de DELZUS (1966) em estabelecer uma ordem sistemtica,  digna de louvor. No 
que concerne  descoberta exata de alteraes fsicas em comoes psquicas, os aparelhos 
eletrnicos sensveis nos oferecem possibilidades mltiplas das quais as tcnicas antigas 
no se podiam favorecer. O progresso reside no fato de no somente.
50        Funes Psquicas Centrais e Sistema Neuro-Endocrnico
TABELA 1. INFLUNCIA DA PSIQUE SOBRE O SISTEMA CRDIO-VASCULAR
(seg. WEBER  1910)
a) Mudanas da pletora sangunea no homem (+  aumento
(        diminuio
Partes
Encfalo        ext. da
cabea
rgos abdomi- nais
Membros
do tronco
exteriores
Representaes motoras
com
ou
sem        +


+
Movimento
+
Trabalho intelectual
ativo

+

Susto
+

+

Prazer
+
+

+
Desprazer


+

b) alterao do pulso.
+

+
Trabalho Intelectual
Retardamento
Diminuio
Retardamento e aumento
Acelerao e aumento
Retardamento seguido de acelerao
Susto e desprazer
Tenso
Prazer e afetos de prazer
Desprazer
diferenas mecnicas mas tambm da tenso eltrica dos rgos podem ser registradas 
(crebro, corao, msculos). O Fisiopolgrafo nos permite registrar simultaneamente 
muitas funes (FAHRENBERG, 1967).
A estreita ligao entre a afetividade e o sistema neuro-vegetativo constitui um dos 
aspectos principais das relaes somato-psquicas, especialmente para a pesquisa mdica, O 
histerismo por exemplo nos fornece vrios exemplos. Muitas doenas aparentemente 
corporais, como por exemplo as doenas internas ou ginecolgicas revelaram ser, numa 
anlise mais severa, de carter psquico ou pertencendo ao sistema neuro e em certos 
pontos at psico-neu rticos (PAWLOW 1953, BYKON 1955, TESHERNORUTZKI 1954, 
PEIROVA 1945/6, BERGMANN 1938 e outros). Basta recordar numerosas afeces 
cardacas, a asma brnquica, hiper-acidez, a lcera gstrica, a colite ulcerativa, o 
estreitamento espasmdico, certas dermatoses e transtornos de menstruao e dores do 
aparelho genital (H. HOFF, 1964).
O sistema neuro-vegetativo se divide anatomicamente em 2 partes: o sistema simptico e o 
parasimptico, ergo e trofotrpico. Admite-se que suas funes estejam subordinadas a um 
centro superior situado no diencfalo e na substncia cinzenta do 3 ventrculo.
Partes da Formatio reticularis (medula espinhal at o diencfalo) do diencfalo e sistema 
lmbico (entre outros) provaram ser importantes para a regulamentao de afetos e 
impulsos. A formao da rede regula provavelmente a atividade total, sintonizando a 
excitao do crebro e de todo o aparelho sensorial  sua funo em relao aos afetos 
seria quantitativa-energtica, O diencfalo por seu lado e especialmente na sua parte bsica, 
o hipotlamo tem por funo regular qualitativamente certos afetos e impulsos (excitao 
ou eliminao de certos setores, HASSLER, 1967).
Afetividade        51
Os resultados clnicos e experimentais no que concerne a questes de
afetividade se dividem nos seguintes pontos:
1.0  a escala diatsica (alegre-triste)
2.  combinao de adiposidade-emagrecimento com os fatores afetivos.
 regulao do sistema viglia-sono.
Ncleo
aramedjan
Massa
Co,nissura
Ncleos Paraventriculares
Nt sigma
Nervo
(Figura 3. Corte sagital do tronco enceflico e o bulbo raqudeo dos grupos vitais das 
clulas ganglionares.
prolongado e indicaAo
Os estados de nimo alegre provocam em analogia com as afeces manaco-depressivas 
um desenfreamento (verbosidade, frenesia de movimentos, fuga de idias), e os de nimo 
triste (torpor, dificuldade de pensar e agir) provocam inibies quando nimo exaltado se 
transforma facilmente em raiva e irritao. As experincias com desinibies maniformes 
devido  excitao do hipotlamo em intervenes cirrgicas numa regio vizinha, se 
devem especialmente a FOERSTER (1938). Estes estados so provocados 
experimentalmente. A desinibi o de alegria se atribui mais  parte anterior (oral) do 
hipotlamo j que no decorrer de doenas do segmento posterior se nota o predomnio do 
estado de inibio com perda de interesse e sonolncia. As localizaes especiais dentro do 
diencfalo parecem ser muito complicadas nestes casos.
Equilbrio hidrco (sede)
sexuais (bexiga)
Hipfise
Ncleos tuberais
Ncleo mamilar infundjbujo
Corpo mamilar
Hipotdlamo (Corpo de Luys)
Ncleo .aculomotor
Substdncia cinZenta central
Substdncja
Ncleo de Rolier
Ncleo dorsal do vago
52        Funes Psquicas Centrais e Sistema Neuro-Endocrinico
Aos dados cirrgicos e experimentais associam-se as observaes clnicas e psiquitricas de 
NONNENBERG e FEUCHTXNGER (1924) feitas neste sentido. H trocas peridicas 
entre obesidade e magreza com pocas de otimismo ou depres so. O acoplamento psico-
fsico  duplo, j que a obesidade e a magreza podem ser acompanhadas de fases de 
otimismo ou de pessimismo . Persiste em cada caso o acoplamento do humor de um dado 
momento com um determinado humor do metabolismo. No devemos perder de vista a 
concordncia entre o aumento da gordura e o estado de nimo, no seu paralelismo com os 
resultados da investigao tipo-biolgica, dentro do crculo das formas pcnico-
ciclotmicas.
To estreitas como suas relaes com o sistema antomo-fisiolgico da afetividade com o 
sistema neuro-vegetativo so as do sistema das gldndu las endcrinas M. BLEULER, 
1954). O paradigma  a estreita coordenao entre a hipfise e o diencfalo com a qual 
parece formar uma unidade funcional antomo-fisiolgica. Assim por exemplo a tireide e 
as glndulas supra-renais se acham ligadas em anis funcionais neurohormnicos. Em 
certas doenas que afetam tambm a afetividade, como a superfuno das glndulas 
tireides e a distrofia adiposo-genital no se. tem certeza, de caso em caso, se a sede 
primria da perturbao se encontra no sistema endcrino (tireide ou hipfise) ou nas 
partes correspondentes do sistema nervoso (simptico ou diencfalo). Consideramos hoje 
em dia esta sincronizao como um sistema neuro-endcrino regulado circularmente. A 
tireide exerce uma influncia predominante sobre a afetividade. No caso de secrees 
excessivas notamos ao lado de veementes sintomas de irritao do aparelho ergotrpico, 
uma superexcitao da vida psquica com grande nervosismo, sensibilidade em relao a 
estmulos psquicos e fsicos e uma grande labilidade do humor, at a ecloso da psicose. 
No caso de depauperamento da substncia endcrjna (Mixedema, caquexia e cre tinismo) 
um embotamento sensvel da vida psquica e um torpor psquico.
As doenas da hipfise no deixam de exercer suas influncias sobre a afetividade e a vida 
psquica, embora os sintomas no sejam to primitivos e de difcil estudo. Na acromegalia 
observa-se com freqncia uma atitude de palidez e torpor pesado, misturado com 
nervosismo e mau humor. Existe uma afinidade entre os temperamentos acromegalides e 
os viscosos de certos atletas embora em graus distintos. Apesar da desigualdade qualitativa 
h as seme lhanas quantitativas entre os hbitos atlticos e acromegalides. Na estrutura 
corporal e no temperamento ambos seguem a mesma direo sendo que o atletismo age 
como variante constitucional normal e estvel, enquanto que a acromegalomania  mais 
patolgica. Em relao a outras afees hipofisricas descrevem-se mutaes psquicas 
como por exemplo um nervosismo acompa nhado de incapacidade de concentrao e cada 
simultnea dos cabelos na regio pbica e nas axilas, que desaparecem de imediato com a 
aplicao do extrato do lobo anterior (KUGLER 1924). Na sincronizao ntima entre a 
hipfise e o hipotlamo devemos deixar em aberto em caso de obesidade espontnea, at 
que ponto a mesma  determinada cerebralmente ou endcrina primria. Na distrofia 
adiposa-genital a afetividade muda tambm, junto com a funo sexual. RIE5E (1925) 
explica que os que sofrem de obesidade so vias de regra passivos, desconfiados, de si 
mesmos, indecisos, at certo ponto autistas, de boa ndole e tolerantes quanto  dor. 
GLANZMANN (1925) j observa em crianas pequenas que sofrem de obesidade, 
modificaes sensveis de temperamento, de um lado apatia fleugmtica, do outro lado um 
nervosismo hiperesttico com mobilidade incerta e alegria cmica.
Afetividade        53
Como MARX (1941) assinala pode-se distinguuir na distrofia adiposa-genital um tipo mais 
inclinado para a eunucide e outro mais inclinado para a infantilidade. Este ltimo, embora 
de energia fraca, se caracteriza s vezes pelos movimentos infantilmente alegres. 
Encontramos tambm o Humor hipofisrio segundo FRANKL-HOCHWART (1912) que 
associa a uma calma fleugmtica certa serenidade imotivada. Muito afins a estes grupos so 
alguns tipos no doentes na vida artstica, nos quais coincidem no por acaso, uma voz de 
tenor, adipo sidade e uma moleza e um comodismo invencveis. Seja como for, todos estes 
tipos adiposos se distinguem bem pelo seu colorido delicado dos temperamentos mais 
srios e ablicos com tendncia esquiside dos delgas e altos eunucides.
As funes das gldndu las supra-renais na sua influncia reguladora sobre o simptico 
devem ser muito importantes para a vida afetiva. E de fato, na sua disfuno na doena de 
ADDISON vem acompanhada desde um princpio de molstias graves psquicas (adinamia 
corporal), simulando uma neurastenia grave, com mau humor, depresso, cansao, 
irritabilidade, insnia e incapaci dade para o trabalho. Em virtude da ligao estreita das 
glndulas supra- renais com as seminais (em caso de tumores, hirsutismo e 
hermafroditismo) estas influem sobre as funes sexuais e seus afetos.
A glndula seminal no  o nico motivo das funes sexuais mas um elo muito importante 
de um crculo de componentes endcrinos e nervosos que se influem mutuamente. A 
sexualidade psquica  um dos componentes essen- ciais da afetividade total por meio da 
funo sexual e um fator revelante na orientao do temperamento individual. Nos animais 
superiores serve para uma moderao adequada do temperamento; touros, cavalos e gatos 
se tornam mais sossegados, mansos, fleugmticos regulares e menos agressivos . Tambm 
na espcie humana os precocemente castrados e os eunucides por nascimento apresentam 
mudanas distintas em sua vida psquica. H. FI5cHER (1920) des creve os eunucides 
como sendo solitrios, quietos, retrados, fechados, tmidos, recalcitrantes, difceis e 
antisociais, e especialmente apticos, indiferentes, lerdos e sem iniciativa ou desejo de 
trabalhar. Nota-se pois nestes indivduos de insuficincia das glndulas genticas 
freqentemente um certo autismo acom panhado de falta de impulsos e interesses. Segundo 
nossas observaes muitos podem ser classificados de antisociais passivos com tendncia 
autista. Entre os vagabundos encontravam-se antigamente muitos destes tipos. No seu 
aspecto psico eles mostram uma ligao com os crculos esquizofrnicos (es quizides) e 
epilticos.
At que profundidade as funes das glndulas germinativas e seu aparelho neuro-
hormonal influem sobre o afeto, se mostra no incio e na extino da atividade dessas 
glndulas (puberdade e menopausa) que representam s vezes pontos crticos na vida 
afetiva dos seres humanos. J nos indivduos normais estas pocas coincidem com 
anomalias psquicas evidentes e sobretudo afetivas e quando se trata de indivduos instveis 
observamos freqentemente na vida sentimental que se mantm dentro da psicopatologia 
ou degeneram em psicoses esquizofrnicas (puberdade) ou melancolismo (climatrio). O 
infantilismo parcial (imaturidade de carter) depois da inibio do desenvolvimento da 
puberdade constituem alm das fraquezas psquicas adquiridas, o maior ponto de perigo na 
poca da menopausa.
54        Funes Psquicas Centrais e Sistema Neuro-Endocrinico
Como o aparelho neuro-endcrino orienta tanto o crescimento orgnico (ossos, gordura, 
pelo, cabelos e outros) bem como a afetividade, torna-se evi dente que podemos deduzir da 
estrutura corporal certas concluses sobre o temperamento do indivduo.
Septo pelcido Corpo amigdalide
Giro arahipocampa1
Riechsystern
Figura 4 O sistema limbico
Recentemente dodicou especial ateno ao sistema lmbico como parte filogentica mais 
antiga do crebro. Como o limbo envolve considervel parte do tlamo, no  
surpreendente que ele desempenhe um papel preponderante na regulao e apaziguamento 
da afetividade e dos impulsos. Segundo expe-. rincias feitas com animais, o Septum 
peilucidum, o corno de Ammon so atribudos ao comportamento sexual, o ncleo 
amigdalide (crtex fronto-tem poral) ao comportamento de alimentao e combatividade 
(excitao raivosa ou mansido anormal) segundo MCLEAN (1958). No homem as 
condies parecem ser semelhantes mas no to evidentes. O sndrome de KLUVER e Buc 
(1938) depois da interrupo de ligaes talmicas pode ser observado no homem em casos 
isolados mas com menor intensidade do que nos animais. (Nivelamento de impulso e afeto, 
roer objetos, aumento do impulso sexual, falta de memria). Em casos isolados de leso do 
limbo deu-se um abafamento ou irritao e raiva. Se as vias dos lbulos temporais eram 
interrompidos de ambos os lados notava-se uma diminuio do impulso e do afeto. Na 
circun voluo do cinto quando perturbada, nota-se efeito semelhante. Em tumores do 
Septum pellucidum notam-se ao contrrio sinais de irritao e raiva.
A importncia do limbo  sublinhada pelo fato de certas substncias (espe cialmente 
Benzo-Diazepnicos) que provocam relaxamento dos msculos e diminuio de afetos, 
entram em ao neste ponto. O mesmo pode ser dito do Kavain recentemente introduzido 
(W. KRETSCHMER 1970).
Uma mulher casada em idade mdia, queixava-se de uns meses para c de impulsos sexuias 
que se manifestavam em intervalos irregulares. Relaes sexuais normais a levaram ao 
orgasmo mas no diminuram as tenses. A paciente reduziu a coabitao e resistiu ao 
desejo de se masturbar. O estado era extremamente penoso e mau grado o orgasmo sentido, 
era tido como desconhecido pela sua personalidade mais elevada. Este exemplo  
interessante sob a localizao cerebral e ilumina ao mesmo tempo a relao entre a 
conscincia humana e a perturbao bsica emocional causada organicamente.
impulsos Bdsico        55
Supomos e com razo, que se tratava de uma pessoa diferenciada psiquica mente e de 
firmeza de carter graas  sua atividade pessoal, e que vivia plenamente este dilema 
humano, dominando-o por completo. (W. KRETSCHMER indito).
A importncia do ritmo viglia-sono que inclui no homem os graus de conscincia  
evidente quanto  afetividade. De acordo com o local na, escala dos ciclos, o sentimento 
muda quantitativamente (reao, intensidade) e quali tativamente (agudez, embotamento). 
Conhecemos perturbaes de afeto e sono em conjunto em muitas doenas cerebrais, o que 
no  de admirar na proximidade a localizar.
Da regulao de viglia-sono partem os graus intermedirios que regulam as funes 
dienceflicas de reflexos mais complicados que no precisam de uma participao psquica 
mas que, como os sndromes impulsivos representam integraes completamente 
realizadas. Sndromes como os da diabete inspida regulados desde o diencfalo podem ser 
considerados como transtornos de funes metablicas e psicologicamente vistos, como 
perturbaes do impulso. Ambos representam uma unidade inseparvel. E assim acontece 
tambm no sono.
IMPULSOS BSICOS
Entendemos por impulsos, a atrao para determinados fins, quer dizer necessidades. Aqui 
nos interessam somente os impulsos elementares cuja satis fao nos parece vital ou ao 
menos urgente . Eles incluem a afetividade mas formam complexos de vivncia mais 
elevados, independentes e diferenciados. Estes impulsos so intimamente ligados em parte 
com certos setores cerebrais e podem ser provocados dali, sob condies anormais. (Vemos 
como conseqn cia da encefalite infantil a mudana de impulsos. Essas perturbaes se 
referem em parte a instintos propriamente ditos segundo sua intensidade e rumo 
(exibicionismo e homossexualismo) com suas correlaes orgnicas ou em outros sentido 
de desinibio o grupo de instintos agressivos em suas formas atvicas de animais 
selvagens (frmulas motoras de arranhar, morder, bater e afetos de prazer e raiva), e a 
impulsividade. No caso de desinibio d-se uma inquietude motora impulsiva persistente 
que se descarrega por reflexos agressi vos face a um estmulo vindo de fora.
O desencadeamento da desinibio agressiva pode dar-se independente mente ou como o 
descreve BERINGER (1942) com uma mudana brusca do estado de nimo alternando-se 
periodicamente em ciclos. (pg. 47).
Segundo os dados pesquisados por SPATZ (1942) e outros o Tuber cinereurn parece formar 
um centro sexual especial dentro do diencfalo. Numa m formao hiperpisica num 
menino de 3 anos comprovou-se uma precocidade excessiva quanto s dimenses dos seus 
rgos sexuais, madureza do esqueleto e desenvolvimento sexual, correspondendo ao de 
um menino de 15 a 16 anos. Em contraste com este amadurecimento prematuro, observou-
se em um caso de destruio experimental circunscrita do Tuber cinereuin 
(Eletrocoagulao) em animais jovens que, mau grado do crescimento o desenvolvimento 
das glndulas genticas e dos caractersticos primrios e secundrios do sexo ficavam 
prejudicados faltando o impulso sexual. Ocorreram tambm aqui mudanas metablicas de 
obesidade e magreza.
 sabido que a hipfise contgua, particularmente o hormnio prehipo fisrio exerce 
influncia predominante sobre o desenvolvimento sexual a partir
56        Funes Psquicas Centrais e Sistema Neuro-Endocrnico
do 1l.f12. ano. Encontramos aqui um crculo reduzido de ao entre um rgo glandular e 
um centro nervoso situado a pouca distncia do hipotlamo.  medida que a investigao 
fisiolgica provara que as atividades nervosas so, em ltima anlise, tambm aes 
qumicas exercidas mediante substncias transmissoras ou intermedirias se compreende 
melhor estes extremos de impor tncia decisiva.
As minuciosas experincias do fisilogo W. R. Hxss (1962) mediante en saios de excitao 
eltrica no diencfalo de um gato proporcionaram no somente comprovaes valiosas e 
dados complementares alm dos j obtidos no domnio clnico e fisiolgico do encfalo, 
mas revestiram-se ainda de especial importncia para o esclarecimento do problema 
somato-psquico em geral e o carter de coordenao entre as funes afetivas, psico-
motoras e vegetativas bem como para estabelecer uma teoria profundamente cimentada a 
propsito dos impulsos. Hess demonstrou que em determinados planos das sees do 
diencfalo se pode desenhar exatamente como em lugares geogrficos uma srie de pontos 
de excitao, uns mais circunscritos, outros mais vagos, mas que ao excitar estes centros se 
produzem funes particulares e no isoladas, mas agrupadas em manifestaes coletivas. 
Merecem ainda especial ateno os dados relativos  combinao de sintomas puramente 
vegetativos com funes do sistema motor subcortical em operaes complexas de carter 
utilitrio, dentro dos quais os atos impulsivos contm s vezes os fatores afetivos corres 
pondentes, ou suas formas de expresso.
Assim por exemplo o gato produz desde um ponto excitvel do ncleo peritrigonal (coluna 
fornicis) uma atitude de ataque perfeitamente integrada. Conduz-se como se estivesse 
ameaada por um cachorro. Bufa, rosna, fica de pelo eriado, o rabo se torna duro, as 
pupilas se dilatam, as orelhas se inclinam, ou se movimentam em sinal de defesa, o corpo 
est prestes para saltar. Se a excitao eltrica do diencfalo persiste ou se intensifica, 
sobrevm o ataque. O gato assalta uma pessoa na sua vizinhana ou lhe aplica algumas 
patadas bem localizadas. Os sintomas exteriores correspondem ao conceito da fria 
(fingida). Em sua disposio agressiva o gato procura a quem atacar.
Assim como na vida normal uma figura (um cachorro que aparece induz
a uma ao agressiva, o mesmo ocorre por uma excitao eltrica no hipot
 igualmente importante que como sob condies normais a agressividade
pode transformar-se em fuga. Observou-se ocasionalmente que ambos os movi mentos 
defensivos se transformam em luta. A interrupo instantnea do
sndrome acaba ao cessar a excitao. O gato retorna  sua atitude normal.
De uma forma anloga, os impulsos orais podem ser excitados por um foco situado mais 
atrs. A excitao eltrica provoca neste caso um desejo desme surado de comer e beber. Se 
o animal no tomou nem leite, nem carne ele comea a devorar avidamente e a beber com 
sofreguido. Pode at acontecer que ele mastigue objetos no digerveis, uma pina, uma 
chave, um pedao de po. Da se depreende que o desejo de beber na diabetis inspida no 
seja um efeito secundrio de um transtorno precedente do metabolismo mas sim uma 
conseqncia anmala primria e imediata integrada de antemo com a perturbao da 
economia hdrica. Origina-se um impulso cintico provocado de pontos de excitao mais 
atrs.
Para o estudo dos impulsos so de interesse, certos grupos de funes que fazem fuso com 
fatores vegetativos autnomos e psicomotores voluntrios que
ImpuLsos I3asicos        57
tm seu ponto de excitao no diencfalo. Contamos entre estes com o ato de defecar, e 
sndromes como: cheirar, lamber, movimentos de mastigar qu& por sua vez so 
componentes de atitudes complexas.
Parece que os ensaios de excitao de HESS indicam uma srie de domi nncias entre as 
diversas frmulas instintivas. Em colises de efeitos muito coordenados, especialmente de 
tipo instintivo e derivados de, estmulos, aparece freqentemente no uma combinao, mas 
uma alternativa absoluta de sim ou no. Isto no depende nem do valor limiar do estmulo, 
nem da sua magnitude mas sim da auto-conservao do instinto em condies naturais.
A. E. MEYxR 1959).
No resta dvida sobre a possibilidade fundamental de transferir os expe rimentos de HESS 
em animais  psico-fisiologia e patologia humana. N se estuda aqui, por no ser o lugar 
apropriado, as variaes particulares da topo grafia enceflica na filogenia do diencfalo, e 
das partes mais primitivas do crebro em conseqncia da reorganizao morfolgica e da 
transiadao das funes. Pode-se afirmar que as condies so iguais de um modo geral 
entre o homem e os mamferos mais desenvolvidos. Em fraturas da base do crnio e na 
encefalite encontram-se sndromes iguais aos das experincias de HESs feitas em animais. 
Alm das alteraes profundas dos impulsos sex uais desta camos a desinibio dos 
impulsos cinticos e agressivos dos impulsos orais e anais bem como perturba es 
profundas da regula ff o do sono e viglia.
Figura 5 Alguns centros impulsivos no diencfalo do gato em corte sagital Ar 
regulamentao dos distrbios viglia-sono projetada de outro corte sagital.
foram
Explicao dos sinais: + reao afetiva de defesa. + nsia de comer, r 1
cintico com transio para fuga. Campo pontilhado: zona songena. anua ma 
correspondem s designaes anatmicas; For. M = Foramen Monro, o enfoque e
caudatos, etc. (vejam HFss W. R. Helv. physiol, pharmacol Acta Supi.
1-        1
de
seja
sim um.
a perturb
de pontos c Para o es
fazem fuso com
SEGUNDA PARTE
OS APARELHOS PSQUICOS E SUA
FO
6. CAPTULO - GRADUAO E LEI DO DESENVOLVIMENTO DA ALMA
O critrio evolucionista contribuiu tanto para o progresso e ordem do pensamento nas 
cincias naturais que se torna indispensvel transferi-lo dos objetos da nossa experincia 
interna para a prpria vida interior, a psique. Onde quer que seja que os dados anatmicos 
no nos sirvam para agrupar temos na evoluo o melhor fundamento omprico para 
estudar os componentes efetivos da psique. Dispomos no domnio ontognico da 
psicologia, no coletivo da psicologia tnica e no filogentico e com certas restries da 
psicologia dos animais. Os ensinamentos que ganhamos nesses terrenos so de valor 
diferenciado.
No estudo dos processos de reproduo psquica a psicologia tnica  a mais prdiga e 
autntica, enquanto que a psique infantil se desenvolve em seus primeiros anos no por si 
mesma, mas recolhe os instrumentos mais importantes da reproduo, a lngua e a 
reproduo grfica, como complexos j elaborados no seu ambiente. Nos animais 
superiores podemos somente conjeturar como se lhes apresenta o mundo exterior. Os 
processos de expresso (movimentos) so evidentes. Os processos de reproduo figurativa 
e lingstica e as fantasias (sonhos, etc.) no adulto normal e no doente psquico so 
igualmente importantes. Teremos que comparar e complementar as diversas fontes de 
informao. As reprodues psquicas encontram sua expresso sinttica na imagem do 
mundo, quer dizer, no conceito geral que o homem possui do mundo exterior e das suas 
relaes com ele. Examinaremos de incio alguns elementos das assim chamadas culturas 
primitivas. O termo primitivo engana se ns queremos nos imaginar algo de 
extremamente fcil com isto. J a forma do agrupamento hierrquico e familiar de uma 
tribo  algo de bastante complicado, assim como o emaranhado de leis sociais e tabus e o 
direito estrito familiar e matrimonial. A genealogia no segue um esquema que vai do mais 
simples ao mais complicado.
Nota do editor:
Nas pginas seguintes Formas figurativas expomos idias que foram muito discutidas nos 
tempos da l.a guerra mundial. A matria continua inalteradamente muito atual. Somente a 
ordem racional ganhou novo enfoque e por isto damos algumas explicaes a respeito.
O fundo  formado pelos conceitos de evoluo e progresso. O conceito da evoluo nos 
ensina que o homem percorreu vrios graus lgicos e consecutivos na histria e que muitos 
fenmenos inexplicveis de outra maneira, no organismo e na psique no passam de sobras 
de fases anteriores. A continuidade temporal e material que liga o homem a pocas 
passadas da pr-histria e finalmente ao reino animal nos fazem parecer a evoluo como 
uma teoria inevitvel (STORCH 1924). Mas com esta hiptese os verdadeiros problemas 
comeam apenas. Podemos somente supor, que fomos criados. Este mundo est cheio de 
enigmas e admite vrias interpretaes. Segundo a teoria de evoluo primitiva (criada em 
redor de 1914) e na qual muitos acreditam hoje ainda, o homem possui certas 
peculiaridades orgnicas, reaes reflexveis e vivncias elementares porque estas foram 
cultivadas pelos seus antecessores primitivos, humanos e animalescos e passadas para 
diante. Do outro lado o homem sapiens evoluiu para cima passando de um estado mgico 
ao mtico e finalmente ao racional. Assim sua liberdade adquiriu um grau cada vez maior. 
Ele se tornou mais independente. Esta idia da evoluo era lisonjeira e dera aos 
pesquisadores da evoluo um novo impulso. Mas foi esta mesma pesquisa que deixava 
tudo sem soluo. No sabemos o como do nosso parentesco com os animais, no podemos 
decidir se o animalesco e ns  um resduo ou um humanismo reduzido, O homem, na sua 
histria comunal e individual no passa da magia ao mito e do mito ao Logos, mas entra na 
vida e vive neh com todos os seus atributos e dimenses. A fase pr-lgica do recm-
nascido  tambm pr-mgica e pr-mtica. Ao modo mgico-mtico de viver e pensa:
da criana de 4 anos ou de populaes primitivas associam-se relaes racionais-
objetivos com o mundo, O mesmo se aplica ao esquizofrnico ou histrico desde que no se 
atinjam os graus excessivos de excitao ou imobilidade. S existe uma pergunta digna de 
ser respondida ela se refere  relao mtua: entre as capacidades humanas, sua categoria 
hierrquica, sua coordenao til e as condies de mudana do acento. Ns pensamos 
ento com uma dialtica exata: sob que condio a criana nova pensa mecnico-
casualmente e o adulto culto mgica e significativamente? Somente assim chegaremos a 
uma soluo til. Os apstolos do progresso, entretanto acreditam estar na posse racional da 
existncia e na garantia do prazer, deixando a categoria mgica e mstica s crianas, 
primitivos e dbeis mentais, com certa condecendncia. Os etm logos e os psiquiatras 
enxergam a situao de um modo diferente. Eles sabei que no  a capacidade racional, mas 
sim a capacidade mgica-mstica que garante o interesse, a alegria de viver e a felicidade e 
que seu desconhecimento e falta de cuidado aumentam o perigo do mal-estar, da doena e 
das erupes perigosas. Conhecemos a atitude tpica do nosso sculo quando por exemplo, 
indivduos treinados no pensamento matemtico, filosfico e histrico sada de repente e 
sem a menor cerimnia um indivduo quadrado, um aventurei: poltico como libertador ou 
se entregam s mos de um charlato. A necessidade irracional parece mais ao nosso 
alcance do que a liberdade.  f libertar-se dos elementos em comparao com o domnio 
de impulsos egostas e destrutivos que de fato merece ser chamada de liberdade. J basta 
a tarc de empenhar o instrumento do raciocnio para que as necessidades ajam dentro do 
possvel e admissvel.
Nosso problema  mais grave porque a atividade da humanidade no segue em linha reta do 
simples para o complicado, do material ao abstrato, do grosso ao fino no rumo da evoluo. 
Vemos j na escala dos animais organismos muito complicados, inferiores, primitivos e 
superiores. O macaco, comparado ao homem,  ora mais, ora menos diferenciado. Na 
histria da humanidade  se  que podemos falar de capacidades psquicas  os modos 
mgicos, mticos e racional-objetivos da captao do mundo se ligam em propores 
variveis. Encontramos tambm na humanidade de hoje qualquer combinao durvel ou 
alternadamente de fora dessa dimenso bsica. Onde est a evoluo? A resposta  bem 
mais complicada do que se possa imaginar. Ao constatarmos ironicamente que o homem 
moderno se diferencia do arcaico apenas pelo fato dele no querer diferenciar entre as 
razes mgico-mticas do seu pensamento e da sua ao, no chegamos ao fundo da 
questo. Com o devido cuidado podemos dizer que a tendncia aumentou de sujeitar, em 
caso de necessidade  a vida ao raciocnio e com isto o grau de capacidade de abstrao e 
da capacidade de diferenciao conceitual. Trata-se de possibilidades que devemos 
aproveitar cada vez de novo e que nem abrangem toda a personalidade. De vemos ver onde 
se deu a in-diferenciao entre o sentimento e as relaes inter-humanas. Pode-se asseverar 
que a potncia da conscincia tenha evoludo. Tudo depe a favor do fato de que o ponto de 
gravidade da atividade mgica, mtica e racional, bem como a relao entre a estrutura 
simples e diferenciada, grossa e fina se alterna em Filo e Ontognese, em movimentos 
ondulares e a evoluo toda assume um aspecto de espiral. Devemos estar cientes que este 
modelo apresenta muitas falhas. O problema biolgico e morfolgico-cultural da 
decadncia ou do desaparecimento de certas linhas de evoluo complicam ainda mais o 
quadro.
O exemplo da evoluo da lngua esclarece melhor ainda este ponto de vista, O grupo 
principal das lnguas que isolam, aglutinam e se adaptam no seguem uma linha de 
evoluo reta e histrica do simples ao complexo ou do sensorial ao abstrato. As lnguas 
indo-europias, por exemplo, se tornam mais complicadas  medida que retrocedemos no 
tempo. E a lngua chinesa que separa as palavras figurativas admite uma abstrao muito 
grande uma ordem gramatical muito distinta. O pensamento dos assim chamados primitivos 
pode fundir-se num vocabulrio menos diferenciado, mas no se diferencia em princpio do 
nosso (MAIs1luAux, 1969). Certas leis de graduao de formas lingsticas podem existir 
ou j existiram conforme depreendemos da evoluo lingstica das crianas. Elas no 
podem, entretanto, ser catalogadas para justificar um sistema terico da gnese da lngua 
em si, ou aplicvel a deter minadas culturas. Nos trs grupos principais das lnguas 
encontramos o carter tpico do esprito humano cuja peculiaridade descrevemos, mas cuja 
gnese no podemos acompanhar. (Rvsz 1946 e SKALICKA 1957).
Fenmenos semelhantes podem ser aplicados a outras criaes culturais, como estilos 
figurativos e musicais.
Devemos estudar quais as conseqncias que derivam dessas descobertas para a Psicologia 
evolutiva mdica. Quando diversos princpios de imaginao (reproduo) da realidade da 
vida se apresentam atravs de vrias pocas da histria, idades e espaos universais ou de 
situao em situao numa seqncia variada, a evoluo no basta ainda como modelo 
explicativo. No devemos ver em qualquer fenmeno psquico pouco comum, o surgimento 
de algum grau filo-gentico anterior, pois  difcil constatar at que ponto se deu um 
retrocesso (ou progresso). O termo Regresso deve ser aplicado com o mximo 
cuidado como, alis, todos os termos psico-analticos. Mesmo Jung no viu que os arque-
tipos como princpios apriorsticos no perfazem a sedimentao da histria tribal da 
humanidade. Falar de profundidades psquicas  lcito, enquanto identificamos com este 
conceito figurativo as potncias distantes ou de difcil alcance da conscincia. O 
Profundo porm, no  ao mesmo tempo o mais velho
Nestas condies ser mais prudente no derivar qualquer descoberta de algo j existente 
anteriormente, comparando antes os fenmenos que parecem ter ligao entre si. Comparar 
significa descrever entre dois objetos ou causas aquilo que eles tm em comum e o que os 
diferencia, e no um ou outro aspecto apenas como acontece monomaniacamente. Quando 
relacionamos, por exemplo, o simples reflexo de um recm-nascido e a atitude de um 
adulto moderno quanto s suas manifestaes neuro-patolgicas, animalesca, infantis ou 
manifestaes de uma psique doente, devemos anotar tanto as semelhanas como 
divergncias principais, por exemplo, que o mesmo princpio se enquadra de uma forma 
diferente no sujeito possuindo por conseguinte uma outra funo. O pensamento evolutivo 
fica assim limitado quilo que ele pode executar havendo ainda lugar para outros pontos de 
vista. Quando se diz que o homem age desta ou daquela maneira porque seus antecessores 
os macacos tambm o fizeram isto no  nenhum argumento cientfico, mas uma mera 
anedota. Somente a pesquisa dialtica do achado saber por o especfico e o comum em seu 
devido lugar.
No devemos esquecer que existem duas maneiras de pensar para deduzir os fenmenos: da 
evoluo ou dos princpios. A evoluo parece ser a mais apreciada porque muitos pensam 
que com ela podemos justificar a determinao casual de tudo que surgiu. O ato de traar os 
fenmenos at seu ltimos princpios no perdeu ainda de importncia, se consideramos 
que processo da criao e a configurao formam dois fenmenos equivalentes que se 
completam mas que no podem ser derivados um do outro. Se partimos do fenmenos, 
enfrentamos em primeiro lugar os princpios como por exemplo da imaginao e da atitude. 
A tarefa mais eminente e imediata da psicologia e psico-patologia consiste pois em 
conhecer a importncia e funo dos fenmenos e de pesquisar sob que circunstncias eles 
aparecem ou retrocedem, com eles agem em comum e quais os meios de influnci-los. Sua 
origem histrica no  secundria, mas de menor interesse. Insistimos, pois na estruturao 
c alma, o exame de tipos de relao com o mundo tanto na biologia como a cincias 
culturais.
FORMAS FIGURATIVAS
Os processos psquicos da figurao que agem em outras pessoas nunca nos chegam 
diretamente mas por intermdio de suas reaes psicomotoras, principalmente da 
linguagem e das artes plsticas. No se conhecem bem origens da linguagem como 
documento mais objetivo e completo da vida psquica coletiva e do seu modo de refletir o 
mundo exterior. A observao emprica nos mostra uma das primeiras fases da sua 
evoluo como, por exemplo, entre os negros do Sudo. Estas lnguas de aglutinao 
consistem de palavras monossilbicas das quais cada uma tem seu significado prprio. 
Cada uma exprime uma imagem, uma representao grfica do objeto, da ao ou da 
qualidade. Assim sendo o termo golpear e golpe representa uma s palavra. Faltam as 
palavras abstratas, mas tambm uma estrutura gramatical elaborada e determine a ordem 
hierrquica dos conceitos, o uso de conjunes e partculas, a funo dos casos, modos e 
tempos. A relao entre as palavras figuradas se exprime de um modo muito primitivo, pela 
sua ordem de seqncia e por outras simblicas intercaladas.
O seguinte exemplo mostra o grande nmero de imagens que se necessita para traduzir 
numa lngua primitiva, um pensamento que para ns nada tem de abstrato: O bosquimano 
teve uma acolhida amvel pelos brancos para que cuidasse das suas ovelhas, em seguida o 
branco maltratou o bosquimano e quando este fugiu, ele admitiu um outro nativo que teve 
sorte igual. Traduzido na linguagem do bosquimano obtemos o seguinte: Bosquimano ir 
l aqui corre at branco, branco d fumo, bosquimano vai fumar, enche o saco de fumo  
branco d carne, bosquimano vai comer carne, levanta, vai para casa  vai contente  vai 
sentar  vai pastar ovelhas brancas  branco bate bosquimano  bosquimano grita de 
dor  vai correr longe dos brancos  branco o persegue  ali outro bosquimano, este vai 
pastar ovelhas  bosquimano se foi totalmente. (WUNDT 1913).
Nota-se a abundncia de imagens isoladas que em nossa lngua se com primem numa s 
frase como acolheu amavelmente. No pensamento db primitivo estas imagens no so 
ainda coordenadas em categorias abstratas, mas so guardadas em impresses sensoriais na 
memria e se sucedem sem alteraes como um rolo de filmes. A imagem concreta domina 
isoladamente a cena enquanto que a relao entre as imagens  apenas insinuada. Os nexos 
lgicos fracos e frouxos.
Teoricamente podemos ver na srie assintiditca de imagens a fase inicial, mas primitiva de 
todos os processos psquicos figurativos, se bem que devemos considerar de origem 
primitiva, nascidas do esprito, tanto as tendncias de coordenao por categorias lgicas, 
como os princpios que regem o ritmo e o estilo. No encontramos esta fase inteiramente 
pura em parte nenhuma, mas diferenciada segundo seu sentido como o demonstram as 
lnguas isoladas. Como  que se desenrola a linguagem e com ela o pensamento humano? 
Assim se manifesta WUNDT: Ela no brota, e cresce, ela aglomera e aglutina. Os 
fillogos imaginavam antes que da imagem monosslaba, semelhante aos brotos de uma 
raiz, desabrochassem orifcios e terminais, que mudando seu significado o tornaram 
flexvel e apto para a sntase. WUNDT refuta esta teoria. Quando um negro do Togo 
aprende novos conceitos pela introduo de novos objetos, ele procede como segue: Estilo 
 riscar  um pouco; cozinha = lugar  cozinhar  um pouco; prego = cabea  ferro 
 largo. O novo conceito surge, pois pela aglutinao das palavras j existentes. O 
genitivo de a casa do rei forma-se pela intercalao de uma palavra independente = 
casa-prpria-rei. Imagina-se facilmente como estas palavras intermedirias perderam aos 
poucos seu valor simblico para converter-se em simples partculas que no mais 
representam imager1 mas sim reaes ou, como nas novas associaes verbais os 
monosslabos perdem seu sentido figurado ficando apenas frmulas sonoras, vazias, de 
vrias slabas, a ttulo de noes abstratas ou de desinncias flexveis como acontece nas 
lnguas dos povos civilizados. O pensamento abstrato que pertence a toda evoluo cultural 
se baseia parcialmente na abreviao das sries de imagens em frmulas, idias e noes 
abstratas longe de constituir um domnio espiritual independente acima ou ao lado do 
mundo sensvel. Em cada abstrato esconde-se uma imagem. Podemos perceber nitidamente 
o sentido figurado de palavras abstratas como noo, objeto, apanhar, ou opor-se. 
Em condies adequadas o pensamento abstrato pode descompor-se novamente nas suas 
imagens simples como veremos mais tarde no caso do sonho e da esquizofrenia. Que estas 
reprodues figurativas no esgotam a funo essencial do pensamento abstrato, veremos 
mais tarde.
AGLUTINAO DA IMAGEM
Para bem compreender as fases da evoluo psquica,  muito importante seguir as leis de 
aglutina a de imagens atravs de vastas zonas do pensamento primitivo, sobre tudo dos 
princpios da mitologia e das artes plsticas: no Egito antigo, na India e na Grcia atingindo 
a idade-mdia encontramos em grande profuso, tais aglutinaes ou imagens 
conglomeradas de esfinges, centauros, faunos, anjos e drages. (fig. 6 a 9). Certos setores 
da ornamentao nrdica e romana so totalmente dominados por uma profuso de figuras 
mistas, de imagens grotescas e exuberantes que nos parecem criaes de sonhos fantsticos. 
Formas humanas e animais, lees e guias, feras e plantas se entre laam e se confundem 
num ser fabuloso. Este gnero nos quer parecer arcaico Sua origem remonta s pocas mais 
primitivas do pensamento humano e i medida que a civilizao avana mesmo no 
simbolismo religioso, ela desaparece favorecendo as abstraes metafsicas. No 
pensamento vivo dos povos civilizado modernos no se manifesta mais, a no ser em 
pequenos grupos de adepto que no abrangem o povo todo. Subsistem ainda motivos 
rudimentares petrificados, imitaes caprichosas de formas arcaicas.
Fig. 6. Gigante num vaso arcaico. Zeus luta com o gigante.
Fig. 7. Figuras egpcias com cabeas de serpente e r (Larsius)
1
Fig. 9. Formas hbridas indianas de homem e animal (SCHOOLCRAFT)
Fig. 10 Motivos ornamentais dos Baca segundo K. VoN DEN STEINEN 1897. Aventais 
femininos (Uluri), B. Morce
Fig. 8. Animal mgico do Alto-Mississipi
Os resultados do processo de aglutinao se designam tambm por Condensao (F1 
1900). A forma mais elementar da condensao  a adaptao de figuras de animais e 
objetos a linhas e figuras geomtricas simples. Esta capacidade  mais desenvolvida nos 
povos primitivos e encontra seu paralelo na capacidade das crianas e adultos do nosso 
tempo de descobrir caras e caretas em padres de papis de parede. Para os ndios de uma 
certa regio central do Brasil, uma srie de tringulos chatos representa morcegos e 
qualquer desenho em zigue-zague representa uma cobra. (Fig. 10).
A capacidade de condensar  to extraordinria em certos povos primitivos que algumas 
das suas criaes nos parecem indecifrveis, no conseguindo explicar como os ndios 
Huicholes, no Mxico, confundem numa s unidade por meio de associaes muito vagas, 
objetos to diferentes como: uni veado, uma variedade de cactos e a estrela matutina. 
(PREUSS 1914). Os indgenas do Nordeste da Amrica do Norte representavam a alma 
fugindo do corpo em forma de uma figura humana sentada num barco parecido com um 
pssaro e uma cobra saindo-lhe da boca. Chamamos uma tal reproduo de Smbolo, tendo 
diante dos nossos olhos a nossa noo abstrata elaborada da alma que projetamos 
retrospectivamente nas figuras, o que para ns j significa um ato de pensar analtico 
artificial. Na conscincia do primitivo, porm no existe a abstrao alma, e que por 
conseguinte no pode dizer da sua obra que ela - signifique a alma mas que  a alma. Na 
sua conscincia existe somente a condensao da imagem, com uma forte tonalidade de 
sentimento. Esta condensao substitui o abstrato da alma. No  um substituto para a alma, 
mas sim o embrio dessa imaginao. Conhecemos este fenmeno como pensamento 
complexo (Piuwss) porque nele se projetam, embora por conjuntos de imagens mal 
definidas, as noes abstratas atuais de contornos precisos. Quando vemos nas criaes 
intelectuais dos povos primitivos alguns smbolos, teremos que entend-los no como re-
traduo grfica das nossas noes, mas sim como fase preliminar e figurada deles.
Um processo muito chegado  condensao  o mecanismo da transio (FREUD 1899). 
Aqui no aparecem simultaneamente todas as imagens de um complexo no campo da 
conscincia, mas uma s que substitui a todas. Assim por exemplo a estrela matutina 
substitui na mitologia de algumas tribos indianas primitivas todo o firmamento noturno. 
Assim se transfere tambm o acento afetivo do conjunto total para a imagem particular que 
a apresenta e s vezes um detalhe no significativo, um fragmento tirado do conjunto 
adquire um valor afetivo demasiadamente grande, mas compreensvel enquanto descobri 
mos as afinidades associativas que se escondem atrs dele. Acrescentamos ainda que uma 
parte de um objeto ou pessoa pode representar um todo: cabelos, unhas e at a sombra e a 
imagem refletida (pars prototo, BILZ 1940). Quem roubar uma partcula se apodera em 
certas circunstncias da personalidade toda. Os conceitos de magia figurativa e magia 
analgica surgem imediatamente dessa representao.
PECHUEL LOESCHE (1907) nos conta um belo exemplo dos Bafioti de Loango: Recebi 
como homenagem um belo colar feito dos cabelos muito compridos do rabo de um elefante 
nos quais se achavam traados uma garra de um leopardo e de uma guia, o dente de um 
peixe e de um crocodilo. Os plos e garras haviam de proteger-me na caa, aguar minha 
vista na floresta e nos descampados, tornando-me forte e gil, e os dentes haviam de 
proteger-me de todos os perigos dentro dgua.
Estes hbitos se baseiam numa transio onde uma pequena parte repr senta o todo, e o 
dono do colar recebe as qualidades de todos os animais representados, o que nos faz 
lembrar o uso de amuletos, frmulas mgicas outros entre as camadas primitivas dos povos 
civilizados.
ESTILIZAO
Seria um erro crer que as artes plsticas comearam com a reproduo ingnua e fiel do 
mundo exterior. Encontramos nos desenhos rupestres dos bosquimanos e dos homens 
europeus da era da pedra representaes bastante realistas de animais e cenas de lutas. 
Tanto l como nos povos primitivos de hoje nos chama a ateno a forte tendncia para a 
estilizao.
Esta tendncia se compe de diversas tendncias independentes parciais
1. destacar o essencial
2. simplificar as formas
3. repetio das formas
a) como simetria bilateral
b) como reproduo ornamental.
Entendemos pois sob estilizao determinadas tendncias prprias aparelho psquico 
receptor para transformar as imagens recebidas do mundo exterior assim que a 
representao final representa um compromisso entre dois.
A tendncia de destacar o essencial  encontrada nos desenhos basta realistas dos indgenas 
e nos desenhos infantis anlogos. A diferena tamanho efetivo  mostrada de forma 
caricatural, traos caractersticos com bigode so acentuados, elementos impressionantes 
como o corao e o umbigo so postos em relevo embora o modelo no os evidencie.
Este relevo do essencial no processo de reproduo apresenta uma pa da catatimia, quer 
dizer, da tendncia de transformao  qual o contei psquico  sujeito pela influncia do 
afeto. Aquilo que chamamos de essencial sempre  alguma coisa que afetivamente nos 
toca mais de perto. Com a evoluo da arte a estilizao ainda se mantm forte, mas em vez 
de ater-se a pormenores exteriores impressionantes ela se pe cada vez mais ao servio da 
expresso afetiva. A obra plstica domina um sentimento principal homogneo, col 
severidade, nobreza, solenidade, como as podemos observar na arte egpcia grega antiga e 
romana.
A simplificaao da forma  essencialmente imposta nas fases avanadas evoluo pelo 
afeto. Ela se aplica como componente autnoma do processo de reproduo sendo j 
reconhecida nos primrdios das artes plsticas. Evidencia uma predileo acentuada para as 
formas mais simples e sobretudo, pelas for geomtricas regulares e pela simplificao das 
formas empricas complica de animais e figuras dando-lhe contornos retilneos, regulares 
ou arredond2 aproximando os contornos s formas bsicas: triangulares, redondas, romb 
ou suas combinaes. Esta tendncia figurativa no pode ser diferenciada nitidamente da de 
projetar formas animais em figuras geomtricas j existentes.
Devemos supor que esta inclinao de simplificar formas constitui intendncia primria do 
aparelho psquico. No mundo exterior macroscpica no trabalhado pelo homem ainda, as 
formas de contornos irregulares e com plicadas em rgos vivos e paisagens so 
predominantes e as limitaes geomtricas (lua, horizonte martimo) so minoritrias. Esta 
escassez geomtrica no mundo exterior se encontra em tal desproporo com a 
predominncia e regularidade da arte primitiva que no podemos supor que tenha sido 
imposta do exterior na elaborao grfica de homens e animais. Algumas dessas formas 
simplificadas so de ordem tcnica-motora pelo processo da tecelagem e esculpir, ou 
porque um manejo menos hbil dos instrumentos impunha linhas mais simples. Acresce-se 
a isto a falta de detalhes pela falta da memria visual. Tudo isto no basta para explicar as 
estilizaes primitivas. Explica-se menos ainda o prazer esttico que em certas condies 
inspira o homem civilizado para o uso de formas geomtricas puras e menos ainda que um 
artista culto e profundamente realista recaia sob certas condies na estilizao 
rigorosamente geomtrica.
A Repetio das Formas se relaciona estreitamente com as tendncias rtmicas sobretudo 
pela repetio tonal, O gosto pelas formas e pelos sons montonos e repetidos  
caracterstico pela vida psquica da criana e do homem primitivo que sofre na evoluo 
posterior uma sensvel diminuio e se manifesta mais forte em situao de fadiga do 
adulto.
No domnio ptico isto se manifesta pela tendncia para a simetria bilateral de uma figura 
ou pela seriao ornamental do mesmo motivo geomtrico
ou geometricamente simplificado.
Na simplificao e repetio das formas trata-se de uma tendncia primria
e muito antiga do aparato psquico.
Com a ajuda destes princpios vigorosos de estilizao e cooperao com outros fatores 
numerosos, por exemplo, a fixao psicomotora de formas de funes freqentemente 
exercidas a arte primitiva se converteu aos poucos num meio til de comunicao 
espiritual, e atravs dos carateres simblicos na escrita que representa hoje um dos mais 
importantes instrumentos de expresso ria vida psquica superior. No grau mais elevado e 
abstrato da vida psquica encontramos os princpios de estilizao da forma simplificada 
regular como esquematismo  uma tendncia que desempenha papel importante na 
construo do pensamento filosfico e matemtico.
PROJEO DA IMAGEM
Entendemos por projeo da imagem sua distribuio sobre as duas regies principais: o 
EU e o Mundo Exterior. No homem supercivilizado esta distribuio  bastante ntida. O 
contedo psquico que faz parte do EU denominado de subjetivo, e de objetivos os que 
fazem parte do mundo exterior A isto se encontra estritamente ligado a diferena entre 
representao e percepo, entre si imagens representadas dentro da cabea (Localizao 
do EU e as percebidas pelas sensaes sensoriais associadas  firme concepo que ela nos 
vm de fora (localizao no mundo exterior). As imaginaes se baseiam nas imagens 
mnsicas que as percepes nos deixam. So mais plidas e vaga do que as percepes. A 
distribuio da imagem entre o EU e o mundo exterior e sua classificao  medida que 
nascem nas categorias de representao e percepo somente se torna precisa e certa sob a 
condio de uma observao no perturbada e crtica. As imagens dos sonhos oscilam 
imprecisamente no limite entre as duas. A m interpretao ilusria e mesmo a formulao 
arredondada das impresses sensoriais para o objeto completo se baseiam n projeo de 
elementos de representao nas percepes. Em estados psquicos anormais podemos 
acompanhar passo a passo como uma representao se tom cada vez mais intensa e viva, 
comeando a flutuar na linha divisria entre a imaginao e percepo tornando-se 
finalmente com uma intensidade aumentada em alucinao, projetando-se assim no mundo 
exterior.
Para um doente essa representao projetada  real. Ela tem o carter irreversvel da 
realidade. Assim vemos como o julgamento da realidade liga reciprocamente com a 
projeo da imagem. Diante das imagens subjetivas, localizadas no EU e dentro da 
cabea guardamos o juzo realidade considerando-as somente reais depois de t-las 
corrigidas e confirmadas mediante freqentes comparaes com percepes ou seja com 
imagens do mundo exterior. As imagens objetivas localizadas no mundo exterior no 
mbito das percepes so sempre acompanhadas da convico da sua realidade com um 
julgamento positivo. J falamos anteriormente das excees dessas regras.
No homem primitivo vemos este mecanismo da projeo da imagem pouco desenvolvido, 
os grupos do EU e do mundo exterior, representao e percepo no so bem 
separados, mas se confundem nas zonas marginais flutuantes, misturando-se s vezes. 
Tambm na criana encontramos esta separao imprecisa entre Fantasia e Realidade. 
As imaginaes mgicas dos povos primitivos, seu conceito sobre o feitio, se baseia em 
grande parte no reconhecimento insuficiente da projeo da imagem. O pensamento 
equivale ao ato, a palavra ao objeto, a imitao subjetiva ao acontecimento real. Pensam 
que tanto pensamentos como palavras atraem o objeto e que os cerimoniais influem sobre 
os acontecimentos exteriores, assim como ns somos convencidos que uma representao 
evoca uma outra e a influencia por associao. Da surge o feitio e a proibio. Quando o 
primitivo descreve as nuvens no seu cantarolar incessante, quando produz de algodo 
nuvens artificiais ele pensa que as verdadeiras nuvens traro a chuva. O desejo murmurado 
ao lanar sua flecha d a esta a boa pontaria e quando atira numa boneca de madeira, ele 
pensa que atinge seu inimigo distante. Para o homem primitivo a diferena entre imagem 
interna e externa se confunde sob a influncia de mecanismos catatmicos. Ele pensa que ao 
enunciar o nome de um falecido, o morto se apresentar e isto s vezes acontece, porque o 
primitivo, igual  criana tende a alucinaes, devido  sua falta de crtica das projees e 
da maior plasticidade do seu pensamento. Apesar da grande vivncia entre o smbolo e a 
realidade objetiva os dois no so trocados. Isto equivaleria  como no ser civilizado a 
uma anormalidade, a uma doena.
SENSAO, IMAGEM E OBJETO
Devemos demorar-nos ainda para tratar da formao das imagens e da sua ordem relativa. 
O que os nossos rgos sensoriais nos transmitem no so imagens, e sim impresses. So 
a matria prima das imagens. Se pegamos uma folha com carateres chineses veremos de 
incio nada mais do que um caos de preto e branco. Se conhecemos a escrita chinesa o caos 
se desfaz em carateres cheio de sentido e imagens inteligveis. Imagem quer dizer: a 
combinao significativa de impresses sensoriais. A conscincia semntica surge com a 
memria, assim a imagem escrita rvore evoca em ns a memria de uma rvore que se 
associa  mesma. Esta sintese de impresses sensoriais traduzidas em imagem produz-se 
com a participao de sinais no crebro (engramas, ligados aos centros do crtex cerebral, 
assim, por exemplo, a sntese das imagens sonoras no centro de WERNICKE situado na 
circunvoluo temporal (comparem pgs. 21 e 24). A associao das impresses sensoriais 
para formar uma imagem pode ser considerada teoricamente como o segundo grau da 
sntese psquica (cores, sons, etc.) que segue o primeiro grau elementar da sntese sensorial. 
O que vem a ser um objeto comparado com uma imagem?
Quando sonhamos vemos imagens e no objetos Nada nos enfrenta de uma forma slida. 
Temos imagens vivas, mas elas so flutuantes e oscilam. Entendemos por objeto uma 
imagem de contornos bem definidos, situada no espao e no tempo.
Impresso sensorial, imagem e objeto so 3 escalas progressivas de evoluo da matria 
prima psquica. Na mente do selvagem como na da criana representao do tempo, do 
passado e do futuro  pouco desenvolvida e con ela a necessidade de medir e dividir o 
tempo. Ambos vivem o momento que guarda uma relao estreita com a dependncia do 
mecanismo catatmico sua incapacidade de registrar cientificamente grandes sries 
contnuas de observaes. A formao das imagens  mais do que objetiva. J vimos que 
contm quase que unicamente elementos sensoriais, naturais e abstratos. Nosso pensamento 
civilizado  mais objetivo, mas tambm menos plstico (matemtica e por isto podemos 
sentir menos as aglutinaes primitivas das imagens. Esta surgem quando as imagens soltas 
se fundem entre si pela ao livre dos afeto parecendo intercambiveis. Exige de incio um 
certo esforo de unir nua s pensamento o cervo, o cacto e a estrela matutina por que na 
nossa conscincia cartesiana cada imagem se nos apresenta rigorosamente limitada e 
situada no espao como objeto.
AFETIVIDADE
Catatimia
J dissemos antes que o aparelho psquico, primitivo estrutura com menor preciso e menos 
diferenciao as relaes existentes entre as imagens captadas. A relao das coisas entre 
si forma-se pelos afetos fortes que agem sobre imagens especialmente onde a penria da 
vida ou a fora dos impulsos provoca fortes emoes psquicas. A vida sexual, a guerra, a 
luta, a espera intensa p chuva e presa de caa, mas antes de tudo doena, medo da morte e 
morte s os pontos no qual se inicia o pensamento mgico. Alm disto o pensamento se 
alastra pela totalidade dos fenmenos, O pensamento mgico  a fonte elementar em que 
estas formam uma rede na qual as imagens simples associam numa imagem sinttica 
fechada do mundo. Da se desenvolvem firmes categorias de pensamento da lgica, da 
utilidade e causa, a idia religiosa de Deus e a concepo cientfica da fora. O pensamento 
mgico raras vezes se origina da observao exata da simultaneidade freqente dos 
fenmenos, mas antes do efeito imediato de afetos experincia significativas. Os resulta do 
pensamento mgico levam sempre o carimbo dos temores e desejos c os originaram, so 
formaes catatmicas. Entende-se por catatimia (H. MAIER, 1912), a transformao 
sofrida pelos contedos psquicos sol influncia dos afetos. A imagem primitiva do mundo 
 catatmica num g bem superior do que a racional. Assim como o pensamento cientfico 
cas coordena as coisas segundo o princpio da freqncia de fenmenos dentro um reduzido 
espao de tempo, o pensamento catatmico age segundo o princpio da comunidade afetiva. 
Ouve-se um trovo e pouco depois um homem cai fulminado. Ambos os acontecimentos 
tm em comum o susto sofr
Para a convico catatmica isto basta para afirmar que o trovo causou a morte. O 
pensamento causal, entretanto  esttico. Ele pergunta: quantas vezes existe uma 
coincidncia entre o trovo e a morte? Com a raridade dessa coincidncia de dois 
fenmenos ele leva ao absurdo a coincidncia da causa, enquanto a comprova com a 
freqncia de dois outros fenmenos.
PROJEO AFETIVA
A palavra TABU, de origem polinsia, serve na psicologia tnica como termo para designar 
um complexo de alto alcance nas atitudes dos povos primitivos. A palavra inclui o 
significado de santo e impuro ao mesmo tempo poderoso e benfazejo, como de 
inquietante, perigoso e proibido. TABU so os caciques das tribus, os sacerdotes, guerra e 
caa, puberdade e menstruao, nascimento e recm-nascidos, doenas, morte e falecidos, 
em breve, as pessoas mais poderosas, honradas e temidas, aes e acontecimentos vitais, 
geralmente acompanhados por temores e esperanas e finalmente estados e fases da vida 
que trazem consigo modificaes profundas, influenciadas por desejos, medo e 
repugnncia. Trata-se enfim de coisas com preponderante acento afetivo.
Aqui se manifesta do modo mais sugestivo a diferena entre os dois modos de vida. 
Diramos: tenho um temor sagrado de reis e sacerdotes, experimento medo e pavor ao ver 
um cadver. O sacerdote, porm diz: O sacerdote  tabu, o tabu se esconde no cadver. 
Transpomos os afetos para o EU, para ns mesmos, mas o primitivo os projeta para o 
mundo exterior. Ele os localiza no mundo exterior assim como suas impresses visuais e 
auditivas. Esta projeo afetiva  de importncia capital para se compreender a imagem que 
o homem primitvo faz do mundo.
Compararam-se as coisas consideradas tabu com objetos carregados de eletricidade. Nelas 
residem foras terrveis que se comunicam pelo tato, um contato que traz consigo a 
salvao ou a morte.
O tabu  um componente importante da imagem mgica do mundo. Em qualquer objeto 
exterior que inspira sentimentos ou interesse mais fortes um afeto pode ser projetado sem a 
interferncia dos tabus e das cerimnias a eles ligados. O homem primitivo projeta ao 
mximo seus impulsos psquicos nas coisas e acredita que estas devem agir como se fossem 
manobradas por uma alma. O mundo se apresenta finalmente como um conjunto de foras e 
demnios, o que chamamos de animismo, base de todas as religies.
Animais e objetos inanimados sentem e agem como pessoas humanas, fazem o Bem e o 
Mal, podem ser irritados ou apaziguados e utenslios como uma picareta ou um martelo se 
transformam na sede de foras animadas e de venerao religiosa. Tambm em partes do 
prprio corpo agem vrios espritos e almas. Entre os Yorubas cada indivduo abriga trs 
espritos, um na cabea, outro no estmago e o ltimo no dedo grande do p. O primeiro 
chama-se Olori senhor da cabea o que significa capacidade e talento. Sangue dos 
animais sacrificados esfrega-se na testa, ele d sorte. O segundo esprito localizado no 
estmago provoca a sensao da fome e o terceiro no dedo grande do p recebe oferendas 
quando se quer iniciar uma viagem, O dedo  ento untado com uma mistura de sangue de 
galinha e leo de palmito. Os Karo-Batak em Sumatra presumem que haja at sete almas 
num s indivduo, os espritos protetores de atividades importantes e traos de carter.
A imaginao, primitiva das relaes entre as coisas pode, por conseguinte ser projetada 
(tendncias de afeto projetadas no objeto) substanciada quando as relaes entre as imagens 
so pensadas como tais e personificadas porque todas as coisas envolvidas aparecem como 
individualidades vivas. Em certas tribos dos ndios do Brasil, por exemplo, introduz-se um 
pedao de pau no nariz porque eles consideram ser a doena um corpo firme que penetra 
pelo nariz em linha reta no corpo. Quando a doena bate contra o pau ela no pode entrar 
no corpo e cai no cho. A cegueira provocada pela neve se atribui a pequenos insetos que 
penetram na vista. No existe uma alma nica circunscrita, de um EU que assume com a 
conscincia um significado ativo perante o mundo exterior, O EU  uma substncia entre 
outras substncias igualmente animada sob o aspecto antropomrfico e subdividida em 
personificaes parciais, um joguete destas potncias sem demarcao precisa entre o 
mundo exterior e os objetos.
No nos cabe aqui pesquisar todas as razes da representao ocidental da alma. Trata-se de 
um produto muito complexo de condensao. De um lado deriva da morte, do corpo do 
defunto (alma corporal, desalucinaes onricas e imagens mnsicas que nos fazem 
aparecer o defunto como um ser vivo). Da outra parte deriva das personificaes que 
acabamos de descrever, das partes e funes do corpo, onde a sombra, o sangue e o sopro 
como representantes da vida (alma de sombra e sopro) se incorporam na abstrao total da 
alm com suas atividades principais e traos de carter do indivduo  A alma uma espcie 
de pessoa dentro da pessoa, um EU interior para o qual o Et. exterior serve de utenslio e 
moradia, que ele pode abandonar sob determinadas circunstncias. Nossa representao 
dualista da alma parece ainda ingnua neste ponto e personifica as funes como as dos 
ndios Cora, em cujas cabeas coraes mora o pensamento muatsira como sujeito ativo 
e real que deter mina suas prprias aes. Na concepo da alma perpetuou.se mais o 
critrio da personificao, porque ele recebe uma corrente afetiva mais ampla d instinto de 
conservao e da idia catatmica da sobrevivncia depois da morte porque o homem deve 
reconhecer-se na sua autodeterminao como pessoa Com respeito ao mundo exterior a 
idia personificada e antropomrfica d demnio se apresenta um tanto plida porm 
reconhecvel as noes naturalistas que definem a seqncia dos fenmenos que se 
manifestam nas coisas, com efeito das foras nas coisas em si. Basta pensar nas 
conseqncia filosficas d; teoria corpo-alma (pag. SI).
AMBIVALNCIA E AMBITENDNCIA
O TABU, conforme vimos abrange tonalidades afetivas contrastantes d Santidade e do 
Impuro. O fato que um objeto pode despertar sentimentos positivos e negativos ao mesmo 
tempo,  denominado de AMBIVALNCL (BL 1969). Assim como os contedos das suas 
imaginaes, os sentimentos do homem primitivo so complexos, difusos e menos 
diferenciado e circunscrito do que os racionalmente condicionados. Uma s palavra com
Ambivalncia e Ambitendncia        75
Tabu provoca no homem primitivo um acordo afetivo nico que, ao ser analisado se 
divide em outros tantos acordes separados como: sagrado, venervel, sublime, misterioso, 
perigoso, detestvel e impuro. Estes complexos afetivos com acentos ambivalentes surgem 
sem nenhuma transcendncia e so fenmenos apriorsticos vlidos para toda a 
humanidade. No terreno religioso R. ORRO (1936) tentou comprov-lo sob o conceito do 
Luminoso e JUNG para a psicologia com o aparecimento da ambivalncia arquetipa. Por 
isto encontramos o Tabu em todas as religies evoludas e de modo deformado em todas 
as doenas mentais. O tabu representa o cdigo moral mais primitivo do homem, nascido 
em princpio de sons afetivos fortes, mas especificamente coordenados que no precisam de 
uma reflexo deliberada. Este sentimento complexo do tabu deu origem, com o correr do 
tempo, em alguns povos a uma rede de mandamentos e proibies complicados, cerimnias 
e prescries religiosas, purificaes, que penetram toda a vida, mantendo um estado de 
constrio indissolvel limitando todos os movimentos de tal modo que pode parecer o pior 
castigo ser elevado  dignidade de sumo pontfice, da qual somente era possvel livrar.se 
pela fuga. (Decadncia do tabu).
Tambm Fi (1922) percebeu que existem sempre ambivalncias nas razes das proibies 
tabu to primitivos, e da moral humana da qual so as origens. Os preceitos morais surgem 
onde existe oposio sentimental contra uma ao e o desejo de perpetr-la apesar de tudo. 
Alguns portadores do tabu so sentidos deste modo ambivalente, como os caciques e os 
sacerdotes. Muitas pessoas os vivenciam rodeados de grandes poderes, o pai, os superiores, 
o rei, de um modo ambivalente misturando-se neles a venerao e o dio, ou 
ressentimentos. A ambivalncia desses afetos se manifesta nas cerimnias tabu da corte que 
honra e amola o monarca ao mesmo tempo. Tais tenses afetivas conflitantes do origem a 
tons sentimentais bem fortes e provocam projees afetivas e um cdigo de moral que da 
deriva. At a a seqncia de pensamentos de FREUD que nos apresenta alguns aspectos 
ocasionalmente disputveis e se, baseia em dois erros racionalistas fatais: 1. o tabu pode ser 
desmascarado e tornado incuo pelo raciocnio e pelo hbito; 2. esta perda do poder  
favorvel ao homem. A prtica nos ensina algo de diferente. O raciocnio elimina apenas 
condicionalmente o tom sentimental do tabu. O hbito ou a indiferena desvalorizam a 
regio do tabu superada.  imediatamente substitudo por outro valor ambivalente que 
surge do reservatrio das idias humanas bsicas. Observamos hoje em toda parte como 
uma raa desentabuada cede o lugar a idias polticas e social-ticas, e ao dinheiro (a 
santa trindade da sociedade industrial) e como estas exercem como Tabu um reino 
autoritrio e intolerante. Existem situaes onde uma fascinao deve ser libertada pelo 
raciocnio e o hbito, para eliminar atividades vivenciais estreis e para alcanar um grau 
mais elevado de liberdade. Mas tabu degenerado havia de ser substitudo por outro genuno 
e o medo falso, pelo respeito. Se no o homem seria degradado a um ser adaptado 
exteriormente, mas insensvel aos valores interiormente. Somente quem sabe do impulso e 
da riqueza que a vida deve ao tabu e s suas ambivalncias como fenmeno apriorstico, 
poder falar apropriadamente sobre a reduo do tabu. Infelizmente FREUD abriu, como 
aconteceu com outras idias suas, o caminho para a banalidade do pensamento ao ponto 
que pessoas de valor espiritual atribuem ao tabu um significado apenas banal. Consideram-
no
como qualidade de um tema sobre o qual todos temem falar embora, o raciocnio reconhea 
sua neutralidade, ou um ato que se receia de executar embora o raciocnio lhe atribua risco 
nenhum. A discusso sobre um fato central humano no pode ser mais rebaixado. A 
pergunta em todo o caso fica sem resposta porque a zona do impulso sexual tenha se 
constitudo no centro d tica europia, formando o paradigma de afetos ambivalentes entre 
impulso e raciocnio. Aqui no basta uma resposta histrica.
O fenmeno da ambitendncia, LORENZ (1965) pertence  ambivalncia Lorenz nos 
descreve peixes dominados simultaneamente por um estmulo ora (comida) e de fuga. A 
barbatana caudal fica na posio de avanar e a d dorso em posio de marcha a r, 
imobilizando assim o peixe.
Mais drstica ainda  a discordncia do cachorro (PAWLOW e PETROVA1 1926, 
causada simultaneamente por excitao e bloqueio. O animal amestrado para reagir 
positivamente  percepo ptica de um crculo e negativamente  de uma elipse. Quando 
se aproxima no decorrer da experincia elipse cada vez mais do crculo o cachorro fica 
incapaz de distinguir entre as duas figuras. Em vez de reagir como antes, ele cai numa 
excitao esquisita ora queixoso, ora agressivo. As tendncias negativas e positivas entram 
e: oposio sem poder vencer as intenes subjetivas. Isto nos faz lembrar atitude dbia de 
um homem que diante de uma alternativa brusca no sal tomar uma atitude e foge para a 
histeria.
PROCESSOS DE MOVIMENTO
Ignoramos se os animais tm uma alma, quer dizer se seus movimentos serem observados 
objetivamente so acompanhados de processos da conscincia subjetiva. Isto no pode ser 
nem provado, nem refutado. A vida psquica nosso semelhante nos  to pouco acessvel 
diretamente a no ser pela analogia relacionando seus movimentos corporais com os 
processos de conscincia c acompanham nossos movimentos prprios. Somente em ns 
mesmos poder observar estes processos diretamente. JENNINGS (1910) diz com razo: se 
amebas tivessem o tamanho de uma baleia e se aproximassem de ns e movimentos 
vorazes, atribuiramos s mesmas processos psquicos, e nem e ramos enganados. Por meio 
de filmes em cmara lenta podemos provar plantas que basta acelerar o ritmo dos seus 
movimentos para que estas parei animadas. Nosso juzo acerca da animao dos processos 
cinticos  subjetivos e depende do seu processo temporal e formal. Parece conveniente 
elimina medida do possvel a conscincia comparando entre si, em sua exteriorizao 
possvel apenas as formas de movimento desde aquelas que expressam prilvamente a vida 
do protoplasma unicelular at os processos psicomotores plicados da expresso de vontade 
e afeto no homem na sua aparncia ext objetiva. No fim da srie quando se chega aos 
processos de expresso mamferos superiores, das crianas e dos adultos, torna-se mais 
provvel vendar os contedos conscientes acompanhantes.
FORMAS CINTICAS VEGETATIVAS E RITMO
O modo mais elementar de locomover-se no protoplasma animal co: numa retrao e 
expanso (vede as amebas). Nos protozorios e metazorios primitivos p. ex. os infusrios 
e os vermes, vemos movimentos uniformes e simples coordenados em sries contnuas, 
regulares e repetidas de ondulaes cintilantes, flagelantes ou vermiformes que podemos 
designar como tipos de movimentos rtmicos.
No organismo dos animais superiores e do homem estas formas primitivas de movimentos 
persistem naquelas associaes celulares que funcionam com relativa independncia dos 
impulsos psquicos mantendo de um certo modo uma vida protometazoria relativamente 
autnoma. A faculdade de responder de um modo direto a um estmulo (corrente eltrica) 
com uma contrao persiste nos msculos dos animais superiores. O movimento dos 
glbulos brancos se parece com o das amebas, o do epitlio vibrtil ao das infusrias, o dos 
espermatozides ao dos girinos e o peristaltismo intestinal ao do tipo vermiforme. O 
sistema crdio-vascular constitui uma associao celular relativamente autnoma, 
substrada  influncia dos processos volitivos superiores e a contrao cardaca representa 
o tipo mais puro do movimento rtmico. No que concerne aos msculos estriados, os 
fenmenos motores podem ser considerados primitivos, independentes da vontade e antes 
de tudo os tremores puramente rtmicos. Todos estes movimentos autnomos primeiros 
muito antigo na ordem filognica que se observam nos organismos superiores constituem a 
forma motora vegetativa, conforme a nossa designao.
 interessante notar que a tendncia ao movimento rtmico se deixa seguir desde a esfera 
dos rgos vegetativos at o aparelho motor animal psiquicamente dirigido dos mamferos, 
crianas e adultos, atenuando-se visivelmente com a diferenciao progressiva da 
civilizao, em proveito de movimento arrtmicos mais complicados sem desaparecer por 
completo na fase mais adiantada da evoluo espiritual. Entre muitos exemplos citamos 
somente os movi mentos circulares das feras enjauladas e os ritmos anlogos dos idiotas, o 
papel importante da dana em todos os povos e nas crianas a tendncia de balanar-se 
ritmicamente (especialmente antes de adormecer) at os movimentos estereotipados (saltar, 
tamboricar) e a verbigerao, quer dizer, a repetio montona de sons, silabas e palavras.
Na evoluo da msica estreitamente ligada com o aparelho psicomotor, podemos seguir o 
desenvolvimento dos sentimentos e impulsos cinticos rtmicos de um modo esplndido. 
Nos assim chamados povos primitivos o ritmo  mais acentuado e mais bem diferenciado 
do que na msica moderna do crculo cultural europeu. Somente uma pessoa inexperiente 
achar essa msica mon tona e insuportvel mesmo se a repetio forma um princpio 
parcial construtivo. Se compararmos uma msica da arte musical medieval nossa com uma 
msica de hoje, veremos que a complicao  bem relativa ou que houve desistncia do 
ritmo.
As tendncias rtmicas mais simples embora recalcadas e levadas por senti mentos mais 
complexos subsistem nas camadas profundas da nossa esfera psicomotora assim como o 
simples baixo no compasso 3/4 sempre serve de melodia para uma valsa, O simples ritmo 
como a simetria tica desperta invariavelmente em ns um sentimento primrio de prazer 
profundamente enraizado no fundo da nossa filogenia, sem outros traos. Os movimentos 
arrtmicos mais elevados (andar, capacidade de trabalho) tendem a se tornar rtimicos na 
medida em que se tornam automticos e comuns. Os movimentos rtmicos elementares 
reaparecem quando o aparelho psquico regulador se debilita por influncias mrbidas.
MOVIMENTO DE TATO  ABREVIAO DE FRMULAS  REFLEXOS 
MOTORES
A tendncia de movimento  inata a todos os seres vivos, homens e animais. J os 
protozorios mostram movimentos espontneos, vivos e persistentes. Seu grau  regulado 
pelo, processo metablico dentro do organismo especialmente em momentos de cansao, 
descanso, saciedade e fome. No podemos diferenciar nitidamente movimentos 
espontneos e de reao. Dos movimentos de reao e da ao recproca entre o indivduo e 
seu ambiente desenvolve-se a psicomotilidade complicada, a psicologia dos processos de 
expresso.
Um infusrio nadando com movimentos espontneos vivos dentro dgua  atrado por 
zonas favorveis quanto ao alimento, luz e oxignio (reao positiva) e repelido por zonas 
desfavorveis (reao negativa ou de fuga). Supunha-se freqentemente que essa orientao 
era o efeito de leis fsico-qumicas elementares, uma excitao local sobre a parte mais 
prxima do animal, provocando mudanas no estado do protoplasma, contraes, variaes 
de formas etc. que em animais de simetria bilateral por um mecanismo anlogo  mudana 
de rumo de um barco por meio do leme, teria por conseqncia um desvio do movimento 
do organismo no seu todo. Trata.se.ia ento de reflexos primrios quer dizer de uma auto-
regulao pela qual a um certo estmulo se provocaria sempre um determinado movimento.
Esta teoria do tropismo ou de excitao local no se desenvolveu ao ponte que nela se 
pudesse criar a base para a compreenso generalizada do desenvolvimento dos processos 
superiores de reao e expresso. Experincias cuidadosas revelaram o seguinte 
(JENNINGS 1910): Um pequeno animal que s aproxima de uma zona desfavorvel reage 
com Movimentos de ensaios estmulo ameaador desencadeia nele uma superproduo 
de atividade irregular usando freqentemente todos os modos e orientao de movimentos 
de qu dispe um em seguida ao outro. Se entre eles h um que o separa da zona perigosa, o 
efeito de excitao cessa e com ele os movimentos de ensaio e animal nada ou corre 
automaticamente na direo iniciada. Encontramos este tipo de reao em animais mais 
evoludos (pssaro ou camondongo) encerrado num quarto sob condies ameaadoras.
Se uma mesma excitao atua em seguida sobre um animal, ele muda d conduta. Quando se 
excita o infusrio fixo Stentor com gros de carmi] dentro dgua no h reao imediata 
e ele continua a captar a gua com se duos (A). Repetindo a excitao ele se recolhe 
lateralmente fugindo da nuvens de carmin (B). Repetindo as excitaes a reao B passa 
para a reao ( invertendo o movimento dos clios que rejeita as partculas do carmin, e
fim da reao D, uma contrao do corpo todo para dentro do tubo protetor. Depois de 
inmeras repeties desta experincia evidencia-se que o animal no mais percorre toda a 
escala de movimentos mas que, ao entrarem contacto cor
Movimento de Tato  Abreviao de Frmulas  Reflexos Motores o carmin ele 
responde imediatamente com a contrao (D). Em vez da formula de movimento
No se sabe exatamente se o animal repete toda a seqncia de atitudes fisiolgicas A
BC-D mas num ritmo to abreviado que as etapas intermedirias escapam  nossa 
percepo.
Esta Lei da abreviao de Frmulas de Atos freqentemente repetidos  uma lei biolgica 
bsica que se aplica a todos os animais. Fundamenta-se sobre ela no homem no somente a 
aprendizagem de toda atividade simples como andar, nadar ou qualquer habilidade manual, 
mas tambm o exerccio dos mais importantes instrumentos de expresso psquica mais 
elevada: escrita, fala, mmica e gestos. Em breve, tudo que liga psiquicamente o homem ao 
homem consiste de tais frmulas abreviadas. Isto  conseqncia da forma mais exata da 
evoluo desde a srie de sinais figurativos. No devemos esquecer que os processos vitais 
devem ser concebidos no puramente parciais e mecnicos, mas como totais e deliberados. 
Na evoluo individual do homem desde a tenra infncia a atitude motora se estrutura nas 
seguintes fases:
1. Superproduo de movimentos
2. Seleo dos movimentos suplementares e prolongamento daqueles que neutralizam o 
estmulo
3. Abreviao da frmula do processo seletivo
4. Fixao da frmula abreviada, quer dizer, fixao progressiva da reao escolhida por 
repeties constantes.
Assim os movimentos escolhidos do lugar aos hbitos e finalmente aos movimentos de 
reflexos, ou seja reaes totalmente estereotipadas em face a um dado estmulo.
A atitude psicomotora do adulto se desenvolve em geral nas fases 3 e 4 de modo que a 
maioria dos atos necessrios se alimenta de reflexos elaborados ou de hbitos 
(automatismos), quer dizer de frmulas de abreviao enquanto que as relaes seletivas se 
aplicam em situaes novas especialmente complexas.
Um fato muito importante na filogenia  que os seres superiores transferem cada vez mais 
de fora para dentro as reaes seletivas. Elas se desenrolam menos na motilidade perifrica 
do que na conscincia. O novo impulso enquanto age dentro dos esquemas de reao 
aprendidos, no causa mais movimentos excessivos mas processos de pensamento 
acompanhados de mudanas de nervos, tendo por resultado final o movimento utilitrio. 
Isto se mostra somente no homem e nos animais mais evoludos (macacos) pode-se notar 
um princpio. Como ante-grau e base desse alvio de movimentos diferenciados existe na 
esfera humana uma segurana surpreendente de adaptao primria no caso de atividades 
novas e a conscincia no planeja mas tenciona apenas. (CHIu5TIAN 1956, DERWORT 
1948). Todos os animais e mesmo os menos evoludos mostram alm da necessidade de 
experimentar por excesso de movimentos na sua adaptao exata e imediata a impulsos 
variados a inteligncia motora voltada para dentro. A experincia no procede mais por 
movimentos visados, mas imediatamente na esfera da percepo e do ato (WEIZSACLER 
1950) e germes de movimentos (idias de movimento). A este ato seletivo ligam-se 
processos de conscincia que chamamos de processo volitivo. Um. tal processo, produto 
inicialmente composto de elementos figurados (representao finalista) e correntes afetivas 
(prazer e desprazer) adquire carter prprio de formao psquica merecedora de uma 
descrio especial pois representa um germe de movimento, ou seja: da sua tendncia direta 
ou indireta de manifestar-se por vias psicomotoras, movimentos finalistas, escrever ou 
falar. O tpico do ato voluntrio acabado que no coincide com hbitos ou reflexos  que 
ele constitui um processo seletivo ou de eleio, no ensaio sucessivo interior de germes de 
intenes psicomotoras.
EXPRESSO VOLITIVA E AFETIVA
Seguimos at agora os atos motores sem nos preocuparmos com os processos de 
conscincia. Agora podemos voltar nossa ateno para os processos psquicos ligados aos 
movimentos. Aquilo que vimos at agora por fora, ser contemplado por dentro, estudando 
a vivncia do indivduo que executa tais movimentos.
O movimento espontneo vegetativo (batida do corao) e os movimentos de reao 
correlatos provocados por estmulos simpticos ou espinhais (reflexo pupilar ou rotular) se 
passam sem processos de conscincia ou so percebidos durante os movimentos sem que o 
processo motor fosse vivenciado pelo indivduo como ato. No dizemos eu bato com meu 
corao mas sim meu corao bate e eu o percebo.
A situao psquica  muito parecida quando se trata de reflexos ou hbitos de movimentos 
seletivos com inervao cerebral. No momento em que meu p escorrega minha mo num 
gesto relmpago procura o apoio mais prximo. Ao descrever este movimento de reflexo 
dizemos (como na batida do corao) Minha mo procurou um apoio. Mas 
freqentemente, porm dir-se- Procurei instintivamente um apoio sendo que a palavra 
instintiva mente exclui um ato proposital diferenciado, sendo a participao do E1 
implcita. Existem infinitas fases intermedirias dos atos motores sem a mnima correlao 
com a conscincia passando por reflexos e hbitos psquicos relacionados incerta e 
vagamente com o EU at os atos voluntrios propriamente ditos, com uma participao 
clara e ciente no ato motor.
Se um processo volitivo consiste objetivamente na sua reao seletiva, ele representa 
subjetivamente a experincia pela qual, elementos psquicos participam na execuo do ato 
cintico. Enquanto que nos reflexos inferiores este ato  diretamente provocado pela batida 
no tendo, ou seja, por um fato mecnico e no psquico, ele resulta no processo volitivo da 
deciso, que dizer por um ato psquico que liberta ou abre a via para a inervao. i 
conscincia do livre arbtrio repousa sobre a experincia direta da reao seletiva, a 
conscincia de escolher entre vrias reaes possveis. O livre arbtrio como experincia 
direta constitui uma realidade fenomenolgica que pode servi para examinar sob o ponto de 
vista da casualidade objetiva as leis comuns. Esta idia que na experincia subjetiva direta 
parece ser a mais razovel dentro do quadro da observao causal naturalista, vem a ser o 
estmulo biolgico mais forte e a causa preponderante que necessariamente se faz sentir. A 
idia da finalidade, que acompanha o ato voluntrio e para o aspecto objetivo a causa de um 
determinado movimento do mesmo modo que aparece como finalidade do mesmo na 
experincia subjetiva.
Encontramos na psicomotilidade mais elevada ao lado dos atos de livre arbtrio um grupo 
que podemos denominar de movimento de expresso afetiva. No  difcil reconhec-los 
como reflexos, especialmente como atos seletivos finalistas. Quando cerramos os punhos 
num acesso de raiva deixa-se perceber facilmente o sentido original de um movimento de 
ataque contra um adversrio. DARWIN (1910) estabeleceu uma teoria filogentica de uma 
expresso afetiva  depois de pesquisas cuidadosas feitas em homens e animais  
apresentando-a como rudimento atvico de movimentos racionais em sua origem. Assim o 
alar irnico do lbio superior serviu primitivamente para mostrar os dentes caninos num 
rito de ameaa. O choro serviu para eliminar um corpo estranho irritante, a pele de ganso 
uma fraca tentativa sob o domnio do medo de eriar os pelos, para assustar o inimigo. 
Outros movimentos afetivos correspondem, segundo DARWJN ao princpio de contraste 
sendo que afetos opostos provocam uma inervao oposta como  o caso no cachorro que 
exprime sua hostilidade pelos msculos tesos e andar ereto, e seus sentimentos de afeto e 
amizade pelo relaxamento da musculatura e atitudes rasteiras, curvas e apaziguadoras sendo 
que o 1.0 tipo representa a finalidade, e o 2.0, o contraste. Acreditamos, porm que esta 
explicao filogentica possa satisfazer mas no convencer. Fica aberta a questo se elas 
resolvem satisfatoriamente o problema da Expresso, exaurindo-o. Um terceiro grupo de 
expresso afetiva especial mente relacionado com os aparelhos vegetativos (pulso, sistema 
vasomotor, peristaltismo) parece ter uma origem bem mais primitiva, sendo que afetos 
fortes mobilizam uma energia nervosa excessiva que irradia sem direo especfica sobre 
todas as clulas excitando ou paralisando-as (Psicossomtica).
O fato  importante que num estado psquico primitivo  difcil distinguir entre expresso 
de vontade e de afeto bem como os processos de conscincia que servem de base. Os atos 
motivados mais complexos que tm sua origem em eleies intra-psquicas de ordem 
superior so pouco importantes nos animais e nas crianas pequenas. Reagem geralmente 
de um modo muito mais impulsivo e imediato que o homem s impresses sensoriais 
diretas, precipitam-se sobre um alimento quando o vem, e ao primeiro sinal de alarme eles 
atacam ou fogem. O estmulo sensorial provoca imediatamente o ato da exploso motora. 
Estas reaes so alternativas, positivas ou negativas, uma resistncia cega, medo 
insupervel ou uma submisso absoluta, ou uma fascinao sem limites, um simples sim 
ou no sem as tonalidades intermedirias de inibies e condutas indiretas que as 
reflexes motivadas da vida impem sobre a afetividade elementar. Faltar-lhes ipso fato 
elemento moderador e apresenta-se como desenfreada e excessivamente forte e 
persistente.
IMPULSO  INSTINTOS  INTELIGNCIA
A afetividade dos animais  provocada preponderadamente por motivos imediatamente 
vitais, certos pontos de gravidade em redor dos quais se agrupam: alimentao, vida sexual, 
ordem hierrquica, e autodefesa. Os instintos lhes servem como esquema dos movimentos 
condicionados pela situao.
Um estmulo, uma vez provocado, desperta um afeto forte e difuso que se resolve em 
reaes motoras. Estas reaes, conforme vimos, so comparveis com as formas de afeto 
humano como: alegria, desejo, medo e dio e so ao mesmo tempo racionais porque 
implicam em movimentos de aproximao, intimidao, ataque ou fuga, face ao objeto 
provocador do estado afetivo. Tais formas de reao que associam a expresso afetiva e 
volitiva (quer dizer uma orientao finalista preconcebida sobre um objeto) constituem 
reaes impulsivas. Nas exploses afetivas de crianas pequenas vemos com uma nitidez 
indisfarada o objeto visado. Como no adulto os mecanismos do afeto e da vontade se 
diferenciam de uma maneira pronunciada, torna-se difcil infundir por via motora 
tendncias volitivas na forma de uma expresso afetiva. Ou ele reage face a face uma 
situao de modo reflexivo com movimentos afetivos espontneos ou ele tenta provocar 
expresses afetivas com um fim determinado. Nestes casos elas nos parecem artificiais 
ou teatrais e ns sentimos a incongruncia dos atos motores voluntrios (expresso de 
vontade) a coordenao automtica dos movimentos (expresso volitiva) e expresso de 
senti mentos (expresso de afeto) que no se difundem entre si.
Os termos impulso, instinto so freqentemente usados como equivalentes e no 
podem ser diferenciados pelo seu conceito. Impulso (a imaginao de uma necessidade 
com seus fatores acompanhantes) designa o processo afetivo, Instinto (capacidade inata 
de reagir irrefletidamente de um modo racional em dadas situaes)  a frmula fixa 
especial pela qual ele se exprime. Existem no homem frmulas volitivas que no precisam 
ser ensinadas, processos reflexivos e meio-reflexivos como no decorrer do ato sexual nos 
detalhes do jogo amoroso da conquista e da consumao do ato. Os processos motores da 
alimentao e certas atitudes em caso de grave ameaa da vida no sentido dos sndromes do 
susto e do pnico so igualmente de um carter reflexo-esquemtico: fingir-se de morto ou 
ficar imobilizado (reao hipntica-de estupor) e movimentos descoordenados. Trata-se de 
reflexos altamente integrados, mas no de atos instintivos.
Falar de impulso nos animais representa uma hiptese transcendental de difcil 
comprovao que, entretanto, como tantos outros antropomorfismos, na psicologia dos 
animais pode ter sua valia no sentido terminolgico e heurstico. No instinto entretanto, 
trata-se de uma abstrao natural nas cincias naturais de fenmenos e de complexos 
motores. No homem os impulsos se tornam evidentes pela introspeco e por isto naturais, 
enquanto que os instintos no podem ser verificados mas apenas supostos. Em terceiro 
lugar devemos considerar a inteligncia. Podemos conceb-la num sentido duplo. A capa 
cidade de refletir fenmenos, de compreend-los sob seus aspectos objetivos, psquicos e 
lgicos, de pes-los e manipul-los de acordo, cabem somente ao homem. Tambm os 
animais sabem conceber em alto grau as relaes e as diferenas no mundo perceptivo, 
dominando-as racionalmente.
A diferena entre uma ao instintiva e uma de inteligncia (ao volitiva intencional) 
explica-se da melhor maneira com o conceito de ALVERDE (1925):
As aes dos homens e dos animais se compem de constantes (K) e variveis (V) sendo 
que as primeiras representam os elementos fixos de cada ao, a parte formulatria 
transmitida por herana o patrimnio da conduta (BUEHLER 1960) sendo que os 
elementos variveis so aqueles que o ser vivo adquire de um ou outro modo pelo efeito da 
adaptao s diversas condies do meio. No existe uma oposio absoluta entre K e V 
que no so outra coisa se no os pontos finais de toda uma srie de transies.
Os mecanismos rgidos instintivos que intervm na construo dos ninhos dos passros, por 
exemplo, contm tambm elementos variveis que se adaptam  situao como os 
referentes  seleo da localidade e material escolhido. Chamam-se de aes instintivas 
aquelas em que predominam as constantes (K), e as de aes inteligentes aquelas em que 
predominam as variveis (V). No homem as aes impulsivas so condicionadamente 
constantes (por que aprendidas em maior volume e variedade) e as de inteligncia so 
condicionalmente variveis (porque repousam no esquema de reao inata). Somente 
quando a capacidade cerebral  reduzida por doena podemos falar de uma ao de impulso 
pura (embora atrofiada) em situaes carentes de afeto e pobres de uma a1o de 
inteligncia. Trata-se evidentemente de casos limtrofes.
Salta aos olhos que no homem, as aes de inteligncia so bem mais importantes do que as 
de impulso, do que nos animais. O homem deve aprender quase tudo desde a hora do seu 
nascimento e pratic-lo. Somente poucos movimentos como o de sugar e virar a cabea so 
reflexos sem experincia. No devemos esquecer que na execuo de aes variveis 
humanas reside uma fonte instintiva. A tendncia geral  hereditariamente fixada mas a 
execuo especial varia afetiva e intelectualmente. Assim sendo o contraste absoluto de 
natureza e cultura oriundo da filosofia racionalista e particularmente de ROUSSEAU e 
que se reflete na teoria psicoanaltica, no  exata. Instituies complexas da vida cultural 
como sistemas de moral, estado e religio e o casamento no so apenas produtos artificiais 
e arbitrrios de sacerdotes, legisladores e castas, mas produtos complexos em todos os 
povos com razes afetivas fortes e racionalmente infundados. T somente atos vitais como os 
sexuais possuem razes instintivas mas tambm a dominao dos instintos e a adaptao 
social o so. No intercmbio dos dois, ligado talvez s condies climticas-regionais 
desenvolvem-se de um modo altamente irracional (e por isto de difcil explicao) as regras 
ticas que secundariamente apenas se justificam com o raciocnio.
 impossvel separar-se as atitudes criadas pela tradio, das atitudes criadas pela 
hereditariedade como instintos no sentido mais limitado da palavra. Este quadro tradicional 
de ritos e ordens sociais ensinadas e aprendidas (ordem hierrquica, Eros e cultos) nada 
devem em sua rigidez e cerimonialidade aos instintos dos animais. As imagens sociais e 
frmulas de conduta (acento autoritrio e defesa contra o incesto) variam de povo para 
povo mesmo em condies iguais de clima de tal forma que o esquema inato de impulsos e 
instintos deve ser muito fraco. A natureza humana permite a satisfao das leis de utilidade 
dentro de um quadro bastante amplo. Certas formas de movimento como expresso de 
alegria e simpatia (sorriso) conquista, submisso, ameaa, ataque e fuga, bem como 
movimentos histricos de pnico so vlidos como prottipos elementares de reaes 
comumente aceitas (BLIZ 1940, 1969).
Tanto as aes instintivas como as inteligentes tm sua finalidade biolgica. Mas a 
finalidade  sumdria-esquemtica quanto na inteligncia ela  especial -acomodativa, 
adaptada s situaes de cada vaso. A vantagem da ao inteligente consiste no seu uso 
imediato, da velocidade incrvel e segurana automtica da sua engrenagem. A grande 
desvantagem consiste do outro lado em sua rigidez que em situaes novas pode resultar 
exatamente no contrrio daquilo do que pretende, prejudicando o indivduo. Existem 
exemplos grotescos como a liblula que devora como uma mquina seu abdomem quando 
este  aproximado da sua boca ou a aranha de VOLIcERT que somente  capaz de 
apoderar-se da sua presa quando esta se encontra na teia mas que morre de fome ao lado de 
uma mosca em circunstncias diferentes. Podemos com parar no homem os pontos 
favorveis e desfavorveis de ambos os modos de comportamento nos sndromes de pnico 
e medo e em muitas manifestaes de um histerismo quase instintivo.
Na zoobiologia distinguimos os seguintes componentes (disposio de reao e eventos 
correspondentes) 1. um mecanismo de apetncia congnito, 2. um mecanismo 
desencadeante de comportamento, 3. a disposio momentnea (disposio, 4. um ato 
instintivo. Quanto maior o intervalo desde a ltima descarga instintiva, tanto mais baixo o 
valor liminar. Quando um instinto demora em descarregar-se o organismo inteiro se 
inquieta, dando-se uma marcha em vazio sem objeto de descarga.
Na biologia humana encontram-se paralelos significativos. Certas mulheres por exemplo 
queixam-se ao mdico de certas sensaes de angstia que sobem desde o hipogstrico at 
o corao associadas com inquietude fsica torturante e que irradia s vezes com fortes 
palpitaes e paroxismos trepidantes da extremidades superiores e espasmos da faringe. 
Trata-se regularmente de mulheres que no satisfazem seu apetite sexual de h muito, 
vivendo em matrimnios insatisfatrios. No se trata ao meu ver de aes psquicas 
complexa, mas de comutaes elementares energticas que convergem no aparelho 
vegetativo e psicomotor. Mobiliza-se assim o organismo inteiro devido a simples instintos 
retidos.
COMPORTAMENTO
Investiga o de conduta em animais (Loiu 1968, von HoLsr 1960 TINBERGEN (1952 e 
outros) permitiu aprofundar-nos consideravelmente nas lei que regem o mundo instintivo. 
Os resultados no podem ser imediatamente transferidos nos homens. Alguns entretanto 
evidenciam claramente certa regies singulares da sociologia, criminologia e teorias das 
neuroses. Pem-s em relevo algumas razes ocultas de tendncias e impulsos contidos em 
ato humanos complicados. Para o parecer forense estes conhecimentos se tornam muitas 
vezes indispensveis ao mdico.
Estmulos chaves so sinais, desencadeantes em que os animais reagem  vezes cegamente, 
em determinados aspectos de uma situao externa. Dentro de uma zona sensorial somente 
uma parte dos impulsos recebidos se tom atuante. Em geral um ato instintivo responde a 
poucos estmulos. Tudo em redor no tem importncia nenhuma. Isto  comprovado por 
experincia de engodo. Dando-se a um pintarroxo macho dentro do seu habitat 2 engodo 
sendo que um deles  um pintarroxo sem as penas vermelhas no peito, empalhado, e o outro 
apenas um apanhado de penas vermelhas preso num galhode rvore, ele atacar o segundo 
muito mais do que o primeiro (LAcx 1943) O estmulo  apenas o vermelho e no a 
configurao global da ave. Existem muitos exemplos semelhantes entre peixes, aves e 
insetos nos quais a reao instintiva  provocada pelo olfato, as formas de movimento, parte 
da trajetria estmulos acsticos especiais, excluindo-se a reao por instinto (sexual, de 
agresso e de cria).
Semelhanas com este mecanismo de sinalizao se observam tambm nos seres humanos, 
mesmo os que se encontram em primeiro plano: a atrao ertica por exemplo (e a rejeio) 
se transmite menos pelo palavreado que pela transmisso de pequenos sinais, movimentos, 
mmica e gestos. Parece s vezes estranho com que facilidade os homossexuais se 
comunicam dentro de uma reunio de pessoas. O mesmo se aplica ao estabelecimento 
ertico normal entre pessoas. Na indstria cinematogrfica e na propaganda desenvolveu-se 
um negcio metdico nesta base, O cinismo que a expresso bomba sexual revela no se 
refere somente s curvas femininas, mas tambm  mensagem transmitida pelas atitudes e 
expresso facial que no passam de sinais estimulantes. Os xitos dos afamados Dom Juans 
se explicam da troca desses sinais e no da fala e gestos ou trejeitos ensinados. Os 
inseguros, os pouco amadurecidos no aprendero nunca de todas as bblias do Bom Tom 
o modo de agir, porque interpretam de modo errado os sinais emitidos ou ficam inibidos 
quanto  prpria pessoa. Sob o conceito de Falta de instinto em relao a sinais erticos 
(1966) analisei estes fenmenos em certos casos isolados. No terreno da propriedade e do 
prazer estes mecanismos de sinalizao desempenham um papel de primeira grandeza. A 
misso mais importante da propaganda comercial consiste em, baseado nos impulsos mais 
primitivos, exercer um mecanismo de desinibio para automatizar as vendas. A pedagogia 
e a psicoterapia no podem abrir mo dos impulsos chave para ensinar e fortificar o sucesso 
obtido.
Tambm no terreno dos impulsos agressivos deve-se atribuir aos impulsos chave a devida 
importncia.  bem conhecido que demagogos bem sucedidos, contrariando toda 
expectativa racional se negam a variar a expresso verbal das suas crticas averbadas, 
lanando sempre os mesmos chaves no auditrio. Chaves so estmulos-chaves que 
exigem um automatismo adquirido. No seria nada difcil citar exemplos do vocabulrio 
usado pelos fanticos parti drios, de qualquer linha poltica que seja, onde no se trata 
mais do contedo e do sentido do complexo total emprico, mas somente da sonoridade da 
palavra como sinal. Em casos extremos podemos observar que de duas palavras que 
possuem praticamente o mesmo sentido uma  recebida com aplausos frenticos e a outra 
com manifestaes de raiva. Palavras-sinais usam-se tambm em sentido antagnico, por 
exemplo liberdade como sinal de revolta para excitar as massas, uma agresso sangrenta 
que leva a uma supresso brutal. Tambm aqui a emisso e captao de estmulos-sinais 
instintivamente seguras so decisivos para o resultado agressivo (muito mais drasticamente 
do que no erotismo ou em outra ocasio) onde os estmulos acsticos (rufar de tambores, 
ritmo) e ticos (bandeiras, uniformes) reforam a inflamao impulsiva.
Sobressalto. Observou-se que animais executam movimentos que evidentemente no 
pertencem  atitude instintiva deflagrada. Assim por exemplo, galos de briga comeam de 
repente a picar o cho, (os pssaros estorninhos) interrompem a briga para limpar suas 
penas com movimentos exagerados, gaivotas interrompem de repente uma briga feroz para 
arrancar material dos seus ninhos. A chispa salta do setor-instinto inicialmente excitado 
sobre um outro. Este movimento de sobressalto se origina numa superexitao quando sua 
descarga direta se torna impossvel especialmente quando dois impulsos de fora igual 
entram em choque ou quando num impulso forte (sexual) situao externa no basta para 
provocar o ato executivo. Em todas as situaes de sobressalto os animais causam uma 
impresso nervosa de superexcitao.
Numa formulao neutra podemos dizer que o sobressalto equivale a uma descarga de 
excit Conforme a minha suposio (1953 a) as descargas de impulso que so anlogas ao 
ato de sobressalto irrompem no homem em situaes de exceo ilhadamente o que  
importante em criminosos e reaes anormais. As manifestaes e correlaes so mais 
estratificadas no homem no havendo somente atos sbitos de sobressalto, mas tambm 
retenes premeditadas de instintos mltiplos que se reforam de um modo dinmico e se 
abrem caminho quando menos se espera de um modo irracional como num experimento 
fsico. No homem podemos ento verificar um sobressalto repentino bem como um sobre 
carregamento encoberto da personalidade global na qual se sucedem atos premeditados 
aparentemente muito rebuscados durante semanas ou meses mas que num nexo biogrfico 
so desprovidos de sentido. (Veja captulo Impulsos). Os fenmenos de sobressalto e 
surpresa foram integrados no conceito genrico de irradiaes instintivas.
Impregnao (em perodos sensitivos transitrios).  de grande interesse para a biologia 
humana saber se instintos hereditrios podem ser desviados mediante estmulos externos, e 
em que condies. LOaENZ (1967) chamou isto de impregnao (Praegung). Quando se 
separam os gansos cor de cinza dos seus genitores no momento de sarem do ovo, eles 
seguem o homem que vem primeiro e no outro ganso cinza, e tampouco os prprios pais. 
TINBERGER (1952) demonstrou em jovens ces de esquims que tais perodos 
supersensitivos se manifestam no somente na infncia, mas tambm na puberdade. Os 
jovens animais no possuem instinto para as linhas de demarcao da sua regio. Eles 
correm por toda parte e mal grado as experincias infelizes nada aprendem. Quando 
chegam  maturidade sexual eles percebem rapidamente suas derrotas. Cessam as 
transgresses das fronteiras. Dentro de uma semana depois da primeira cpula eles 
defendem sua prpria regio e evitam as dos outros. Na biologia humana as nossas 
experincias clnicas nos permitem supor que no somente a primeira infncia mas tambm 
a puberdade representam fases de impregnao no desenvolvimento do impulso. Do outro 
lado devemos evitar construes casuais prematuras entre a vivncia da infncia incipiente 
e a posterior evoluo da conduta. Muitas vezes a relao  inversa e o impulso existente e 
genuno causa ou forma as vivncias.
WOLFENRERGER-HAESSING (1969) desenvolveu uma hiptese interessante que atribui 
ao homem dois interesses bsicos crebro-fisiolgicas, o interesse pelos objetos e o 
interesse pela vida. Enquanto que a atitude para com o ambiente deve ser aprendido de 
novo a digesto das informaes humanas-universais j constri sobre o sistema inato, 
scio-fsico. Este ltimo falta no autismo da infncia incipiente, pelo qual somente 
participa no mundo objetivo, faltando o contato e a relao com o mundo humano. No 
indivduo normal a psique instintiva social e a psique vital se desenvolvem e forma 
desde a tenra idade o que inclui exigncias pedaggicas correspondentes. Mesmo que este 
pensamentto no estivesse vlido teria grande valor como ponto de vista diferencial.
Queremos abranger todas as variantes simples e comparveis para as leis de 
comportamento PLOOG (1969) elaborou 5 princpios vlidos para homens e animais que 
formam o fundo de todas as manifestaes vitais e que se modificam de modo caracterstico 
em todos indivduos sos ou doentes: 1.0 Bases evolutivas de comportamento; 2.0 a 
organizao hierrquica do comportamento e do sistema nervoso central (hierarquia de 
origem); 3 acumulao de energias especficas de ao para aes instintivas; 4o 
Homeostase e periodicidade nos organismos; 5. sistemas de sinalizao biolgicas. Isto 
significa que no indivduo psiquicamente perturbado pode acontecer o seguinte: 1.0 
comportamento animalesco; 2.0 tendncias subordinadas e limitadas podem adquirir um 
papel preponderante; 3 gasto de energia em excesso em tais impulsos; 40 a energia  
periodicamente dirigida em certas circunstncias sendo que a homeostase correm perigo e 
5 a reao aos sinais muda quantitativa e qualitativamente.
Segundo a opinio do autor o leitor encontrar suficientes exemplos para
cada uma das hipteses neste livro.
ESQUEMAS MOTORES
Os esquemas motores respectivamente psicomotores foram introduzidos por mim 
como genricos para todos processos cinticos ajustados a normas, num sentido mais lato, 
que se distinguem tanto em circunstncias normais como paralgicas (1953 b). Este 
conceito no se prope declarar nada sobre a origem e a combinao biolgica. Ele encerra 
frmulas de reflexos e instintos filogenicamente formados e seus fragmentos, bem como os 
automatismos secundrios ontogenicamente criados no andar, nas atitudes e gestos bem 
como as integraes escalonadas na fisiologia cerebral descritos por MAGNUS e KLEIN 
(1912) JACKSON (1921 e muitos outros e por fim os mecanismos patolgicos conhecidos 
na neurologia e psiquiatria. A psiquiatria pura no s nos permite penetrar na vida 
espiritual mas nos pe perguntas neurologicamente interessantes.
Todos os elementos supostos devem ser colecionados e descritos como fenmenos motores 
puros tanto se eles existem sempre no indivduo so e desaparecem sob condies doentias, 
ou permanecem ocultas no indivduo so desinibindo-se no doente. Depois de tudo ter sido 
colecionado com muito cuidado pode-se iniciar a comparao entre instintos animalescos e 
certos esquemas de movimentos e comportamento humanos etc., formulando 
hipoteticamente suas bases filogenticas, ontogenticas e cerebro-fisiolgicas.
Livros didticos usam expresses como: rgido, abobalhado, bizarro maneirado, etc. 
Descrevem em termos leigos e populares a impresso que certos fenmenos psico-motores 
causam ao espectador. Precisa entretanto descrev-los na sua seqncia cintica assim 
como se faz com os casos neurolgicos como simples formas estruturais independentes de 
contedo e expresso:
1. a tonicidade, como transies que exprimem a expresso desajeitado
2. o grau de integrao do conjunto motor em expresses como: volvel desajeitado. 
Em graus de desintegrao fortes freqentemente no se alcanam frmulas de expresso e 
de produo fechadas ou estes so per turbadas por impulsos transversais anlogas  corea 
(KAHLBAUM 1884).
As imagens psicomotoras como as da hebefrenia ou catatonia se movem dentro de 
esquemas motores que podem ser isolados e descritos. Trata-se de automatismos motores 
totalmente desenvolvidos ou de pedaos dos mesmos. As frmulas psicomotoras podem ser 
observadas separadamente dos contedos psico-patolgicos tendo s vezes uma relao 
muito frgil com os mesmos. Os afetos dos pacientes em vez de penetrar nas frmulas 
mmicas comuns se desviam para os esquemas motores patolgicos e parecem 
descompostos. Existem tambm vcuos psico-motores como p. ex. o franzir da testa para-
mmico que no representa nenhum contedo sendo por isto despido de qualquer valor 
expressivo.
Na esquizofrenia por exemplo, os mesmos esquemas motores podem encerrar contedo 
distintos:
a) vivncias mgicas
b) Psicose de fachada atitude de defesa ou exigncia superficial no limite do intencionado.
Ao analisarmos estes processos sob o ponto de vista neurolgico e psicopatolgico 
expresses como tolo no mais nos podem satisfazer.
Como exemplo de um automatismo normal que desaparece em situaes doentias podemos 
descrever reflexos adversos aos quais todo homem recorre quando encontra um parceiro de 
discusso ou um plenrio (o que falta na esquizofrenia autista, depresses graves, idiotice e 
Parkinson). O mesmo vale para afetivo inicial (reflexo de imobilizao) que se d quando 
uma criana nova se encontra entre pessoas alheias. Isto tambm ocorre em adultos 
sensveis e desaparece em casos de desinibio e emoes mais fortes. Reflexos adversos e 
de imobilizao se do tambm nos animais que vivem no seu habitat natural e em 
determinadas circunstncias sua falta representa perigo de vida. A ateno imediata assim 
como a imobilidade tm fins diferentes, o primeiro serve para estabelecer contacto com 
parceiros ou inimigos, o segundo para observar o ambiente, a invisibilidade perante o 
amigo, a cepulao, etc.
O automatismo escondido que, depois da poca de amamentar aparece somente na doena  
representado por: reflexo de sugar, de apalpar e mecanismos descritos por MAGNUS e DE 
KLEYN.  interessante seguir o desenvolvimento regular quando tais esquemas motores se 
apresentam como na escala de retrocesso de estados comatosos. BENTE e WIESER (1953), 
BIRKMAYER, FRUEHMANN e STROTZKA (1955) descreveram, o acordar depois do 
paciente ter sofrido um choque eltrico. WISERNAR (1955) baseado em casos crebro-
orgnicos aprofundou-se nos esquemas motores que aparecem na diminuio da atividade 
oral. Ele descreve: o automatismo da procura, presso oral o reflexo de buldogue (reflexo 
tnico de morder e prender o objeto mordido, reflexos de sugar, mastigar e engulir.
Mesmo figuras complexas de movimento como os de trepar, poder surgir livremente  
superfcie como esquemas motores tpicos em casos de desintegrao cerebral profunda 
descritos por PILLERI (1960) numa fase final de doena de ALZHEIMER: Movimentos 
trepadores manifestos, levantando e baixando a mos como num mastro  Atitude 
homloga entre um infante que mam e um smio.
Os atos volitivos e cinticos comuns das pessoas ss encobrem automatismos mltiplos 
para os quais a vontade consciente no fornece ordens d4 execuo, mas somente a chispa 
inicial. A participao de tais esquemas n execuo total de atos psicomotores costuma ser 
muito subestimada. A estereotopia motora doentia causa em mais alto grau a perda de 
liberdade referente ao comportamento (PLo0G 1957).
Fig. 14 Esquema motor. Reao, de bloqueio causada e orientada oticamente num estado 
final crebro-orgnico.
Sempre dei muito valor nas minhas pesquisas de descrever detalhadamente as reaes 
motoras como estruturas formais no compreensveis, quer dizer, abstraindo os contedos 
de conscincia ocultos atrs deles e da impresso geral que nos causam. Neste aspecto 
nosso modo de proceder se assemelha s teses do Behaviorismo americano, com as 
pesquisas valiosas de PAWLOW (1926) e os reflexos condicionados e o estudo de 
comportamento zoolgico e psiquitrico. (PW0G 1969).
A pesquisa psicolgica ficaria sensivelmente reduzidas se se pretendesse dogmatizar este 
mtodo de trabalho como sendo o nico vlido conforme o postulam s vezes seus 
seguidores extremados. O estudo dos processos psquicos internos compreensveis bem 
como as anlises do seu contedo consciente constitui uma peculiaridade da pesquisa 
psicolgica no sendo nem por isto menos cientfico ou bem sucedido. Cada qual no seu 
lugar e pesquisados por mtodos adequados possuem um valor igual. Os aspectos internos 
dos fenmenos devem ser admitidos com muito cuidado e objetividade no desfigurando-os 
por teorias a priori e palavras empoladas. Os aspectos internos e externos formam dois 
modos complementares dos fenmenos psicolgicos vitais, e com isto a realidade. Ambos 
so igualmente reais.
7 CAPTULO MECANISMO HIPNICOS
A ALMA COMO FATOR INTERNO E EXTERNO
Ser que podemos descobrir na vida psquica do adulto civilizado suas fases evolutivas 
anteriores? Esta sua vida psquica revela os anis de crescimento da sua filognese? O 
crebro apresenta uma estrutura francamente evolutiva. Quando falamos em seguida de 
camadas psquicas (ROTHACKER, 1966) trata-se de uma expresso figurativa sem nos 
preocupar se ela corresponde a aparelhos cerebrais sobrepostos no curso da evoluo ou se 
estas camadas significam apenas diversos modos de funcionamento ou a aplicao do 
mesmo aparelho, tanto um quanto o outro  possvel. Devemos, entretanto fixar o seguinte:
Quando falamos de aparelhos psquicos queremos dizer a funo psquica (imagem 
funcional) de um sistema corporal conhecido e que coloca o E1 em comunicao com o 
mundo exterior, recebendo estmulos sensoriais, elaborando-os restituindo-os sob forma de 
movimentos. Este organismo transmitido como continuidade funcional ininterrupta 
impresso e expresso. O sistema funcional subjetivo-psquico corresponde ao processo no 
aparelho senso-moto: total e forma o processo de figurao e expresso.
Encontramos debaixo na configurao psquica racional de todos os homens determinados 
tipos de funo que se nos apresentam sempre com os mesmo traos fundamentais nas 
observaes as mais diversas especialmente no sonho na hipnose, no estado crepuscular e 
nos distrbios vivenciais da esquizofreni2 Como estes tipos de funes oferecem analogias 
com as fases de evoluo fil e ontognicas, eles pertencem provavelmente  base 
fundamental psquica e se funcionamento pode ser designado como mecanismo hipnico.
SONHO
Designamos como sonho os processos figurados psquicos num estado muito diminudo de 
consumo de energia psico-fisica. A vida psquica, assim como a musculatura se encontram 
em estado de relaxamento. A concentrao ( curso do nosso pensamento em torno de certas 
idias diretrizes mantidas durante o dia com ateno concentrada e na conscincia da 
atividade, desaparece. A pessoa que sonha sente-se passiva em frente s imagens que 
desfila diante dela aparentemente sem finalidade, desordenadas e desprovidas de sentido. 
Freqentemente no fica claro se elas se localizam dentro dt ou no mundo exterior, quer 
dizer, se so vividas como imagens subjetivas acontecimentos objetivos. Como as vias de 
acesso se encontram quase fechado no sono, as matrias das quais se compem as imagens 
sonhadas so principalmente engrama de vestgios de acontecimentos passados, 
especialmente vspera, mas tambm de memrias antigas da primeira infncia. Intercalam 
s vezes impresses novas, fantsticas e imprecisas, sensaes corporais e fr mentos de 
sensaes auditiva.
Como desvendar a estrutura psicolgica dos sonhos? O meio mais seguro seria derivado da 
experincia  o de anotar imediatamente o sonho, ass como as imagens e pensamentos 
transmitidos por associao na passagem sono para o estado de viglia. Estas ltimas so de 
importncia capital p a interpretao do sonho. Elas nos transmitem em muitos casos os 
vnculos entre o pensamento diurno e noturno como vivncia evidente. Alguns sons, 
entretanto so to ligados com o contedo do consciente da pessoa que sou que podemos 
interpret-los com a maior probabilidade sem o protocolo transitrio do semi-sonho. 
Escolhemos como primeiro paradigma um sonho
BISMARCK que ele comunica nos seus Pensamentos e Memrias (carta ao imperador 
Guilherme):
A comunicao de V. M. me encoraja de relatar uns sonho que eu tive em fevereiro de 
1863 nos dias do grande conflito para o qual no parecia existir soluo possvel. Sonhei, e 
contei-o na manh seguinte  minha mulher e alguns amigos  que eu cavalgava numa 
senda estreita nos Alpes com um abismo  direita e com rochedos ngremes  esquerda 
sobre um caminho, colinas e bosques como na Bomia, tropas prussianas com suas 
bandeiras desmontar. Bati ento com uma vara que tinha na mo contra o rochedo e 
implorei a Deus. A vara se alongou o muro de rochedos se desfez com por encanto 
desvendando a vista sobre um caminho, colina se bosques como na Bomia, tropas 
prussianas com suas bandeiras enquanto no sonho ainda eu pensava como comunicar tudo 
isto a V. M. O sonho se tornou realidade e acordei alegre e fortificado.
Neste sonho extremamente simples e transparente no encontramos pensamentos abstratos 
mas imagens sensitivas. A cavalgada no  motivada por alguma causa, mas sim com uma 
finalidade (teste de habilidade). Tambm o obstculo externo se ajusta  vida comum. Mas 
eis que vem a interrupo mgica. A ordem espao-tempo se desfaz e se transforma numa 
nova cena, fechada em si. Da paisagem montanhosa passamos para outra, onde h muitas 
tropas. O sonhador se transforma em um vidente, um mgico divino para em seguida 
assumir seu apelo autntico na vida, O que falta entre essas trs fases no  o 
desenrolamento lgico (que no tem lugar numa srie de quadros descritivos), mas sim o 
nexo objetivo e a conseqncia causal imediata do acontecido substituda por uma mudana 
mgica.
Outro ponto de vista nos desvenda o pano do fundo. A srie de imagens assintticas no 
parece ter sentido, mas  compreensvel se estabelecemos o contacto entre os pensamentos 
de BISMARCK e sua situao na vida, de um modo simblico. Resumindo sua posio nas 
lutas polticas de 1863 BISMARCK diria: Estou sozinho, isolado num posto de mando 
muito perigoso. Minha queda  questo de horas. No posso retroceder. Avanar contra a 
resistncia quase unnime  impossvel. Somente Deus poder fazer um milagre, somente a 
guerra entre a ustria e a Prssia poder salvar a minha situao.
Este fluxo de pensamentos se evidencia no sonho, fase por fase, no em expresses 
abstratas, mas sim em imagens. O estadista em elevada posio se encontra num cume 
montanhoso, um abismo se abre para a queda do ministro. A resistncia unnime  algo 
de resistente que se lhe ope, o muro de rochedos no sonho. A idia salvadora e a fora 
de impacto se condensam num milagre divino que se manifesta como num palco. A guerra 
entre a Prssia e a ustria se mostra como imagem colorida com as tropas em marcha.
Esta srie de imagens representa uns smbolos. O visvel ocupa o lugar do invisvel. O 
smbolo da palavra deve ser usado num sentido inverso da contemplao, que vale para os 
primitivos, cujos smbolos so prospectivos, fases anteriores ou matrizes de conceitos 
gerais no evidentes. Os grandes smbolos religiosos e sociais dos civilizados preenchem 
tambm essas funes enquanto que os smbolos cotidianos (alegorias) devem ser tomadas 
como uma inverso de abstratos j formados numa linguagem imaginativa mais ingnua.  
porm bastante problemtico de imaginar o simbolismo do sonho (FREUD) com expresso 
de uma regresso, como retorno de uma sntese mais elevada para uma mais simples, do 
abstrato para o concreto, da arquitetura da frase para o filme da imagem assinttica.
Queremos ainda mostrar outros mecanismos em ao no sonho de BISMARCK Como falta 
o nexo de idias da pessoa que sonha podemos somente interpretai segundo a legitimidade 
deduzida de outros sonhos. A cena da vara que toca o rochedo com a resposta divina 
imediata nos lembra as histrias do Velho Testamento quando Moiss fez a gua jorrar com 
o toque da sua vara. N atitude religiosa e bblica de BISMARCK que lhe tenha surgido a 
comparao entre sua situao poltica e a de Moiss que levava os seus atravs do deserto, 
O cenrio especial do sonho, paisagem rstica e paisagem bomia podem sei ligadas a 
regies onde BISMARCK costumava passar suas frias. A comparao da situao poltica 
com o cavalheiro era sabidamente uma das imagens prediletas do estadista.
Os exemplos nos mostram que o sonhador deriva seus motivos do ambiente e da memria e 
que o intrprete deve conhecer este espao individual ambientando-se nele.
Como camada mais profunda da expresso ilustrativa encontramos motivo humanos e 
primitivos que abrangem situaes bsicas tpicas da vida e na quais a pessoa que sonha se 
reencontra. Elas apresentam seu papel real o suposto como ltimo valor humano. No caso 
do nosso sonho encontramos quatro destes tipos condensados numa s figura: o cavalheiro 
(dominador de impulsos prprios e dos impulsos das massas), o mgico (que consegue 
muda as leis da natureza), o profeta (que indica o caminho social) e o heri d guerra. Num 
homem do formato de BISMARCK, no podemos estranhar arrogncia dessa auto 
interpretao.
Assim a situao total do sonho e todos os seus mnimos detalhes entram em relao 
insofismvel com a personalidade de BISMARCK e aquilo que naquela poca o 
impressionava e preocupava. Trata-se de aglutinao tpicas de imagens que se unem num 
afeto e sentido comum. Se encontramos a interpretao certa  discutvel, mas acreditamos 
que na vida psquica e tambm no sonho no pode haver nada de absurdo e que tudo est 
determinado e sujeito leis at nos seus mnimos detalhes. A interpretao sexual do sonho 
de B:
MARCK pelos psicoanalistas provocou em seu tempo muita chacota e repudio. Isto nos 
ensina que o interpretador deve avaliar a escala de urgncia d problemas da pessoa que 
sonha ao seu justo valor no usurpando seus prprios interesses impulsivos. A interpretao 
do sonho no somente reflete na imagem psicolgica do paciente, mas tambm o grau de 
cultura do mdico quer dizer, o volume do seu ponto de vista.
Com a assintaxe, a relatividade do tempo e do espao e a sensibilidade figurativa a 
aglutinao da imagem constitui uma das normas principais pensamento onrico. No que 
concerne a condensao qualquer um encontra numerosos exemplos ao recordar seus 
prprios sonhos. Vemos uma pessoa q  simultaneamente A e B com o predomnio dos 
traos de um e do outro, vezes a pessoa  eu mesmo, s vezes aquele com que estou 
falando, o cenrio sala de aulas na qual eu falava ontem, e representa ao mesmo tempo ui 
paisagem da minha infncia. E assim at o infinito sucede essa fuso imagens heterogneas 
e diferentes que nos faz lembrar vivamente o pensamento dos ndios que une num s 
sentido o cervo, o cacto, e a estrela matutina.
Empreendi uma excurso pelo vale do Danbio atravs de rochedos. Ao regressa tarde a 
dona da casa me recebe com exigncias de aluguel absurdas. De noite eu sonho devo trazer-
lhe pedras duras do Danbio. As duas situaes desagradveis de tonalidade afetiva comum 
fundem-se numa s imagem onde as pedras representam o dinheiro do alu
Um Outro mdico sonha que deve apresentar um doente de cncer no auditrio. Quando lhe 
abrem o crnio ele se transforma repentinamente na sra. N. Esta Ostenta na realidade uma 
cicatriz arqueada na testa. A cicatriz representa o anexo entre as duas pessoas ligadas, mas 
em nada parecidas. Outro Conta que nadava no sonho num charco simultaneamente na sua 
prpria pessoa como enguia e r. Quando sua pessoa prevalecia ele sentia nojo de nadar 
entre os peixes que, entretanto desaparecia quando a figura da enguia prevalecia. Num 
outro sonho um indivduo junta numa s imagem um bom bife com um excelente artigo 
lido na vspera como equivalente.
Nossos exemplos mostram que a aglutinao da imagem no sonho possui um carter 
externo cintilante e fugaz e que as imagens se unem e separam e se unem novamente com a 
maior facilidade. Por isto no se pode traar uma linha divisria ntida entre aglutinao e 
transio no sonho. Nos conglomerados das imagens existe s vezes uma simultaneidade na 
conscincia e outras vezes somente um representante do grupo. O sonho freqentemente 
contm figuras sobrepostas.
Algum sonha estar sentado num grupo de velhos amigos num jardim como no seu tempo 
de estudante. A pessoa principal que levanta o brinde  o estudante A de quem no gostava 
muito antigamente. Mesmo no sonho lhe parece vagamente que isto no pode ser, que algo 
deve estar errado. Ainda dormindo, mas em meio ao sonho ainda surge-lhe a idia que no 
se pode tratar de A mas sim de B, sendo este ltimo um dos seus melhores amigos que se 
parece um pouco com A.
Trata-se aqui de uma translao tpica onde duas imagens se aglutinam das quais somente 
uma, numa determinada profundidade de sonho se torna consciente e exatamente aquele 
que no d sentido na cena global. Atrs dessa imagem opaca aparece, quando a 
conscincia desperta, a verdadeira imagem que faz parte da situao.
 curioso que essas transies e deformaes de cenas por meio de figuras opacas no se 
produzem em um momento qualquer do sono, mas como em nossos exemplos, no momento 
decisivo onde o acento afetivo do quadro se concentra. Isto provoca ento a impresso de 
algo de tendencioso. Assim como um jovem arranca de um cartaz fixado num muro a parte 
que lhe desagrada, uma imagem concebida no sonho se torna vaga onde s vezes 
predominam tonalidades afetivas fortes, particularmente ambivalentes ou desagradveis 
que mesmo estando despertos no desejamos admitir.
Isto nos conduz a falar do papel preponderante que desempenham as correntes afetivas na 
formao da aglutinao de imagens do sonho. Reproduzimos o sonho de um mdico:
Durante as ltimas semanas teve que participar de umas reunies as quais o professor N. 
dirigia de um modo bastante enfadonho. O mdico o impedira de se restringir ao essencial o 
que lhe valem uma queixa ao chefe da clnica. O mdico sonhou ento que mandara ao 
prof. N. uma longa Carta explicando de um modo pouco cortez e grosseiro que tinha que 
dar aulas pr-nupciais a jovens noivos e que no lhe sobrava tempo para assistir as aulas 
enfadonhas do mestre. Este carta lhe foi entregue pelo mdico chefe. As passagens 
ofensivas eram marcadas a lpis vermelho. Aparecia tambm a figura do orador. No estado 
de meio-sonho essa figura se transformava na do guarda-campestre M. a cuja mulher o 
mdico dirigira na vspera algumas palavras rudes taxando-a de indiscreta. Durante o sono 
desconfiou no se tratar de N. mas sim de M. Os dois se parecem bastante de figura e de 
rosto e no sonho as duas figuras pareciam confundir-se. Surgiu ainda num estado de sono 
leve o trabalho cientfico de um autor que escrever algumas passagens boas no meio de 
outras confusas.
Neste sonho temos preponderadamente duas imagens mnsicas: A imagem A: a sesso com 
o professor e sua carta de queixas e a figura B, A troca de palavras com o guarda-campestre 
e sua mulher primria. Ambas as cenas desenrolaram-se sob forte afeto de um modo 
semelhante: contrariedade justificada por ter perdido tempo por um palavrrio intil e que 
cumulou em algumas palavras enrgicas, deixando nas duas ocasies a impresso de ter 
agido com excessiva energia. Deu-se uma tenso afetiva ainda existente por ocasio do 
sonho. As duas imagens A e B se aglutinam sob a corrente afetiva comum e provocam uma 
condensao tpica facilitada pela semelhana existente entre os dois protagonistas. 
Tambm o sonho de BISMARCK se compe de fatores afetivos muito fortes. Na 
condensao acima mencionada entre o aumento de aluguel e o rochedo no Danbio 
reconhece-se facilmente o afeto comum. Exemplos deste gnero existem s dzias. No 
sonho do professor N. temos uma bela transposio em uma imagem concreta. O reproche 
abstrato: meu comportamento foi errado aparece na imagem do sonho como carta com 
marcas feitas a lpis vermelho e o motivo da mesma  determinado pela associao com 
outra carta efetivamente escrita, mas em sentido inverso.
Alm dessas condensaes e transies sob o impulso do afeto ou seja da origem catatmica 
encontramos outras onde aglutinao da imagem aparecem somente por leis de associao 
formal, por semelhanas exteriores, coincidncia ou simultaneidade, que no exclui a 
possibilidade de uma ao afetiva mais profunda mas no acessvel  nossa anlise.
Se queremos formular uma parbola concreta do estado psquico no sonho podemos 
imagin-lo como uma massa de gua profunda represada com a comportas fechadas. Na 
gua flutuam algumas imagens e fragmentos de imagens, pelo efeito das correntes afetivas 
profundas e lentas estes elementos s movem em todas as direes, aglomeram-se s vezes e 
soltam-se de novo. D manh as comportas se abrem e tudo se dirige diretamente at o 
objetivo, at a roda do moinho.
Para dar uma idia clara do nmero e da complexidade dos elementos figurados e correntes 
afetivas que se mostram no sonho reproduzo aqui o sonho de um colega acadmico:
Sonhei: A esposa de um colega fez uma conferncia, interrompendo-se bruscamente 
dizendo que no podia continuar e nem seria capaz de faz-lo nas prximas horas. Es sonho 
se baseia nos seguintes acontecimentos: Dias atrs eu assistira ao enterro de si professor da 
universidade. No centro da cidade a mulher desse colega cruzou com o corte fnebre. Senti 
que seria embaraoso para ela de passar pelo cortejo manifestando assi sua indiferena. 
Identifiquei essa sua situao com a conferncia interrompida.
Mas na verdade fora eu mesmo que interrompera a conferncia. Senti vivamente sonho a 
situao desagradvel provocada pela falta do fluxo de idias novas. Vi claramente diante 
de mim o frustrado discurso improvisado, suas no fui eu a quem esta desgr . A sensao 
persosa de interromper o discurso foi minha, mas foi a esposa colega que a realizou no seu 
ato. Havia uma estranha separao de pessoas nisto tudo.
Na vspera um jovem mdico nos visitara que acabara de passar pelos exames fin Ele 
exprimiu sua satisfao de ter tempo agora para ler Ibsen, o que no pde fa enquanto se 
preparava para os exames. Em vista da minha vida atarefada pensei como triste precisar 
negligenciar o culto das belas artes. Respondi a mim mesmo em pensameni Com a 
necessria mobilidade espiritual esta lacuna pode ser preenchida apesar do teu que falta. 
Esta falta de mobilidade espiritual era a causa do discurso interrompido.
Essa mobilidade no faltava porm  esposa do colega que fazia sua confern Ao 
contrrio. Trata-se de uma senhora viva, animada e cheia ele idias. No fic imobilizada 
durante a conferncia e nem lhe faltaria tempo para a leitura, O sonho tro a negao e a 
posio.
94
Mecanismo Hipnicos
Sonho
Esta anlise do sonho foi feita seguida ao sonho, quase num meio-sono. Isto me causou 
uma sensao agradvel especialmente a facilidade com a qual eu pude seguir as vias
associativas, muito mais do que em anlises anteriores feitas em plena conscincia.
Senti ento uma sensao muito agradvel pela facilidade com a qual pude seguir as
vias associativas, muito mais do que em anlises anteriores feitas em plena viglias.
Sugerimos, pois, ao leitor que comprove por si mesmo o complicado jogo de relaes 
associativas e afetivas que ligam em ambos os sentidos elementos figurados heterogneos e 
correntes catatmicas neste sonho. Encontramos aqui todos os mecanismos onricos: 
condensao volumosa, a figura sobreposta na parte mais penosa do sonho, simbolizao de 
sries de idias abstratas por meio de imagens concretas e fortes correntes afetivas atuais 
como fora atuantes de toda a mquina representativa. Fazemo-nos uma idia como esta 
obra-prima do nosso pensamento dentro e fora do sonho se integram e entrelaam nos seus 
elementos mais ntimos com cada ponta associado no somente ligado dentro da trama mas 
tambm aos pontos mais distantes em todas as direes de onde resulta que todos os 
pormenores so determinados por leis mltiplas ou como Fi disse: superdeterminadas.
Observemos tambm como a assintaxe da srie de imagens se produz. Vemos desaparecer 
todo o andaime de relaes lgicas entre as imagens e algumas categorias fundamentais que 
mantm rigorosamente orientado o nosso pensamento desperto. Assim tambm as relaes 
Sujeito-Objeto. No sono o indivduo escuta e fala,  testemunha e ator como na cena 
penosa da conferncia. Observa-se freqentemente no sonho esta interveno ativa e 
passiva sem que a contradio se evidencie.
Existe uma relao ntima com o fato que os dois complexos principais da nossa 
experincia psquica o EU e o mundo exterior se descompem entre si de um modo que no 
mais os podemos diferenciar. Aquilo que por um momento  o EU no sonho pode num 
outro momento transformar num No eu. Nosso relator fala por isto de uma dissociao 
da personalidade sendo que o sentimento penoso da interrupo so a obra do EU 
enquanto que os gestos e as palavras pertencem ao No-eu quer dizer da esposa do 
colega. A personalidade se desassocia como no ndio que unta o dedo grande do p como 
oferenda. Fragmentos da prpria personalidade podem ser projetados como pessoas 
atuantes no mundo exterior assim como no sonho a mulher do professor no  outra coisa 
seno a encarnao de uma parte da personalidade de quem sonha e da penosa impresso 
em face da falta da flexibilidade intelectual.
Tais dissociaes da personalidade se efetuam na maioria das vezes sob a forma de 
identificao que  um caso especial da condensao. Entendemos por identificao a 
fuso parcial ou total da personalidade com pessoas ou objetos do mundo exterior. A 
pessoa que sonha pode total ou parcialmente identificar-se com pessoas que tm 
semelhana com ela, e antes de tudo com aquelas unidas a ela por laos afetivos ou que 
possuem traos que ela ama ou odeia quando aplicados a si mesmo. Isto no ocorre quando 
ns nos comparamos em estado de viglia com outra pessoa tendo, porm plena conscincia 
da desigualdade entre as duas pessoas, e da diviso entre elas. A identificao constitui a 
experincia direta da superposio de duas imagens e da sua unidade vivida. Sobre estas 
associaes fundadas na semelhana, contraste e afetividade comum descansa no ltimo 
sonho citado a identificao parcial do colega com a mulher do professor. A corrente 
afetiva comum faz com que BISMARCK se identifique com a figura de Moisi Mais difcil 
para o pensamento diurno  a identificao mais rara com objetos inanimados ou animais, 
como no sonho das enguias, rs, etc. Pode-se conceber psicologicamente a mutao do 
complexo do EU no que concerne a projeo do EU no mundo exterior ou ao contrrio, 
partes do mundo exterior so assimiladas na prpria personalidade (introjeo). Nos 
processos onricos que flutuam muito  difcil distinguir este processo enquanto que na 
esquizofrenia ambas as possibilidades so vividas distinta- mente.
Ao lado da dissoluo do complexo do EU e da relao Sujeito-Objeto intervm 
principalmente na assintaxe das imagens onricas o desaparecimento das categorias tempo 
- espao. Mantemos tambm estas categorias numa ordem perfeita no nosso pensamento 
despertado. No sonho entretanto prevalece a imagem instantnea desligada do tempo, 
sem passado nem futuro. Lembranas da primeira infncia se unem sem dificuldade com 
vivncias d ontem no sentido psquico. Elas aparecem no sonho tanto como presente como 
os desejos do futuro cuja realizao se reflete nas imagens. Caem as barreira da ordem 
espacial unindo pessoas e objetos distanciados numa s cena.
Finalmente omite-se quase por completo a categoria da causalidade OBJE TIVA. Ela  
substituda pela catatmica pura respectivamente a causalidade mgica. No sonho 
profundo no perguntamos Ser que isto  possvel, algo assim j aconteceu? As imagens 
as mais heterogneas se ligam de imediato so acompanhadas de um julgamento real 
positivo desde que correspondem a mesmo afeto. Produzem-se assim associaes que 
correspondem ao pensamento mgico primitivo. Batemos como BISMARCK com a vara 
mgica no rochedo que de imediato se desmorona abrindo a viso para os desejos 
realizados.
As leis dos processos onricos permitem-nos uma viso profunda nas funes do nosso 
aparelho de figurao. De um lado elas nos revelam a estrutura c nossa vida psquica, 
refletindo os princpios funcionais importantes da nos psique, a assntaxe, a aglutinao da 
imagem e os nexos catatmicos. De acordo com a atitude perante a vida, artstica-religiosa 
ou objetiva-prtica avalia-se mundo onrico. Por isto os povos da antiguidade tinham 
relaes mais ntimas com seus sonhos, que equiparavam aos pensamentos de viglia, 
concedendo-lhe s vezes um valor superior, enquanto que o leigo dos nossos dias os 
negligenci2 tratando-os de espuma, ou resduo deprecivel do nosso pensamento por n 
saber o que fazer deles. Para o mdico instrudo em psicologia os sonhos c seus pacientes 
oferecem um material valioso podendo penetrar pela sua analogia nos distrbios neurticos 
e psicticos na vida psquica do seu paciente, quando uma conversa direta no surte 
nenhum efeito. (W. WINCKLER 1954, v SIEBENTHAL, 1953).
A ESFERA DA CONSCINCIA
A noo da conscincia contm alguma coisa de quantitativo psquico, seja a maior ou 
menor clareza da experincia. Chamamos uma experincia muito ntida e clara de 
hipoconsciente uma mais vaga e imprecisa de p0 consciente. Falamos tambm do 
claro e do obscuro em relaes conscientes. O grau da conscincia psquica se aprecia 
melhor ainda usando nosso car visual. No centro se encontra o foco da conscincia, uma 
zona restrita c] de claridade de uma presena ntida e em seu redor o campo focal da 
conscincia muito mais amplo constitudo por zonas de claridade cada vez menor at 
perder-se sem delimitao exata no nada, no inconsciente, ou extra-consciente. 
Denominamos a periferia do campo da conscincia de esfera. Entendemos por 
processos psquicos esfricos muito escuros e diludos na margem dos campos da 
conscincia.
O termo esfera introduzido por VON SCHILDER 1920) na psicopatologia num 
significado mais restrito se emprega aqui em lugar de subconsciente, uma terminologia 
ambgua que levou a muitos equvocos e controvrsia, embora haja uniformidade de pontos 
de vista quanto aos fatos empricos atinentes. Aquilo que no chega  conscincia, que no 
 vivido, no pode ser chamado de psquico, porque a psique  idntica  vida interior 
direta. Uma vida psquica inconsciente constitui uma contradio em si. Um processo 
somente pode ser esfericamente menos consciente e continua a ser psquico, ou extra-
consciente quando se torna uma manifestao crebro-corporal, mas no psquico.
Os sonhos nos deixam entrever muito daquilo que acontece na esfera  margem da nossa 
conscincia naquelas regies difusas e ondulantes donde brota o pensamento e 
especialmente o pensamento intuitivo, criador e artstico. Os processos onricos nos 
revelam a fase de pensamento no elaborados que procede o pensamento terminado, 
abstrato e concentrado sintaticamente em firmes categorias lgicas fornecendo-lhe os 
instrumentos sem os quais no poderia produzir.
Os homens criadores, geniais, os artistas e poetas se esforaram tanto em assimilar aos 
sonhos a gneses das suas prprias criaes, que devemos considerar esta analogia como 
fato consumado. A atividade criadora se desenvolve somente em uma penumbra psquica, 
num estado de semi-conscincia, com a ateno tachada para o mundo exterior, num estado 
de distrao com uma superconcentrao hipntica centrada num s ponto, numa vida 
psquica completamente passiva que prescinde de espao e tempo, de lgica e vontade, 
tendo s vezes um carter material e concreto. Pode-se estabelecer uma analogia com os 
princpios heursticos de investigadores e inventores como na origem do modelo de 
pensamento do anel de benzol (KEKULE). Na fase de produo quase onrica, surge no 
homem artisticamente dotado a tendncia pelo ritmo e a estilizao. J na fase de criao as 
imagens se revestem de formas regulares, e simtricas a cadncia do verso ou o ritmo da 
msica. No devemos conceber a esfera intelectualmente apenas, como imagem marginal 
de imaginaes imprecisas. A esfera  tanto ou mais importante como fonte dos 
sentimentos que envolvem e fundamentam a vida interior. Cada percepo, cada 
imaginao e modo de pensar desperta afetos ou disposies. Estes sentimentos esfricos 
so muitas vezes to independentes que no encontramos seus motivos. Como foras 
orientadas, porm, elas criam idias e propsitos. O contedo emocional de uma poesia no 
reside nas palavras ordenadas e logicamente construdas por serem as mesmas usadas na 
prosa comum, taxada de prosaica. O ambiente emocional reside nas imagens flutuantes e 
nas vibraes que se escondem atrs das palavras e que o poeta sentira obscuro e 
vagamente antes da forma verbal ou que ouvinte sente por ressonncia na palavra falada. 
Os versos que possuem muita esfera so prenhes de emoes onde o ncleo slido das 
palavras submerge num crculo nebuloso de forte afeto de aglutinao de imagens em cujas 
correntes elas repousam. Uma s palavra deve conjurar, como a batuta do regente, um 
acordo pleno de imagens e sentimentos obscuros da prpria esfera, quer dizer da periferia 
do consciente. Por isto as viradas meio formais, hesitantes quase balbuciadas e inteligveis 
de uma poesia podem possuir esfera Nos cantos populares podemos observar como o fio 
objetivo rebenta, e o contedo da poesia vem a consistir somente de aglutinaes de 
imagens composta de fragmentos de outras canes e que por isto ou apesar disto exercer 
tamanha influncia sentimental e simblica sobre a esfera da nossa conscincia. A velha 
cano popular prefere em geral o smbolo, o abstrato, amor, morta atravs de elementos 
pictricos ao ponto que expresses como fogo ardente jardim de rosas, lrios brancos se 
tornaram simblicas no consenso papoula:
Os esquizofrnicos usam em certas ocasies imagens muito parecidas. Nos chistes 
humorsticos o esfrico se reconhece facilmente porque repousam num efeito contrastante 
como por exemplo o verso seguinte de WILUELJ
Buscli:
Nas montanhas numa grota sentava o asceta migalha de corpo e alma por causa da forte 
dieta.
Aqui o sentido superficial das palavras do texto  coerentes, j que severa dieta 
corresponde aquilo que o asceta observa. Entretanto aquilo que no se diz, o fundo esfrico 
das palavras, que de medieval-teolgico muda ltima linha para o moderno-mdico, no 
harmonizam entre si. Este choque de palavras contrastantes no seu sentido nos causa uma 
sensao esfrica fundo da nossa conscincia sem que a causa do efeito humorstico nos s 
bem claro.
Vejamos por exemplo a multitude de imagens obscuras, simblicas que entrelaam, cores e 
elementos afetivos tumultuados na cano de EICHENDOR
Da ptria, atrs dos relmpagos rubros vm as nuvens
Andanas e viagens, paixes ardentes, barreiras intransponveis ,abafarem pressgios de 
mau augrio, receio da morte, abertura para uma pais radiante e distante, tudo isto e um 
amalgamento novo. No  a palavra s que tem importncia, mas aquilo que ressoa atrs 
dela. A esfera dessa po consiste de aglutinaes de imagens complexas com fuses 
catatmicas e carter simblico.
Tal  o caso da estrofe seguinte:
Na negra forja est meu amado e quando passo chiam os foles as chamas se avivam em 
seu redor
Uma fora obscura que acende as chamas de paixo no jovem ferre:
na moa amada, transfigurao idealizada da sua imagem. Estes dois graus de afeto 
contrastantes reunidos num s, proporcionam  poesia seu Li esfrico profundo e uma fora 
fascinante de ambiente. A superfcie v quer dizer o contedo no explica em si o efeito 
produzido, pois retrata ai uma cena banal do cotidiano.
Aquilo que queremos explicar atravs dessas poesias  vlido, para qualquer pensamento 
comum que surge em ns e para qualquer palavra que proferimos. O essencial do efeito 
causado em ns e em outros no est tanto na formulao verbal mas na esfera, no crculo 
nebuloso de imagens, nos sentimentos apenas formados que rodeia a periferia da 
conscincia. Pensamentos e idias que possuem pouca esfera caem mortos por mais bela 
que seja sua formulao. Somente as aglutinaes catatmicas so fecundas e a vida 
psquica transformada e fluda. O produto lgico  firme e claro, mas no vivo em si. Por 
isto a claridade psquica excessiva, uma conscincia por demais racional so fatais para as 
produes espirituais que medram melhor na semi-obscurido esfrica.
HIPNOSE E ESTADO CREPUSCULAR HISTRICO
Ambos os fenmenos psquicos como estado de exceo tm em comum com o sono que 
representam fases circunscritas psquicas ilhadas que interrom pem o fluxo da vida psquica 
comum. Designa-se tambm a hipnose como semisonho. Se no sono a vida psquica  
separada do mundo exterior como por um crculo, na hipnose por seu lado, ela est 
ofuscada. Uma pequena janela fica aberta na direo do hipnotizador que  o nico que tem 
contacto com a psique podendo-lhe dar ordens e receber respostas. Trataremos mais tarde 
dos fenmenos sugestivos na hipnose ao falar dos mecanismos hipoblicos. Do momento 
interessam-nos somente os processos hipnticos de formao e sucesso de imagens que 
nas suas leis fundamentais no diferem essencialmente daquelas do sono. Quando dirigimos 
a ateno do hipnotizado com os olhos fechados sobre os fenmenos que se passam na sua 
esfera visual, ou seja nas esferas do seu sentido ptico, ele perceber a medida que seu 
estado hipntico se intensifica objetos sem forma, coloridos, claro-escuros, manchas vus, 
linhas, meio-sombras, grades anis a semelhana das imagens pticas posteriores. A este 
estado amrfico breve segue o estado do pensamento visualizado do qual j falavam ao 
abordar o sono, quer dizer sries de imagens mais concretas.
O aparelho psquico funciona na base de grupos de figuras sensuais e no mais as snteses 
superiores abstratas, numa marcha reduzida. Aquilo que o hipnotizado apenas pensa, 
aparece aqui na imagem. Episdios do seu passado so vividos na atualidade em seqncias 
ordenadas e sensveis de acordo com sua memria. Tudo se passa como num filme. As 
experincias so passivas como no sono; o sonhador passa a ser um simples espectador. As 
imagens se localizam no campo visual, mas so percebidas com produto do EU. Aqui, a 
relao entre o EU e o mundo externo  incerta.
Em certos casos as imagens se compem de fragmentos: a cabea, um pedao de uma 
mesa, o vidro de uma janela, tudo disperso no espao at se unir para formar um quadro 
completo. Em geral o pensamento filiforme bastante coordenado da segunda fase se desfaz 
 medida que a hipnose se aprofunda, compreensvel. No  difcil reconhecer neles as 
aglutinaes de imagens cata tmicas da psicologia primitiva e onrica.
Estou submerso na gua, mas vejo o que se passa l fora.., acima de mim juntando-se em 
formas e cores estranhas e fantsticas sem carter definido e h um corpo horrvel e magro. 
-. conheo minha posio mas meu corpo tez uma volta de 90.0 ... H um buraco fundo no 
meu peito... um pescoo emerge do buraco, como o de um ganso com uma cabea do 
tamanho de uma mo fechada.., o dorso com a cabea-buraco emerge do meu corpo... tenha 
medo. Estas imagens semelhantes a alucinaes so projetadas no mundo exterior com um 
carter de verossimilidade.
Algumas pessoas de condio neuroptica deixam facilmente desfilar coma um filme, estas 
imagens no pensamento passivo, relaxado.  paciente se deita e olha o abajur. O objeto visto 
por ltimo se incorpora na srie de imagens.
Uma espcie de poltrona de escritrio sem pernas, a parte superior gira no seu eixo. Vejo 
botes de flores como papoulas, duas verdes, uma branca com listas vermelhas. Isto se 
transforma numa linha ondulada que vai formar um lao aos poucos. Depois isto transforma 
numa colher de sopa prateada de uma forma esquisita, pendia para baixo, e cncavo. Vejo 
um prato raso, que diminui em tamanho, nele h um metal bronzeado claro. Tem mais, algo 
como um chapu, um chapu de forma com dobras. Tambm no existe  h outras coisas 
que no distingo bem. Havia coisas como ganchos, uma espcie de mo, mais tarde alguns 
ganchos finos vinham correndo ao seu lado. Tudo isto  muito difcil de se compreender.
Que coisa, uma rvore inclinada no espao na rvore um homem est deitado de bruos, 
algo rgido e esquisito. Agora em forma de foice com um cabo vermelho, roxo e amarelo.
De olhos fechados: peguei somente os objetos definveis. Um grande edifcio, tipo castelo 
com fileiras de janelas, visto de frente. Depois enquanto a casa desaparece um grande e 
linda rvore da vida como as que se vem nos cemitrios, uma espcie de lanterna como 
um objeto de iluminao. Num fundo preto escuro dentro de um oval um grui denso de 
construes antigas em tons reluzentes amarelas e vermelhos, brilhando como si incndio. 
Uma coisa parecida com um tonel, como uma nfora sem cabo. Uma bela gata preta com 
as asas desdobradas, numa bola de ouro. Um monstro, meio ave, meio drago com um bico 
curvo e grandes olhos redondos que me pica. culos de vidros roxo escuro e uma armao 
amarela.
Uma espcie de coluna e uma mo que cresce e se transforma em uma mo laqueada. Um 
homem de bicicleta e uma ponte na minha frente. Uma espcie de porta-notas msica que 
se aproxima sobre 3 patas. Um besouro numa parede. Uma estante de i virados para cima e 
que assume formas diferentes. Dai surge de repente um penacho. Uma silhueta emerge. A 
representao anatmica de um homem.
Na minha frente uma moa vai danando, jogando sua saia. Seu penteado  liso frente e 
amarrado atrs.
Uma fila de casas numa rua de aldeia. Quando uma imagem se move de repente gira em 
redor do seu eixo ou balana como um pndulo isto me causa uma sensao desagradvel. 
H algo de hostil e maligno nas coisas que se movem e que no se percebe mais na sua 
beleza pura. Olho de cima sobre uma espcie de cmoda e ela comea girar sem minha 
interferncia. Isto  desagradvel. Uma imagem: um bolo avermelha
-amarelado pentagnico de repente o assoalho deixa de existir, h um buraco do q surge um 
brao. A imagem, sem que eu lhe atribua alguma importncia tem alguma coisa de 
relaxante assim como tais imagens me agradam antes do adormecer. Se concentro minha 
ateno sobre a imagem, alegro-me com suas cores mas o efeito relaxante diminui e eu 
posso pensar que esta contemplao cansa. Isto sempre  cansativo especialmente quando 
se trata de um fluxo contnuo, de formas que mudam. Tenho a impresso que o clima 
conceitual com o qual me aproximo de uma imagem exerce influncia formativa sobre 
material lembrando algo j pensado enquanto que sem a influncia formativa a evoluo 
seria diferente. Muitas vezes a primeira imagem liga-se imediatamente  impresso vi 
precedente.
No nos cabe aqui descrever as diferentes imagens que denominamos estado crepuscular 
histrico. As principais delas apresentam no seu mecanismo de apresentao analogias 
notveis com os fenmenos dos sonhos e da hipnose e chegam a ser idnticos com os 
mesmos, sob o ponto de vista psicolgico. Constituem fases insulares circulares 
circunscritas com a conscincia diminu A receptividade de novas impresses sensoriais, a 
relao com o ambiente real acham-se trancadas e eliminadas. Predomina assim a 
reproduo engramas de vivncias passadas. Um homem nervosamente instvel passa por 
uma situao que perturba veementemente seu equilbrio afetivo: dissoluo de um 
noivado, infidelidade sexual, estupro, cenas familiares, situao aguda de susto, etc. 
Imediatamente aps, ou algum tempo depois de uma cena dessas o paciente cai num estado 
crepuscular que dura minutos, horas ou dias, cedendo repentinamente lugar a um estado 
normal, processo este que pode repetir se com freqncia. O que diferencia o estado 
crepuscular do sonho de uma pessoa normal  o seguinte: de acordo com a causa provocada 
por afetos fortes e agudos o desenrolar psquico vem acompanhado de forte carga afetiva, 
de maior veemncia e dramaticidade. Angstia extrema, desespero, clera transe ertico, 
so vividos com dramaticidade pattica. A psicomotricidade no  fechada como no sonho 
comum, mas se desenvolve livremente e de modo mais acentuado. O mecanismo da 
expresso desempenha um papel importante e at preponderante na zona da historia. O 
estado crepuscular representa em certas circunstncias apenas um quadro vivo, uma cena 
dramtica onde as peripcias se sucedem como num filme com expresso afetiva teatral, 
caricatural.
Num estado crepuscular um soldado leva o fuzil ao rosto com movimento pantomnico, 
visa, dispara mostra com o brao um ponto distante, ataca com a baioneta com ambas as 
mos. No seu rosto se refletem todas as emoes prprias ao caso. No fim a pantomina  
acompanhada por palavras como:
Velho amigo, acaba de se esconder atrs do carvalho, Meu Deus, agora ele salta, acertei 
nele, etc.
Ou ento a mulher do campons, maltratada, abusada pelo marido brio enxotada pelo 
irmo da sua casa, em conseqncia de uma briga, v no estado crepuscular um homem 
entrando pela janela que se atira nela tentando estrangul-la. Ela grita e treme de medo e 
ouve como o irmo diz para sua mulher:
Vo peg-la, aqui ela no entra e se voc entrar, ns te vamos pegar na floresta. Quando 
o mdico abre a porta os dois espiam-na. Ele veste um terno marrom ela usa uma saia azul. 
A paciente ouve o mdico falar: Agora sabeis onde ela dorme, basta entrar. Querem 
maltrat-la. Freqentemente lhe aparece a cara do irmo cheio de raiva como ele a olhou 
durante a ltima discusso. Algum est deitado debaixo da cama e ela no ousa espiar. 
Assusta-se dos seus chinelos como se fossem bichos esconde-se debaixo dos cobertores ou 
agride a gente com violncia.
Mas o contedo dos estados crepusculares no se limita apenas a situaes de terror e 
angstia, havendo outras onde domina o desejo, cenas erticas, satisfao do anseio da 
maternidade por uma mulher estril. Alguns ataques histricos se parecem em sua imagem 
motora aos movimentos da cpula. Carece de sentido querer encontrar uma relao na 
posio arqueada durante o ataque como alguns psicoanalistas o fazem.
Os processos de configurao correspondem ao tipo de sonho e hipnose. Lembranas e 
idias se traduzem novamente em imagens sensoriais e so sentidas como presentes. Estas 
imagens se sucedem ordenadamente como cenas de um filme conservando suas relaes 
naturais no tempo e no espao ou disassociam-se ao acentuar a regresso em aglutinaes 
catatmicas ou ento aparecem como no sonho simbolizaes, condenaes, e figuras 
sobrepostas. O sujeito chega a ver contedos fantsticos: figuras que so projetadas no 
papel de parede, gatos caando pssaros, um rosto sem corpo aparece por cima do armrio, 
uma mulher vestindo uma saia vermelha s avessas, o namorado que entra pela porta 
transformado em monstro negro e peludo, uma horrvel mscara paira no ar em forma de 
sol de cujos raios saem uns tentculos providos de pequenas mos, etc. Tudo como aparece 
em pesadelos mas projetado no mundo exterior e percebido como alucinao com toda a 
veracidade. Entre os sonhos normais e os que espantam os nervosos, com movimentos de 
defesa, gemidos e correias de sonmbulo, se observam todos os graus de transio at o 
ataque histrico circunscrito em pleno dia passando pelo estado crepuscular derivado de um 
sonho noturno. Por outra parte so muitos os interemdios entre o tipo aqui descrito de 
estado crepuscular histrico e das produes finais superficiais, quase simulados, do 
sndrome de GANSER (demncia simulada, confabulaes) que evoluem sem que a 
conscincia se altere.
Figura 15 Explicao da paciente: o animal  de cor cinza, um bode, um bicho, um stiro, 
representa a mentalidade do homem do qual formam parte. Tem duas cabeas, uma de um 
cura e Outra d um no cura (dois namorados de infncia da paciente entrelaados e com o 
bode emergindo do seu abdome condensado no smbolo da virilidade. A cobra na ano 
podia ser um smbolo flico.
Figura 17. Explicao da paciente: O diabo como drago voador composto das partes dos 
corpos de 7 Outros animais: a lngua de um drago, os olhos de um cavalo ou burro, a 
cabea de um touro, as orelhas de uma cabra, os chifres & um bode, a cauda de um peixe, o 
corpo do prprio drago.
Figura 16. Declarao da paciente: Um homem querendo dominar o porco (sim bolo do 
desejo sexual), sendo ele mesmo meio animal ainda.
Figuras 15-17 Alucinaes em histerias degenerante (desenhadas em estado hipntico. 
Formao e condensao de smbolos (BERTSCHINGxR, 1912).
OS PRINCPIOS DA ESQUIZOFRENIA
No processo e pensamento esquizofrnico encontramos s vezes o processo de figurao 
numa fase to regressiva que no somente os mecanismos mas tambm outras relaes da 
imagem primitiva do mundo ganham a supremacia, se bem que fiquem s vezes parados 
grandes complexos de motivos culturais conhecidos formando interferncias complicadas 
com os mecanismos primitivos
(E. BLEULER VTFT, JUNG 1907, W. KRETSCHMER 1954 e 1957) STORCH 1922, 
SCHLLDE1 1918, WINKLER 1957). No existe nenhum mecanismo principal efetivo ou 
figurativo importante que no podemos encontrar em profuso no esquizofrnico. Muitas 
das expresses usadas tais como: condensao, translao, catatimia, ambivalncia, no tm 
sua origem na psicologia tica mas no estudo da esquizofrenia e neurose. Nos casos da 
esquizofrenia o pensamento se torna catatmico por completo at desaparecer toda ligao 
com a realidade e todo nexo causal criado pela freqncia das imagens sucessivas. Um 
enfermo autista se refugia numa ilha, submerso em si mesmo e alheio aquilo que o 
rodeia, contemplando dentro de si mesmo como um sonhador que contempla o edifcio 
construdo pela sua fantasia, construindo com fragmentos de imagens seus desejos e seus 
temores e todas suas correntes afetivas. O pensamento causal cede ao pensamento mgico. 
Assim como nas lendas tudo que se ajusta aos seus desejos e sentimentos, se torna 
realidade. O enfermo se torna Scrates, um professor, prncipe, milionrio enfim tudo que 
j desejou ser na vida.
O EU se dissocia em fragmentos independentes. As zonas marginais entre o sujeito e o 
mundo exterior se alargam e flutuam quase at a soluo de ambos os complexos. A crtica 
da projeo da imagem e, por conseguinte do juzo da realidade, se tornam vagos.
Existem esquizofrnicos nos quais a doena descobriu as capas hipnticas em grande 
extenso. Transcrevemos aqui partes do protocolo verbal de uma jovem camponesa 
esquizofrnica da nossa clnica: A paciente fala de um filme que dura o dia inteiro. 
Perguntada a respeito ela diz: Deixam a fita correr o dia todo depois inserem minha figura 
por meio de uma pinceta e seguram minha figura com um im. Ento eu sou tal qual e os 
homens tiram tudo que querem e me do injees de morfina, lcool e no sei o qu. 
(Voc sente o que se faz com sua figura?) Quando recebo injees, eu o sinto. Minha 
figura que tiram da pelcula recebe as injees. Quando a pelcula se desenrola eu fico presa 
em cima dela com um im. Desde que os prncipes sabem que decendo do prncipe herdeiro 
fazem vir-la, deitam um leno branco por cima e depois me destroem e fazem misrias 
comigo. No me querem na sua roda de prncipes. O marido e o irmo da rainha Elisabete 
eram designados a serem os herdeiros e no queriam que estivesse com eles, pois eu era 
uma princesa selvagem.
(O que voc faz com sua figura?) Tudo que se possa imaginar, a maior vergonha, me 
aplicam injees em toda parte. No tenho mais vida em mim. Cortam-me com facas, todos 
esto nesta trama, os camponeses, os fabricantes, o Bosch e o Daimler-Benz, o lanador de 
chamas. Fazem do meu corpo o que querem e me violentam. Cortam meus dedos e tudo, 
uma vizinha o faz por pedaos e centmetros, aplicam uma injeo atrs outra. No tenho 
mais vida em mim, e pioro dia a dia. Desde que usam a pelcula no tenho mais vida. 
Aplicaram em mim o cordo da nobreza de Monrepos (Ludwigsburg). H sementes dentro, 
ouro e tudo desejavam me incutir. A pelcula continua a girar, eles me vem tambm a 
voc. Eles tm uma parreira na qual tudo se desenrola o que eu digo, quando imagino 
algum, v-se a pessoa.
Aqui est representado de forma clssica o que na psicologia popular se chama de magia 
analgica (figurativa). O primitivo no quer ser fotografado nem quer que sua imagem 
espelhada seja retratada. Ele sabe que algo de mal pode acontecer  sua imagem e que isto 
pode ser transferido  sua prpria pessoa. Assim a paciente sente como colocam e retiram 
sua pessoa da pelcula, maltratando sua imagem e violentando-a. Ela perde suas foras, 
decai cada vez mais e no tem mais vida nela. Em compensao aparece em seguida a 
magia do amuleto primitivo caraterstico num sentido de exaltao positiva: lhe aplicam o 
cordo da nobreza com sementes e um pedao de ouro e tudo que a gente possa imaginar
Atrs destes episdios mgicos aparecem como potncias impulsoras em pares de plos 
opostos o princpio do Bem e do Mal, as tendncias dauto-exaltao (princesa), os desejos 
sexuais ambivalentes; e do outro lado o inimigo sinistro e pavoroso com seus atos grotescos 
de crueldade no seu retrato.
As coisas que aqui vemos em smbolos arcaicos plenamente desenvolvido se reproduz de 
forma regular na vida interna dos esquizofrnicos e especialmente a polarizao 
catatmica entre o Bem e o Mal, o Divino e Diablico antes de tudo o efeito mgico a 
distncia, a experincia de influir e se infludo de modo enigmtico  distncia (aes 
eltricas ou hipnticas leitura de pensamentos, sugesto de pensamentos, etc.).
Nas descries dos esquizofrnicos inteligentes revela-se muito bem carter estratificado da 
sua vida interior. No  assim como o termo pouco apropriado idias delirantes parece 
indicar que os processos hipnticos venham a substituir a realidade habitual, mas sim que 
tanto uns como os outros vivem lado a lado com diferentes graus de naturalidade valores 
qualitativos diferentes e acentos afetivos diversos. Um esquizofrnico inteligente com 
vises polimorfas agitadas designa a relao entre os dois mundos da seguinte maneira: O 
real e o super-real. As vises se percebem como se penetrassem vagamente no sistema 
(do mundo real) quer dizer com grau distinto c naturalidade claro-obscuro. No excluem 
a realidade, mas, apesar de serei nebulosas ultrapassam a realidade e a desvalorizam. A 
imagem sonhada ri prende mais. Ela tem o contedo profundo de um chamado pessoal 
Evidenciam-se aqui nitidamente os paralelos entre a vida artstica e religiosos.
Designei de psicose de fachada outro tipo de vivncia esquizofrnica bifurcada. O 
exterior da psicose se manifesta sonora, ruidosa e tola. Apesar da sua gravidade o estado e 
excitao  bastante superficial, pode ser interrompido por uma conversa bem conduzida 
com o desejo de fugir da realidade deprimente tornando-se superior  pessoa s, mediante a 
proteo da liberdade dos tolos (semelhante  neurose que auto-estimao de ADLER). 
Atrs de tudo, o paciente assim como o mdico hbil adivinham o impulso angustiar de 
uma dinmica hipnica de efeitos mgicos  distncia e semelhantes. Tambm a 
motricidade expressiva acusa esquemas hipoblicos que concordam m ou menos. Trata-se 
aqui de manifestaes de interferncia entre a amea pressentida atravs da capa profunda 
hipoblica-hipnica, com seu impulso patolgico e os produtos de tipo neurtico 
sobrepostos da superfcie psquica.
O esquizofrnico se pode dissociar em duas personalidades: ele atribui uma forma ao 
verdadeiro J. Huber a outra  sua nova personalidade nascida em Charenton e que se chama 
Midhat Pacha. Observam-se tambm personificaes de certas partes do corpo. Acontecem 
projees de elementos da prpria personalidade para o mundo exterior, admitindo outros 
do mundo exterior em si mesmo, mas no em forma de sonho, mas em estado de vigilncia 
e dentro do espao. s vezes o mundo fica psquico. Os afetos do paciente so to fortes 
que eles o torturam internamente, projetando-os para o mundo exterior de onde eles se 
refletem ameaadoramente sobre ele mesmo. No sentido da concepo mgica o complexo 
Sujeito-Objeto se dissolve num agregado de foras flutuantes. Assim sendo a fala de uma 
pessoa ou seu aparecimento corporal (processos de relao objetiva) como uma corrente 
eltrica ou uma implantao de idias ou manipulaes no prprio corpo.
Condensaes entre pessoas e conceitos diferentes so muito comuns. Uma paciente v o 
mdico como mdico, mas ao mesmo tempo como seu amante antigo e simultaneamente 
como uma terceira pessoa que pode ser tanto seu pai como um vizinho qualquer. Ela 
participa dos atos dos demais e experimenta em si mesma o que os outros fazem ou sentem. 
Vemos condensaes em certas formulaes de palavras novas como vela a vapor que 
resulta da condensao das palavras barco a vapor e barco a vela. No sonho temos 
formaes de palavras novas como trauram formado das palavras traurig (triste e 
grausaxn (cruel). (E. BLEULER, 1969). Durante a guerra uma paciente teve relaes 
intimas com outro homem que formaram o contedo da sua psicose esquizofrnica. Um 
deles se chamava Gerlach ou outro, que era seu amigo Gammertinger. Na psicose ela 
imagina ouvir falar um com a voz do outro. Existe uma transio quando uma mulher 
abandona seu emprego como auxiliar (apoio) da dona de casa sentindo imediatamente uma 
forte averso por tudo que possa surgir apoio, como uma bengala ou quando outra sente 
uma repugnncia invencvel na vista de uma sopa de massa em forma de cornos, por ter 
sido assustado por um touro cujas partes genitais e cornos a impressionaram muito. Neste c 
poderia dizer-se: O corno  o smbolo do touro. No que concerne aos smbolos dos 
esquizofrnicos no existe na conscincia o conceito abstrato elaborado junto  imagem 
alegrica como acontece nas pessoas normais. Este diria: o corno  o smbolo da 
virilidade, sendo que o concreto corno significa o abstrato virilidade. Os smbolos 
esquizofrnicos entretanto, so os produtos de um pensamento inacabado. Todas as snteses 
figurativas que o pensamento de um homem normal efetua na periferia obscura da 
conscincia, fora da zona de abstrao, ocupam no pensamento esquizofrnico o lugar do 
abstrato no centro luminoso do campo visual do esprito. Um esquizofrnico v, sente 
realmente fogo e experimenta fisicamente uma queimadura quando em circunstncia 
idnticas um homem normal diria: Estou enamorado, penso no amor. Ardor e fogo como 
o demonstra seu papel de smbolo estereotpico do amor nas canes populares, formam 
parte no homem normal da esfera das representaes do amor, quer dizer dos complexos de 
imagens evocadas ao pronunciar a palavra amor. No esquizofrnico, porm falta o 
abstrato do amor que  substitudo pelo figurado fogo que passa do seu lugar esfrico 
para o foco da conscincia. Como ele representa algo de real, ou o amor realmente sentido, 
d-se lhe o juzo positivo da realidade que  vivido na alucinao. Alguns esquizofrnico 
interpretam seus smbolos e juntam em suas experincias ao conglomerado catatimico das 
imagens (1) a abstrao elaborada. Tais pacientes facilitam a anlise emprica acertada dos 
smbolos nas fantasias dos doentes e dos normais.
Tais exemplos nos permitem observar como o pensamento abstrato infinito do espao se 
decompe ao nascer em elementos esfricos, em conglomerado assintticos de imagens que 
se entrecruzam em sentido oblquo e que simbolizam como no sonho dinamicamente o 
infinito do espao em profundidade o altura; mediante o crescimento das torres, a extenso 
excessiva dos crculos e seu aprofundamento cilndrico.
Um s exemplo basta para explicar a gneses do expressionismo (2) a pintura. Se nos 
representamos o desfile de imagens na mente do nosso enfermo como um quadro exposto 
numa exposio, com o ttulo O espao infinito teremos o tipo exato de como os 
expressionistas manifestam em suas telas, seus pensamentos e idias.
ESTILIZAO OU ESQUEMATIZAO
As palavras seguintes ditas por um esquizofrnico nos permitem aval como os mesmos 
adquirem a conscincia da tendncia de estilizao: Go imaginar todas as formas concretas 
sob o aspecto geomtrico: tringulo, retngulo, crculos reduzindo-as a um esquema 
despejando-as da sua realidade: tangvel. Quase me  impossvel perceber o real, sem 
ajuntar algo de m A entra um elemento subjetivo. (Fig. 18).
(1) R comparou os complexos dos esquizofrnicos com os ciclos instintivos animais.
(2) (As relaes entre esquizofrenia e expressionismo e vida psquica primitiva expostos 
por SCHILDER (1918) PRINZIIORN (1968) e WusxLex (1949).
Um dos meus pacientes, um jovem esquizofrnico bem dotado passava durante uma doena 
leve, de um pensamento normal sbrio a paroxismos de exaltao ertico-religiosos e 
xtases msticos, nas quais desaparecem todas as imagens ficando somente o sentimento o 
que descreve como um grande fluxo e transbordamento que se repetem sempre. Entre 
estes pelos extremos ele atravessa fases intermedirias gradativas que podem durar semanas 
e que ele denomina de desfiles de imagens. V ento uma profuso de imagens que 
brotam de imaginaes abstratas e se identificam com objetos reais (numa atitude 
passiva) que ora so ornamentos antigos de estilo nrdico, ou escultoras romanas 
originam figuras grotescas e grupos de imagens que se sucedem como num filme, 
cavalheiros escudeiros num velho castelo que ele v realmente num vale. As imagens mais 
interessantes so aquelas que lhe surgem de imediato dos seus pensamentos abstratos. Ele 
l uma obra filosfica de KANT. O abstrato se transforma em imagens contnuas. A 
demonstrao d KANT relativa  infinito do espao lhe provoca a seguinte imagem: As 
imagens se tumultuam, torres, crculos aps crculos, um cilindro, que se introduz de forma 
oblqua n conjunto, tudo se move, cresce, o crculo ganha em profundidade se transforma 
em cilindro as torres no cessam de crescer, tudo voluntariamente como uma pintura 
expressionista o um sonho.
Figura 18 KATHARINA SCHAEFFNER Suspiro desenho. Condensao de duas sries 
de imagens melanclicas. Cortejo fnebre de figuras envoltas em mantos pretos com muitas 
dobras, ou lago com juncos e reflexos mgicos de luz cheios de mistrio com floresta 
escura e cu crepuscular. Estes so os dois aspectos que os traos nos revelam. D mesmo 
traado podemos distinguir o seguinte: Simbolismo afetivo. Condensao com forte 
tendncia rtmica para estilizao (repetio montona de formas, inclinao para retilineas 
e curvas onduladas regulares (da revista KUNSTWART (1908).
Encontramos tambm esta tendncia autnoma da estilizao nua, a esquematizao fria e 
apenas coberta de forma reais na fase superior do pensamento dos esquizofrnicos e dos 
filsofos esquizides. Este pensamento se resume em ligaes despidas de realidade 
(SCHIUER). A variedade do mundo real fica dissimulada por construes intelectuais de 
linhas retas resumindo o resultado das abstraes, quase desprovidas de imagens reais, por 
um esquema escrito ou impresso com apenas as qualidades da simetria tica.
Devemos diferenciar entre duas formas de transformao subjetiva. Na primeira forma um 
conceito geral  subdividido em imagens de diferentes graus de abstrao que o ilustram.  
o que acontece com artistas plsticos, poetas e pensadores imaginativos (SVEDENBORG). 
Ou ento, imaginaes objetivas se reduzem em diversos graus de expresso em figuras 
no-representativas, esquemas de relaes. Isto acontece em artistas, filsofos clssicos, 
lricos abstratos. O verdadeiro compositor, porm usa ambas as formas do subjetivismo. O 
que se destaca nos psicopatas esquizides e nos esquizofrnicos no  outra coisa se no a 
polaridade da sua elaborao da imaginao humana.
ASSOCIAO LIVRE  FUGA DE IDIAS  PENSAMENTO APERCEPTIVO E 
CATEGORIAS LGICAS
Podemos considerar como grau preliminar do pensamento hipntico o estado psquico que 
se apresenta na fase da livre associaao durante a viglia. Colocamos o paciente com a 
ajuda do treinamento autgeno num estado passivo colocando-o numa cama em quarto 
calmo, de olhos fechados, e msculos relaxados convidando-o a contemplar sem esforo, 
finalidade ou ateno ativa as imagens que lhe ocorrem. Este mtodo  especialmente usado 
para fins diagnsticos e teraputicos. Podemos observar este modo de pensar quando 
repousamos depois de sentirmos fatigados, nos perodos de meio-sono, antes de dormir ou 
ao acordar e com menor intensidade durante uma conversa pouco interessante ou em estado 
de relaxamento psquico.
Se o paciente nos conta suas impresses e imagens que lhe surgem, obteremos o seguinte 
protocolo:
Nos meus sonhos vejo-me voando, especialmente em concursos de vo, como s nadasse 
com as mos no ar fazendo presso com as palmas da mo para baixo  Agora m surge um 
pensamento inquietante: devo rejeitar o tratamento, que nada me ocorre, com aconteceu 
com o Prof. F. Hoje senti alguns impedimentos em coisas pequenas, no pude colocar os 
livros nos seus lugares na biblioteca. E a sala, a impresso geral do edifcio, que as ruas so 
agradavelmente ensolaradas, que fao um passeio que os prados so to verdejante quase 
como nos Alpes. Uma carta que acabo de receber me informa que meu filho mais velho se 
comporta problematicamente  comeu dois ovos s escondidas...
Outro exemplo do pensamento em sries de imagens (protocolo segundo SCHOLTZ 
(1958):
1.0  Meus pais, minha irm e eu viajamos de coche por Charlottenburg. Era psco minha 
irm e eu recebemos de presente dois coelhos de tamanho bastante grande. Os pr sentes no 
nos alegram tanto quanto a idia que os transentes tomem os coelhos p verdadeiros, o que 
evidentemente no so.
2.0  Tambm em Berlim na casa de um tio. Coloco alguns vintns no bolso e seu colete e 
ele faz sair uns bonbons de chocolate da manga do seu palet.
3  Ca doente de difteria.  poca de Natal. Minha me me levanta da cama me deixa dar 
um empurro na balana. Ao lado da cama tenho uma pequena venda brinquedo e vendo  
enfermeira um po feito de pedra.
4.0  Estou na aula do professor J. que me quer contar a histria de uma cruz no telhado 
de um convento quando a companhia o interrompe.
50  Em Berlim, meu pai me leva sem conhecimento da minha me ao cabeleireiro onde 
cortam os meus cachos o que deixa minha me desolada.
Estes fragmentos se diferenciam muito pouco do primeiro. Nele existe ainda elementos de 
pensamento abstrato e imaginaes superiores enquanto toda a relao se apresenta 
figurativa abstrata e de associao livre. No segundo protocolo as imagens se enfileiram, 
reminiscncias de infncia plsticas co associaes muito leve. As imagens no so 
dissociadas de um modo fantstico, mas possuem relao entre si. Tudo tem um carter de 
atualidade.
Se comparamos esta maneira de pensar com a sucesso harmnica idias em uma 
conferncia um num artigo cientfico, verificaremos antes tudo a ausncia de uma 
representao diretriz a idia fundamental de u tendncia determinante que domine o 
conjunto e  qual todas as partes se referem como um tema ou um epgrafe. Suponhamos 
que algum faa uma conferncia sobre o tema Doenas dos homens ele coordenaria a 
srie das suas representaes esquematicamente falando, mais ou menos da seguinte 
maneira: trataria das enfermidades mdicas, cirrgicas, ginecolgicas, oftlmicas, etc, entre 
as primeiras explicaria as doenas infecciosas, as do corao, do estmago e sitaria entre as 
infecciosas a escarlatina, o sarampo, etc. A srie de idias corresponderia ao seguinte 
esquema:
Esquema 1
Se convidssemos ao mesmo conferencista a recorrer  livre associao dizendo o que lhe 
passa primeiramente pela cabea com o mesmo tema de conferncia, ento a seguinte srie 
de pensamentos poderia se dar:
Esquema li abcd-ef
Comparando os 2 esquemas 1 e II vemos que no primeiro persiste sempre o domnio da 
representao a) Doenas do homem, sobre todas que o seguem. Ela no permanece no 
campo focal da mente no qual se encontrava no principio. A imaginao a se torna um 
elemento esfrico mantendo-se no fundo escuro da conscincia como centro 
determinante. Quer dizer o nebuloso crculo esfrico da representao diretriz a ocupa 
constantemente a periferia do campo da viso mental e sufoca no caso ideal a produo de 
imagens alheias ao tema e facilita o avano ao centro da conscincia de imagens ou 
conceitos pertinentes. constelao em benefcio das imagens que lhe pertencem. 
Consideram-se como pertinentes nesta srie de idias rigorosas somente aquelas imagens 
que fazem parte da representao diretriz contidas nela em estado embrionrio 
(subsumao). Uma representao parcial atua por sua vez como ela em diretrizes sendo 
que o pargrafo se subordina  representao diretriz da seco, esta  do capitulo e esta por 
sua vez ao ttulo da conferncia. Poderia igualmente dizer-se: Numa srie de idias bem 
coordenadas domina por vez a esfera da representao diretriz, ou seja, do grande volume 
de imagens que abrange por exemplo a expresso Doenas do homem se desprende 
pouco a pouco os conglomerados esfricos sob forma de grupos ordenados que se dirigem 
atravs do foco da conscincia. As palavras que renem muitos dos conceitos isolados so 
as abstraes, o pensamento que decompe as noes abstratas em suas imagens 
concretas chama-se anlise ou o que une conceitos generalizados em conceitos gerais 
sntese chamamos de pensamento lgico perceptivo (LEIBNIZ, WUNDT). O 
pensamento aperceptivo acompanha cons cincia subjetiva da atividade em contraste com 
os tipos de vivncia. D-se preferncia s imagens relacionadas com a esfera da 
representao diretriz tendo-se a conscincia de no contemplar passivamente as imagens 
que surgem em ns como nos sonhos e nas associaes livres, mas sim ativamente 
escolhendo as representaes do fundo da conscincia ou das impresses sensoriais que 
procedem do exterior ou rejeitando-as. Esta seleo e formao ativa de certos contedos 
psquicos chamamos de ateno. A funo da ateno no terreno dos processos 
figurativos ocupa o mesmo lugar das decises finalistas no domnio da expresso sendo 
estreitamente ligada a eles pela experincias diretas da vida interior.
O pensamento perceptivo, ao ser definido subjetivamente,  o pensamento ativo, atento e 
objetivamente, o pensamento logicamente guiado por uma representao diretriz. o 
pensamento, perceptivo com sua limitao rigorosa de conceitos e sua coordenao exata 
segundo uma escala hierrquica pode somente desenvolver- com a linguagem, mesmo que, 
em sentido inverso o pensamento no estes exclusivamente ligado  ela. A palavra abstrata 
 seu veculo, e a frase  representante.
Partindo da imagem isolada podemos tentar criar representaes superiores cada vez mais 
alta. Penso num co, por exemplo. Ele surge ntido i sua imagem tica-plstica no meu 
campo visual interno. Posso realizar es imaginao verbal. Isto acontece ainda na 
representao superior mais imediata de co pastor. A representao superior co 
continua sendo muito caracterstica para a passagem do concreto ao abstrato. No  mais 
possvel faz surgir uma imagem concreta e direta no interior. Isto pode acontecer sob forma 
de translao psicolgica mediante a qual aparece com nitidez concreta cor representante da 
espcie co o meu co pastor Mas evitando este subterfgio obterei na representao 
de co algo de vago, incolor como so imagens onricas e que devemos tomar por 
condensao. Desfilam ento diante de ns elementos figurados de todas as raas 
imaginveis de ces, formas, pa e cabeas que mudam sempre de aspecto como acontece 
nos sonhos, elemento de formas e cores que surgem para desaparecer em seguida. O que 
fica palpvel no  a imagem tica real, mas seu smbolo, a palavra que pronuncio, fazendo 
ressoar no meu interior. Mas evidente se torna esta transio do ponto gravidade em favor 
da palavra na imaginao superior da palavra afim onde no surge nenhuma imagem. 
Quando dizemos ser vivo ou simplesmente o ser, ficamos com a impresso de um 
vcuo no nosso espao figurativo. Este experimento nos ensina o seguinte: As impresses 
diretas mais generalizadas so em geral as abstraes mais incolores. A representao 
abstrata  fato abstrada, excluda ou separada da imagem real, tendo por corpo apenas a 
palavra  Seu corpo  a palavra sonante sem cujo ritmo o abstrato se to psiquicamente 
irrealizvel, desfazendo-se no ar. Depreendemos daqui qu aglutinao da imagem  uma 
fase preliminar lgica para a abstrao do me modo como a evoluo da linguagem se pode 
conceber como uma aglutinao de sinais fonticos entre si e os complexos resultantes 
como imagens reais esferas visual, ttil e acstica. Vemos ento como pela aglutinao 
cada mais complexa das imagens o pensamento abstrato suportado pela palavra constitui 
em camada superior do pensamento em imagens concretas e r O caminho de uma abstrao 
crescente de imagens sensoriais para cono superiores no sensoriais se aplica somente para 
a sistematizao lgica mundo objetivo (cincia natural descritiva). Nos sistemas 
metafsicos, l e matemticos todos os conceitos so igualmente no objetivos.
De qualquer maneira reconhecemos que a aglutinao de imagens constitui somente um 
aspecto do pensamento abstrato, uma das suas fases evolutivas cujas manifestaes 
fenomenolgicas escapam ao pensamento lgico desperto, permitindo especialmente no 
sono que as imagens sensoriais se desprendam das abstraes. Devemos citar aqui a lei das 
formulas de abrevia  Por isto uma grande parte do nosso pensamento desperto carece de 
carter concreto quando o consideramos sob o ponto de vista de fenomenologia.
O pensamento abstrato no deriva absolutamente das imagens concretas do mundo exterior. 
J falamos da tendncia autnoma do nosso organismo psquico que no se pode atribuir a 
impresses sensoriais do mundo exterior, como, por exemplo, das estilizaes rtmicas e 
geomtricas. Devemos tambm admitir certas tendncias autnomas para as operaes 
superiores, no concretas e lgicas. Somente aquilo que j se encontra ancorado no 
organismo pode evoluir pelo aprendizado. No pensamento dos primitivos (criana) no 
existe ainda uma categoria de pensamento no sentido de ARISTTELES ou de KANT. J 
devem ter existido tendncias determinantes confusas das quais se cristalizaram mais tarde 
os princpios dos filsofos em linhas firmes. Designamos como categorias psquicas (*) as 
relaes que o sujeito estabelece entre as imagens:
a ordem no espao e no tempo dos objetos, a sntese visual dos vrios aspectos parciais, um 
objeto s e a relao com o mesmo o que chamamos de ato intencional (BRENTANO 
1911, HUSSERL). A separao rigorosa entre o EU e o mundo exterior, entre o sujeito e o 
objeto que faz aparecer as imagens psquicas internas como produtos diretos do EU e as 
outras no menos imediatamente como No EU ou objetos do mundo exterior. Sobre 
estas diferenas concretas se levantam as de ordem superior: a comparao de duas 
imagens, sua relao hierrquica, a procura causal de causa e efeito, e o princpio teolgico 
(Finalidade). Estas so apenas as categorias as mais importantes que servem ao pensamento 
desperto para por ordem no caos dos elementos figurados.
 interessante ver como no pensamento esquizofrnico (e analogamente no esquizide) os 
dois princpios de ordem se separam, o esfrico-aglutinante e o lgico categrico. 
Apreciamos assim dois modos de perceber o mundo: de um lado o simblico 
completamente mstico-irracional, do outro lado o exato, rgido, e lgico sistemtico que 
combinam nas construes intelectuais desses sujeitos (tanto nos dementes como nos 
filsofos) oferecendo as interferncias as mais curiosas. Em troca o modo de pensar dos 
ciclotmicos desde o humorismo realista do indivduo normal at o pensamento do 
hipomanaco constitui um tipo concretamente intuitivo, intermedirio, to livre de 
superestruturas simblicas como de classificaes lgicas por demais rgidas. No 
pensamento ciclotmico as imagens so firmemente objetivos, mas de ordem lgica fraca. 
Seu entrelaamento  de contiguidade preferencialmente concreta-sensorial na sua forma de 
relatos decorrentes do tempo e da coordenao que o prende ao espao, bom como na fuga 
de idias manaca e carateres fontico-sensoriais.
Comparamos agora com o pensamento aperceptivo o curso de idias exposto no nosso 
esquema II e veremos que a representao diretriz se emitiu,
O termo categoria se emprega tambm num sentido mais restrito excluindo as 
classificaes de espao e tempo como formas intuitivas. No existe razo de peso para esta 
separao rgida (KANT) Critica da razo pura, quer dizer que a imaginao (Doena do 
homem) no atua mais como constelao sobre a srie de idias sucessivas. A srie se 
distancia cada vez mais, desde o 3. membro chegando a perder toda relao direta com a 
representao inicial. Mesmo assim no fica sem conexo. Falta o titulo, um elo que liga 
uma idia comum que faz de toda a srie uma unidade. Cada representao se liga  outra, 
precedente e seguinte, mas no ao complexo geral. Nesta cadeia no existem elos 
superiores ou inferiores. Cada representao vale a outra se liga  seguinte sem tomar em 
considerao a anterior
Este tipo de pensamento chama-se: associao livre ou pensamento espontneo. O 
termo associao no significa mais nada do que a liga de contedos psquicos. Esta se 
orienta externamente pela contiguidade pelo tempo ou no espao (p. ex. pera-stio, ou 
moradia-tijolo) ou pe semelhana acstica da palavra, imagem ou contedo (p. ex. flor-dor, 
e homens-animais) ou ento interiormente segundo a evocao comum. Estes princpios de 
ligao chama-se leis de associao. As impresses sensoriais vindas de fora podem 
igualmente converter-se em pontos de partida arbitrria da livre associao. O pensamento 
aperceptivo elimina da zona luminosa conscincia no somente as percepes no 
vinculadas  idia fundamento como tambm as representaes. O homem de raciocnio 
agudo no nota que se passa em seu redor. Quando essa censura  abolida no pensamento 
da livre associao o fenmeno resultante  uma distrao mais fcil do p sarnento por 
impresses sensoriais externas e de afetos de origem interna.
Ser errneo pensar que nosso pensamento seja somente perceptivo exclusivamente 
espontneo. Estes dois tipos constituem os dois plos extremos entre os quais nosso 
pensamento diurno oscila. Aproximamo-nos do tipo pi mente perceptivo unicamente 
quando a atividade intelectual est muito concentrada, ao fazer uma conferncia, ou ao ler 
uma obra cientfica e ao espontneo ou de livre associao num relaxamento psquico 
absoluto, tarefas e conversaes habituais nosso pensamento comum se desenrola li a 
trechos por representaes ou idias diretrizes e desligando-se delas e entregar-se  livre 
associao por contiguidade ou semelhana ou para cair r mente debaixo do domnio de 
uma outra idia nova e fundamental. Segue a disposio intelectual e a concentrao do 
momento predomina uma vez no pensamento a qualidade perceptiva, outra vez a da livre 
associao.
Devemos sempre pressupor que o pensamento perceptivo no existe n isoladamente, mas 
que  simplesmente a super-estrutura do modo habitual, pensar natural e espontaneamente. 
As relaes de associao livre continua a fluir subterraneamente. A representao diretriz, 
porm suspensa por como um m atrai os elementos afins, para a zona de claridade da 
conscincia, enquanto que os outros se perdem nas profundidades esfricas profundas.
J demonstramos anteriormente que o pensamento perceptivo deve t se mais abstrato  
medida que as idias diretrizes do pensamento perceptivo se tornam mais amplas. 
Inversamente a associao livre tende para voltai a imaginao figurativa. Na medida em 
que relaxamos num repouso r tanto mais a livre associao se aproxima do tipo de sono e 
da hipnose ligao sinttica comea a romper-se, a formulao verbal das idias cede 
positivamente seu lugar s imagens reais e  contemplao intuitiva direta d e figuras 
animadas que surgem dentro do sujeito. A noo do tempo  mais vaga. Lembranas e 
desejos do futuro so vividos no presente. Chega mos ao limite extremo do pensamento 
acordado. Daqui em diante a cons cincia se torna menos clara e nebulosa. Depois da 
coerncia temporal tambm a espacial das imagens internas se dissolve. Entre os grupos de 
imagens cenicamente ordenadas se insinuam elementos fantsticos num nmero cada vez 
maior, aglutinaes assintticas catatmicas de imagens. Chega-se assim ao estado de sono 
profundo que, conforme vimos, se compe quase sempre de imagens sensoriais entre as 
quais flutuam fragmentos dispersos do pensamento abstrato.
Deixamos comear o estado mais profundo de sono e hipnose aproximadamente no ponto 
em que se do as aglutinaes assintticas. Acima deste limite encontramos o pensamento 
filiforme como denominamos o desfile passivo de grupos de imagens que se suscedem em 
carter cenicamente ordenado, ou seja representativas de unies de imagens prprias de 
vivncias do indivduo, ou realmente possveis. Encontramos essa sucesso de pensamentos 
no sono e na hipnose superficiais.
Deve-se saber que existem certos sujeitos nervosos e psicticos no crculo esquizofrnico 
para os quais um relaxamento leve basta, e sem manifestaes de sono profundo para 
provocar uma dissociao fantstica de idias que em vez de se agrupar cenicamente como 
num filme, se decompem em parte em aglutinaes catatmicas. Diz-se desses indivduos 
que sonham acordados. Como se trata de indivduos dotados artisticamente seus sonhos 
podem cristalizar-se em ricas produes de fantasia, bastando lembrar E. A. PoE, E. T. A.
HOFFMANN e MOEJUKE.
Os sonos do homem comum so igualmente de grande importncia para o mdico para a 
anlise das correntes psicolgicas mais profundas como os respectivos produtos dos 
sonhos.
A fuga da idias mnicas pertence ao grupo de representao anormais. Um doente 
responde  simples pergunta Como vai. Vai, como est, em que regimento est 
servindo? O coronel est em casa, na minha cela. O ar. Viu o Dr. Klaus? Conhece a KOCH, 
ou VIRCHOW? Tem peste ou clera? Oh, que bela corrente de relgio, que horas so?.
No podemos colher exemplos mais puros de associao livre do que nos manacos. No 
existe o menor trao de representao diretriz e cada idia se associa com a precedente 
segundo o princpio da associao mais simples. No exemplo que acabamos de citar revela-
se facilmente a mudana de impresses por impresses sensoriais externas (corrente de 
relgio).
A fuga de idias mnicas (mesmo a artificialmente criada nas associaes de palavras do 
laboratrio psicolgico) se distingue muito mais no manaco do que no homem normal 
meio adormecido onde as idias mais claras variam com as mais difusas (esfricas). No 
manaco as imagens se atropelam muito mais do que no meio adormecido onde as imagens 
mais claras alternam com outras mais manchadas (esfricas). Parece por isto que na mania, 
as imagens se atropelam devido ao estado de excitao do aparelho motor da linguagem 
que leva o manaco  uma reduo considervel das cenas internas elaboradas. Por isto 
encontramos no pensamento mnico a associao pura do som (clausura, clula, cela).  
evidente que as palavras se apresentam com sentido muito diferente do que no pensamento 
perceptivo. Deixam de ser smbolos abstratos de um contedo concreto e aparecem na 
associao fontica como imagens acsticas reais e imediatas.
8. CAPTULO
MECANISMOS HIPOBLICOS
No domnio do processo de expresso reconhecemos uma estratificao pronunciada. No 
podemos, porm diferenciar os diversos estratos com tanta facilidade como nas snteses de 
imagens. Considerando de novo o histerismo e a esquizofrenia encontraremos entre os 
sndromes que nos oferecem agrupamentos atvicos de imagens tambm certos modos 
peculiares de funciona mento da psicomotibilidade que podemos denominar de graus de 
expresso primitivos.
MOVIMENTOS RTMICOS
No sndrome catatnico da esquizofrenia se observam formas de movimentos automtico-
rtmicos como estereotopia, verbegerao, etc. Durante horas em intervalos regulares o 
paciente poder emitir o mesmo som, ou a mesma frase, saltar num p s, esfregar, limpar 
ou andar em crculos, esfregar a mos at que elas sangrem e outras coisas mais. Vistos 
subjetivamente este:
casos se encontram no limite da volio, do impulso exercido e no participao psquica 
no sentido da contemplao passiva de movimentos independentes. H: tambm indcios de 
estereotopia e verbegerao acentuada (repetio rtmica de palavras) em certos estados 
crepusculares histricos e sndromes agudos d terror. No pensamento desperto, e relaxado, 
no cansao ou tdio do-se vezes movimentos montonos tpicos como: balanar-se na 
cadeira, tamborilha virar os polegares, desenhar figuras uniformes em papel mata-borro 
que rev iam claramente as tendncias primitivas de estilizao e disposio geomtrica 
simetria e repetio de formas. Tambm aqui o processo psquico e preponderadamente 
passivo. As mos descrevem sem querer os movimentos, empurrando o lpis com uni 
impulso volitivo fraco. Assim costuma-se dizer i dana o p se levanta.
TEMPESTADE DE MOVIMENTOS  PNICO E ATAQUE HISTRIC
Se podemos considerar a multiplicao espordica de movimentos ritmicos como sintomas 
de uma regresso do aparato psquico no seu conjunto de falas evolutivas, isto ainda tem 
maiores implicaes. Na srie de animais inferiores registra-se uma superproduo de 
movimentos em face de estmulos exterior Tempestade de Movimentos  Pnico, 4 J ri co
novos. Somente nas escalas mais evoludas o tateamento e transfere de fora para dentro, 
da zona de movimentos para de esboos de movimentos e atrs de um movimento psquico 
seletivo invisvel se encontra uma resposta rpida e adequada ao estmulo. . .
Quando um adulto civilizado sofre os efeitos de uma excitao por demais intensa sua capa 
filognica superior cai numa espcie de paralisia e abatimento e a capa interior assume a 
direo de todo o aparelho psicomotor. Uma verdadeira tempestade de movimentos 
impulsivos que podemos interpretar como movimentos de tatear substitui a reflexo 
calma e serena, (sem movi mentos). Sucedem-se os sintomas agudos de terror e angstia 
que acompanham o pnico que a psicologia ativa estuda em ocasies de catstrofes 
sbitas, terremotos, guerras, exploses em minas e incndios de teatro, etc. Os homens sob 
o impacto de pnico se movimentam como um enxame de infusrios em gua aquecida, 
impulsivos, sem rumo, com atropelos, gritos, gemidos, pisando uns aos outros. Quando um 
desses movimentos excessivos afasta o indivduo da fonte de excitao (uma casa que 
desmorona, um incndio) ele segue o rumo iniciado at que se tranquilize recuperando aos 
poucos a capacidade de raciocnio consciente. Tais estados de terror agudo no somente 
provocam movimentos propcios  fuga mas despertam a atividade exagerada de todo o 
aparelho de reflexos e as funes vegetativas de tudo que se move no organismo o que se 
traduz em movimentos rtmicos como tremores, contraes clnicas tiques nervosos e 
sinais violentos e irregulares de irritao no sistema crdio-vascular, no aparelho digestivo 
e todos os rgos de secreo.. Tudo isto no  planejado pelo intelecto mas dirigido pela 
pessoa profunda
A psicologia coletiva oferece tambm tempestades motoras anlogas s do pnico e 
motivadas por outras comoes afetivas fortes como a clera, o entusiasmo provocado por 
oradores polticos que fanatizam as massas e o xtase religioso que pode at provocar 
convulses, danas e glossollia. Conforme nos ensina a histria isto se deu com maior 
facilidade nos povos primitivos do que hoje. Tambm as crianas irracionais, as mulheres e 
os dbeis mentais tendem para as reaes pnicas e histricas.
As formas de expresso histrica so intimamente e amplamente ligadas s do pnico e do 
xtase. Os mesmos fenmenos psicomotores que no homem civilizado, so e robusto, se 
produzem somente em conseqncia de impulsos afetivos extremamente fortes, sobrevm 
s vezes em virtude de estmulos muito mais fracos em certos indivduos com um sistema 
nervoso pouco equilibrado de modo que em casos extremos de degenerao histrica 
bastam as menores emoes, um ligeiro desentendimento com algum parente, uma pequena 
ofensa, o desejo de impressionar terceiros, etc., para movimentar os mecanismos hipo. 
blicos mais intensos. Em tais indivduos, a capa filognica superior que corresponde  
vontade final madura, muito tnue e uma centelha afetiva pode perfurar e paralis-la, 
fazendo que a capa hipoblica subjacente ganhe a melhor.
O exemplo mais tpico da tempestade motora atvica se observa no ataque histrico que, ao 
lado de abundantes movimentos rtmicos (tremores e con traes) compreende uma 
multiplicidade de movimentos enrgicos de defesa ou de xtase com forte participao dos 
aparelhos que governam a vida vege tativa dos reflexos.. O acesso convulsivo como as 
demais demonstraes do histerismo se caracterizam por certo contedo teleolgico 
objetivo e do mesmo modo como a tempestade motora dos infusrios, constitui uma reao 
instintiva
115
Infantis, as epidemias de danas e flagelos da Idade Mdia o fenmeno da sugesto coletiva 
se observaram, numa intensidade que nos faz pensar numa doena coletiva. Em 
compensao observamos hoje em dia o delrio da guerra,. ideologias revolucionrias, 
rumores destitudos de razo, a ditadura da moda, nsia aquisitiva e crimes coletivos, etc.
Fora da validez generalizada da sugesto como fator que atua na nossa vida psquica 
normal associado  vontade finalista, encontramos fenmenos volitivos de sugestes 
desligadas por completo da mesma, unia vez que se encontram separada como mecanismo 
autnomo dentro do conjunto. Isto acontece nos mesmos estados de exceo nos quais os 
mecanismos restantes hipoblicos e hipnides dominam como na hipnose e nos estados 
histricos e nas imagens catatnicas da esquizofrenia. No catatnico a sugestibilidade se 
evidencia at a caricatura em formas de catalepsia ou do automatismo de comando 
(obedincia). A catalepsia representa o grau mais baixo dos fenmenos sugestivos. Consiste 
em que o catatnico se deixa ficar na posio que se imprime ao seu corpo podendo o 
mesmo ser moldado como cera. (Flexibilidade cerea). Basta um estmulo sensvel 
elementar (a flexo de um brao p. ex.) para que o doente responda automaticamente e sem 
refletir um momento, com uma atitude muscular motora. Encontramos igual automatismo 
nas contra-tenses musculares de certos negativismos catatnicos. A obedincia automtica 
conslitui ao contrrio, uma forma superior de sugestibilidade, pois, embora subsista o 
automatismo no h reao negativa a estmulos somticos elementares, no positiva a 
complexos psquicos diferenciados: a palavras, exortaes o comandos.
Encontramos estas duas formas de sugestibilidade na hipnose profunda con estados 
musculares catalticos ou efeitos de sugesto verbal nos quais ordens simples so 
executadas e representaes concretas so cegamente assimilada As sugestes dadas 
durante a hipnose persistem em parte durante o estado d viglia subseqente (sugesto 
ps.hipntica) um fato do qual os mdicos
aproveitam para fins terapu ticos.
Os fenmenos sugestivos nos histricos no diferem essencialmente d observados na 
hipnose, e se estudam com maior proveito no decorrer d sesses de tratamento por sugesto 
em estado de viglia. Observamos entre alternativas bruscas de tais fenmenos e 
negativismos obstinados em propores muito variveis. Assim como o histerismo infantil, 
por exemplo, apresenta uma sugestibilidade malevel como a cera nos enfermos de 
neuroses de guerra consecutivas de acidentes de trabalho, deparamos com um negativismo 
violento acompanhado de tempestades motoras hipoblicas que cedem emparte  sugesto 
e em parte ao emprego direto da fora. Esta diferena depende talvez idade e do sexo dos 
doentes, pois nos homens adultos os estados histricos em mdia menos freqentes, mas 
difceis de dominar do que nas mulheres e crianas, influindo ainda, que eles obedecem a 
motivos finais mais srios simplesmente a contrariedades passageiras mais ou menos 
caprichosos evocados por um ambiente desfavorvel.
Resumindo nossas observaes sobre o negativismo e os fenmenos sugestivos podemos 
distinguir duas formas extremas de um mesmo estado entrelaadas por graus 
intermedirios, um elementar e outro mais primitivo no q como ao amestrar animais 
superiores, simples estmulos sensoriais (dor, ii voz de comando) provocam atitudes 
musculares diversas, positivas (catalepsia ou negativas (contra-tenso catatnica) e outra 
forma indireta: representa e ordens so transmitidas verbalmente e a reao negativista ou 
de obedincia automtica pode ser composta de atos mais complicados. Embora estes: 
impulsos de maior complexidade se aceitam e executam cegamente e sem a menor reflexo, 
crtica ou justificao, a ao sugestiva que fica  margem da capa psquica superior do 
pensamento aperceptivo e final,  obra de qualidades sensoriais muito elementares e 
poderosas inerentes  palavra falada. Um exemplo tpico  a voz de comando que se 
encontra na linha divisria entre uma intimao verbal e um forte estmulo sensorial 
razovel. A terapia persuasiva emprega vozes enrgicas exatas, precisas, elevando a voz at 
o grito s vezes recorre se a meios ticos e tteis gestos e pantominas sacudidelas aplicao 
dolorosa de choques eltricos. Em outros casos, ao contrrio, servimo-nos de sons e fala 
suave, murmrios e cochichos, dentro de um quarto meio escuro para por o doente numa 
atitude passiva fazendo-o receptivo sem que vontade prpria interfira como se estivesse 
numa semi-sonolncia.
Ao lado das qualidades sensoriais elementares da palavra falada suas correlaes esfricas 
so de major importncia sugestiva como j observamos anteriormente. Chegamos a 
conhecer ao lado do significado intelectual e sentimental da esfera, a volitiva. Na 
vizinhana da conscincia encontramos germes de esboos de movimentos de integrao 
diferenciada que vencem espontaneamente ou podem ser despertados sugestivamente. Este 
aspecto volitivo no pode ser separado do afetivo.
Tambm na vida ordinria a eficincia e ineficincia sugestiva da palavra falada depende 
antes de tudo da qualidade sensorial e da ressonncia esfrica. Para se conseguir efeitos 
sugestivos em todas as profisses, a condio primordial consiste em dominar a motilidade 
do prprio corpo e o timbre da voz e antes de tudo ainda possuir um sentimento instintivo 
para as ressonncias esfricas das palavras usadas.
OS CIRCUITOS
Para o conhecimento da vida psquica s ou doente, o circuito  de suma importncia. Isto 
se refere tanto aos processos de figurao como de expresso. Ambos os aspectos da nossa 
vida psquica apresentam vrias capas filognicas sobrepostas, relacionadas entre si por 
dois modos distintos. Na vida psquica comum do adulto civilizado estas capas cooperam 
intima e conjuntamente, e so solidrias ao ponto de ser difcil diferenci-las. Percebemos 
que o pensa mento aperceptivo se alimenta sempre de uma corrente psquica ampla, de livre 
associao e que processos de aglutinao anlogos aos dos sonhos formam  na esfera da 
conscincia  um amplo crculo vaporoso de onde o pensamento vivo e desperto se 
transfere pouco a pouco ao ponto visual psquico. Vimos tambm que a cada momento se 
insinuam na vontade finalista motivada determinados hipoblicos de expresso, geralmente 
de ordem sugestiva. Ao lado da ntima cooperao de todos os aparelhos psquicos 
encontramos um segundo tipo de funo em forma de circuitos fechados. Assim sendo uma 
capa s trabalha independentemente com a excluso das demais, ou duas delas constituem 
um circuito para funcionar no em conjunto, mas individualmente e em ocasies 
antagnicas. Podemos assim distinguir outros crculos alternativos e em derivao. No 
momento de se passar para o sonho, a funo psquica pode passar do pensamento 
aperceptivo ao onrico. No estado crepuscular histrico a sucesso de imagens adota s 
vezes de improviso o carter de aglutinao catatimica para voltar com igual rapidez ao 
tipo normal do pensamento acordado.
Deste modo produzem-se fases psquicas claramente limitadas, a maneira de unidades 
orgnicas separadas umas das outras como por uma fenda. Este circuitos alternados se 
observam tanto em estado de sade perfeita como a doena.
Em compensao o circuito justaposto ou de deriva  constitui em sua formas tpicas um 
sintoma patolgico. Eles so freqentes em geral na esquizofrenia e em certos estados afins 
de indivduos com equilbrio nervoso instvel e nos graus extremos eles apresentam 
manifestaes conhecidas como Conscincia dupla. Pessoas e coisas do ambiente podem 
aparecer simultaneamente tanto no seu aspecto real como sob outro diferente e imaginrio 
como acontece nos sonhos. O velho mdico da famlia  ao mesmo tempo um misterioso 
chefe de um bando de nihilistas que lhe inflingem terrveis torturas e azias: as idias no lhe 
parecem incompatveis na sua conscincia. Encontram tambm no sonho indcios deste 
circuito duplo especialmente em certas fases do sonho j mais profunda, porm flutuante.
Para nossa tarefa teraputica as conexes do aparelho de expresso tm importncia 
especial sobre tudo na histeria (KRETSCHMER 1 58). As diversas capas podem ser 
distantes umas das outras. Freqentemente notamos que paciente ao mesmo tempo quer e 
no-quer que ele aspira curar-se segundo sua vontade racional, alimentando porm no 
fundo um negativismo hipoblica e recalcitrante oferecendo uma resistncia impulsiva to 
logo, percebam que cura est perto. Vemos assim que uma simulao inicialmente delibera 
como um andar trpego, um tremor aprendidas  fora de ensaios se tornem um hbito e se 
emancipa cada vez mais da vontade do indivduo e sucumbir ao domnio de correntes 
hipoblicas cegas, porm muito poderosas. Um antrpego por exemplo se intensifica 
enquanto a esfera hipoblica se disso cada vez mais da vontade finalista. Quando nos 
esforamos por persuaso racional e ajudado por exerccios livr-lo do seu transtorno e j 
pensamos alcanado um sucesso, o paciente salta de repente da finalidade para 
Hipobulia de resistncia. Em vez de um homem racional enfrentamos i fera que mostra 
suas garras. A conscincia se concentra sobre um s pois o olhar fica rgido e ausente, uma 
saraivada de negativismos de mecanismo de tremores e convulses se abate sobre ns. 
Gritos, suor e respirao ofegante nos atacam. No podemos eliminar estas resistncias 
hipoblicas com persuaso e exerccios paulatinos, mas somente por sugesto, estmulos 
sensoriais formadores e comandos, como ao domesticar uma fera.
J vimos que na fase hipoblica no existe uma diferenciao entre impulsos volitivos e os 
reflexos derivados de estados afetivos ou seja e as expresses prprias da vontade e da 
afetividade. Por isto o histrico se defende dispe de ignorados e profundos mecanismos 
produtores de reflete para conseguir suas tendncias de fuga e defesa que no poria em 
funcionamento em estado normal. Ele pode tremer, vomitar, ficar rouxo ou p com uma 
facilidade e rapidez que um ser normal no alcana. Fora d circuitos hipopblicos existem 
outras vias para os mecanismos receptores reflexos, cujos conhecimentos so 
indispensveis ao mdico. De um repentino, por exemplo, pode sobrar um tremor reflexivo. 
Mediante a u muscular difusa e voluntria e acumulao afetiva intencional um simulador 
astuto pode manter um resto de reflexos, reforando-os at execut-los automaticamente em 
poucos dias. Quanto mais isto acontece e se intensifica na conscincia critica do indivduo 
tanto mais uma reao inicial de susto ou simulao se torna histrica e pode dar origem a 
dissociaes hipoblicas secundrias. Denominamos de reforo voluntrio de reflexos 
processo que acabamos de descrever e que est na origem do mesmo e das suas 
conseqncias.
TERCEIRA PARTE
INSTINTOS E TEMPERAMENTOS
9. CAPTULO
INSTINTOS e SUAS VARIAES - CLASSIFICAO POR CONCEITOS E 
RELAES RECIPROCAS
O Lato bsico da polaridade da funo dos instintos  importante, pois sem ele muitos 
fenmenos de ordem psicolgica e psicopatolgica no podem
ser compreendidos.
1. A escala quantitativa (provavelmente organicamente fundada). Um instinto pode ser 
sentido como forte, fraco ou de forma nenhuma. Alm desta graduao normal unipolar 
existe ainda a bipolar que se situa entre o instinto forte demais (no adaptado) e o faltante 
(mas necessrio). Somente em casos de doenas, p. ex. distrbios cerebrais circunscritos ou 
psicoses, o _ndulo das necessidades no vai do centro a uma ou outra extremidade, mas fica 
ligado a um plo s ou ao menos mais perto dele. Falar de desinibio ou inibio seria 
errado. Estes termos foram aplicados irrefletidamente  psicologia e psicopatologia. No seu 
sentido conceitual eles pertencem  cate goria mgica e querem exprimir o efeito de um 
subjeto sobre o corpo ou o mundo material. No plano objetivo ignoramos se por exemplo 
um impedi mento de instintos  acompanhado de interrupes ou remanejamento fun 
cional, ou alteraes qumicas no crebro. Mesmo que a fisiologia um dia consiga 
esclarecer este ponto, o duplo conceito inibio-desinibio ficaria circunscrito ao lado 
subjetivo da psicologia normal. Somente um sub jeto pode libertar ou impedir os impulsos 
internos (veja domnio dos instintos).
2. O contraste orgnico-reflexivo. Trata-se de uma polaridade qualitativa entre o instinto e 
o contra-instinto. Estes esto numa relao antagnica e recproca. Isto se evidencia 
claramente no terreno elementar-psquico, esta belecendo-se um paralelo com a regulao 
polar centro-neurolgica ergotrop trophotrop (p. ex. movimento-calma, estar acordado-
dormir). Os impulsos bsicos e os afetos so orientados pelo diencfalo que em 
experincias com animais, e eventualmente tambm com seres humanos, pode deflagrar, 
partindo de pontos motores circunscritos, ora uma excitao manaca ou uma calma de 
estupor ou coma (FOERSTER e GAGEL, 1938). s vezes eles se revezam em ciclos 
peridicos (BERINGER 1942, FEUCRTWANGEI& 1930 e outros). Este esquema no 
satisfaz mais no contraste impulso de agresso e fuga. (Segundo HEss as atitudes de 
agresso e fuga nos animais podem originar-se da mesma regio cerebral com impulsos 
intensivos e eltricos diferentes. Ambos so determinados pelo ergotropo e formam uma 
antinomia de reflexo dentro da mesma regio
modal. Quase o mesmo pode ser aplicado aos impulsos  Um caso limtrofe e bastante 
complicado  o contraste entre Atitude de pudor e susto que se liga por reflexo aos vasos 
sangneos da face, O primeiro caso (enrubecer) representa uma tendncia de defesa 
(desnudar) e o segundo (empalidecer) o instinto de fuga de um modo hipottico.
Em exigncias mais complexas porm (ertico e social) encontramos duas
escalas quantitativas mas nenhum oponente evidente. As oposies elementares
so evidentemente equilibradas pr zma polaridade mais elevada e recproca.
3. Cada instinto possui sua forma positiva e negativa. Quer dizer que o indivduo aspira a 
uma finalidade visando uma unio ou uma sntese harmo niosa, ou ele evita medrosamente 
esta finalidade e procura a perturbao dessa harmonia ou em caso extremo ele procura 
distanciar-se.
4. Os instintos se orientam ativa ou passivamente. No primeiro caso pre domina a 
necessidade de formar a finalidade do instinto, no segundo caso predomina o desejo de 
vivenciar ou sofrer a mesma finalidade (impulso sexual, de dependncia).
Os plos podem misturar-se ou (eventualmente de um modo abruto) re vezar-se ou 
misturar-se. Por cada instinto que constatamos devemos procurar o local dentro das trs 
polaridades: forte-fraco (faltante), positivo-negativo, ativo-passivo. Somente o homem sabe 
dominar estas escalas, intencionar ou brecar as exigncias (o que  natural), frei-las, 
coorden-las enquanto que no animal os movimentos finalistas so regidos pelas leis da 
natureza.
No homem no  to fcil assim descrever o que sejam impulsos genunos e independentes 
em face da sua psique mltipla determinada. Como no se pode determinar seu nmero 
existem vrias divises tericas que possuem um valor de aquilatao diminuto. A pouca 
formalidade das vivncias impulsivas (e tambm das aes) sua plasticidade e variabilidade 
se devem aos processos de ensino flutuantes muitas vezes cruzado por impulsos e inibies. 
Na sua periferia cada impulso bsico se perde sem limites no amplo leito do tempera mento 
geral de um lado, e nos modos de comportamento ditados pelas situaes sociais diferentes. 
Somente nos casos onde podemos ligar as exigncias s subs tratas isolveis corporais 
podemos salient-las hipoteticamente como impulsos isolados, como complexos psquicos 
num sentido biolgico. Na classificao qualquer comparao com o mundo animal 
descendente no nos ajuda por que ngo podemos formar um juzo sobre vivncias 
subjetivas dos animais. Pode mos somente estabelecer paralelos para os reflexos e 
movimentos situacionais em homens e animais. Neste sentido encontramos nos pontos de 
exitao e no circulo funcional do crebro, acoplados com movimentos corporais 
integrados teis (tambm atos impulsivos) pontos de vista fisiolgicos importantes para a 
classificao. Por maiores que sejam os progressos neste terreno, no devemos esquecer 
que classificamos ainda os instintos primitivos do homem essencial- mente segundo o 
sistema orgnico que se destaca.
Postulamos como instintos bsicos independentes:
1. O impulso de sono e acordar
2. impulso de movimento simples
126
Instintos e Suas Variaes
3. de nutrio (inclusive digesto)
Jnsf Gregdri
4. de conservao (agresso, defesa, fuga)
5. de aquisio
6        sexual
7        social (cuidados, ternura hierarquia)
Devemos observar que estes grupos nuo se encontram no mesmo nzvel segundo o seu 
conceito. Uni  mais coletivo, outro mais individual ou dife renciado. Quanto mais subimos 
a escala precedente tanto mais difcil se torna localizr as exigncias no crebro 
(especialmente por observao de impulsos ou falt dles). Na vida normal nenhum instinto 
se manifesta sozinho, mas sempre em companhia de outros, O dever mais importante e 
difcil do diag nstico consiste em ponderar os componentes individuais. No h coisa mais 
estupida do que querer reduzir todas as exigencias a um s instinto, o sexual por exemplo. 
O instinto de nutrio fica perto do da aquisio e da seguran, e os pontos de afinidade 
entre poder-agresso-sexo se reconhecem facilmente. Os instintos mais complexos, 
ensinados e variveis em nada devem ao instinto bsico, quanto  dinmica e rigidez 
autnoma, em certas circunstncias.
Os instintos bsicos do homem acusam no seu esquema e na sua finalidade constantes 
firmes e pouco influenciveis. A representaao imaginria das necessidades varia na 
conscincia num volume ilimitado por ser formada por exemplos e adestramento com 
variaes por uma idia espontnea e individual. O mesmo acontece no ato da satisfao. 
Mas assim como a fantasia  superior ao ato, assim o instinto  inferior ao impulso no 
homem ao menos.
Diversas zonas relativamente independentes de necessidades e medo podem ligar-se no 
somente por causa de existir algo de comum entre os diversos grupos de instintos mas 
tambm por motivos de uma disposio especial, uma doena ou influncias marcadas do 
ensino, mesmo onde menos o esperamos e onde menos sensato parece. Chamamos a isto de 
acoplagem de instintos. Ela desempenha um papel importante no diagnstico e na 
psicoterapia, assim como a irradiao de energias psquicas de uma zona de instintos para a 
outra (irradiao de instintos).
INSTINTO GREGRIO
O movimento a necessidade mais comum de todos os seres vivos. Em contraste com a 
quietude polar complementar, a imobilidade significa a morte. A teoria do movimento 
encerra em si (como j o vimos) toda a teoria dos instintos e representa um abismo maior 
do que a polaridade sexual. A neces sidade de movimento inata ao homem chamamos de 
instinto gregrio. Ele no deve ser sujeito ou equiparado a outros instintos especiais, devido 
ao seu carter universal e geral. Somente o conhecimento que o movimento pode ser 
causado por uma motivao psicolgica ou crebro-mecnica (doentia) faz que n 
incorramos num mal-entendido. Indagar sobre a necessidade e a decor rncia dos 
movimentos faz parte das obrigaes mais importantes do mdico e especialmente do 
psiquiatra. Este fenmeno  estreitamento ligado (embora somente do lado motor) aquilo 
que chamamos de Impulso. O instinto
127
gregrio j possui suas caracterfsticas. Onde ele morre, como na imobilidade psictica. 
todos os outros processos instintivos e de raciocnio morrem tambm. Do outro lado um 
excesso doentio de movimentos como uma excitao esquizo frenica poder levar  morte 
por exausto.
Notamos nos animais que a soma total das suas energias vitais hipotticas no satisfaz 
apenas suas necessidades imediatas mas que sobra um resto apre civel que supre o luxo 
de movimento e a atividade ldica. G&oss (1899, 1930) fez um estudo acurado sobre o 
sentido biolgico desses divertimentos. No h finalidade absoluta neles, tendo porm uma 
funo importante e imediata no sentido fisiolgico para exercitar as foras e a destreza e 
psico lgica como reserva de comportamento disponvel do qual poder surgir em ao 
recproca com os fatores impulsivos algumas realizaes novas cultural- mente complexas. 
Tambm a inteligncia tira matria do divertimento ldico. Esta matria se desenvolve 
entre os poios da utilidade em si e do melhora mento das condies de vida. SCILLER 
(1794) como filsofo, demonstrou de modo convincente a importncia vital e elevada do 
impulso ldico.
INSTINTOS DE NUTRIO.
 geralmente sabido que a Fome e a Sede dependem tambm de condies metablico-
hormonais. Na patologia clnica encontramos focos manifestos ade quadamente localizados 
do encfalo com graves e grotescos excessos dos instintos orais: uma sede insacivel, perda 
total da sensao de fome ou fome descon trolada sem que se d a sensao da saciedade, 
bem como a troca de apetncia (de doce para azedo). Em alguns raros casos existe a 
interferncia com instin tos agressivos (devorar animais vivos) com perda total do 
sentimento de asco (ur e coprofagia).
Dentro do ramo das sndromes dienceflicos na fratura da base do crnio o instinto de 
defecao se apresenta, nem sempre satisfeito numa crise intestinal frustrada. (E. KR 
1954).
Todas as mudanas psquicas e alteraes do humor podem exercer sua influncia sobre a 
fome e o apetite especial. A influncia negativa das psicoses sobre os impulsos necessrios 
 to grande que um doente numa depresso mal reprimida ou numa imobilidade catatnica 
 capaz de morrer de fome, frente a um prato de comida se no o socorremos. O instinto 
nutritivo na forma da fome desempenha papel episdico apenas na nossa sociedade 
industrial. Onde a fome se apresenta como epidemia e sobretudo pelos efeitos cumulativos 
de sugesto das massas ela pode provocar descargas afetivas desastrosas, assasi natos, e 
violncias, e facilitar a exploso de reaes neurticas primitivas. (cpt. 8)  A 
desnutrio prolongada em condies higinicas desfavorveis de alojamento, abrigo, etc.) 
poder dar impulso a grande migraes tnicas, revoltas, guerras e revolues sociais, ou 
seja exatamente aqueles acontecimentos coletivos que continuam sendo de importncia 
capital para o melhoramento da raa, os cruzamentos genealgicos, a seleo e assimilao 
de castas aristo crticas dirigentes.
128
Instintos e Suas Variaes
instinto de Sobrevivncia ou (Conservai        129
INSTINTO DE SOBREVIVNCIA ou (Conservao) (Instintos de Agresso e Segurana)
Devemos diferenciar dois aspectos basicamente diferentes nos instintos de agresso. Em 
primeiro lugar a reao  penria (fome) e ameaa e do outro lado o impulso primrio de 
hostilidade a comunidade. Este ltimo pode ter razes psicolgicas diversas mas no as de 
uma ameaa imediata. Existe entre ambas as formas uma ampla zona de transio  qual 
pertence o perigo suposto. Mas a distino tem que ser feita. Somente o primeiro aspecto 
pertence ao instinto de conservao. O segundo deve ser tratado como instinto social.
Os instintos de agresso (de causar prejuzo)  encontrado no homem e nos animais como 
luta de rivalidade (alimento, territrio, parceiro sexual), como defesa (prpria, da prole, da 
sociedade, e como ataque tambm na procura de alimentos (matana de animais). Como 
sadismo e masoquismo (prazer ativo e passivo na crueldade) existe uma ligao com a 
excitao sexual que mostram um nexo gentico com o carter conquistador (mas no 
neces srio) da cpula.
Deve-se tomar cuidado de no equiparar o instinto de conservao com o da agresso. Os 
critrios aplicveis so dois: prejudicar e usar a violncia. Quando falamos dos mecanismos 
hipoblicos vimos que o instinto de conser vao se afirma como fora elementar.  O 
medo como instinto negativo, como resposta a uma ameaa  o afeto mais importante, 
capaz como nenhum outro de pr em evidncia os sentimentos atvicos mais profundos, 
mobilizando toda classe de mecanismos de proteo e defesa (fuga). O paradigma para as 
rea es de medo e terror junto com outros fatores nos foi fornecido como experi mento das 
massas pela neuroses de guerra. Assim como nas neuroses puras dos aposentados, crnicas 
no seu desenrolar o desejo pelas vantagens materiais se manifesta no conjunto da vida 
psquica por acessos furtivos de mau humor, indiferena e abulia atnica e molstias 
somticas difusas, as neuroses provo cadas pelo pavor e pela angstia ocasionam danos 
mais srios. Estes afetos atuam de um modo particularmente violento e brutal sobre o 
sistema psico motor e o conjunto da esfera expressiva, ocasionando graves contraes ou 
relaxamento dos msculos, excitaes no sistema crdio-vascular, tempestades motoras, 
ataques de tremor, estupor e fugas pnicas, alm de transtornos da conscincia e estados 
crepusculares.
De um modo bastante diferente do que o terror agudo atua sobre a psique a preocupao 
constante de conservar a vida e a sade. Destas angstias latentes surge o grupo das 
molstias hipocondracas e delrios que compem uma parte substancial de inumeros 
sofrimentos fsicos, neuroses e psicoses. Isto se d em vrios estgios da vida, como na 
puberdade que, por intensificar em demasia o impulso vital torna o individuo hipersensvel 
 menor ameaa espe cialmente dentro da esfera sexual predominante nessa ocasio e 
depois no climatrio e a senilidade incipiente onde a sensao da vitalidade decrescente se 
transforma em idias hipocondracas encontrando sua cristalizao em mols tias objetivas. 
Na puberdade aparecem os escrpulos do sexo (masturbao, contgio venreo) que crjam 
as idias hipocondracas enquanto que no incio da senilidade prevalece o medo do cncer, 
a presso arterial por demais elevada e a arterioesclerose.
j30        !nsti Variaes.
INSTINTO DE AQUISIO
Apoderar-se por motivos vrios de um objeto ou de um ser vivo faz parte dos impulsos 
mais elementares, importantes e existenciais. Como instrumento de aquisio e guardar , 
servem em primeira linha as mos, em seguida a boca e os ps. Mas tambm o corpo todo ( 
 envolvido direta ou simbolicamente. Consideramos como propriedade: territrios, objetos 
(dinheiro) e descendentes, tambm amigos e pessoas dependentes. O automa tismo 
impulsivo de ganhar e aumentar as posses  to forte que o aumento da propriedade 
incrementa tambm a concupiscncia. Basta lembrar que certos animais em busca de 
alimentos armazenam uma quantidade muito maior em relao s suas necessidades 
imediatas. O homem do outro lado, torna-se inse gi na medida em que suas posses 
diminuem embora no esteja objetivamente ameaado.
Nos reflexos de chupar e apalpar dos bebs temos os primeiros ensaios inatos das 
tendncias captativas. Os instintos de aquisio que se manifestam mais tarde so variveis 
em suas formas e sujeitos  educao. Em casos anor mais constatamos a a de colecionar 
tudo e a avareza o que pode assumir formas grotescas em doenas psquicas. Na sua fora 
afetiva insopitvel estes instintos anormais no se diferenciam dos instintos bsicos vitais.
O instinto de aquisio forma um setor do instinto de segurana; sendo subordinado a 
este ltimo. O dinheiro por exemplo serve ao lado da luta pelo poder  nsia pela 
segurana. Em geral o dinheiro  um equivalente para os prazeres da vida. A fora de um 
instinto, criador de neuroses  o melhor reagente da sua fora psicolgica normal e da sua 
importncia. O ideal con siste em ganhar dinheiro sem fazer esforo.  este o ponto criador 
de um grupo principal de neuroses. A legislao sobre acidentes forneceu-nos um 
experimento de massas de como ao lado de vrias componentes ativas e a perspetiva de 
ganhar dinheiro sem trabalho, mas tambm o medo da misria material agem sobre grandes 
camadas da populao. A incapacidade de liber tar-se da pequena soma que a aposentadoria 
representa (antes que medidas profilticas foram tomadas) transformou um exrcito de 
seres humanos de fraca resistncia psquica em invlidos psquicos numa caricatura 
tendenciosa. Atrs das neuroses de aposentadoria comuns escondem-se impulsos neurticos 
pessoais mais profundos, conflitos de autoavaliao, ressentimentos socais e no raras 
vezes conflitos sexual-psicolgico e familiares de maior amplitude, sendo a luta pelo 
dinheiro apenas um motivo isolado, aparente.
INSTINTOS SEXUAIS: INTENSIDADE E INIBIES.
A maior importncia psicolgica e psicopatolgica atribui-se ao grupo de instintos que 
retem a vida sexual. Sob condies culturais divergentes as tendncias sex uais so as 
relativamente mais independentes, independente da amplitude de sentidos que lhes 
queremos atribuir. O instinto sexual  uma componente essencial e inseparvel do 
temperamento integral do indivduo e participa muito ativamente, na elaborao da sua 
personalidade total. Trata-se de um fator dinmico de primeira ordem pois proporciona a 
maior parte das
Instinios Sexuais: In1ensidade e Inibies        131
foras que pem o aparelho psquico em atividade, algumas vezes direta e conscientemente 
mas na maioria das vezes por via indireta atravs de comuni caes ocultas, disfarces e 
metamorfoses mas sempre de modo muito mais intenso do que supomos. (BILz 1943).
Nos seus fundamentos fisiolgicos, os instintos sexuais so amplamente dominados por 
fatores hormonais, hematoqumicos e sua intensidade e orien tao dependem em alto grau 
das funes das glndula germinativas e da hip fise que lhes so subordinadas. Os 
caracteres e as funes instintivas de um e do outro sexo podem ser mudadas dentro de 
amplos limites mediante fatores hormonais. No que concerne ao diencfalo, tanto focos 
encefalticos com fra turas da base do crnio podem debilitar, abolir mas tambm desinibir 
o instinto sexual. No apogeu da vida desenvolvem-se s vezes sobre esta base perverses 
do instinto (homossexualidade, pedofilia, exibicionismo) que se reconhecem com a ajuda 
de uma anamnsia cuidadosa pelos seus sintomas enceflicos ou traumticos em ocasies 
pouco manifestas ou pela radiografia do terceiro ven trculo. Nos laudos forenses eles 
passam muitas vezes despercebidos. Para o estudo das neuroses ou da psicoterapia deve-se 
ter em mente que no se pode resolver analiticamente em aes psicgenas completas todas 
as perverses instintivas homossexuais ou de outro gnero.
A intensidade do instinto sexual  sem dvida um. fator psicolgico de variada importncia. 
A simples fraqueza do instinto no leva a conflitos ps quicos, mas protege dos mesmos. 
Ela  antes acompanhada de tendncia para o autismo, afetividade fraca, e indolncia. 
Encontramos em personalidades fortes e ativas encontra-se raramente um instinto sexual 
fraco, mas antes anor malidades e supresso. O fracasso precoce do instinto antes bem 
desenvolvido leva a depresses, sentimentos de insuficincia e outras compensaes. 
Especial mente no casaipento surgem dificuldades quando num dos parceiros o instinto 
permanece ativo enquanto no outro ele est em declnio. Isto leva  infide lidade conjugal 
da qual derivam complicaes variadas, cime cego, e neuroses e alucinaes. Em 
personalidades eticamente diferenciadas isto poder pro vocar graves conflitos ntimos, e 
reaes neurticas e sensitivas. O instinto sexual simples mas forte harmoniosamente 
ligado ao temperamento, no pro voca distrbios. Encontramos nas prostitutas profissionais 
um impulso sexual exageradamente forte, mas tambem fraquezas infantis de 
desenvolvimento que lhes permite manter relaes sexuais como se se tratasse de um 
negcio. Muitas delas so dbeis mentais (K SCHNEIDER, 1921). Surgem, entretanto 
muitas com plicaes quando o regulamento de instinto funciona exageradamente ou de 
forma anormal. O instinto brutal e desenfreado leva s vezes a atos criminais. Do outro lado 
certas inibies psquicas extremas podem manter-se to fortes quanto na puberdade. 
Registram-se ento graus de timidez ou estupor de afetos (imobilidade causada por timidez 
exagerada) em face ao outro sexo que podem frustrar a finalidade sexual e a realizao de 
um casamento. Causam at por anos seguidos tenses psquicas e uma evoluo neurtica 
infeliz da personalidade.
As frustraes fazem parte da estrutura normal biolgica do instinto sexual. No , como 
muitos mdicos e a psicoanlise o querem entender, que o sen tido da vergonha e o 
recalque de imagens indecentes se baseiam somente numa conveno moral superficial. 
Sob o ponto de vista mdico e tico seria um erro
132        Instintos e Suas Vari
fatal que pode ser rejeitado no terreno biolgico, querer crer que somente a
necessidade seja um ato natural e o recalque uma mera conveno social.
A grande ambivalncia do instinto sexual que de acordo com as circuns tancias v no 
mesmo ato algo de desejvel ou repugnante  fundada primaria mente no ser humano em si 
e secundariamente na biologia. Nota-se natural mente como no estgio da puberdade a 
fantasia se orienta com muita ansiedade pela sexualidade enquanto que a oportunidade que 
se oferece para estabelecer um contacto ertico real, ou uma leve aquiecncia da outra parte 
neste sentido, provoca apenas medo, recusa e at um grave choque de afetividade. Durante 
a puberdade o aparelho inibidor no evolue regularmente mas de um modo bastante brusco, 
e assim encontramos ao lado de uma inibio e timidez acen tuada uma desinibio 
eruptiva que se manifesta por risos, chacotas, e perda de controle. Tudo isto nos demonstra 
com clareza a disposio antagnica dos nossos instintos.
A ambivalncia real se desenvolve expontaneamente pelas leis da natureza
nos jovens de disposio normal onde no exjste influncia do meio e onde
os jovens no foram influenciados pedagogicamente num sentido restritivo e
instrutivo. A falta de pudor sexual no se encontra entre jovens normais
e bem formados mas ao contrrio nos degenerados e dbeis mentais, O pudor
 o caracterstico da sade psquica (Biiz, 1967).
 exatamente da ambivalncia das fortes tenses da sua estrutura afetiva primria que o 
instinto sexual ganha sua importncia dinmica avassaladora e cultural. Com isto no 
queremos dizer que pela influncia do ambiente a polaridade bsica entre instinto e controle 
do instinto no possa ser influenciada produtivamente ou desfavoraveirnente. No, 
possumos meios para em casos individuais acertar a participao da disposio biolgica e 
da educao ou de separ-la. Isto se deve no somente  falta de visibilidade dos fenmenos 
mas tambem ao carter apriorstico do Tabu que no se pode nem explicar, nem derivar, 
como todos os traos humanos fundamentais.
Com a inibio dos instintos e o sentimento do pudor a supresso ou o recalque de 
imaginaes sexuais se encontram intimamente ligados. O esque cimento, afastamento, 
negligncia catatmica de fatos ambivalentes e de des prazer representa um modo 
psicolgico comum da elaborao vivencial que se aplica a todos os casos e no aos sexuais 
somente. A entretanto o recalque possui uma funo especialmente forte e coordenada. 
Antes e durante a puber dade as crianas possuem menos conhecimentos dos processos 
sexuais do que se poderia supor em face da fora de combinao e da abundncia de obser 
vaes que lhes so proporcionadas, mesmo sem nenhuma orientao. Isto  um fato cujo 
aspecto biolgico no deve ser negligenciado.
O homem descobre somente aquilo que sua disposio interna lhe permite.  melhor 
falarmos de incompreenso, porque o recalque exige um caso problemtico especial 
como causa. A tendncia de recalque aumenta no perodo do amadurecimento, e se 
preserva mais tarde em certo grau Pessoas amadurecidas e generosas sentem 
freqentemente e involuntariamente resistn cias afetivas em face da discusso de processo 
sexuais somticos, o que no acontece em outras convenes sociais. Isto no  apenas um 
produto do ambiente. Embora haja muitos costumes diferentes entre os povos, nenhum  
indiferente  vida sexual.
O nstinto Sexual e Suas Variedades 133
Vemos pois, no sentimento de pudor, na timidez e no recalque elementos existenciais 
fisiolgicos e psicologicamente humanos do instinto sexual que, ao existirem excesso ou 
quando faltam, podem ser as causas de dificuldades indi viduais ou sociais.
Podemos incluir nos distrbios de regulamento a atitude alternante em relao ao sexo que 
muda do abruto para a de motivao incerta. H um contnuo vai-vem entre uma super 
exitao e um alheiamento total que faz com que o homem veja na mesma mulher ora uma 
santa, ora uma megera, ou que a mulher cumula um homem de provas de amor para rejeit-
lo em outra ocasio com alfinetadas cruis que fica bria de amor para sentir em seguida 
um dio mortal. Na fase da frieza sexual a mulher gosta de refugiar-se em atitudes de 
defesa histrica.
Os djstrbios de regulao sexual do homem so sem dvida a ejaculatio praecox e a 
impotnCia. Este ltimo pode ser provocado, por uma fraqueza do instinto, por defeitos 
hormonais ou genitais ou por anormalidades nas vias inferiores dos reflexos. Na maioria 
das vezes a importncia tem causas ps quicas, por exemplo por uma tentativa frustrada de 
copulao quando a concen trao angustiada impede a ereo automtica (assim como 
todas as atividades reflexivas, falar, andar, funcionam tanto melhor quanto menos ateno 
se lhes presta). s vezes a excitao sexual j  frustrada na sua origem por compo nentes 
perversos ou complexos esfricos de imaginao, antipatia latente, lem branas 
desagradveis, sentido escondido de nojo surg das profundezas da conscincia.  como 
uma lembrana de infncia que deixa em ns uma repug nncia contra uma certa comida 
por exemplo, por ambiguidade. Freqente niente a impotncia  a resultante de outros 
fatores no terreno fsico ou psquico cuja dualidade de relaes bastante complicada nos  
desconhecida ainda.
O INSTINTO SEXUAL E SUAS VARIEDADES
O instinto sexual em si no tem nada de simples ou indivisvel. Vemos seu grande nmero 
de variedades e perverses de finalidade incerta, caprichosa, dissimulada ou singulannente 
deformada por combinaes com outros grupos afetivos.
A masturbao ou auto satisfao sexual no constitui intrinsicamente uma perverso. 
Quando no chega a um grande excesso, trata-se de uma simples manifestao transitria e 
secundria, fisiolgica e inofensiva do impulso sexual so, uma espcie de vlvula de 
segurana do mesmo que entra sempre em ao quando a satisfao da necessidade sexual 
esbarra com algum obstculo imposto pela exigncias da vida social. Torna-se, porm, uma 
aberrao sexual ao se converter em meio para o fim ou seja quando prevalece sobre as 
relaes sexuais normais e as substitui, embora no haja necessidade manifesta. Ela se 
desen volve em indivduos de constituio parcialmente atrasada nas quais preva lecem as 
inibies exageradas e as ambivalncias da puberdade, dificultando o contacto com o sexo 
oposto, bem como em pessoas de difcil acesso em geral. Trata-se neste ltimo caso de 
pessoas autistas, psicopatas esquisides, no somente propensas  auto satisfao sexual 
mas pouco inclinadas por tempera mento a relacionar-se com outras pessoas e habituadas a 
se bastarem a si
mesmas. Tambem o auto-erotismo (narcisismo) segue a mesma direo concen trando-se 
por demais sobre a atitude sexual e no sobre o temperamento em sua integridade, sendo 
prefervel usar o termo autismo proposto por BLEULER 1969) reservando o de 
narcisismo,  idolatria com a propria pessoa e especial mente os cuidados ostentativos com 
a aparncia externa e efeito sobre a sociedade.
Sob o aspeto da psicologia mdica a masturbao adquire sua importncia
mxima quando tomamos em considerao o complexo de valores tico-higinicos 
inerentes  ela.
Povos e grupos tnicos viam na limitao do instinto sexual no uma necessidade social 
relativa imposta por convenincias, mas sim um ideal tico absoluto. A vida sexual era 
considerada um mal inevitvel, tolerado apenas para garantir a perpetuao da famlia e do 
estado e sua abolio total a favor de uma vida religiosa meramente contemplativa era 
considerada como o grau mais elevado da perfeio pessoal. Nas instituies religiosas a 
sexualidade representa o mal em si, o pecado o centro em redor do qual tudo que  proibido 
se agrupa, paradigma da carne contra o esprito de tudo que no  santo nem divino, 
todos os impulsos baixos e atvicos, contra a luta pelas finalidades as mais elevadas 
cultural-ticas.
Esta atitude rspida que se origina do carter de Tabu primrio e
ambivalente do instinto sexual se compreende muito bem como fase transitria
de um processo histrico.
As concepes mdicas sobre a sexualidade e especialmente a masturbao, se ressentem 
muito deste critrio moral. As doenas sexuais e a neurastenia sexual constituam para o 
vulgo um complexo de pouco peso no pensamento mdico daquela poca envolto na 
atmosfera afetiva provocada pela moral popular, segundo a qual toda atividade sexual no 
autorizada provocava uma espcie de castigo divino, os piores males corporais e psquicos, 
esclerose da medula, encefalomalacia, e consuno. Estas idias em matria de higiene 
sexual representam uma simples variante das normas ticas de igual ndole. Derivam deste 
ponto de vista tico-higinico uma grande parte de neuroses e psicoses reativas mesmo que 
nem todo carter se deixe influenciar na mesma medida dos preceitos morais. 
Personalidades mais diferenciadas sentem ento conflitos agudos entre seu ideal tico e 
suas necessidades sexuais. A incapacidade reiterada de resolv-los provocam estados de 
uma tenso psquica violenta que por sua vez causam formas de reaes como idias de 
referncia e impulsos obsessivos. Nos seres mais simples isto se reduz simplesmente em 
reaes hipocondracas cuja gnese sexual se reflete nos seus rostos. Outras vezes os 
conflitos sexuais reprimidos passam por complicadas metamorfoses psico-fsicas e acabam 
em manifestaes histricas muito diferenciadas.
Em resumo: so muitos os conflitos psquicos que evoluem desde a neurose ou desde as 
manifestaes religiosas ou artsticas quando o instinto sexual no concorda com a 
personalidade total e onde no pode descarregar-se de acordo com suas finalidades naturais 
nem ser mantido numa determinada via por uma personalidade forte e dominadora. Isto se 
refere a todos os conflitos sexuais tanto normais como perversos dentro ou fora do 
matrimnio. O instinto sexual representa um grande reservatrio energtico de cujas 
emanaes psquicas, nas condies mais favorveis, uma grande parte da produo 
espiritual  suportada ou mantida. Quando o instinto sexual esbarra contra resistncias 
psquicas
134
Instintos e Suas Varicses
O Instinto Sexual e Suas Variedades 135
fortes ou no encontra vias de escape suficientes, ele produz tenses energticas excessivas 
e, toma caminhos errados e causa curto-circuitos que engendram nas profundidades 
obscuras da alma os mais desencontrados transtornos e os efeitos remotos os mais 
paradoxos.
Ao lado da masturbao as condies desfavordvezs da vida conjugal ocupam em segundo 
lugar como causa de conflitos psquicos neurticos. So os conflitos latentes e no os 
ostensivos que pesam quando sob o manto de uma conduta correta recproca, e at de uma 
ternura exagerada as dissonncias psquicas irrefreveis se escondem. Desde as mais 
simples condutas desajeitadas e aberra es nas relaes sexuais a abstinncia prolongada, 
temor da concepo e da prole at as desarmonias mais sutis e complicadas que tenham a 
sexualidade por causa, existe aqui para o homem sensvel uma fonte inesgotvel de confu 
ses dinmicas do aparelho psquico. Nas relaes extraconjugais acrescenta-se ainda os 
escrpulos morais, medo da gravidez e de doenas venreas. Temos ainda os efeitos do 
celibato forado, o envelhecimento involuntrio das moas solteiras onde um amor tardio, 
tcito e no correspondido pode ocasionar as complicaes psquicas as mais graves.
Outra matria conflitiva se manifesta nas perverses sex uais, congnitas ou
adquiridas ou esboadas somente para transformar-se por influncias psquicas
externas fixando-se por ltimo em diversas zonas de perversidade.
A questo da causa da homossexualidade (e de outras aberraes do instin to) j se encontra 
tradicionalmente to sobrecarregada por normas ticas, jur dicas, estticas e sociais, que se 
torna difcil descuti-la sem preconceitos e objetivamente.
A predisposio hereditdrja como um dos fatores causal, no pode ser discutida. As 
cuidadosas pesquisas, especialmente as de KALLMANN (1952) feitas em 85 pares de 
gmeos homossexuais proporcionaram resultados claros e inequvocos no que concerce a 
discrepncia entre os univitelinos e os bivitelinos (tabela 2).
Tomando em conta as variaes estatsticas mencionamos as investigaes coletivas de 
KINSEY e o. (1967a e 1967b) que estabeleceram uma escala de graus de sexualidade em 
5.300 homens e 5.940 mulheres comprovando sries contnuas de variaes dos graus mais 
distintos e mistura de tendncias e prticas heterossexuais e homossexuais, chamando a 
ateno a grande freqncia de componentes homossexuais no nmero total da populao.
A Lei da Bisexualidade Bipolar Geral formulada pelo geneticsta HARTMANN
(1943) a base de todos os conhecimentos atuais da Botnica e Zoologia coincide
bem com os resultados obtidos por KINSEY e seus colaboradores.
TAazI 2  GMEOS HOMOSSEXUAIS (segundo Kallmann)
N. de pares
Pares concordantes pertencentes 
escola de Kinsey
Pares discor
dantes
56
l4
UV
BV
44
51
31
2
13
II

38
TOTAL:        95
J        33        J        24
88
186        Instintos e Suas Varia5es
No que concerne  minha prpria experincia clnica, elas confirmam que existem ntidas 
correia es entre a constituiao sexual corporal e psquica quer dizer que os feminismos 
fsicos infiltrados no homem, como os masculi nismos na mulher apresentam tonalidades 
correspondentes na imagem cara tereolgica psquica e se tornam manifestos na escolha do 
consorte e no com portamento sociolgico. (KRETSCHMER 1 966b).
Uma correlao direta parecida no existe entre a estrutura fsica e a orientao instintiva 
homossexual. Existem tambm entre os homossexuais, indivduos com estigmas 
intersexuais e eunucides. Encontram-se entretanto dispiasias e variantes somticas gerais e 
leves, entre as quais inibies especiais do amadurecimento, at o infantilismo declarado. 
Vi, por exemplo, num homem homossexual adulto propores fsicas infantis com 
extremidades surpreendentemente curtas e pios rudimentares no corpo.  fcil imaginar 
que as variantes desta classe correspondentes s variaes de KINSEY no alcan am a 
orientao inflexvel do instinto sexual na puberdade e que estas cons tituies representam 
antes uma espcie de matriz instintiva no especfica e polimorfa facilmente acessvel a 
impresses.
Devemos lembrar-nos que a constituio sexual se constri em muitas ca madas de uma 
srie de elementos que vo at os fatores genticos (Padres
cromossmicos (KRETSCHMER. 1967).
Destes graus intermedirios de homossexualismo mas bem endgenos e comprovados na 
disposio constitucional ou motivados por leses do encfalo, passa-se por uma 
multiplicidade de transies  perverso predominantemente psicgena originada por 
pregnncia no sentido dos Zologos, ou por motivos banais, influncia de ambiente, mau 
exemplo, fome irritativa, falta de convvio heterossexual e antes de tudo auto-sugesto 
hipocndrica e criados por psicopa tas que no se sentem seguros ou fracassaram nas suas 
relaes heterossexuais. No se pode simplesmente distinguir entre perverses endgenas e 
psicgenas, e menos ainda afirmar dogmaticamente que todas elas sejam de um ou de outro 
gnero. Deve-se examinar em cada caso individualmente o que corres ponde a fatores 
constitucionais e quanto foi acrescido no correr do tempo por influncias psquicas.
Alm da disposio natural e do trauma existem as influncias educacio nais, fatores de 
seduo e outros exercem um papel preponderante. Deve-se igualmente pensar com a 
necessria cautela nas interferncias de influncias diversas.
Mais complicada do que no homossexualismo  a gnese biolgica e psico lgica nas outras 
perverses como no grupo Pedo filia (inclinao sexual para crianas), Sodomia (inclinao 
para animais) exibicionismo (instinto de des nudar-se sem coito), fetichismo (uso de 
objetos mortos, peas de vestimentos, cabelos, roupa, sapatos para provocar a excitao 
sexual). Seria absurdo pensar que a inclinao de render um culto a fitas de cabelos pode 
localizar-se na genes no diencfalo, ou atribu-Ia a uma frmula glandular ou uma 
determinada composio qumica do sangue de uma pessoa como acontece s vezes quando 
se trata do homossexualismo. Nestes casos recomenda-se distinguir entre um fator 
constitucional, certa predisposio sexual no especfica que no chega  fase de finalidade 
terminante e outro fator psicognico exterior que orienta o instinto sexual incerto e 
vacilante at um fim sexual determinado no qual se fixa definitivamente. O momento 
endgeno  o fator no especfico de dispo sio, o exgeno o fator especfico 
determinante. Devemos ter em mente que
O Instinto Sexual e Suas Variedades
a pedofilia e o exibicionismo bem como a homossexualidade se observaram no poucas 
vezes depois de um caso de encefalite letrgica em pessoas que antes no tinham nenhuma 
inclinao sexual anormal, mas bem ao contrrio.
Podemos admitir como KRONFELD (1 que uma parte dessas perverses tem sua raiz 
biolgica num infantilismo psico-sexual, quer dizer num vcio de conformao inibitria 
que detm em parte o instinto sexual na fase infantil do estado de evoluo onde no existe 
ainda este instinto mas sim uma espcie de impulso no especfico, certas orientaes 
afetivas esboadas variveis e polimorfas. Entre elas se distingue muito bem o instinto de 
exibir e olhar uma tendncia de mostrar o corpo nu, as partes genitais e as excrees, ou 
olh-los com curiosidade em outras crianas. Em seguida observamos a afirmao sob 
forma de jogo pr-sexual ainda no encaminhada ao coito mas ao prazer que lhe 
proporcionam os mais diversos e ocasionais atos dos quais resulta entre outras coisas o 
onanismo infantil. Na poca da puberdade nasce nas pessoas normais da referida matriz 
presexual inespecfica, o instinto heterossexual espe cfico quando os impulsos parciais e 
caprichosamente dispersos convergem para um fim determinado representado pelo sexo 
oposto e o coito com ele.
Se esta concentrao falha,  fcil imaginar como o instinto sexual impe dido na sua 
evoluo cria certas perverses nos adultos sendo que a fora do impulso aumenta na 
puberdade, mas a orientao polimorfa no especfica da fase pressexual infantil persiste. 
Que tais distrbios constitucionais de desen volvimento existem  comprovado pela 
freqncia das anomalias somticas e psquicas tais como estigmas disgenitais e 
hipoplsicos debilidade mental, etc.).
Inclumos aqui somente atos de carter genital, enquanto recusamos incluir o chupar de 
dedos dos lactantes no conceito sexual como os psicoanalistas o apregoam, como objetiva 
mente inconseqente. No achamos tampouco acertado identificar de maneira to esque 
mtica com os impulsos sexuais propriamente ditos os presexuais dos crianas, embora 
reconhecemos sua existncia emprica. Quem procede assim, apaga os limites entre a 
sexualidade anormalmente precoce com iniciativas e atos sexuais verdadeiros e conscientes 
que se observam com freqncia em crianas nervosas e os impulsos de brincadeira, vagos 
e indecisos da fase pr-sexual dos indivduos normais. O termo Perverso polimorfa  
pouco feliz para designar a sexualidade infantil normal que parece caricata em relao ao 
que passa com crianas normais e no neurticas.
Assim podemos conceber o exibicionismo como uma derivao do instinto pr-sexual de 
olhar e mostrar; o fetichismo como inclinao infantil de brincar com objetos que 
provocam o prazer, assim como a onania autstica dos adultos pode ser concebida como 
uma continuao da auto-satisfao sexual nas crianas. Acrescenta-se ainda um fator 
psquico externo que imprime aos impulsos sexuais no dirigidos uma finalidade extraviada 
especial.
Assim sendo, comprovamos por exemplo no fetichismo que a ligao ertica com uma pea 
de veludo se fixou por se ter experimentado a primeira sensao forte do instinto sexual 
incipiente porque a pessoa sentou por acaso numa almofada de veludo. Um psicopata sentiu 
pela primeira vez prazer sexual intenso na idade de 5 anos porque a me o vestiu com a 
camisola de renda da sua irm, porque de momento no encontraram a sua prpria 
camisola. Esta lembrana infantil influiu mais tarde decisivamente sobre seu instinto sexual 
adulto, excitando-se mais tarde sexualmente ao vestir trajes femininos, enquanto era impo 
tente para efetuar o coito (KRETSCHMER, 1921).
De maneira anloga podemos imaginar a possibilidade do instinto tomar uma direo 
especial em alguns casos de pedofilia e de sodomia (sempre a base de uma disposio 
sexual biolgica imatura) por fortes impresses deixadas por vivncias sexuais precoces 
(contemplar a cpula de animais, ou os rgos genitais de companheiros de jogo), enquanto 
que durante a puberdade o ins tinto sexual normal encobre estas vivncias, neutralizando-as 
por completo. Em
138        Instintos e Suas Vari
muitos outros casos estas orientaes perversas no tm uma origem to espe cfica, mas 
faute de mieux, como na onania forada, e so substitutos da cpula normal preferida, 
mas talvez por circunstncias desfavorveis ou por faltarem inibies de ordem superior 
como ocorre em alguns dbeis mentais. (Senilidade, arteriosclerose, paralisia geral 
progressiva).
Uma certa tendncia para a crueldade ativa ou passiva forma s vezes parte do instinto 
sexual. Em casos muito manifestos o prazer experimentado em maus tratamentos, 
pancadas, rebaixamento servil pode despertar o instinto sexual, substituindo as relaes 
sexuais normais, o que nos casos ativos se denomina de Sadismo e em casos passivos de 
Masoquismo.  prefervel no considerar estes dois fenmenos como componentes do 
prprio instinto sexual mas como uma combinao da sexualidade com outros fatores 
implicados no temperament, quer dizer, que se trata de uma analogia s sinestesias entre 
diversos domnios sensoriais.
Uma tendncia para o ataque energtico (masculino)  resignao passiva (feminino) faz 
parte do ato sexual em conseqncia da evoluo filogentica. Estas manifestaes normais 
do instinto sexual nada tm que ver com cruel dade, denunciando antes o instinto do poder. 
Nos temperamentos que possuem um instinto acentuado para os maus tratos pode-se 
compreender que estes se insinuem com facilidade numa tendncia acessria do instinto 
sexual e que, como acontece em outras perverses cheguem a transformar-se por 
translao, fixao especial de vivncia, etc. de simples fenmenos concomitantes em 
verdadeiro substituto do coito. Os fenmenos que nos estudos de comporta mento 
zoolgicos so denominados de transio da excitao entre duas zonas de instintos, e as 
irradiaes que se produzem ao reforar estmulos no dien cfalo entre diversas zonas 
instintivas fornecem a explicao mais sensvel da mistura no homem de impulsos de 
sexualidade e agresso que se observam em casos patolgicos como sadismo ou 
masoquismo, respetivamente.
Mais importantes ainda do que as perverses totais sob o ponto de vista psicolgico so os 
acidentes perversos reforados do instinto normal do indivduo so os quais, abstraindo-se 
nao poucas vezes da conscincia do mesmo, podem converter-se em fonte oculta de 
estranhas complicaes internas e dissonncias afetivas. A orientao finalista sentimental 
se produz em ocasies diferentes, fica abolida ou desviada temporariamente por veleidades 
homossexuais, sodo mticas que falseiam o curso afetivo legtimo em grau maior do que as 
perver ses integrais. Na raiz de algumas representaes obsessivas se encontram com certa 
freqncia estas inclinaes perversas e parciais como: a obsesso de estrangular ou de ter 
estrangulado algum tendo como ponto de partida fanta sias sdicas juvenis reprimidas.
De mais a mais, todo e qualquer caso de perverso deve ser estudado mi nuciosamente no 
s sob seus aspectos psicoanalticos e hereditrios, mas tambm
 luz da fisiologia do encfalo, da Psiquiatria e da Neurologia.
Depois dos casos de traumatismos e focos de inflamaes na base crneo
-cerebral que reunimos de muitos anos para c, no h dvida alguma que a leso de certos 
pontos cerebrais determinados de contacto pode provocar altera es precisas da estrutura 
instintiva em certas zonas, e antes de tudo no setor do sexualismo. A experincia clnica 
concorda muito bem com os ensaios de estimulao de HESS no diencfalo.
Como perito forense encontrei em 1941 certa combinao de homossexua lismo 
aparentemente isolado que se iniciara depois dos 30 anos de idade que
O Instinto Sexual e Suas Variedades 139
se exacerbava em estados circunscritos de constrangimento com anemia facial varivel, 
falta de balano dos braos desde 1933 e nistagmo qu eexigla assis tncia mdica, num 
homem ativo em posio elevada e que sofrera em 1917 de uma encefalite letrgica no 
diagnosticada.
Outro caso foi o de um homem educado de 48 anos, j condenado por pedofilia e que pelo 
mesmo delito insistentemente voltou  clnica em 1948. Uma anamnese minuciosa revelou 
que adoecera em 1918 gravemente de uma gripe com sono profundo de 2 dias e sonolncia 
de vrias semanas. Desapare cera depois o instinto sexual durante dois anos. Mais tarde 
surgiram em carter crnico inclinaes imperiosas de pedofilia exacerbadas especialmente 
depois de forte canseira e tenso. Nos ltimos anos sofreu de acessos de sia lorria durante 
o dia. Ao passar ele adota, sem o querer, passos midos cada vez mais rpidos que o 
obrigam a parar e comear tudo de novo. Faltam os sintomas de Parkinson e um exame 
neurolgico produz um resultado negativo.
O tenente A., um jovem universitrio muito inteligente e bem educado teve que submeter-
se em plena guerra a uma percia forense porque tentava a mide abusar de suas 
ordenanas. Averiguou-se que alguns anos anter, du rante uma refrega sofrera fratura grave 
do crebro (perdendo a conscincia por longo tempo em conseqncia de um golpe de 
sabre na cabea, sem vestgios externos). Foi internado num hospital durante semanas. Ao 
ser per guntado lembrou-se que de incio sentira muita sede e que urinava bastante. Muito 
tempo depois sofreu de transtornos de equilbrio com acessos de vertigem giratria do tipo 
Mniere. Surgiu aos poucos uma inclinao homossexual que antes no existira. O jovem 
vivo e razovel de antes tornou-se licencioso, arrojado e empreendedor que negligenciava o 
servio e era disciplente com seus superiores. Este estado psquico que poderamos 
classificar de sub-manaco manifestava-se tambm durante o inquritto, em forma de 
verbosidade alegre com profuso de idias e certas divagaes, mas sem ser briguento ou 
agressivo.
Quando se trata da causa de uma perverso pensamos em hereditariedade
psicoptica ou fixao precoce de instintos causada por complexos no sentido
psicoanaltico.
Do outro lado ns no tomamos em conta muitos fatores possveis: trauma tismos 
obsttricos, fratura da base do crnio na primeira infncia, e antes de tudo focos 
encefalticos concomitantes em doenas infantis, ou processos cir cunscritos de encefalite 
adesiva nas proximidades das cisternas basais, com hemorragia, inflamaes a aderncias 
de cicatrizes que, ao se comunicarem ao sistema dienceflico-hipofisrio contguo, podem 
provocar exatamente ali as mesmas deformaes e desviaes dos instintos j descritas. Em 
tais casos falamos de uma desviao prodisclnica (orgnica) da orientao evolutiva 
constitucional.
Muitos casos de desviaes instintivas apresentam uma gnese pluridimen sional, por 
cooperao de fatores constitucionais predisponentes, orgnicos, cerebrais e psicgenos. As 
freqentes origens psicgenas no devem ser subes timadas. Segundo nossas experincias 
clnicas os resultados psico-teraputicos no so to satisfatrios em mdia como em outras 
neuroses mesmo mais graves.
O ponto de gravidade da futura investigao dentro do setor psico-reativo est 
provavelmente no problema da pregndncia. O perodo da pregnncia no homem se situa na 
primeira infncia e na fase dos instintos incertos da puberdade.
140        Instintos e Suas Varia
INSTINTOS SOCIAIS
Os fatores afetivos nos quais repousa a convivncia em grupo e sua segu rana costuma-se 
chamar de Instinto social e de fato, a estrutura de manadas e de estados no mundo animal 
se regula por mecanismos rgidos de instintos. As atitudes sociais do homem entretanto, 
pertencem ao fenmeno mais variado e individualmente diferenciado. Mesmo assim a 
orientao bsica para a co munidade obedece no homem aos instintos. Querer considerar o 
homem primitivo genuno como uma besta egosta (brbaro) que soltaria cegamente as 
rdeas dos seus instintos logo que surgisse uma oportunidade  um pensa mento torto. Este 
homem instintivo livre no corresponde  primitividade s e pura, e ele no existe em parte 
nenhuma a no ser na fantasia dos desejos do dgnr suprieur que perdeu seus 
instintos inatos. A psicologia animal e tnica nos ensina coisas diferentes. Mostram como 
os animais que vivem numa comunidade cerrada e os primitivos obedecem a um 
regulamento severo, instintivo e cerimonioso tanto na vida sexual como na social, mais 
esquemtica e impiedosa do que nas comunidades civilizadas. Ajuda, dedicao, 
compaixo (KR0P0TIuN, 1910) ajustamento e subordinao no so produtos culturais arti 
ficiais de uma tendncia elementar, mas so primrios e instintivos na sua base. Esta 
tendncia no falta curiosamente no homem robusto e natural mas sim no degenerado, nos 
neurticos e em certos resduos de doenas psquicas (depois de uma encefalite infantil ou 
destruies esquizofrnicas entre outros).
O instinto social no deriva do sexual. A manada no  uma simples ampliao da 
comunidade sexual, o estado no  um prolongamento da famlia embora os instintos 
sexuais formem uma componente importante na estrutura social. Tambm na vida animal 
os instintos sexual e de comunidade so bastante independentes. Durante a poca do cio 
eles colidem com freqncia. Nos estados dos insetos os tipos assexuais so os mais 
comunicativos. No homem o ros perturba continuadamente os instintos sociais, o que 
mantm uma tenso benfazeja ou destruidora de acordo com a ordem social mantida com 
rigidez.
O instinto social se concentra primordialmente nos cuidados  cria (instinto familiar) na 
ternura e ordem hierrquica. O instinto passivo dos cuidados se evidencia na ligao de 
pessoas jovens e adultas aos membros da famlia ou comunidades suportadoras 
(necessidade de cuidados), o instinto ativo evidencia
 se na sua atividade de prestar auxlio e assumir responsabilidade perante terceiros 
(necessidade de prestar servios). No adulto ambas as tendncias devem desenvolver-se 
enquanto que a unilateralidade em ambos os sentidos leva facilmente a conflitos e pouca 
resistncia ao ambiente. No conhecem a localizao cerebral do instinto da incubao. Em 
experincias feitas com animais perdeu-se na extirpao dos dois lados da 
(Guertelwindung) o instinto maternal. No  claro se existe no caso uma reao especfica 
ou um embrute cimento no especfico.
A ternura admite o prximo e aumenta a sensao da vida. Ela  at certo ponto um 
alimento psquico, cuja falta pode ser sentida como grave defeito. Sua trajetria comea no 
sentido harmnico da comunho, expande-se na fala e na ao e encontra seu ponto 
culminante no contacto fsico que produz a alegria. O instinto da ternura que inclui 
sentimentos estticos e ticos vai muito alm da necessidade biolgica como nos ensina os 
homlogos dos instintos no mundo dos pssaros e nos mamferos. No podemos descuidar 
da proxi
Instintos Sociais
midade do instinto ertico mas no devemos misturar os dois em um. Saber distinguir as 
componentes sociais e erticas  especialmente em acoplamentos anormais  representa 
uma tarefa diagnstica das mais difceis. A necessidade da ternura pode ser aumentada de 
forma doentia, pode ser abrandada ou desvirtuada.
Manter ordens hierrquicas ou criar novas  uma tendncia inata ao homem. O instinto de 
tornar os outros dependentes ativamente ou ser passivamente dependente dos outros 
estabelece a hierarquias dos indivduos entre si, quer dizer a superioridade (dominao), 
inferioridade (sujeitar-se) e direitos iguais. As razes biticas do instinto de dependncia se 
reconhecem somente na criana e no pbere com alguma certeza enquanto que no adulto a 
tenso rgida (entre necessidade de continuidade e mudana) frente  ordem hierrquica 
parece unicamente depender das condies sociais e psicolgicas.
No existem leis decisivas para se saber quem pode ou deve fazer o que quando e 
como. Comparaes com o mundo animal tampouco nos servem de orientao, porque as 
regras sociais do jogo variam nos mamferos mais evoludos, por exemplo animais com 
casca e macacos de um modo muito sensvel. O homem deve-se ajustar sozinho com seus 
problemas hierrquicos. No existe ordem social ideal embora os demagogos e ditadores 
tentem pelos seus discursos tonitroantes disfarar esta insegurana e qualquer discusso a 
respeito. O princpio democrtico no  melhor do que o autocrtico ou o oligrquico. 
Depende o que o homem sabe fazer destes princpios ao aplic-los ao governo ou  famlia.
Como todas as ordens ou sistemas tm suas emanaes nefastas e o homem vive 
insatisfeito, o contraste constante entre instintos hierrquicos e leis hierr. quicas fornece a 
centelha constante para os conflitos coletivos e individuais. A labilidade do instinto de 
independncia se justifica pelo argumento seguinte: A relao hierrquica muda no homem 
de situao em situao (famlia, pro fisso, parceiro de conversas) e mesmo no seu crculo 
vivencial. A relao hierrquica  alm de tudo bastante ambivalente. O homem quer 
determinar e ao mesmo tempo ser protegido, quer assumir responsabilidade e ter segurana. 
Ele ambiciona subir e sente ao mesmo tempo receios. No  de se admirar que os distrbios 
psquicos do equilbrio se inflamam nos problemas hierr quicos.
Cada ser vivo tem o impulso comum do instinto da auto preservao e da auto-realizao e 
dentro do crculo humano o da auto-asseverao. Somente em casos extremos esta atinge o 
ponto culminante do instinto do poder ou a vontade do poder. Na psicologia das neuroses 
o desejo de dispor dos objetos e dos homens representa um fator de primeira grandeza 
tornando-se patog nico quando frustrado e acompanhado de tenses afetiva6. Os trs 
aspectos aqui discutidos do instinto social so interligados e iao podem ser separados entre 
si. Eles empalidecem ou se diluem quando a tendncia social se trans forma em tendncia 
das massas (psicologia das massas). Com a falta de dife renciao dos instintos sociais cria-
se um caos dirigido que pode ser orientado por um demagogo (instinto das massas). O 
grupo se comporta como um indivduo extremamente egocntrico. Este caos podereso  
potencialmente muito destrutivo, supera obstculos insuportveis e forma raras vezes a base 
para uma renovao social. O indivduo psiquicamente doente pode ganhat
142
Instintos e Suas Variaes
pela corrente coletiva uma certa segurana e um impulso  a custo da sua individualidade 
pessoal.
O instinto de agressao (instinto de danificao ou de matar) representa o fado negativo do 
instinto de comunidade que  positivo. Conhecemos na pato logia cerebral (encefalite 
letrgica de crianas, fraturas de base) graves desini bies de carter maligno que se 
manifestam isoladamente ou junto a um instinto geral de movimento, e diversas 
perturbaes do instinto sexual. Em crianas atacadas de encefalite letrgica constatou-se 
uma atitude agressiva como de um animal selvagem, com batidas fulminantes, arranhes e 
mordidas, malignidade e perda de todas as inibies morais e possibilidade de educao.
No se conhecem fatores especficos que agem sobre os instintos de agresso, sob o ponto 
de vista hormonal. Existem porm relaes com o instinto sexual sendo que na poca do cio 
os instintos agressivos e de luta aumentam sensivelmente em muitos animais (cervos, cora, 
cavalo, etc.). Existem analo gias evidentes no homem.
PORTMANN (1962) demonstrou que na luta entre animais da mesma espcie no 
prevalece uma agressividade sem limites, a falsamente chamada bestiali dade mas sim 
uma atitude fixada pela hereditariedade, com rituais de inibio comparveis ao 
cavalheirismo nas lutas antigas entre os homens.
Os instintos agressivos dos homens tem um carter rgido e atvico que leva a crises 
constantes e perturbaes de adaptao no espao vital da cultura moderna, pois as 
frmulas de necessidades e reaes que provaram ser teis no incio para conservao da 
vida, se tornaram uma ameaa  ela servindo para a runa catastrofal de povos e culturas 
inteiros. As guerras e as revolues da histria mais recente nada tm que ver com motivos 
ideais ou econmicos. Os velhos e poderosos instintos de agresso encontram em tempos 
de paz uma fraca vlvula de escape somente no esporte. Formam-se aos poucos graves 
estagnaes de instintos com colises ocasionais de ordem material ou ideal, que de 
decnios em decnios desvirtuam em revolues e guerra e orgias de massas das mais 
hediondas. Isto se aplica a todos os povos em grau maior ou menor. Os horrores 
provocados pelo prprio povo ou sua classe dominante so catatimicamente esquecidos 
com rapidez ou at idealizados, mas os do inimigo so rancorosamente guardados na 
memria. Grande parte das relaes humanas se baseia neste movimento de pndulo 
uniforme, repetido e impulsivo. A pergunta metafsica se o instinto de destruio representa 
uma necessidade humana ou se representa um produto das circunstncias vitais, tornando-
se assim manifesto, no pode ser respondida satisfatoriamente mas deve ser posta sempre 
de novo por motivos de preservao social. Os instintos sociais, mesmo inatos podem 
facilmente ser imbudos e especializados pela educao e expe rincia. Todos os detentores 
do poder, sejam polticos ou de concepo mundial tiram grande proveito dessas 
circunstncias. Pelo mesmo motivo as necessidades e capacidades sociais correm o perigo 
de desgastar-se ou perma necer num estado de subdesenvolvimento devido  falta do seu 
culto em certas comunidades decadentes. Como na vida humana tudo se reduz  uma comu 
nidade, os instintos sociais incluem todos os demais instintos tendo, apesar das muitas 
colises havidas. o mais alto grau de determinao comportamental com estes ltimos.
Irradia 5o e Ligaao ds Instintos        143
IRRADIAO e LIGAO DOS INSTINTOS
Alm da observao natural, estas se deixam tambm representar pela irritao eletro-
cerebral e na hipnose. A hipnose como instrumento terapu tico se baseia nas irradiaes 
que podem ser produzidas a partir do comando de viglia-sonho sobre os instintos vizinhos 
e na pessoa profunda acoplada vegetativo-endocrinicamente. Tais irradiaes entre 
instintos de agresso e sexualismo, por exemplo, so fisiolgicas em sua forma mais leve e 
-se desen volvem em graus mais fortes e de maior durao no sentido das perverses 
sdico-masoquistas. Existem irradiaes parecidas entre instintos sexuais e orais de 
agresso e movimento (Amok), etc. A observao acertada desses fen menos levou 
FREUD  concluso errnea de que uma grande parte das estru turas dos instintos  
atribuida ao instinto sexual, como elemento subordinado.
Tais irradiaes que num certo grau de reteno do instinto acionam de repente uma outra 
regio podem ser designadas, mutatis mutandis, usando um termo zoolgico, de 
transiao. Do outro lado observa-se freqentemente no homem que a presso de instintos 
refreados por muito tempo corroe lentamente a estrutura da personalidade, tornando-a 
socialmente lbil.
Citamos em seguida um quadro clnico de irradiaes mltiplas de diversas zonas de 
instintos, reteno de instintos e atos de transio da nossa clnica:
Trata-se de um caso complicado, de inicio indecifrvel de cleptomanz num homem em boas 
condies fsicas que exercia sua profisso. No existia processo contra ele, e o aspecto 
psicolgico podia ser esclarecido numa srie de exploraes profundas sem interpre tao 
analtica.
O homem trabalhava como observador tcnico numa estao experimental nas montanhas. 
Depois de um acidente semelhante de 5 anos atrs, ele roubou umas latas de conservas em 
2 dias consecutivos num armazm, no valor de uns poucos marcos. Este furto era destituido 
de razo pois ele ganhava bem, gozava de boa reputao e no tinha dificuldades de ordem 
econmica.
As exploraes profundas revelaram o seguinte:
 O paciente gostava de situaes perigosas e lutava num posto avanado da guerra cio 
deserto. Ao deparar com 2 oficiais inimigos por. ocasio do reconhecimento do terreno
ele ficou sexualmente excitado e ejaculou.
2  os vveres no armazm eram furtados num ato de provocao e no clandestina mente. 
Ele experimentava uma certa satisfao ao se Sentir observado, assumiu ares de provocao 
e no se afastava quando uma funcionria chamou a policia (no houve pro cesso).
3  Seu instinto sexual era acentuado e por motivo profissionais e familiares suas rela es 
sexuais eram espordicas.
4  No era a pessoa indicada para o cargo que ocupava, pois era ativo, vivo e precisava 
de movimento. No seu posto isolado na montanha sentia-se sozinho e abandonado especial 
mente numa poca que precedia os pequenos furtos. Sentia uma tenso interna que chegou 
a sentimentos de medo. Comeou a inventar situaes perigosas de luta da guerra passada 
ou de uma guerra futura. Sua exitao sexual aumentava sem encontrar um alvio.
Vemos aqui uma pessoa normal e til possuda de um impulso acentuado dos instintos 
sexuais e de agresso (prazer do perigo). Uma tendncia para irradiaes dos instintos sob 
tenso afetiva era presente (reflexos sexuais sob perigo acentuado). Este homem ocupa um 
cargo que no corresponde  sua vitalidade inata. A necessidade de ao cronicamente 
freiada leva at a sen saes de modo. Os afetos tensos mas refreados levam a irradiaes 
nas fan tasias de lutas e perigos e na esfera dos instintos sexuais. Quando se alcana
144        Instintos e Suas Varia.es
uma certa fora dos instintos estes so descarregados num ato captativo de
perigos sob forma artificial.
No plano racional este comportamento no encontra explicao. No existe nenhum motivo 
parcial, do comeo ao fim. No h motivos, mas sim causas. Quer dizer, trata-se de uma 
srie de processos instintivos e dinmicos reforados intermitentes. Como tais, eles so 
explicveis e compreensveis.
Casos como este tm um significado que ultrapassa de muito o aspecto criminal para 
penetrar nos mistrios do ser humano. Os instintos bsicos do homem  contrastando com 
uma opinio racionalista muito difundidas  no se dissolvem numa estrutura complicada 
orientada racionalmente e volitiva mente, que os orientam. Estes instintos continuam a agir 
subterraneamente e invisivelmente, mas so decisivos.
Este caso nos serviu de exemplo para o fenmeno da transio. Citamos agora um segundo 
caso da nossa prtica forense que mostra como irradiaes mltiplas dos instintos levam a 
um efeito de arroso crnico contra a persona lidade racional. Quando este processo chega 
a eclodir forma-se uma corrente de atos cuidadosamente preparados que apesar da sua 
conseqncia interna bem arquitetada oferecem um contraste evidente com a situao de 
vida da paciente.
Uma senhora de 60 anos gozando de independncia econmica, aumenta o seguro dos seus 
pertences, inclusive alguns objetos de valor fiti cio de 20 mil para 40 mil marcos. Decorrido 
um ms e aps arsuitetar um alibi convincente ela finge ter sido assaltada e roubada, 
deixando seu apartametno na maior desordem. Ao mesmo tempo ela incendeia um tapete e 
um mvel, depois de t-los salpicado com lcool. Esconde-se em seguida no banheiro 
empurrando um mvel de forma a fazer crer que os arrombadores ali a trancaram. Faz-se 
libertar pelos vizinhos e relata  sua filha que acorrera em seu auxlio os aconteci mentos 
com todos os pormenores, cita nomes de pessoas e, prepara no dia seguinte uma lista de 
todos os objetos roubados e recebe uma vultosa indenizao pelos danos sofridos. 
Consegue ainda esquivar-se de uma ao criminal por vrios subterfgios hbeis. A mulher 
 milion ria, proprietria de vrios imveis e no tem compromissos de ordem financeira. 
De que lhe serve incendiar a prpria casa, fingir um assalto e receber fraudulosa 
indenizao da qual nem precisa? Porque correr tamanho risco que pode lev-la a priso e 
arruinar sua existncia social,
Uma anlise estrutural da sua personalidade revela o seguinte:
Instintos sexuais:
Laos sexuais exaltados e variveis na primeira metade da vida; divrcio, excessos sexuais
vulgares com Outros homens.
Instinto de maternidade:
A tentativa de dispensar cuidados maternos exagerados aos filhos adultos, prendendo-os
ao ambiente familiar vai at os excessos violentos. Existe oposio ao seu casamento, sua
separao da famlia no  bem aceita.
Instintos de agressao:
Sempre disposta a brigar, querendo ter razo a todo custo, acessos explosivos de raiva 
(quebrando loua, etc.) perturba o convcio social do marido com seus amigos, viaja  Itlia 
para incriminar a famlia da nora que no aceita. Devo pintar o sete com eles, brigas at o 
extremo com reparties, etc.
A Teoria das Transfortnaes dos Instintos Sexuais 145
Instinto de movimento:
Desde a juventude presa de grande nsia de ocupao, que os afazeres domsticos no
satisfazem, energia e fora de vontade tenazes, acumula haveres, organiza e cuida da sua
grande fortuna, manda restaurar as casas demolidas na velhice.
Instinto de aquisio:
Comete quando moa pequenos furtos sem necessidade (blusas, etc.). Levando uma vida
modesta ela manifesta nos negcios um instinto irrefrevel de adquirir e possuir coisas.
Temperamento geral:
Esquizotmica acentuada. Pouco contacto com terceiros. Sem calor de sentimentos. Pat 
tica e de alta dramaticidade.
Situao atual na poca do delito:
Envelhecimento, solido crescente. O filho recusa aceitar uma casa na sua cidade natal, 
distancia-se propositalmente, muda para a casa dos sogros na Itlia, ofendendo assim 
profundamente a paciente. Tendo alcanado a riqueza no h mais margem para expanso 
das suas atividades. Para uma mulher com impulsos fortes a maior parte dos seus impulsos 
de atividade se encontra bloqueada na velhice ou ao mesmo muito reduzida. Estes impulsos 
no encontram mais uma finalidade, a vida sexual j chegou ao seu fim, O instinto maternal 
hipertrfico  rejeitado pelos filhos, sendo que a relao com o filho representa o ltimo 
estopim. J em tempos anteriores os grupos de instintos denunciavam uma irradiao mtua 
bem forte. Agressividade, laos sexuais (Cenas com o marido etc.) instintos maternais 
(cena na Itlia) se entrelaam constantemente. Finalmente, e com a falta crescente de 
contacto mani festa-se um bloqueamento grave dos impulsos que se descarregam em atos 
instintivos agressivos de captao.
Este caso se assemelha em sua estrutura dinmica e em muitos detalhes ao do cleptmano 
no seu posto de observao na montanha. Ali a irradiao dos instintos se manifesta numa 
curta transio, aqui como eroso crnica e subterrnea da personalidade que a cada 
uma srie de atos irracionais no distintamente separados no tempo.
Observa-se que nenhum instinto se manifesta isoladamente mas sim em combinaes 
diversas. Estes complexos se juntam nas suas componentes de coordenao de tal forma 
que deles resultam vivncias distintas e atos lgicos. Somente em casos de recalque, de 
dissidncia ou de doena podemos notar a estrutura mltipla da corrente interna dos 
instintos e meditar sobre ela. Na psicologia mdica falamos somente em transio quando 
dois atos instintivos se seguem abrutamente e sem sentido. A irradiao ou o acoplamento  
caracterizado pelo evento de dois elementos instintivos que no se toleram no harmonizam 
e que provocam dissidncias. Falamos de arroso quando em recalques fortes de instintos 
ou contrastes intensos a (dominao dos instin tos) se desfaz de um modo manifesto.
A TEORIA DAS TRANSFORMAES DOS INSTINTOS SEXUAIS.
As transformaes do instinto sexual em outras formas de expresso psico-fsicas 
constituem um dos aspectos mais interessantes da energtica psquica, que FREUD no 
somente aceita mas tambm defende na sua psicanlise, ob a denominao genrica de 
converso e sublimao.
146        Instintos e Suas Variaes
Ele entendeu por Converso a transformao primitiva do impulso sem diferenciao 
superior no sentido filognico do sentido (sintomas de converso). Os instintos se 
transformam principalmente quando uma tendncia sexual poderosa tropea em resistncias 
insuperveis, inibies intrapsquicas ou circunstncias adversas do meio. Na Sublimao 
o emprego do impulso psquico inicial sexual produz obras diferenciadas e socialmente 
eficazes sobretudo de ordem artstica, tica e religiosa. A transformao ocorre com 
freqncia mas nem sempre. No sabemos dizer porque um indivduo sublima, um outro 
converte e um terceiro nem transforma claramente os instintos.
A hiptese discutida da transformao dos instintos pertence  categoria dos pensamentos 
mdgicos. Isto  to problemtico quo interessante mas geralmente no  mencionado nas 
controvrsias. No  compreensvel, nem h demonstrao objetiva pelo fato de uma 
determinada necessidade se transformar em outra ou um certo modo de agir se modificar. 
Dado a nossa inclinao elementar de ligar tudo ao mgico esta suposio  uma das idias 
psicolgicas mais sedutoras e preferidas  qual o racionalista Fiuw e seus discpulos 
sucumbiram. Se pensamos  como C. G. JUNG o fez  que uma energia psquica geral se 
transforma e aparece sob forma diferente, este pensamento nos parece mais crtico, mas 
igualmente opaco. Ser que a mesma fora age no medo, num ataque histrico e ou no 
entusiasmo pela msica? Ser que nestes trs fenmenos a mesma necessidade especfica 
sexual se manifesta? Esta fora ora ativa, ora recalcada deve expandir-se em algum lugar. 
Raciocinando assim nada mais fazemos do que disfarar nossa nsia mgica com a imagem 
fsica do rio represado. No podemos determinar uma energia psquica especfica mas 
somente descrever fenmenos.
Se admitimos este mtodo fenomenal-racional, observamos que diversas necessidades e 
atitudes se revezam em sries variveis e ciclos que se repetem. No podemos constatar que 
estes fenmenos tenham algo em comum que possa justificar uma transformao. Os 
instintos so diferentes e somente assim podem ser definidos. Ao examin-los do seu lado 
objetivo-fisiolgico nada justifica a teoria da transformao. Encontramos mudanas entre 
pontos situados no espao e em certos trajetos que chamamos de excitaes.
A transformao mgica se encontra tambm atrs da formulao do substituto do instinto. 
Um instinto humano entretanto no pode ser substitudo psicologicamente por um outro. 
Cada instinto visa uma regio nica da vida insubstituvel e a uma experincia igualmente 
insubstituvel. O que o homem precisa no  de um substitutivo, mas sim da realizao.
Prticas sexuais e que no correspondem s normas constituem um caso  parte, quando por 
exemplo impedimentos externos impossibilitam a sua satisfao (leis ticas, 
encarceramento, etc.) masturbao e homossexualismo. Mesmo aqui ser melhor falar em 
satisfao imposta pelas circunstncias do que em substituto. Assim tambm a inclinao 
anormal genuna no  um substituto do instinto porque  procurada e satisfaz.
Devemos pois perguntar em face da psico-anlise: um instinto substituiu de fato um outro 
mas tambm ambos os instintos so equivalentes podendo um substituir o outro Trata-se 
na hiptese do substituto do instinto do problema da equivalncia de regies de fantasia e 
de atividades. No existe, na minha opinio uma soluo que satisfaa sendo melhor 
fixarmos nos fenmenos e seu desenrolar lgico.
A Teoria das Transforma es dos Instintos Sexuais        147
O nosso cepticismo aumenta quando examinamos o termo de Sublimaao. A energia 
psquica e sexual no deve somente ser transformada mas levada de um grau inferior a 
outro superior. C. G. JUNG rejeitou sarcasticamente este pensamento como postulado da 
arte de produzir ouro. O simples recalque de um instinto primitivo no garante ainda 
realizaes culturais. Para isto precisamos de um sujeito com intenes e idias. O instinto, 
seja ele livre ou recalcado, fornece somente uma condio favorvel. Mas tambm o 
esquema Inferior-Superior oferece problemas insolveis. Atingimos os limites do 
pensamento de evoluo. Se a sublimao representa a diferena do grau de integrao 
(diferenciao) no se justifica colocar a vida ertica abaixo da arte. A vida amorosa bem 
desenvolvida situa-se em grau mais elevado do que uma religiosidade simplide. A sntese 
ertica-social do casamento nada deve ao valor tico de cuidar dos enfermos. Cada instinto 
humano age no mesmo plano. Em que altura este plano se encontra, depende das relaes 
humanas em si. Com o seu esquema Fiuwn se situa no conceito burgus-racional do 
mundo. Em baixo o instinto orgnico natural, em cima o grau espiritual das criaes 
ticas e artsticas. Ambas entretanto no existem como esferas independentes porque se 
encontram unidos no sujeito condicionando-se mutuamente. No podemos formular uma 
teoria de subida e descida partindo da tese do instinto primitivo.
Assim sendo, os conceitos: converso, substituto dos instintos, e sublimao possuem hoje 
em dia somente um valor histrico. As observaes que as motivaram continuam vlidas. A 
nica pergunta cientfica-heurstica que fica em aberto  a do nexo causal. Podamos tentar 
verificar  o que  muito difcil  quais as necessidades e atitudes que seguem 
determinados impedimentos dos instintos e se realizaes elevadas descem a uni nvel 
mais baixo quando os instintos foram liberados. Isto seria uma atitude conseqente.
No plano subjetivo onde as relaes mgicas no so somente permitidas mas inevitveis, 
na auto contemplao e na conversa a impresso de variao dos instintos pode tornar-se 
evidente e ajudar num sentido humano. No se pode porm construir uma teoria cientfica 
nesta base.
Um paradigma da converso   a transformao da excita  sexual em angstia (aplico 
aqui o termo converso num sentido mais amplo do que FREUD). Em muitos casos, 
como  natural, o instinto sexual e a angstia se relacionam entre si por intermdio de 
certas associaes representativas. Quando um menino nervoso se masturba e pensa com 
apreenso no castigo paterno ambos estados afetivos, precocemente ligados por uma 
conjuntura exterior, guardam mais tarde a tendncia de apresentar-se juntos ou substituir-
se, assim como quando depois de ter visto duas pessoas juntas, o encontro com uma delas 
nos far sempre lembrar a outra. Em certos jovens psicopticos se produzem acessos de 
histeria, como opresso precordial pela via indireta de uma expetativa hipocondraca de 
cardioplexia em conseqncia de prticas onanistas. Tambm encontramos casos nos quais 
tal associao de representa es falta ou  puramente exterior produzindo-se graves 
estados de angstia por interromper bruscamente, com a preciso de um experimento fsico, 
a mastur bao praticada por longo tempo e as relaes sexuais normais. Trata-se de 
converses muito normais que nos autorizam a admitir que entre a excitao sexual e a 
angstia ou seja, entre essa excitao e o grupo dos instintos de conservao da vida 
existem transies. Se o fato de se escolher a angstia representa um sentido biolgico mais 
profundo ou se se trata de uma irradiao
148
Instintos e Siuzs Varks
no especfica, no o sabemos dizer. Como contrapartida podemos citar as perverses 
sdicas e masoquistas nas quais os afetos vitais de agresso e de sofrimento se 
transformam em excitaes sexuais. Alguns pacientes observa dores nos apresentam seus 
sentimentos de angstia, originados por converses, como algo no parecido com angstia 
mas pelo qual por falta de melhor def i nio usam o termo de medo. Eles descrevem 
tambm o carter fenomenolgico deste acontecimento como uma sensao parecida  
sexual, mas com uma inten sidade dolorosa e esta mesma impresso lhes produz uma 
sensae sexual de prazer quando  ligeira, e de angstia quando  muito forte.
Alm da angstia, a excitao sexual muito reprimida produz tambm transtornos do 
sistema neuro-vegetativo e mal-estar somtico difuso. No poucas vezes somos procurados 
no nosso consultrio por mulheres que se queixam de uma penosa inquietude interna de 
insnia, de dores intestinais, desarranjos cardacos e gstricos, sintomas que as torturam de 
um modo peculiar mas sem base concreta aparente. Nos asseguram serem felizes no 
casamento e que suas relaes com o marido e os filhos so cheias de ternura, mas ao lhes 
ganhar a confiana elas confessam que suas relaes conjugais j foram interrompidas de 
h muito, talvez por temor de uma gravidez ou por um desentendimento latente. Em alguns 
casos basta revelar esta situao e esclarec-la, para que o estado fsico experimente uma 
repentina e surpreendente melhora. Estas difusas irradiaes vegetativas causam s vezes a 
impresso de no serem frutos de associaes de idias ou representaes mas sim produtos 
energticos e elemen cares, quer dizer, converses no sentido mais elementar da palavra.
Outros so os mecanismos histricos circunscritos que tm sua origem em complexos 
sexuais: crises, vmitos, paralisia, tiques, etc. Tambm nestes casos existe uma inibio no 
curso natural da energia sexual ou da sua ulterior elaborao, apresentando-se num outro 
setor do aparelho psico.fsico sob a forma de um desarranjo funcional. Esta transformao 
no  mais elementar. As converses desse gnero seguem no poucas vezes um caminho 
sinuoso atravs de comutaes psquicas complicadas de associaes agrupadas em ver 
dadeiras constelaes, mudanas de posies, formaes simblicas, dissociaes 
hipoblicas, reforos voluntrios de reflexos, etc. Pode ento surgir o vmito histrico 
sempre que apresenta um determinado prato que a doente talvez comeu no dia em que se 
fez alguma aluso sexual que lhe parecia nojenta por qualquer motivo. Tratar-se-ia ento de 
uma converso por transferncia aglu tinante. Outra paciente mostra um andar 
singularmente precipitado com o corpo inclinado para frente, como se estivesse obsessa 
pelo desejo de fugir, nascido de uma decepo conjugal o que nos revela uma converso 
simblica. Outra doente ainda dotada de um sistema vaso-motor muito delicado resiste a 
manter relaes com o marido cuja presena lhe inspira um sentimento pe. noso e violento 
que chega ao extremo de lhe causar palpitaes, tremores e vertigens e afetos de desprazer. 
Esta onda reflexa a faz construir uma cena teatral semelhante a um ataque histrico. A 
energia se transforma por obra de um reforo voluntrio dos reflexos. Todos estes exemplos 
bastam para demonstrar a complexidade e variedade que a energia sexual segue e como 
qualquer impulso afetivo pode ser objeto de transformaes psico-fsicas.
Um grupo  parte formam os fenmenos psquicos conhecidos como:
formaes sexuais substitutivas, entre as quais se conta a perverso inocente do fetichismo 
onde em vez de fixar a inclinao amorosa numa pessoa, se procura e coleciona, beija e 
adora com paixo, objetos inanimados como sapatos, cami
A Teoria das Tra dos Instintos Sexuais        149
sas, panos, etc. Esta perverso leva a translaes e simbolizaes passageiras que explicam 
mais de um ato criminal, especialmente roubos cometidos incom preensivelmente por 
pessoas sem mcula. Este  o caso da jovem KATHARINA G. (KIELHOLZ, 1920) de 36 
anos, que rouba aos vizinhos de noite um jovem touro de 2 anos, e dois pares de calas 
militares velhas, o que explica pelas relaes associativas desses objetos com os grupos de 
representaes sexuais. A este tipo se vinculam certas variedades e afeces tpicas e 
solteiros de ambos os sexos, o canrio, o gato, o co de estimao so atributos to 
conhecidos como o cultivo de cravos, a bibliofilia e numismtica dos velhos solteiros pin 
tados por SPITZWEG; o mesmo grau e o mesmo modo de ternura aplicados em esposos e 
filhos se aplica aqui a animais, flores e objetos inanimados. Pergunta. se ento se a 
necessidade sexual  substituda ou se o instinto de afeto e de posse encontrou um campo 
mais propcio embora estranho.
Um velho provrbio popular que diz Jovem pecadora, velha rezadora expressa de uma 
forma breve e concisa as relaes energticas que existem em seu grau inferior entre os 
instintos sexuais e as prticas religiosas. No se pode negar que um certo bigotismo  uma 
formao sexual substitutiva ime diata. Dessa variedade primitiva ascende-se por uma srie 
de graus intermedi rios  sub limaao ou seja  transformao do instinto primitivo nos 
seus termos correlatos energticos aos valores religiosos e artsticos os mais elevados.
A esquizofrenia nos mostra muitas vezes em certas estticas iniciais com a clareza do 
experimento, a sublimao do erotismo numa vida interior religiosa muito intensa. O 
paciente descreve como devido a uma tenso e concentrao psquica muito forada, uma 
excitao sexual violenta se transforma num modo gradativo no passar de horas e dias, ou 
imediatamente num sentimento tipica mente mstico da unio gloriosa com a divindade 
que, quase isenta de repre sentao por si mesma, se faz penetrar de um halo de sensao 
ertica radiante.
O esquizofrnico nos conta aqui deformado pela doena simplesmente aquilo que atravessa 
como um fio vermelho toda a evoluo milenria do mundo civilizado, a fuso da religio 
com o erotismo. Encontramo-la ingnua e sem disfarce nos cultos orgisticos dos 
primitivos do Oriente e da Antiguidade clssi ca e em seguida revestida de maior beleza 
espiritual no misticismo religioso da Idade Mdia. O fervor do xtase religioso se mistura 
aqui com sentimentos erticos to evidentes, sobretudo na poesia lrica, que alguns dos 
cnticos ma rianos medievais apenas se distinguem das canes do amor profano pelos 
nomes daqueles que se implora.  caracterstico para o misticismo da cristandade que a 
Igreja codificou nos livros santos sem alter-los, uma srie de lrica amorosa profana como 
o Cntico dos Cnticos. Nos exerccios espirituais das ordens monsticas elaboraram-se 
sistemas nos seus menores detalhes com o objetivo de transformar gradualmente a 
sensualidade elementar por uma combinao de mortificaes fsicas e um ensinamento 
espiritual extremamente engenhoso num amor puro a Deus, contemplao de Deus e a 
unio exttica com Ele. A Sublimao se reduz assim a um sistema que pode ser 
decorado. Lrrrrao chama a isto carateristicamente Alcanar a Majestade de Deus.
A fase transitria do substitutivo direto  subliinauo  formada pela reli giosidade de 
muitas seitas pequenas que gostam de aparecer em redor de homens esquisitos, profetas 
paranicos e fundadores de religies. Em relao ao chefe da seita e a parte feminina dos 
seus discpulos no se pode separar a venerao religiosa do enviado de Deus 
psicologicamente, da adorao ertica do homem, formando uma unidade de sentimentos. 
No podemos nem delimitar
150
Instintos e Suas Variaes
ou eliminar o instinto social da venerao do pai. Fenmeno idntico pode ser observado 
como conglomerado de instintos na sociedade civilizada e culta onde uma verdadeira cauda 
de cometa de admiradoras femininas segue prega dores msticos, ou teosofistas.
Tomamos a relao entre religio e instinto sexual como paradigma das correlaes 
filognicas e psicolgicas individuais dos sentimentos superiores com o fundo instintivo. 
No  necessrio indicar que na formao espiritual to complexa como a religio o instinto 
sexual constitui naturalmente somente uma das componentes energticas. Ao seu lado, os 
instintos de conservao da vida e da defesa perante o perigo desempenharam um papel 
decisivo na gnese dos ritos mgicos e devotos, da crena na imortalidade e nos preceitos 
ticos sociais. O instinto sexual participa sobretudo geneticamente e num aspecto principal 
da religio no mstico-orgistico.  evidente que as representaes inteletuais superiores 
n6o podem diluir-se na psicologia dos instintos. Conver teram-se em potncias vitais 
autnomas de ordem superior que abrangem a totalidade da pessoa.
Historicamente falando podemos assegurar que a religio  a me universal mais antiga de 
todos os sentimentos e aspiraes superiores: tica, arte e cincias
constituram as bases de um sentimento religioso universal.
A arte intensamente sensual se aproxima do modo mais direto das profun didades 
instintivas da vida psquica. Para a poesia e as artes plsticas por .exemplo, a atmosfera 
afetiva-ertica e suas diversas sublimaes constituem o elemento vital mais forte; 
quantidades de energia ertica se transformam dire tamente em criaes artsticas de grande 
valor. Podemos estabelecer uma relao dinmica entre a afetividade exaltada das heronas 
de GOTTFIUED KELLER e a aridez da sua vida amorosa.
Quando uma moa que sofreu um desengano se decide repentinamente de tornar-se irm de 
caridade, ela demonstra com esta sublimao tica seu impulso afetivo geral, mas a 
matriz ertica no aparece to clara na nova orientao energtica da sua vida. Isto se aplica 
muito mais ainda aos processos no terreno cientfico. Aqui as relaes com os instintos 
gerais se debilitam cada vez mais. A disposio geral do temperamento  aqui mais 
importante do que os motivos impulsores especficos.
VARIAO PUBERAL DOS INSTINTOS
No conjunto, a vida instintiva das crianas  dominada no tanto pela sexualidade, quanto 
pelas relaes entre pais e filhos, mau grado dos distrbios espontneos ou induzidos da 
atitude com o corpo. Isto corresponde ao amplo e variado grupo de comportamento que na 
vida animal  designado como instinto de procria o e no homem como instintos 
familiares. Antes da puber dade o nexo afetivo que une pais e filhos  mais de ndole 
instintiva, com provada na atitude fundamental como constante transmitida por herana, e 
se desenvolve por si mesmo em condies normais como resultante do amadu recimento e 
educao autnomos. A atitude infantil tem carter afetivo prprio e no pode equiparar-se 
de modo algum com os indcios instintivos de crianas precoces e nervosas. Neste terreno a 
Psicanlise tem sido causa de grandes confuses. A investigao zoolgica de 
comportamento d uma resposta bem clara. LOR (ACHELIS 1961), ao ser perguntado se a 
atitude procreativa e
Vario o Puberal dos Instintos
151
cuidado da prole  uma atitude sexual, responde: No. Trata-se de um grupo de 
movimentos instintivos independentes do sexual e cujo fundamento formal tambm  
diferente. Os valores liminares da atitude sexual, e as da atitude procriativa guardam uma 
relao recproca, segundo os ensaios feitos com preciso em animais.
A relao pai-filho antes da puberdade se diferencia claramente pelo seu carter instintivo 
dos laos afetivos do adulto para com seus pais. Quando a submisso no se trans.forma em 
franca simpatia, existe uma inibio biolgica do desenvolvimento que se manifesta por 
dificuldades constitucionais do ama durecimento fsico. A afirmao dos instintos erticos 
e o desaparecimento do nexo entre o filho e seu pai so recprocos no processo evolutivo de 
cada indivduo. Persistem porm (nas neuroses) resduos no destruidos de fixao filial no 
mesmo grau em que o exige a vida amorosa ertica e em particular a segurana instintiva 
em matria de noivado e matrimnio onerada s vezes por deficincias, restries, 
incertezas e antes de tudo ambivalncias.
Estes transtornos podem ser hipoteticamente tanto a causa quanto as con seqncias de uma 
neurose. Efeitos patognicos podem contribuir para isto. Os transtornos que se observam 
paralelamente no curso do amadurecimento somtico, a importncia das premissas 
orgnico-biolgicas e o crescimento da personalidade (W. KRETSCHMER, 1952). No  o 
infantilismo crasso e completo que desperta o interesse, mas sim os retardamentos parciais, 
as inibies espe ciais do desenvolvimento constitucional asincrono. So estas 
discrepncias que causam a ambivalncia, os dilemas de atitude que originam as neuroses.
As relaes afetivas das crianas com os pais deixam sulcos profundos na vida posterior 
daquelas que experimentam dificuldades no seu desenvolvimento. O culto eletivo que 
rendem a determinadas personalidades imponentes podem ocultar at no homem adulto o 
ideal do pai como o mesmo tom a que oscila entre o medo, a rebeldia e o amor. A escolha 
da esposa pode inspirar-se inconscientemente em alguma semelhana com a imagem 
materna e a escolha da profisso e da formao pode s vezes denotar tendncias a imitar o 
pai, ou um sinal de protesto contra o mesmo. Assim nossa vida afetiva tem numero sas 
correntes ocultas cuja origem desconhecemos. Estas pesam muito mais nas decises 
transcedentais, nos estados inexplicveis de descontentamento, nas simpatias e antipatias e 
inclusive na orientao de toda nossa vida, do que as reflexes lgicas, momentneas, 
claras e lgicas com as quais tentamos jus tificar todas essas manifestaes. Quando 
queremos buscar as origens destas correntes poderosas afetivas e ocultas, encontramo-las 
no raras veezs em expe. rincias particulares que nos causaram profunda impresso ou em 
vnculos afetivos gerais que remontam  infncia. Mas aquilo que guardamos na 
conscincia so apenas sentimentos, j que as representaes e as lembranas aos quais 
correspondem j desapareceram.
O desenvolvimento instintivo normal dos jovens se pode caracterizar mais ou menos como 
segue: At a poca da puberdade, a vida afetiva permanece dominada pelos laos de afeto 
com os pais; ao iniciar-se a puberdade, observa-se uma mudana notvel; o indivduo passa 
por uma fase de emancipa o do ideal representado pelos pais, que assume s vezes a 
forma rude de protesto contra os mesmos, especialmente contra o pai, e de atitude 
francamente negativista em relao aos desejos e propsitos dos pais. At o fim da 
puberdade, a libertao se torna completa, e as relaes pai-filho entram numa fase de
152        Instintos e Suas Variaes
serena neutralidade, cordial fria, como com o resto dos nossos semelhantes, de
acordo com o grau de concordncia psquica.
Coincidindo com a fase de libertao e protesto contra os pais, afirma-se de modo vigoroso 
o instinto sexual propriamente dito, em relao biolgica muito estreita com o mesmo. 
Freqentemente o instinto sexual aparece no incio da puberdade seguindo dois rumos 
diferentes, de um lado um entusiasmo ideal por pessoas do outro sexo, do outro lado como 
excitao local das zonas genitais somticas. Ambas as manifestaes coexistem durante 
muito tempo sem ligao aparentes e o indivduo recusa com horror todas as idias de 
contacto entre elas. Mas,  medida que a puberdade passa, esta barreira cede pouco a pouco 
e a excitao sexual somtica se une  atitude psquica geral da pessoa amada para formar 
um complexo indissolvel e fortemente afetivo que serve de base  vida amorosa psco-
fsica da pessoa s e normal.
Um terceiro caraterstico da evoluo do incio da puberdade reside em que o instinto 
sexual no esteja ainda firmemente orientada para uma meta distinta, de modo que at em 
pessoas completamente ss em poca posterior, advenha nessa idade ligeiras inclinaes 
parciais que em outras fases ulteriores da vida seriam perversas; o que se aplica a 
tendncias homossexuais acompa nhantes. Uma adorao mtua e exagerada entre moas  
coisa muito natural e tambm entre rapazes as amizades tendem a ter um carter de 
entusiasmo exagerado.
Nesta idade surgem muitas vezes obstdculos transitrios ou permanentes no 
desenvolvimento do instinto sexual. Encontramos isto a mide entre os psicopatas de 
temperamento esquizide ou histrico, constituindo com especial freqncia a origem de 
conflitos psquicos em indivduos nervosos e doentes mentais. Tais obstculos podem opor-
se ao desenvolvimento do instinto sexual em cada uma das trs direes apontadas. 
Observamos que em tais indivduos persistem durante muito tempo e at um perodo 
avanado da puberdade e depois da mesma, certas atitudes infantis que deformam, cobrem 
e retardam de um modo singular o desenvolvimento. Assinala-se antes de tudo uma fixao 
afetiva exagerada  me (menos ao pai), uma ternura eletiva exaltada, enquanto que outros 
jovens dessa idade j abandonaram faz tempo estes vnculos familia res estreitos para 
dirigir-se a outros ideais. Trata-se de um obstculo  liber tao do ideal personificado na 
me ou no pai. Mesmo assim evidencia-se que os jovens nervosos no conseguem vencer 
bem a fase seguinte, a do protesto, que assume formas exageradas e demoradas. Ela se 
caracteriza por um forte ressentimento contra os pais, por uma oposio sistemtica, 
averso caprichosa, dio fantico, at atos de brutalidade psquica e fsica com os pais, tudo 
isto incompreensvel de acordo com a situao psicolgica externa e explicvel somente 
por motivos biolgicos. Se numa famlia existe mais de um rapaz com esta predisposio, 
eles se influenciam mutuamente por uma espcie de contgio recproco e psquico que 
agrava os defeitos e que os fecha num crculo inacessvel aos ensinamentos e splicas dos 
pais. Outros quadros surgem onde o desenvolvimento psquico se choca com o 
inconveniente de uma fuso defei tuosa das disposies sexuais psquica-somtica. A 
exitao sexual do corpo, se  que ela existe, segue um curso a parte, e pode satisfazer-se 
talvez mediante a masturbao. O desejo psquico do amor conserva uma forma parecida  
do incio da puberdade. Esgota-se em toda espcie de devaneios e fantasias, ima ginaes 
delirantes onde uma pessoa vista de longe se torna objeto de um culto platnico ou numa 
promessa de matrimnio acalentada em silncio durante
Domnio dos Impulsos        153
anos a fio. Esta fuso insuficiente psico-somtica do impulso sexual se manifesta assim 
mesmo pelo prolongamento anormal da abstinncia sexual. Outros jovens se deixam levar 
por ninharias a uma excitao sexual grosseira e exagerada contra a qual a personalidade 
imatura tenta defender-se desesperadamente (imaginao imposta). O indivduo mantm-se 
numa ignorncia afetada ou pueril do ato da procriao e subtrai-se sistematicamente s 
observaes emp ricas mais evidentes em si e em seus semelhantes.
Nos individuos cujo instinto sexual no se funde totalmente com o tem peramento geral, 
produz-se mais tarde um abismo intransponvel dentro da personalidade total ficando de um 
lado o EU, a personalidade tica e do outro lado o instinto sexual como algo de hostil, um 
corpo estranho que inco moda sempre. A luta moral iniciada entre ambos os elementos 
poder durar a vida toda. Muito daquilo que designamos e encontramos com imperativo 
categrico e rigidez moral ou como escrupuloso e artimanha tem sua origem biolgica 
nestas tenses.
Se a pessoa inibida na sua evoluo no domina os dois primeiros ditados da puberdade, 
liberao interna dos pais e desenvolvimento dos instintos er ticos, ele fracassar no 
terceiro, na construo do seu prprio papel de pai. Podemos assim falar do fracasso da 
inverso do instinto de procria o da neces sidade passiva para a ativa cujo eixo giratrio 
teria que ser o tempo de amadurecimento. O homem no se interessa pela responsabilidade 
que deve assumir para com a famlia, a mulher no anseia ter filhos e poder educ-los. 
Gente assim evita (e com razo) o casamento e outras atividades que implicam em cuidados 
e vivem por si s ensimesmadas. Existem outros tipos que na idade adulta enfrentam 
qualquer perspectiva ertica com neutralidade ou a evitam cuidadosamente, e sem contrair 
matrimnio encontram satisfao em atividades sociais em creches e escolas, etc.).
No podemos deixar de falar finalmente daquele grupo com perturbaes no seu 
desenvolvimento, que ficam parados no seu processo de amadurecimento, sem 
dramatjcidade, sem conflitos e que no desenvolvem nem um impulso ertico, nem de 
criao, mas se adaptam bem a uma profisso adequada.
Ficou evidenciado que as escalas de amadurecimento no homem no obe decem a uma 
seqncia fixa ou a um grau determinado de perfeio. A ordem social e a peculiaridade 
humana deixam bastante espao para que uma pessoa assim perturbada ache seu lugar. O 
afastamento das normas constitui sempre um perigo de conflitos. Se este conflito explode 
no depende tanto da anor malidade em si, mas da constelao de todos os fatores da 
estrutura pessoal e do ambiente.
DOMNIO DOS IMPULSOS
Dominar os instintos, ceder a um desejo ou privar-se do mesmo  vital para o homem e por 
isto a meta principal de toda educao. Um significado espe cial  dedicado  capacidade de 
saber suportar privaes e medo. Uma orientao racional no  o suficiente a no ser que o 
motivo afetivo seja ordenado, pesado e resistente (Cerne do carter, pg. 161). No existe lei 
fixa para se saber quando convem ceder, e quando privar-se, O compromisso torna-se a 
regra. Sem o fator metapsquico pessoal-espiritual e somente com a bateria de instintos 
inatos ou adquiridos o homem se sentiria perdido (o que
154        Instintos e Suas Vario.es
no pode ser comprovado pelas cincias naturais). A ativao espiritual  um elemento 
essencial da pedagogia e uma premissa importante para o domnio dos instintos. Sem saber 
dominar-se o indivduo amolece ou age unilateral- mente causando perturbaes. Tocamos 
aqui no problema da liberdade da autodeterminao no qual no queremos entrar. O 
mdico, como clnico e diagnstico enfrenta a tarefa de julgar as mudanas do grau de 
liberdade tirando da outras conseqncias. O domnio dos instintos se manifesta na 
resistncia contra a dor, a sede, a fome, frio, ameaas, etc. e no grau do controle, 
respectivamente da seleo frente s tentaes. Em ambos os casos devemos examinar se a 
atividade espiritual e a resistncia do carter ou indiferena (indolncia) so decisivos para 
uma atitude positiva ou negativa. Na redu zida capacidade de resistncia a culpa poder 
caber a doenas fsicas, consti tuio psquica lbil, ou uma doena psquica. Do outro lado 
uma atitude intransigente contra privaes e tentaes, pode indicar um defeito de carter 
ou uma psicose (esquizofrenia, depresso). Em todos os distrbios psquicos, de origem 
corporal ou no, o equilbrio interno das foras se desloca e por conseguinte a capacidade 
de determinar os impulsos. Mudanas no domnio dos instintos nos anunciam s vezes uma 
doena mental no revelada ainda.
ESP E FUNO DOS INSTINTOS.
As qualidades afetivas, as propriedades de carter de um homem se
agrupam em redor das constantes dos instintos como ponto focal, diferen ciando-se e 
variando em crculos de amplitude cada vez maior.
Como instinto bsico denominam-se aqueles complexos de afetos que visam as metas vitais 
e que, baseados na hereditariedade se dirigem para frmulas de realizaes mais ou menos 
firmes, especficas, seja vegetativas ou motoras. Os instintos mais elevados dos quais nos 
falavam poetas e filsofos so talvez (assim como a linguagem) fixados a priori, mas no 
herdados e se desenvolvem num clima social da educao e experincia. Eles procuram os 
valores especi ficamente humanos, individuais e sociais. O complexo de sentimentos que se 
esconde atrs destes instintos chama-se de alma (Gemuet). No podemos traar uma linha 
divisria de em cima ou embaixo. Encontramos somente pontos de gravidade.
Na vida psquica do homem os instintos bsicos desempenham um papel singularmente 
dbio; de um lado eles so uma parte intrnseca do tempera mento em si, correntes largas e 
poderosas do subterrneo que levam as afinidades mais elevadas para longe, determinando-
lhes a direo. Em casos extremos porm eles formam impulsos isolados psquicos 
independentes que se opem num contraste acentuado s tendncias espirituais da 
personalidade. O instinto sexual serve de paradigma em ambas as direes.
A vida dos instintos reflete a tenso vivencial do indivduo entre a necessi dade que se 
refora da doena e a liberdade que se conquista na sade. A psicologia dos instintos e suas 
relaes com a vida psquica elevada formam assim o ponto angular da psicologia mdica. 
Os conflitos que surgem aqui provocam psicoses em forma de neuroses e reativas bem 
como uma infinidade de doenas corporais supostas. Em contraste com a afinidade mais 
elevada que pode ser moldada e que se adapta, os instintos elementares querem impor-se a
Espcie e Funo dos IHstintos
15
todo custo como foras elementares, quebrando as resistncias que encontram em seu 
caminho criando confuses psquicas e distrbios das funes fsicas.
Potencialmente todos os instintos so ambivalentes com um acento ora positivo, ora 
negativo embora possam parecer por fora inofensivos e teis. No  o efeito vital que 
determina o valor de um instinto mas a funao humana que deve ser controlada e testada 
sempre de novo. As tentativas contnuas de querer neutralizar a ambivalncia dos jnstintos 
por um destnascaramento racional e por reformas ticas so comoventes na sua mistura de 
esforo cego e falta de resultados. Assim como todas as utopias, elas formam motivos essen 
ciais e recursos artificiais com os quais se movimenta e aperfeioa o processo que ns 
chamamos de histria. A ltima grande tentativa no gnero foi a Revoluao Francesa com 
seus rebentos, o Darwinismo (no sentido mais lato do otimismo da criaao) e a P s i c o a n 
 li s e. Assim sendo, a ambiguidade dos instintos representa um fator dramtico de 
primeira grandeza.
10. CAPTULO
OS TEMPERAMENTOS
O conceito de temperamento se agrupa em primeiro lugar psicologica mente em redor da 
Afetividade. Chamamos de temperamento o conjunto de qualidades afetivas que 
caracterizam uma individualidade segundo os seus dois fatores principais: sensibilidade e 
reatividade. Correspondem a isto as definies filosfico-psicolgicas (WELLEK, 1966). 
O Tipo sob seu aspecto dinmico ou Desejos e reatividades mais profundas. A 
afetabilidade habitual se ajusta especialmente a duas escalas independentes e fundamentais 
para o tempera mento, a psicoesttica entre os polos finais sensvel e frio e a diattica 
entre os polos, alegre e triste. Os temperamentos pronunciadamente diat ticos mostram-
se s vezes neutros no sentido psicoesttico e so pouco nervosos. Os psicoestticos por 
sua vez revelam apenas qualidades diatticas e so em geral srios. Na escala entnica 
captamos o abruto e a tenacidade do esforo dinmico. A mobilidade pertence s 
formas bsicas da reatividade QUE POR SUA VEZ ABRANGE A FREQNCIA e 
velocidade das coisas enunciadas. A agilidade e compostura na ao e na percepo 
sensorial. A psico-estesia e o fludo de um lado e a fluidez e agilidade do outro lado, 
formam o ncleo do conceito Temperamento. Desde os tempos remotos o temperamento 
encerra tambm a afetividade com sua base neuro-.metablica (ver captulo V) do que se 
depreende a relao existente entre o temperamento e a estrutura corporal, ou seja, entre a 
personalidade somtica e psquica. (ver
KRETSCHMER 1967).
Consideramos de fato os impulsos psquicos em volta de um certo nmero de pontos 
elementares do destino mas em toda sua riqueza de diferenciao cultural e das suas 
matizes individuais. Muito mais decisivo do que todas as diferenas estruturais nos 
aparelhos psquicos so os temperamentos no que concerne  personalidade ou 
individualidade para a diferenciao de uma pessoa para a outra.
156
Os Temperamentos
Uma contribuio interessante para a Fisiologia dos tipos constitucionais nos foi dada por 
F. HOFF 1956, um dos mais profundos conhecedores das fun es vegetativas, ao 
relacionar as regulaes vegetativas polares (simpaticotonia e parasimpaticotonia) com as 
formas somticas constitucionais e dos represen tantes polares de grupos de doenas 
internas. (ver tabela 3).
Deduz-se da mesma de um modo expressivo a relao biolgica estreita entre forma e 
funo, entre morfologia externa do corpo e regulamentaes vegetativas nas suas 
regulamentaes vegetativo-endocrnicas, sendo em certos pontos at antagnicos. Para 
determinados grupos de reaes experimentais os pcnicos mostram uma simpaticotonia 
potente e rpida, enquanto que os Lepto. smicos parecem melhor orientados para a 
vagotonia.  importante que HOFF confirma estes resultados.
Na teoria dos temperamentos como unidade funcional psicofsica fecha-se o anel entre a 
morfologia corporal e as regulamentaes vegetativas de uma parte, e das regulamentaes 
psquicas da afetividade e da psicomotilidade do outro lado, at s tendncias a doenas 
internas e psicoses endgenas.
TABELA 3  CORRELAES ENTRE REGULAMENTAO VEGETATIVA, 
ESTRUTURA CORPORAL E GRUPOS DE DOENAS POLARES. (segundo F. HOFF. 
1956).
Estrutura
Vegetativa
Hiper
tnico
+
Simpaticotonia
Parasimpa- ticotonia
Volume por minuto/kg peso corpo
ral
Freqncia pulso
Volume por batida
Atividade carda
ca
+
+
+
TensAo arterial
mcd.
O
O

+

Relao entre resistencias elsti

(+)
+
cas e perifricas
(EJW)
Consumo        oxignio/kg de peso
+

+

+

corporal
Colinesterasa

+
+
Linfcitos

+

+

+
Eosinfilos

+


+
Cociente KJCa.

+
O
O
+
Volupe por minu
to
+
+
+
+
Estrutura
Pcnicos
Atletas
+
+
+
+
Corporal
Leptos micos
Grupo polar
+
+
+
Ulce rosos
Explicaes dos sinais:  = relativamente maior
 relativamente menor
O sem diferena aprecivel
Tipos de Estrutura Corporal e Temperamentos:
 isto o que encerra a palavra Temperamento na confluncia das di posies afetivas, 
vegetativas, humorais e morfolgicas do organismo em si
TIPOS DE ESTRUTURA CORPORAL E TEMPERAMENTOS:
Os grupos principais das psicoses constitucionais endgenas, podem servir- nos por 
enquanto de guia atravs do domnio complicado da Psicotipologia individual. As psicoses 
manaco-depressivas ou circulares nos oferecem uma variedade mrbida do quadro 
psicolgico normal, constitudo pelos tempera mentos ciclotmicos j que as psicoses 
esquizofrnicas ou a demncia precoce representam a ilustrao caricata de um outro 
quadro normal, integrado pelos temperamentos esquisotmicos. Designamos como ciclides 
e esquisides os estados limtrofes entre o indivduo so e o enfermo. O terceiro grupo 
principal das afeies psquicas hereditrias que compreende a epilepsia tem na sua 
composio psquica dos pacientes algumas relaes com os temperamentos viscosos 
normais e explosivos dos atlticos.
Aos coeficientes de freqncia entre os temperamentos normais e as doenas hereditrias 
agregam-se outras correlaes de ambos os conjuntos com os tipos de estrutura corporal. 
Mencionamos aqui de leve alguns grupos especiais menores displsticos que mostram 
um desenvolvimento geral ou parcial de crescimento retardado, como o infantilismo e a 
hipoplasia ou ento certos efeitos circunscritos da atividade das glndulas endocrnicas 
como as figuras eunucides, as figuras endocrnicas de obesidade, as manifestaes 
mixedematosas e de Basedow que tm sua origem hipertireide no corpo tireide, etc. 
Todas estas variantes da estrutura corporal so de grande importncia para as correlaes 
somatopsquicas para interpretar a curva de desenvolvimento da personalidade no corte 
vertical da vida, e especialmente para os diversos fatores que orientam a evoluo do 
temperamento como o retardamento e a asincronia das neuroses e esquizofrenias.
Interessam-nos especialmente os trs grandes tipos constitucionais normais:
o pcnico, o leptosmico (astnico nas suas variedades extremas) e o atltico (ver figuras de 
E. KRETSCHMER, 1967). Nos representantes destas formas
Ftgura 19. Distribuies das constituies nos grupos principais das psicoses.
no encontramos distrbios por forma igual os temperamentos prin cipais. Os 
esquisotimicos superam os leptosomos, os baricinticos superam os
157
Pcuicos Leptossomos Atlticos Epilpticos
(1505 casos
\
1
Leptossomos
Dispisicos M picos
Esquizofrnicos (5233 casos)
ManacosDepressivos
(5233 c
atlticos e os ciclotmicos os pcnicos As doenas hereditrias psquicas se dividem, de 
forma anloga  no grupo dos esquizofrnicos predominam os leptosomos, nas doenas 
psquicas circulares predominam os pcnicos e em determinados grupos de esquizofrenia 
(catatonia e epilticos) predominam os atlticos. A freqncia de distribuio se distribui da 
seguinte forma: Os indivduos pcnicos so mais acentuados na idade mdia possuem uma 
figura rechonchuda, de membros curtos, bem nutridos e corados. Sua estrutura ssea e antes 
delicada, a musculatura mole, h bastante gordura no rosto, pescoo e tronco  abundante. 
A cabea, o trax e a barriga tm um volume consi dervel em contraste com os ombros 
estreitos de que resulta um tronco em forma de barrica. A cabea se inclina um pouco para 
frente e descansa sobre um pescoo curto e forte. Nos casos tpicos a frente  baixa e 
achatada no vrtice e o accipcio arredondado. O rosto  mole e largo e arredondado de 
propores harmnicas e formas bem evoludas, o perfil  suave e levemente arqueado com 
um nariz carnudo O contorno geral apresenta esquematica mente a forma de um pentgono 
obtuso ou de um escudo (ver fig. 27). As mos so curtas e largas e de formao graciosa. 
Em geral os pcnicos tm um cabelo fino, sedoso com entrncias e so propensos  calvcie 
precoce enquanto que a barba e o plo no corpo so regularmente profusos.
Os homens atlticos tm os membros mais compridos. A cintura escapular larga, ampla e 
musculosa domina na impresso tica sobre a metade inferior do corpo que perde em 
largura com sua bacia relativamente estreita, formando assim uni tronco em forma de 
trapzio quando visto de frente. O esqueleto  robusto especialmente na cintura escapular e 
nas extremidades do corpo, a musculatura sob a epiderme elstica e de pouca gordura  
forte e bem desen volvida com um relevo plstico. O colo alto e robusto sustenta uma 
cabea alta e firme com o rosto igualmente largo na sua parte mdia com o queixo e 
estrutura ssea saliente. O relevo frontal do rosto tem a forma oval. O atltico tpico tem 
uma pele do rosto grossa e plida enquanto as mos tomam uma cor azulada (acrosianose).
O Leptosomo masculino tem o tronco cilndrico, e uma caixa torcica estreita e alargada 
com ombros estreitos. As extremidades e o colo so igual mente longos, os ossos, os 
msculos e a epiderme so em geral graciosos, del gados e finos. A cabea  pequena, alta 
ou arredondada. O nariz alongado e ponteagudo contrasta com o maxilar inferior fino e 
eventualmente hipopls. tico. O nariz saliente e o queixo retrado do a impresso de um 
perfil angular. O contorno frontal da face mostra nos casos mais acentuados um oval 
reduzido. Nos leptosomos a cor da pele  freqentemente plida, e o couro cabeludo 
primrio (cabea e sobrancelhas) fina e o couro cabeludo terminal pouco pronunciado.
Podemos considerar os grupos esq u isotzm icos, ciclo tm icos e bariq uinsicos como os 
grandes bitipos complexos dos quais se compem nos graus mais variados de misturas 
uma grande quantidade de matizes temperamentais normais.
Os tipos constitucionais estudados at agora se ajustam a uma lei fun damental importante: 
a polaridade dos temperamentos. A cada tipo de estru tura corporal corresponde no 
somente um s temperamento mas um par contrastante de tonalidades temperamentais 
opostos (tab. 4).
Cada ser humano possua as trs escalas de temperamentos em matizes
diferentes. Por isto perguntamos quando se trata de um indivduo no somente
158
Os Temperamentos
i
por uma proporo mas pela proporo predominante, sua reta t de mistura, a liga das 
dimenses e fora de expresso de cada polo.
No que concerne  mobilidade, o ciclotzmico no apresenta nenhuma pe culiaridade 
rtmica reagindo de um modo igual a alegrias e tristezas mas sim diferenas acentuadas no 
ritmo geral, desde o rpido ao lento ou compassado, de acordo com a disposio 
predominante.
Os temperamentos extremos dos esquizides e dos pberes reagem com extrema 
hipersensibilidade a certos conjuntos de representaes afetivas nos quais se fixam com 
tenacidade e violncia at que outro estmulo os induza a um desvio brusco, enquanto que 
ficam impassveis e indiferentes aos demais. Juntam-se a isto freqentemente 
incongruncias entre a receptividade e as impresses e a faculdade de expresso, 
transtornos de conduta que no lhes permitem elaborar impresses que os afetam vivamente 
o que determina com facilidade xtases afetivos e desviamentos complicados laterais, no 
curso dos seus sentimentos. Da resulta, se eliminamos as pessoas atrasadas e obtusas, que 
seu ritmo psquico se apresenta muito complicado e imprevisvel, ao qual se prendem 
obstinadamente, para reagir a novos impulsos e cair novamente em uma indolncia 
prolongada. O ritmo psquico dos esquizotmicos oscila por conseguinte entre brusco e 
obstinado e nos normais entre flexvel e cons tante.
A proporo diatsica e o ritmo psquico correspondem nos ciclotmicos no sentido que os 
temperamentos alegres so os mais geis e os que tendem a depresses os mais pesados, 
como o demonstram as doenas circulatrias (ma nia, depresses, etc.).
TABELA 4. POLARIDADE DOS TEMPERAMENTOS
T 1
Ciclotmicos
pcnicos
Esquizotmicos
Leptosomos
Baricinticos
Atlticos
Propores entnicas. Fluidos
Escala de mentos
temperaPropores diatticas. Disposio
Propores Psicoest- sicas Sensibilidade
elevadas, alegres. Sin- tnico baixo-triste
sensvel hipesttico indiferente
abruto permanente flegmatico
Extremos
ciclides
esquizides
epilticos (*)
Variantes
hipomnicos subdepressivos
hiperestticos anestticos indiferentes
explosivos viscosos enequticos (grudam)
(*) o termo epiltico no deve ser tomado ao p da letra mas em sentido de compara o. 
Sabemos muito pouco a respeito de ataques epilticos e das mudanas provo cadas para 
estipular com exatido a relao entre as variantes de carter e a doena.
Nos esquizides entretanto no se distinguem relaes entre psicoestesia e impulsos 
especiais, os hiperestticos delicados surpreendem pela sua afetividade pesada e volvel, ao 
lado de uma volubilidade mesmo nos indolentes bastante frios, distinguindo-se nos 
esquizofrnicos as quatro combinaes seguintes:
tenacidade sensvel ou aptica, sensibilidade exagerada, e indolncia caprichosa.
160
Os Temperamentos
Tipos de Estrutura Corporal e Temperamentos:        161
Se adotamos como caratersticos principais os sintomas da afetabilidade (psicoestesia e 
diatesia) podemos obter um grupo de seis temperamentos, dos quais quatro grupos polares 
formam as seguintes variantes extremas anormais:
Tabela 5.
Ciclotmicos        Esquizides
1.        hipomaniacos        4. Hiperestticos
mveis e alegres        irritveis, nervosos, introvertidos
delicados, idealistas alheios
2.        sintnicos-ciclotmicos        5. Esquizotimicos-mdios
realistas prticos        frios, enrgicos, conseqentes, aristo
humorsticos pesados        crticos serenos
3.        Fleugmticos        6. frios, nervosos, egostas, excntricos
Pessimistas, hesitantes        indolentes, pobres de afetos, ociosos
e vaidosos.
As qualidades hiperestticas mostram-se especialmente pela sensibilidade delicada, 
devaneios frente  natureza e  arte bem como com determinadas pessoas por uma 
supersensibilidade e frente ao desgaste natural da vida. Nos carteres ps-esquizofrnicos 
nota-se a facilidade de acessos de clera dependente de complexos psquicos. As 
qualidades anestticas se manifestam por uma frieza ostensiva ou uma indiferena mrbida. 
A psicomotilidade  conseqncia de uma completa falta de apoio interno ou de um 
capricho momentneo. A persistncia aparece nas variantes caratersticas como: energia 
frrea, obstinao obtusa, pedanteria, fanatismo, ou conseqncia sistemtica nos atos e 
pensa mentos.
As variantes dos temperamentos diatsicos so menos numerosas se pres cindimos das 
mesclas fortes (querulantes, briguentos e hipocondracos receiosos e secos). O tipo 
hipomanaco mostra, ao lado de sua tonalidade alegre certa tendncia de encolerizar-se 
facilmente. Oscila entre o temperamento facilmente inflamvel, um esprito de ampla 
iniciativa, dos afazeres mltiplos e de uma alegria radiante e imperturbvel.
A psicomotilidade dos ciclotimicos (salvo os casos de grande inibio mrbida) se 
distinguem pela mmica e os movimentos rpidos ou lentos do corpo, arredondados e 
naturais. Nos esquizotmicos estes movimentos so mais controlados, porm fluentes e at 
elegantes. Falta ao esquizide freqentemente a correspondncia direta e adequada entre 
um estmulo psquico e a reao motora numa motricidade aristocrtica reservada ou de 
grande reserva e final mente rgida, refreada e tmida.
No que concerne sua atitude complexa diante da vida e suas reaes frente ao meio os 
ciclotmicos mostram em geral uma tendncia para 0 contacto com o mundo exterior e 
com o presente, so comunicativos, sociveis, amveis, generosos e espontneos, 
entregando-se ora a empreendimentos ousados, ora se limitam a uma vida contemplativa, 
cmoda e sem esforo. Entre eles se contam os tipos comuns do homem de ao prtica e 
da vida sensorial e nos extremamente bem dotados os tipos do realista confortvel, do 
humorista de ndole pacfica no que concerne o estilo artstico, os espricos superficiais e
162        Os Temperamentos
intuitivos e os vulgarizadores hbeis. No que concerne  vida prtica temos ainda os tipos 
benevolentes e razoveis de intermedirios, os organizadores grandiosos e os audazes 
temperamentais (KRETSCHMER, 1958b).
uugo
l 27. Tipos de con- a) pentagonal tornos frontais (esque- chato; intico e algo exagera do):
Os temperamentos esquizotmicos tendem a uma vida interior segregada,  criao de uma 
zona individual, uma vida de sonhos, idias e princpios uni contraste proposital entre o EU 
e a vida exterior e um retraimento ostensivo face ao semelhante congregado em grandes 
massas. Nos esquizides essa atitude
Fig. 23. Pcnico (cabea curta e achatada)
Fig. 25. Astnico (perfil angular)
Fig. 24. Atltico (cabea forte e alta)
Fig. 26. Hipoplsico.
b) escudo amplo;
c)        forma oval        d) forma oval
alta;        recolhida.
Tipos de Estrutura Corporal e Temperamentos:        163
culmina num movimento frio entre seus semelhantes, sem interesse ou relaes interiores. 
Encontramos entre eles muitos tipos deficientes de excntricos mal humorados, egostas, 
instveis criminosos. Os tipos socialmente elevados esqui zotmicos e esquizides se 
compem de sonhadores delicados e aristocratas frios e formais. Encontramo-los na poesia 
e nas artes como estilistas e classicistas puros, como romnticos alheios ao mundo, idlicos 
sentimentais, pat ticos trgicos at o expressionismo brutal e o naturalismo tendencioso, 
irnicos e sarcsticos espirituais. No campo da cincia eles mostram uma predileo pelo 
formalismo escoldstico ou reflexo filosfica, ao metzfisico e sistematisino exato. Os 
esquizotmicos se distinguem por sua energia tenaz, sua inflexibilidade, e intransigncia 
nos seus princpios, conseqentes consigo mesmos, os tipos dominadores, os moralistas 
hericos, os idealistas puros, os fandticos frios, os dspotas e os calculadores frios, de 
maleabilidade diplomtica.
Resumimos todas essas disposies especiais na tabela seguinte (6) tomando em conta 
somente as variantes positivas de grande valor social e entre elas as principai apenas.
Os traos temperamentais bsicos das constituies barinquinticas-atlticas so formados 
pela tenacidade o ater-se a uma causa e mesmo nos detalhes objetivos. Esta insistncia e 
exatido se traduzem de acordo com o ponto de gravidade individual do carter como 
pouco espontneas, por uma tenacidade viscosa ou como energia dirigida. A desvantagem 
do atltico se manifesta quando a situao, a maleabilidade exigem uma transposio 
rpida. A ele se revela como pesado e pedante. Sua vantagem consiste do outro lado na sua 
absoluta fidelidade e calma psquica inalterada demonstrada em situaes aflitivas onde os 
temperamentos nervosos e sangneos se perturbam.
Nos soldados atlticos e nos esportistas esta calma fleumtica e reatividade diminuda se 
traduzem como fator principal de sua capacidade fsica de reali zao de feitos.
Na efetividade revelam-se de um lado a benevolncia e o aconchego e do outro lado a 
reserva e a economia nas palavras com mau humor pronunciado e desconfiana (E. 
KRETScHMER e ENx 1936).
TABsz 6.
Tipos
Ciclo timicos
Esquizotimicos
Poetas
Realistas
Patticos
Romnticos
Artistas plsticos
Pesquisadores
DescriAo plstica
Empiricos
Lgicos exatos
Sistemticos
Metafsicos
Dirigentes
Robustos
Organizadores vivos
Mediadores ajuizados
Idealistas puros
Despotas e Fanticos
Calculistas frios
No fundo de tudo isto encontramos uma labilidade emocional que se exprime como 
sensibilidade e influncia do meio. A ambio de realizar alguma coisa e uma firmeza 
externa compensam as tenses internas e a vulnerabilidade. Exploses fceis e sentir 
facilmente ofendido completam o quadro caraters tico compensado por uma tendncia para 
o objetivismo (HANNEMANN, 1967).
164        Os Temperamentos
Querendo caracterizar negativamente a espiritualidade dos barinquinticos constatamos a 
falta de esprit, a leveza, fluncia ou o saltitante no fluxo das idias bem como de 
subtileza e sensibilidade. A influncia atltica proporciona um modo de pensar refletido e 
calmo, que nas pessoas altamente dotadas causa a impresso de solidez e competncia no 
que concerne por exemplo aos trabalhos cientficos. Quase todos eles so tidos como secos 
e frios. Multiplicidade de interesses ou interesses secundrios bem como a especulao 
fantasiosa cons tituem as excees. Em alguns pesquisadores encontramos grande 
capacidade para o trabalho e uma exatido incomum.
Tanto nos experimentos como na vida os leptosomos so, nas suas inclina es espirituais, 
mais intensos, abstrativos, analticos, persistente com saltos
barrocos no pensamento, subjetivando e retendo seus sentimentos.
Os pcnicos do seu lado so mais extensivos, objetivos, sintticos de fcil acesso e 
maleabilidade, objetivos e ingnuos nos seus sentimentos. Os atlticos se revelam como 
sendo pertinazes e disciplinados ao lado de uma sensibilidade suave e mais vizinhos dos 
tipos esquizotmicos.
Tabela 7 Psicologia dos Tipos
Cilotimicos        Esquizoti        Bariquintios
Movimentos        soltos        Tensos        bastante tensos
leves        leves        pesados
arredondados        elegantes        pesados
rpidos        rpidos        rpidos moderados
Movimentos finos fluentes        fluentes        quebrados
Estilo de atividade improvisao        Sistema        sistema
inteno nica        intenso dividida        intenso dividjda
Pensamento        ingnuo        refletido        refletido
insistente
concreto        abstrato        menos abstrato
Ateno        oscilante        permanente        permanetne
Afetividade        sentimento        sentimento        sentimento
imediato        retido        retido
apelo direto        sensitivo        sensvel
Concepo        parcial        inteira        inteira (parcial)
(de situaes)
inteira        parcial        pequenos detalhes
(de objetos)
forma        cor        forma (cor)
(vivido objetivamente, externamente, articulado)
cor        forma
(vivncia subjetiva, ntima, universal)        cor (forma)
Orientao        extrovertida        introvertida        extrovertido
(valor objeto)        (valor prprio)        (valor, objeto)
(introvertido        Extrovertido
pelo sentimento)        (objeto, pensamento        (valor prprio)
Relaes humanas        equilibradas        imposio        imposio
Variantes Tpicas de Evoluda e Sexo da Constitui8o no Decorrer da Vida 165
Observam-se na psicomotricidade diferenas fundamentais, importantes no terreno da 
prtica profissional. A delicadeza e a preciso dos movimentos das mos e dedos se destaca 
sobretudo nos leptosmicos, sendo menor nos pcnicos, deixando muito a desejar nos 
atlticos. Mas os picnicos superam em muito os leptosmicos pelos seus movimentos 
suaves, arredondados, fluidos e soltos e os atlticos pela coordenao da motricidade em 
geral. A escrita manual e sobretudo as curvas grafo-bricas obtidas com a balana 
proporcionam ndices matematicamente exatos de certos modos de conduta dos diversos 
tipos de estrutura corporal e no terreno da vontade e dos afetos, expondo especialmente a 
magnitude, flutuao e continuidade das tenses intra-psquicas. A amplitude das 
oscilaes, ou seja a diferena entre as presses mximas e mnimas alcanam seu mais alto 
valor nos pcnicos sendo entretanto muitto menor do que nos leptosmicos e nos atlticos o 
nvel da presso permanente, sendo superior a freqncia da queda de presso at a linha 
zero. (STEINWANGER 1952). A osci lao e a capacidade de relacionamento dos 
siclotmicos se torna to evidente nestas pesquisas como a tenso contnua interna e o 
esforo perseverante dos esquizotmicos, assim como o desgaste de energia dos 
bariquinticos compacta e reforado por antagonismo.
O temperamento do grupo dis plstico  difuso aproximando-se entretanto, a propores 
bsicas tpicas do indivduo em questo (pcnico, leptpsmico e atltico).
VARIANTES TIPICAS DE EVOLUO E SEXO
DA CONSTITUIO NO DECORRER DA VIDA
Mostramos a evoluo dos temperamentos em principio a partir das cons tituies que se 
manifestam por sees transversais da idade adulta em formas estveis at certo ponto. 
Devemos nos deter agora nas variantes de tempera mento derivadas da constituio 
conforme suas sees longitudinais conforme sua evoluo no correr da vida (tipos de 
evoluo). Ambas as escalas diagns ticas devem ser avaliadas em separado embora no 
caream de relaes intrnsecas em parte. Examinando em corte longitudinal os 
temperamentos, destacamos tambm os sinais de amadurecimento que se apresentam numa 
sucesso em ascendncia atravs da infncia e da puberdade com importncia decisiva 
sobre a ltima. Esta vida progressiva foi trilhada por ZELLER (1952) e outros. Ser vem-nos 
de base os valores mdios da estrutura corporal da constituio geral e sexual calculada na 
mdia de urna determinada populao para cada an de vida. Correlacionam-se com eles os 
carateres psquicos obtidos em parte clinicamente e em parte pelo mtodo experimental.
Ficou comprovado que para avaliar o organismo psico-fisico segundo o temperamento e a 
produtividade devemos servir-nos de duas escalas; primeiro o ritmo de amadurecimento o 
retardamento ou a acelerao do desenvolvimento e em seguida a sincronia ou assincronia 
de certos sinais de amadurecimento entre si. A puberdade no  um proce uniforme mas 
consiste especialmente no que concerne a complicadssima constituio sexual psicofsica 
de uma srie de fases paralelas de amadurecimento dos diversos carateres que no caso mais 
favorvel so exatamente sincrnicos. Esta concordncia temporal fra cassa 
freqentemente. Alguns carateres se antecipam enquanto que outros se
atrasam. Estas assincronias se encontram em diversos graus no somente clini camente nas 
neuroses e esquizofrenias mas tambm ao examinar candidatos ao aprendizado na 
populao mdia (HERTER, 1966). Nas nossas investigaes em srie ficou provado que 
os assincronismos e especilmente os retardados parciais so mais importantes para a 
personalidade e a produtividade que os retardados comuns e o aceleramento como tal. Os 
assincronismos mais intensos causam forosamente ambivalncias hipoblicas profundas 
,sendo pontos de partida de tenses conflitantes para a estrutura do carter e especialmente 
para a formao de complexos neurticos. (E. KRETSCHMER, 1948, 1967).
A puberdade representa uma fase de vida que tende para as crises que abrangem a atitude 
da personalidade psco-fsica sendo que seu curso vital se encontra perturbado por contra-
tenses fortes e antagnicas. No  por acaso que das pessoas predispostas a erupo de 
graves psicoses, como a hebefrnia se manifeste nesta poca, causando o efeito de uma 
caricatura de uma atitude puberal. A puberdade em si no  nenhuma doena mas dentro do 
desenrolar da vida humana um tempo de crise de primeiro grandeza. Nela se manifestam 
com fora excepcional na discrepncia das disposies internas e das constelaes externas, 
os assincronismos das linhas de amadurecimento constitucionais (cons tituio 
prodisclmnica), vivncias e conflitos.
Podemos construir uma escala ininterrupta tanto quantitativa como qu litativamente, que 
nos leva das complicaes cotidianas da puberdade de jovens normais, atravs das crises de 
puberdade cada vez mais acentuadas de ordem psicoptica at os hebides leves e da s 
formas graves de destruio da de mncia juvenil e outras formas esquizofrnicas. Alm 
das dificuldades de amadurecimento outros fatores casuais desempenham seu papel.
O conhecimento profundo e a diferenciao das crises comuns de puberdade sob o ponto de 
vista mdico, psicolgico, e medicinal, bem como das Hebides nas suas formas 
transitrias para o crculo esquizofrnico, e as perturbaes de crescimento macios da 
distro fia puberal (tambm designada de emagrecimento endocrnico) so imprescindveis.
Todas as variantes e desigualdades do cmbio pueral dos instintos tm importncia no 
somente para a evoluo do carter dos jovens. Problemas parecidos surgem em 
intensidade menor em situaes biolgicas como no climatrio e na passagem para a 
senilidade. Ter ou no ter o espao vital adequado e especialmente o estjlo que convm a 
uma determinada idade de pende muitas vezes dos fundamentos biolgicos. (Mudana de 
impulsos, dis posio, sensibilidade).
No devemos esquecer que as variantes do amadurecimento constitucional no so apenas 
origens de dificuldades e complicaes, na formao do carter, mas tambm, em casos 
favorveis, uma fonte de vantagens mltiplas. A atitude infantil da mulher lhe d um 
encanto especial e na biografia de homens clebres encontramos no poucas vezes rasgos 
de mocidade como impulsos essenciais da sua labuta intelectual. A mocidade psquica dos 
adultos favorece uma atitude aberta para o mundo, capacidade de mudana, compreenso 
para as crianas, um esprito aberto para os valores estticos e problemtica profunda.
Muitas perturbaes de amadurecimento tm causas corporais (distrbios
neuro-hormnicos inatos, aberraes do cromosmio).
166
Os Temperamentos
Variantes Tpicas de Evoluao e Sexo da Constituiao no Decorrer da Vida 167
As variantes constitucionais endocrnicas (variantes intersexuais) apresen tam igualmente 
os seus problemas. A escolha dos cnjuges entre mulheres virilides e homens calmos 
encerra pontos de conflitos quando a mulher est nica tenta dominar o homem, 
desprezando-o ao mesmo tempo por este se deixar dominar. A parte feminina do seu ser 
quer levantar os olhos para admir-lo, ou senti-lo como parceiro de um mesmo nvel. 
Tambm na vida profissional, nas relaes hierrquicas e colegiais da mulher, refletemse 
estas discordncias de temperamentos. (E. KRETSCHMER, 1966).
QUARTA PARTE
PERSONALIDADES E TIPOS DE REAO
11. CAPTULO
INTELIGENCIA E CARTER
Damos por encerrado o estudo das diversas componentes e foras impulsoras do aparelho 
psquico e da sua estrutura biolgica, mudando o ponto de gravidade da personalidade 
complexa, colocando-a no seu ambiente vivencial.
Alm da inteligncia, ns, os mdicos estamos interessados no lado afetivo da 
personalidade, o modo do ser humano agir e sentir, como os acontecimentos ao seu redor 
do influenciam e como ele reage perante eles.  destas disposies afetivas e momentos de 
vivncia que surge as complicaes psicolgicas ou os efeitos psquicos que fazem os 
pacientes procurar o mdico.
INTELIGNCIA E TALENTO
A inteligncia no  uma faculdade psquica autonoma, mas simples. mente um sinal 
verbal no qual se resumem certas funes e aptides da perso nalidade total. Num sentido 
restrito designa particularmente manifestaes prprias dos processos superiores de figura 
ao, ou seja, a capacidade de adquirir e manipular as representaes. A inteligncia 
reprodutiva compreende antes de tudo a faculdade de aprender e reter (memria); a 
inteligncia produtiva envolve especialmente as manifestaes aperceptivas a formao de 
juzos e concluses, e, num sentido mais amplo toda a classe de produes psquicas novas. 
Nesta ltima aceitao empregamos a palavra inteligncia como sinonimo de dotes, ou 
aptides aplicando-a no somente aos conhecimentos e faculdades lgicos, mas tambm 
ao sentimento e  imaginao artstica,  energia vital prtica, etc. Em geral, quando se 
distingue entre inteligncia e carter da personalidade total, pensa-se, no primeiro caso 
naquilo que se produz dentro do domnio das representaes, e em segundo lugar tomam-se 
em conta os fatores afetivos e volitivos.
Daquilo que foi dito se depreende que inteligncia e especialmente dote so em 
primeiro lugar conceitos quantitativos. Um fator quantitativo desse gnero  por exemplo a 
abundncia ou escassez de imaginaao, Assim um grande poeta poder usar mais de 10.000 
palavras enquanto que o vocabu lrio corrente do homem de cultura geral no abrange mais 
do que 1.000 a 2.000 palavras. Pensou-se que o nmero de sinapses (ligao entre as 
clulas do encfalo) influem sobre o nvel quantitativo das aptides (talvez por via 
hereditria). Devemos porm ter em mente que o impulso, o interesse, a
Inte1ig 6 Carter
ateno e mobilidade, todos eles fatores vitais e temperamentais, possuem igual 
importncia para a quantidade e durao dos conhecimentos adquiridos e a capacidade de 
imaginao. O temperamento constitui pois para a inteligncia de uma pessoa um fator 
essencial.
Componentes quantitativamente mensurveis da inteligncia so a veloci dade, o grau de 
fadiga capacidade de recuperao, hbitos e adestramento. Isto se aplica  aptido escolar, 
para a aquisio de conhecimentos e todo e qualquer genero de produo intelectual em 
espaos dilatados.
A inteligncia de uma pessoa conta-se no somente pelo nmero absoluto das suas 
representaes, mas antes de tudo pelos acertos simples ou compostos em relao com os 
erros cometidos. Este critrio tem validade quando se trata de noes e juzos 
confirmados por via tradicional como por exemplo o ensino primrio ou o clculo comum e 
conceito de espao.
Na medida porm em que os aproximamos das produes de crebros previlegiados nosso 
juzo sobre a veracidade e importncia de suas idias ou a beleza das suas criaes artsticas 
se tornam mais relativas no se podendo mais aplicar um juzo individual. As idias de 
HEGEL representam para uma poca a pedra fundamental e final de todo conhecimento 
enquanto que para tantos outros representa apenas um desvio lamentvel. Para se avaliar o 
nvel intelectual dos grandes homens dispomos apenas de uma medida social:
a amplitude e a persistncia do seu efeito sobre os semelhantes.
Entendemos por gnio a faculdade de criar idias e formas de expresso pessoal e 
prpria, jamais pensada sou experimentadas em tornos iguais e de iniciar novas pocas 
histricas.
A teoria dos temperamentos pode servir-nos de ponto de partida para uma classificao 
melhor do pensamento: concreto-intuitivo, sonhador-romntico e abstrato-sistemtico. O 
primeiro se aplica especialmente aos ciclotmicos, e os dois restantes aos esquizotmicos. 
Poderamos imaginar que uma determinada capa do aparelho psquico em cada pessoa, de 
modo que o pensamento abstrato sistemtico (esquizotmico) se expressa sobretudo em 
conjuntos de represen taes aperceptivas, e o pensamento concreto intuitivo (ciclotmico) 
pelo contrrio, se aproxima mais do tipo da associa ao livre, visto que o pensamento 
simblico  determinado pelas aglutinaes de imagens da terceira capa. Assim produzir-
se-iam os tipos cte aptides do contador realista ciclotmico, do cole cionador de prosa 
ampla e do prtico mundano (grupo intuitivo concreto) do artista esquizotmico enamorado 
das formas, do dramaturgo, do lgico e do dogmtico (grupo sistemtico-formal), e 
finalmente do poeta esquizotmico e dos telogos e filsofos inclinados para o simbolismo 
metafsico (grupo romntico). Os componentes da inteligncia foram elaborados do modo 
mais explcito por GuuILrolw (1966).
Outra diviso qualitativa se baseia em diversas zonas de atividades e vivncias. Neste 
sentido fala-se em aptides especiais (esportivas, artsticas, matemticas, erticas, 
religiosas e outras) que so herdadas em separado ou acopladas, como acontece em certas 
famlias. Suas bases biolgicas so apenas conhecidas.
Em princpio, tais aptides especiais, limitadas em sua aparncia se compem por sua vez 
de uma srie de elementos particulares, s vezes hetero gneos, que podem ser herdados 
separadamente ou em conjunto como acontece
Inteligncia e Talento        173
em algumas famlias de msicos. Para ser um bom msico devem coincidir, entre outros 
fatores, qualidades rtmicas, meldicas, harmnicas, psicomotoras e outras de ndole 
temperamental (HAECKER, 1922). Um trabalho estatstico correlato (R. MILLER, 1925) 
numa srie de alunos normalistas forneceu os seguintes dados: a aptido geral de um dom 
musical notvel vo de mos dadas, os menos dotados so raras vezes bons msicos. 
Dentro desta aptido existe uma correlao estreita entre os ramos construtivos: harmonica, 
rgo piano de um lado e canto e violino do outro lado. Existe igualmente uma correlao 
entre a disposio para a msica e a matemtica. 1 mais comum que msicos excelentes 
sejam tambm bons matemticos, do que vive-versa. Os bons matemticos excelem em 
geral nas matrias construtivas-musicais (harmonia, rgo) mas a relao entre 
musicalidade e dons para o desenho  mais rara.
No sabemos muito sobre as demais condies do talento matemtico. Entre o dom da 
observao intuitiva (especialmente necessria ao mdico) e a inclinao para a matemtica 
parece existir uma forte correlao negativa.  caraterstico neste sentido o nmero nfimo 
de elementos matemticos no majestoso edifcio da medicina clnica, inclusive a anatomia e 
investigao microscopica. Isto deve ser atribuido  prpria inclinao dos pesqusadores. 
Desde a 2.a Guerra Mundial somente a medicina cientfica entrou numa pronunciada fase 
matemtica da qual o mdico comum em geral no participa. Uma aptido para as cincias 
naturais no existe, e suas duas componentes se diferenciam bastante pelas suas aptides:
Existe uma grande incompatibilidade entre os dons manuais (psicomotores) e os 
intelectuais. Em experincias feitas com alunos, PUPPE e BOGEN (1924) provaram que os 
intelectualmente dotados eram inferiores em suas execues manuais aos normais 
(enfileirar contas, etc.) Nestes ltimos constatou-se uma correlao positiva entre o grau de 
aptido e a habilidade manual.
O nvel intelectual de um indivduo determina-se em primeiro lugar pelas suas aptides 
hereditrias e antes de tudo pela influncia da educao e do ambiente. A aptid  
hereditdria. PETERS (1925) reuniu os certificados escolares de mais de mil alunos e os 
comparou com os dos seus pais e avs. Na mdia os certificados dos alunos se desviavam 
na mesma medida do meio como os dois pais, sendo os filhos de pais mais dotados 
igualmente mais dotados e os menos dotados tinham pais igualmente menos dotados. O 
desvio mdio se aproximava em todos os casos a um tero dos pais e um pouco menos de 
um tero do desvio dos avs.
Especialmente convincentes so entre outras as experincias realizadas com mtodos 
modernos de GOTrSCHALDT (1939) em 44 pares de gmeos univitelinos e 25 pares de 
gmeos bivitelinos. No total da ao de inteligncia a influncia da predisposio 
hereditria com 2 e meio vezes maior do que a influncia do meio-ambiente. (resultados 
parecidos foram obtidos com gmeos em experin cias americanas e alems). Em outros 
fatores importantes da personalidade a predominncia da hereditariedade  mais decisiva 
ainda. Segundo GOTFScnALnT a relao da predisposio hereditria em relao ao meio-
ambiente  de 6,3:1 para o impulso, 4,7:1 para a reao e 12:1 para a disposio 
fundamental.
Dotes elevados de inteligncia resultam casualmente de predisposies
hereditrias por matrimnios no premeditados. Nos povos civilizados mais
antigos a aptido era enriquecida por casamento consanguneos em pequenos crculos 
familiares mais chegados e castas e artezanatos especialmente nobres, cientistas, patrcios, 
funcionrios e outros, que as passaram aos seus psteros. O reagrupamento dos objetivos e 
das habilidades profissionais em torno das produes tcnicas resultar provavelmente em 
novas organizaes e formas interessantes de seleo, concentrao e cultivo de aptides 
especiais.
O estudo seriado das genealogias remotas de homens ilustres proporciona dados 
concludentes. WOODS (1913) investigou o parentesco de 3.500 americanos ilustres. 
Enquanto que as probabilidades de parentesco de um cidado ameri cano qualquer no 
passava de 1:500, as probabilidades de cada uma dessas personagens ilustres com os 
demais do grupo era de um quinto, ou seja cem vezes mais. De modo semelhante GALTON 
(1910) examinou a geneologia de 1.000 ingleses famosos, com o seguinte resultado: 100 
homens famosos tinham uma mdia de 31 pais ilustres, 41 filhos eminentes tinham 17 avs 
destacados e 14 netos proeminentes. Situaes anlogas se encontram na Alemanha. Na 
melhor das hipteses surgem deste modo grandes famlias talentosas atravs dos sculos, 
bastando citar as famlias de BOCH, COUPEIUN, TIZIAN0, FEUERBACH entre as mais 
distintas. Nos pequenos estados soberanos e nas cidades-rep blicas se observa com 
freqncia uma grande estabilidade mdia dos dotes intelectuais nas famlias antigas, de 
sbios, funcionrio se nobres atravs dos sculos.
Em contraste com as aptides estveis cada vez mais fortalecidas pela herana nas famlias 
antigas, o gnio propriamente dito constituj quase sempre um fenmeno isolado que se 
produz uma vez s, sendo provavelmente produto de uma hibridao de famlia de talento, 
naes ou grupos tnicos diferentes (BEETHOVEN) u entre talentos pertencentes a 
classes sociais distintas, de um velho tronco de sbios com a nobreza (BIsMARcK) ou 
entre um tempe ramento esquizotmico e outro ciclotmico (GOETHE) (ver 
KRETSCNME1 1958, 1966 e 1967). Sobre a estrutura do pensamento criador vejam 
GUILFORD 1952.
O CARTER
A diferena entre um temperamento simples e traos de carter complexos se estabelece 
facilmente atravs d alguns exemplos. Dsignaes como alegre, irritadio, mvel, 
rgido, caprichoso so designaes de temperamento. Elas exprimem qualidades 
elementares relativamente simples, de tonalidades ambien tais, da reao psquica do 
sistema nervoso, do ritmo e da fluidez das suas aes. Damos o nome de formas radicais 
da personalidade a este fenmeno. Designamos como formas radicais somente as seguintes 
reaes psquicas: 1.0 aos fatores psquicos e tendncias reacionrias irredutveis com a 
simples ajuda dos nossos mtodos psicolgicos atuais, 2.0 aqueles que permitem uma corre 
lao com qualidades corporais e especialmente tipos constituicionais quer dizer que tm 
com eles relaes de notria freqncia. As formas radicais so por conseguinte fatores 
psico-fsicos elementares e depois da sua elaborao a base de investigaes constituem o 
compndio da quantidade que se acha enrai zado na personalidade como herana. A base de 
grandes pesquisas experi mentais em srie em pessoas normais e a comparao com 
fenmenos tpicos.
174
Inteligncia e Carter
O Cardter        175
da psicopatologia podia-se demonstrar que os diversos tipos de estrutura corporal se 
distinguem sempre entre si. Assim por exemplo na faculdade de desdobra mento (referente 
 dissociao ou bifurcao de impresses e aes). Na capacidade de perseverana 
(inrcia), na sensibilidade por formas e cores, na capacidade de ficar tenso ou relaxado 
(tnico psicomotor ou vegetativo) e outros semelhantes.
A estas qualidades do temperamento juntam-se por vnculos empricos bem firmes alguns 
dos modos de conduta n vida social, sobretudo a inclinao sistemtica de adotar frente  
vida uma atitude extrovertida (JUNG) ou autstica (BLEULER).
Tomando ao contrrio qualificaes de rasgos do carter como por exem plo: fiel, 
sacarcstico, decente, intrigante, inseguro de si mesmo, desconsiderado veremos 
imediatamente que tais qualidades no derivam nunca de simples peculiaridades biolgicas 
fundamentais mas que so produtos mistos de vrias delas ou das suas reaes com a 
impresso deixada por um determinado ambiente ou experincias tambm determinadas. A 
fidelidade por exemplo pressupe como fatores temperamentais congnitos um ritmo 
psquico que no seja demasiadamente rpido e um humor relativamente equilibrado. Da 
deriva a qualidade de carter da permanncia que no encerra em si todos os fatores que 
designam a palavra fidelidade. A fidelidade  uma permanncia contnua que se refere  
situaes sociolgicas bem definida,  relaes de simpatia com certas pessoas ou grupo 
humanos (ou por extenso  idias ou ideais determinados). Aqui intervm outro fator 
temperamental, a profundidade e o grau de extroverso do sentimento e tambm antes de 
tudo, uma situao de ambiente, uma atmosfera que torne possvel e facilite as 
demonstraes conseqentes de simpatia bem como uma educao que as idealize num 
sentido tradicional. Do contrrio esta mesma disposio de tem peramento feita de calma, 
afeto profundo e equanimidade poder traduzir-se por rasgos de carter ou atitudes 
sociolgicas completamente diferentes: dio latente, sede de vigana irrefreada (vejam 
WELLER sobre a classificao do conceito de carter).
Designamos assim de carter a personalidade total visto do lado afetivo e volitivo. O 
carter de uma pessoa se desenvolve desde a tenra infncia pelo intercmbio constante 
entre constituio e constelao, quer dizer entre a dis posio hereditria e o mundo 
exterior, de que resulta um conjunto de tendn cias reacionais cada vez mais consolidades. 
A base constitucional do carter  formada. pelas razes dos temperamentos e os impulsos 
elementares. Elas so seus componentes principais porm no essenciais, e nicos. Certas 
solicitaes e impedimentos externos que influem sobre o corpo desde sua fase fetal intra 
uterina podem modificar a evoluo do carter durante toda a vida. Leses do crnio por 
exemplo ocasionam com freqncia mudanas persistentes do temperamento at o 
embotamento ou exaltao da sensibilidade ou uma mistura de ambos os efeitos. O 
alcoolismo crnico deforma s vezes o quadro da perso nalidade at a euforia indolente, a 
irritao brutal, e a depravao moral e nesta nova base se desenrolam novos modos de 
reao psquicas como as idias de cimes com sua gnese parcialmente complicada.
O desenvolvimento do carter de um homem  antes de tudo condicionado por fatores 
psquicos externos em primeiro lugar pela influncia da atmosfera
176        Inteligncia e Carter
do ambiente, por acontecimentos isolado de forte repercusso que podem desviar para 
sempre o rumo do desenvolvimento da personalidade. As decepes sofridas por um 
processo judicial, um trauma sexual com grave ressonncia psquica, morte de um ente 
querido entram no rol desses acontecimentos. Sero sobretudo os indivduos nos quais uma 
experincia isolada desvia defini tivamente o rumo da personalidade. Influncias crnicas 
do ambiente no modificaro as bases elementares do temperamento se no existe a 
predisposio mas podero refor-los ou reprimi-los. O ambiente provoca fortes reaes 
circunscritas de molde doentio como se pode observar em neuroses e psicoses de recluso. 
De todo modo, as qualidades fundamentais inatas do tempera mento uma disposio 
supersensvel, hipomnica ou fleugmtica podem ampla mente modificar estas influncias 
ambientais.
TICA E CONFLITO AMBIENTAL
Os efeitos do ambiente e da educao exercem uma influncia intensa na complicada 
estrutura psquica, e especialmente na estrutura tica. Tudo que diz respeito ao carter se 
forma na influncia recproca entre a disposio e o ambiente, entre a estrutura psquica e a 
vivncia.
Podemos asseverar que na construo do carter da maioria dos homens nada  to exterior 
na sua origem e alheio  constituio como os conceitos ticos. As normas ticas so 
assimiladas desde a adolescncia como implantaes provenientes do exterior do mesmo 
modo como o ar que respiramos e se fixam com tamanha fora que ainda na idade adulta 
poucos homens so capazes de se emancipar por completo dos conceitos morais que os 
envolvem quando estes agiram constantemente num mesmo sentido. Isto se aplica s 
prprias normas sendo que a disposio temperamental influi notavelmente na aptido de 
con formar-se s mesmas. Este desacordo entre os conceitos morais de origem exgena, e a 
capacidade de agir praticamente, submetidos s influncias end genas do temperamento e 
dos instintos, cria inmeras situaes psquicas difceis que so a causa de uma boa 
proporo de neuroses e psicoses reativas. Parti cularmente expostos a tais conflitos so os 
individuos que sofreram durante muito tempo os efeitos de influncias ticas vigorosas e 
parciais, quer dizer, pessoas que pertencem a meios intensamente religiosos, e ortodoxos, 
ou a pro fisses de um esprito de casta rgido e bem pronunciados como as famlias de 
Funcionrios e militares, ou aquelas que foram educadas com certo acanhamento de critrio 
e que no foram capazes de adquirir a liberdade e adaptilidade requeridas dos conceitos 
ticos.
Criam-se, hoje em dia, divergncias pelo fato da mudana de ambiente, especialmente nas 
zonas rurais, que abandonam os lares e fracassam em situa es desconhecidas eticamente 
(trabalho no estrangeiros, servio militar, fuga, mudanas foradas, vadiagem, viagens). As 
normas dos valores prprios en frentam de repente novas escalas de valores, ou agem 
dentro de um vcuo. Como em ambos os casos as personalidades no suficientemente 
diferenciadas no conseguem esta situao tensa e por este motivo elas se isolam na 
defensiva ou caem num nihilismo moral.
Esboo de um Ensino Caratereolgico Psiquitrico        177
ESBOO DE UM ENSINO CARATEREOLGICO PSIQUITRICO.
(E. KRETScRMER, 1966)
Capacidades isoladas (funes) do carater:
Conceber, reter, digerir, liquidar experincias
A. Capacidade de impresses
(interesse, sugestibilidade, sensitividade, irritabilidade)
B. Capacidade de reteno
(Reteno de afeto se imaginaes)
1. Parada da impresso, impedimento inconsciente da sada ime. diata
2. Reteno (fixao consciente de afetos e imaginaes.
C. Atividade intra-psquica
(levar a impresso  uma realidade psquica, criar novas direes
sensitivas e impulsos de vontade, digerir.
D. Capacidade de ao:
(Velocidade e direo da digesto de acontecimentos
1. rpida imaginao total ou dirigida para fora para o inconsciente (complexo)
2. devagar, nas mesmas direes
Em caso de retardamento e desvio: inibio, discreo, timidez
II. Entrelaamento das Funes:
1. Reteno: consciente numa atividade intra-psquica viva e capacidade diminuda.
2. Desviamento: reteno inconciente numa forte atividade intra-ps quica e capacidade de 
deficiente.
Soma das funes caractereolgicas Capacidade total do carter ou da
fora psquica.
III. Formas da capacidade caractereolgicas:
1. resistncia e Insuficincia (em face a acontecimento de valor) exausto.
2. Estenia (grande altura de afeto,  durao, intensidade de expresso, sentimento de 
superioridade, aplicao da vontade.
Astenia (Diminuio dos afetos acima, inferioridade, pouca aplica o de vontade.
3. Expanso (estenia plus extroverso, componente astnica)
Sensitividade (astenia plus introverso, componente estnica)
180        Inteligncia e Carter
IV. Cerne do Carter.
A estenia proporciona impulso  ao, a astenia Finura
Pronunciado auto-sentimento = turgides psquica do estnico (egosta ou altrusta)
Pronunciada fora de vontade = estenia e boa capacidade de reten o quando bem 
aplicada.
Pronunciada vontade tica = boa reteno, mistura astnica e estnica (ateno constante, 
adap.
tabilidade ,energia).
Pronunciado auto-controle = estenia, boa atividade e conduta psquica, altrusmo.
V. Hbito do Carter:
Transformao lgica do carter pela adaptao e diferenciao em coritantes efeitos 
recprocos entre acontecimentos e reaes. Este processo ditado pelo destino assume sua 
direo irreversvel e cada vez mais fixada pela repetio das formas reativas ditadas pela 
firmeza de carter e suas aptides.
OBSERVAO DO EDITOR:
A caracterologia psiquitrica aqui apresentada j foi idealizada em 1g17. Apresento-a
aqui, como esquema bem coordenado por dois motivos.
Trata de nada mais, nada menos do que de um sistema caractereolgico diferenciado na 
psiquiatria. Ftnmenos polares simultneos ou surgidos mais tarde como: narcizistas, 
anancstico, ou distim-histricos e outros possuem um valor psiquitrico reduzido. 
Somente a caracterologia de JUNG (1950) com seus seis critrios amplos e neutros 
chegaram a ter uma importncia bsica e durvel, enquanto que os caractersticos de 
personalidadt de con ceitua5o mundial, unilaterais e psicoaanlticas n so de origem 
psiquitrica, o que freqentemente se esquece. O Sistema de SCHULTZ-HENCKES foi 
elaborado em base mais ampla e com preciso de pensamento maior (1951).
O esboo de KRETSCHMER de uma caractereolog psiquitrica foi preterido na memria 
geral pelos sistemas da psicologia constitucional que surgiram mais tarde, por evi dente 
injustia.
Esquece-se que o ltimo se baseia no primeiro e que os dois necessariamente se 
completam. Se a biologia constitucional acusa os pontos princz caractereolgicos 
relativamente estveis, a caracterologia dinmica nos indica como um determinado carter 
se modifica no correr da vida, at a doena. Um . inseparvel do Outro. A caracterologia 
psiquitrica  se tomamos conhecimento dela  protege constitucionalismo de mal-
entendidos primitivos. De mais a mais ela tem as seguintes vantagens: ela se aplica tanto  
vida psiquitrica normal quanto  doente (sem deixar de distinguir as diferenas) deixando 
uma abertura para os lados fisio lgicos como os psicolgicos motivados.
O esquema aqui reproduzido pode ser aplicado em Outros quadros de doenas mesmo que 
no abranja todas as necessidades psiquitricas.
Seus limites so os seguintes:
Sua concepo  dinamo-gentica e se move em regies formais-estruturais.
O ponto de partida se situa no modelo de pensamento da transformao de
Complexos e Exageros das Idias        181
energia entre os poios (acontecimento) vivncia e reao (imaginao, respeti vamente ato). 
A psicologia constitucional e de impulsos soube avivar esta matria seca pelo colorido e a 
vivacidade de alguns traos de personalidade e o psico-biograma acrescentou os 
caractersticos sociais, arredondando tudo. Criou- se assim uma moldura bastante ampla 
para a diagnose e o julgamento.
12. CAPTULO
VIVNCIAS ANORMAIS - COMPLEXOS E EXAGEROS DAS IDIAS
Entendemos por vivncia uma unidade humana psiquicamente relevante com tonalidade 
afetiva. Da corrente regular de funes psquicas se depreendem s vezes sob forma de 
pequenas ilhas com acento afetivo mais intenso umas sries de representaes e percepes 
que por um espao adquirem influncia decisiva sobre o curso psquico ulterior. Somente a 
estes grupos destacados e isolados aplicamos o nome de experincias internas, fazendo uma 
ntida sepa rao entre impresses e acontecimentos. Se estes se transformam em vivncias 
depende no somente da fora de fatores externos como da constelao psquica.. Um 
simples leve aceno de cabea se transforma para o ser apaixonado numa acontecimento sem 
igual que domina sua ao e pensamento por longo tempo Do lado inverso a vista do mar 
agitado que deixa viva impresso ao habitante das plancies, passa quase que despercebido 
para os caiaras.
As experincias fortemente afetivas, especialmente as de natureza desagra dvel, 
convertem-se em corpos estranhos incorpreos, (no sentido da disposio latente de reao) 
isolando-se da corrente progressiva dos sucessos psquicos de modo que no mais se pode 
elimin-las, embora exista esta vontade. De nada adiantaria querer absorv-los, esquec-los 
ou aproveit-los para a vida psquica atual, formam centros energticos secundrios 
independentes, os quais acarretam srias perturbaes na corrente dos fatos psquicos que 
seguem mal teradamente seu curso. Segundo C. G. JUNG, chamamo-los de complexos 
psqui cos. Existem complexos gerais (posio social, dinheiro, sexo) e individuais 
(biograficamente condicionados ou reforados) (ver tabu). Os complexos normais e 
patognicos so diferenciados segundo o seu contedo e suas funes, o que nem sempre 
pode ser feito com exatido. Quando os complexos entram no consciente ns podemos 
defini-los como grupos de imagina o com tnico afetivo. Eles so de suma importncia 
como pontos focais de distrbios neur ticos e de psicoses reativas e endgenas. Quais so 
pois as funes dos com plexos nos diversos tipos de temperamentos? Os ciclotmicos por 
exemp1 digerem as vivncias agradveis ou desagradveis imediatamente como eles 
surgem e acontecem. Os hipomdnicos alegres, movimentados, sem inibies inter nas, 
aberto a qualquer nova impresso de um modo ingnuo, desconhece a influncia de 
complexos a no ser sob uma carga repetida ou contnua. Tambm o fleugmtico elabora 
idias afetivas. Seus receios depressivos esto conformes
182        Vivncias Anormais
com sua atitude psquica e no contrrios. Os esquizotmicos e os bariquinticos
esto dispostos a complexos complicados, contrastantes e durveis.
De acordo com o carter os complexos assumem uma atitude diferente diante da 
conscincia. Em algumas pessoas eles ficam esfricos sem penetrar no fundo visual da 
conscincia para serem percebidos com clareza. So entre tanto a causa constante de 
transtornos e irritaes desde a periferia ou a zona obscura. Estes complexos esfricos se 
baseiam em represses catatmicas (neu roses, esquizofrenia). Falamos porm em idias 
fixas quando os complexos persistem com torturante nitidez no centro da conscincia, 
como no sndrome de opresso.
Convm distinguir dos complexos outro gnero de experincias internas fortemente 
afetivas, que constituem as idias supervalorizadas. Algum perdeu um processo e se julga 
prejudicado. Este acontecimento desagradvel se torna daqui em diante o centro do 
contedo da sua vida dia por dia, e ele apela aos tribunais procurando sua reabilitao. 
Nada v, nada ouve, vive exclusiva- mente para sua causa. Esta idia super valorizada se 
fixa na conscincia onde forma um centro principal, amalga-se com a personalidade do qual 
no se dissocia. Esta se acomoda de bom grado aos exageros e lhe dirige toda a energia 
psquica da qual dispe e a converte em um dolo. Uma outra pessoa que tivesse sofrido 
este desgosto j o teria sobrepujado esforando-se em esque c-lo, concentrando-se sobre 
outras coisas positivas, comer, beber e trabalhar.
Idias supervalorizadas constituem uma das molas propulsoras mais im portantes da 
atividade humana. Concentram o mximo de fora num mnimo de espao. Elas se prestam 
especialmente aos pensamentos profundos, a certas tarefas de investigao e inveno e um 
acmulo concentrado de esforos. No amor, na luta partidria e religiosa observa-se a 
formao mais forte das idias supervalorizadas, concentrando tiranicamente todo o 
pensamento sobre si, no rdmitindo outra ideologia. Desempenham um papel importante. 
Desempenham grande papel na antecedncia e efeitos posteriores de imaginaes doentias.
Como  que os complexos e as idias supervalorizadas atuam sobre o me canismo psquico 
e especialmente sobre a funo associativa e a memria? Esta idia age como im sobre as 
partculas de ferro. Tudo se agrupa concentri camente numa s direo. Toda energia 
converge para ela. O campo visual fica sensivelmente reduzido. Estas idias escolhem entre 
os materiais que se lhes oferecem unicamente as observaes e lembranas que se lhes 
ajustam, ou que podem aproveitar em benefcio prprio, e tudo que no lhes seja contrrio 
fica eliminado da conscincia sem produzir a menor ressonncia. Alteram por conseguinte 
profundamente a memria e o poder de observao, e nas metas pouco resistentes 
transformam, por obra prpria, as memrias e sua anttese. Em resumo: o exagero afetivo 
das idias reduz o campo visual psquico por seleo catatmica do material disponvel e 
tende a idias de referncia, o que em pessoas psicopatas leva a delrios paranicos 
sistematizados.
O efeito dos complexos no se entende to facilmente. Eles prolongam na conversa o 
tempo de reao e provocam respostas involuntrias ou pertur bam o fluxo normal das 
idias. O efeito sobre a psicomotilidade  parecido: a pessoa se equivoca, procede com 
lentido, deixa cair um objeto das mos, etc. A memria torna-se incerta e caprichosa sob a 
influncia dos complexos. Nomes corriqueiros no nos ocorrem, um nmero nos escapa. 
No meio de uma poesia bem conhecida paramos desconcertados. Equivocamo-nos numa 
data ou num fato que nos pareciam certos.
Complexos e Exageros das Idias        183
Tais reaes frustradas (FREUD 1922) ou reaes de complexos possuem s vezes sua 
importncia psicolgica-diagnstica. Indicamo-nos o caminho para complexos que seus 
possuidores no confessam. No se trata de complexos no sentido mais banal, mas de 
representaes afetivas em geral. A este propsito J UNG nos conta um exemplo b 
interessante:
Uma pessoa quer recitar a conhecida poesia de Heine Um pinheiro solitrio No verso que 
diz est sonolento ele pra e no consegue continuar na sua declamao. No consegue 
continuar com um lenol branco e quando lhe sugerem uma associao livre ele diz: 
Nesta palavra pensa-se numa mortalha.  um lenol para cobrir um cadver. (pausa) aqui 
me lembro de um amigo meu, seu irmo faleceu de repente, de um ataque cardaco, era 
bem corpulento, meu amigo tambm o , e j pensei qu podia ter sido ele, no leva uma 
vida muito sedentria, de repente fiquei com medo pois em nossa famlia h uma tendncia 
para a obesidade, meu av por exemplo morreu do corao. Acho-me gordo demais e 
comecei um tratamento para emagrecer.
Na base do transtorno da memria existe em nosso caso, um complexo hipocondraco de 
forte afetividade. Do mesmo modo podemos, em experimentos de associao sistemtica, 
fazer com que o indivduo associe livremente a partir das palavras de reao retardada, para 
desenterrar o complexo. Podemos ave riguar deste modo algumas vezes os complexos 
patgenos em casos de histerismo ou de neurose obsessiva quando nada se consegue com a 
explorao direta. Damos o nome de atos sintomdticos (falidos) a certas reaes frustradas 
motores condicionados por complexos. Eles se desenrolam como por acaso e impensados 
como: amassar um papel, deixar cair um anel de noivado, derrubar um vaso, etc. Atrs disto 
se escondem certas tendncias ativas como uma antipatia no confessada contra a pessoa 
que deu o anel de presente. Mas no devemos procurar de imediato um complexo atrs de 
todas e qualquer ao impensada e sem significncia. Tudo est determinado na vida 
psquica, at nos seus mnimos detalhes ,mas nem sempre por um motivo.
Como  que os complexos e as idias supervalorizadas se resolvem? Na psicologia normal 
a maioria deles quando ocasionais e individuais se resolvem por si mesmo e perdem seu 
valor afetivo, O prprio tempo se encarrega de desgast-los. Outros se descarregam num 
ataque repentino de raiva ou uma ao ditada pelo afeto, seguida de um pronto alvio. Em 
certas pessoas espe cialmente predispostas podem subsistir complexos, lembranas de 
situaes penosas, tenses pessoais latentes motivada spor melindres passados, escondidos 
como minas subterrneas, at que algum por uma palavra inadvertida faa que a mecha se 
acenda, provocando a exploso. Isto pode-se dar em situaes inesperadas: quando um 
velho catatnico deitado na cama faz muitas semanas, de repente pula da cama para 
esbofetear um paciente vizinho seu, recaindo em seguida no seu esturpor. O rosto do 
vizinho o fez talvez lembrar uma pessoa da qual guardava certos ressentimentos. Coisas 
parecidas se do tambm na psicologia normal. Simpatias ou antipatias no explicadas para 
determinadas pessoas podem ser condicionadas com complexos latentes e antigos.
A descarga dos complexos se faz por meio de conversas. Uma presso afetiva que aflige 
uma pessoa pode ser diminuda ou eliminada. Uma conversa simples, mas que esgota o 
assunto, com o mdico ou uma pessoa de confiana a guisa de confisso pode produzir 
milagres. Quando se trata de complexos reprimidos que o paciente j quase desconhece, 
convm faz-los voltar  super fcie incorporando-os ao conjunto das representaes da 
personalidade, tirando os assim do seu isolamento. Nestas ocasies podem comparar o 
homem ao
184        Vivncias Anormais
cavalo que se assusta diante de objetos escuros que lhe causam certa inquietude vistos da 
periferia do seu campo visual, mas que anda firme e seguro quando o obrigamos a fixar 
bem o objeto que o assustou. Impe-se em tudo isto grande tato por parte do mdico. H 
coisas que vale a pena no desenterrar, que se diluem aos poucos, mas que evocados podem 
causar novos distrbios. Durante a entrevista o mdico deve saber se convm ou no 
despertar de novo estes complexos o que pode oprimir ou libertar o paciente.
Uma atividade sensata forma a parte individual e socialmente preciosa para ordenar de um 
modo positivo os impulsos e reaes disponveis. Devemos canalizar as energias que 
favorecem os complexos e as idias supervalorizadas para os moinhos certos. Na medida 
em que a orientao da atividade trans forma as tendncias negativas em positivas, 
correspondendo ao carter e ao talento, tanto melhor ser o xito. Por isto a atividade, o 
trabalho constituem o ncleo e a estrela da psicoterapia, o amplo canal de derivaes que 
recolhe todas as energias psquicas e mantm sua coeso, evitando a separao. Os 
complexos devem ser digeridos seja por um trabalho intelectual enrgico e discusses 
consigo mesmo (autoanlise) seja, o que seria prefervel  por aes. A energia psquica 
no digerida causa as neuroses e psicoses reativas, por vias tortas e laterais.
Convm aqui lembrar como lema uma frase de GOETHE (Wilhelin Meister), fruto de 
experincia: Os sofrimentos da alma causados pelo infortnio ou a prpria culpa no se 
curam pelo raciocnio, um pouco porm pela razo, muito com o tempo e totalmente pela 
atividade resoluta.
CAUSALIDADE PSQUICA
No nos devemos dar por satisfeitos ao descobrir um complexo na base de uma neurose, o 
motivo de uma vivncia como fonte de uma ao. Ouve-se freqentemente perguntas como 
esta: O homem coroado de sucesso escolheu sua carreira por ambio pessoal, por sede de 
lucro ou por amor ao bem comum? Nestas perguntas as premissas so falsas, o que dita a 
conduta do homem no  este ou aquele motivo, se no o conjunto deles, uma determinada 
situao que difere somente no seu grau de intensidade. Tira-se uma con cluso errada de 
uma pergunta mal formulada: Provei que este homem agiu por ambio pessoal  logo 
no pode ter o bem comum em mente.
A verdade porm  outra: forma-se um conglomerado de motivos, de causas psquicas que 
tiram os elementos de energia das mais variadas fontes reunindo- os num ponto 
convergente. Isto d ao ato resultante uma potncia homognea de choque que corresponde 
 soma dos elementos energticos que intervm no mesmo. Se tiramos ao ambicioso a 
possibilidade de enriquecer-se ele em muitos casos, continuar a trabalhar honestamente 
para o bem do pas, mas o impulso afetivo ter diminudo um pouco.
Num grupo os motivos ticos de elevado valor se conscientizam mais, os motivos banais, 
egostas ou baixos, embora mais energticos, so registrados fracamente e somente na 
esfera. Os motivos impulsivos, elementares so rele gados em proveito de outros 
moralmente superiores. Mas isto no nos autoriza a dizer: Isto  uma hipocrisia, o motivo 
tico no interveio no incio da ao, serviu apenas de embuste para os motivos egostas e 
impulsivos. Isto quer dizer apenas: nesta ao entraram uma srie de motivos de foras 
diversas, sendo
Causalidade Psquica        185
que na conscincia predominam sempre os valores ticos superiores e os de carter 
predominantemente impulsivos so mais dinmicos. (Esta relao b sica no pode ser 
comprovada e nem se aplica a todos os casos. Um psiclogo prtico inteligente prefere 
certamente que uma boa dose de impulsividade e egosmo entre na composio de uma 
orientao ou de uma ao tica, se ela deve ter a durao e fora desejada. A fora 
dinmica do idealismo tico  muito frgil e fraca nos seres humanos.
Acrescenta-se a isto outro fator anlogo nas relaes recprocas entre a vontade e o reflexo. 
Se tratamos de reforar em plena conscincia por meios volitivos um reflexo em via de 
execuo, geralmente no conseguiremos violen tar ou aceler-lo. Mas, o reflexo e o 
impulso volitivo se fundem logo que este se aplica casual e difusamente obtendo-se assim 
uma risada por exemplo, uma tosse ou um tremor. Coisa parecida acontece com os motivos. 
Se o homem bem intencionado chegasse  concluso que ele faz isto ou aquilo por: a) ambi 
o; b) para ganhar dinheiro; c) por patriotismo, estes trs motivos dificil mente entrariam 
em fuso com uma fora impulsora homognea das suas ati vidades. Quer dizer: os 
impulsos heterogneos solidarizam-se com grande dificuldade  luz clara da conscincia e 
em troca podem faz-lo com maior facilidade quanto mais distante se encontram do foco da 
mesma; de modo que a fuso de impulsos , antes de tudo, uma funo esfrica.
Resumimos estas regras simples de formao de motivos:
1. A maioria das reaes psquicas no obedecem a um s motivo mas a um feixe deles 
com maior nmero de componentes do que pensamos.
2. Num feixe de motivos o impulso tico de mais valor tende a dominar a conscincia, o 
elementar-impulsivo tende a dominar dinamicamente.
3. A fuso dos impulsos  uma funo preponderadamente esfrica. Quanto mais afastada 
do foco da conscincia tanto mais fcil a fuso de impulsos
heterogneos.
No terreno da neurose encontramos muitos exemplos para estas regras:
Um jovem campons de 15 anos procura um tratamento porque desperta todas as noites do 
seu estado de semi-sonolncia vendo um cachorro que lhe mostra os dentes. Salta da cama 
e bate no quarto dos pais pedindo entrada e enfurecendo-se quando estes no o atendem. 
Fica sentado horas a fio diante da porta no deixando ningum dormir. A anamnese revela 
ento o seguinte:
1. o menino tinha ido  cidade e num albergue um cachorro saltou por detras do fogo 
mordendo-o; 2. Sua futura madrasta que morava nessa poca na casa do pai, tratava da sua 
ferida durnte 4 semanas. O menino apaixonou-se por ela propondo-lhe de desistir do 
casamento e esperar seis anos para casar com ele. 3. Quando ela recusou seu desejo de ter 
relaes sexuais com ela, fazendo pouco dele e chamando-o de gorducho ele ficou 
renitente e lhe fez oposio porque ela queria roubar-lhe a situao previlegiada que 
ocupava em casa diminuindo ainda a herana que teria que receber. Foi queixar-se ao pai. 
Mesmo assim o casamento se realizou poucas semanas antes de rebentar sua neurose. 4. 
Come tera alguns furtos e tinha medo do castigo.
No provvel dinamismo causal desta neurose obseravmos quatro motivos ou complexos 
heterogneos: 2 complexos de medo de tonalidades e origens diversas, a) o medo do 
cachorro e do furto. Seguem-se dois complexos de protesto de carter diverso ,ambos 
dirigidos contra a madrasta: a) cime sexual pronuncia do, b) a luta pela posio e o 
dinheiro em casa. Nas horas da sonolncia
186        tivncias Anormais
nolurna neurtica as componentes nergticas dessas duas fontes afetivas e separadas se 
unem numa s resultante e num s ato afetivo neurtico cuja emoo sustentadora resulta 
numa mistura de medo e raiva homognea pela qual o indivduo tenta conseguir ambos os 
fins: apaziguar seu medo e destruir ao mesmo tempo a felicidade conjugal da madrasta. 
Podemos provar neste ato 2 ou 3 complexos: o medo do co na alucinao e a raiva contra 
os pais nas suas reclamaes diante da porta fechada enquanto que do medo do furto 
sabemos apenas que ele existia naquela poca, contribuindo para o desiquilbrio afetivo. 
Temos assim um exemplo tpico de como motivos (no somente neurticos) convergem nas 
obscuras profundidades esfricas da conscincia embora se alimentem das origens as mais 
diversas.
FORMAS DE VIVNCIAS ANORMAIS
Quais so os grupos de vivncia cuja ao se manifesta com mais fora no domnio 
psquico ou quais os grupos que do com maior facilidade origem a neuroses e psicoses 
reativas? A experincia clnica nos d uma resposta inequvoca. As vivncias mais fortes 
so sempre aquelas com o impulso ele mentar. No devemos equiparar o termo elementar 
a biolgico, ou no diferenciado, pois ele significa humanamente relevante. Alturas e 
profun dezas so em ltima anlise a mesma coisa como GOETHE e outros j o sabiam. 
Isto se evidencia pelas imagens histricas, paranicas, e neurticos obsessivos como outras 
neuroses e a esquizofrenia.
A estatstica dos motivos demonstram que a religio no fica nada a dever ao Eros em 
importncia subjetiva ou patognica. A relegao a um segundo plano das necessidades 
bsicas religiosas faz com que atribuamos maior valor ao impulso sexual como motivo de 
conflitos. Pode dizer-se que exceo feita s neuroses de guerra, acidentes infantis, a 
maioria dos transtornos psquicos e reativos tm por base exclusiva ou parcial complexos 
sexuais. (Representa es afetivas fortes relacionadas com o ato sexual, masturbao, 
impotncia, perverso, abstinncia, coitus interruptus, medo de gravidez e contgio assim 
como cada forma de escrpulos sexuais morais amor infeliz, adultrio, brigas, cimes e 
inveja at s disarmonias psquicas complexas que tm sua raiz no instinto sexual).
As crianas nervosas mostram em geral uma sexualidade desviada e s vezes precoce 
participando nas neuroses infantis, complexos sexuais e algumas neuroses de adultos 
podem derivar de remotas experincias sexuais da infncia. Em troca porm, outros casos 
de histerismo infantil tm uma estrutura psico lgica bastante simples. No representam 
mais do que reaes fugazes frente a situaes domsticas ou escolares desfavorveis. A 
solicitude materna exage rada, medo do pai, do professor na escola, de dormir no escuro, ou 
simples imitaes de hbitos histricos da me, dos irmos ou colegas da escola.
A ameaa que afetam os instintos de conserva ao desencadeiam vivncias patognicas nos 
quadros de terror agudo prprios das neuroses de guerra ou acidentes catastrficos. Em 
segundo lugar o medo de perder a vida ou a sade traz consigo uma verdadeira avalanche 
de complexos hipocondracos que afetam durante anos inteiros como um pesadelo a 
personalidade total e que podem paralisar a capacidade de trabalho e a alegria de viver. Em 
face destes parasitos psquicos maldosos o mdico assume uma grande responsabilidade, 
pois basta
Formas de Vivncias Anormass        187
s vezes uma palavra sua para anular ou mobilizar os mesmos. Freqentemente as reaes 
de terror como as de hipocondria so sobredetermina No seu feixe causal escondem-se 
atrs do medo da morte complexos sexuais, contrrie dades profissionais ou desejo de 
dinheiro, etc. H os que se tornam hipocon dracos pelo simples desejo de conseguir uma 
indenizao ou uma penso ou que foram preteridos em suas carreiras ou por causa de 
escrpulos sexuais ligados ao onanismo ou doenas venreas.
As reaes de terror so as mais contrastantes. Uma coisa sem importncia, um ratinho que 
pula basta para impressionar profundamente algumas pessoas que do contrrio permanecem 
quase impassveis perante um perigo de vida que as ameaa.
Uma senhora (JuNo 1918) que durante a revoluo atravessava em So Petersburgo as 
ruas entre uma saraivada de balas impavidamente, volta acompanhada para casa depois de 
uma festa. Uma carruagem que passa com bastante velocidade a assusta. Perdendo a cabea 
ela corre na frente dos cavalos at cair exausta sendo levada de volta  casa do seu anfitrio 
numa reao histrica de longa durao.
A anlise revela o seguinte: 1. sofrera em criana um acidente quase mortal com um coche 
que caiu num rio. 2. sentia um amor oculto pelo anfitrio que nessa mesma noite lhe faz 
uma apaixonada declarao de amor. Estamos novamente em frente a um feixe causal feito 
de complexos de origem completamente heterogneos. Velhas reminiscncias de pavor  
novas perspe tivas de amor. Estes se encontram na esfera da conscincia. A nova 
experincia que a assustou cai como um gro maduro em solo frtil. Um pequeno empurro 
apenas e tudo se converte em cristal. Tais situaes psquicas preparadas cha mam-se 
constelaes. As reaes de susto e medo que no seu incio e na sua intensidade 
dependem muito das constelaes esfricas. Mesmo complexos com pletamente 
heterogneos, que nada tm de comum com o pavor, podem servir de constelao, como no 
exemplo anterior, visto que os impulsos entram em fuso na regio da esfera. Vejamos um 
exemplo:
Presenciei um caso semelhante de terror absurdo provocado por cavalos, numa moa 
madura, cuja irm menor acabava de noivar enquanto que ela sobrava para tia. Assustou-se 
com uma carroa que passava no podendo, em seguida, nem ficar de p, nem andar, 
tornando-se o centro de ateno da famlia que cuidava dela com desvelo.
A inveja, o desejo de amor e de uma vida melhor constelaram o terror. De maneira 
anloga, atrs de absurdas representaes angustiantes e fobias, temores obsessivos da 
morte de entes queridos, do assassinato dos prprios filhos, ou atrs de ridculos acessos de 
temor ao ver um ratinho, pssaros que batem as asas, cobras, etc. escondem-se muitas vezes 
fatores heterogneos um dio reprimido, antigos complexos sexuais e outros anlogos.
O instinto do bem-estar material ou seja a preocupao pelas necessidades materiais 
constitui um dos motivos principais em grande nmero de neuroses menos graves como o 
sabem todos os mdicos que j trataram de assuntos de indenizaes em acidentes de 
trabalho. Enquanto os instintos materiais das massas apresentam a tonalidade da penria e 
da inveja (ressentimentos) na medida em que domina a neurose de aposentadoria, este 
mesmo instinto se apresenta na classe reinante como luta pelo poder. Assim encontarremos 
outra espcie de neurose, a  o esgotamento nervoso pelo excesso de
188        Vivncias Anormais
trabalho, as crises nervosas agudas e nos ciclotmicos verdadeiras depresses, em reao ao 
estado dos negcios, concorrncia, greves ou fracasso material.
Visto que estes 3 grupos, principais: instinto sexual, conservao e nutrio constituem por 
sua fora e freqncia a maioria dos fatores determinantes de vivncias, e por conseguinte 
das neuroses, no devemos deixar de lado outros grupos pequenos de experincias internas 
importantes, que no tm sua origem nos prprios instintos, mas sim nas constelaes 
sociais e sentimentos ticos ou seja de comunidade e de defesa prpria.
A experincia do isolamento, da solido psquica produz impresses pro fundas das mais 
variadas formas. O curioso grupo de reaes nostlgicas das jovens, que causam tpicos 
atos de curto circuito, mas que se resolvem com freqncia em contrariedades psquicas 
passageiras cru forma de depresses reativas e molstias nervosas de ordem geral. Existem 
as reaes carcereiras que se observam em casos de deteno preventiva, isolamento celular 
ou priso correcional prolongada e que assumem a forma de exploses afetivas agudas, 
esquizofrenia reativa, ou formas delirantes catatmicas (delrio de indulto) que se traduzem 
por idias de contradio ou de perseguio. So tambm peculiares as transformaes que 
a cegueira adquirida causam na personalidade. Elas se exteriorizam uma vez em 
desinibio instintiva compensada (erotismo exaltado, alegria exagerada de viver) e outra 
vez num regosijo catatimico silencioso, mas antes de tudo por uma sensibilidade aumentada 
e desconfiada em cujo fundo se desenvolvem perturbaes psquicas paranicas. A surdez 
age como fenmeno crnico ambiental mas notria, visto que isolamento do indivduo e a 
impossi. bilidade de uma comunicao fcil com o mundo exterior criam um estado 
psquico que se carateriza pela irritabilidade e desconfiana, podendo degenerar em delrio 
angustiante de perseguio. Psicologicamente aparentada  a trans ferncia para um meio 
estrangeiro que desencadeou em pessoas primitivas reaes delirantes de angstia, como 
aconteceu entre soldados na frente oriental durante a guerra. (ALLERS, 1920).
A morte de entes queridos  a experincia que mais se aproxima do isolamento. Causa nos 
ciclotmicos depresses reativas de manias esquisitas. Nos psicopatas esquizides e 
esquizofrnicos latentes este acontecimento se reflete de um modo curioso, especialmente 
quando existem ainda na puberdade e ps-puberdade ligaes infantis fortes com a me. A 
morte da me desencadeia nestes casos uma catstrofe esquizofrnica aguda. A impresso 
de estar repen tinamente desprotegido provoca um delrio sensitivo de referncia. A me ou 
a irm formaram o ltimo lao entre o solitrio com o ambiente. Depois da sua morte 
irrompe num contraste evidente um dio frio e incompreensvel contra os demais membros 
da famlia. Um homem, no seu isolamento, poder encontrar numa mulher madura, a me e 
a amante ao mesmo tempo, o que produz curiosas oscilaes afetivas.
A ofensa ao direito e  honra desempenha papel tpico na gnese de ma nifestaes e 
reaes expansivas, especialmente o delrio de reivindicao. Em muitas neuroses de 
pensionistas intervm o sentido de ter sido lesado juridica mente. Nascem das diversas 
componentes atitudes afetivas mixtas de irradiao estranha.  experincia de uma injustia 
real ou suposta por parte dos tribunais ou de uma instncia superior assemelham-se certos 
conflittos prprios da carreira administrativa. A falta de vocao para uma profisso pode 
resultar numa personalidade equivoca (os conflitos ntimos de telogos involuntrios). 
Acon tecimentos como a preterio numa carreira burocrtica, aposentadoria prema
O Ressentimento e a Luta Pelo Poder 189
tura ou mesmo justa podem provocar graves reaes afetivas estados nervosos, e atitudes 
paranicas que podem chegar at o delrio da perseguio. Conflittos crnicos com 
superiores hierrquicos ou subordinados revoltosos podem ter conseqncias psicolgicas 
graves.
O RESSENTIMENTO E A LUTA PELO PODER
Entendemos por ressentimento (NIETZSCHE, 1887) a atitude afetiva com. plexa do 
homem que se sente justa ou injustamente prejudicado pela vida. Deles emanam os 
sentimentos de inveja ou dio numa patente atitude de inferioridade. Um sentimento que ri 
o indivduo sem cessar, uma revolta ntima, enfim, a atitude tpica do indivduo fraco contra 
o forte, do pobre contra o rico, do feio contra o belo, do doente e acabado contra o jovem 
robusto. Forma-se ao mesmo tempo uma tendncia de revalorizao catatmica que deseja 
dar ao fraco e pobre um valor tico mais elevado. O ressentimento  a fonte dos impulsos 
ticos ideais e dos mais abjetos segundo o ponto de vista adotado. Aceitamo-lo aqui como 
fenmeno psquico. A rebelio de grande nmero de fracos contra o grupo pequeno dos 
seus opressores, contra a desalmada explorao daqueles que detm fortuna e poder e uma 
superioridade intelectual a custo dos vencidos na luta pela vida formou com o tempo grande 
parte da moral dos povos civilizados. Homens bem dotados que sofreram, padecendo 
pobreza e doena, ou que foram dotados de uma sensibilidade psqui ca excessiva 
exprimiram a pena que sentiram pelos seus semelhantes em termos capazes de inaugurar 
uma poca nova. Todos os revolucionrios sociais vivem do ressentimento construindo nele 
suas utopias. Em certas fases da evoluo histrica, o ressentimento e a compaixo levaram 
a uma reviso da escala normal de valores morais, e a uma predileo tica tendenciosa, 
falsa e perversa pelos pobres de esprito, os famintos e indefesos, os mendigos e enfermos, 
pelos farrapos e a pestilncia e com isto ao menosprezo do trabalho robusto, estimu lando o 
parasitismo social at o ponto de causar as piores calamidades como aconteceu no declnio 
da Idade Mdia. Este antagonismo entre a moral senho rial e da escravatura, entre 
individualismo e comunismo faz-se sentir hoje ainda de modo profundo nas questes 
mdico-sociais, na jurisprudncia social, na previdncia juvenil e dos psicopatas.
O reverso de piedade e tica altrusta  a inveja manifesta ou oculta do pequeno contra o 
grande e a tendncia de enegrecer o que brilha, de arrastar  sublime pela poeira, 
indenizando-se por pequenas alfinetadas pelos prejuzos prprios. Estes pequenos recursos 
deixam transparecer a vontade do poder, a tendncia de elevar-se o que, em naturezas fortes 
se converte na luta aberta pelo poder na qual o indivduo, confiando nas suas prprias 
foras, prescinde de toda considerao social. No curso da evoluo histrica que procede 
noto riamente por anttese, a luta pelo poder, a moral individualista dos superiores foi 
proclamada por diversas vezes como protesto contra os abusos da moral altrusta 
(NJETzscHE).
A psicologia das neuroses oferece em algumas das suas partes um reflexo interessante desta 
luta pelo poder entre vencedores e vencidos (ADLER 1912). Muitas das manifestaes 
histricas no so outra coisa se no neurose finalis tas ou de defesa, meios pequenos e 
muitas vezes eficazes com os quais indivduos nervosos e mal preparados se lanam na luta 
para alcanar as alturas e vencer
190        Vivncias Anormais
a sagacidde e o poder dos sos e fortes. Citamos como experincia das massas as neuroses 
de guerra e catstrofes mediante as quais muitos indivduos psiqui camente inferiores 
conseguiram recorrer a certos sintomas histricos, impressio nantes, mas de pouca 
profundidade, enganando assim os inteligentes, apelando para a compaixo e proteo 
conseguindo at vantagens considerveis sobre as pessoas normais e ss. Demos o exemplo 
da mulher madura que em conse qncia de uma reao de pavor melhorou sensivelmente 
sua posio, inverten do-a por completo.
Nestas condies neurticas familiares encontra-se s vezes uma espcie de justia 
niveladora ao lado da ironia mais amarga. A maneira pela qual a criana histrica tiraniza 
seus pais com convulses terrveis e acessos de raiva ou como a esposa fria e sensual 
transforma seu marido em escravo com seus ataques e desmaios oportunos, evidenciam-
se o ressentimento e a luta pelo poder. A neurose histrica freqentemente no  outra coisa 
do que esta mesma luta com recursos diferentes. Em muitos casos trata-se apenas de um 
clculo frio. Estes sentimentos de ressentimento se escondem no fundo psquico esfrica e 
difusamente e as reaes neurticas so apenas instintivas ou semi-instintivas como as de 
defesa e fuga de animais perseguidos. Somente o sorriso significativo que ilumina sem 
querer o rosto de tantos histricos durante as suas exibies, denuncia a satisfao secreta 
que proporciona ao dbil sua vitria sobre o mais forte.
Tambm na evoluo do carter os ressentimentos e a luta pelo poder desempenham um 
papel importante. Os traos primitivos de uma personalidade podem tornar-se patentes, ou 
ser reprimidos. Quando a fora que preside seu desenvolvimento no  suficiente, sobrevm 
imperfeies mltiplas, simulaes e engodos, que passam por competentes da 
personalidade mas no so outra coisa seno subterfgios, atitudes fitcias ou dbeis para 
enganar ou assustar o adversrio. Sobrevm o que chamamos de Super-compensaao 
quer dizer sublinhar em excesso qualidades que devem dissimular uma fraqueza intima- 
mente sentida. Observa-se muitas vezes que pessoas feias, deformadas, corcun das, so 
especialmente vaidosas, cuidando muito da sua aparncia.
Uma solteirona velha, muito feia e de corpo deformado sorria com uma doura cmica na 
sua psicose esquizofrnica para perguntar a todo mundo:
Meu rosto no  encantador?
Atrs dos alardes dos jovens que fumam, cospem, e ostentam sua musculatura se esconde o 
sentimento inconfessado da sua maturidade incompleta e as jatncias ridculas do novo 
rico so apenas testemunho da sua falta de segurana interna ao tratar com pessoas 
distintas. A ausncia. e a nsia do valor prprio (STokcn, 1918) determinam muitos dos 
rasgos equvocos, exage rados e caricatos que integram o carter de alguns histricos 
degenerados, e psicopatas esquizides e anestsicos: a procura de uma fachada imponente, 
onde porm faltam intimamente os tijolos, a luta ora ridcula ora trgica para conseguir 
com meios falsos, efeitos verdadeiros. Bancando o intelectual de corao vazio, mostrando 
sentimentos humanos cheios de calor quando j morreu qualquer ressonncia interna.
De modo mais fino e refinado encontramos a supercompensao no carter
do sensitivo. A escrupulosidade moral do neurtico obsessivo  muitas vezes o
produto de uma luta contra impulsos sexuais perversos e irregulares e a
megalomania exaltadas de certos sbios e artistas esquisitos nasce do fato do
O Ressentimento s a Luta Pelo Poder 191
seu sistema nervoso semi-quebrantado e frgil se encontrar numa luta persistente contra os 
embates da vida.
Assim levanta-se, no correr da vida, sobre a base dos instintos e dos temperamentos, um 
edifcio de compensao, subterfgios, inibies, e dissimulaes. Como imagem fictcia-
piloto da prpria personalidade surge uma imagem ideal do EU que mostra como cada um 
queria ser, e ser visto pelos outros. Estas normas fitcias resultam de uma tentativa de 
adaptao ao ambiente e sob a presso oportuna de certas experincias psquicas, a 
evoluo do carter pode ser torcida e desviada em diversas direes. O EU ideal 
repercute em alto grau sobre as reaes primitivas possveis da personalidade. Assim por 
exemplo, um indivduo nervoso, devido s correntes diferentes da poca, de certos ideais, 
de fatores educativos pode daptar uma vez a norma falsa do dominador, outra vez a do 
mrtir sofredor, ou do estico imperturbvel ajustando-se s diversas formas reacionrias, 
sem entretanto mudar de temperamento. Os histricos degenerados trocam seu EU ideal por 
mero capricho como se se tratasse de um personagem teatral. Nos outros, estas 
representaes se fazem aos pulos, aparentemente de modo incompreensvel, mas 
significativo por dentro como no caso de algumas converses (ToLsToI). Um olho 
experimentado diferencia bem atravs do EU ideal fitcio, os fundamentos instintivos e 
temperamentais, pois existem papis somente compatveis com determinados 
temperamentos, e cada um deles imprime ao mesmo personagem uma tonalidade diferente 
e caracterstica.
A resultante que forma em uma pessoa a conscincia de si mesma, e os sentimentos de 
insuficincia pode denominar-se de auto balano de valores. Somente em casos 
patolgicos ela  uma grandeza rgida completa. Em geral ela oscila dbil ou bruscamente. 
A atitude de auto-estimao no  primria mas sim a soma complicada de muitos fatores: 
elementos temperamentais subdepressivos, hiperes tesia esquizide ou debilidade de 
contacto, transtornos de maturao constitucional e escassez de instintos determinam com 
facilidade sentimentos de insuficincia. No inverso encontram-se graus extremos de 
superestimao prpria nos hipomanacos e sobretudo em ativistas afetivamente frios. 
Adiciona-se a isto o estado vital de conjunto, do lado vegetativo somtico, com suas 
correlaes climticas, bioqumicas, etc. Como  natural, tambm se ajuntam seus xitos e 
fracassos por causa do ambiente e das vivncias na luta pela vida. Assim sendo, o 
aparecimento dos mecanismos de ADLER, especialmente na psicoterapia, no  o ltimo, 
pois estamos obrigados a descobrir os fatores que no fundo remoto criaram a situao de 
auto-balano.
13. CAPTULO
AS REAES PRIMITIVAS
Ao analisarmos os diversos modos de reagir dos tipos individuais s experincias internas, 
em sua relao como carter individual, chegamos a uma diviso em dois grupos no bem 
definidos entre si. As reaes primitivas e as reaes de personalidade (HOLZSCnUHER, 
1949).
As Reaes Primitivas
Qualificamos de primitivas as reaes nas quais o estmulo produzido por uma experincia 
interna no passa por todas as fases ntermedirias de uma personalidade totalmente 
desenvolvida, mas que se manifesta diretamente por atos impulsivos instantneos ou por 
processos psquicos profundos, como as reaes das camadas hipoblicas o uhiponicas, 
que observamos preferencial- mente em homens primitivos, crianas e animais. Por isto 
englobamo-los no termo de reaes primitivas. No homem civilizado adulto elas se 
originam de duas maneiras: uma impresso excessivamente forte de vivncia subjuga a 
personalidade superior, fazendo com que as camadas mais profundas da psique venham  
tona em forma suplementar ou trata-se de reaes primitivas em indivduos de evoluo 
psquica retardada, personalidades infantis, dbeis mentais, psi e hipoblicos ou 
traumatismos cranianos, excesso de lcool, esquizofrenia latente. Nestes casos a impresso 
recebida no precisa ser extre mamente forte. A resposta aos estmulos comuns costuma ser 
primitiva nestes indivduos, por exemplo, exploses afetivas, atos em curto-circuito, e 
descargas histricas. Falamos ento de Epilepsia afetiva, distrbio impulsivo, psicopatas 
instveis. Atrs desta palavra chave escondem-se as diversas origens biolgicas dessas 
personalidades: hereditrios intra-uterinos, de aquisio tardia, traum ticos, infecciosos e 
txicos.
Destacamos aqui somente os mecanismos psicolgicos comuns a todos estes quadros to 
variados, reduzindo-os a alguns tipos simples.
REAES EXPLOSIVAS
Falamos de reao explosiva sempre que afetos fortes se descarregam de uni modo 
elementar sem reflexo controlada. A presso psquica, grande demais se descarrega, como 
uma tempestade, numa crise aguda, seja ela til ou no. Um caso tpico  o que queremos 
chamar de exp1os carcereira que se d nos presos em determinada ocasio ou em 
conseqncia de rancores acumulados, provocando algazarra, soltando improprios ou 
destruindo tudo. Exploses semelhantes puderam notar-se durante a guerra quando um 
regimento embarcava para a frente de batalha quando uma palavra incauta de um superior 
fazia explodir a tenso afetiva reinante. Certas pessoas esto sujeitas a essa diatese sob 
influncia do lcool quando cometem num estado de embriaguez patolgica atos de 
vandalismo, ofensas, insultos, brigas e estragos dos quais mais tarde no se lembram mais e 
que so at incompreensveis para eles e contrrios ao seu carter. Estes estados 
crepusculares-afetivos provocados ou no pelo lcool, constituem estados excepcionais 
circunscritos, com pertur baes da conscincia e formao ulterior de ilha samnsicas, o 
que revela sua afinidade com as do grupo hipoblico e hiponico. Em geral,  caraterstico 
de numerosos mecanismos psquicos profundos, manifestar-se regularmente quando est 
eliminada ou diminuda a conscincia, ou seja a funo da personalidade superior (sonho, 
hipnose, estados crepusculares). Existe um estreito parentesco biolgico com estas crises 
afetivas explosivas e certas formas de acessos convulsivos motores que so em parte 
afetivo-epilticos ou histricos. Ambos so mecanismos de escape que descarregam o 
excesso de presses intra-psquicas. Tambm em casos isolados as duas formas de descarga 
niotora se confundem sendo que a raiva e os golpes se convertem gradativamente em 
convulses e os movimentos convulsivos tomam aos poucos um carter de
Atos em Curto-Circuito        l9
expresso afetiva. O mesmo processo se parece desenrolar numa camada superior ou 
inferior.
s vezes a fuga cega substitui como expresso motora as cenas de convulses ou 
injrias. A pessoa atingida se lembra ainda que se encolerizou, perde a memria e fica 
surpreso ao encontrar-se depois num lugar desconhecido.
Nas reaes explosivas no nos devemos dar por satisfeitos com a constatao de um fator 
diretamente provocante. Estas descargas so prove nientes de tenses de longa data e de 
constelaes psquicas. O episdio recente provocador da descarga  apenas a ltima gota 
que faz transbordar o copo.
Exploses semelhantes como raiva e desgosto, so provocadas pelo medo. Em doentes 
melanclicos ele foi descrito como raptus melancholicus. A angstia e o desespero 
levados ao extremo pode mocasionar no s o suicdio mas tambm atos de grande 
violncia, sobretudo a morte da prpria famlia no sentido de um suicdio ampliada
ATOS EM CURTO-CIRCUITO
Nos atos em curto-circuito os impulsos afetivos se transformam diretamente em aes, sem 
a interveno da personalidade total. Aqui falta a interpolao mas o curto-circuito no se 
manifesta como nas reaes explosivas numa descarga elementar-motora, mas em aes 
complicadas.
Uma jovem camponesa de constituio fraca, suave e tmida vem a cidade para ocupar seu 
primeiro emprego. Durante a primeira fase ela se sente doentia e fraca mas no st queixa. 
Numa bela manh a casa  consumida pelo fogo e os filhos do seu patro so encontrados 
assassinados. No tribunal apresenta-se o seguinte drama: A menina sentia terrveis saudades 
e se achava esgotada. Tudo lhe era estranho. No sabia o que fazer e nem se comunicava 
com ningum. Se nem a casa nem as crianas existissem ela poderia voltar para casa. No 
se sabe se ela meditara sobre esta idia, ou no. Sentia uma presso irresistvel de voltar 
para casa. Uma manh ela se sente tonta. No sabe o que lhe acontece. Quando o fogo 
comea a crepitar na escada ela se sente mais calma, O crime se desenrola numa seqncia 
e naturalidade espantosa, diante do qual a moa no tenta nenhuma explicao. Ouvimos o 
relato seguinte (JASPERS 1909). As saudades de casa que se iniciou com o novo emprego 
chegou ao seu auge no quatro dia quando lhe veio a idia de pr fogo na casa. Ela sabia 
como proceder sem pensar em outra coisa. Dominada pela nsia ela no sabia o que fazer. 
A idia no a abandona mais. Decorrido trs horas ela realiza seu plano. Quando jogava o 
carvo em brasa na palha ela pensava: Deixa o fogo ardes em ltimo caso isto no tem a 
mnima importncia.
Tais atos em curto-circuito podem dar-se num estado de exceo ilhado com tendncia para 
perturbao da conscincia ou podem desenrolar-se como atos normais executados com 
habilidade e cuidado com lucidez absoluta. Em ambos os casos a ao em curto-circuito se 
caracteriza pela frase no protocolo:
Sem pensar em mais nada. O ato e o impulso afetiva que o desencadeou forma um todo 
racional e bem estruturado. Ele  porm dissociado da perso nalidade restante, e forma uma 
pea a parte. Uma reao de nostalgia poderia passar-se na sua fase inicial como a aqui 
descrita. Qualquer empregada em situao semelhante poderia ter a mesma reao: No 
aguento mais, preciso voltar para casa custe o que custar, se a casa se consumisse em 
chamas e as crianas estivessem mortas, eu poderia voltar para casa. At aqui a energia 
afetiva segue o mesmo caminho. Numa empregada normal ela seguiria uma
194        4 Reoes, Primitivqs
rota torta e complicada passando por todas as interpolaes constitudas por sentimentos e 
reflexes da personalidade total: a compaixo pelos patres, e pelas crianas, a 
considerao pelos pais, o medo da priso e do castigo, a conscincia religiosa, etc. Depois 
de intercaladas todas estas imagens, o impulso para a inocncia e o infanticdio no 
chegaria at a execuo. Uma dzia de contra-implsos entraria em ao e o impulso 
morreria por causa dos mil obstculos encontrdos e a reao motora seria simplesmente a 
seguinte: a menina choraria copiosamente ou aliviaria seu corao junto aos patres e na 
pior das hipteses ela fugiria ou abandonaria o emprego. O caraterstico no caso da nossa 
moa incendiria  que o impulso provocado pelas saudades no passou pelo filtro da 
personalidade total mas bateu em cheio no sistema psico motor determinando o ato mais 
imediato com seu sentimento nostlgico e menos em harmonia com sua personalidade total 
e  a isto que chamamos de curto-circuito.
A reao da nostalgia sob forma de incndio e infanticdio foi antiga mente um sndrome 
tpico entre moas de 14 a 17 anos. Tratava-se de criaturas infantis e fracas com o 
desenvolvimento da puberdade atrasado onde a reao nostlgica se deve  fixao psquica 
aos pais. Nos seus hbitos mansos, tmidos e autistas, tais moas apresentam s vezes traos 
esquizides tpicos.
Um ato em curto-circuito anlogo foi observado num jovem comerciante homossexual ao 
qual o pai proibira de voltar a casa depois de uma discusso a respeito da sua conduta 
sexual. Tomado de raiva sbita ele ps fogo na casa paterna, refugiou-se no telhado 
cantando uma rea de pera num tom de falsete feminino pondo fim, numa atitude 
romntica  sua vida infortunada,
Na raiz dos atos em curto-circuito encontramos em raras vezes o instinto sexual. O duplo 
suicdio de amantes infelizes  um motivo tpico, no s na poesia como tambm na vida 
real. Fica-se admirado da facilidade com que o amor que no encontra soluo favorvel se 
inclina para o suicdio mesmo em naturezas banais sem tendncias hericas. O binmio 
Amor-Morte surge com uma regularidade estranha nas pessoas mais diferenciadas tanto 
como medo ou como impulso sem nexo nenhum. Na cano popular isto se tornou um tema 
preferido indicando de forma inequvoca a antiga anastomose afetiva mas tambm as 
ligaes simblicas entre Amor e Angstia.
O perodo da puberdade com seus desiquilbrios psquicos, seus estados afetivos extremos, 
hipertensos, predispe muito a atos em curto-circuito e antes de tudo ao suicdio. As criadas 
jovens e as colegiais nos oferecem nume rosos exemplos. Entre as causas principais 
ocupam o primeiro lugar: amor infeliz, a nostalgia, medo de professores e exames ou o 
pressentimento de uma esquizofrenia iminente.
O infanticidio das mes solteiras freqentemente  um ato em curto-circuito. Muitos casos 
de desero na guerra t ma mesma base.
Um recruta simplrio sofre sob os modos rudes do seu sargento. Voltando de uma
licena para o quartel ele desembarca dotre m numa estao qualquer, e sem despir o
uniforme se emprega numa fazenda para o corte do feno. Deixa de pensar na tropa e
despreza qualquer medida de precauo, sendo encontrado somente alguns meses depois.
Um segundo grupo de atos em curto-circuito  difcil de ser compreendida por carecer de 
um afeto forte. Comete-se uma ao aparentemente sem impulso
Reaes Hipoblicas e Hipnicas        195
qualquer, de improviso, que no tem explicao, nem na personalidade daquele que a 
comete e sem presso de uma situao oprimente.
Um estudante remediado segue com uma formao voluntria para a zona de revoluo 
sendo alojado por alguns dias na casa de pessoas bondosas. Antes de voltar para a 
universidade folheia alguns livros de interesse escasso. Sem pedir licena ele os leva 
consigo, e sem abri-los ele os deixa embrulhados para em seguida rasg-los e enterr-los, 
com o sentimento de ter cometido algo de reprovvel.
Aqui falta o impulso afetivo forte. Por alguns marcos ele poderia ter adquirido os livros. 
No encontramos outra coisa seno a irresistncia diante de um impulso instantneo e 
fugaz, uma separao completa deste ato isolado da tendncia da personalidade total. Estes 
atos pertencem muitas vezes ao crculo esquizofrnico mais amplo. Muitos so sintomas 
iniciais de uma esquizofrenia incipiente, ou sinais de um defeito esquizide. Crimes 
hediondos e assassinatos podem ser cometidos sob o impulso do momento. s vezes 
encontramos atrs disto uma decadncia sifilis-paraltica ou senil. Os atos em curto-circuito 
com afeto escasso, deixam suspeitar um grave processo de desintegrao ou dissociao da 
personalidade.
Existem porm grupos de atos em curto-circuito que atrs de uma aparente fraqueza de 
motivos ocultam poderosos motivos de impulsos afetivos. Estes provm de fortes 
componentes perversos irrefreveis da personalidade ou de complexos antigos. A esta 
classe pertencem numerosos casos de caprichos, gostos de carter obsessivo, aparentemente 
inexplicveis como: a cleptomania, (furto impulsivo) de assassinatos e crueldades sem par. 
Os furtos clandestinos em lojas comerciais executada por damas da sociedade se revelam 
como uma simples perverso sexual onde o material (seda, veludo) tm por elas esta 
tonalidade e o furto sigiloso deste gnero de produtos lhes produz a mxima excitao 
sexual. Para o furto simblico do qual citamos um exemplo, refe rimo-nos  parte anterior 
do livro. Muitos assassinatos de grande crueldade no passam de atos sdicos, dos quais 
encontramos muitos exemplos na histria. Tambm o impulso incendirio pode se 
relacionar com a excitao sexual. Mesmo assim, desconhecemos o mecanismo psicolgico 
de muitos atos impulsivos j que uma grande parte no provm de constelaes 
psicolgicas exteriorizadas mas de distim ias endgenas peridicas, por exemplo.
REAES HIPOBLICAS E HIPNICAS
 um prerrogativo dos animais vencidos numa luta, de crianas e pessoas no 
suficientemente desenvolvidos de evitar situaes penosas ou provocar situaes 
agradveis por meio de simula ao do estado psico-fsico, fingindo-se de doentes, feridas, 
loucas ou mortas ou tomando ares infantis, conseguindo assim aquilo que desejam. Muitos 
destes atos de fingimento e simulao tm em si algo de instintivo. Outros so executados 
propositalmente mas em geral por pessoas psiquicamente pouco evoludas, de tipo infantil, 
de sistema nervoso abalado, imbecis e sofrendo de defeitos ticos. Isto se aplica a situaes 
comuns, mas tambm pessoas bem desenvolvidas e dotadas de firmeza de carter podem 
reagir com mecanismos primitivos e tendncias de simulao quando sujeitos a problemas 
afetivos. Observadores agudos constataram durante a 1.a guerra mundial (WETZEL, 1921) 
que em casos de sustos agudos ou de morte
de camaradas, soldados destemidos e resistentes sofreram de um estado cre puscular e 
num estado de pseudo-demncia ou sndrome de Ganser, come avam a assumir atitudes 
teatrais, falando coisas sem nexo. Seguiu-se um despertar repentino e a personalidade total 
se recuperou ao ponto de no pensar mais em simulaes ou fuga da frente de batalha.
Este recalque deve ser tomado como um fenmeno de simulao do meca nismo psquico 
com o qual se parece. O recalque  a simula uo diante da prpria pessoa. Por isto 
encontramo-lo com tanta freqncia numa ligao funcional ntima dos quadros neurticos. 
Entendemos sob recalque o afasta mento de fatos desagradveis ou ambivalentes do campo 
visual da conscincia na sua esfera, uma poltica de avestruz face aos prprios processos 
psquicos. Das vivncias recalcadas surgem preferencialmente os complexos esfricos que 
alimentam os mecanismos hipoblicos e hiponicos e a disposio para a simulao, sendo 
que assim o recalque e a simulao agem de mos dadas. Aquilo que vulgarmente se chama 
de histeria representa um emaranhado de recalque-simulao e mecanismos hipoblicos e 
hipnicos. Devemos porm notar que nem todos os histricos recalcam seus complexos. 
Em muitos deles, eles se tornam conscientes ou ao menos levemente conscientes. A 
transnlutao dos complexos em sintomas histricos visveis pode processar-se 
esfericamente ou conscientemente sem que os quadros resultantes se modificassem 
essencial- mente. Na histeria encontramos por conseguinte todas as combinaes entre os 
efeitos esfricos e conscientes dos complexos.
Nos presos degenerados que aguardam sua condenao encontramos freqentemente a 
pseudo-demncia, os sindromes de GANSEa e de palhaadas e sintomas afins. A tendncia 
de simulao se apresenta como fenmeno psicolgico independente em todas as suas 
facetas desde a simulao a mais refinada at os estados crepusculares que domina ento os 
atos. A atitude se assemelha quilo que o leigo classificaria de bobagem, de pessoa 
louca ou bicho papo. Estas imagens combinam  vontade com outros mecanismos 
primitivos.
Mais freqente do que deste modo independente, observamos a tendncia da simulao 
escondida e velada como fator dinmico parcial que refora e destaca sndromes de carter 
objetivo como por exemplo reaes genuinamente primitivas, imagens refletidas ou leves 
doenas corporais. A psiquiatria hodierna considera como histricos somente aqueles 
sndromes nos quais transparece esta componente tendenciosa, esta finalidade em forma de 
desejo ativo, como autoeva so passiva vontade de adoecer ou fuga na doena. Num 
estado anterior da cincia sobre o histerismo atribua-se primordial importncia  
comprovao dos mecanismos hipoblicos e hipnicos com o que se denominava tambm 
de histerismo as reaes agudas de terror sem tendncia de simulao.
Pode acontecer que uma grande multido de pessoas experimente simul taneamente uma 
catstrofe, um terremoto por exemplo (STIERLIN, 1909). Um considervel nmero de 
sobreviventes acusam sinais de um choque afetivo em forma de mecanismos hiperblicos e 
hipnicos (estados crepusculares, pesadelos, estupor quase catatnico, sintomas de pnico, 
etc.) e sinais de excitao do aparelho-reflexo (tremores, tiques, convulses, transtornos do 
sistema crdio .vascular). Sabe-se que todo estado afetivo agudo o ucrnico repercute direta 
mente, por via reflexa, no funcionamento dos rgos somticos e com intensidade especial 
nos sistemas crdio-vascular e digestivo, nas funes de secreo e nas trficas. Decorridos 
uma hora ou vrios dias as pessoas que apresentam tais
196
As Rea5es Primitivas
Reaes Hipoblicas e Hipnicas        197
reaes uniformes de um terror recente podem ser separados em dois grupos:
os que no tm seguro de espcie alguma se mantm calmos, enquanto os que esperam uma 
indenizao de qualquer espcie mantm seus temores e seus tiques durante semanas, at 
anos a fio. Podemos somente falar de histerismo a partir do momento em que esta 
componente teolgica reforadora e conser vadora comea a insinuar-se no curso 
puramente automtico no princpio, dos processos psico-fsicos.  somente neste momento 
que podemos de fato falar de histeria. Somente neste momento a reao de pnico 
recentemente experi mentada se torna histrica.
Deste modo qualquer processo espontneo-corporal ou psquico pode tornar-se histrico 
(histerizar-se). Uma pessoa sofre de um ligeiro reumatismo, de uma laringite ou outra 
molstia ou qualquer mal psquico justificado. Quando na poca em que estes transtornos 
entram em sua fase de recuperao, um estmulo intervm e se essa pessoa deseja que os 
transtornos continuem, pode acontecer que o processo de cura se atrase fortemente ou no 
se realize. Sem motivo aparente a tosse, a dor, o mancar da perna continuam, e se tornam 
at mais intensos. Quando no correr de uma sesso teraputica desejamos eliminar um 
tique, um ponto doido o uuin leve embarao no andar, desenca deiam-se correntes 
contrrias fortes e negativismos elementares, eventualmente provocados pela sugesto. Os 
motivos desejados, finalistas ou defensivos podem ser os mais variados: obter uma penso, 
livrar-se de um casamento infeliz, inspirar cuidados, amor ou compaixo ou apenas fazer-se 
admirar, representar um papel importante, exprimir um protesto ou um motivo de repulsa, 
etc. Existem hoje e mdia motivos momentneos banais ou os efeitos indiretos de antigos 
complexos.
No so necessrios choques afetivos agudos ou doenas para que se mani festem tais 
tendncias para a simulao, embora se utilizem motivos episdicos para este fim. Uma 
pessoa de inferioride orgnica inata ou com uma disposi o para um reflexo anormal pode 
reforar ou elaborar tendenciosamente seus estados afetivos para conseguir determinados 
fins sempre que se encontre dominado por um desejo primitivo ou inclinado a defender-se 
de alguma coisa. Em um indivduo nervoso com seu sistema vasomotor-cerebral 
congonitamente instvel ou com ligeiro tremor costumeiro, estas leves disposies podem 
converter-se at chegar num colapso histrico ou veementes tremores.
Como se processam estas transmutaes misteriosas psicolgicas pelos quais por exemplo a 
ambio de uma aposentadoria, se converte em uma paralisia flcida ou averso ao marido 
num tique? Diferenciamos, segundo caso, as seguintes possibilidades que at podem 
combinar entre si:
1. Simulao intencional
2. Histerismo acostumado
3. Reforo voluntrio de reflexos
4. Dissociao hipoblica-hipnica.
No que concerne  primeira probabilidade devemos advertir que alguns psicopatas, em 
virtude de certas predisposies de reflexos inatos e anormais, so capazes de 
manifestaes que em pessoas normais se subtraem ao domnio direto da vontade, assim 
como h pessoas que vomitam, tm tremores ou desmaios, com uma facilidade espantosa. 
Devemos pensar bem antes de afirmar que um determinado sndrome nao se pode originar 
por si mesmo.
198        As Reaes Primitivas
O hdbito histrico obedece a leis psico-fsicas fundamentais, que regem a vida normal e as 
quais no prestamos os devidos cuidados. Nenhuma das nossas aes  executada do 
comeo ao fim com a vontade consciente, a vontade provoca alm da imagem de um fim 
determinado a formao de um aparelho de circunstncias (BLEULER, 1969) que 
funciona conscientemente, liberado apenas por um afeto de um modo exato e independente. 
Ao se usar este aparelho de circunstncias por mais tempo, ele se ajustar com o uso a uma 
frmula abreviada, ajustando-se e funcionando cada vez com uma perfeio maior, at 
que se emancipe da vontade como um reflexo condicionado, agindo automaticamente 
funcionando sem a vontade, como a nossa mo aciona durante o dia o interruptor da luz, ao 
abrir a porta. Quer dizer que psiquicamente procedemos na maioria dos casos por impulsos 
no-diferenciados, mas sujeitos a frmulas de abrevia a estereotipada, emancipada e semi-
automtica.
Uma pessoa que sofre de um leve ataque de citica adota uma determi nada atitude de 
defesa contra a dor que, com o tempo, se converte em frmulas estereotipadas. O desejo 
normal de uma cura desliga este aparelho circunstan cial desde que se torna intil, mas se o 
desejo faltar e o doente cai numa atitude tendenciosa, no se preocupando com a cura, ou 
at deseja que esta no se realize, o aparelho ocasional (o mancar de perna), continua 
ajustando e emancipando-se automaticamente at o infinito, porque ningum se interessa 
em desarm-lo dando-se ento com tempo dissociaes hipoblicas.
O reforo voluntdrio de reflexos se torna possvel com a ajuda de deter minadas medidas. 
Se, no curso do reflexo com finalidade motora independente e precisa a vontade intervm, 
ela o perturba ou at chega a aboli-lo, mas o refora quando lhe faz chegar energia de uma 
forma esfrica e difusa. Pode mos assim voluntariamente aumentar um reflexo de tremor, 
se no queremos imitar o movimento do tremor contraindo apenas o msculo trmulo 
difusa- mente. Outra forma de reforo voluntrio de reflexos  a acumula a afetiva tcnica. 
O histrico enriquece dia a dia sua afetividade, procura e aproveita at  mnima 
oportunidade a excitao para, por meio dos estmulos afetivos seus mecanismos de 
reflexo, seu tremor, seus tiques, suas palpitaes cardacas e sua disposio para a luta. Os 
modos de conservar ativos os mecanismos auto mticos de natureza psquica, sensitiva e 
motora, so mltiplos. A ateno concentrada sobre dores faz com que estas aumentem, 
impedindo que elas desapaream, reduzindo-as a uma frmula estereotipada. Os estados de 
mau humor e de excitao podem ser artificialmente incentivados por meio da motricidade 
(correr de c para l, falar improprios, respirar foradamente) at o aquecimento total e o 
desencadeamento de reaes explosivas, convulses, estados crepusculares, etc.
Chama-se isto de satura  afetiva o que se constata com bastante fre qncia em 
prisioneiros e pessoas com defeitos neuro-morais, com ou sem
consumo de lcool.
As dissociaes hipoblicas e hipnicas j mereceram nossa ateno. Em certos histricos 
degenerados e psicopatas esquizides, os aparelhos psico-pro fundos se dissociam com 
grande facilidade das camadas superiores mediante ligeiros estmulos ocasionais. (reaes 
fantsticas e de sonho), estado crepuscu lar). Os simbolos hipnicos (idias impulsivas) 
interferem facilmente na psicomotricidade, orientando certos atos afetivos.
Cunho Ambiental        199
A simulao tendenciosa, desde a mais simples e evidente, passando por todos os graus de 
transio e combinaes at a simbolizao hipnica iristin tivamente catatmica, reveste 
formas de grande variedade no terreno do his terismo.
14. CAPTULO
REAES DA PERSONALIDADE
As reaes primitivas escapam  censura total pela personalidade total, originando-se onde 
a personalidade no se encontra bem acabada e plenamente desenvolvida. No tm sua 
aquiescncia plena e pessoal, podem at contrari-lo e separar-se como pequenas ilhas. As 
reaes primitivas so por isto e at certo ponto no especficas e possveis em qualquer 
personalidade, desde que as experincias psquicas sejam bastante intensas e mostra muma 
preferncia especfica para os tipos primitivos.
Em contraste chamamos de reaes da personalidade aquelas que se produzem com a 
cooperao intensa e consciente da personalidade total repre sentando a expresso mais 
pura e significativa da individualidade inteira. As reaes da personalidade so limitadas a 
determinadas disposies de cardter e estmulos psquicos e surgem somente onde uma 
experincia interna definida e adequada influi sobre uma determinada individualidade.
CUNHO AMBIENTAL
No resta dvida que certas profisses rigidamente organizada deixam seu cunho nos seus 
componentes (oficial de exrcito ou sacerdote) cujo significado ultrapassa de muito, aquilo 
que existe na sua disposio originria. Existem profisses e condies de vida que criam 
na sua classe formas reacionrias tpicas. Fala-se assim em psicoses de governantas 
(preceptoras). Um ambiente humilhante cria uma auto-conscincia rigidamente definida e 
em pessoas pre destinadas uma contratenso quase insuportvel que exigem apenas um 
pequeno motivo para degenerar numa neurose. Assim criou-se nas preceptoras de certa 
idade, uma nervosidade sensvel e amargurada. Acrescentando a isto uma forte 
contrariedade ou um conflito tico penoso, este estado de nimo instvel e explosivo d 
origem a idias delirantes mantidos com conseqncia psico lgica. Nesta profisso 
encontramos mais do que em qualquer outra, pessoas em constante alarme diante do mundo 
exterior, aos seus superiores e s autoridades ao ponto se considerar sempre prejudicados, 
humilhados e esque cidos. Na profisso de mestre-escola as aspiraes ideais enrgicas 
contrastam tristemente com o conceito humilhante que a sociedade faz dela, e por conse 
guinte as predisposies paranicas encontram um terreno propicio para desenvolver-se. 
Vemos, nesta profisso, mais do que em qualquer o indi vduos num alarme constante e 
tenso em face do mundo exterior, aos seus superiores, s Autoridades, sempre prontos a se 
sentirem preteridos, humilhados e enganados.  evidente que no terreno desta ditese 
provocada pelo medo
200        Reaes da Personalidade
se do com facilidade muito maior, nervosidades crnicas graves, exploses afetivas 
anormais, e paranias. De uma forma anloga os ressentimentos da luta de classe nos 
operrios industriais se refletem na sua luta pelo seguro social, a indenizao por acidentes 
de trabalho e as neuroses derivadas destes acidentes.
Hoje em dia as influncias do meio e seus efeitos doentios se destacam com menor nitidez 
devido s flutuaes da sociedade, embora elas no sejam menos agudas. As realizaes 
que podem ser medidas quantitativamente dentro de um espao de tempo igualmente 
mensurvel, criam tenses contnuas no empenho da personalidade total. A presso 
constante exercida sobre a auto-conscincia resultam especialmente do encobrimento das 
relaes humanas, como na complexidade incontrolvel das organizaes sociais e do 
controle indireto, porm muito exato que aumenta ainda com a velocidade crescente do 
controle. Comparado com a confrontao aberta e corajosa com o adversrio de 
antigamente, ou da tarefa difcil, destaca-se hoje em dia e cada vez mais a luta indireta e o 
esquivamento. Isto se justifica com a considerao para com os terceiros, embora o medo 
de uma situao embaraosa, de perda de dinheiro ou impedimento da escalao social, 
sejam os verdadeiros motivos. Neste ambiente no se cria uma auto-conscincia s, mas 
sim a moleza e resis tncia diminuda do carter. A educao idealiza as capacidades 
externas, a vantagem externa e a maleabilidade rpida, deixando pouco ou nenhum espao 
para o comunitarismo e os valores constantes. Disto tudo resulta uma falta de considerao 
por parte do mais forte e insensvel e uma incerteza patognica, uma super sensibilidade e 
vulnerabilidade por parte do mais fraco. De acordo com a tendncia do encobrimento 
desaparecem aos poucos as reaes primitivas e histricas, e com elas o descarregamento 
imediato do peso.
Os pontos de gravidade da carga exercida pelo ambiente se resumem no seguinte: Apesar 
da sua maior comodidade, a vida na cidade no eliminou a solido o que evidencia pelas 
reaes depressivas e o consumo de lcool. Tenses contnuas e crnicas so mantidas e 
aguadas pela concorrncia da subsistncia que aumenta cada vez mais e por certas formas 
da liderana poltica (polcia secreta, denncias, etc.). Onde o perigo, o risco e a genuna 
luta pela vida diminuem, (aposentadoria, leis sociais) o carter no se fortifica e se torna 
mais firme. A associabilidade nervosa e depressiva  muitas vezes a origem de distrbios 
psquicos e fsicos  toma conta de todas as classes obreiras de ambos os sexos e um 
quadro clnico tpico de determinados grupos se torna mais raro.
No crculo vital das velhas solteironas combinam-se fatores biolgicos particularmente 
intensos e outros psicolgicos exgenos de transformao. O celibato, a excluso mais ou 
menos voluntria das funes sexuais e de pro criao normais, favorece em certas 
personalidades mudanas psquicas, defor maes e distrbios psquicos reativos. Em 
outros tempos, quando faltavam atividades profissionais para as mulheres, as solteironas 
eram eliminadas de uma atividade proveitosa e condenadas na pior das hipteses a uma 
vida miservel, indigente e vazia entre as quatro paredes do seu quarto numa pequena 
cidade interioriana, o que, mutatis mutandos ainda pode acontecer hoje em dia. 
Conhecemos o carter de pedantismo, amargo, beato que dali resulta. As pessoas dotadas 
de bons sentimentos traduzem seus desejos erticos normais numa inclinao a combinar 
casa no crculo da famlia, e as
Reaes, Direo e Resistncia do Carter        201
menos resignadas comeam a tecer intrigas e vo meter-se na vida alheia de um modo 
malicioso e intrigante.
Por efeito de estmulos especiais se desenvolve com grande facilidade nas solteironas, 
converses histricas, sintomas psicosomticos, brigas e querelas por causa de supostos 
pedidos em casamento, idias neurticas obsessivas ou paranicas sensitivas baseadas em 
escrpulos morais ou em conflitos com o instinto sexual no extinguido ou formas 
catatmicas de delrio amoroso curiosamente tranqilas, como a espera constante de um 
homem que amara na juventude ou de um homem amado e admirado a distncia de quem 
ainda hoje espera um pedido em casamento.
REAES, DIREO E RESISTNCIA DO CARTER
As experincias especialmente apropriadas para provocar numa persona lidade definida as 
reaes que a caraterizam, recebem o nome de experincias chave. Entre elas e o carter 
existe uma relao igual como entre a chave e a fechadura, entre o complemento e o 
amboceptor, sobretudo quando sobre- vm ainda certas constelaes favorveis do meio. A 
impresso de uma pequena derrota tica-sexual excitar especialmente um tipo de cardter 
sensitivo? Mas talvez no deixar sinal num carter combativo e querelante: Uma eleio 
perdida pode representar para ilima pessoa sensitiva uma coisa sem importncia que se 
esquece logo enquanto que num tipo impulsivo desperta a disposio para a luta. Por outra 
parte um mesmo acontecimento exterior, como um amor infeliz por exemplo, e vivido por 
carateres diversos de modo igualmente diferente que se desenvolve por reaes em 
orientaes tipicamente diversas. Uma jovem expansiva v na infidelidade do homem 
amado uma humilhao vil para ela e uma desonra para ele, enquanto que uma moa 
sensitiva enxerga apenas sua prpria derrota e vergonha. Uma criatura histrica-infantil 
recal car a situao embaraosa, mas deixar nela um mal-estar abafado e um desejo 
impulsivo que mais tarde se poder descarregar em alguns ataques histricos.
Como toda vida afetiva oscila entre os polos do EU e o mundo exterior, a situao subjetiva 
imediata da nossa experincia interna adota assim mesmo uma disposio bipolar. Nossa 
atitude psquica frente ao mundo exterior se reduz a um jogo de foras, dentro do qual 
experimentamos umas vezes sentimentos de superioridade, de esforo alegre, de dominao 
e atividade e outras vezes de inferioridade, de desalento doloroso, de derrota e vergonha. 
Qualificamos a primeira atitude de estnica e a segunda astnica. Segundo o temperamento, 
o meio e a educao a atitude complexa de cada um frente  vida, se aproxima mais ao plo 
estnico ou ao astnico de modo que distinguimos de acordo com o tipo mdio das reaes 
da personalidade entre carteres com predomnio de uma ou de outra disposio. J nas 
reaes primitivas se mostra esta orientao preponderante no sentid odo ataque ou da fuga. 
Nas pessoas de tipo estnico os atos explosivos e de curto-circuitto se manifestam em geral 
em forma de acessos de raiva agressiva e de violncia, enquanto nos tipos astnicos eles 
criam estados de angstia e desespero ou provocam uma fuga cega. A simulao histrica 
desenvolve nos primeiros os instintos tirnicos do poder e nos segundos a fuga na doena 
com a finalidade de fugir aos problemas que a vida apresenta.
Reaes da Personalidade
A orientao estnica ou astnica das reaes de cada indivduo depende sem dvida e 
principalmente e assim tambm a capacidade de resistncia do carter, da disposio tem 
peramentai. O hipomanaco se inclina para a atitude estnica, ao prazer e  raiva,  
confiana ingnua em si mesmo e a um otimismo inabalvel, estando to seguro do seu 
valor e da sua capacidade que chega a ser divertido ouvir suas opinies. O ciclotmico 
fleugmtico ao contrrio tende ao desalento,  modstia tmida,  falta de iniciativa e 
confiana em si mesmo e trata de humilhar-se, atribuir-se a culpa caindo facilmente em 
reaes depressivas. Tambm nos temperamentos esquizides a atitude perante a vida 
apresenta caratersticos diferentes, embora um tanto complexos para se explicar. Em geral 
muitos dos hiperestticos delicados no aguentam a intensidade mdia dos incidentes da 
vida comum, bastando um motivo banal ou uma contrariedade insignificante para ferir-lhes 
a alma, sentindo-se profundamente atacados e feridos. Por isto eles se inclinam a uma 
atitude astnica, aos sentimentos mais radicais de insuficincia e formao de complexos 
penosos. Tratam de fugir da vida real refugiando-se no reino da natureza inanimada ou de 
ideais e afees alheios ao mundo. Criam numa supercompensao um sentimento 
desproporcionado de amor prprio irritado e instvel que a cada instante ameaa em 
transformar-se numa derrota dolorosa. O efeito do estreitamento autista por seu lado, pela 
psicoestesia que a ressondncia aio psquica, a capacidade de sintonizar com as vivncias 
dos demais se extingue, subsistindo viva a ressonancia auto psquica, para os pensamentos 
e sentimentos prprios e semelhantes. Isto assume freqentemente formas realmente 
grotescas de presuno e endeusamento, de desprezo e indiferena para com os outros, de 
sensaes e aes estnicas extravagantes e desconsideradas. Estas no provm, como na 
atitude estnica do hipomanaco, de uma ingenuidade alegre e condescendente, mas 
surpreendem pela sua rudeza, seu fanatismo, sua brutalidade e displicncia. Por sua vez a 
atitude astnica do hiperestsico esquizotmico incorre com facilidade num ressentimento 
nervoso cheio de amargura e desconfiana em oposio a doce e benvola modstia e a 
pusilaminidade do ciclo tmico indolente.
Nos carteres notoriamente estnicos encontramos a mistura, a mais variada, de elementos 
prprios de hipomanacos ciclotmicos e fanticos esquizotmicos. Na psiquiatria clnica 
conhecem-se bem as relaes dos paranicos expansivos e litigiantes com a mania crnica 
de um lado, e com certos grupos paran ides (para frnicos) da esquzofrenia, e entre os 
sensitivos predominantemente astnicos que formam parte do grupo dos neurticos 
obsessivos e de referncia. Observamos s vezes afinidades constitucionais duplas do 
mesmo gnero, relacionadas de uma parte com os hiperestsicos esquizides delicados e de 
outra parte com os depressivos ciclotmicos.
Alm das atitudes este e astnicas existe uma terceira soluo bsica do problema: EU e o 
mundo exterior que equivale, nem a uma vitria, nem a uma derrota se no um encolher 
sobre si mesmo. Trata-se da atitude puramente autista de um corao que no quer 
compartilhar suas alegrias e suas penas com ningum. A psique se enclausura e se esconde 
para se preservar das inclemncias do ambiente e se entrega em plena viglia a sonhos 
agradveis e perspetivas encantadoras ou grandiosas sem luta e sem oposio. Ou ento ela 
se atormenta com quimeras da sua prpria inveno. Isto  um privilgio dos esquizides 
indolentes e pouco impulsivos, na base de um temperamento integrado, em parte ao menos, 
pelas qualidades j enumeradas.
O Desenvolvimento Expansivo
No  preciso dizer que as reaes, estnicas, astnicas e puramente autistas adaptadas aos 
estmulos do meio se cruzam e acentuam em todos os sentidos possveis.  sabido que os 
pesados escrpulos astnicos ao cabo de certo tempo e quando a tenso efetiva alcana 
certo ponto, podem descarregar-se violentamente em atos ofensivos e que o hiperestsico 
delicado se recolhe numa atitude de resignao autista pura.
As reaes primitivas e as reaes individuais so freqentemente entrelaadas. Uma 
impresso pode passar por um complicado perodo de desenvolvimento, desaparecer como 
num curto-circuito da superfcie psquica emergindo de repente num sintoma histrico, num 
tique ou num transtorno locomotor, num lugar diferente. Ou ento, depois de evoluir dentro 
da personalidade o estmulo psquico pode acabar, por reao, chegando ao seu fim.
Uma jovem camponesa, rica, orgulhosa e fechada em si (VILLINGER, 1920) depois de ter 
mantido relaes com um prisioneiro de guerra russo, matou a criana recm-nascida e foi 
presa. Em poucos dias ela transforma essa situao insuportvel para seu orgulho e sua 
natureza forte em oraes noturnas que assume um carter de luta at que seu corpo fosse 
coberto de suor vendo em suas alucinaes como o cu se abria para ela. Em seguida 
recuperou a sade, sua boa disposio e sua firmeza de carter.
Designamos reaes deste gnero com crises estnicas agudas; Elas so
raras, porque as naturezas fortes caem em tal estado excepcional somente sob
influncias exteriores excepcionais, numa sociedade de estrutura rgida.
Observam-se reaes astnicas sobretudo em pessoas calmas, fleugmticas e hiperestsicas. 
A cada choque elas caem num estado depressivo-nervoso sentindo-se cansadas, sem defesa 
e incapazes de raciocinar ativamente. Forma igualmente parte deste grupo as depresses 
reativas simples dos ciclides fleugmticos, assim como pertencem aos esquizides as 
crises nervosas e de mau humor ou os ataques de desespero.
O DESENVOLVIMENTO EXPANSIVO
Sob o ponto de vista psicolgico a evoluo psquica dos carteres
contrastantes desperta muito maior interesse quando a disposio estnica
sofre a influncia excitante de um intenso plo astnico oposto ou vice-versa.
Encontramos os melhores exemplos do desenvolvimento expansivo no domnio da 
paranica nos querelantes e em certos casos de mania de cime e de delrio de 
perseguio. Encontramos nestes casos uma sensibilidade pronunciadamente estnica: 
naturezas combativas de tenacidade fantica, colrica e agressiva, sem contemplao e um 
amor prprio excessivo e insultante. Ao aprofundar esta anlise encontramos no fundo um 
ponto vulnervel, uma supersensibilidade nervosa, um poco escondido de sentimentos de 
insuficincia j antigo. Quando o amor prprio se mostra muito exagerado e a ofensiva 
contra os demais especialmente afiada e amargurada, devemos procurar os complexos 
astnicos nas profundezas: uma ferida moral no cicatrizada, que deixou um sentimento 
punvel de impotncia e vergonha, um ressentimento, um defeito oculto, uma derrota na 
luta pela vida ou um medo de ser derrotado. As naturezas puramente estnicas se mantm 
tranqilas e seguras de si mesmo e sem nervosidade, firmadas em si mesmo at na luta.
204        Reaes da Personalidade
Na presena porm de uma ofensiva desmedida contra o mundo exterior devemos suspeitar 
de uma hipercoznpensaao, uma espinha astnica cravada na sensibilidade estnica.
O professor Wagner (GAUPP, 1914) exteriormente um homem de excessivo amor 
prprio, brutalmente depreciativo e desenhoso contra os outros, tramava durante muitos 
anos planos de vigana terrveis contra o municpio de Muehlhausen de cujos habitantes 
supunha que tivessem conspurcado seu nome por vis calnias. Numa noite no ano de 1913 
ele ataca o lugarejo desprevenido armado at os dentes incendiando casas e matando a 
todos que encontrava no seu caminho. Sentia-se uma espcie de Messias (como revelaram 
suas poesias dramticas) executor do castigo contra a torpeza do mundo, o superhomem 
perse guido. A anlise psicolgica revelou que cometera em 1901 neste mesmo lugarejo um 
ato de sodomia do qual resultou um delrio de referncia acompanhado de vivos remorsos. 
Imaginava que todo mundo soubesse da sua falta, que falavam nas suas costas, tecendo 
comentrios. Onde quer que ele fosse os ataques maliciosos eram os mesmos provando 
assim que os habitantes de Muehlhausen tinham j espalhado seus boatos at ali.
Trata-se, sem dvida, de um caso tpico. Havia na raiz mais profunda um complexo de 
derrota e profundo sentimento de culpa. No decorrer de dezenas de anos criou-se dentro de 
sua personalidade numa espcie de supercompensao toda uma rede de idias de grandeza, 
de dio e de vingana, uma irritao sem limites do amor prprio e de uma atitude estnica 
feroz frente  vida. Alguns delrios de cimes, brutais e perigosos, dos alcolicos 
descansam igualmente num sentimento latente de sua culpabilidade perante a mulher e de 
sua impotncia sexual. O mesmo se d com a agressividade moral intolerante e fantica de 
alguns fundadores de seitas e apstolos da natureza derivada de escrpulos estenicainente 
hipercompensados, devido a um pecado de juventude (onanismo, etc.).
Em muitos casos basta a experincia da ofensa do prprio direito, sem sentimento pessoal 
de culpa, para desencadear atos expansivos. A luta pelo direito no apresenta exemplo mais 
comovente do que o da luta sangrenta e prolongada do comerciante berlinense Kohlhase 
(Michael Kohlhaas da novela de KLEIST) travada de 1532 a 1540.
Ao dirigir-se em outubro de 1532  Feira de Leipzig, Kohlhase teve um desentendi mento 
com subordinados do Junker saxo von Zeschwitz que lhe seqestraram 2 cavalos 
exigindo para sua devoluo a importncia de 5 groschen por despesa de forragem, o que 
ele recusou-se a pagar. A interveno do Gro duque de Brandenburgo ao qual Kohlhase 
recorreu por ser seu soberano, no surtiu efeito. Entrementes os cavalos morreram e no 
processo o comerciante perdeu toda sua fortuna. D ento, segundo o costume da poca, a 
enviar uma carta de desafio a von Zeschwitz e outra ao Grande Eleitor da Saxnia, que se 
intrometera nas discusses. Passou ento, desde 1535 a atravessar a Saxnia, devastando e 
incendiando o pas durante quatro anos. Tambm Iutero tentou em vo a aplacar o 
revoltoso, mas este continuou na sua obra devastadora at ser preso pelo Grande Eleitor 
Joaquim, sendo lanado no crcere e por fim executado na roda.
A recusa de pagar 5 mseros groschen de multa deu origem a uma guerra com dois dos mais 
poderosos prncipes do Santo Imprio, tal o tipo das graves gestaes expansivas. Uma 
pequena pedra arrasta na sua queda um nmero cada vez maior de pedras. Um paranico 
expansivo, uma vez niciada a reao, no descansa mais, pondo em movimento um nmero 
cada vez maior de pessoas at seu prprio aniquilamento e o dos que o rodeiam.
Em tais casos intervm s vezes o ressentimento prprio das classes inferiores como se 
observa nos delrios litigantes, como  o caso de certos pensionistas que recorrendo de 
instncia a instncia, transformam um caso
e
O Desenvolvimento Sensitivo 205
burocrtico no seu verdadeiro sentido de vida, dedicando-se a ele de corpo e alma, 
negligenciando o resto. Chefes de partido, sufragistas, chefes de povos oprimidos e de 
classes sociais, defensores de direitos ofendidos se empenham numa luta sem quartel sob o 
domnio das suas idias supervalorizadas, num desenvolvimento puramente expansivo, 
vivendo somente de e para a luta irrefreada contra o mundo que os rodeia. Notamos 
ressentimentos e sentimentos de insuficincia em uns, vemos em outros apenas a luta pelo 
direito em si. No fundo psquico porm abriga-se lembranas de experincias mais ntimas 
que proporcionam parte de sua energia s aspiraes gerais tendo s vezes importncia para 
a intensidade do esforo afetivo.
Em casos mais benignos, as reaes expansivas a estmulos psquicos so
passageiras, como acontece nas neuroses de guerra, que desaparecem sob
condies mais favorveis.
O DESENVOLVIMENTO SENSITIVO
Os tipos de reao sensitiva representam o contrapolo dos expansivos. A orientao geral 
da atitude frente  vida  astnica mas com forte oposio do plo estnico. As pessoas 
inclinadas a tais reaes apresentam por um lado uma extraordinria brandura afetiva, 
debilidade de carter e grande vulnerabilidade e do outro certas tendncias de ambio e 
tenacidade consciente. Sua vida afetiva  muito reservada, escondendo seus sentimentos no 
fundo da alma, sempre em constante tenso. Sua introspeco e autocrtica so 
desenvolvidas, possuem uma moral escrupulosa e um verdadeiro altrusmo. Trata-se de 
pessoas srias de aspecto tmido e modesto. Quanto  sua constituio so do tipo 
hiperestsico esquizotmico delicado com uma mistura de brandura, fleugmtica ciclotmica 
e benevolncia altrusta. Como todos os hiperestsicos esquizotmicos, so propensos a 
transtornos de conduta porque sua sensibilidade extrema se ope s impresses procedentes 
do exterior, tendo Qualidades estnicas tais como: orgulho e ambio impedem que o 
indivduo uma xtase afetiva fcil, traduzida em retenes afetivas ou idias fixas ou seja 
em formaes conscientes de complexos. Guardam durante meses e at anos uma 
impresso penosa, que no podem nem esquecer, nem exprimir, e que persiste sempre em 
torturante nitidez no ponto visual da sua conscincia. O vivo contraste entre os plos 
estnicos e astnico determinam o modo subjetivo especial de adquirir estas complexas 
formas de experincia. Qualidades estnicas tais como: orgulho e ambio impedem que o 
indivduo se deixe arrastar a uma resignao depressiva e apesar dos seus sentimentos de 
insuficincia o incitam a lutar contra a impresso que o tortura. Nestes indivduos astnicos 
delicados, o vrtice do estado afetivo criado por esta impresso se dirige sempre para 
dentro e contra ele mesmo. A resposta tpica dos sensitivos ao estmulo psquico consiste 
em atormentar-se, em dirigir censuras, em inventar escrpulos morais enquanto que os tipos 
expansivos
reagem habitualmente atacando de fora, e censurando a quem os rodeia.
A experincia-chave para o tipo de reao sensitiva  a insuficincia vergonhosa da 
derrota tica. Se o estmulo psquico  muito forte ou a constituio fraca e lbil ele no se 
limita  simples tortura mental que o prprio indivduo se inflinge, mas a energia afetiva do 
complexo retido se manifesta secundariamente, j indicada na psicologia normal e na
206        Reaes da Personalidade
psico-patologia, sob as formas principais de delrio sensitivo de referncia
e neurose obsessiva.
Quando a presso psquica interna que a experincia retida exerce, chega a um determinado 
nvel, ela conduz regularmente  projeo afetiva. O sensitivo v ento o mundo exterior 
somente atravs do prisma emocional com o qual somente ele se atormenta, persuadindo-se 
que sua vergonha  de domnio pblico e que todo mundo esteja ao par da sua desgraa, 
olhando-o de um modo estranho evitando-o, fazendo pouco dele. Nas conversas mais 
comuns e at nos jornais ele descobre aluses maliciosas  sua pessoa. Este sentimento de 
referncia baseado em complexos internos de insuficincia (num grau menor tambm num 
amor prprio exagerado)  levemente normal como atitude psquica. Quando se agrava, 
porm, ele cresce de um modo paranico convertendo-se em grave delrio de referncia 
na base de complexos de insuficincia, s vezes com a formao de um sjstema de amplas 
ramificaes ingenuamente combinadas. (De acordo com sua estrutura numa base 
constitucional em parte esquizide-hiperestnica encontramos reaes e momentos de 
desenvolvimento sensitivos nos processos de esquizofrenia que levam  idiotice que tem 
seu incio nas ramificaes psicolgicas. Entre ambos os extremos encontram-se as 
neuroses de referncia leves e s vezes passageiras que o mdico prtico encontra a 
mide.
As reaes sensitivas tm pontos de partida tpicos especialmente apropriados para criar u 
impresso de insuficincia vergonhosa. Figuram aqui tambm em primeiro lugar 
complexos sexuais, e antes de tudo a masturbao praticada em segredo e  em vo 
combatida apesar de um grande desgaste de energia moral, fonte constante de um 
sentimento de derrota moral inconfessvel.
Isto d origem a uma combinao singular de hipocondria, idias sensitivas de referncia 
depresso e nervosidade geral; a hipocondria, conforme tivemos oportunidade de ver,  
freqentemente uma forma disfarada de escrpulos morais. Atendemos alguns jovens que 
se queixaram de molstias nervosas gerais, ou orgnicas visto que seu semblante 
apresentava vestgios de grande angstia e tenso interna. Interrogados a fundo eles 
confessam que se masturbam e vivem obsecados pela idia de sofrerem da medula, 
alegando que tm olheiras e que todo mundo repara nisto. Partindo destes sentimentos 
hipocondracos de referncia ligeiros, muito difundidos e pouco especficos dos 
masturbadores chega-se a graves enfermidades paranicas com um delrio de referncia j 
sistematizado.
Um maquinista de trem, solteiro, que se masturbava com freqncia fez uma declarao 
de amor  sua cunhada e foi repelido. Comeou a imaginar-se que seus colegas o espiavam 
de noite atravs da janela e sua mala mostrava vestigios de ter sido violada quando seus 
colegas tentavam encontrar manchas de esperma em sua roupa e livros pornogrficos. 
Ouviu cada instante referncias imaginrias cio seu irmo relativas  sua declarao de 
amor repelida e observaes cnicas dos colegas referente  sua masturbao. Retirou-se 
magoado da convivncia de todos, sentindo-se trado e ridicularizado por todos. Seu delrio 
aumentava durante um ano inteiro, ao fim do qual tentou o suicdio que serviu para 
descarregar sua tenso afetiva e abrir-se ao mdico.
Outro ponto de partida tpico  o amor tardio das solteironas que ao chegarem  menopausa 
toma conta dessas mulheres em forma de uma super exitao ertica involuntria fazendo 
que se aproximassem de homens mais jovens ou casados. Trata-se de um arrebatamento 
que elas no sabem
O Desenvolvimento Sensitivo 207
reprimir e ao qual no podem dar livre curso, consumindo assim todas as suas energias 
morais, fracassando uma ou outra vez criando neuroses e formas paranicas de delrios de 
referncia muito parecidas com as j mencionadas.
Mais complicada e difcil de compreender que o delrio de referncias 
a neurose obsessiva. Certos mecanismos psquicos profundos cooperam com
a elaborao perceptvel da personalidade que entram em atividade pela
atuao de retenes e complexos anlogos e da insuficincia moral humilhante.
Em mais de um sentido so tambm tipos parecidos de personalidade sensitiva
aqueles que se sentem propensos a este gnero de neurose.
Assim como nas neuroses de referncia e com mais clareza pode-se observar que a 
estrutura complexa do carter se baseia geneticamente nas disposies biolgicas 
elementares. Certa predisposio a um sentimento moral refinado se associa s 
componentes do temperamento esquizotmico-hiperestsico ou do tipo ciclo-fleugmtico e 
sobretudo  combinao de um com outro, enquanto que uma capacidade mais ou menos 
grande de resistncia  dor constitui a premissa de toda simpatia altrusta profunda ou do 
domnio profundo que cada um exerce sobre seus prprios movimentos psquicos.
Em muitos neurticos obsessivos e nos sensitivos junta-se a isto um elemento especial e 
caraterstico da constituio que consiste numa anomalia fortemente contrastante do 
instinto sexual de forma quantitativa ou qualitativa.  surpreendente ver o grande nmero 
de doentes de neuroses de referncia ou obsessiva que falam de um instinto sexual muito 
intenso e to precoce que j nos primeiros anos de escola os levava  prtica de 
masturbao excessiva, com aventuras amorosas pueris, pensando em obscenidades sexuais 
e a presenci-las com curiosidade. Outras vezes encontramos neles evidentes impulsos 
perversos secundrios, especialmente de carter sdico-masoquista e homossexual, 
constituindo o ponto de partida de certos mecanismos obsessivos enquanto outros parecem 
ser meros acidentes anamnsicos, como por exemplo:
A pacietne Se interessara desde a idade de 6 anos intensivamente pela matana de porcos 
presenciada com susto de incio e mais tarde acompanhado do desejo de ser sacrificada ela 
prpria. Causava-lhe uma impresso agradvel ver como os porcos se deitavam suavemente 
de lado ao morrer (componente masoquista).
Tais elementos impulsivos secundrios imorais do genotipo agem s vezes como um 
aguilho sobre os freios normais dos impulsos e determinam sua hipertrofia. Formam-se na 
personalidade total sobre-compensaes ticas enormes, que servem de slido anteparo 
contra os impulsos sexuais exagerados e perversos. Isto se traduz numa exatido curiosa, 
escrupulosidade e num fingimento que, em casos favorveis d margem a uma verdadeira 
hipertrofia moral, fazendo com que estes indivduos se tornem elementos de grande valor 
social, respeitveis e altrustas. Em geral porm, este tipo exagerado de supermoral serve 
para dar livre curso a tendncias torturantes contra si e os outros com efeito til reduzido.
Algumas neuroses obsessivas evoluem como segue: Um forte impulso nascido da 
disposio sexual anmala, com tendncia  masturbao, a pensar e falar de obcenidades 
ou em cenas cruis e volutuosas imaginrias se impem repetidamente  conscincia da 
personalidade total em virtude dos seus vnculos constitucionais, sendo repelido uma ou 
outra vez com energia adequada. A ambivalncia normal das representaes sexuais 
alcana intensidades extraordinrias devido a esta oposio violenta entre os dois plos
da personalidade. Derivam-se desta ambivalncia extremada, como no pensamento do 
homem primitivo, formaes de tabu, um intenso temor a todo contacto pessoal, ou 
psquico, uma rede cada vez mais intrincada de preceitos, proibies, cerimnias, normas 
de purificao e penitncia. Uma palavra ou um pensamento obceno se impe  fantasia do 
neurtico obsessivo. Para combater este impulso criam-se palavras substitutivas, aes 
antagnicas, movimentos-simbolos de defesa, castigos voluntrios e da se passa pouco a 
pouco a cerimnias constantemente renovadas ou por fim movimentos novos como o 
impulso de se lavar, o cerimonial de ir para a cama ou de vestir a roupa e finalmente na 
idia oscilante entre o desejo e o medo que faz com que o neurtico obsessivo rodeie seus 
atos de um ritual quase religioso e impenetrvel como de um chefe venerado e temido de 
uma tribo selvagem. A contradio constante que existe entre os impulsos reprovados e os 
preceitos de ordem moral e religiosa cria tambm associaes slidas por contraste entre 
representaes obcenas e sagradas; o neurtico sente-se s vezes, por grande desespero seu 
irresistivelmente impelido para as blasfmias as mais atrozes em meio s cerimnias mais 
solenes da igreja. Por conseguinte, existe nas representaes obsessivas uma espcie de 
transao com o qual o impulso  repelido ou se efetua de uma forma mais atenuada. No 
sabemos se todas as neuroses obsessivas seguem esta mesma evoluo, mas  certo que 
alguns pacientes nos revelam deste modo o desenvolvimento do seu processo.
Ao lado das cerimnias primitivas do tabu a neurose obsessiva utiliza em abundncia 
mecanismos hiponicos como os de translado e simbolizao que so inteiramente anlogas 
quelas da esquizofrenia. O impulso para as ablaes, to difundido, pode representar a 
transiao de sentimentos de
contaminao (por onanismo, etc.) a outros inofensivos . A presso psquica interna rebenta 
do lado mais fraco.
Trata-se de uma simbolizao ntida de uma neurose obsessiva. A conversa com a amiga 
proporciona o pretexto para que a tentao sexual que minava a paciente por dentro se 
transformasse em smbolo mitolgico de tempos remotos. Os violentos esforos de livrar-se 
da serpente provm da sua luta v com a prpria sexualidade, representada pela serpente. 
Assim a reao individual inicialmente pura, de uma vivncia dentro da personalidade salta, 
 medida que a tenso efetiva aumenta, o estrato hipnico, pondo em marcha mecanismos 
autnomos no acessveis s elaboraes da personalidade total.
No devemos esquecer que os complexos e efeitos das experincias internas
no explicam todos os fenmenos da neurose obsessiva, e devemos supor a
existncia de um aparelho de associao anormal e congnito, capaz de orientar
208
Reaes da Personalidade
Uma jovem piedosa ama em silncio e apaixonadamente um jovem inontanhez. Este, que 
no se d Conta disto, muda de 1ugar e no h nenhuma conversa entre os dois. Sua 
excitao sexual chega a um tal paroxismo que abrange pai e irmo e que ela tem a 
impresso que se entregaria a quem passasse por perto. Ajudada pela sua religiosidade 
ela tenta combater as ms idias, porm em vo. Quer internar-se num convento. Nesta 
poca ela encontra uma amiga que gostaria de ser enfermeira mas que achava que poderia 
renunciar  vida sexual. Nesta conexo ela menciona o pecado original e a tentao da 
serpente no paraso e disse que o critrio do Bem e do Mal no era seno uma aluso 
velada que Ado e Eva mantiveram relaes sexuais antes que Deus lhes tivesse permitido. 
Pouco depois, aps uma noite de insnia a paciente  acometida de fortes vmitos e desde 
ento se convence que tivesse uma serpente no corpo, que sentia s vezes com uma nitidez 
alucinatria na garganta, sem poder p-la para fora.
Realizaes Autistas de Desejos        209
os efeitos das experincias psquicas nas direes indicadas. Da o resultado pouco 
satisfatrio da psicoterapia.
REALIZAES AUTISTAS DE DESEJOS
Encontramos com freqncia, j em algumas reaes primitivas, cerus mecanismos 
catatmicos por meio dos quais o indivduo num estado anlogo de sonho ou delrio v 
realizados suas aspiraes e seus receios. Assim acontece nas fantasias delirantes dos 
degenerados e dos presos (BIRNBAUM, 1908) e os estados crepusculares histricos que 
fazem com que o paciente reviva a situao almejada.
Uma mulher casada, sem filhos, e infeliz no seu casamento amava seu cunhado. Este 
estado com todas suas complicaes levou-a a um estado crepuscular histrico. Numa das 
suas crises viu-se salvando seu filho de uma casa em chamas, apertando-a contra o peito. 
Numa outa crise viveu uma cena num cemitio, assistiu ao enterro de uma pessoa ou 
parente que lhe era indiferente. Seu prprio marido no estava em parte nenhuma, mas a 
paciente estava sentada ao lado do cunhado, bebendo cerveja.
No estado crepuscular viu realizado seu desejo de ter um filho, num outro via-se livre do 
marido, sentada ao lado do irmo dele (observamos aqui o mecanismo do sonho de uma 
figura sobreposta: no caixo onde se concentra o acento afetivo da situao e onde deveria 
ter imaginado o marido ela v apenas uma figura secundria, substituindo-o, o que atenua o 
que h de imoral num sonho transparente quanto ao resto).
Aqui a realizao dos desejos autistas nos interessa at o ponto onde se relacionam com o 
desenvolvimento da personalidade. Encontramos na parania crnica ao lado das reaes 
expansivas e sensitivas a realizao autista do sonho como terceira componente no delrio 
amoroso crnico.
Uma jovem, aplicada e calma, que no se mete na vida dos outros, encontra na fbrica 
onde trabalha um capataz que lhe agrada. Cada olhar dele  para ela um sinal de amor. 
Quando ele muda do lugar onde trabalha, ela fica convencida que ele voltar para casar 
com ela. Nesta imaginao ela vive feliz durante alguns anos que nem uma noiva sem 
precisar de nenhuma confirmao, e nenhuma influncia externa a perturba.
Trata-se aqui de um mecanismo muito simples e direto, que se diferencia quantitativamente 
somente da disposio psquica dos namorados normais. Em outros casos de delrio 
amoroso se encontra, ao lado da satisfao autista dos prprios desejos, de naturezas calmas 
e ensimesmadas, a repercusso de graves revezes e desiluses, ou ento um vivo 
ressentimento de solteironas rejeitadas que pode exaltar-se at a perseguio implacvel do 
homem amado, importunando-o, alm de proposies e ameaas de suicdio, calnias 
maliciosas de ndole sexual e reivindicaes legais. As comadres intrigantes e as que 
escrevem cartas annimas que do s suas fantasias e ressentimentos sexuais se 
desenvolvem nesta base. Inventam e propagam calnias sobre todos e especialmente sobre 
aqueles que vivem felizes. Isto se transforma num contedo da vida.
Descrevemos em seguida outra modalidade de desvio de formao substituta autista:
Este belo exemplo psicolgico nos mostra que um afeto muito forte pode transferir-se de A 
para o substituto B, sendo que o afeto B continua sendo A s podendo ser influenciado e 
eliminado por este. Nosso campons cria para seu amor infeliz uma felicidade 
substtutiva primeiro pensando que a primeira moa casaria com ele; segundo, ele cria o 
substituto na figura da outra moa que o rejeita e finalmente encontra uma compensao 
pelo seu amor, passando e repassando frente ao bar automtico.
Este caso patolgico  o exemplo fiel da evoluo psicolgica normal das tendncias 
desiderativas crnicas dentro da sua personalidade. Um funcionrio ambicioso que se 
encontra no fm da sua carreira se torna um querelante expansivo ou um misogneo 
sensitivo que se tortura a si mesmo. Ou, ento ele cria a figura substituta de felicidade, 
convencendo-se que a vida calma do interior  prefervel ao gabinete de um ministro.
So estes os trs caminhos principais da gesto reativa atravs da personalidade. Existem 
at mdicos atacados de grave tuberculose que, na fase final da doena, pouco antes de 
morrer forjam planos de casamento. De tal maneira a tendncia do desejo  capaz de 
transtornar o pensamento e a ao de uma pessoa, regida pelo instinto da autoconservao. 
Conhecimentos e experincia de nada valem, o que prevalece  o desejo. Tal felicidade 
substitutiva, tais artifcios catatmicos constituem para muitos um apoio precioso e 
insubstituvel para suportar a sorte, para dissimular e aliviar habilmente a brutalidade da 
vida real, uma regulao biolgica sensata. Ningum  capaz de perturbar este auxlio de 
um modo mais brutal e intil do que o mdico com suas diagnoses e avisos de meras 
suposies, quando se trata da vida ou da morte do seu paciente.
Nas religies muitas realizaes autistas de desejos se cristalizaram em sistemas fixos de 
mitos e dogmas. A f na imortalidade pode ser interpretada
como uma superao catatmica da certeza real da morte,  o paraso a
felicidade que substitui todos os desejos no realizados durante a vida, e a idia do inferno, 
responderia ao ressentimento e necessidade de justia do homem primitivo. A mitologia de 
cada povo pinta o paraso com suas cores locais que caracterizam exatamente seus desejos e 
suas aspiraes particulares.
210
Reaes da Personalidade
Conheci um campons velho e muito trabalhador que acreditava que a moa que ele amara 
em vo, voltaria um belo dia para sua companhia. Quando ele v os filhos dela correndo 
pela rua ele diz: De quem so estas crianas? no so dela, mas sim de algum parente. 
Nada o demove desta idia. Mais tarde ele se enamorou de outra moa, sua empre gada, 
que se mudou para a cidade e trabalhava num bar automtico. Todos os dias ele em 
preendia a longa viagem de trem de sua aldeia para passar em frente ao bar, sem entretanto 
v-la, pois ela se recusava em encontrar-se com ele. Depois desta viagem ele se sentia 
aliviado, Ao conselho da sua me, sua antiga namorada lhe escreveu, pedindo que desistisse 
dessas viagens absurdas, contando-lhe que ela mesma j se casara h anos. Que ele se 
acalmasse e se conformasse com seu destino. Desde que recebera esta carta ele desistiu das 
suas viagens para ver a namorada substituta (E. KRETSCHMER, 1966).
O PsicoBiograma        211
O PSICO-BIOGRAMA
para a pesquisa de tipos diferenciais, psicolgicos, criminolgicos e psiquitricos.
Nome:        Diagnose
Idade:        a)        Constituio corporal
Profisso:        b)        Tipo de temperamento
c)        Tipo social
Data do exame (dia)
A. HEREDITARIEDADE
(pequena rvore genealgica, diagrama de parentesco).
li. CURVA DA VIDA
1. constante
2. lbil reativa
3. periodicamente endgena, ciclide, epleptide
4. Mudanas durveis (aos pulos) em fases da vida, puberdade, involuo, mudana de 
aspecto
5. Evoluo para cima, inalterada, evoluo para baixo do nvel da personalidade
Infncia:
Puberdade: precoce, normal, atrasada turbulenta, normal, irregular
Involuo: precoce, normal, atrasada
Molstias climatricas: depf hipocondracas, neurastnicas, histricas indicaes de 
paranica
Psicoses e neurosas: passadas ou atuais ainda
(inclusive neurose de recluso, estados afetivos-alcolicos e crepusculares)
Outros dados significantes:
mudana de emprego (repetida), registro penal, conflitos familiares, conflitos sexuais, 
deslises
sexuais, alcoolismo (outras manias) viagens, aventuras, etc.
214        Reaes da Personalidade
3. Hiperestnicos
delicado, retrado, irritadio, nervoso, idealista
EPILEPTIDE
4. Anestsico
FRIO, NERVOSO, ESQUISITO, MISANTROPO,
indolente, pobre de afetos, vadio sem reao
ESQUIZIDE { 5. Explosivo
6. Viscoso (enequtico)
Temperamento sob forma normal ou psicoptica
Forma mixta.
ripos Especiais Anormais
Psicopatias 1) cicldides, 2) esquizides
3. Caratersticos explosivos epileptides
grosseiro, brutal, mau humor tenso, iracundo explosivo, tendncia para graves crises 
afetivas, alcoolismo, intolerncia contra lcool estados alcolicos patolgicos, ataques 
epilticos, estados profundos crepusculares, fugas reativas.
Carter epiltico: pegajoso, intimidade grosseira, adocicado, complicado, pedante, 
egocntrico.
4. Caratersticos Histricos
Afeto superficial, rpido, lbil, ligao fcil de afetos hipoblicos, hiponicos, reflexivos e 
vegetativo-nervosos. (espasmos e crises afetivas, desmaios, estados crepusculares e 
onricos, tremores, sintomas vaso-motores), sugestibilidade aumentada, voluntariosidade 
caprichosa, pouca memria fiel, tendncia para fingimento, teatralidade, coquetismo. 
Trapaa inata,
mentiras, inclinado a fazer projetos, exagero fantasia intrigas.
5. Caratersticos Paranicos
a) inclinao para desconfiana sentimentos de diminuio e cimes b) querelantismo, 
relaes sensitivas
c) idias de inventores, reformadores, sectrios, profetas
d) sndromes especiais paranicos de encarceramento
6. Caratersticos hipocondracos e de neurticos-impulsivos
7. Nervosidade simples ou psicopatia
D. VIDA VEGETATIVA
1. Tendncia para sono (freqncia, durao)
2. Tendncia para movimento: forte demais, fraco demais, tendncia para comodismo e 
relaxamento, atitude ativa-passiva.
O Psico-Biograma        215
3. Alimentao: desejo forte, mdio, fraco para alimentos e lquidos, prazei em comer, 
mania de comer, mudana de apetncia.
4. Auto consewa agressivo, ousado, irrefletido, corajoso, sangue frio, calmo, refletido, 
receioso, assustado, covarde, hipocondraco. Astuto, mal intencionado dado prudente.
5. Aquisio e Posse: material ou ideal nas atitudes perdulrio, generoso, econmico, 
avarento, possessivo, luxo.
6. Sexo: forte, mdio, fraco, desenvolvimento precoce, mdio, retardado
inibies sexuais fortes, mdias, fracas, irregulares. Apagamento precoce, mdio, retardado 
recato, cnico. Tendncia para impotncia, ejaculatio precpx, frigidade, e outroS distrbios 
no ato sexual. efesa, recalque, irradiao, cpula, atos viciosos, dilema. Tendncia para 
masturbao forte ou preferencial, prostituio. Recalques na evoluo: pouca firmeza na 
orientao do impulso sexual platonismo extremo com tendncia para afeto a distncia e 
sonhos irrealizveis.
Perverses:
Homossexualidade: total, componente lateral reforada, ativa-passiva. Infantilismos psico-
sexuais: exibicionismo, pedofilia, sodomia, fetichismo.
Componentes narcizsticas (auto-adorao): com tendncia ertica, vaidade, cuidados 
fsicos. Metatropismo: feminismo (no homem) masculinismo (na mulher) virago, homem 
efeminado, travesti Outras variantes de impulsos:
7. Sociabilidad.e: Intensidade (positiva-negativa), comunidade, geral-seletivo. Impulso de 
cuidar de outros, passivo (depende da famlia)
ativo: (maternalismo, etc.)
negativo: (protesto contra os pais, averso contra crianas) Auto-a firma ao: querncia do 
poder, ambicioso, luxo, mania de trato, ambio, ressentimento, impulso de crueldade 
(prejudicar, matar). Crueldade comum, brutalidade, ambio de mando corporal ou 
psquica, subordinao rasteira, prazer em agluentar e sofrer.
Maltrato de animais, delitos de crueldade, etc.
8. Domnio dos impulsos:
tolerncia contra fome, sede, carga muscular, e psquica (autodomnio,
fadiga).
E. ESTRUTURA COMPLEXA DO CARTER E ORIENTAO VITAL
1. Relao entre Impulso e Racionalismo na estrutura total
Reaes da Personalidade
Impulsivo com preponderncia: modo impulsivo, expresso afetiva ingnua e imediata. 
Tendncia para reaes primitivas, irritabilidade incontrolada, crises afetivas explosivas, 
comoes (raiva, medo), oscilaes de conscincia, (estados crepusculares, estupor, 
amnsia) pensamento e memria afetivamente condicionados recalque, fingimento, atos em 
curto-circuito, liberao dos impulsos, (esbanjamento, manias, excessos, atos de violncia, 
atos impulsivos de vingana, delitos sexuais).
Personalidade ingnua, resp. impulsiva primitiva
2.
Preponderncia da superestrutura do carter
Tendncia para o consciente, refletido, pensado, preparado a longo prazo, para o 
autodomnio, planejamento, prtico retenes resp. reserva. Personalidade que reflete 
(racionalmente com propsitos)
a) simples: estnico meio astnico
Numa orientao estnica: sentimento acentuado de superioridade em relao ao mundo 
exterior, da fora, atos e mando. Tendncia para supervalorizao de si mesmo, 
imaginao, atividade, desconsiderao, agressividade.
Numa orientao astnica: sentimento preponderante de inferioridade, de sofrimento, 
fraqueza, incapacidade, subdesenvolvido, depresso, tendncia para subestimar-se, 
modstia ceder aos outros medo da vida, medroso, insegurana na apresentao, 
passividade.
b) contrastante: expansivo-sensitivo
Expansivo: preponderadamente estnico com um contra-polo astnico (sentimentos ocultos 
de insuficincia, nervos  flor da pele). Tendncia para reaes de colorido estnico de 
complexos, reteno dos afetos, supercompensao, autoconscincia irritada, tomar a mal, 
imposio, melindres inesperados, ataques venenosos querelas contnuas, moral 
egocntrica, ressentimentos.
Sensitivos: preponderadamente astnicos com contra-polo estnico (ambio, aplicado, 
autoconscincia vulnervel). Tendncia para reaes de complexos de tonalidade astnica, 
sentimentos repentinos e fortes de insuficincia, desgosto de viver, auto-tortura, escrpulos 
de conscincia superexcitados, por motivos secundrios, sentimento de vergonha moral 
com idias relacionadas. Moralmente dotado de tato e refletindo.
c) Orientao na vida intermediria
conciliante, prtico, adaptvel, diluir-se no ambiente, no se sente
nenhum contacto entre o EU e o mundo exterior. (ciclotimia sintnica).
216
1.
3. Meio-termo dos dois a) misto b) contrastante
II. Orientao na Vida (EU e o mundo exterior).
Carter:
J (realista, idealista, misto, contrastante) 1 (extrovertido, autista, misto, contrastante)
O Psico-Biograrna        217
d)        Orienta& evasiva
tendncia para o no real, fico, auto-engano, simulao e representar um papel, 
teatralidade (fuga para doena) (ver histricos)
Tendncia para a ironia e a intriga.
F. ATITUDES SOCIAIS
1. Disposiao tica
egosta, altrusta, mista, contrastante. compaixo, impiedoso, invejoso, tendncia para 
calnia, tagarelice, maldade, laborioso, competente, boa vontade, meio, acomodado, 
indiferente, preguioso, passivo, associal, antessocial, independente, dependente, 
dependente, decidido, enrgico, vascilante, mole, influencivel, fraco de vontade.
Adaptvel, assimilvel, no influencivel, cabeudo, reticente. Capacidade-Incapacidade 
para a ordem, (colegialidade) e submisso (disciplina) querido, no querido, sugestivo, 
natureza de lder, senso familiar:
Tipos especiais com defeitos sociais
Mentecaptos morais, em geral, e especial.
a) mentirosos, trapaceiros, embusteiros, ladro contumaz.
b) vagabundo
c) pivete, extoro
d) prostitutas, caften  prtica comercial de aborto
e) criminosos sexuais (constituio sexual normal)
(perversos)
f) Criminosos por afeto, briguentos, delitos corporais, homicdio, resistncia, ameaas
g) outros delitos impulsivos: incendirio por instinto, cleptomanacos, etc.
h) crime grave premeditado, arrombadores, assassinos-ladres. Delitos ocasionais: pelo 
ambiente, por seduo, por casualidade, por convico.
2. Atitudes Religiosas: confisso, misticismo, embevecimento, carola, sectrio, 
supersticioso, pietistas, correto, fariseus, moralizantes, racionalistas, anti-religiosos, 
comunistas, material-monistas, simulantes.
rigoristas, intermedirios, ingnuos. Exigncias erticas, no exerccio da religio.
3. Atitudes Polticas
pensamento independente, estranho, subdito, cidado, consciente da sua classe social, 
dominador, ressentimentos polticos, individualista, conceito de vida social misto.
Fantico, intermedirio, indiferente
218        Reaes da Personalidade
herico, idealista, materialista, prtico, pequeno burgus
tradicionalista, mutvel, inquieto, revolucionrio
4. Interesses estticos e cientficos
reprodutivos? criadores?
Preferncia para a msica? (que gnero?)
preferncia para pintura, decorao, instalao, boa roupa?
preferncia para desenho, pintura, artes manuais, artesanato? preferncia para leitura: 
cientfica (que gnero?)
beletrista (de que modalidade?)
preferncia para escrever, artigos jornalsticos, poesia, declamao, discursos, teatro, 
talento para orador?
Passatempo predileto nas horas de lazer.
G. INTELIGNCIA
muito dotado? dotado? mdio? dbil, imbecil, idiota
MUITO DOTADO? DOTADO? MDIO? DBIL, imbecil, idiota Certificados escolares:
talento profissional (at agora) memria, capacidade de reteno tipo de concentrao
capacidade de crtica e julgamento capacidade de abstrao
idade de inteligncia talento terico
talento prtico
pessoa dirigida pelo raciocnio, sentimento, vontade tipo tico, acstico, motor.
eidtico?
em pessoas dotadas: tipo de pensamento: perceptivo, objetivo (ciclotmico), abstrato 
sistemtico (esquizotmico) sonhador-romntico (esquizotmico). cansa facilmente, 
persistente, inclinado a exerccios
fantasista, seco, cabea limpa ou no?
unilateral, multiforme, subjetivo, objetivo, neutro
original  banal, hbil, astuto, vivo, fleugmtico, pouco hbil ou prtico. Talento especial: 
lnguas, filosofia, matemtica, matrias visuais, descritivas,
Talento artstico:
talento psicomotor, manual, fora, tcnica talento de organizao.
Outras observaes referentes ao talento?
Resumo caraterstico da personalidade total.
O Psico-Biograma        219
H. EXAME ORGNICO
1. Medidas
Crdnio: Circunferncia horizontal Dimetro sagital
idem frontal idem vertical altura da face
largura da face, comprimento e largura do nariz
tndice: largura-comprimento do crnio
ndice Pignet
Altura:        Peso:
Volume: peito        antebrao
barriga        mo
quadril        barriga da perna
Comprimento: pernas        braos
Largura:        ombros        bacia
ndice peito-ombros
Diferena entre volume do peito e do quadril
II  Face e Crdnio: dobro do comprimento das pernas e altura do corpo
Forma do Crnio: alto, pcnico chato, pequeno redondo, cabea alta,
crnio ampliado, sem caratersticos.
Perfil: em ngulo, nariz comprido, hipoplstico, plcnico, sem caraterstico
Contorno da face: (frontal) em forma de escudo, pentgono chato,
oval, alto, oval encurtado, oval infantil, hept gono, sem caraterstico
Descrio detalhada:
a) frente, b) face central, c) nariz, d) queixo
III. Estrutura Corporal
Musculatura (relevo)        cintura escapular        extremidades
Ossos:        trax        mos e ps
Gordura        barriga        descrio
Pescoo        bacia
IV  Revestimento Piloso
Cabelo Genitalia Braos Sobrancelhas Axilas mos e ps barba barriga Descrio
torso
220        Reaes da Personalidade
V  Resultados de exames: endocrnico, vegetativo-nervoso, sexual, idade e raa
(ver III e LV)
a)        glndulas:
mamilas        testculos (ovrios)
tirido        anomalias sexuais
genitais
b) Sintomas visuais
(GRAEFE, ASCHNER, pupilas, fenda palpebral, etc.)
c) sintomas dos vasos cardacos
(estvel, lbil, freqncia a mais, a menos, cor das faces, dermografismo,
acrozianose, sintomas hipertireticos, etc.)
d) reflexos e tremores
e) Cor da pele e dos cabelos
f) Sintomas de secreo (suor, gordura)
g) qualidade da epiderme (Tugor, lisura, espessura, etc.)
h) outros resultados
i) tipo sexual: evidente, apagado, desviado
j) tipo de idade, de acordo, retardado, acelerado, precoce
k) Raa: acentos raciais (proporo, cor, cabelo, etc.)
VI. ] DE MUDANAS
No incio da pre-puberdade        no incio da obesidade
No incio da puberdade        no incio do emagrecimento
No incio da perturbao mental        no incio da determinadas doenac
(criminalidade)        graves
Ritmo de crescimento e datas na puberdade
(crescimento rpido ou retido)
Incio da involuo (climactrico, senilidade).
Vil. FATORES EXGENOS E NOCIVOS  PERSONALIDADE
(Sintomas de alcoolismo e manias, doenas luicas e metaluicas,
arterioesclerose, debilidade cerebral traumtica, leses cerebrais infantis.
Sintomas finos dienceflicos e extra-piramidais, distrbios neuro-hormonais.
Doenas e defeitos crnicos. (Resistncia corporal: forte, fraca, cansao
rpido, lento).
VIII. DIAGNOSES
pcnico
forte, magro
leptosomo        meio
astnico
atltica        esbelto, musculoso
mista        meio
Forma        pesado, pastoso
Orientao Psicolgica Geral        221
Dispistico: crescimento eunucide, outras formas de crescimento exagerado gigantismo, 
crescimento gorduroso eunucide, intersexual (masculino, feminino) Distrofia adiposo 
genital, acromegalide, infantil, hipoplstico, cretinide. anes, raquticos, dispiasias 
isoladas acumuladas e sinais de ausncias.
Estigmas isolados importantes:
Nota do Editor
O Psicobiograma data de 1923 e 1925. Na sua forma antiga era um questionrio que 
servia na Universidade de Tubingen para a pesquisa comparativa sistemtica de experimen 
tadores psicolgicos, doentes e pareceres. Da  lO edio o Psicobiograma fazia parte do 
livro, sendo eliminado mais tarde para uma nova reviso para a qual o autor no tinha 
tempo. Trata-se de um fato lamentvel, porque o questionrio representa a primeira e nica 
tentativa de uma sntese biolgica-psicolgica, relacionando de um lado a morfologia e 
patofisiologia, e do outro lado elementos da cincia do carter psiquiatricose da tipologia 
dos instintos, constituio e social. Achei conveniente incluir de novo o Psucibiograma 
depois de uma s-eformulao do temperamento do hbito atltico, melhorando o esquema. 
Devido ao seu grande volume no se presta bem para um questionrio dentro da rotina 
limitada da clnica e da prtica. Servir preferencialmente de guia do trabalho mdico-cien 
tfico e como fator estimulante e terreno.
APNDICE
SOBRE A PSICOTERAPIA - ORIENTAO PSICOLGICA GERAL
A Psicoterapia  uma das atividades principais no somente da neuro-psiquiatria mas do 
mdico em geral, seja ele especialista ou no. Em muitos casos apela-se ao mdico no 
tanto para obter o tratamento fsico indicado ou possvel, mas para ajudar o enfermo e sua 
famlia na luta contra a afetividade negativa que acompanha o curso da doena: angstia, 
hipocondria, preocupao, incerteza, desnimo, etc. O mdico exige uma grande parte das 
receitas e prescries de regimes para conseguir um sentimento de combatividade contra o 
destino e para livrar-se da impotncia que paralisa, ganhando uma pequena probabilidade 
de ganhar num jogo inseguro, lanando mo mesmo de meios desesperados, de tratamentos 
diversos, que se renovam constantemente, a iluso de que existe a possibilidade de lutar e 
vencer: em resumo, recorre-se ao mdico por necessidade catatmica compreensvel, assim 
como os povos primitivos recorrem aos mgicos e sacerdotes. O curandeiro mgico  o 
precursor do mdico. Se este no pode executar suas magias substituimo-lo pelo 
magnetopata ou pelo curandeiro milagroso. A magia  a forma primitiva e original da 
psicoterapia.
No depende do livre arbtrio do mdico de recorrer ou no  psicoterapia, mas est numa 
posio na qual, sob uma injuno catatmica todo mundo espera e recebe a psicoterapia. 
Ele age psicoterapeuticamente no por sua causa, mas sim, porque o cliente o exige. Age 
intensivamente no campo psquico, para o bem ou para o mal, o que depende unicamente 
dele.
222        Sobre a Psicoterapia
Aqui existem 2 pontos principais: Palavras irrefletidas perturbam a regulamentao 
catatmica. Somente em face de interesses maiores podemos, especialmente em casos de 
doenas graves, destruir as pequenas esperanas que sobram, cuja ao  superior  da 
morfina. Poucas pessoas suportam a verdade crua dita de forma direta, e muito menos os 
enfermos. Mesmo o diagnstico o mais pesado pode ser formulado de modo que sobre um 
pouco de esperana, e isto basta. Uma prognose cuidadosamente formulada embora 
desfavorvel serve tanto quanto uma infausta, mas causa menos danos.
Mais importante ainda  o segundo ponto: com palavras imprudentes provoca-se a doena. 
H designaes que o mdico deve guardar-se de pronunciar como se fossem venenos 
muito ativos, cncer, tuberculose, paralisia geral, pericardite e antes de tudo 
medula espinhal. Esta ltima palavra fere os doentes at a medula. Tambm a 
arterioesclerose deve ser usada com cuidado. A idia de sofrer deste mal pode suscitar 
um grave complexo em pessoas de idade, acostumadas ao trabalh e pode tornar-se crnica 
servindo de ponto de partida para estados hipocondracos depressivos que deixam as 
pessoas incapazes de trabalhar e gozar a vida, embora os sintomas objetivos sejam 
diminutos. Tambm a diagnose da Sfilis deve ser usada com cuidado perante pessoas 
nervosas e sensveis e somente quando a diagnose  inatacvel e a terapia e perigo de 
infeco o exigem. Usaremos somente de imagens patolgicas fortes quando se trata de 
abrir os olhos a pessoas robustas e pouco razoveis, incitando-as de cuidar da sade. Em 
caso contrrio usaremos de uma metfora. O mdico deve sempre ter em mente que falando 
aberta ou veladamente ele assume uma grande responsabilidade ao intervir na vida psquica 
do seu paciente sendo que o psquico repercute de um modo muito diverso no estado fsico 
do paciente.
A populao deve ser educada para um conceito razovel acerca das possibilidades e dos 
limites do poder do mdico. Mas aquele que devido s suas deficincias humanas se mostra 
somente ctico sem recorrer  terapia ver-se- rejeitado pelo pblico e com toda a razo. 
No se chama o mdico para que ele d de ombros. Por isto no deve receitar 
medicamentos de cuja eficcia no esteja convencido. Mesmo em casos desfavorveis se 
encontrar sempre um remdio que proporciona alvio e seja suficiente como ponto de 
contacto com a finalidade principal que consiste em cuidar dos regulamentos catatmicos do 
doente e daqueles que o rodeiam. Este  o melhor e mais aplicado sentido de Ut aliquid 
fiat.
De mais a mais, as atitudes psquicas com as quais o paciente procura o mdico so as mais 
diversas. Somente alguns deles pretendem de fato ser curados de uma doena fsica, ou 
encontrar calma e conselho para suas preocupaes hipocondracas nas palavras enrgicas e 
tranquilizadoras do mdico. Nem todos o querem assim e se lhes disssemos que seu mal 
no tem a mnima importncia eles no nos perdoariam. H mulheres que somente falam 
dos seus clculos biliares como se falassem dos seus filhos, consultando mdico aps 
mdico, para ouvir dizer que nunca encontrara um caso to grave, ou para falar do clebre 
Professor X que tambm no sabe desvendar este mistrio. O clculo biliar serve aqui de 
um modo ingnuo para valorizar a prpria pessoa por meio de algo que os outros no tm. 
Proporciona a uma personalidade banal e vulgar um certo relevo e representa para estes 
doentes o que a fortuna, a inteligncia e a nobreza representam para outros.
Trabalho e Lazer        223
Prescindimos aqui dos casos nos quais a doena real ou imaginria, no tem por nico 
objeto realar a prpria personalidade mas que serve sim, aberto e dissimuladamente para 
fins egostas no tratamento exterior do doente com sua mulher, seus superiores ou a 
companhia de seguros. Estes elementos teleolgicos podem criar por si mesmo simulaes 
e neuroses no domnio psquico, mas, o que  mais grave, podem infiltrar-se em qualquer 
doena fsica, prolongando e agravando-a e torn-lo o centro de ateno do paciente. Assim 
ele intensificar a dor, e impedir os movimentos assim como um transtorno funcional e 
objetivo do corao ou do estmago pode sofrer de uma piora psicognica pela medicao 
do sistema nervoso-vegetativo. A atitude psquica no  algo que se agrega de fora, aos 
sofrimentos fsicos, mas faz parte do quadro patolgico como elemento energtico.
TRABALHO E LAZER
Ao encontrar um doente psquico e nervoso muitos mdicos exclamam Precisa de 
repouso. Mas o primeiro pensamento deveria ser formulado de outra forma, em vez de 
procurar repouso o mdico deveria tratar de integr-lo na vida de trabalho. Repouso e 
trabalho tem cada um, seu tempo. Quem precisa de repouso,  o reconvalescente e os 
esgotados por excesso de trabalho ou de afetos. A extenuao porm tem que ser 
comprovada.  a primeira coisa etiologicamente exigida e tambm a primeira coisa que o 
mdico atesta. Na maioria dos casos que buscam o repouso, o motivo da doena  outro.  
um abuso chamar de esgotado a falta de um termo melhor, um homem que antes era 
capaz, que cumprira seus afazeres profissionais, sem sofrer de alguma sobrecarga excessiva 
no seu emprego.
Certas predisposies e certos empregos exigem imperiosamente por motivo de sade e 
recuperao fsica um perodo anual de frias regular. Isto se aplica a todas as pessoas: as 
nervosamente exaustas, as que executam um trabalho intelectual intenso, homens que 
vivem sob responsabilidades e afetos sempre tensos, os que vivem sob condies de higiene 
desfavorveis, especialmente os que se alimentam mal, que consomem muito lcool, tendo 
um horrio irregular ou aqueles que sendo bem dotados perdem seu tempo em uma 
ocupao montona, vulgar e no  altura das suas capacidades. Em geral, qualquer que 
seja a classe de trabalho, ela ganha em volume e qualidade depois de um repouso semanal, 
mensal ou anual dentro dos limites do razovel. Neste terreno o mdico deve fazer 
prevalecer seu voto contra o excesso oposto, contra aqueles que opinam com respeito a si 
mesmos, e seus usbordinados que trabalham o ano inteiro sem cessar, inclusive aos 
domingos, cumprindo assim o seu dever num rendimento mximo em qualidade e 
quantidade, segundo a opinio dos seus superiores. Os indivduos que apresentam uma 
hiperestesia psquica e sensorial, que j gastam muito afeto na sua vida diria sem libertar-
se dos seus complexos ptecisarn de um descanso regular com relaxamento completo e 
mudana de ambiente.
So rigorosamente contraindicados os perodos irregulares de repouso para os dois grupos 
seguintes: para os histricos e outros neurticos que tratam refugiar-se na doena e assim 
como para a maioria dos nervosos e psicopatas constitucionais, enquanto que deseja 
melhorar seu estado habitual permanente e no de reduzir anomalias especiais passageiras 
de certa importncia. A
Sobre a Psicoterapia
permanncia nas estncias e balnerios com seus banhos e tratamentos terpicos, dias bem 
aproveitadas entre refeies, descanso e conversas, assim como a ociosidade imposta 
constituem uma forma de tratamento capaz de transformar em pouco tempo um homem 
normal num preguioso e hipocondraco. Isto se aplica especialmente queles cuja 
disposio para o trabalho e desejo de recuperao no se encontram intatos. Uma 
permanncia em sanatrios, balnerios e locais de repouso, quando no penetrado do 
esprito enrgico da psicoterapia moderna, convm somente a duas categorias de pacientes 
psiconervosas: aos realmente esgotados e afetivamente atacados que se recuperam dentro 
de pouco tempo e para os irremediavelmente inadaptados  vida, degenerados graves ou 
esquizofrnicos com resduos diversos aos quais o internamento num sanatrio representa o 
substituto justificado de um refgio psquico que lhes faz falta. No so numerosos os 
estabelecimentos e sanatrios nos quais se trata com energia e inteligncia de recuperar os 
histricos e psicopatas para a vida em geral e para suas profisses em particular, 
aumentando sempre o nmero de pessoas interessadas nestes problemas.
Na recuperao exercida nos nossos dias h um outro fator importante, ela pode ameaar o 
paciente. Uns a temem porque so incapazes de abrir-se para valores internos, sentindo-se 
pouco a vontade sem seu trabalho de rotina e at depressivo, ou se atira nas atividades 
sociais que o repouso lhe proporciona. Em outros o descanso forado desvenda aquilo que a 
atividade rotineira encobrira at ento, exigncias no satisfeitas, inimizades, fraqueza de 
carter, etc. Os dias de fins de semana, feriados e frias oferecem as oportunidades para 
incentivar ou deflagrar insuficincias e conflitos humanos. Por isto o mdico no somente 
indagar do seu paciente se o trabalho lhe corre bem mas tambm e com especial carinho 
como passa suas horas de lazer.
PRINCPIOS BSICOS DA PSICOTERAPIA
Entende-se por psicoterapia a cura com recursos e mtodos psquicos. Ela pode ser aplicada 
em algumas doenas com sintomas psquicos, em transtornos fsicos funcionais e em 
afeces orgnicas que mostram tambm processos e causas psquicas. (Psicosomtica). 
Para o mdico crtico as indicaes e limites da psicoterapia resultam da experincia. As 
neuroses por exemplo exigem por princpio a psicoterapia, embora apaream disfaradas de 
afeces somticas (cardiopatia, gastropatia, transtornos ginecolgicos). Mesmo entre as 
doenas genuinamente orgnicas existem casos de lceras estomacais, asma, angiopatias, 
etc., que depois de terem sido aplicados inutilmente os mtodos comuns, se curam mediante 
a psicoterapia, ou por combinao de tratamento somtico e psquico.
No se trata mais de mtodos educacionais e de orientao mdica mas sim de mtodos 
todo especiais com a aplicao de uma tcnica baseada na experincia atrs da qual 
encontramos, especialmente na psicanlise, e outros sistemas da psicologia profunda uma 
teoria complicada de interpretao e sondagem da vida psquica e da sua estrutura 
sentimental e instintiva.
A atitude sectria de acreditar num mtodo s que ainda encontramos na psicoterapia e 
mais anda na psicoanlise e terapia de reflexos, se ope ao esprito da cincia e ao tos 
mdico e mostra apenas um zelo conceitual. Quem quiser entender e ajudar sabe que uma 
perspectiva no basta. Alm
Princpios Bsicos da Psicoterapia        225
desta predisposio isenta de preconceitos o psicoterapeuta precisa ter qualidades cara 
ctereo lgicas excepcionais. O tratamento analtico-psicolgico se reduz, como o 
psicaggico a uma questo de personalidade. Somente um homem forte e de corao aberto 
conseguir neste caminho resultados preciosos de cura.
Alm da psicoterapia metodicamente aplicada temos ainda o recurso dos problemas 
religiosos e dos modos de pensar na medida em que isto faz ainda parte da competncia 
mdica. O sentido profundo da orientao tica final  volte a ser tu mesmo, e mais ainda 
observar a lei de alienao resolver as contraes heternomas, desalojar falsos enganos, 
e intenes simuladas de adaptao, desenvolver as potncias e foras positivas j 
existentes no esboo, em suma, harmonizar a personalidade prpria em si mesma e com seu 
espao vital. A andlise estrutural da personalidade prpria da constituio, com seus 
temperamentos, tendncias e impulsos, assim como suas intenes anteriores de adaptao 
sociolgica seus ideais e finalidades ticas  to indispensvel aqui como a anlise das 
vivncias e dos efeitos do ambiente. A idia, que somente so acessveis a uma psicoterapia 
as influncias do meio, e a predisposio gentica se apresente como irrevogvel  errnea 
e nada biolgica, j que todo ser vivo  malevel e dinmico. Nas mos de um mdico 
reflexivo os caminhos que partem de ambos os pontos se encontram por si mesmos no 
centro, desde a personalidade prpria da constituio como desde a exigncia social. 
Somente conhecendo a fundo e ao admitir a correlao entre ambas as direes, o paciente 
pode ser bem orientado na ordem moral. Esta psicogogia ativa final  indispensvel para a 
maioria das pessoas, e no somente a anlise mas tambm, e por ltimo a liquidao dos 
complexos e tenses da vida interna em metas positivas adequadas na corrente vigorosa de 
uma existncia ativa ou, sobre um fundo mais remoto de GOETHE pelo eternamente 
atuante.
Segundo a nossa experincia o homem ocidental precisa de um impulso ativo visando 
metas justas e adaptadas ao mundo. Isto parece estar em contraste absoluto com a filosofia 
de vida dos hinds que se retiram, libertado de todo liame exterior para uma zona interior 
sacra de indiferena o Ihna. (LANGEN, 1963). Mesmo nas profundezas do ser humano 
podemos encontrar as ltimas polaridades. Existiam, no Ocidente, e especialmente num 
fundo religioso alguns grandes homens que sabiam reunir de um modo exemplar e 
representar estes dois aspectos. O clebre telogo do sculo VIII, J. A. BENGEL, o 
exprimiu e viveu de um modo excelente quando fala das Krypss animae do aconchego 
interior que cada um deveria carregar consigo, o que nos ajudaria no meio do tumulto dos 
piores tempos. Uma filosofia da vida polar to aprofundada somente poderia ser elaborada 
com pessoas profundamente interiorizadas e valorosas numa finalidade psicoteraputica.
Uma tabela nos dar uma viso geral dos mais importantes mtodos
psicoteraputicos. Vejam FRANKL (1957) e E. KRETSCHMER 1949).
1. Os Mtodos Sugestivos Elementares
1. a hipnose direta (SToRvIs 1955)
2. a hipnose ativa escalada (E. KRETSCHMER 1949)
1.
2.
Terapia de trabalho, terapia ocupacional, terapia de respirao, ginstica, etc.
Psicaggica e medidas educacionais simples
IV. Formaao da Personalidade
1. Construo da personalidade segundo as leis constitucionais bsicas e atividades (E. KR
2. Adaptao social (KUENKEL, 1935)
3. Anlise existencial (BISWANGER 1955, Boss 1957, Logoterapia (FRANKL 1956)
4. Solues arquetpicas de simbolos (JUNG 1946)
5. Orientaes finais religiosas (KUENKEL 1962, MADER 1957).
A TERAPIA ANALTICA PSICOLGICA
Na histria da anlise sistemtica psicolgica das doenas psquicas o mtodo de Fi ocupa 
um lugar de singular destaque. Apesar de inmeras e srias objees contra a psicanlise, 
apesar da sua unilateralidade assustadora e  medida no padro cientfico  leviandade e 
superficialidade de conceitos, sobram duas descobertas de grande valor que convidam para 
a meditao e para a experincia. 1. Atitudes e vivncias inconscientes podem ser supostas 
seguidas de outras por livre associao e a disparidade aparente pode ser superada por um 
significado mais profundo. Todo o resto  bastante problemtico e discutvel, como: a 
teoria da transferncia, a manipulao da resistncia, o ritual do div e outras coisas 
mais. Por este motivo e depois de aprofundados estudos retirei-me cada vez mais da 
psicanlise, fundindo alguns dos seus elementos em outros argumentos, reconhecendo que 
a teoria dos motivos deve ser complementada por uma cincia caractereolgica mais neutra 
e que o processo histrico-gentico deve ser completado por um processo projeto-ativo.
A assim chamada anlise leiga para a aprendizagem,  por mim rejeitada, vendo nela um 
grande perigo para a sade e moral popular. Pessoas nervosas e psiquicamente doentes 
podem ser analisadas cientificamente somente por mdicos especializados. Pessoas que no 
padecem de nenhum mal, no precisam ser analisadas. Entregar um mtodo de cura to 
delicado s mos de leigos, teria por conseqncia um curandeirismo psico-teraputico 
de
226
Sobre a Psicoterapia
II.
Os
1.
Mtodos Principais
2.
3.
4.
5.
Os mtodos analticos (FREUD, JUNO, ADLER)
Psicoterapia de Grupo (MoI 1959, SLAVSON 1956)
Mtodos prticos, treino autgeno
(SCHULTZ 1966, LUTHE, SCHULTZ W. KRETSCHMER 1971)
Mtodos padro de 2 bitolas (E. KRETSCHMER 1949)
Terapia de Reflexos (terapia de aprendizagem e conduta.
III.
Mtodos Auxiliares
Ginstica.
A Terapia Analtica Psicolgica        227
dimenses imprevisveis. O doente pode somente ser tratado pelo mdico,  esta tese  
inabalvel.
Alm disto a terapia analtica psicolgica possui um elevado valor tico desde que seja 
exercida por mdicos srios, com conhecimentos especializados e esprito crtico. Sob tais 
condies esta terapia serve para eliminar sintomas de doenas e proporcionar uma 
mudana profunda na personalidade ameaada. O fato em si de se proceder a um 
inventrio total da situao psquica geral causa efeitos benficos. Vasculhamos junto 
com o paciente seu balano psquico, mostramos seus meandros e os efeitos produzidos e 
acostumamo-lo a enfrentar a situao com calma e sangue frio. Procedemos com a mxima 
cautela. Em muitos casos de conflitos psquicos o fato de colocar  luz do dia as causas e 
conexes, j produz um sensvel alvio, e at mesmo uma recuperao especialmente 
quando reforamos no fim a anlise psicologicamente. Sempre haver efeitos laterais 
sugestivos. O efeito principal da cura de uma vivncias que indicam ao paciente, como 
marcos no caminho, a sua evoluo at esta data, que evidenciam claramente as linhas 
mestras do seu carter. Da resusta a correo das coisas distorcidas, a ortopedia da 
personalidade total sob orientao mdica.
Depois da reao primitiva, depois do inventrio conscencioso e elucidador do material 
vivencial poderemos usar um fator dinmico-afetivo alm dos efeitos sugestivos 
inevitveis. Isto  a transferncia positiva ou negativa elaborada por FREUD ao longo de 
um tratamento demorado que domina a anlise aparentemente to bem planejada no seu 
transcurso. Chama-se a isto de resistncia, O paciente deve projetar no mdico as 
imagens de pessoas importantes no seu relacionamento comportando-se com o mdico 
como o teria feito com estas pessoas. Assim desenvolve-se a problemtica do carter nesta 
relao pessoal direta. O princpio teraputico  ento o seguinte:
Durante a fase positiva da idealizao do terapeuta o paciente encontra a realizao dos 
seus desejos podendo desenvolver impulsos suprimidos. Assim ele ganha fora para 
dominar a obrigao principal, quer dizer a de suportar na transferncia negativa o 
mdico que insiste na auto-crtica e que no lhe satisfaz determinadas expectativas. Na 
resistncia o paciente se exercita de fazer a diferena entre desejo e realidade, satisfao 
e renncia, em vez de depender deles.
A arte do mdico consiste em favorecer do modo mais indicado as relaes positivas e 
negativas. Quando se encontra face a uma tolerncia absoluta o paciente se mantm nas 
suas iluses e nas atitudes assumidas. Quando ele  somente onerado ele interrompe o 
tratamento. Assim o v a teoria. Na prtica porm muitos outros fatores intervm ainda. A 
transferncia psicoanaltica rigidamente aplicada e que ultrapassa o tratamento mdico 
comum, produz uma atitude de maior calor, de devaneios ou hostilidade e isenta de crtica 
difcil de ser orientada, no podendo muitas vezes ser transformada em uma relao 
amistosa, natural e verdadeiramente humana. Quem implora o Orkus dos impulsos 
hiponicos e hipoblicos precisa no somente de segurana e domnio de si mesmo, 
correndo um risco cujo fim  imprevisvel.
Aquele sentimento natural e positivo no qual se baseia a relao mdico-paciente tanto 
fsica como psicologicamente  o reconhecimento e a confiana.  da que parte a 
psicoterapia, no se afastando nunca deste preceito. Por isto esforo-me em manter desde o 
incio do tratamento uma
relao de simpatia humana com o paciente, no despida porm de certo distanciamento. 
Esta atmosfera resiste tambm a certas fases de crises que sempre ocorrem. Abafam-se 
assim os afetos onde servimos ou devemos servir de figura de projeo. Afetos exagerados 
ou erticos podem ser evitados ou levados por mo segura a uma relao humana bem 
dosada. O mesmo se aplica  resistncia que deve ser vencida, desde o incio at que o 
paciente tome uma atitude positiva para com a psicognese. Resistncias stuacionistas 
surgem sempre onde se toca em complexos especialmente graves. No assumem porm 
situao dramtica que pudesse dominar a dinmica, quando bem orientadas. Mesmo assim 
conseguem-se bons resultados teraputicos. O pndulo entre transferncia e resistncia no 
precisa ser o motor decisivo para o progresso da recuperao mas representa 
freqentemente um momento que dificulta e retarda a terapia.
Formulemos uma pergunta bastante simples: a psicoterapia deve carecer de tato? A resposta 
seria esta: quando se desvenda ao paciente de um modo grosseiro ou at com um cinismo 
torturante seus complexos, no nos devemos admirar que ele chegue a odiar seu mdico. 
Tais resistncias so nocivas e evitveis. Os complexos mais enraizados e difceis devem 
ser enfrentados por mdico e paciente em conjunto e no momento propcio.  uma questo 
de tato, de relacionamento e educao e de experincia. Uma certa terminologia 
psicoanaltica, da qual se costuma abusar, pode deixar um paciente recalcitrante. Os 
problemas os mais delicados e individuais podem ser expostos num dilogo bem conduzido 
numa linguagem clara sem que a mulher a mais sensitiva se sentisse chocada.
Existem uns poucos mdicos extremamente intuitivos que conseguem, depois de uma 
anlise demorada e sistemtica desvendar ao paciente de maneira surpreendente seu 
complexo central, encurtando assim a terapia, levando-a a bom termo. Numa formulao 
lingstica hbil o paciente se sentir talvez abalado mas no magoado, ao contrrio, sentir 
certo alvio. (o modo bruto e drstico de chocar um paciente pela linguagem aplicada, no 
nos convence, nem sob o ponto de vista humano, nem terapeuticamente). A exigncia feita 
ao tato e  sensibilidade no so menores, mas maiores, em caso de uma prepa rao 
cuidadosa e sistemtica. Esta terapia bem dirigida no se pode ensinar metodicamente mas 
surge do talento pessoal. O efeito de um tratamento analtico psicaggico no depende 
somente da eliminao do recalque. Onde existem recalques de complexos conscientes uma 
discusso aprofundada com o mdico e a ligao conseqente das dificuldades pode surtir 
um bom efeito. Cometeram-se abusos com os conceitos de recalque e de resistncia 
dando-lhe uma importncia que no lhes compete. O recalque nem sempre prejudica e a 
cientificao das vivncias afetivas nem sempre ajuda. O recalque e o esquecimento podem 
criar cicatrizes cujo processo de formao no deve ser perturbado.
Perguntou-se freqentemente se o terapeuta deve comportar-se ativa ou passivamente 
durante um tratamento analtico. A resposta seria: ria primeira metade passivamente e na 
segunda ativamente. A primeira parte serve para obter o material psquico de um modo 
objetivo e sem exercer influncja. Quando as linhas mestras da estrutura da neurose ou da 
psicose se tornam bastante visveis comeamos a infiltrar no tratamento alguns elementos 
ativos e psicaggicos, reforando-os aos poucos, levando o paciente das suas premissas
228
Sobre a Psicoterapia
Psicoterapia da Personalidade        229
individuais, por meio de uma linguagem acessvel, para as conseqncias certas e aos 
rumos de uma vida nova. No ofereceremos nunca uma teoria psicoana ltica ou 
psiquitrica, ou algum conceito tradicional e menos ainda nossas mximas da vida como 
um talism para futuras dificuldades. Levaremos o paciente a levar at o fim as 
conseqncias do seu carter, com todas solues e possibilidades de adaptao possveis e 
as mximas individuais assim formadas. O fim do tratamento nos levar infalivelmente 
para a psicagogia pura. Em caso de necessidade redigimos junto com o paciente uma 
espcie de protocolo que ajuda os pacientes de pouca resistncia vital nos seus momentos 
difceis.
Nas neuroses complicadas no existe uma anlise sem psicagogia e nenhuma psicagogia 
sem anlise. No se compreendem os mdicos que querem pres cindir da anlise pois 
curam seus pacientes pela sugesto e psicagogia. Sem saber onde se encontra o conflito 
individual do paciente, ele no poder ser guiado, e tudo no passar de algumas 
formulaes bem intencionadas e tentativas de disciplina de pouca utilidade. Uma neurose 
complicada raras vezes  uma neurose apenas, mas os sinais superficiais de uma estrutura 
da personalidade total deformada. No se cura a neurose sem reconstruir ao mesmo tempo a 
personalidade. Por isto o paciente necessita em primeiro lugar de uma auto-conscientisao, 
ou seja a anlise. No basta a frmula simplria de estou melhorando dia a dia em todos os 
sentidos. Reconhece ti a ti mesmo  a melhor e a mais acertada parte de toda a 
psicagogia, e de toda a psicoterapia verdadeiramente grande. No devemos esquecer que a 
maioria dos pacientes no pode ser levada a trilhar este caminho por motivos de opinies, 
inteligncia ou situao material e que por sorte nem sempre deve faz-lo. A simples 
transformao  que ajuda, se  que h ajuda. A to difamada cura pelo sintoma tem sua 
razo de ser, conseguindo s vezes resultados timos, por comear por um caminho novo.
PSICOTERAPIA DA PERSONALIDADE
A anlise teraputica deve basear-se em casos individuais e no numa teoria unilateral. Um 
terapeuta que deseja abranger todas as situaes psicolgicas no pode restringir-se  
opinio de uma ou outra escola. Existe hoje em dia um grande tesouro de conhecimentos 
teraputicos, recolhido por pesquisadores de renome que deve ser incorporado 
organicamente em todas as partes da psicologia mdica. Erros, distores, exageros que 
devero ser corrigidos, tm sua origem em certa estreiteza de esprito.
Objetivamente devemos acrescentar que todos os fatores constitucionais de carter devem 
ser considerados bem como a estrutura vivencial das suas vrias manifestaes.
Tipos de personalidade diferente tm diferentes pontos de ataque psicote raputicos 
diferentes. Deve-se saber reconhecer a curva de vida endogenica mente condicionada. os 
infantilismos psico-fsicos. as fixaes. os impedimentos no desenvolvimento da 
puberdade, as oscilaes climatricas, etc. para sentir as vibraes do paciente, formando a 
estrutura teraputica segundo a lei que o criou.
230        Sobre a Psicoterapia
Nos ensinamentos psico-analticos evita-se freqentemente aceitar a mono mania como um 
trauma psquico infantil, que poderiam ser sintomas precoces do modo constitucional de 
reao. Isto obriga o psicoanalista a pro ceder a uma anlise completa, demorada e 
prejudicial sob o ponto de vista afetivo-dinmico de vivncias infantis no diretamente 
patognicas e construes muitas vezes problemticas e tericas. Aps meditao criteriosa 
deixa-se em suspenso o que  hereditrio no material instintivo que encontramos e o que se 
deve a leses cerebrais remotas e adquirido por um desvio constitucional prodisclnico 
(LEMMP, 1964). Deve-se cuidar de no incorrer no erro de construes causais precipitado 
quanto ao primato das vivncias da primeira infncia bem como de dogmas puramente 
hereditrio-biolgicos.
Existem situaes psico-teraputicas complicadas que exigem a ortopedia em vez da 
anlise vivencial como no caso de pacientes cuja neurose no se deduz de determinados 
traumas mas sim pelo sentimento confirmado pelos vrios acontecimentos dirios com 
atitudes bsicas tpicas ou que, na sua perso nalidade total no se adaptam  realidade. A 
terapia consiste ento numa anlise estrutural da personalidade. Quando encontro na 
primeira consulta um esquizide fechado e sensitivo que a muito custo fornece algumas 
indicaes sobre sua psique, eu costumo esboar para ele alguns traos de seu desenvolvi 
mento interior, sobre o qual no falara com ningum, para que ele se contemple como num 
livro aberto. No momento certo tal procedimento serve de relaxa mento e cria 
imediatamente uma forte confiana. Com isto se elimina o sentimento neurtico da 
peculiaridade individual e do isolamento abrindo passagem para uma adaptao especfica.
A anlise estrutural da personalidade  de fato o pano de fundo do nosso trabalho ao qual se 
refere a anlise das vivncias e dos complexos. Com outras palavras: o cardter tem 
precedncia sobre o motivo Somente assim pode-se compreender o nosso mtodo 
especialmente em casos graves e neuroses profundas. Conhecendo os pontos de gravidade 
da vida temperamental e intuitiva, podemos deduzir a qualidade das vivncias e complexos 
embora no esteja de todo excluda uma concluso ao contrrio. Podemos reduzir na anlise 
do carter o problema pessoal a uma frmula simples sem negligenciar a dinmica do 
ambiente e da atitude de comportamento coletivamente cunhada. Por isto atribumos 
especial importncia  diagnstica da personalidade por meio de provas psicolgicas antes 
de iniciar uma psicoterapia e para fins de controle tambm.
Perguntamos ento: de que  feito o conjunto de impulsos com o qual o paciente enfrenta a 
vida? Cada categoria deve ser estudada cuidadosamente para se conhecer sua participao 
na neurose ou se permite concluses sobre discrepncias na estrutura dos instintos. O que 
interessa alm da fora de grau de um grupo  a relao entre componentes principais e 
secundrios entre impulso e freio de impulsos, o grau de amadurecimento, as irradiaes e 
fen menos de mudana. No prximo grau da anlise estrutural fixa-se o tempe ramento 
total e seus fatores individuais. Perguntamos outra vez, como  que os impulsos existentes 
se introduzem no temperamento total?  evidente que uma determinada tendncia de 
impulsos age de modo diferente sobre um ciclotmico fleugmtico do que num esquizide 
viscoso hiper-esttico.
Medicina Psicosomdtica        281
Uma vez fixado o cerne da personalidade de impulso e temperamento podemos colocar 
nesta rede de efeitos vivenciais e ambientais os regulamento ticos e sociais e as influncias 
da educao que por sua vez forma as normas de comportamento no jogo cruzado com os 
fatores constitucionais.
Meu modo psicoteraputico de proceder se diferencia bastante da escola clssica. 
Basicamente a personalidade constitucional se coloca no centro. Seu primeiro escopo  a 
formao do carter e sua conseqente harmonizao. Queremos considerar todos os 
aspectos da estrutura nervosa, a anlise estrutural e vivencial, todo o conjunto de impulsos, 
problemas de simpatia e auto-estimao. Sob o ponto de vista tcnico nosso trabalho se 
estriba nas diversas tcnicas metdicas: explorao aprofundada, anlise de sonhos de livre 
associao, imagens fantsticas livres, experimentos de associao hipnose catrtica. narco 
anlise, RORSGHACH e outras demais provas e experincias.
No aplicamos como mtodo independente, a anlise em estado de hipnose ou num grau de 
narcose leve. s vezes entretanto estes mtodos servem de pontes que podem ser usadas 
onde h entraves fortes onde complexos deci sivos se encontram barrados por motivos 
afeto-dinmicos. Os pacientes sentem isto como benfazejo e o material assim levado  tona 
 trabalhado em estado de vigilncia. No fim apreciamos ainda a conduta final ativa-
psicaggica na segunda parte do tratamento.
A vantagem do mtodo reside na sua aplicabilidade tima  individualidade,
na concentrao e intensificao do programa de trabalho, no encurtamento
de durao do tratamento (1 a 2 meses com sesses dirias), da melhorada
dinmica-afetiva e a diminuio do estado de dependncia que se manifesta
em tratamentos de longa durao.
Somente em casos graves e neuroses profundas o tratamento se alastra por meses. Em 
tratamentos demorados as desvantagens ganham a melhor sobre as vantagens. Aquilo que 
se consegue em material valioso (cientificamente) perde-se em dobro no lado afeto-
dinmico do tratamento, pela diminuio da tenso e a dificuldade de libertar-se. Um 
tratamento que, devido ao seu alto custo,  somente acessivel  classe previlegiada no  
um mtodo de trabalho que tenha peso sob o ponto de vista da medicina. Assim sendo o 
encurtamento de durao do tratamento (1 a 2 meses com sesses dirias), da melhora da 
prtica no so as consideraes tericas que prevalecem, mas o grau de adaptabilidade e o 
sucesso obtido.
MEDICINA PSICOSOMTICA
Para o mdico familiarizado com a psicoterapia e a bio-tipologia, o termo
Psicosomdtico atualmente usado a torto e a direito no  novidade nenhuma,
nem um ponto de vista que surpreenda.
A psicoterapia no  simplesmente psicologia, se no psicofisiologia quer dizer, requer que 
se conheam e compreendam bem as funes fisiolgicas e os regulamentos do organismo, 
assim como seu entrelaamento e sua coorde nao com as foras e fatores psquicos. As 
conexes alternativas entre complexos psquicos, tenses afetivas, regulamentos 
vegetativos e funes meta232        Sobre a Psicoterapia
blicas, apresentam problemas mdicos cotidianos, pois constituem uma rede
indissolvel de fatores psquicos nos estados normais e patolgicos do organismo.
Sem tendncia subjetiva cada rgo reage por reflexo sobre influncias afetivas, crnicas 
ou agudas especialmente no sistema crdio vascular, digestivo e de secreo. Por isto o 
corao se define como sede da vida emocional. Quem compreendeu bem estas relaes 
entender por psicoterapia no somente os mtodos de acesso desde o psquico at as 
doenas do corpo, mas tambm outros inversos por meio dos quais, a partir da 
regulamentao vege tativa se chega s funes psquicas com influncia sobre os 
processos somticos como acontece com os mtodos psico-terpicos de adestramento. Isto 
 o caso nos exerccios concentrativos (autgeno e outros). Ao empregarmos o termo 
psicosomtico, muito abusado hoje em dia, no devemos consider-lo como meio nico, se 
no como de efeito cclico mltiplo entre funes psquicas e vegetativas.
Experimentalmente por exemplo isto  representado pelo ensaio psico-gal vnico 
(VERAGUTH) 1909, no qual se registram as oscilaes do sistema vegeta tivo produzidas 
por emoes e em geral por estmulos psquicos e que podem tornar-se visveis por 
derivao galvnica desde a pele. Assim se refletem por estmulos dirigidos (palavras por 
exemplo) as emoes no registro galvnico como perfil quantitativo. H constituies nas 
quais basta a espera tranqila por uma prova de laboratrio para provocar flutuaes 
vegetativas de 15 minutos de durao ou mais. Comparando estes estmulos psquicos 
mnimos com os que o organismo aguenta constantemente e com uma intensidade muito 
maior na vida cotidiana, chegamos a compreender o que significa a irradiao cons tante de 
tenses e oscilaes afetivas para os mecanismos internos do corpo, para o estado de sade 
e de doena. O organismo inteiro aparece como uma caixa de violoncelo que vibra com 
persistncia e com uma intensidade, quando se toca uma corda.
No podemos afastar a concluso que tambm os rgos internos so submetidos 
continuamente a estas influncias no decorrer das suas funes. Chegamos ao ponto crucial 
onde a medicina clnica e o mdico prtico tm que mudar fundamentalmente seu modo de 
pensar. Acostumamo-nos a diferenciar doenas psicgenas e orgnicas como se um 
profundo fosso as separasse. Na realidade os transtornos psicgenos no se podem imaginar 
sem seus elementos somato-fisiolgicos, s vezes bem importantes e do contrrio as 
doenas classificadas de orgnicas no so independentes nem de origem nem de evoluo 
de fatores causais psquicos. Experimentalmente  improvvel que esta vibrao contnua e 
a repercusso psico-reativa dos rgos internos com regulao vege tativa, em constituies 
frgeis, no ocasionem alteraes em suas substncias, quando se perturba sua funo. Os 
tipos constitucionais de acordo com sua forma especfica de sensibilidade aos estmulos, 
apresentam diversas tendncias a desvios orgnicos, como hipertenso arterial, lcera 
gstrica e transtornos intestinais espsticos. Mesmo assim reconhece-se facilmente a grande 
influncia de fatores psquicos como na angina pectoris, o asma bronquial, e muitas afees 
ginecolgicas.
D-se ento o paradoxo que as psicoses e as afeies psquicas graves
exigem muitas vezes um tratamento somtico que se funda nas investigaes
bioqumicas e metablicas da medicina moderna enquanto que ao inverso
Medicina Psicosomtica        283
algumas doenas fsicas exigem um tratamento fsico adicional. No noss clculo 
diagnstico global as doenas corporais implicam sempre na possibili dade de um fator 
psquico associado, o que se costuma chamar de diagnstico pluridimensional.
Ao lado das irradiaes simples devemos tomar em conta para as relaes
psquicas com o sistema vegetativo os enormes reflexo condicionados (PAvL0w).
Um mdico americano se tornou morftico.
Como se acontecer na aplicao da injeo formava-se sempre na apli cao subcutnea 
e intravenosa uma inchao pois sua pele se tornara alrgica  injeo. Um belo dia, 
decorridos 6 meses da ltima injeo, ele precisava de uma gotas de sangue para um 
experimento bioqumico, tirando da veia do cotovelo. Ao picar com a agulha ele sentiu algo 
como um impulso que sempre sentia no corpo depois de uma injeo de morfina embora 
um pouco mais leve. Poucos segundos aps a retirada do sangue  sem que tivesse havido 
uma injeo, o inchao apareceu de novo. (WEXBERG, 1951).
Vemos assim como a base de uma repetio freqente se constitui uma firme ligao 
psicosomtica, um sndrome composto de elementos psquicos e vegetativos que, embora 
transcorrido bastante tempo responde cada vez com um reflexo genuno a um estmulo 
externo semelhante, mas farmacologica mente neutro. A importncia de tais observaes  
de valor incalculvel para a psicoterapia do mdico moderno. Num sentido negativo se ele 
deve ou no evitar a rotina de reflexos condicionados nocivos atravs de palavras e aes 
repetidas que podem causar, como no caso citado, fix hipocondracas ou autnticas 
variaes funcionais somticas numa direo errada por meio das vias nervosas vegetativas. 
H de se considerar o lado positivo tambm: numa visita diria, a repetio freqente de 
palavras e aes racionalmente ligadas entre si, podem estabelecer vias vegetativas teis 
para dominar doenas somticas manifestas. Na hipnose encontramos estes mesmos efeitos, 
somente consideravelmente forados.
Levantou-se a questo de acordo com FREUD e ADLER do sentido de um sintoma fsico 
e da sua localizao especial ou expresso de outro modo, do simbolismo psquico 
exprimido num determinado sndrome somtico. Nesta direo desenvolvem-se 
especialmente os pensamentos da escola de VoN WEIZSAEKER; prosseguindo 
conseqentemente e com base slida nas consideraes finais, morais e metafsicas chegou-
se finalmente  hiptese de uma culpa pessoal numa doena do corpo, de autocastigo e 
outras concluses parecidas que j encontramos em forma velada em FREUD. Assim 
sendo, a afeo pulmonar do filho, sob o ponto de vista da fixao paterna relacionada com 
um tiro que o pai levou no pulmo ou uma doena das vias gnito-urinrias como defesa 
contra uma ao sexual moralmente delicada (HOFF & RINGEL, 1964).
A linguagem onrica nos ensina que a formao de smbolos vive nas capas hipnicas da 
pessoa atual. Sabemos igualmente por experincia da hipnose mdica que  perfeitamente 
possvel dar a uma determinada idia uma direo corporal prefixada, traduzindo imagens 
vivas nas alteraes somticas correspondentes porque estas transformaes seguem a via 
dos centros vegetativos. No se pode asseverar que a pergunta assim formulada deve ser 
recusada de antemo, embora parea a primeira vista paradoxal comparada com a ideologia 
mdica comum.  raras vezes possvel estabelecer
234        Sobre a Psicoterapia
dedues ou chegar a concluses que possam ser demonstradas e o risco  grande de 
perder-se em meras fantasias. Recomenda-se por isto uma grande cautela neste sentido. 
(ALEXANDER 1951).
Existem sndromes provocados por complexos psicognicos, quer dizer, por idias com 
cargas afetivas, por efeitos circunscritos de vivncias, conflitos instintivos e constelaes 
do ambiente que o paciente no consegue superar. Existem tamb mcasos numerosos que 
no so efeitos circunscritos de complexos, mas sim, uma opresso difusa procedente do 
psquico ou uma diettica psquica inadequada que pesa sobre o aparelho vegetativo e com 
ele sobre o organismo iodo, desgastando-o. Isto se explica por exemplo em pessoas que 
ocupam cargos de grande responsabilidade e que se dedicam aos mesmos, com uma 
ambio extrema, ou de mes de famlia fatigadas em excesso, sentindo-se por isto 
incapazes de arcar com suas responsabilidades. Temos ainda em terceiro lugar as alteraes 
da sade que no so provenientes do psquico mas que admitem um tratamento neste 
sentido como sucede em muitos casos de distonia vegetativa com irradiaes nos rgos 
internos. No podemos julgar o alcance dessas medidas.
No que concerne  tcnica  fcil ver que precisamente neste setor da psicosomtica os 
mtodos de adestramento desempenham um papel principal. Isto se refere antes de tudo ao 
mtodo bifronte padro, que toma tambm em considerao o setor psicoanaltico. De uma 
parte eles se ajustam psico-fisicamente ao princpio da regulamentao tnica indutiva no 
que concerne aos mtodos e efeitos, sendo seu alcance muito maior do que os mtodos 
psicoanlticos aos quais correspondem em troca, as indicae de alguma importncia por 
vias psquicas muito intrincadas. Com estes mtodos alcanam-se tambm as hiperestesias 
e tenses afetivas que, ao menos principalmente, no so afetadas por complexos psquicos. 
Para compreender bem a importncia deste princpio torna-se indispensvel revolver as 
ideologias clnicas tradicionais. Em geral costumamos pensar quando se trata de males 
orgnicos, mesmo hoje em dia, em raios X e preparados anatmicos, associando a estes 
esquemas nossa idia do que ocorre no organismo vivo. Por mais necessrios que sejam 
estes esquemas para esclarecer e comprovar continuamente nosso diagnstico clnico, no 
resta dvida que nossas medidas teraputicas s vezes dificultam e modificam nossas 
medidas teraputicas nos seus aspectos medicamentosos, fsico e antes de tudo psico-
terpico. Enquanto pensamos na arterioesclerose somente no cal e na esclerose mltipla em 
focos irreversveis veremos fechados os acessos teraputicos essenciais, e nossa vontade de 
ao mdica sossobrar no nihilismo. Os preparados anatmicos que servem de base a estas 
designaes no apresentam, de forma alguma o processo patolgico em si, suas causas e 
imagens pois no passam de instantneos de fases finais coneguidos de material inanimado 
e refletem apena intenes secundrias de alguma medida de emergncia do organismo 
frente a noxas e disfunes que j no aparecem na mostra final. O mesmo se aplica a 
muitos outros raios X. No que concerne o roentgenograma aparentemente inflexvel, 
devemos pensar nas fases funcionais prvias, que o precedem, nos componentes funcionais 
que possa conter e nas variaes secundrias de funo que o seguem.
Damos aqui um exemplo til e instrutivo:
Tratamos de um paciente que sofria de neurose obsessiva e que alm disto tinha uma
stenose cicatrisal do piloro, causa de uma lcera antiga. As molstias aumentaram a tal
ponto que uma operao se impunha. A indicao foi feita lege artis pelo cirurgio
MeLicina Psicosom4tica        2i%5
baseada na chapa de raio X que acusava uma estenose to intensa, que no deixava mais 
passagem nenhuma. Como o paciente fazia em nossa clnica os exerccios de base do 
treinarnento autogeno segundo o nosso mtodo padro,, aconselhamos que a operao fosse 
adiada para poder melhorar a funo gastrica por via psicosomtica. Fez-se um exerccio 
ativo at os graus profundos de hipnose, relaxando antes de tudo as tenses no organismo e 
concentrando nosso esforo sobre o estomago. Com esta regulamentao tnica progressiva 
e gradual, a passagem ficou livre sendo possvel suspender, ao menos por enquanto, a 
operao.
 curioso serem to poucos os mdicos que seguem um raciocnio to srnples como este; e 
que explica to bem o efeito psicosomtico descrito, que uma cicatriz ulcerosa no obstri 
por ela prpria a passagem, mas que provoca por si mesma como estmulo de cicatrizao, 
tenses vegetativas secundrias que estreitam mais ainda o duto gastroentrico do que a 
simples trao da cicatriz, O transtorno total se compe de um elemento rgido e outro 
reversvel e s vezes basta atacar este ltimo por meio da regulao indutiva do tonus, 
para conseguir uma melhora funcional suficiente na prtica.
As mesmas perspectivas psicoterpicas existem em casos de angiopatias espsticas do tipo 
da endangiitis obliterante. Quando a Clnica de Medicin Interna nos enviou alguns casos 
de certa gravidade que no correspondiam ao teraputica estando quase perdida a 
capacidade de andar, conseguia-se algumas vezes mediante hipnose ativa gradual, 
restabelecer a capacidade de vencer alguns quilmetros. Nestes casos tambm, o ponto de 
ataque no devia, por intermdio da psicoterapia encontrar-se nas alteraes orgnicas 
como tais, mas em espasmos secundrios das paredes dos vasos, causados por sua vez por 
leses dos mesmos, como estmulo mrbido atuante sobre a regulamentao vacular neuro-
vegetativa, como um crculo vicioso. No  de todo impossvel que este falso circulo 
vicioso, rompido psicoterapicamente, provoque, ou reforce aes realmente curadoras de 
doenas orgnicas. Isto se aplica, quando a indicao  correta, tanto aos mtodos psico-
analticos como aos do treinamento.
 portanto indubitvel que certos grupos de doenas orgnicas possam, em princpio ser 
objeto de psicoterapia, especialmente aquelas que respondem  induo do tonus. Entre 
as curas prodigiosas antigas e modernas conseguidas por sugesto primitiva das massas 
junto a mutos histerismos, mistificaes e auto-sugestes, existem seguramente um bom 
nmero de melhoras de doenas orgnicas de acordo com as regras aqui expostas.
Isto nos leva a formular uma pergunta urgente: como deve ser feita a
indicao diferencial no caso de doenas fsicas, entre os mtodos somticos e
psquicos de tratamento?
No devemos abaixar a psicoterapia para uma terminologia da moda. Torna-se necessrio 
pouco a pouco estabelecer as indicaes distintas entre mtodos de tratamento somtico e 
psquico por meio de uma colaborao estreita entre psiquiatras, internistas e 
ginecologistas, antes de tudo. No perguntamos apenas o que  possvel, mas tambm, o 
que  prtico. Em geral pode-se dizer que onde uma cura de KNEIPP  til o mtodo 
psicoterpcio deve ser relegado a um segundo plano, embora seja ele mais elegante, mais 
demorado e tambm mais dispendioso. No cabe  psicoterapia substituir medicamentos j 
acreditados. Do outro lado, a farmacologia deve sair beneficiada ao se livrar do lastro de 
aplicaes equivocas que a desprestigiam.  certo que j se gastaram fortunas em 
medicamentos, operaes, curas em institutos terpicos, etc. por conta de transtornos 
neurticos evidentes, onde somente uma boa
236        Sobre a Psicoterapia
psicoterapia teria sido til e talvez uma simples explorao em profundidade. A Psicologia 
Mdica serve de ligao entre os plos dos quais ela mesma se alimenta. O somtico deve 
compreender que em princpio todo o organismo  penetrado de esprito at a ltima clula. 
Os psicoterapeutas devem aprender que os elementos de juzos puramente psicolgicos no 
bastam. Quanto mais penetramos nas profundidades, e isto se aplica especialmente  
psicoterapia, tanto mais encontramos elementos psico-fsicos, quer dizer a unidade e 
totalidade indissolvel que chamamos de VIDA e o seu ponto mais ntimo, o corao 
humano, no qual a natureza e o esprito se unem.
Bibliografia
ACHELIS, J. D., H. v. DITFURTH: Befinden und Verhalten, Thieme, Stuttgart 1961
ADLER, A.: ber den nervdsen Charakter. Bergmann, Wiesbaden 1912
ADLER, A.: Studie ber Minderwertigkeit von Organen. Bergmann, Mnchen 1927
AwcAr.rnn, F.: Psychosomatische Medizin. de Gruyter, Berlin 1951
Axans, R.: Ober psychogene Stdrungen in sprachfremder Umgebung. Z. ges. Neurol. 
Psychiat. 60 (1920) 281
ALVERDES, F.: tYber vergleichende Soziologie, Z. Vlkerpsychoi. Soziol. 1 (1925) 21
ALVERDES, F.: Die Tierpsychoiogie in ihren Beziehungen zur Psychologie des 
Menschen.
Hirschfeld, Leipizig 1932
BENTE, D., 5. Wiasnt: Motorische Schabionen bel stufenweiser zerebraler Restitution. 
Mschr.
Psychiat. Neurol. 125 (1953) 13
BERGMANN, G.: Funktionelle Pathologie. Springer, Wien 1938
BERINCER, K.: Rhythmischer Wechsel von Enthemmtheit und Gehemmtheit ais 
dienzephale
Antriebsstdrung. Nervenarzt 15 (1942) 225
BERTSCHINCER, H.: Iiiustrierte Haiiuzinationen. Jb. Psychol. Forsch. Deuticke, Leipzig 
1912
BETHE, A.: fie Anpassungsfhigkeit (Piastizitt) des Nervensystems. Handbuch der 
normalen
und pathologischen Physiologie, Bd. XV, hsg. von A. Bania, G. v. BERGMANN, G. 
EMBDEN,
A. ELLINGER. Springer, Berlin 1931
Bus, R.: Pars pro toto. Thieme, Leipzig 1940t
Bn R.: Lebensgesetze der Liebe (Gefhlseiemente Bewegungen und Metaphern). Hirzel,
Leipzig 1943
BILz, R.: ber die menschliche Schamhaftigkeit. Homo 18 (1967) 24
BILz, R.: Unbewltigte Vergangenheit des Menschengeschlechts. Suhrkamp, Frankfurt 
1969
BINSWANGER, L.: Daseinsanalytik und Psychotherapie. In: Ausgewhtle Vortrge und 
Aufsiitze, Bd. II. Francke, Bern 1955
BIRKMAYER, W., E. FRHMANN, H. SnoTzKA: Motorische Schablonen im Erwachen. 
Arch. Psychiat.
Nervenkr. 193 (1955) 513
BIRNBAUM, K.: Psychosen mit Wahnbiidung und wahnhaf te Einbildnng bei 
Degenerativen.
Mahrholt, Haile 1908
BLESJLER, E.: Zur Theorie der Sckundrempfindungen. Zschr. Psychol. 65 (1913) 1
BLEULER, E.: Naturgeschichte der Seele, Springer, Berlin 1921
BLEULER, E.: Die Psychoide ais Prinzip der organisclien Entwickiung. Springer, Berlim 
1925
BLLULER, E.: Lehrbuch der Psychiatrie, 11 .Anfl. Springer, Berlin 1969
Baruwt, E., K. LEHMANN: Zwangsm Lichtempfindungen dureh SelialI und verwandte 
Erscheinungen. Fuess, Leipzig 1881
BLETJLER, M.: Endokrinologiselie Psychiatrie. Thieme, Stuttgart 1954
BoSS, M.: Psyehoanalyse und Daseinsanalytik. Huber, Bern 1957
BRENTANO, E.: Von der Klassifikation der psychischen Phgnomene. Duncker & 
Humbiot, Leipzig 1911
Buc P. C.: Relationsto abnormal involuntary movements. University of Illinois Press,
Urbana 1944
Bibliografia        237
BBLait, K.: Das Gestaltsprinzip im Leben des Menschen und der Tiere. Huber, Bern 
1960
BUSTAMENTE, M., H. SPATZ, E. WEISSCHEDEL: Die Bedeutung des Tuber cinereum 
und
Zwischenhirns fr das Zustandekommen der Gechiechtsreifung. Dtsch. med. Wschr. 68
(1942) 289
BYKOW, K. M.: Grof3hirnrinde und innere Organe. Volk und Gesundheit, Berlin 1993
CHEIsTIAN, P.: Mdglichkeiten und Grenzen ciner naturwissenschaftlichen Betrachtung 
der menschiichen Bewegung. Jb. Psychol. Psychother. 4 (1956) 346
CONRAD, K.: Ober den Begriff der Vorgestalt und seine Bedeutung fr die 
Hirnpathoiogie. Nervenarzt 18 (1947) 289
DARWIN, CH.: Der Ausdruck der Gemtsbewegungen bei den Menschen und den Tieren.
Schweizerburt, Stuttgart 1910
DELIUS, L.: Psychovegetative Syndrome. Thieme, Stuttgart 1966
DaawostT, A.: Zur Psychophysik der handwerklichen Bewegungen bei Gesunden und
Hirngeschdigten. Enke, Stuttgart 1948
DRIESCII, H.: Bioiogische Probieme hiherer Ordnung. Bios Bd. XI. Barth, Leipzig 1941
BBINGHAUS, H.: Uber das Gediichtnis. Duncker & Humblot, Leipzig 1885
ENKE, W.: Die Psychomotorik der Konstitutionstypen. Barth, Leipzig 1930
FAHRENBERG, J.: Psychophysiologische Persnlichkeitsforschung. Hofgrefe, Gdttingen 
1967
FEUCHTINGER, O.: Fettsucht und Magersucht. Vortr. prakt. Mcd. H. 20. Enke, Stuttgart 
1946
FEUCHTWANGER, E.: Die Funktion des Stirnhirns. Springer, Berlin 1923
FEUCHTWANCER, E.: Anfallsaequivalente und psychische Dauervernderungen bei der 
Epilepsie nach Hirnverletzung. Nervenarzt 3 (1930) 577
FISCHER, H.: Psychopathologie des Eunuchoidismus und dessen Beziehungen zur 
Epilepsie.
Zbi. ges. Neurol. Psychiat. 20 (1920) 481
FRsrs O., O. GAGEL: Em Fali von Ependymzyste des III. Ventrikels. Zschr. ges. Neurol.
Psychiat. 149 (1938) 312
FRANKL, V.: Theorie und Therapie der Neurosen. Urban & Schwarzenberg, Wien 1956
FRANKL, V., V. v. GEN5KrrEL: Handbuch der Neurosenlehre u. 1 Urban u.
Schwarzenberg Mnchen 1957
v. FRANKL-HOCIIWART, L.: ber den Einfluf3 der inneren Sekretion auf die Psyche. 
Mcd. Klin. 8 (1912), 1953
Faaun, 5.: ber Deckerinnerungen. Mschr. Psychiat. Neurol. 6 (1899) 215
FREUD, 5.: Die Traumdeutung, 9. Aufi. Fischer, Frankfurt 1961
FREUD, S.: Zur Einfhrung des Narzipmus. Jb. psychoanalyt. psychopathol. Porsch., Bd. 
VI. Deuticke Wien 1914
FREUD, S.: Zur Psychopathologie des Alltagslebens, 8. Aufi. Internationaler 
Psychoanalytischer
Verlag, Leipzig 1922a
FREUD, S.: Totem und Tabu. Internationaler Psychoanalytischer Verlag, Leipzig 1922b
FREUD, S.: Gesammelte Werke. Imago Publishing Co., London 1941
GALTON, F.: Genie und Vererbung. Klinkhardt, Leipzig 1910
GAMPER, E.: Bau und Leistungen ames menschlichen Mittelhirnwesens. Z. ges. Neurol.
Psychiat. 102 (1926) 154
GAUIP, R.: Zur Psychoiogie des Massenmordes. Springer, Berlin 1914
GELB, A., K. GOLDSTELN: Psychologische Analyse hirnpathologischer F2ille. Barth, 
Leipzig 1920
GLANZMANN, E.: Habitus und innere Sekretion bei Kleinkindern. Jb. Kinderheilk. 110, 
(1925) 253
GOLDSTEIN, K., W. RIESE: t induzierte Vernderungen des Tonus. Klin. Wschr. 2 
(1923) 6
GOLTZ, F.: Der Hund ohne Gro/3hirn. Pflgers Arch. ges. Physiol. 51 (1892) 570
GOTrSCHALDT, K.: Erbpsychologie der Elementarfunktionem der Bebabung. In: 
Handbuch
der Erbbiologie des Menschen, Bd. V/l, hsg. von G. JUsT. Springer, Berlin 1939
GROOS, K.: Die Spieie der Menschen. Fischer, Jena 1899
GRoos, K.: Die Spiele der Tiere, 3. Aufl. Fischer, Jena 1930
GUILFORD, J.: Effectoranalytic study of creative thinking. University of South California, 
Los Angeles 1952
GUILFORD, J.: The structure of intellect. Psychol. Bull. 53 (1966) 267
238        Sobre a Psicoterapia
HXcit V., T. ZIEn ber Erblichkeit der niusikalischen Begabung. Z. Psychol. 88 (1922)
265;        89        (1922)        273;        90        (1922)        204
HANNEMANN, E.: Puberaler Strukturwandel und Z-Test. Phil. Diss. Tbingen 1967
HRTMANN, M.: Die Sexualitt der Frau. Fischer, Jena 1943
HASSLER, R.: Extrapyramidal-motorische Syndrome und Erkrankungen. Handbuch der 
inneren Medizin, Bd. V/3, hsg. von H. Sci-iwxacK. Springer, Berlin 1953
HASSLER, R.: Funktionelle Neuroanatomie. Psychiatrie der Gegenwart 1/1 A. Springer,
Berlin 1967
HUrTMANN, A.: Der Mangel an Antrieb  von innen gesehen. Arch. Psychiat. 
Nervenkr.
66 (1922) 615
Ha H., G. HOLMES: Sensory disturbances from cerebral lesion. Brai,n (1911)
HaRTaa, B.: lJntersuchungen ber Entwicklung und Konstitution in der Pubertt. Studium
Generale 19 (1966) 632
Hass, W. R.: Psychologie in biologischer Sicht, 2. Aufi. Thieme, Stuttgart 1968
HEYER, G.: Psychische Einflsse auf die Motilitt von Magen und Darm. K1in. Wschr. 2
(1923) 2274
HEYait, G.: Das kdrperlich-seelische Zusammenwirken in den Lebensvorgngen. In: Grenz 
fragen Nerven-Seelenleben, hsg. von E. KRETSCHMER. Bergmann, Mnchcri 1925
HEvait, G.: Praktische Seelenheiekunde, 3. Aufi. Reinhardt, Mnchen 1950
HOFF, F.: Grundformen vegetativer Regulationen. Z. nienschl. Vererb. is. Konstit.-Lehre
33 (1956) 265
Horr, H., E. RINGS1: Aktuelle Probleme der psychosomatischen Mediam. Jolis, MUnchen 
1964
v. HOLST, E: Voan Wirkungsgefge der Triebe. Naturwissenschaften 47 (1960) 409
v. HouscHuuER, L.: Praktische Psychologie. Heering, Seebruck 1949
HOMBUIWER, A.: Zur Gestaltung der menschl. Motorik und ihrer Beurteilung. Z. ges. 
Neurol. Psychiat. 85 (1923) 274
JAcKS0N, J. H.: Groonian lectures on the evolution and dissoluti of the nervous system.
Schweiz. Arch. Neurol. Psychiat. 8 (1921) 293; 9 (1921) 131
JAooa, H.: Wahrnehmungsstrungen und Krankheitserleben. Springer, Berlin 1955
JAENSQ{, E. R.: ber die subjektven Anschauungsbilder. Ber. 7. Kongr. exper. Psychol. 
1921
JAENsc E. R.: ber den Aufbau der Wahrnehmungswelt. Barth, Leipzig 1923
JAMES, W.: Zit. nach LANGE
JASPERS, K.: Heimweh und Verbrechen. In: Gesammelte Schriften zur Psychopathologie. 
Springer, Berlin 1963
JASPERS, K.: Allgemeine Psychopathologie, 8. Aufi. Springer, Berlin 1965
JENNINGs, G. S.: Das Vethalten der niederen Organismen. Teubner, Leipzig 1910
J IJNG, C. G.: Diagnostische Assoziationsstudien. In: Beitr zur experimentelien 
Psychopatho logie. Barth, Leipzig 1904
JUNG, C. G.: ber die Psyehologe der Dementia praecox. Marhold, Haile 1907
JuNG, C. G.: Die Psychologie der unbewu Prozesse. Rascher, Zrich 1918
JIJNC, C. G.: Die psychologische Diagnose des Tatbestandes. Rascher, Zrich 1941
JUNG, C. G.: Die Psychologie der bertragung. Rascher, Zrich 1946
JUNG, C. G.: Psychologische Typen. In: Gesanimelte Werke, 10. Aufi., Bd. VI, hsg. von 
M. NIEHUS-JUNG, L. HuRwITz-EIsNnt, F. R!cKLIN. Rascher, Zrich 1967
JuNG, C. G.: Gesammelte Werke, Bd. I-XVI, hsg. von M. NIEI-lus-JuNG, L. HuRwrrz-
EIsNER,
F. RICKLIN. Rascher, Zrich 1958
KAHLBAUM, K.: ber jugendliche Nerven- und Gemtskranke und ihre pdagogische 
Behand lung. Allg. Z. Psychiat. 40 (1884) 863
KALLMANN, F. J.: Comparative twin study on the genetic aspects of male homosexuality.
J. nerv. ment. Dis. 115 (1952) 283
KALLMANN, F. J.: Twin and sipship study of overt male homosexuality. Amer. J. hum.
Genet. 4 (1952) 136
KIELgOLZ, A.: Symbolische Diebsthle. Z. ges. Neurol. Psychiat. 55 (1920) 304
KIENLE, G.: Die optischen Wahrnehmungsstrungen und die nichteuklidische Struktur des
Sehraumes. Thieme, Stuttgart 1968
KSNSEY. A. C., W. II. PoMmoy, C. E. MAETIN: Das sexuelie Verhalten des Mannes. S. 
Fischer,
Frajikfurt 1967
KIN5EY, A. C., W. B. PoMu C. E. MAETTN, P. H. GEBHA Das sexueile Verhalten der
Frau. S. Fischer, Frankfurt 1967
Bibliografia        239
KIRSCHBAU M.: ber zwei ungewhnhiche Flle von Parasexualitt. Z. ges. Neurol. 
Psychiat.
64 (1921) 136
KLAGES, L.: Grundiagen der Charakterkunde, 13, Aufi. Bouvier, Bonn 1966
K. (75:, L.: Handschrift und Charakter. 26. Aufi. Bouvier, Bonn 1968
KI.AGES, W.: Orbitale und hebephrene Verhaltensweisen. Arch. Psychiat. Nervenkr. 194 
(1955/56) 62
KLAGES, W.: Der menschliche Antrieb. Thieme, Stuttgart 1967
KLEIST, K.: Gehirnpathologie. Barth, Leipzig 1934
KLVER, H., P. BucY: An analysis of certain effects of bilateral temporal lobectomy in 
the rhesus monkey with special reference to psychic blindness. J. Psychoi. 5 (1938) 33
KRAEPFLIN, E.: Psychiatrie, 8. Aufi. Barth, Leipzig 1915
KRASJSS, F.: Die allgemeine und spezieile Pathologie der Person. Thieme, Leipzig 1919
KRAUS, F.: Die Tiefenperson. Med. Klinik (1928) 1729
KRETScH E.: Das apallische Syndrom. Z. ges. Neurol. Psychiat. 169 (1940) 576
K E.: Die Orbitalhirn- und Zwischenhirnsyndrome nach Sch Arch. Psychiat. Nervenkr. 182 
(1949) 452
KRETSCIIMER, E.: Psychotherapeutische Studien. Thieme, Stuttgart 1949
KaETSCHMER, E.: Der triebhafte Verbrecher und seine Diagnostik. Arch. Psychiat. 
Nervenkr.
191 (1953a) 1
KRETSCHMER, E.: Der Begriff der motorischen Schablonen und ihre Rolie in normalen 
und
pathoiogischen Lebensvorgngen. Arch. Psychiat. Nervenkr. 190 (1953b) 1
KRETSCHMER, E.: Verletzung der Schadelhirnbasis und ihre psychiatrisch-
neuroiogischen Foigen.
Dtsch. med. Wsehr. 79 (1954) 1709
KRETSCUMER, E.: Hysterie, Refiex und Instinkt, 6. AufI. Thieme, Stuttgart 1958a
KRETScHMER, E.: Geniale Menschen, 5. Aufi. Springer, Berlin 1958b
KEETSCHMEIt, E.: Gestufte Aktivhypnose. In: Hadbuch der Neurosenlehre und 
Psychotherapie, Bd. IV, hsg. von V. E. FRANICL., V. E. FREIHERR VON GEBSATrEL, 
J. H. SCRLSLTZ. Urban
& Schwarzenberg, Mnchen 1959
KRETSCHMF.R, E.: Der sensitive Beziehungswahn, 4. Aufi. Springer, Berlin 1966a
KRETSCHMER, E.: Mensch und Lebensgrund. Wunderlich, Tbingen 1966b
KRETSCIIMER, E.: Krperbau und Charakter, 25. Aufi. Springer, Berlin 1967
KP.ETSCHMER, E., W. ENXE: Die Pers der Athletiker. Thieme, Leipzig 1936
KEETSCHMER, W.: Die Neurose ais Reifungsproblem. Thieme, Stuttgart 1952
KRETSCHSSER, W.: Der Assoziationsversuch nach C. G. JUNG. In: Handbuch der 
klinischen Psychologie. Bd. 1, hsg. von E. STERN. Rascher, Zrich 1954
KRETSCLIMER, W.: Protreptik. In: Handbuch der Neurosenlehre und Psychotherapie, Bd. 
IV,
hsg. von V. E. FRANKL, V. E. F vo GEBSATrEL, J. H. SCFSULTZ. Urban & 
Schwarzenberg,
Mnchen 1957a
KEETSCHMER, W.: Die mythisch-archaische Welt der Schzophrenen ais Krankheits- und
Heiiungsweg. Z. Psychother. mcd. Psychol. 7 (1957b) 204
KRETSCHMER, W.: Kavain ais Psychopharmakon. Mnch. Med. Wschr. 112 (1970) 154
KEETSCHMER, W., R. HAIWUt: Cher archaische Erlebnisweisen bei Schizophrenen. Z. 
Psychother.
mcd. Psychol. 4 (1954) 55
KEOH, O.: Die subjektiven Anschauungsbilder. Wrtt. Schu1wart 2 (1927)
KRONFELD, A.: ber psychosexuellen Infantilismus. Bircher, Leipzig 1921
KROPOTKIN, 1.: Gegenseitige Hilfe in der Tier- und Menschenwelt. Thomas, Leipzig 
1910
KfYNKEL, F.: Grundzge der praktischen Seelenheilkunde. Hippokrates, Stuttgart 1935
KNI F.: Ringen un Reife. Bahn, Konstanz 1962
KPPERS, E.: Der Grundpian des Ncrvensystems und die Lokalisation des Psychischen. 
Z. ges. Neurol. Psychiat. 75 (1922) 1
KUGLER, E.: Neurosis hypophysaria deconcentrations. Wien. klin. Wschr. 37 (1924) 
1191
LACA, D.: The life of the robin. II. F. Witherbey, London 1943
LANCE, C.: Die Gcmtsbewegungen. 2. Aufl. Kabitzsch, Wrzburg 1910
LANCEN, D.: Archaische Ekstase und asiatische Meditation mit ihren Beziehungen zum 
Abcndland. Hippokratesverlag, Stuttgart 1963
LANCEN, D.: Die gestufte Aktivhypnose. 3. Aufl. Thieme, Stuttgart 1969
LANGEN, D.: Psychodiagnostik  Psychotherapie. Thieme, Stuttgart 1969
LEMJP, R.: Frhkindliche Hirnschdigung und Neurose. Huber, Bern 1964
L L.: Das Denken der Naturviilker. Braunmller, Wieri 1921
240        Sobre a Psicoterapia
LIEPMANN, H.: Uber Ideenflucht. Marhold, Haile 1904
LIEPMANN, H.: Apraxie. Ergebnisse der gesamten Medizin. Urban & Schwarzenberg, 
Berlin 1920
LWENSTEIN, O.: Experimentelle Hysterielehre. Cohen, Bonn 1923
LORENz, K.: Psychologie und Stammesgeschichte. In: Die Evolution der Organismen, 2. 
Aufl., hsg. von G. HEBERER, Fischer, Stuttgart 1959
LRENZ, K.: Ober tierisches und menschliches Verhalten. In: Aus dem Werdegang der
Verhaltenslehre, Bd. 1. Piper, Mnchen 1967
LRENZ, K., P. LEvnAusr2 Antriebe tierischen und menschlichen Verhaltens. Piper, 
Mnchen
1968
LUTHE, W., J. H. SCHULTZ, W. KRETscnrvnut: Autogenes Training Autogene Therapie 
Theorie
und Anwendung. Hippokrates, Stuttgart 1971
MAEDER, A.: Der Psychotherapeut ais Partner. Rascher, Zrich 1957
MAGNos, R.: Kdrperstellung. Springer, Berlin 1924
MAGNU5, R., DE KLEvN: Die Abhiingigkeit des Tonus der Extremittenmuskein von der 
Kopfstellung. Pflgers Arch. ges. Physiol. 145 (1912) 455; 147 (1912) 403
MCLEAN, P. I Contrasting functions of limbic and neocortical systems of the brain. Amer.
J. Med. 25 (1958) 611
MAmE, H. W.: ber katathyine Wahnbiidung. Z. ges. Neurol. Psychiat. 13 (1912) 555
MAlsnuAux, R.: La femme et le destin de lAfrique. Editest, Brssel 1969
MARTIN, C. E.: Uber aesthetische Synaesthesie. Z. Psychol. 53 (1909) 1
MARX, H.: Innere Sekretion. 3. Aufl. In: Handbuch der inneren Medisin, Bd. VI/i, hsg. 
von H. SCHWIEGK. Springer, Berlin 1941
MAYER-GROSS, W., J. STEIN: Pathologie der Waiirnehmung. In: Handbuch der 
Geisteskrank heiten, Bd. 1, hsg. von O. BUMKE. Springer, Berlin 1928
MEvER, A. E.: Instinkt-Kollisionen im Hessschen Reizversuch. Arch. Psychiat. Nervenkr. 
199
(1959) 120
MJLLER, R.: Qber musikalische Begabung und ihre Beziehung zu sonstigen Anlagen. Z. 
Psychol.
97 (1925) 191
MONNIER, M.: Neurohormonal Activities and psychic functions. In: Functions of the 
nervous system, Bd. 1. Elsevier, Amsterdam 1968
Mosn4o, J.: Gruppentherapie und Psychodrama. Thieme, Stuttgart 1959
NIETZCHE, F.: Genealogie der Moral. Naumann, Leipzig 1887
NONNENBRUCH, W., O. FEUCHT5NGER: Ober den Wechsei von Fett- und Magersucht 
ais Ausdruck
dienzephal-hypophysitrer Reguiationsstdrungen. Dtsch. med. Wschr. 68 (1942) 1045
O5ERLTEKv, N.: Zur Methodik der Untersuchung der motorischen Komponenten. Z. exp.
angew. Psychol. 32 (1929) 257
Orro, R.: Das Heilige, 31.-35. Aufi. Beck, Mnchen 1963
PAWLOW, 1. P.: Siimtliche Werke. Akademie-Verlag, Berlin 1953-1954
Pechui-Loesche: Volkskunde von Loango, Strecker u. Schrdder, Stuttgart 1907
PELMANN, C.: Psychische Grenzzustiinde, 2. Aufi. Cohen, Bonn 1910
PENFIELD, W., T. RA5MU5sEN: The cerebral cortex ef man. McMillan, New York 1950
PEnas, W.: Vererbung geistiger Eigenschaften und die psychische Konstitution. Fischer, 
Jena 1925
PETEOWA, M.: Patologiceskoe otkionenie razdrazit elnogo i tormoznogo processov pri 
trudnoj
vstrece etich processov. Tr. Inst. Fiziol. (Mosk.) Bd. 1, 1926
PETROWA, M.: Koznye zabolevanija u ksperimentalnych sobak. Tr. Inst. Fiziol. 
(Mosk.) 1945
PETEOWA, M.: Uber die Roile der funktioneii geschwchten Hirnrinde bei der 
Wiederhers tellung verschiedener Pathologischer Prozesse im Organismus. Medgis, 
Moskau 1946
PIRON, H.: Visual reception. Psych 1925, 30
PILLERS, F.: Ober das Auftreten von Kletterbewegungen im Endstadium eines FalIes von
Morbus Alzheimer. Arch. Psychiat. Nervenkr. 200 (1960) 455
Paooc, D.: Motorische Stereotypien ais Verhaltensweisen. Nervenarzt 28 (1957) 18
Pwoe, D.: Verhaltensforschung in der Psychiatrie. Proceedings IV World Congress 
Psychiatry
1966. Excerpta med. Nr. 150
Paooc, D.: Verhaltensbioiogische Hypothesen zur Entstehung endogener Psychosen. In:
Schizophrenie und Zyklothymie, hsg. von G. HUaER. Thieme, Stuttgart 1969
Bibliografia        241
POPPELREIJTER, W.: Zur Psycholagie u. Pathalagie der optischen Wahrnehmung. Z. ges. 
Neural.
Psychiat. 83 (1923) 26
PORTMANN, A.: Tdtungshemmung und Arterhaltung. In: Die Frage der Tadesstrafe. 
Piper, Mnchen 1962
PREUSS, K. T.: Die geistige Kultur der Naturvdlker. Teubner, Leipzig 1914
prinzharn, H.: Bildnerei der Geisteskranken. Springer, Berlin 1968
PUP P., Bagen: ber die Beziehung zwischen einer Arbeitsleistung der Hand und geistiger
Arbeitsleistung. Z. exp. angew. Psychal. 25 (1925) 374
Rnss, E.: Zur Thearie der schizaphrenen Denkstdrung. Zbl. ges. Neural. Psychiat. 25 (1921) 
432
Rvsz, G.: Ursprung uncL Vargeschichte der Sprache. Franeke, Bern 1946
RICHTER, H. E.: Akustiseher Funktionswandel bei Sprachtaubheit. Areh. Psychiat. 
Nervenkr.
196 (1957) 99
RIESE, W.: Ober Persbnlichkeitsmerkmale hypaphysrer Fettsehtiger. Mschr. Psychiat. 
Neural.
59 (1925) 240
ROTHACKER, E.: Die Schichten der Persdnlichkeit, 7. Auf 1. Bauvier, Bann 1966
SANDER, F.: Beitrge zur Psychalagie des stereaskapischen Sehens. Arch. Psychal. 65 
(1928) 191
SCHFFNER, K.: Eine neue Sprache? Callwey, Mnchen 1908
SG P.: Wahn unci Erkenntnis. Springer, Berlin 1918
SCHILDER P.: ber Gedankenentwieklung. Z. ges. Neural. Psychiat. 59 (1920) 250
SCHILDER, P.: Seele und Leben. Springer, Berlin 1923
SCHILDER, P.: Medizinische Psyehalagie. Springer, Berlin 1924
SCHILLER, F.: Briefe ber isthetische Erziehung. 15. Brief. 1794
SCHMIDT, 1sf.: Jndianerstudien in Zentra Reimer, Berlin 1905
SCHNEIDER, K.: Studien ber Persdnlichkeit und Schicksal eingeschriebener 
Prastituierter.
Springer, Berlin 1921
SCHOLz, W.: Klinische, pathalagisch-anatamische und erbbialogische IJntersuehungen bei
familirer, diffuser Hirnsklerase im Kindesalter. Z. ges. Neural. Psyehiat. 99 (1925) 651
SCHULTZ, J. H.: Ober Schichtenbildung im hypnatischen Selbstbeabachten. Mshr. 
Psychiat.
Neural. 49 (1921) 137
SCHULTZ, J. H.: Die seelisehe Krankenbehandlung (Psychatherapie), 8. Aufi. Fischer, 
Stuttgart
1963
SCHULTZ, J. H.: Das autagene Training, 13. Aufl. Thieme, Stuttgart 1970
SCHLTZ H.: Lehrbueh der analytisehen Psyehotherapie, 2. Aufl. Thieme, Stuttgart 1970
SEMON, R.: Die Mneme als erhaltendes Prinzip im Weehsel des arganischen Geschehens,
5. Aufl. Engelmann, Leipzig 1920
v. SIEaENTHAL, W.: Die Wissenschaft vem Traum. Springer, Berlin 1953
SKALIeRA, V.: ber die sag. Primitivsprachen. Lingua Pasrianiensis 6 (1957) 84
SLAV5ON, 5.: Einfhrung in die Gruppentherapie. Verlag fr medizinisehe Psyehalagie, 
Gdttingen 1956
SOMMER, R.: Dreidimensianale Analyse von Ausdrucksbewegungen der Sinnesargane. Z. 
Psychal.
16 (1898) 275
v. D. STEINEN, K.: Deter den Naturvlkern Zentral-Brasiliens, 2. Aufl. Reimer, Berlin 
1897
STEINWACHS, F.: Die verfeinerte Sehreibwaage. Areh. Psychiat. Nervenkr. 187 (1952) 
521
STIRELIN, E.: ber die medizinischen Falgezustnde der Katastraphe van Caurrires. 
Karger, Berlin 1909
Sroscvss, B.: Hypnase in der rztliehen Praxis. Karger, Basel 1955
STORCH, A.: Zur Psychologie und Pathologie des Selbstwerterlebens. Arch. Psychol. 37 
(1918) 113
SToRCH, A.: Das archaisch-primitive Erleben und Denken der Schizephrenen. Springer, 
Berlin
1922
STORCH, A.: Der Entwieklungsgedanke in der Psyehopathalogie. Ergebn. inn Med. 
Kinderheilk.
26 (1924) 774
STUMPF, C.: Gefhl und Gefhlsempfindong. Barth, Leipzig 1928
TINRERCEN, N.: Instinktlehre. Parey, Berlin 1952
T5CHERNORUZRIJ, M.: Erfahrungen m dem Studium der Typen der hheren 
Nerventtigkeit
in der Klinik fr innere Krankheiten. Klin. Med. 32 (1954) 330
VERACUTH, O.: Das psyehogalvanisehe Reflephnomen. Karger, Berlin 1909
242        Sobre a Psicoterapia
V1LLINGFi W.: Gibt es psychogene, ,nicht hysterische Psychosen auf normalpsychischer
Grundiage? Z. ges. Neurol. Psychiat. 57 (1920) 174
Voer, C., O. V0Gr: Zur Kenntnis der pathologischen Vernderungen des Striatum. S.-B. 
dtsch.
Akad. Wiss., Abt. B, 14. Abh. 1920
VOCT, C., O. VOGT: Zur Lehre von den Erkrankungen das striopallidren Systems. J. 
Psychoi.
Neurol. Erg. H. 3, 1920
Wmti, E.: Der Einflu$ psychischer Vorgiinge auf den Krper. Springer, Berlin 1910
v. WEIZSCKEa, V.: Der Gestaltkreis, 4. Aufi. Thieme, Stuttgart 1950
WELLaK, A.: Die Polaritt im Aufbau das Charakters, 3. Aufi. Francke, Mnchen 1966
WETZES., A.: Vber Schockpsychosen. Z. ges. Neurol. Psychiat. 65 (1921) 288
WEBERG, E.: Ursachen und Symptome der Arzneimittelsucht und des Alkoholismus. Z.
Psychother. mcd. Psychoi. 1 (1951) 227
Wiasaa, ST.: Die motorschen Schablonen des Oralsinnes. Fortschr. Neurol. Psychiat. 23
(1955) 94
WINKLrR, W.: Psychologie der modernen Kunst. Alma matar, Tbingen 1949
WINKLE.R, W. T.: Der Traum. Fortschr. Neurol. Psychiat. 22 (1954) 227
WINKLER, W. T.: Dynamische Phanomenologie der Schizophrenien ais Weg zur gezielten
Psychotherapie. Z. Psychother. mcd. Psychol. 7 (1957) 192
WOLFENSBER&ER-HXSSIG, C.: Soziale Instinkte das Menschen und ihre Beziehung 
zum Autismus
infantum Kanner. Schweiz. mcd. Wschr. 99 (1969) 306
WOLPa, J.: The practice of behavior therapy. Pergamon, New York 1970
Woous, F.: Heredity and the Hall of fame. Popular science monthly 82 (1913)
WeNDT, W.: V4ilkerpsychologie, 3. Aufi. Bd. III, Kroner, Leipzig 1912
WUNOT, W.: Elemente der Vlkerpsychologie. Kr Leipzig 1913
ZAcLIARIAs, G.: Satanskult und schwarze Messe. Limes, Wiesbaden 1964
ZELLER, W.: Koustitution und Entwcklung Verlag Psychol. Rundschau, Gttingen 1952
